The New Us.
7 Queda

– Eu recebi uma ligação – Ziva disse, depois que Gibbs lhe ofereceu um copo de água – um homem me disse que sentia muito pelo meu pai.
Abby pediu seu celular, e ela o entregou. A equipe acompanhou com o olhar uma Abby muito apressada indo para o laboratório. Ela ia descobrir quem havia ligado.
– O homem me disse isso e desligou, sem falar mais nada – ela olhou pra baixo – eu sabia que era brincadeira. Eu pensava que – ela respirou fundo – era uma piada de muito mau gosto. Mas então, eu liguei para o Mossad. Um dos agentes me atendeu e...
Gibbs a abraçou e a levantou da cadeira. Dinozzo estava sentado até aquele momento, e se levantou.
– Está na hora de você saber tudo, não acha? – Gibbs disse e passou as mãos pelo seu ombro.
– Eu posso ajudar, chefe! – Tony disse, mas Gibbs o impediu.
– Você precisa ficar aqui, e descobrir quem ligou para ela. Eu cuido disso.
Dinozzo não tentou insistir, apenas acenou com a cabeça e foi para a sala do esquadrão com Mcgee.
– Eu conheço esse lugar – Ziva disse quando Gibbs estacionou em frente ao jardim de sua casa, onde todos da equipe já estiveram pelo menos uma vez.
– Vamos entrar, certo?
Ele levou Ziva até o porão e ela parou na escada, olhando tudo. Então se sentou ali mesmo, recebendo mais um flash de memória. Ela viu alguém morrer ali onde Gibbs estava.
– Ari – ele disse, olhando para ela – você o matou.
Ela refletiu por um momento, uma lágrima caiu.
– Ele mereceu – ela disse sem olhar para Gibbs.
– Sim, ele mereceu.
Ela começou a fazer perguntas a ele, de como ela havia entrado no NCIS, e ele ia contando tudo. Era melhor do que deixar só ele falar, pois assim ela sentia que era a vida dela, não de outra pessoa sendo contada. Ela soube que metade de seus namorados morreram, e ficou chocada ao ouvir que o pai a deixou na Somália para que a equipe de Gibbs a encontrasse. Respirava fundo e segurava o riso ou o choro a cada revelação sobre si mesma. Teve a conclusão que era muito diferente do que imaginava.
No outro dia, Ziva apareceu no NCIS com uma blusa de moletom e uma bolsa. Começou a pegar suas coisas em sua mesa e coloca-las em uma caixa, sob o olhar de McGee.
– Vai mudar de mesa? – Mcgee disse, sorrindo.
– Vou mudar é de país – ela deu de ombros – voltarei para Israel.
Mcgee parou de digitar e levantou de sua mesa.
– Não é pra sempre – ela apoiou a caixa em sua mesa – é que eu só conheço o que vi lá. Minhas ultimas memórias... Eu acho que devo ficar por lá até me encontrar, entende?
– Entendi. Você já se despediu de Abby? – ele perguntou.
– Ainda não. Passarei lá antes de ir para o estacionamento – ela foi até sua direção e estendeu sua mão – Obrigada por tudo Tim.
Ele a puxou e a abraçou, ela sorriu e pegou sua caixa novamente, mas parou no meio do caminho.
– Mcgee? Pode dizer ao Tony que eu não estou indo por causa dele? Ele pode pensar que é, mas não é. Pode passar o recado?
– Claro – ele voltou a digitar, sabendo exatamente do que ela falava. Não ficou tão chocado quanto pensou que Abby, por exemplo, ficaria. Ele sabia que cedo ou tarde ela voltaria. Ali era sua casa, afinal de contas.
Tony chegou com o almoço dos dois, e viu a mesa vazia.
– Não me diga – ele disse e Mcgee permaneceu calado – NOVATO!
– Sim Tony. Ela foi pra casa dela, a caminho de pegar um avião para Israel.
– Mas como? – Tony deixou os burritos em cima da mesa e pegou a chave do carro.
– Dinozzo! – Timothy o chamou, mas ele simplesmente correu em direção do elevador.
Mcgee revirou os olhos e sorriu, olhando para seu teclado e digitando novamente. Tony nunca mudaria.
Ziva posicionou o telefone entre a orelha e seu ombro, enquanto colocava algumas malas em um canto da sala. O tempo chuvoso lá fora a fazia sentir mais saudades de casa. Tinha que reservar seu voô, e apesar de estar bem em cima da hora, ela teria um em três dias. Três dias e estaria de volta a sua antiga vida. A vida que se lembrava. Ela tirou o telefone e o colocou no gancho, ao lado de uma foto antiga sua e de seus irmãos. Se lembrava exatamente o que estava pensando no momento que o pai tirou a foto, e da alegria que sentia por saber que seu pai estava olhando para eles e sorrindo, sem prestar atenção em nada além de seus filhos. Estava perdida em seus devaneios, quando a campainha tocou.
– Oi! Eu pensei que você já tivesse ido – Tony disse esfregando as mãos, com o cabelo praticamente todo molhado.
