The New Selection - Interativa
17 Capítulo 16 - O Curioso Príncipe Des?Encantado
Notas iniciais
Princesa Karolyne Schreave Singer
Saio de meu quarto, com passos trêmulos, e caminho devagar e desajeitadamente. Meu vestido creme está justo demais, o que dificulta um pouco minha respiração, mas ele é lindo, esse é o motivo de eu o usar. Ele é justo na cintura, e cai em cascatas peroladas por minhas pernas, com rendas maravilhosas.
Meu braço está coberto pela renda fina e delicada, e parte de minhas costas está nua, deixando-me arrepiada com o ar frio da noite.
Desço atenta as escadas, que dá para o Salão Principal, onde todos estão reunidos para o grande baile de comemoração da chegada das Selecionadas, mas não é para lá que me direciono, e sim para a sala de visitas do castelo, que fica próxima.
Meu coração se acelera a cada passo, e o som de meu salto ecoa alto pelo corredor, me deixando ainda mais nervosa com o que está para vir.
Meu pai chegou hoje mais cedo de seus negócios na Noruega e trouxe com sigo uma pessoa que eu não esperava, e nem estou pronta, para conhecer, meu futuro marido. Ainda me arrepio só de pensar, só com o simples pensamento de que me casarei com alguém com quem nunca falei, que terei que me mudar para um lugar totalmente desconhecido, e que ... terei que ter filhos com ele. Sinto minhas pernas fraquejarem com o último pensamento. Filhos .... Queria não ter aceitado nada, queria não ter agido por impulso, queria ter houvido minha mãe e meu pai, pedido o conselho de Nathanael antes. Mas infelizmente eu não fiz isso, e agora terei que aturar as consequências.
Quando paro em frente as grandes portas, os dois guardas postos em frente, esperam minha confirmação para abri-las.
Meu coração pulsa mais forte, e sinto minha cabeça girar um pouco. Meu estomago se embrulha, e eu tenho vontade de sair correndo para os braços de qualquer pessoa, para me proteger do que está por vir.
Por semanas sonhei em como ele seria, tentei imaginar ela como uma pessoa boa, por mais dos comentários que as pessoas dessem dele. Tentei idealiza-lo como o garoto, o homem perfeito para mim, uma pessoa gentil, doce e que eu fosse me apaixonar a primeira vista, mas tudo isso foi desmoronando quando comecei a perguntar sobre ele. Ele é descrito, por muitos, como uma pessoa bruta, fria, mimado, chato, e um pouco agressivo, e tudo isso me assusta muito, porque eu não me imagino com uma pessoa assim, jamais. Não quero ter que passar o resto de minha vida sendo mal-tratada, muito menos passar a vida ao lado de alguém que eu não ame.
– Vossa Alteza está bem? — um dos guardas me pergunta, se aproximando. Ele encosta a mão em meu ombro, e fecho os olhos tentando controlar minha respiração. Não posso ter uma crise de choro agora. — Vossa Alteza?
Respiro profundamente, e abro os olhos, ainda me sentindo um pouco tonta, mas um pouquinho de nada melhor, ao menos o que eu acho, pois o guarda parece me olhar ainda mais preocupado. Engulo em seco, e olho para o guarda, tentando demonstrar confiança.
– Abra as portas, por favor.
Ele assente, e os dois abrem a porta. Meu coração fica a mil, quando as portas se abrem, minhas pernas ficam molengas, como se se recusassem a me obedecer. Minha mente gira, e sinto que vou cair, até que tudo fica escuro, e me sinto enjoada.
– Senhorita!
Ouço ao longe, e sinto levemente e distante eu ser erguida, e passar de um colo a outro. Ouço vozes, conversas, fragmentos .... Meu nome ... "Karolyne ... Karol .... Ka .... Princesa ... Anjo ...."
Aos poucos, minha mente vai clareando, e sinto uma leve dor em minha cabeça. Ouço uma voz desconhecida, ordenando que chamem o rei. Estou no colo de alguém... Da pessoa que ordena. Me sinto fraca, frágil, e mau, como se tivesse rolado as escadas principais .... 'Coisa que eu já fiz' .... Tento me concentrar, mas sinto o cheiro doce e acalmante que emana do homem.
