The New Girl in the House
14 Telhado
Notas iniciais
– Como foi seu dia? – perguntou-me Akira.
Suspirei, aninhando-me em seus braços. Estávamos sentados no chão do telhado, Akira estava com as costas encostadas em um muro aleatório. Eu estava encostada em suas pernas, com seus braços em volta do meu corpo. Ele me apertava delicadamente enquanto falava, seu corpo aquecia o meu.
– Até agora tem sido perfeito – respondi – E o seu?
Ele deu um beijinho no meu pescoço, sorri de leve.
– Nem um pouco especial, até você aparecer – respondeu.
Meu sorriso ficou maior, Akira apoiou seu queixo no meu ombro.
– E seu dia de aula? – ele perguntou, piscando calmamente.
Dei de ombros, repassando as horas em que estive na escola mentalmente.
– Foi normal, conheci alguns colegas novos melhor e fui trancada na biblioteca – falei.
Ele me encarou, abrindo parcialmente a boca.
– Trancada na biblioteca? Por quem? – perguntou, desconfiado – Como você saiu? Quem te tirou? Pegaram quem fez isso?
Ri um pouquinho de sua aflição, Akira me encarou.
– Calma, querido – falei – Uma pergunta de cada vez.
Ele pareceu querer protestar, mas limitou-se a assentir. Mordi o lábio para não sorrir, sentia falta daquele senso de proteção que Akira tinha comigo.
– Sim, fui trancada na biblioteca – falei – Fuuto deu um jeito de distrair a bibliotecária, e então me trancou na seção de livros reservados. Deve ter sido porque estávamos discutindo, mas eu não saberia dizer ao certo, ele é imprevisível. Eu fui burra por não ter percebido nada, e tive sorte por ter sido seguida por uma das fãs curiosas dele. Essa garota me soltou depois que eu disse que iria arrumar um encontro com o Fuuto para ela, e, mesmo sem falar com ele, eu dei o telefone dela para a garota. Ele precisou sair mais cedo por conta de uns shows que vai fazer, então eu não pude ver a reação dele. Algo me diz que não vai ser nada legal, acho que vou precisar me esconder durante um tempo.
Akira escutou tudo que eu disse em silencio, processando a informação. Esperei por sua reação, ele levou cerca de cinco segundos para voltar a se mexer.
– E quem esse Fuuto pensa que é para te trancar na biblioteca? – ele disse, parecendo estar irritado – Eu vou ter uma conversinha com ele quando você nos apresentar.
Respirei fundo, Akira encarava-me fixamente.
– Deixa para lá, eu me vinguei – falei – Aquela garota nunca vai parar de ligar, ele vai precisar desativar o numero que ele usa. Isso já vai deixa-lo irritado o bastante, estamos quites.
Akira bufou, enterrando o rosto em meus cabelos.
– Você perdoa fácil demais – resmungou – Quando você me contou como era sua relação com ele, achei que era apenas um atrito saudável.
Suspirei, ele depositou um suave beijo em minha nuca.
– Eu não vejo nada de errado, é como minha relação com Bruce – falei, parando para revirar os olhos – Claro, com Fuuto é diferente. Ele me acha repulsiva, e eu acho o mesmo.
Akira soltou um suspiro pesado, apertando-me com um pouco mais de força.
– Não gosto disso, dessa história de compartilhar a casa com um monte de homens – ele disse.
– Também tem a Ema, ela não é homem – falei – E também tem o Wataru, ele ainda é muito pequeno para contar como um membro desse “monte de homens”.
Akira respirou fundo, apertando-me com mais força. Minha tentativa de quebrar o gelo não saíra como o esperado, eu podia sentir que ele ainda estava nervoso.
– E o Louis não é exatamente um predador – acrescentei – E não é como se eu não tivesse um namorado.
Akira ergueu o rosto, prendendo meu olhar no seu.
– Eles não sabem disso – lembrou.
Respirei fundo, trincando os dentes.
– Mesmo assim, eu sei disso – falei.
Akira ainda me encarava, não fugi do seu olhar.
– Você é apenas uma, eles são mais de dez – insistiu.
Respirei fundo outra vez, encarando-o de volta.
– Três deles nem moram comigo, Wataru é apenas uma criança. Louis me vê como sua irmãzinha, assim como Masaomi e Ukyo. Yusuke está apaixonado, Subaru nem mesmo conversa comigo. Tsubaki e Azusa vivem no trabalho, quase não nos vemos. Iori também é muito ocupado, e Fuuto me odeia – falei – Eu convivo mais com os dois mais velhos, com o caçula, com o que me odeia e com o Louis. Vai parar de reclamar agora?
