Notas iniciais
O dia seguinte, se é que era possível, passou ainda mais lento que o anterior. Porém, o que mais tirara o sossego de Elizabeth, James, Helena, Leonidas, Jason, Ellen, Miranda, Alicia, Diego e Christian foi o fato de que Elsa, Elena, Jack, Jacky, Mirana, Alice, Rapunzel, Merida, Anna e Soluço não apareceram para dar aula e em seus lugares ficaram Toothiana, Aladdin, North, Jennete, Malévola, Hatter, Eugene, Heitor, Kristoff e Aurora, respectivamente.
Já sabiam o que seus pais fariam ainda naquela noite, provavelmente partiriam sem deixar qualquer vestígio de para onde tinham ido, mas todos tinham plena consciência de que eles poderiam não voltar mais e não podiam deixar que acontecesse.
Precisavam impedi-los.
Nos intervalos de aulas, tentaram procura-los para, desta vez, serem francos e pedirem claramente para que não fossem, mas os Dez mais velhos os evitaram o dia inteiro, como se não quisessem falar com eles.
E realmente não queriam.
E, por mais esforço que fizessem, os mais novos não conseguiam falar com os pais. As aulas contribuíam para o pouco tempo que dispunham em suas tentativas, então, sabendo que seus pais ainda estavam na escola, que não haviam partido ainda, os Dez foram em busca deles quando a aula acabou.
Já era noite quando conseguiram acha-los e, claramente, cada um em seu próprio quarto, preparava-se para ir embora.
– Mãe! – Ellen chamou assim que viu Merida sair de seu quarto e começar a caminhar silenciosamente pelos corredores escuros e desertos de Hogwarts com uma mochila nas costas e sua varinha em mão.
A ruiva surpreendeu-se bastante ao ver a filha ali, mas nada fez além de lhe perguntar:
– O que está fazendo aqui, Ellen? – Merida arqueou uma sobrancelha, embora estivesse claramente desconfortável com a situação.
– Não vou te deixar ir. – Ellen declarou, dando um passo à frente e apertando sua varinha tanto que a madeira rangeu sob os dedos. – Mãe, isso é loucura! – Merida se surpreendeu com a fala da filha e só então percebeu que ela havia ouvido sua conversa com os amigos. – Você vai acabar se matando! – A garota tentou convencê-la com os olhos já cheios d’água.
Para a surpresa da mais nova, Merida apenas sorriu de canto e começou a andar rapidamente até onde a filha mais velha estava. Ellen estava atônita demais para se mexer e nada fez quando sua mãe subitamente a abraçou.
– Ellen, minha garotinha valente, eu já passei por coisas piores na minha vida. – Merida sorriu de leve embora a menina não pudesse ver. – Me dê um voto de confiança. – Pediu e, com um movimento curto da varinha que a filha não percebeu, Ellen desabou inconsciente em seus braços.
Merida segurou a filha e sustentou seu peso, suspirando com cansaço e logo partindo em direção ao Dormitório Feminino da Corvinal para deixar Ellen na cama antes de ir embora.
–
Mirana já estava relativamente longe de seu quarto quando sentiu dois braços magros e pálidos como os próprios a envolvendo por trás e a fazendo parar de andar. Sem nem mesmo precisar olhar, reconhecendo apenas pela palidez quase doentia da pele, a Rainha Branca imediatamente soube se tratar de sua única filha, Alicia.
– Você não pode ir. – Era óbvia a tentativa da menina de manter a voz dura, mas o tom era embargado e trêmulo. Claramente ela ainda estava chorando um pouco.
– Alicia, minha querida, por favor, me solte. – Mirana pediu sem fazer qualquer tentativa de se soltar, apenas pedindo com educação.
– Não! – A Rainha Branca se surpreendeu com o tom mais alto e quase desesperado usado pela filha, então virando um pouco a cabeça para fita-la por cima do ombro, mas não conseguindo ver mais do que os fios brancos do cabelo da menina. – Não vou te deixar ir! Não vou te deixar se matar! Eu te amo, mãe! Por favor, não vá! – Falou a frase seguinte em um tom mais baixo e controlado. – Por mim.
