Notas iniciais
Mais um capitulo, genty. Enem chegando aí, boa sorte pra quem fará! 3bj

Era domingo de manhã. Dia em que as pessoas geralmente acordam tarde, descansam ou fazem visitas. Um dia de sossego de manhã e de tarde. Apenas de noite que vem aquela preocupação da segunda-feira chegando. Naquela manhã Regina estava acordada. Por dois motivos: estava esperando seu filho chegar com o Dr. Archie. E segundo, nem ao menos tinha dormido. Seus olhos estavam inchados por não ter dormido e por ter deixado várias lágrimas cair. Finalmente tinha acontecido. Swan a tinha beijado. E que beijo. Foi simples, mas muito cheio de amor. Amor. Amor era o que Regina deveria ter retribuído a loura. Mas o que fez foi algo sem explicação. A madrugada inteira Regina apenas pensava no como foi idiota por ter feito a Xerife sofrer, ter feito a ficar decepcionada com aquela atitude.

Regina estava arrependida, é claro. Fugiu ainda não sabia o por que. A resposta pra ela era que aquilo era errado. Emma era mulher. Mas depois de algumas horas ela pensou “e daí?”. E essa simples pergunta fez a cabeça de Regina doer a manhã inteira. Se tivesse pensado “e daí?” antes, já estaria nos braços da mulher que ama. E agora só podia lamentar.

Será que todos que são apaixonados agem de forma estúpida?

Regina nunca tinha se apaixonado. Tinha se interessado por um garoto chamado Daniel na sua adolescência. Mas o tempo foi passando e soube que o melhor era ficar sem ele. Ambos não se amavam. Regina sempre foi uma mulher solitária, com apenas alguns de sua família e Kathryn. Percebendo sua solidão, decidiu adotar Henry. O seu maior amor, sua grande paixão. Aquele garoto mudou sua vida, como se fosse uma luz na escuridão.

E agora estava amando, de uma forma diferente. Algo que estava preenchendo seu coração. Mas não permitiu e estava se amaldiçoando por isso.

Além de Regina, outra pessoa não dormiu. Emma estava jogada em seu sofá. Já tinha se levantado, tomado um banho, tomou seu café, ligou a TV e deitou no sofá. Estava inquieta. Algumas pessoas quando estão abaladas ficam em um canto apenas refletindo e remoendo a dor. Emma não, pelo menos não dessa vez. Já tinha chorado o bastante para ficar quieta em um lugar. Queria respirar, estava se sentindo presa naquele apartamento. Se arrumou e se olhou no espelho para dar uma retocada em suas olheiras, olhos inchados. Foi caminhando e certas coisas não saiam de sua mente. Era uma tortura pensar naquele momento. Por que ela não me empurrou antes?

Repreendendo seus pensamentos, viu que o Grannys estava aberto. Estranhou, pois era domingo. Mas se lembrou que muitas pessoas almoçavam lá nesse dia. Aproveitou e passou por lá. Na entrada viu Ruby ajeitando as cadeiras. Como assim ela não está morta de ressaca?

_ Emma, bom dia! – disse Ruby a abraçando com um grande sorriso.

_ Bom dia, Ruby. Você parece estar ótima.

_ O que foi? Pensou que iria acordar destruída? Tive uma ressaca na minha faz uns três anos pra nunca mais ter novamente. – ambas riram. Mas logo a garçonete percebeu os olhos de Emma, aqueles olhos claros que pareciam ter chorado a noite inteira.

_ Vai trabalhar até que horas hoje?

_ Na verdade, hoje não vou. Só vim ajudar minha avó com as cadeiras e a limpeza mesmo. Emma, o que houve? – ela sabia que Ruby iria perguntar, mas não queria lhe dizer nada.

_ Nada, por que?

_ Emma, o que houve? – perguntou novamente com a voz serena. Emma pensou em muitas respostas. “Dor de cabeça, dormi mal, cisco no meu olho”. Mas seus olhos a entregaram quando começaram a lacrimejar novamente. Surpreendendo-a, Ruby lhe deu um abraço apertado e encostou a cabeça de Emma eu seu pescoço e passou a mão em seus cabelos como forma de consolo. Emma tentava segurar suas lágrimas para não molhar a garçonete. Ficaram um tempo assim, até Ruby se separar e olhar para Emma.

