The Night Belongs To You.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Santana’s POV.
“Maya, vamos, vamos.” Chamava minha filha que aparecia correndo de seu quarto segurando seu Ted bear. Como prometido, estávamos indo tomar sorvete depois do almoço. Puck que dormia lá estava indo nos acompanhar.
“Corre, little bear.” Puck agora quem falava pegando minha filha no colo junto com o seu urso.
“Vamos tomar sorvete! Eu posso pedir sorvete de morango? Muito sorvete de morango?” Maya apertava seu urso empolgada fazendo a pergunta diretamente ao Puck.
“Bom, se sua mãe deixar, vamos tomar muito sorvete de morango.” Enquanto Puck falava me olhando, a porta do apto de Rachel se abriu e ela apareceu no hall.
“Tia Racheeel! Nós vamos tomar sorvete.” Maya gritou empolgada fazendo com que todos rissem.
“Ah é? Que delícia, bear.” Rachel a respondia depois de nos cumprimentar.
“Onde você está indo agora, Rach?” Perguntei enquanto esperávamos o elevador.
“Eu estava indo um teste para um show que pretendo participar esse mês.” Rachel, a diva, a rainha da Broadway.
“Sério? Bom, eu espero que você consiga, mas antes de ir, não quer ir tomar um sorvete? Vai ser rápido.” A convidei e ela olhava para Puck e Maya que acenava com a cabeça pedindo que Rachel aceitasse o convite.
“Está bem, da tempo para uma paradinha antes de ir.”
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“E então , Sannie, até agora você não me contou como foi sua noite.” Puck começava a falar enquanto estávamos todos sentados tomando nossos sorvetes na lanchonete da Ellie. “Rachel, sabia que a Santana não dormiu em casa hoje? Pois é, passou a noite em uma festa e-.”
“Você não dormiu em casa?” Rachel me perguntou surpresa. “Faz quanto tempo mesmo que você não dormia fora de casa? Ah claro, há quatro anos.” Ela falava enquanto eu revirava os olhos. “Que tipo de novidade é essa que você não me conta? Eu deveria ser a primeira, a saber.”
“Está bem, primeiro de tudo, eu sai ontem sim, eu fui a uma festa que uma amiga me convidou, e eu confesso que passei um pouco da minha hora, como mãe eu deveria estar em casa antes da minha filha acordar, mas, eu não estava e isso não é algo fora do comum, já fiz isso outras vezes e-.”
“Sim, você fazia isso outras vezes antes de engravidar e agora eu estou muito curiosa para saber quem ou o que te fez dormir fora de casa” Rachel semicerrava os olhos e Puck concordava.
“Ah, por favor, vocês dois.” Dei uma colherada no meu sorvete e olhei para Maya que estava com a boca suja de sorvete de morango.
“Vamos sexy mama, conte logo com quem você estava.” Puck estralava os dedos com pressa, demonstrando impaciência.
Revirei os olhos novamente olhando para Maya que continuava comendo seu sorvete, mas agora prestava atenção em mim. Era como se até ela quisesse saber com quem eu estava na noite passada. Espera, será que ela quer mesmo saber disso? Voltei a olhar para meus dois amigos curiosos a minha frente.
“Meu Deus, como vocês são insuportáveis.” Respirei fundo “Eu fui sim a uma festa de uma amiga que também é dançarina, e por um acaso eu encontrei a Dra F-.” Por um segundo eu parei olhando para Maya que me olhava atenta esperando eu contar. Calma, ela não sabe o nome da própria médica, ela só a conhece por Dra Fabray. “Eu encontrei a Quinn.”
“Quinn? Quem diabos é Quinn?” Puck me perguntava.
Eu fiz um bico inclinando a cabeça para o lado. Rapidamente tampei os ouvidos da minha filha. “Quinn, Dra Fabray.” Falei baixo e os dois arregalaram os olhos abrindo a boca.
“Não. Você tá brincando.” Rachel falava com a mão na boca, enquanto eu tirava a mãos das orelhas de Maya.
“É isso aí, essa é minha sexy mama.” Puck fazia uma cara de quem estava sentindo orgulho. “Mas diz aí, vocês passaram a noite juntas? Fizeram se-.”
“Wow.” Eu o interrompi apontando para minha filha de quatro anos que estava sentada na mesma mesa que nós e ele parou. “Bom, se passamos a noite juntas e eu não dormi em casa. Então supostamente nós fizemos.” Dei um tapa na lateral da sua cabeça. “Que diabos de pergunta é essa, Puckerman?”