Mirana então se manifestou para se soltar e, por mais que quisesse, Alicia não se sentiu no direito de impedi-la. Não cabia a ela tomar essa decisão. Se havia uma coisa que sua mãe lhe havia ensinado é que não se devia interferir no livre arbítrio dos outros. Ela já pedira, restava agora que a Rainha Branca tomasse sua decisão.
Mirana então se virou para Alicia e se abaixou para que pudesse ficar da altura da filha, fitando os olhos azuis que a menina havia herdado de Hansel. Colocou então uma mão no ombro da filha.
– Alicia, minha querida... – Mirana sorriu de canto, mas era um sorriso tristonho demais, vazio demais. – É justamente por você que eu estou indo.
Antes que a menina pudesse argumentar, já estava caindo inconsciente nos braços da mãe, que a havia enfeitiçado sem que ela sequer percebesse. Mirana desfez o sorriso com a mesma rapidez com que o deixou aparecer, então carregando a filha na direção do Dormitório Feminino da Corvinal antes de partir.
–
Diego já estava exausto quando finalmente alcançou Rapunzel, que estava quase chegando às enormes portas que levariam aos Campos de Hogwarts. A morena virou-se ao som dos passos e encontrou o filho olhando-a com aqueles olhos verdes emanando desespero. Não precisou de mais do que isso para perceber que ele há muito sabia o que ela pretendia, perceber o motivo de suas falas estranhas no dia anterior.
– Você me prometeu. – Foi tudo o que o menino disse.
Rapunzel então se lembrou do que havia prometido para o filho no dia anterior. Não podia negar que se sentira mal ao mentir para ele, e também percebera que Diego sabia que ela mentira, por mais que o garoto ainda parecesse se segurar com todas as forças aquela última esperança de que a mãe não fosse deixa-lo.
Com um suspiro cansado que passou doloroso por seus lábios, Rapunzel retirou a varinha das vestes e a apontou para Diego.
– Mãe... – Com os olhos arregalados, Diego proferiu a palavra, mas ela o interrompeu.
– Eu sei o que eu lhe prometi, meu filho. – Rapunzel sorriu desanimada, tentando passar alguma esperança ao menino. – E vou cumprir. Eu vou voltar. – Assegurou e, com um movimento curto da varinha, Diego perdeu a consciência.
Antes que ele batesse no chão, Rapunzel correu até o filho e o segurou, então o carregando uma última vez para o Dormitório Masculino da Lufa-Lufa.
–
Soluço já havia saído de seu quarto sorrateiramente para que Astrid não percebesse, uma vez que a loira também ficava em Hogwarts por ser professora ali, mas parou abruptamente quando encontrou ninguém menos que Leonidas encostado de braços cruzados na parede de um dos corredores do castelo.
– Leon? – Soluço arqueou uma sobrancelha, confuso com a presença do menino ali.
Leonidas então se desencostou da parede e Soluço percebeu surpreso o loiro lhe apontar a varinha sem hesitar uma vez sequer.
– Eu não sei o que você planeja fazer e, honestamente, eu já não me importo. Não vou te deixar sair deste castelo para morrer, pai. – Leonidas declarou, deixando o pai surpreso com talvez a maior frase que já havia ouvido o filho proferir.
Soluço, com um suspiro cansado e claramente relutante, pegou sua varinha nas vestes e a apontou para Leonidas.
– Saia da frente, filho. – Pediu, ainda tendo esperanças de que o garoto simplesmente desistisse e voltasse para o dormitório.
Leonidas não o escutou. Atacou-o com um feitiço Expelliarmus ao perceber que o pai não tinha a mínima intenção de desistir daquela loucura. Soluço se defendeu e pôs-se a revidar a investida do filho, usando apenas feitiços para deixa-lo desacordado, bem como Leon também o fazia.
Porém, claramente, Soluço era mais experiente. Deixou Leonidas desacordado e o segurou antes que o filho batesse no chão e se machucasse. Não queria ter feito aquilo, mas que outra escolha tinha?
Com esse pensamento em mente, caminhou até o Dormitório Masculino da Sonserina para colocar o filho na cama pelo que podia ser a última vez.
–
Jason não estava nem um pouco confortável com a situação. Amava sua mãe, isso não podia negar, mas estar duelando com ela impedindo que ela saísse numa missão praticamente suicida era uma ideia que sem dúvida não lhe agradava.
Desviou de um feitiço dela, logo lançando outro na tentativa de impedi-la.