Encarei-o firmemente enquanto dizia tudo aquilo, ele me ouviu sem dizer nem uma única palavra. Quando terminei, Akira soltou um suspiro pesado.
– Droga, Nina – ele disse.
Não reagi, ele enterrou o rosto nos meus cabelos outra vez. Tentei analisar esse gesto, mas nem precisei fazer muito esforço. Akira beijou minha nuca outra vez, respirando fundo contra a pele do meu pescoço.
– Eu fico preocupado, e com muito ciúme – ele disse, sua voz saiu abafada – Me desculpe pela insistência, mas isso não sai da minha cabeça.
Ele suspirou, afastando meus cabelos de seu rosto. Ele expôs a pele do meu pescoço, fazendo-me inclinar-me sobre ele por influência do seu toque. Ele deu um muxoxo quando fiz isso, respirei fundo.
– Eu estava louca para te ver, tem sido difícil ficar longe do você – falei, engolindo em seco tristemente – Por favor, não vamos brigar. Nosso tempo é tão curto, eu não quero estragar isso.
Ele soltou um suspiro pesado diante do meu tom de voz, evitei seu olhar.
– Minha Nina – ele disse.
Akira abraçou-me com mais força, puxando-me para seus braços aconchegantes. Acabei sentada em seu colo, ele abraçou-me até nossos corpos estarem quase colados.
– Me desculpe – ele disse – Chega desse assunto.
Assenti, ele relaxou sua postura. Senti seu corpo escorregar, ajeitando-me em seu peito. Estávamos quase deitados agora, encaixei-me na lateral de seu corpo. Deitei a cabeça em seu ombro, ele roçou a ponta do nariz em minha testa.
– Então você falou de mim no jantar de família de vocês? – ele disse.
Seu tom de voz estava calmo, mas eu sabia que ele estava tentando conter sua alegria. Abri um sorriso diante daquelas palavras, aninhei-me nele ainda mais.
– Falei, e foi sem querer – falei.
Ele apertou-me mais, meu sorriso cresceu.
– Sem querer? – perguntou.
Assenti, ele roçou seu nariz na minha testa outra vez.
– Sem querer como? – perguntou.
Quase ri, ele esperou por minha resposta.
– Saiu espontaneamente, eu não pude controlar – respondi.
Ele riu baixinho, aninhei meu rosto em seu peito. O cheiro dele inebriou-me outra vez, não pude conter um suspiro.
– Você nunca sai da minha cabeça, Yushima – falei – É sua culpa que eu quase nos entreguei de bandeja aos meus irmãos, você não me deixa ser discreta.
Ele riu, uma risada deliciosa. Aquele som me fez suspirar, agarrei-me a ele com toda a força que tinha.
– É tão bom estar com você, eu estava morrendo de saudades – falei.
Akira soltou um suspiro leve, puxando-me um pouco mais para si.
– Nina, eu sei que já te fiz essa pergunta, mas... – começou.
Apoiei meu rosto na mão, colocando o cotovelo no chão. Pude ter a visão do lindo rosto de Akira daquele ângulo, esperei.
– Você está feliz? – perguntou.
Ele olhou bem dentro dos meus olhos quando fez aquela pergunta, deixando-me completamente hipnotizada. Pensei em tudo que acontecera comigo durante esse tempo em que morei com os Asahina, refletindo bem antes de responder.
Lembrei de cada momento em que ficamos todos juntos, onde a grande quantidade de pessoas acolhedoras me deixou leve como uma pluma. Pensei nas risadas que dávamos juntos sempre que alguém dizia algo engraçado, sempre fazendo de tudo para me deixar por dentro das piadas particulares. Pensei em Wataru, lembrando de todas as vezes em que me vi envolvida em seu olhar irresistível. Pensei em Louis e Iori, sempre tão gentis e atenciosos. Pensei na preocupação que todos tinham comigo, sempre parecendo felizes por fazerem o que faziam para me proteger. Pensei até mesmo em Fuuto, quase rindo ao recordar-me de cada uma de nossas brigas rápidas e bobas.
Respirei fundo, sem poder conter o sorriso que espalhava-se em meu rosto. Pensei em tudo isso junto, até aquele sorriso transformar-se em uma rápida risada alegre.
– Sim, eu estou muito feliz – respondi.