“Santana, mas e agora? Não vai ficar um tanto constrangedor quando você for vê-la novamente no hosp-, no trabalho dela?” Rachel quem se mostrava preocupada agora.
“Creio que não, até porque eu não pretendo deixar a noite de ontem por isso mesmo. Ela é ótima, sério, ela foi perfeita, ela é linda. Tem algo nela que é completamente diferente de todas as outras que já fiquei. Seu sorriso, sua risada, seus olhos. Na boa, é impossível esquecer o que aconteceu ontem, não posso deixar ser só aquilo e pronto.”
“Hmmm, alguém está sendo fisgada.” Puck brincou.
“Quem é Quinn?” De repente Maya que ainda tomava seu sorvete perguntava algo que nos fez olha-la. Provavelmente ela estava guardando essa pergunta fazia alguns minutos.
“Quinn?” Rachel perguntava de volta.
“Mhm, mamãe falou Quinn. Quem é Quinn?”
“Quem é Quinn?” Puck se virava me olhando.
“É sua namorada, mama?” Maya perguntou fazendo um olhar para a cara do outro.
“Não, meu amor, ela não é minha namorada.” Respondi passando a mão pela sua bochecha.
“Mas você gosta de garotas, por que ela não é sua namorada?” Ok, ela não vai sossegar enquanto não descobrir quem é Quinn. Pensa Santana.
“Porque nós estamos nos conhecendo ainda, somos apenas amigas.” Eu sorri e ela correspondeu o sorriso voltando a tomar seu sorvete. Pronto, a convenci, agora ela vai parar de perguntar.
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“Bom, eu vou indo, mais tarde nos falamos, Lopez. Quero saber mais sobre sua noite fora de casa.” Rachel se despedia enquanto todos nós saíamos da Ellie.
“Ok Berry, farei um esforço para te contar tudo.” Respondi revirando os olhos.
“Acho bom. Tchau little bunny, nos vemos depois.” Ela deu um beijo na ponta do nariz de Maya. “Tchau, Puck.” Ela o abraçou e depois se virou dando tchau enquanto ia embora.
“Bom, eu vou indo também, preciso pegar minha aparelhagem de som que ficou com o Mike, e depois preciso ir arrumar tudo pra uma festa que vou ser o DJ.” Ele soltou a mão da minha filha dando um beijo em sua bochecha. “Nos vemos depois, ok little bee? Grrrr.” De novo com essa história de imitar dinossauros.
“Ok, tio Puck. Grrrr.” Ela fez o mesmo quase deixando seu Ted bear cair no chão.
“Tchau sexy mama, nos vemos depois e qualquer novidade sobre a tal Quinn, me conte.” Ele deu um beijo na minha testa e saiu deixando apenas eu e Maya ali.
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“Mama, acho que comi muito.” Maya entrava em casa correndo para o sofá deitando de barriga para cima. “To passando mal.”
“Eu falei pra você não comer tudo aquilo, Maya, olha só como você ficou barriguda.” Brinquei com ela fechando a porta atrás de mim e indo me sentar ao lado dela no sofá. “Me deixa ver essa barrigona.” Levantei sua blusa dando beijo na sua barriga fazendo-a rir sem parar.
“Não, para, socorro!” Ela ria colocando as mãos nas minhas bochechas e me segurando. “Mama, eu vou vomitar.” No mesmo instante eu parei e ela estava seria me olhando.
“Você está falando sério, Maya?” Ela balançou a cabeça dizendo que sim. “Eu te avisei, você sempre exagera no sorvete e passa mal, vou começar a cortar esse tanto que você come. Isso é olho gordo, mocinha.” Me levantei indo na cozinha pegar um remédio para minha pequena. Peguei um copo colocando dois dedos de água e pingando cinco gotas de remédio. Voltei para a sala e Maya estava com seu urso sentado em sua barriga e conversava com ele.
“Não, mamãe Tana falou que não pode comer muito, senão você passa mal.” Seu dedinho levantado apontava para o urso com carinho. “Não é verdade, mamãe? Não pode comer muito.” Ela falava comigo enquanto eu me sentava ao seu lado novamente.
“Não mesmo, você precisa comer somente o que aguentar, senão depois fica assim, passando mal e correndo o risco de vomitar.”