– Você não precisa ir. – Tentou argumentar, mas se Jacky já estava decidida, ele sabia bem que tentar convencê-la era um ato inútil.
– Jason, já disse. Saia da frente. – Ela disse no tom mais duro e gélido que conseguia, fazendo com que o filho tremesse embora se recusasse a deixa-la passar, enquanto lançava outro feitiço contra o garoto.
– Não! – Ele exclamou enquanto se defendia do feitiço lançado por ela com certa dificuldade.
Em seu momento de distração, Jacky então conseguiu acertá-lo. Jason caiu no chão, ainda não perdendo a consciência e observando com a vista embaçada e escura sua mãe se aproximar dele e erguê-lo nos braços magros.
– Eu amo você, Jay. – Foi a última coisa que o garoto ouviu antes de afundar na inconsciência.
Jacky suspirou com cansaço e respirou fundo antes de seguir para o Dormitório Masculino da Sonserina para deixar o filho na cama.
–
Miranda encontrara Alice com relativa facilidade. Apesar da tentativa, a loira não era o que se chamava de sutil, e só conseguira sair do quarto porque Hatter, que agora estava em Hogwarts para dar aula no lugar da esposa, dormia como uma pedra.
– Miranda...? – Alice não podia ter ficado mais surpresa. Só então começou a entender as atitudes estranhas da filha mais velha na noite anterior.
Miranda engoliu em seco. Precisava impedir sua mãe, mas como faria isso? Alice já estivera numa guerra, claramente era muito mais experiente do que ela e poderia facilmente nocauteá-la caso fosse necessário, mas isso não mais significava que a ruiva iria desistir da mãe. Ela era uma Grifinória, no final das contas e, mais que isso, era filha de Alice Kingsley. Não podia desistir sem tentar.
– Iria adiantar pedir para você não ir? – Miranda questionou enquanto erguia a varinha com a mão trêmula, apontando-a relutantemente para a mãe.
– Sabe que não. – Alice sorriu com uma animação forçada antes de também pegar sua varinha e apontar para a filha.
As duas duelaram com relutância, mas com determinação. Alice tinha que admitir que a filha era excessivamente talentosa, mas, com a vasta experiência adquirida tanto pelos anos vividos quanto pela participação na 3ª Guerra Bruxa, a loira acabou por levar a melhor e nocauteou a filha, segurando-a antes que caísse no chão.
– Você ainda vai me ver de novo, filha. – Alice murmurou embora tivesse consciência de que a filha já não mais lhe escutava.
Deste modo, a loira se pôs a carregar a ruiva até o Dormitório Feminino da Grifinória.
–
Christian realmente tivera dificuldades em encarar a face preocupada e sem a animação usual da mãe, sequer conseguira levantar a varinha contra ela ao vê-la, que ficou surpresa ao notar a presença do menino ali. Porém, percebera rapidamente o motivo do comportamento estranho do filho no dia anterior.
– Então foi isso, Chris? – Anna perguntou enquanto andava até ele com um sorriso triste, diferente do usual ar animado e risonho que sempre a acompanhava.
Christian sabia que provavelmente, por mais que o amasse, Anna o nocautearia para poder ir embora, mas não conseguia levantar sua varinha para fazer qualquer coisa a respeito. Permaneceu quieto observando-a se aproximar envolve-lo com os braços magros.
– Sei que não te prometi o que você queria ontem... – Ela começou a falar e Christian sentiu algo molhado pingar em seu cabelo ruivo como o da mãe, provavelmente uma lágrima da mesma. – Mas posso te prometer uma coisa. – Ela disse. – Prometo que você vai me ver de novo.
Esta foi a última coisa que o ruivo ouviu antes de sua visão começar a perder o foco e escurecer. Sentiu sua mãe pegá-lo nos braços e começar a caminhar com eles pelos corredores, provavelmente em direção ao Dormitório Masculino da Lufa-Lufa. Ele não soube dizer, pois logo não ouviu ou sentiu mais nada.
–
James encontrou seu pai e sua mãe caminhando sorrateiramente pelos corredores de Hogwarts. Jack e Elsa foram os que tiveram menos dificuldades em sair, afinal como os dois iriam, não tinham de quem esconder. Jamie, por outro lado, poderia ser o que teria o trabalho mais difícil entre todos, uma vez que não era apenas um dos Dez que devia parar, mas dois.