Ele caminha comigo, delicado e com passos leves, e sou depositada em alguma coisa confortável, e sinto ele ajeitar meu vestido. Abro meus olhos, em busca do dono do cheiro tão doce, e me deparo com olhos azuis vibrantes me encarando. Seu rosto demonstra preocupação, e eu logo reconheço o dono dessas feições tão definidas, desses olhos ardentes.
– Jamie ... — tento me ajeitar, mas ele segura minhas mãos, com delicadeza.
– Minha princesa, é melhor descansar agora. — sua voz é quase um sussurro, e sinto meu coração bater forte novamente. — Como se sente, anjo?
O encaro, nervosa, e desconcertada. Anjo? Bem? As coisas estão se saindo diferentes do que eu tinha imaginado, muito. Me desvensilio de suas mãos, e me sento no sofá em que estou. Ele fica agachado em minha frente, me observando.
Fecho os olhos, e tento colocar a mente em ordem, pensando em como deveria agir. Abro os olhos, devagar, e me deparo com seus olhos, azuis e brilhantes, claro feito o céu, e fico constrangida.
Seus cabelos loiros escuro, está desarrumado, com mechas caindo sobre os olhos, e seu rosto com uma expressão de preocupação. Seu traje de gala branco está perfeito, combinando com seu tom de pele claro, e me sinto ainda mais envergonhada por faze-lo passar por isso. Não quero estressa-lo ...
– Não pensei que nos conheceria-mos assim. — ele interrompe meus pensamentos. Ele sorri levemente.
– Me perdoe, Vossa Majestade, eu ... — seu indicador pousa em meus lábios, e me calo, encarando ele.
– Por quê se desculpa? — ele pergunta confuso.
– Por faze-lo passar por isso, não foi minha intenção. Eu apenas, me senti ... — abaixo o olhar, e sinto meu rosto esquentar, tamanha a vergonha. Sua mão para em meu queixo, e ele levanta para que eu o olhe.
– Como você se sentiu? E como está se sentindo agora? — seu rosto está a centímetros do meu, e eu sinto novamente seu perfume, que lembra flores, só não sei identificar qual.
Olho em seus olhos, e assim ficamos, por alguns segundos, ou minutos, não sei dizer. Quado abro a boca para responder sua pergunta, a porta se abre e meua pais então rapidamente, com Nathanael atrás. Jamie não liga, continua a segurar meu queixo, e me encarar com seus olhos, e seu forçada a me afastar, tentando me levantar.
Sinto minhas pernas fraquejarem, e logo os braços de Jamie passa por minha cintura, me dando apoio, me equilibrando. Olho para meus pais, e abaixo os olhos.
– Filha, o que houve? — minha mãe se aproxima e me olha preocupada. Meu pai vem ao seu lado, e olho para os dois tentando traquiliza-los.
– Eu me senti mau, e desmaiei, mas Jamie me ajudou. — sorrio fraco, e sinto os braços de minha mãe ao meu redor.
Jamie se afasta, e logo meu pai se junta. Nathanael assiste tudo ao longe, e fico um pouco triste pela sua distância. E sei bem o motivo de sua distanciação.
– Acho melhor irmos para seu quarto, o Doutor já deve estar indo para lá para te examinar. — meu pai diz, e instantaneamente recuso com a cabeça.
– Eu já estou me sentindo melhor, pai. Não precisa.
– Filha ...
– Não quero atrapalhar a festa de ninguém, e não quero passar a noite no quarto. — seguro suas mãos e aperto levemente. — Já estou me sentindo melhor, não se preocupem.
Logo todos estão se encaminhando para fora da sala novamente, mas antes, vou até Niel, e o abraço fortemente.
– Está bem mesmo, pequena? — ele pergunta em meu ouvido, em um sussurro.
– Estou. — sussurro de volta.
– Se ele tentar alguma coisa ... — ele começa, mas eu o corto.