“Eww!” Ela fez careta me fazendo rir.
“Vamos, levanta e toma esse remédio que logo você melhora.” A puxei pelo braço e ela se sentou tomando o remédio que tinha gosto de morango. Sim, morango era sua fruta preferida. “Pronto, logo você vai se sentir melhor, gulosa.”
“Está bem.” Ela se deitou novamente. “Mamãe, você pode ligar a televisão, por favor?” Com toda essa educação, era difícil dizer não.
“Na verdade, eu estava pensando, em te levar para deitar comigo no meu quarto e assistirmos um pouco de tinker Bell”.
“Sim, sim, sim!” Ela se levantou empolgada esticando os braços para eu pegá-la e assim o fiz. Ela se agarrou no meu corpo e enquanto andávamos, ela me enchia de beijos na bochecha. “Mamãe, mamãe, mamãe.”
“Eu, eu, eu.” Repeti imitando-a fazendo-a rir.
“Te amo, te amo, te amo.” Sua voz era carinhosa e ela franzia o nariz encostando no meu.
“Te amo, mais.” Chegamos no meu quarto e a coloquei na minha cama. Rapidamente ela se deitou e eu liguei a TV colocando um dos seus DVD dos filmes da Tinker. “Eu já volto.”
Voltei para a sala indo pegar meu celular. Olhei as horas e o relógio marcava 4 horas da tarde. Era um domingo muito tedioso. Desbloqueei o mesmo olhando minhas mensagens. Nenhuma e dei graças a Deus por não ter ninguém enchendo meu saco, mas confesso que esperava uma mensagem de alguém novo — Quinn Fabray -. Será que ela estava pensando em mim na mesma intensidade que eu estava pensando nela? Sei que isso soa completamente clichê, mas ela não me saia da cabeça. Nossa noite de ontem foi maravilhosa, eu nunca estive com alguém como ela antes e não podia deixar aquela noite ficar por isso mesmo.
Fui até o número dela. Tentar não me mataria, até porque, ela era diferente, eu podia sentir que ela era completamente diferente de todas as garotas que já encontrei nessa cidade. Eu queria tentar mais uma vez.
SantanaLopez: Ei, Fabray, está livre amanhã a tarde? Pensei de irmos tomar um café juntas. Text de volta se estiver afim. Xx.
Apertei enviar e voltei para o quarto com o celular na mão. Maya abraçava seu urso com os olhos colados na TV, mal piscava. Me sentei na cama tirando meu sapato e me deitei puxando-a pra perto de mim. “Você vai mesmo me trocar por esse urso?” Perguntei e ela sorriu.
“Ele é o Ted, mama, ele gosta de abraços igual você.” Sua cabeça deitou no meu peito e ela colocou seu urso em cima da minha barriga arrumando um jeito de abraçar nós dois.
Coloquei meu celular no criado ao lado da cama esperando que ele tocasse com alguma resposta de Quinn. Enquanto esperava – não com muita paciência – passava a mão no cabelo liso da minha filha, meus dedos deslizavam com facilidade sobre suas mechas.
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Me mexia na cama sentindo minha filha ainda deitada em cima de mim. Tínhamos caído no sono. Abri meus olhos e o quarto estava escuro, apenas com a luz da TV que iluminava o quarto. Olhei meu celular para checar se tinha recebido alguma resposta, mas nada. A hora marcava 7 horas da noite. Maya estava deitava com uma de suas pernas em cima de mim, ela se encolhia com o seu urso próximo ao meu peito.
Estava um tanto decepcionada por não ter resposta nenhuma da Quinn, imaginei que talvez ela estivesse ocupada, mas ocupada em um domingo? Será que ela trabalha no fim de semana? Tanto faz, se ela não quer sair problema é dela. Quem sai perdendo não sou eu. – Ou talvez fosse? – Droga, por que não consigo tirar ela da cabeça? Praticamente cochilei e acordei pensando e esperando – basicamente – por ela.
Fui até a cozinha deixando meu celular no quarto. Abri os armários procurando algo para comer, mas descobri que não tinha nada decente e quando se tem uma filha não é muito saudável deixar a casa vazia, é sempre bom ter comida, frutas, e derivados por perto. Aprendi isso com a minha mãe.
Encostei na pia pensando no que faria para jantar. Eu tinha ido ao mercado já essa semana, e esqueci de checar meus armários antes de fazer minha compra. Maya acordaria com fome, ela não vai dormir daquele jeito até amanhã. Eu precisava ir ao mercado, e teria que ser agora.