Akira encarou-me fixamente, seu olhar preso no meu. Sustentei aquele olhar durante quase dois minutos, até que ele finalmente sorriu.
– Então, também estou – ele disse.
Abri um grande sorriso, Akira colocou seus dedos em meu queixo.
– Você parece muito bem – ele disse – E está muito, muito linda.
Ri um pouquinho, desviando o olhar. Akira acariciou meu queixo com seus dedos, soltando um leve suspiro.
– É bom ter você assim, tão perto – ele disse, sua voz bem tranquila – Se estivéssemos em um gramado, isso seria como um sonho.
Abri um sorriso travesso, voltando a olha-lo nos olhos.
– Temos um jardim bastante convidativo lá embaixo – falei – Acho que ninguém iria se importar se fossemos para lá e namorássemos um pouquinho.
Akira abriu um sorriso lento, mordi o lábio.
– Quase me esqueci que você pode ser muito esperta quando quer, senhorita Kazama – ele disse.
Ri, ele sentou-se rapidamente. Akira puxou-me contra si, erguendo-se do chão e levando-me com ele.
– Sem desperdiçar um só minuto, tudo bem? – ele disse.
Não entendi muito bem o que ele queria dizer com aquilo, mas assenti. Ele abriu um grande sorriso, puxando-me para si outra vez. Colei-me ao lado do seu corpo, Akira abraçou-me pela cintura.
– Assim – ele disse.
Assenti, Akira deu um beijo em minha testa.
– Vamos – falei.
Ele assentiu, indo em direção à saída, e levando-me com ele.
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– O horário acaba em dez minutos – falei.
Akira deu um muxoxo, fazendo um bico de dar pena.
– Não, eu não quero que acabe – ele disse.
Suspirei, acariciando seu peito sobre o tecido de sua camisa.
– Nem eu – admiti – Mas não podemos fazer nada, a Mishima ainda pode te dar uns cascudos.
Ele tremeu aquele bico, franzindo seu rosto em uma careta engraçada.
– Ela não vai me impedir de ficar com a minha namorada, ninguém pode fazer isso – ele disse.
Dei um peteleco naquele bico que ele fazia, pude ver suas bochechas tremerem quando ele prendeu um sorriso.
– Sinto muito, mas eu ainda tenho medo da Mishima – falei.
Ele não conseguiu segurar uma risada, ri junto com ele.
– Medo, sei – disse, irônico – Vivia invadindo a sala dela, e diz que tem medo.
Dei de ombros, ele revirou os olhos.
– Eu tinha meus motivos, e você também era beneficiado – falei.
Ele riu, sorri de leve.
– Mas, falando sério agora – falei, respirando pesadamente – Eu tenho que ir, está ficando tarde e eu moro longe agora.
Akira fez uma careta, esperei.
– É estranho te ouvir falando assim, morávamos juntos – ele disse.
Ri, refletindo por um segundo. Akira me olhou, sua boca estava retorcida em um sorrisinho.
– Qual é a graça? – perguntou.
Ri mais um pouco, ele esperou.
– Nosso namoro foi ao contrário – falei – Morávamos juntos antes mesmo do nosso namoro começar, e agora que está ficando mais sério, nos separamos.
Ele riu, compreendendo onde eu queria chegar. Dei um sorriso, Akira afagou minha bochecha.
– Vamos voltar a morar juntos, eu te prometo – ele disse – Guarde bem isso na memória, vamos contar nossa aventura aos nossos filhos um dia.
Sorri de leve, ele fitou meu rosto com uma expressão sonhadora.
– Você é muito linda – ele disse.
Dei um meio sorriso, erguendo meu olhar até seus olhos azuis. Akira posicionou sua mão atrás da minha cabeça, afagando a lateral direita do meu pescoço com seu polegar. Ficamos nos encarando durante alguns segundos, o tempo parecia ter desacelerado ao nosso redor. Aos poucos, fui abrindo um sorriso lento. Akira fez o mesmo, e ver seu sorriso me fez sorrir ainda mais. Estávamos deitados na grama do jardim, o sol poente iluminava seu rosto de forma que seus olhos ficassem ainda mais brilhantes. Seus cabelos estavam bagunçados, seu nariz perfeito e sua boca ainda mais perfeita lançavam arrepios deliciosos em minha espinha.
– Você é lindo – falei.
Ele riu, olhando-me carinhosamente.