_ Quer ir pro meu apartamento? Praticamente já terminei aqui e bem, sobrou umas garrafas de ontem. – Ruby lhe lançou um sorriso acolhedor. Era o que a loura precisava, de um ombro amigo e garrafas de whiskey.

Henry já tinha chegado em casa. Regina agradeceu a Archie por ter cuidado de seu filho e se despediu. Henry estava cansado e foi tomar banho. Ele contou todas as brincadeiras, tudo o que fez na casa de seu amigo Lucas. Foram pra sala assistir seus desenhos favoritos e depois caiu em um sono profundo, no colo de sua mãe. Regina mirava seu filho, carinhando sua cabeça e finalmente conseguiu dormir.

Ao chegarem no apartamento de Ruby, Emma tropeçou em uma pequena caixa no lado da porta.

_ Ops, foi mal pela bagunça. É que estou jogando muitas coisas fora. – disse trancando a porta. – Pode se sentar ali no sofá.

O lugar era aconchegante, tirando a bagunça. Tinha jeans jogado pela casa, garrafas, cobertas, e alguns cigarros.

_ Por favor, não pense que aqui é um puteiro. Meus amigos dormiram aqui e já vazaram, deixaram essa bagunça. – disse Ruby sem graça recolhendo as roupas. Emma deu um riso abafado. – Vou organizar aqui, fica sentava aí.

_ Não se preocupe com isso, Ruby. Ou pelo menos deixe-me te ajudar.

As duas arrumaram bem rápido, nem notaram as horas. Foram conversando e brincando uma com a outra. Emma estava com medo de se envolver com Ruby e seus amigos. Eles eram muito festeiros e Emma era a Xerife da cidade, não poderia passar imagem negativa aos moradores. Mas ficou aliviada ao saber que eles faziam tudo bem escondido e que Graham quando era Xerife sabia o que acontecia, eles mesmo falavam para não se preocupar.

Ajeitaram e deitaram no sofá-cama cinza retrátil de Ruby com as bebidas do lado. Depois de alguns curtos goles, Ruby resolveu conversar e quebrar o clima tenso.

_ Emma, me diz o que houve. – disse com uma voz doce. As suas se encararam e Ruby lhe lançou um olhar de conforto. A loura desviou o olhar e suspirou fundo, olhando para a garrafa em suas mãos.

_ Regina. – disse num sussurro melodramático. E ao ouvir, Ruby se sentiu mal. Porque foi ela que a incentivou procurar Regina e demonstrar o que sentia. Emma deu um gole generoso na garrafa. Era uma bebida não muito forte, dava pra beber pura. E Ruby fez o mesmo, porém a bebida de Ruby era forte e sem mistura.

_ Me fala o que houve entre vocês. – Emma pensou, olhou para sua nova amiga e começou a desabafar tudo o que tinha acontecido.

Regina acordou com seu celular tocando e o pegou rapidamente para não acordar seu filho. Mas quando olhou para o sofá, percebeu que Henry já não estava mais lá. Atendeu a ligação sem olhar quem era.

_ Regina, onde você se meteu? – Kathryn perguntou com uma voz carregada, meio sonolenta.

_ Fui embora mais cedo. – respondeu apenas isso. Ela não queria falar com Kathryn.

_ Meu Deus, estou com muita dor de cabeça. Acho que bebi só uns... Perdi a conta de quanto bebi. – riu de si e esperou Regina rir ou dar algum sermão sobre. Mas nada. – Regina, está aí?

E não ouviu nada, mas ela sabia que Regina ainda estava ouvindo. E de repente, Kathryn ouve sua amiga soluçando em meio ao choro. Kathryn desligou o telefone e foi direto para casa de Mills. Não era longe, mas foi de carro para saber o que estava havendo.

Chegando, bateu na porta mas observou que já estava aberta. Regina sabia que Kathryn iria lá. E lá estava Regina sentada no sofá com as mãos apoiadas no rosto tentando abafar o choro.

E aconteceu a mesma coisa. Regina desabafou o que tinha acontecido.

_ E outra, Kathryn Nolan. – continuou Regina a contar tudo sem parar por um instante. – Estou com muita vontade de te matar.