Já tínhamos tomado banho antes de sairmos para tomar sorvete, então deixei para dar um segundo banho na minha pequena depois que voltássemos, antes de dormirmos. Eu colocava seu sapato enquanto ela continuava dormindo. Calcei o meu novamente e me virei para acordá-la. Iríamos fazer algumas compras juntas.
“Hijá?” Me aproximei apoiando meus cotovelos no colchão próximo ao seu rostinho. Uma das minhas mãos foi até sua testa colocando sua franja para o lado. “Maya?” Ela se mexia abrindo os braços. Essa garota era espaçosa. “Little munchkin, acorda.” Dei um beijo suave em sua bochecha e ela coçou um de seus olhinhos abrindo-os lentamente. “Ei, baby, acorda preguiçosa.” Depositei outro beijo em sua bochecha e ela sorriu ainda sonolenta. “Levanta, nós precisamos ir ao mercado comprar algumas frutas.”
“Hm? Mercado?” Sua voz era sonolenta. “Posso levar o Ted?”
“Pode.” Dei um beijo na ponta do seu nariz me levantando. “Agora vamos, levanta.”
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Enquanto andávamos no mercado, Maya ficava no meu colo antes de eu pegar um carrinho que tivesse acento para crianças. Finalmente achei um colocando-a sentada lá enquanto ela segurava o seu urso.
Passávamos pelo corredor de pães onde ela escolhia o que queria comer. Se fosse por Maya, eu provavelmente levaria o mercado inteiro. Peguei dois tipos de pães colocando no carrinho, e um bolinho recheado de chocolate que ela adora. Depois seguimos no corredor de biscoitos, onde ela escolheu mais dois tipos e eu deixei que levasse.
“Cereal, mamãe.” Maya me lembrou de seu cereal que em casa já estava quase acabando. Não entendo ainda o porquê de eu demorar tanto em fazer compras.
“Certo, cereal fica no corredor ao lado.” Comecei a empurrar o carrinho enquanto Maya balançava suas pernas.
Assim que entramos no corredor de cereal, avistei uma loira conhecida, mas não, não era Quinn e sim Brittany. Ela pegava uma caixa de cereal integral colocando em seu carrinho. “Ei, Britt.” Me aproximei e ela se virou sorrindo.
“Santana, de novo a gente se encontrando por aqui.” Ela me abraçou “Já já vira o nosso point.”
“Não seria uma má ideia.” Eu ri saindo de seu abraço.
“E essa pequena linda, é sua filha?” Britt me perguntou passando a mão no cabelo de Maya que sorria.
“Sim, é minha filha, Maya.” Sorri olhando para minha pequena que continuava sorrindo para Brittany. “Maya, essa é a Brittany.”
“Oi Brittany.” Maya falou um tanto empolgada me surpreendendo já que sempre foi muito tímida.
“Oi Maya, você é muito linda, sabia? Até se parece com sua mãe.”
“Olha mamãe, eu me pareço com você.” Ela encolheu os ombros, sorridente por ouvir tal comparação. “Obrigada, Brittany.” Como sempre, educada. “Esse é o Ted.” Ela mostrava seu ursinho para Brittany.
“Oi Ted, eu sou a Brittany.” A loira pegou em um dos braços do urso e o cumprimento nos fazendo ri. Pelo visto Brittany tinha jeito com crianças.
“Hm, Britt?” Algo me passou pela cabeça. Quinn não me respondeu e pareceu me ignorar. Eu não podia mesmo deixar aquela noite ser uma só, eu a queria de novo. Ela não saia da minha cabeça, não era como se eu pudesse tirá-la já que ela foi incrível. Aliás, ela é incrível. Sabia que tinha algo nela que não me deixava desistir e ninguém melhor do que a melhor amiga dela para me dar algumas informações. “Você acha que, hm. Se eu ligar para a Quinn, ela aceitaria sair comigo? Sei lá, de repente irmos tomar um café juntas.”
“Eu acho que sim.” Ela respondeu, mas não me passou firmeza. “Por que?”
“Tentei falar com ela hoje, mas ela me ignorou. Foi por mensagem, sei que é ridículo mandar mensagem, mas eu a chamei para ir tomar um café amanhã e ela não me respondeu e isso já tem algumas horas.” Falei dando de ombros.