O garoto limpou a garganta audivelmente, chamando a atenção dos pais, que até então não haviam percebido sua presença no corredor silencioso e escuro. De início, os dois ficaram surpresos, mas James pôde ver o momento em que ambos ligaram sua presença ao estranho comportamento da noite anterior e concluíram que o menino lhes havia ouvido combinar aquela “missão” com os outros.
– James, que vontade eu tenho de te colocar de castigo. – Elsa cruzou os braços e franziu o cenho, claramente insatisfeita pelo filho ter ouvido sua conversa.
– E não vai colocar porque sabe que não vai voltar. – Jamie deu um passo à frente, aproximando-se dos pais, que permaneceram em seus lugares.
Elsa massageou as têmporas com a ponta dos dedos, mas não era um gesto impaciente, apenas desanimado. Jack passou a mão pelos cabelos brancos que compartilhava apenas com o filho mais velho, uma vez que Sophie herdara os cabelos loiro-platina de Elsa, e suspirou com cansaço.
– Jamie, nós precisamos ir. – Jack tentou convencer o filho, afinal seria mais fácil que ele simplesmente os deixasse ir do que força-lo a isso.
– Não, não precisam! – Sem que fosse essa a sua intenção, Jamie elevou o tom de voz até que estava quase gritando. – Não precisam sair desse castelo e ir numa missão suicida! Não têm que ir atrás de quem quer que tenha fugido de Azkaban! – Seus olhos azul-gelo como os de Elsa brilhavam, mas ele não deixou nenhuma lágrima cair. – Vocês não podem proteger o mundo de tudo! Não são os responsáveis por tudo! – Ele enxugou uma lágrima teimosa com as costas da mão antes que esta caísse. – Vocês são meus pais. – Disse num tom mais baixo, mas sabia que eles haviam lhe ouvido.
Elsa caminhou lentamente até o filho. Ele recuou alguns passos, mas isso não impediu que ela chegasse até ele. A Rainha das Neves se abaixou de modo que ficasse da altura do menino e colocou a mão sobre o peito dele, mais exatamente onde seu coração se encontrava.
– Não estamos fazendo isso pelo mundo, Jamie. – Ela chamara seu nome com tanto carinho e ternura que era difícil acreditar que fora aquela mesma mulher que participara e ganhara a 3ª Guerra Bruxa. – Estamos fazendo isso por você. – Ela disse, surpreendendo-o. – Por você e pela Sophie. – Sorriu de leve, apenas o suficiente para que fosse verdadeiro.
James não percebeu que seu pai havia se movido para trás dele até que percebesse o feitiço que o atingira por trás e caísse inconsciente nos braços de Elsa, que o seguraram e sustentaram seu peso. Jack logo foi até os dois e pegou o filho nos braços.
– Pode leva-lo? – Elsa perguntou subitamente desanimada, deixando o sorriso minguar até sumir. – Preciso falar com a Elena. – Explicou.
– Tudo bem. – Jack concordou com um gesto curto da cabeça e começou a caminhar na direção do Dormitório Masculino da Grifinória enquanto a esposa seguia na direção oposta.
–
Elena tivera que sair praticamente na ponta dos pés, pois Andersen tinha um sono tão leve que uma pena caindo no chão o acordaria. Porém, ainda assim, conseguiu sair sem maiores dificuldades.
Caminhando pelos corredores escuros e desertos, encontrou quem menos esperava e queria ver naquele momento. Ninguém menos do que suas filhas mais novas, Helena e Elizabeth.
– Vocês deviam estar na cama. – Elena disse com seriedade, embora estivesse realmente desapontada por não ter podido sair sem ter que enfrentar as duas.
– Não acho que dê para dormir direito enquanto sua mãe está saindo escondida para se matar em alguma missão maluca. – Elizabeth disse com sarcasmo, escondendo sua preocupação absurda.
– Seu sarcasmo é comovente. – Elena sorriu com ironia. – E o que eu faço ou deixo de fazer diz respeito apenas a mim. – O tom foi duro demais, estranho demais, assustando as mais novas.
– Mãe, nós não vamos te deixar ir. – Helena finalmente se pronunciou, apertando tanto a varinha em sua mão direita que os nós dos dedos ficaram mais brancos do que já eram.