_ Eu sei, eu sei, me desculpa. – disse Kathryn acolhendo Regina, com a voz mansa. – Foi culpa minha toda aquela história do Robin. Eu só queria fazer ciúmes na Swan.

_ O que?? Por que? – perguntou com as sobrancelhas franzidas.

_ Porque sim, oras. Tava na cara que ela sentia algo por você, só queria confirmar. E pra dar o troco, já que você sentiu também, eu sei foi estúpido.

_ Eu não sabia que ela sentia algo por mim. – disse Regina agora mais calma, olhando para frente.

_ Mas todo mundo sabia. – Kathryn lhe deu um sorriso tímido e Regina se permitiu a sorrir também. As duas ficaram ali sentadas conversando baixo para Henry não escutar.

_ Kathryn, acho melhor você ir embora. Não quero que meu filho sinta esse cheiro de vômito e cheiro de homem.

_ Nossa, amiga, obrigada. – Kathryn por dentro estava mais tranqüila pela amiga já está com aquele humor de sempre. Deu um abraço em Regina e foi pra farmácia comprar remédio porque sua cabeça estava estourando.

_ MAS O QUE? PARA, TA DE SACANAGEM! – foi o que Ruby disse quando Emma contou que Regina a magoou.

_ É, pois é. – disse Emma triste, porém sem chorar. Já tinha chorado o suficiente aquele dia.

_ Cara, tipo assim, não da! – Ruby gesticulava com as mãos e se movimentava. Emma sorriu com a cena e as palavras confusas. – Com tanta gente te querendo e ela desperdiçando.

_ Como é? Me querendo? Até parece, Ruby. – repreendeu a loura sorrindo e balançando a cabeça.

_ Para de show, loura. Você é linda pra caramba, tipo assim, de boa mesmo sabe. – o jeito bêbado e descontraído da garçonete deixava Emma sempre com um sorriso de canto, sempre a reparando. – Essa cidade toda pegaria você. Não, se bem que essa cidade é pequena. Estados Unidos pegaria você.

Emma não se conteve e deixou uma gargalhada passar pelas palavras de Ruby e pelas suas expressões de quando está levemente alterada. As duas de vez em quando mudavam de assunto, se conhecendo mais e mais. Ruby começou a chamar Emma de lourinha, um simples apelido carinhoso. Já Emma começou a chamá-la de loba, porque ela tinha acabado de contar uma de suas histórias. Na historia, Ruby fez uma promessa para suas amigas de ficar sem pegar ninguém até dois meses. E depois de dois meses e um minuto, ela foi pra caçada. E caçou vários.

As duas comeram pizza para não ficar só na bebida. Emma parou de beber no terceiro gole, nem efeito fez muito. Apenas ajudou a se soltar e desabafar. Mas reparou que era melhor ela ir embora porque já estava muito tempo lá, não queria incomodar.

_ Você é hilária. – ambas riram. Emma suspirou. – Loba, obrigada. Tipo, pra caramba sabe, obrigada mesmo. – agradeceu Emma imitando a garçonete.

_ Que nada, Xerife. Não precisa agradecer. Gosto da sua companhia.

_ Eu preciso ir agora. – disse se levantando e sendo interrompida pelo braço da loba a segurando.

_ Mas já? Fica mais um pouquinho. – disse numa voz rouca e chegando lentamente mais perto. Ruby estava tentando seduzi-la. Mas Emma estava rindo internamente. Porque a cara de Ruby estava decadente, maquiagem meio borrada, olhos pequenos, sinais de embreagens. E ela sabia que estava fazendo aquilo porque ela era assim bêbada. Uma das histórias que Ruby tinha lhe contado era que quando estava assim, queria sempre pegar qualquer um que estava em sua frente.

Depois de relutar muito, Ruby deixou Emma ir lhe dando um beijo demorado no rosto e um abraço apertado. Chegando em seu apartamento, tomou um bom banho, colocou um short e uma camisa que obviamente ficaram lindos na loura. Tomou um remédio para dor de cabeça e foi ler qualquer livro.

Regina já tinha tomado banho e estava quase se preparando para dormir. Nem de noite era ainda, mas ela não queria ficar acordada de jeito nenhum. Se culpava e muito pelo o que fez. Pensou em até ligar para a loura, mas ela achou melhor não. Talvez ela nunca mais queira olhar pra mim.