“Olha, eu vou ser sincera.” Lá vem. “A Quinn é um pouco complicada, San. Ela tem uma regra estúpida de que não sai com mães de pacientes e aí ela acaba sendo fechada e etc.”
“Mas isso é meio ridículo.” Revirei os olhos “Brittany, ela não estava bêbada na noite passada e tivemos uma ótima noite, como agora ela me ignora?”
“A Quinn é um tanto imprevisível, Santana.” Brittany comentava enquanto passava a mão no cabelo de Maya. Parecia até que as duas eram grandes amigas.
“Ela deve ter se arrependido” Minha última palavra embrulhou meu estomago. Como ela pode se arrepender de algo tão gostoso e incrível? Só se ela fosse louca. É talvez ela seja louca.
“Santana” A voz de Brittany era de preocupação.
“Não, está tudo bem, Brittany, se ela prefere assim, eu não vou insistir, está tudo bem, mesmo.” Sorri, mas claro que era mentira, não estava tudo bem. Não é possível que ela não esteja pensando em mim na mesma forma em que ando pensando nela. Era difícil ignorar tudo isso.
“De verdade? Por que então eu não estou acreditando em você?” Ela ria.
“De verdade, não se preocupe.” Eu ficaria bem, iria esquecer tudo e deixar pra lá. “Bom, nos precisamos ir, porque ser mãe não é fácil e eu preciso ainda comprar outras coisas.” Olhei para Maya que brincava com o seu ursinho, sozinha.
“Então tá bom, a gente se vê por aí, San.” Brittany se aproximou me dando um abraço e eu correspondi. Assim que nos afastamos, ela deu um beijo na bochecha de Maya que sorriu. “Tchau, meninas.” Me distanciava com minha filha assim que Brittany se despediu também indo para outra direção.
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Colocava Maya em sua cama depois que ela caiu no sono no sofá. Assistíamos o mágico de Oz depois que comermos algo. Tinha feito um lanche para nós duas. Ela dormiu no meu colo antes mesmo do filme acabar.
Cobri seu corpo até sua cintura apagando a luz de seu abajur ao lado de sua cama e sai de seu quarto. Maya era como eu, não conseguia dormir com claridade alguma, nem mesmo a claridade de fora de seu quarto. Precisava ser tudo escuro e com a porta fechada.
Voltei para a sala apagando a luz e indo para o meu quarto. Eu não tinha muito sono, então liguei a TV para me distrair, mas minha cabeça não estava prestando muito atenção no programa que passava e sim no que Brittany me disse hoje. Como assim Quinn não sai com mães de pacientes? Ela não estava bêbada e sabia exatamente o que estávamos e o que íamos fazer naquela festa e em momento nenhum ela me contou sobre sua regra e muito menos me impediu de fazer tudo o que fiz.
Não. Ela tem que estar pensando em mim. “Sério, o que está acontecendo com você, Lopez? Nunca pensou tanto em uma mulher assim e muito menos cogitou ideias de correr atrás.” É eu estava me surpreendendo. Geralmente eu deixaria tudo pra lá. Já fiz isso algumas vezes. Já tive mulheres para uma noite só e me livrava de todas antes das 4 horas da manhã para eu voltar pra casa com minha filha, mas dessa vez era diferente. Como pode ser diferente? Como? Se eu a quisesse mesmo, teria que ignorar todo o meu orgulho e ir atrás, mas caso se eu não a quisesse, eu teria que esquecê-la de uma vez, mesmo que seja difícil já que daqui alguns dias Maya teria que se consultar com ela novamente.
Revirei os olhos me mexendo na cama. “Eu vou esquecê-la, vou esquecer e deixar tudo de lado.” Precisava ser assim e vai ser assim. Santana Lopez odeia ser ignorada.
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“Mama, eu não quero ir.” Maya como sempre reclamava em plena segunda-feira de manhã sobre não querer ir para o daycare.
“Maya, eu preciso ir trabalhar e não tem mais ninguém que possa ficar com você hoje e você tem seus amigos que vão estar lá também.” Eu a pegava no colo enquanto carregava sua bolsa e a minha bolsa no meu ombro.
“O JT, a Lily e a Grace vão estar lá?” Ela falava o nome de seus amiguinhos e eu apenas acenei com a cabeça enquanto a colocava dentro do carro.
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Tinha acabado de deixar minha filha na escolinha e agora corria para dar minha aula de dança. Segunda-feira era sempre muito agitado e corrido. Era final de semestre e meus alunos eram quem agitavam mais.