– Ele não vai tentar. E se tentar, você será o primeiro a saber.
Me afasto, e logo eles se vão, me deixando sozinha com Jamie. Me viro e o observo, e ele faz o mesmo. Ficamos assim, até eu tomar a iniciativa e me aproximar. Ficamos frente a frente, mas distantes, a dois palmos.
– Eu fiquei surpresa quando soube de sua chegada, Vossa Majestade.
– Não precisa me chamar assim. — ele faz uma careta, e eu sorrio. — Jamie está bom.
– Tudo bem, Jamie. Bem ... — penso em algo para falar, mas logo fecho a boca, sem assunto.
Ele se aproxima, e ajeita uma mecha de meu cabelo, arrumado em um coque, e extremeso ao seu toque. Olhando para ele assim, não imagino ele sendo a pessoa com a personalidade que todos dizem que ele tem. Mas também estou ciente de que ele pode estar apenas tentando me enganar, tentando me ganhar, para depois mostrar quem realmente é.
– Quantos anos você tem? — ele pergunta, de repente.
– 17, faço 18 mês que vem.
– Você sabe quantos anos eu tenho? — ele pergunta, me encarando. Seus dedos estão pousados na maça de meu rosto, acariciando levemente.
– 25. — digo em um sussurro.
Eu sabia quantos anos ele tinha quando aceitei, e mesmo assim não mudei de ideia. Ele é quase 8 anos mais velho do que eu, e esse foi um dos motivos de minha mãe de se opor, pois disse que eu sou nova demais, para me meter no mundo adulto, e em um ataque de raiva, querendo mostrar que já tenho idade suficiente, aceitei sem avisa-los, respondendo sua proposta. Mas depois percebi o quão infantil eu fui, mas não voltei atrás, pois isso sim mostraria o qual fraca eu sou.
– Não foi seu pai que aceitou minha proposta, não é? — fecho meus olhos, como se isso o impediria de falar comigo. — Eu sei ... — ele pausa, e eu volto a olhar para ele. Eu sei que você deve ter ouvido muitas histórias sobre mim, e sei também que nenhuma delas é boa.
Acinto levemente, e ele fecha os olhos, como se tenta-se colocar as coisas em ordem. Quando volta a me olhar, seus olhos estão tristes, e seu semblante mais sério. Me encolho, esperando.
– Não vou negar nenhuma delas, mas quero que você não me julgue de cara. Eu estou aqui, hoje, porque quero que você me conheça, quero que me conheça como sou, e não fique criando ideias de como eu era. Eu mudei, e quero que você conheça esse novo eu. Entende? — seus dedos me forçam a olha-lo, e sinto lágrimas em meus olhos, lutando para sair.
– Sim, entendo. — pego sua mão livre, e entrelaço meus dedos nos dele, sentindo seu calor. — Mas também gostaria de pedir a você, e imploro para que você atenda ao meu pedido. — ele me olha curioso, e eu continuo:
– Eu sei que você é o rei, e sei que está procurando uma esposa ... Uma Rainha, para governar ao seu lado, para ser sua ... Em todos os sentidos. — sinto meu rosto ficar quente, quando ele assente. — Mas ...
– Mas? — ele diz após alguns instantes.
– Eu tenho medo. Medo por eu ser mais nova, por você ser mais experiente. Medo de não ser capaz, de ser fraca, frágil demais, medo de você não gostar de mim. — nesse momento, as lágrimas já escorriam por meu rosto.
Ele nada disse, apenas enlaçou minha cintura, e me apertou contra o peito.
Fui me controlando aos poucos, e logo as lágrimas passaram. Quando fiquei livre de seu abraço, suas mãos seguram meu rosto feito concha.
– Você já beijou alguém antes? — neguei timidamente, e ele sorriu. — Você é muito boa para mim.
Quando seus lábios tocou nos meus, fiquei surpresa, e sem reação, mas fui me deixando levar, e quando nos separamos, estávamos ambos com a respiração irregular. Ele sorriu, e ofereceu o braço, que eu aceitei de prontidão, e logo estávamos a caminho da grande festa.
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