Estava subindo as escadas, quando Henry veio correndo todo eufórico.

_ Mãe, mãe. Vamos na Ems? Essa semana ela disse que eu poderia ir lá no final de semana jogar. Ontem não fui, então vamos hoje? Vamos? – Henry perguntava super animado dando pulinhos. Regina ficou pálida ouvindo o filho. Não teria coragem de deixá-lo com ela depois de tudo.

_ Não, filho. Deixa pra outro dia. Talvez ela esteja bem... cansada. – disse Regina com um sorriso triste tentando convencer seu filho. Henry não ligou para a resposta de sua mãe. Subiu as escadas ainda animado e foi para o quarto. Regina sem entender se sentou no sofá e ligou a TV.

_ Mãe, mãe! Ela deixou! – exclamou Henry descendo rápido as escadas. Regina que estava entretida arregalou seus olhos assustada com seu filho.

_ O que? – perguntou séria.

_ Fui no meu quarto e telefonei pra ela. Ela me disse que não tem problema, só preciso levar o Xbox pra lá porque ela só tem o PlayStation 4. – Henry balançou a cabeça mas ainda bem animado. Regina não sabia onde enfiar a cara.

_ Henry, você não deveria ter feito isso. – disse mais para ela do que pro seu filho.

_ Vamos, mãe. Me deixe lá, não farei bagunça, juro! – implorou o garoto balançando sua mãe. Regina não tinha escolha. Em seu pensamento, se ela recusasse Henry ligaria para Emma e iria dizer que ela não tinha deixado. E Swan ficaria com mais raiva dela ainda.

_ Ta, ta, vamos. – Henry se soltou dela e pulou de alegria. Foi tirando seu Xbox dos fios e colocando em sua mochila pra levar. Depois de escolher os jogos, subiu as escadas e foi ao banheiro escovar os dentes. Regina esfregava seus olhos e pensava sem parar: isso não pode estar acontecendo. Henry desceu, e ela colocou seus saltos. No carro, ela dirigia devagar. Nunca tinha ido no apartamento de Swan, apenas sabia o endereço. Suas mãos já estavam suando no volante, sentia um corrente elétrica percorrer seu corpo. Estava trêmula.

Ao chegarem, ficou receosa quando foi bater na porta da Xerife. Mas quem tomou a iniciativa foi Henry batendo ansioso na porta. E alguns instantes depois, a porta se abriu. Se Regina não estivesse segurando a parede, certamente que iria cair. Nunca tinha visto Emma com roupas normais. Estava linda e sexy, teve que admitir. Mas ela estava olhando nos seus olhos claros. Aqueles olhos que sempre estavam sorrindo e brilhantes para Regina, já não estavam mais. Aqueles olhos que ficavam a encarando com certa admiração, já na estava mais nela e sim, no seu filho, evitando o contato.

_ Henry, que bom que veio. – disse Emma sorrindo. Mas não tão verdadeiramente. Gostava do garoto e de sua presença, porém aquele momento ela estava lutando para não encarar a linda Prefeita que estava do lado dele. – Meu Deus, você não para de crescer. Vem, entrem.

Emma deu espaço para eles entrarem sem ao mínimo olhar para Regina. Era raiva sim, óbvio. Regina disse que sentiu nojo. Isso não se diz a ninguém. Mas a vergonha era mais. Vergonha de dizer que estava sentindo tantas coisas pela morena e a beijar. E Emma também não sabia onde enfiar a cara. Fechou a porta e foi de encontro a eles.