“Bom dia.” Meus alunos já estavam em minha sala esperando. Eu tinha em torno de uns 10 alunos entre 19 a 24 anos. Todos estavam prontos com suas devidas roupas.
“Bom dia, Srta Lopez.” Todos responderam como um coral me fazendo sorrir.
Me posicionei em frente a sala e começava minha aula dando dicas e mais dicas para cada um dos meus alunos. A música rolava e os observava fazer os passos que já tínhamos treinado praticamente o mês inteiro. Corrigia alguns que abriam a perna demais ou de menos e precisavam ser corrigidos o tempo todo.
“Queixo levantando, meninas, se vocês olharem para os seus pés, vão trombar umas nas outras.” Dava mais uma vez, uma dica para três meninas que cismavam em olhar para os próprios pés.
Enquanto dava minha aula naquele dia, tudo corria bem, Quinn não estava na minha cabeça e eu estava distraída o suficiente para não pensar nela. Isso era bom, não era? Acho que sim.
“Ok, crianças, por hoje é só, amanhã nos vemos.” Me despedia da minha segunda classe da parte da tarde que ia embora enquanto eu arrumava minha bolsa. Eu não tinha que dar aulas à noite, fazia isso ano passado até minha filha começar a dizer que sentia minha falta. Não era fácil ouvi-la choramingando com a falta que eu fazia para ela e eu ganhava o suficiente para poder trabalhar em apenas dois períodos. Eu estava na melhor escola de dança de Nova York, eu era uma das melhores professoras, então sim, eu ganhava muito bem.
Assim que fiquei sozinha em minha sala, Quinn voltou a aparecer nos meus pensamentos. Sério? Ela não vai embora? Eu jurei que ela ia sumir e que eu ia esquecê-la. Olhei para o meu celular e já tinha desistido de tentar falar com ela novamente e também não tinha mais esperanças que ela retornasse minha mensagem. Sem dúvidas ela se arrependeu, Lopez, você precisa deixar pra lá, e é exatamente isso que eu farei.
Não, eu não farei. Peguei meu celular com mais uma tentativa em mente. Ela não escaparia de mim tão fácil. Fui até seu número e ao invés de mandar mensagem, liguei. O celular começava a tocar. Tocou uma vez. Duas vezes. Três vezes. “Ok, na quarta vez, eu desligo.” Quatro vezes. Cinco vezes. “Agrh, atende, Fabray, não me faça ter raiva de você.” Sete vezes. Nada. Antes que caísse na caixa postal eu desliguei. “Não, eu vou não vou tentar de novo.”
Uma vez. Duas vezes. Três vezes. O celular tocava novamente. Quatro vezes. Cinco vezes. “Desisto. Quem perde é ela e não eu.” Desliguei o celular jogando-o dentro da bolsa enquanto a pegava para ir embora.
Ser ignorada novamente não era nada legal. Eu odeio ser ignorada e não acreditava que ela estava mesmo fazendo isso. Mas, quem perde é ela e agora eu preciso definitivamente tirá-la da minha cabeça.
Quinn’s POV.
Era difícil e tentador não atender ou responder as chamadas de Santana. Como eu queria poder atendê-la e dizer que aceito tomar um café com ela, mas eu não podia. Isso vai completamente contra minhas regras. Ela é mãe da minha paciente e isso não pode acontecer.
Depois da noite maravilhosa que tivemos, eu não consigo parar de pensar nela. Suas mãos passando pelo meu corpo, seus lábios macios nos meus. O jeito como ela me tratou naquela noite foi incrível, era como se ela soubesse exatamente o que eu queria, mas não, eu não podia ficar com ela novamente, não posso.
Não estou arrependida do que fiz, até porque foi muito bom, mas não, eu preciso sair disso e não quero pensar nela dessa forma. Ela é mãe de uma paciente e a veria com frequência, não quero que fique um momento constrangedor sempre que tivéssemos que nos ver.
Meu celular tocava mais uma vez. Olhei na tela e era ela, Santana Lopez. “San, por favor, para.” Falei em um tom baixo antes de chamar meu último paciente. Não era fácil ignorá-la. Eu nunca pensei tanto em uma mulher com tanto desejo igual pensava nela. Aliás, ela foi à segunda mulher que fiquei desde que me assumi como lésbica e confesso que queria que ela fosse à primeira, porque minha primeira experiência foi um tanto catastrófica.
