The Nightmare of Darkness
3 Nathaniel
Nate passava os canais da TV procurando algo interessante, e se surpreendia cada vez mais com o que os humanos gostavam de assistir nesse século. Às vezes sentia falta dos tempos antigos, quando não existiam carros, celulares ou televisão. Quando não existia tecnologia que substituísse as mãos humanas nas tarefas diárias. Quando tudo era falado pessoalmente; quando ele ainda acreditava em um amor que o faça mudar tudo pela pessoa. Lembrava de seu primeiro amor, Katerina Petrova, antes de se tornar vampiro.
Bulgária, 1489
Nate se lembrava de correr pelos campos verdes, estava feliz. Sentia-se livre. O vento soprando em seu rosto, e a luz do sol o iluminando. Se fechasse os olhos podia se imaginar voando em direção ao infinito, como um pássaro. Tinha visto Katerina Petrova, seu grande amor, escondido na noite anterior. Suas famílias não apoiavam o amor dos dois, pois ela estava prometida a outro homem e não poderia se casar com Nate. Porém, mesmo com o desagrado de seus pais, isso não impedia ou diminuía o amor deles.
–Se alguém o pegar aqui, estará morto ao amanhecer. — preocupou-se Katerina; ela continuava chorando.
–Se esta for minha ultima noite e eu a aproveitar contigo, minha senhora, amanhã estarei feliz, mesmo se estiver morto. -Nate não estava exagerando. Katerina era seu chão. Tinha certeza que a amava assim como tinha a certeza de que o céu era azul, e estava disposto a tudo por ela. Talvez fosse essa a única certeza de sua vida.
–Não diga tal coisa, eu não consigo imaginar um mundo onde você estivesse enterrado, dormindo pela eternidade abaixo da terra. — admitiu Katerina.
–Pare de chorar, meu amor, eu juro que irei embora ao amanhecer e nunca mais volto a incomodá-la, só me deixe passar essa noite contigo e serei o homem mais feliz do mundo. — pediu Nate. Katerina finalmente parou de chorar e permitiu Nate a passar a noite em com ela, em seu quarto. Nate foi embora ao amanhecer como havia dito, e prometeu a Katerina jamais incomodá-la novamente, mas sabia que isso nunca seria possível.
No ano seguinte, Nate descobriu que sua relação com Katerina tinha gerado uma filha, e que a família a expulsou de casa por isso, e se sentiu terrivelmente culpado. Quando soube da noticia que circulava pela cidade, partiu em uma busca insana pela jovem Petrova, mas nunca a encontrou. Com uma saudade inconsolável de sua dama, Nathaniel decidiu cuidar da criança, fruto de um amor com um futuro improvável.
Hoje em dia, tudo parecia tão falso e superficial. Percebeu que mesmo perdido em seus pensamentos e lembranças, continuava passando os canais da televisão buscando algo que sabia que não encontraria ali; e então Nate resolveu procurar Jasper, coisa que ultimamente, era o que fazia de melhor. Subiu até o segundo andar da casa, e virou o corredor, o quarto de Jasper era a primeira porta a esquerda. Bateu na porta e esperou uns instantes. Não houve resposta. Tentou novamente, e esperou mais tempo, até que ficou impaciente.
–Jasper... Jasper, está tudo bem?
Milhares de coisas passaram pela mente de Nate neste momento, e ele abriu a porta e entrou. Não havia ninguém. Nada alem da cama bagunçada e dos livros espalhados pelo cômodo, e o bilhete anônimo em cima da mesinha de cabeceira.
–Merda, Jasper! -xingou Nate, e socou a parede por impulso.
Conhecendo o amigo, sabia exatamente onde tinha ido. Correu até o quarto onde Holly estava e bateu na porta. Holly abriu em uns instantes. Estava usando uma camisola. Em outras circunstâncias, Nate ficaria encantado, mas não conseguia pensar em nada além do possível perigo que Jasper estava correndo.