– Pensei que você nunca ia dizer isso, já estava cansado de ter elogiar e não receber nenhum elogio em troca – ele disse – Quando alguém diz que você é linda, você retribui com outro elogio. Você é linda, mas é muito lerda.
Arquejei, fingindo estar ultrajada. Akira riu da minha expressão, aproximando-se ainda mais de mim. Nosso corpos estavam bem juntos agora, eu abracei-o com o braço direito.
– Eu não sou lerda, Sr. Muito Vivo – falei.
Akira riu, mordendo o lábio.
– É muito lerda, não negue – ele disse – Se você não fosse lerda, teria percebido antes o que eu pretendo fazer ao me aproximar tanto assim de você.
Mordi o lábio, ele riu. Seus olhos faiscaram, encarando meu rosto com uma expressão de adoração.
– Eu percebi, bobo – falei – Mas, assim como você, eu também quero muito isso que você está pensando.
Ele riu de novo, sacudindo a cabeça.
– Eu estava pensando te encarar desse jeito até fazer você ficar vermelha, mas eu sei que é impossível – ele disse.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Você não vale nada – falei – Mas...
Akira puxou-me com força, nossas bocas roçaram uma na outra.
– Mas... – induziu.
Mordi seu lábio, ele quase ronronou.
– Mas, eu te amo – respondi.
Suguei um pouquinho seu lábio inferior, Akira sorriu contra meus lábios.
– A senhorita está com sorte hoje – ele disse – Parece que eu também te amo, só parece.
Rimos juntos, e Akira selou nossos lábios. Soltei um pequeno suspiro de felicidade, sentindo o calor de seus lábios perfeitos sobre os meus. Ele sorriu em meio ao beijo, pude sentir seus lábios repuxando-se. Apertei-o contra mim com mais força, sentido Akira fazer o mesmo comigo. Ficamos colados, quase tão colados quanto nossos lábios. Ele sugou meu lábio inferior, abrindo uma brecha entre meus lábios. Sua língua entrou em minha boca, minha língua foi imediatamente recepcionar seu querido visitante. Akira empurrou-me para trás, avançando sobre mim num mesmo movimento. Sem cortar o beijo, ele deitou-me de costas na grama. Seu corpo posicionou-se acima do meu, ele apoiou seu peso em na mão direita. Sua mão esquerda acariciava minha bochecha esquerda afetuosamente, minha mão esquerda pousou sobre seu ombro, puxando-o para mim. Ele aproximou-se mais, esquentando-me com seu calor acolhedor. Minhas mãos encontraram-se na nuca de Akira, entrelacei meus dedos em seus cabelos, sentindo a textura dos fios levemente frios por conta do contato com a grama. Akira deixou meu rosto, descendo sua mão ao longo do meu braço, até chegar em minha cintura. A falta de ar já estava começando a me incomodar, mas decidi ignorar. Akira apertou minha cintura, fazendo com que o tecido macio da minha blusa levantasse um pouco, revelando minha pele. Ele intensificou ainda mais o beijo, acariciando minha pele enquanto nossas línguas embolavam-se em nossas bocas. Eu não queria parar, queria continuar beijando-o para sempre, mas a droga a falta de ar atacou outra vez. Separei nossos lábios, ofegando como se tivesse corrido uma maratona com um saco de areia amarrado ao pé. Akira riu de meu desespero, mas também estava bem ofegante.
– Aprenda a respirar enquanto beija – ele disse.
Ri, aproximando minha boca da dele outra vez.
– Cala a boca – mandei.
Ele riu de novo, selando nossos lábios em um novo beijo. Respirei enquanto seus lábios brincavam com os meus, não era difícil. A verdade era que eu esquecia de respirar quando beijava Akira, era como se a única coisa que eu precisasse para continuar viva eram seus lábios quentes. Akira sugou severamente meu lábio inferior, fazendo-me soltar um pequeno gemido. Ele riu, separando nossos lábios para encarar-me.
– Estamos no jardim, tente maneirar nos sons indecentes — ele disse, dando uma mordidinha no meu lábio – Guarde seus gemidos para quando estivermos em um local particular, não quero que nenhum outro te escute emitir esse som delicioso.
– Você é um safado, francamente – falei.
Ele riu, dirigindo-me uma piscadela sensual.
– Vamos guardar essa conversa para outra hora – falei – Preciso ir, o horário acaba em...
Olhei para a tela do meu celular, apertando em uma tecla aleatória apenas para ver o horário. Arquejei, empurrando Akira de cima de mim e postando-me de pé em um pulo.