Santana ficaria decepcionada comigo, ela ia me odiar, mas ia ser bom. Precisa ser assim, por mais que meu desejo por ela só aumente cada vez que me lembro da noite que tivemos. Como uma pessoa pode ser tão boa no que faz desse jeito?
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Me virava na cama de um lado para o outro e nada me fazia esquecer Santana. Era difícil e complicado lutar contra algo tão forte. Não que eu estivesse apaixonada, mas será que eu me apeguei?
“Eu preciso dormir.” Levantei indo até minha bolsa pegar um comprimido que me fizesse dormir até amanhã. Pensar em uma mulher que eu não posso ter, não estava sendo nada fácil. Aproveitei para olhar meu celular e a hora marcava 9 da noite. Claro que eu não ia dormir. Sempre durmo depois das 10 e se eu insistisse ficaria rolando na cama.
Assim que coloquei meu celular na cabeceira da minha cama ele vibrou. Olhei no visor e era uma nova mensagem da Santana.
SantanaLopez: Quinn, eu sei que você está me ignorando, mas eu preciso urgente de ajuda. A Maya não está bem e eu não sei o que fazer. Xx
Essa mensagem parecia um tanto desesperador, e sendo sobre Maya, minha paciente, não acho que eu deveria ignorar.
QuinnFabray: Santana, o que houve? O que ela está sentindo?
Demorou um minuto, mas logo sua mensagem chegou.
SantanaLopez: Eu não sei, ela está com algumas manchas vermelhas e dizendo que está com falta de ar.
QuinnFabray: Ela comeu algo de diferente?
SantanaLopez: Hot dog. O idiota do padrinho dela a deixou comer hot dog e agora ela não está bem. Quinn, eu preciso de ajuda.
Está bem, ela precisa manter a calma.
QuinnFabray: San, fica calma, faça inalação nela e de o remédio antialérgico que eu receitei.
Talvez não tenha sido muito ético de minha parte chama-la pelo apelido, mas foi sem querer. Ops.
SantanaLopez: Quinn, você não entende. Ela não está normal, você pode vir pra cá? É uma emergência.
O que? Ir lá? Sério que ela está me pedindo isso? Não, não, não. Eu não queria vê-la, eu não queria ir lá. Respirei fundo antes de responder. “Tudo pela Maya.”
QuinnFabray: Está bem, Santana, mantenha a calma e me passe seu endereço.
Esperei que ela me respondesse e então peguei minha pequena maleta de emergência que eu guardava em casos como esses e anotei seu endereço. Não era muito longe dali então eu chegaria em menos de 30 minutos. Confesso que estava preocupada com a Maya, mas nem um pouco a fim de ver a Santana. Ou será que estava?
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“Santana o que houve?” Ela abria a porta do seu apartamento me deixando entrar.
“Você veio.” Ela fechava a porta atrás dela e dava um passo em minha direção enquanto eu ficava parada perto dela.
“Claro que eu vim você disse que Maya não estava bem, o que aconteceu? Onde ela está?” Eu perguntava com um tom calmo enquanto ela me olhava.
“Ela está na casa da Rachel.” Como assim na casa da Rachel? Quem é Rachel? Santana me olhava e se aproximava de mim me fazendo respirar fundo.
“Como assim? Ela deveria estar aqui. Como vou examiná-la?” Minha voz agora era um tanto mole já que ela estava a centímetros de distancia do meu corpo e me olhava nos olhos.
“Ela está bem.” Assim que ela me respondeu, eu dei um passo para trás.
“O que?”
“Ela está bem, Quinn.” Ela repetiu a mesma coisa, mas dessa vez uma raiva subiu pelo meu corpo. Ela mentiu pra mim?
“Santana, você mentiu? Você me fez sair da minha casa uma hora dessas pra brincar comigo? Você acha que eu sou idiota?” Alterei um pouco a voz na minha última pergunta e ela se aproximou segurando no meu braço.
“Não, eu não acho que você seja idiota, mas eu odeio ser ignorada e eu sabia que essa seria a única forma de te fazer falar comigo e de me deixar te ver.” Ela só pode estar de brincadeira. Eu estava ficando com mais raiva ainda e a empurrei.
“Você é ridícula.” Minha cara de desprezo era nítida. Eu queria sair dali e ir embora, não acredito que ela fez isso comigo.