–Jasper não esta no quarto. -Falou rapidamente.
Holly parecia confusa.
–Olhe, eu sei que ele é seu amigo, mas é sexta-feira, ele tem direito de sair, e se divertir...- disse Holly.
–Ambos conhecemos Jasper muito bem, tenho certeza que ele não saiu pra se divertir. — Nate tirou do bolso o bilhete que Jasper tinha recebido hoje à tarde, e Holly entendeu na hora.
–Vou trocar de roupa. -Holly começou a fechar a porta, mas Nate se alarmou e segurou a porta, impedindo-a de fechar.
–Espera, não acha mesmo que eu vou deixar você ir comigo sem saber o que vamos encontrar la, ou acha? Sem chances. — informou Nate.
–Não preciso da sua autorização. — argumentou Holly.
–Holly, você é humana, e me importo com você, preciso de você segura. Fique, e eu cuido disso. — havia um brilho incomum nos olhos de Nate, Holly reparou, mas o brilho sumiu tão rápido quanto apareceu.
–Nate, Jasper é tão meu amigo quanto é seu, eu quero ir. Por favor, não me impeça. — Holly falou de uma forma calma, e Nate não resistiu, fez que sim com a cabeça, e Holly bateu a porta, e em alguns minutos estava vestindo uma calça jeans e uma camiseta amarela simples, pronta pra ir atrás de Jasper. Os dois desceram a escada apressados e abriram a porta. Surpresa. Havia uma mulher parada em frente a porta como se estivesse a espera deles. Era loira, alta e tinha um olhar sagaz no rosto, um olhar que seria capaz de convencer qualquer pessoa a fazer o que ela quisesse. Parecia forte, mas não do tipo físico.
–Meu nome é Cara.
–Prazer, Cara. Me dê licença, hoje estamos com um pouco de pressa. Talvez depois. -Holly tentou desviar dela, mas no mesmo momento Cara respondeu:
–Acho que vocês não vão sair daqui hoje.
Era verdade. Ao tentar sair, Holly deu de cara em uma barreira invisível que bloqueava a porta. Estavam presos.
Jasper estava encarando os olhos verdes de Evie, que eram encantadores e assustadores ao mesmo tempo. Esperava encontrar alguma fraqueza ou um pingo de medo, mas não viu nada. Se havia algo, ela escondia muito bem.
–O.k, vou direto ao ponto. Quero um feitiço. — disse Evie. Jasper não conseguiu conter a risada sarcástica.
–Me procurou por todos esses anos por um feitiço? Agora sim estou surpreso. — ironizou Jasper.
–Mas não é um feitiço qualquer.- ela deu aquele sorriso assustador — Cuidei de que todas as bruxas que estivesse no redor de Carter Hill fossem mortas para que não possa me enganar.
–Como vou procurar um feitiço se não tem nenhuma bruxa? E que tipo de feitiço?
–Acho que seu amigo Nathaniel saberá te responder. — ela estava calma, o que irritava Jasper.- Te procurei por todos esses anos para conseguir minha vingança, Jasper. Você tirou minha vida humana, e eu vou tirar a vida humana de sua amiga.
–Talvez você não devesse pensar tanto em vingança, isso a faz parecer uma louca.
–Talvez você devesse ir logo, o tempo esta correndo e sua amiga esta cada vez mais perto da morte. — neste momento Evie sumiu tão rápido quanto apareceu, e nem deu tempo de Jasper ver pra onde ela foi.
–Droga. — falou pra ninguém em particular e deu um soco no ar. Não tinha pensado no que tinha se metido ate agora, e desejou que não tivesse vindo encontrar Evie Jones. Tão bela e tão louca. Não fazia a mínima idéia de que tipo de feitiço devia procurar.
Ou como iria explicar isso a Nate.