Ela sorriu e o mandou entrar.
– Eu vou em três dias – ela foi até a cozinha, pegou uma xícara de café e entregou a ele, se sentando no sofá.
– Eu só vim aqui pra te desejar boa sorte, não queria te atrapalhar – ele percebeu as caixas no meio da sala – e não sabia que tinha visitas.
– Não tenho – ela levantou os braços – só você.
– Eu vi um carro estacionado do seu lado da rua, pensei que fosse aqui. Até estacionei mais longe... – ele foi interrompido por um barulho realmente alto que veio da lavanderia.
– Droga! – Ele institivamente a colocou atras de si mesmo. Se fosse uns meses atras, pediria a ela para lhe dar cobertura. Mas não, não poderia fazer isso agora – vai pro seu quarto e se tranca la, ok? Ele deve ter ido para o lado de fora, eu ouvi passos lá.
Ziva correu até seu armário, pegou sua arma e seu celular. Foi para seu quarto. Mesmo não se lembrando de como agiria a algo assim antes, achou estranho ter que se trancar. Tony deu a volta na casa e não encontrou nada, deu outra volta pela rua e nenhum sinal de alguém. Ainda com a arma em punho, viu os carros do NCIS chegando e Gibbs dizendo que recebeu uma ligação de Ziva. Então eles ouviram um tiro. E um baque. O barulho de alguém caindo. Todos correram até o andar de cima, onde Ziva estava trancada. Tony tentou estourar a porta, mas sua força não foi suficiente. Todos tentaram tirar ele da frente da porta, para que pudessem prosseguir tentand derruba-la, mas depois de dois chutes realmente fortes, ele conseguiu.
Ziva estava em pé, ao lado de sua escrivaninha. Quando a equipe entrou, ela os olhou assustada, e depois para o corpo que jazia no chão. Ela aparentemente atirou na perna do homem, e logo depois acertou uma coronhada em sua testa. Isso não o teria matado, se ele não tivesse batido a nuca na quina de uma mesa de vidro. Agora seus olhos se desfocavam lentamente, enquanto os da mulher que o matou estavam frios. Como se fossem de vidro.
– Ele era o assassino de meu pai, não era? – Ela perguntou, sem ao menos piscar.
– Sim – Gibbs disse – Ziva – ele tentou chegar perto dela, mas ela levantou os braços e saiu do quarto. Ele acenou para que Tony fosse atrás dela, e ele o fez.
– Eu matei uma pessoa – ela jogou os cabelos para trás, fitando a parede – e eu não me sinto diferente. Não me sinto culpada.
– Você nunca pareceu mais consigo mesma do que agora – ele se sentou ao seu lado – você vingou seu pai. Salvou o mundo de mais um vilão. É isso que você faz. Você salva as pessoas. Você me salvou.
– Como? – ela se virou pra ele, e ele arregalou os olhos.
– Muitas vezes, você me deu cobertura e – ele olhou para o outro lado. Os olhos dela o distraiam mais do que ele gostaria — já matou muita gente que queria me matar.
– Ah sim – ela sabia que ele queria dizer algo mais, mas não insistiu.
– Sua casa agora é uma cena do crime – ele disse, dando de ombros – você precisa de um lugar pra ficar até o dia do seu vôo.
Antes que ela pudesse falar algo, ele ofereceu seu próprio apartamento.
– Claro – ela sorriu – só preciso pegar minhas malas.
Ela tinha que sair um pouco pra pensar. E pensar em algo que não fosse Anthony Dinozzo. Entrou no quarto de hóspedes, onde havia colocado suas malas e parou por um instante. Sua casa estava cheia de agentes, e o quarto de hóspedes era o único lugar onde ela poderia ficar sozinha por apenas um minuto. A sensação de atirar em alguém era algo que ela não se lembrava de ter feito e mesmo assim pareceu completamente normal. Seus pensamentos estavam tão bagunçados quanto os agentes do lado de fora.
– Posso ajudar? – Tony perguntou, do outro lado da porta.
– Só estou tentando alcançar uma mala – ela disse rapidamente, subindo na cama, para pegar uma mala em cima do guarda roupa.
Ele entrou e riu da situação, ela olhou pra baixo por um instante, e sorriu de volta. Uma de suas mãos escapou com o movimento. Tony correu para pega-la mas acabou apenas amortecendo a queda. Ela caiu por cima dele, e seus olhos se encontraram. Ele deu um pequeno gemido de dor e ela riu. Então tudo pareceu acontecer muito rápido.
Memórias vieram a sua mente, coisas que ela sabia que estavam ali, mas estavam guardadas sob um véu por onde ela não podia se lembrar. Sua chegada ao NCIS, o primeiro abraço de Abby, quando caiu na fonte com Mcgee, todas os tapas de Gibbs, as batidas de carro, as viagens de cargueiro, tudo voltou de repente.
– Ziva? Está tudo bem? – Tony perguntou, preocupado com sua expressão.
– Eu me lembro.
Foi a única coisa que disse.
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