Passei por ela andando rápido até a porta, mas antes que eu chegasse, ela segurou no meu braço me virando pra ela.
“Espera, Fabray. Eu sei que não foi uma das minhas melhores ideias, mas eu queria te ver.” Suas últimas palavras me fizeram relaxar um pouco. “Você me ignorou por mensagem e por ligação. Encontrei Brittany ontem e ela me contou sobre uma estúpida regra que você tem sobre não sair com mães de pacientes e devo confessar, é uma regra ridícula." Sua mão começava a relaxar em meu braço e eu ficava mais calma, um pouco irritada por saber que Brittany contou a ela sobre a minha política, mas eu queria ouvi-la. Algo dentro de mim queria ouvir o que ela tinha para falar.
“Olha, Quinn, eu quero sair com você de novo. Eu quero que tenhamos a oportunidade de nos conhecer como Santana e Quinn e não como Dra Fabray e Srta Lopez, mãe da sua paciente. Você sabe que a noite que tivemos foi ótima, você foi incrível, Fabray e desde então eu não consigo te tirar da minha cabeça.” Eu queria sorrir, mas me segurei. “E acredite isso nunca acontece comigo porque eu não me permito pensar em ninguém assim, mas você é diferente. Eu não estou aqui me declarando e te pedindo em namoro. Eu quero apenas sair com você novamente. Esquece essa porra de regra que você fez, porque ela é ridícula, sério, é horrível.” Ela riu e agora eu sorri. “Sério, Fabray, é só um café.”
Fiquei olhando para ela e seu olhar era sincero. Talvez ela tenha razão, essa minha regra é estúpida, eu podia quebrá-la com Santana. Será que podia mesmo? Será que ela valia a pena assim? Bom, eu só ia descobrir se aceitasse seu convite. Seus lábios eram tão tentadores, confesso que precisei me segurar para não beijá-la. Demorei um tempo para responder e ela ficava me olhando. Pelo amor de Deus, Quinn é só um café.
“Está bem. Só um café.” Ela sorria satisfeita quando me ouviu concordar. “Mas não pense que eu não estou com raiva, porque eu estou. Você continua sendo uma ridícula por ter me feito vir aqui só pra isso.” Coloquei minha mão na cintura olhando-a com a sobrancelha arqueada.
“Como eu disse, foi o único jeito de você não me ignorar. E por favor, é só um café, não precisa ficar bravinha, o que na verdade te deixar muito sexy.” Santana se aproximava novamente, seu corpo a poucos centímetros do meu e ela me olhava. Seus olhos desviavam dos meus olhos para a minha boca. Eu podia sentir sua respiração cada vez mais próxima dos meus lábios. Por que raios eu não conseguia me mexer?
Seus lábios encostavam aos meus me fazendo suspirar, o efeito que ela me causava era forte o suficiente para eu não conseguir resisti-la. Era a mesma sensação gostosa daquela noite.
Fechei meus olhos e podia sentir suas mãos deslizando pelos braços lentamente enquanto seus lábios roçavam pelos meus. Santana tinha o dom de me fazer ficar bamba sem ao menos me tocar direito.
“Santana, eu-“ Minha voz era falha e baixa contra seus lábios. Eu precisava ir embora, nos marcamos um simples café e não sexo à uma hora dessas.
“O que foi, Fabray?” Sua voz era sexy e calma. Agora sua língua passava no contorno dos meus lábios, me deixando desnorteada. Eu precisava ir embora.
“Eu preciso ir embora.”
“O que? Eu não te ouvi, Q.” Seus lábios agora deslizavam para o meu pescoço me fazendo fechar meus olhos. Sua língua quente explorava minha pele me fazendo arrepiar. Sua mão deslizava do meu braço até minha barriga me arranhando. Meu Deus isso é muito gostoso.
“Não.” Sai do transe gostoso que ela me colocou e a empurrei. “Não, Santana, para. Eu preciso ir embora.” Ajeitei minha roupa de qualquer jeito e abria a porta atrás de mim. “Nos vemos amanhã então.”
“Amanhã, Fabray. Eu te pego as 7. Sem desculpas.” Pude ouvi-la rindo enquanto eu fechava a porta atrás de mim.
Sorri mordendo o canto dos meus lábios. Eu estava quebrando minha regra, mas quem se importa? Era só um café e claro, uma prova se ela valeria a pena ou não. “Sério Quinn, onde você está se metendo?”
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