_ Fiquem a vontade. Henry, pode tirar meu PS4 e colocar seu Xbox. Se precisar de ajuda, me chame. Tem muitos fios aí. Vou preparar algo na cozinha. Sente-se, Regina. – ao ouvir as ultimas palavras frias, Regina se sentou e observou o apartamento. Era grande. Enorme, na verdade. E a decoração era do jeito que Regina gostava, rústica moderna. Seus corações estavam em um ritmo estilo tambor, quase uma macumba, uma festa, um samba. Ou talvez um rock bem pesado. Regina observando seu filho tirando seu vídeo game da mochila com todo o cuidado, sabia que ele iria demorar a montar. E também, jogaria sozinho. Então, passou uma coisa pelos pensamentos de Regina. E ela estava disposta a fazer. Pelo menos agora teria a coragem e não seria covarde. Se levantou antes de perder o ânimo e foi para a cozinha. Henry percebeu sua mãe saindo da sala, e deu um largo sorriso. Estava um pouco iluminada, um luz fraca que deixava o lugar mais bonito ainda. A loura estava de costas, seus cabelos conseguiam brilhar mesmo com aquela luz. Regina chegava mais perto de uma grande mesa no centro e se encostou enquanto se encantava com aquela mulher. Sim, uma mulher. Estou apaixonada por uma mulher. Uma linda mulher que também me ama, ou não sei, depois de tudo. E que ama meu filho também. Inteligente. Hilária, devo dizer e muito. Me faz tão bem. Tão bem. Eu não perdê-la. Não posso. Tudo isso ecoava nos pensamentos de Regina. Ela sabia que foi difícil pra Emma também admitir que estava apaixonada por uma mulher. Mas aconteceu. E elas se amam.

Perdida em seus pensamentos ela “acorda” quando Emma se vira e a encara surpresa. Emma não esperava Regina ir até ela. Se encararam sérias, sem transmitir nenhuma expressão. Apenas suas respirações pesadas. Emma com vergonha chegou lentamente perto de Regina. Era embaraçoso, mas tinha que dizer aquilo que queria.

_ Regina. – disse Emma rouca, quase um sussurro. Uma simples palavra e Regina se arrepiou com aquela voz. Estavam se olhando tanto, tão próximas. – Me desculpe. Por ontem. Não queria te ofender. – E finalmente Emma olha para baixo, com vergonha de encarar aquela mulher depois de tudo. Por essa, Regina não esperava. Na verdade, ela não sabia o que esperar. Ela só queria aquela mulher por perto. Emma suspirou fundo várias vezes e a encarou novamente – Eu prometo não fazer mais isso, não quero que se afaste de mim. Nem você e nem Henry. – Eu prometo não fazer mais isso. Isso ecoou na cabeça de Regina. Ela queria. Naquele momento. Amanhã. Todos os dias. E quando ela disse, doeu. Mas ela sabia que merecia depois do que houve. – Eu não deveria ter feito aquilo. Me desculpe.

Regina prestava atenção em cada palavra, em cada gesto. Seu coração estava em um ritmo forte fazendo seu corpo ficar quente. Seus olhos não desgrudavam dela. As duas se encaravam e Emma já não sabia mais o que fazer. Mas Regina sabia. A Prefeita abaixou o seu olhar, foi por todo o rosto de Emma. Perfeita. E depois seu olhar parou em seus lábios rosados tão convidativos. Regina voltou nos olhos de Emma e reparou o quão intenso era o olhar da loura.

Estava incontrolável.

E Regina não queria se controlar.

Se aproximou mais de Emma deixando seus corpos quase encostando. Ela não agüentava mais. Emma parecia um imã. E Regina queria ficar grudada nela.

E então, Regina a beijou.

Emma olhou assustada, mas de imediato fechou seus olhos com aquele toque em seus lábios. Ela não esperava. Seus lábios estavam se tocando novamente como na noite anterior. Levemente e com cuidado. Um reconhecer dos lábios, um lento beijo se iniciou. Suas bocas realmente foram feitas uma para outra, agora elas tinham certeza. Emma segurou Regina pela cintura, fazendo a morena ter delírios e se arrepiar. Mills passou seus braços pelo pescoço de Swan e com sua mão esquerda, segurou de leve seus cabelos lisos e sedosos. As mãos de Emma passeavam pelas costas da morena.

E depois de alguns momentos, de repente o beijo mudou.

Algo com mais urgência, até mesmo um pouco agressivo de certo modo, mas com carinho.