Elena suspirou com cansaço. Claramente aquela conversa em nada a estava agradando, então se pôs a continuar com seu caminho, passando pelas filhas. O que não esperava era que Elizabeth segurasse sua mão e quando ela puxara, a luva vermelha-escarlate que quase nunca saía de sua mão ficasse com a filha mais nova.
Antes que as meninas pudessem ver o que tanto escondia, ela ocultou o braço atrás do corpo, estendendo a mão ainda calçada com a luva para a menina que estava com a outra.
– Devolva. – Disse em tom de ordem.
Aquilo só contribuiu para que ambas as meninas ficassem ainda mais desconfiadas. Elena não tinha qualquer problema em controlar seus poderes, nunca tivera, então por que o uso das luvas?
– O que é que você tanto esconde? – Helena arqueou uma sobrancelha. Era incrível ficava ainda mais parecida com a mãe, se é que isso era possível, quando fazia isso. Aquele ato era o que ambas sempre faziam quando estavam confusas ou curiosas com algo.
– Se escondo, tenho uma boa razão. – Elena respondeu e mais uma vez estendeu a mão enluvada para Elizabeth, esperando que a garota lhe devolvesse a luva vermelha para que pudesse ir embora.
– Mostre e eu devolvo. – Elizabeth propôs, querendo ao máximo retardar a saída da mãe, uma vez que tinha consciência de que não conseguiria pará-la.
– Acho mais fácil simplesmente pegar. – Elena sorriu com ironia e aquele sorriso em nada combinava com ela.
Elizabeth permaneceu firme em seu lugar, bem como Helena também, e Elena suspirou com cansaço, então mostrando a mão descalça que escondia atrás do corpo. As mais novas ficaram horrorizadas.
A pele pálida da mão da mãe era completamente coberta por linhas brancas finas em alto relevo, cicatrizes. Estas se cruzavam diversas vezes, irregulares, disputando por espaço. A pele da mãe era quase igualmente branca, mas as marcas eram excessivamente notáveis, impossíveis de ignorar.
Com a mão descalça, Elena agarrou a luva vermelha na mão de Elizabeth, que estava atônita demais para reagir, e a pegou de volta, calçando-a. Começou a andar para longe dali quando a voz de Helena lhe chamou atenção.
– Quem fez isso com você? – A garota perguntou ainda chocada demais.
– Eu fiz isso comigo mesma. – Elena respondeu, tendo parado de andar, mais ainda de costas para as filhas, incapaz de encará-las.
– O que? – Elizabeth soou tão surpresa e descrente aos próprios ouvidos que se surpreendeu.
Elena não disse nada. Recomeçou a andar, deixando as filhas para trás, mas teve plena consciência dos passos que se seguiram aos seus e parou quando cada uma lhe segurou por um braço.
– Se não pode ficar aqui com a gente, nos leve com você. – Helena pediu quase suplicante.
– Isso está fora de questão. – A morena disse em um tom duro e igualmente aterrorizado, como se não houvesse ideia mais horrível em sua mente.
– Mãe... – Elizabeth tentou convencê-la, mas foi interrompida.
– Não. – Elena disse de modo que não havia brechas para que sua decisão fosse contestada. – Vocês não vão chegar a nem mesmo dez quilômetros dele. – Disse com uma raiva quase palpável. – Se querem saber por que eu mesma me machuquei, lhes digo que ele foi a razão. – Disse, surpreendendo as duas. – Naquela época, todos pensavam que eu estava morta e, acreditem, eu queria estar. – Confessou.
Os segundos se passaram e nem Elizabeth nem Helena disseram nada depois disso. Em seguida, simplesmente caíram desacordadas e Elena as segurou, percebendo Elsa se aproximar com a varinha em mãos.
– Pensei que precisava de uma ajuda. – Elsa disse ao se aproximar.
– Sim, obrigada.- Elena agradeceu, embora tivesse dificuldade em sustentar o peso de ambas as filhas. Elsa então a ajudou, segurando Elizabeth enquanto ela segurava Helena. – Pode leva-la para o Dormitório da Sonserina? – Pediu. – Tenho uma coisa a fazer no Dormitório da Grifinória e vou deixar Helena lá.
– Perfeitamente. – Elsa concordou e começou a andar na direção oposta a que Elena se dirigia.
Muito em breve sairiam da escola e ninguém podia dizer se voltariam.
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