Já imaginava o que Nate iria falar, e como Jasper culparia a si se algo acontecesse a Holly. Andou rápido em direção ao carro e ignorou todos que o cumprimentaram. Não estava de bom humor. Já tinha visto muitas mortes de pessoas que amava, mas não queria que Holly fosse uma delas. Ainda era cedo pra isso. Dirigiu em alta velocidade, sem ligar para os olhares curiosos das poucas pessoas que estavam na rua. Não conseguia pensar em mais nada alem de como desejava arrastar o rosto de Evie e deformar aquela carinha bonita. Parou o carro em frente a entrada de sua casa, e saiu. Ao subir os degraus da entrada, pode ouvir a discussão la dentro.
–Eu deveria ter a matado quando ela ainda estava na porta. — Era a voz de Nate.
Jasper abriu a porta.
–NÃO ENTRE. — Holly berrou da sala e Jasper deu um passo involuntário para trás.
–O que esta acontecendo? Por que não posso entrar? E quem você devia ter matado, Nate?
–Estamos presos dentro da casa por causa de uma bruxa, e você provavelmente vai ficar se entrar também. — suspirou Holly.
–Creio que seja minha culpa. — Jasper abaixou a cabeça.
–É obvio que é sua culpa. — Nate que estava sentado no sofá, de costas para a porta de entrada, falou em uma voz calma e sombria e então Jasper soube que era problema.
–Eu... eu só.. — gaguejou, ele não conseguia pensar em nada para dizer. — Me desculpe.
–Me poupe de suas desculpas. — Nate agora se levantando e olhando para o amigo, fez um gesto com a mao como se o mandasse parar. — Apenas me diga o que a tal de Evie quer.
–Como você sabe sobre Evie? — Jasper viu o olhar de Nate e percebeu que não era a hora certa para perguntas. — Ok, tanto faz. Ela quer o feitiço.
O olhar de Nate escureceu, mas Jasper não foi o único a notar.
–O que? Que feitiço? Nate, você sabe o que significa, não sabe? — Holly preocupou-se.
Depois de uma longa pausa, Nate respondeu.
–Sim, eu sei o que significa, mas esperava nunca mais ter que tocar no assunto — Nate falou tão baixo que, se não fosse a audição vampiresca de Jasper, ele podia ter quase certeza de que não teria ouvido.
–Precisamos conversar. — Jasper disse mais baixo que Nate, na esperança de que so ele ouvisse, por que apesar de Holly também estar no cômodo, ela era humana e sua audição não era tão aguçada quanto a dos vampiros.
Nate finalmente olhou nos olhos de Jasper, e Jasper leu exatamente o que dizia o olhar dele.
Ah, precisamos mesmo.
–Holly, vai la pra cima e descanse, isso não te fará bem. -Nate hipnotizou Holly, e ela subiu as escadas em direção ao seu quarto imediatamente. Jasper ficou surpreso, apesar de não demonstrar. Nate nunca tinha hipnotizado Holly antes, e chegou a impedir Jasper de fazer isso uma vez.
–Holly esta sendo ameaçada. -Jasper disparou assim que Holly saiu da sala. O rosto de Nate parecia finalmente demonstrar uma expressão: horror.
–Evie quer o feitiço e se você não consegui-lo ate amanha neste mesmo horário, a amiga bruxa dela ira matar Holly, certo? — Nate falou, e Jasper concordou com a cabeça. Às vezes esquecia o quanto o amigo era esperto. Ele percebia tudo antes mesmo que alguém tivesse de detalhar. — Clássico.
–Agora, qual é o tal feitiço? E ela disse que você pode me ajudar a consegui-lo, como?
–Espere, nunca pensei que teria que voltar a falar disso alguma vez na vida. Pelo menos, esperava que não. -Nate fez um gesto irritado com a mao.
–Holly esta em perigo! Não temos muito tempo. Desembucha logo. -Jasper, impaciente como sempre.
–Você nos colocou nessa, agora seja paciente e vai fazer as coisas exatamente como eu mandar. — rosnou Nate. Jasper tinha certeza de que nunca o vira tão irritado.
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