Emma chupava e dava leves mordidas nos lábios de Regina. Seria essa sensação de paraíso? Porque a Prefeita não estava mais se controlando, esquecera de tudo em sua volta. E ficaram em êxtase quando Regina se encostou na mesa e seus corpos se colaram mais ainda. Regina fazia o mesmo com a loura. Sentir não só aqueles lábios, mas também o corpo da loura era fatal. Xeque mate. E Emma sentia o mesmo. Não queria parar. Queria cada pedaço de Regina. Era apenas um beijo lento, calmo, apaixonado, e agora avassalador. E ficaram assim. As vezes brigando por dominância. Depois de um beijo daqueles de cinema, elas foram com mais calma novamente, saboreando cada pedaço e cada momento. E depois um beijo começou a ficar lento novamente, e se encerrou com um selinho demorado. Elas tinham que ter parado. Precisavam de ar. Mas não se desgrudaram. Respiravam forte, como se esquecessem como fazia aquilo. Regina encostou sua testa na de Emma, e assim ficaram até se acalmarem. A realidade ecoava. Seus olhos que estavam embaçados quando pararam, estavam voltando a enxergar normalmente e com clareza. Que beijo perfeito. O melhor. O melhor de suas vidas. O engraçado é que elas pensaram isso naquela noite passada. Talvez se amassem todos os dias, cada dia iria ser melhor que o outro.

Regina estava começando a sentir o corpo de Emma se afastar. E quando ela sentiu, a abraçou novamente. Emma queria se afastar para saber se era só um sonho, ou estava ficando doida. Mas quando sentiu as mãos de Regina em sua cintura soube que era real. E que maravilhosa realidade.

_ Emma, me desculpe por ontem, eu... – Emma a interrompeu lhe dando um outro selinho demorado.

_ Não precisa se desculpar, eu entendo. – As duas se encararam contendo suas expressões alegres. Ambas queriam sair rua afora e gritar de felicidade. Regina não agüentava mais. Emma tinha que ser dela.

_ Emma. – sussurrou já com as mãos trêmulas. Emma com certa timidez depositou sua mão esquerda no rosto de Regina carinhando.

_ Hum? — Emma continuava com o carinho fazendo Regina se derreter. É agora ou nunca. Regina com seus dedos levantou o queixo de Emma e passou sua mão em seu rosto.

_ Eu te amo, Miss Swan.

Um final de novela. Final de capítulo de um livro. Algo que você fica ansioso para ver o que acontecerá depois. E Regina estava. A expressão da loura fez com que Regina abrisse um sorriso. Olhos levemente marejados e sorrindo, era a expressão de Emma.

_ Eu também te amo, Miss Mills. – ambas estavam com o sorriso lá na orelha, mostrando todos os dentes. Foi a vez de Emma beijar a mulher que amava. Em meio aos beijos, as duas sorriam. Emma beijou todo o rosto de Regina, fazendo-a se arrepiar e rir ao mesmo tempo. Depois de um tempo, saindo do transe, ouviram um barulho da sala, bem baixo. Um som de jogo de corrida. As duas se olharam receosas. E Henry? Mas não deveriam pensar nisso, não agora. Resolveram pegar algo para comer e foram para a sala. Henry estava entretido com o jogo em um nível difícil. Elas chegaram e colocaram seus copos na mesinha no centro. Não tinha como disfarçar a felicidade. Sentadas tão coladas torcendo para Henry ganhar. E quando ganhou no jogo, ele comemorou e se virou pra elas. Elas estavam radiantes. Olhou para Emma. Seus olhos claros estavam brilhando, um sorriso verdadeiro em seus lábios. E sua mãe. Foi o que mais o surpreendeu. Ela estava com aquele sorriso na orelha ainda, e seus olhos também brilhavam. Ele nunca tinha a visto assim, sorrindo tão verdadeiramente. Só agora com ele e Emma. Com Emma. Então ele soube. Soube que sua família estava completa. Henry sempre quis isso. Não só pra ele, mas principalmente para sua mãe. Amor. Alguém para amar. E um pai. Ou melhor, outra mãe. Caramba, e era Emma Swan. A Xerife que no primeiro dia em que se conheceram já se gostaram. Ele sempre dizia que Lucas era seu melhor amigo. Mas era Emma. Ele não poderia ficar mais feliz. Largou a manete no vídeo game com um sorriso surpreso e abraçou as duas no sofá.

Notas finais
gente, a prefeita aqui da minha cidade é lésbica e dizem que ela ta namorando uma policial, socorrooo! Pessoal, muitíssimo obrigada pelos comentários e por marcar como favorito, me deixa suuuuuper feliz. Beijo de luz pra vcs