– Acabou há dois minutos! – falei – Se alguém me vir aqui, vou ser expulsa.
Akira revirou os olhos, erguendo-se do chão e me encarando com um olhar enviesado. Droga, ele é muito lindo. Seus cabelos rebeldes caiam em volta de seu rosto, a cor preta contrastando-se com sua pele branca e imaculada. Seus olhos brilharam, encarando-me enquanto ele se aproximava de mim. Eu me perguntava muito como um garoto lindo como aquele não era famoso, e sim, meu namorado? Akira ficava mais lindo toda vez que eu olhava para ele, se é que isso era possível.
– Eu te levo até o portão – ele disse.
Assenti, embasbacada demais com sua beleza para conseguir falar alguma coisa. Akira tomou minha mão, puxando-me para ele até estar perto o suficiente para abraçar-me pela cintura. Afundei meu rosto em seu ombro, andando sem nem mesmo ver para onde ia. Akira guiava-me direitinho, sua mão estava gentil, acariciando minha cintura.
– Ela está bem? – perguntou uma voz familiar, porém ligeiramente preocupada.
– Está – respondeu Akira.
Ergui meu rosto, deparando-me com a figura de Louis diante de mim. Akira havia trazido-me até o portão, Louis aguardava por nós ao lado do porteiro.
– Só estou triste – falei – Não queria ficar sem meu Akira de novo.
Akira e Louis sorriram um para o outro, meu namorado revirou os olhos. Segurando-me pelos meus ombros, Akira encarou meu rosto com um olhar gentil e amoroso.
– Não fique assim, vamos nos falar mais tarde pelo celular – ele disse.
– E sexta feira eu trago você aqui outra vez – disse Louis.
Akira confirmou as palavras do meu irmão com um aceno de cabeça, fiz um bico de impaciência.
– Desde quando vocês são tão amigos? – resmunguei.
Louis suspirou, Akira franziu as sobrancelhas.
– Nina, sem birra – repreendeu-me – Recomponha-se, eu quero um sorriso.
Ele apertou gentilmente meus ombros, estimulando-me com seu olhar carinhoso. Aos poucos, meu bico de irritação se desfez. Consegui esboçar um sorrisinho mínimo, Akira respirou fundo.
– Assim mesmo – ele disse, puxando-me para um abraço – Você fica linda sorrindo, é assim que eu quero te ver.
Afundei-me em seu peito, enterrando meu rosto em seu pescoço. Akira abraçou-me com força, respirando pesadamente. Cravei meus dedos em seu corpo, apertando-o com toda a força que tinha no momento. Ele suspirou, afastando-me de si um pouco. Akira selou nossos lábios carinhosamente, envolvendo-me em seu beijo gentil e amoroso. Nem pude me animar, pois cedo demais, Akira separou nossos lábios.
– Vamos, Nina – disse Louis – Sr. Kitazawa disse que não podemos demorar muito, ou a diretora irá reclamar.
Assenti de leve, sem perceber o que estava fazendo. A primeira separação que Akira e eu tivemos que ter fora bem mais fácil, já que eu estava cheia de coragem. Agora que eu já sabia o quanto doía ficar longe dele, ir embora era a ultima coisa que eu queria fazer.
Os braços quentes e aconchegantes de Akira saíram do meu alcance, enquanto um novo par de braços envolveu-me gentilmente.
– Cuida bem da minha Nina, tudo bem? – disse Akira.
Louis sorriu, abraçando-me com um pouco mais de força.
– Claro – ele disse – Afinal, ela é minha irmã.
Akira sorriu, fixando seu olhar em meu rosto. Sua expressão vacilou quando ele viu que eu estava beirando as lágrimas, engoli em seco.
– Vamos Louis – falei, pigarreando – Até mais, Akira.
Meu namorado encarou meu rosto, exibindo uma expressão frágil.
– Até mais, minha Nina – ele disse.
Engoli em seco, iria desabar em lágrimas se ficasse ali por mais tempo. Acenei para o porteiro e saí, trazendo Louis comigo. Arrisquei um olhar na direção de Akira quando cheguei ao lado de fora, ele deu dois soquinhos no lado esquerdo do peito, simbolizando um “Eu te amo”. Sorri, imitando o gesto. Louis pegou minha mão, dirigindo um rápido aceno na direção de Akira. Meu namorado retribuiu seu aceno, e os portões foram fechados. Caminhei pela calçada, dando rápidas batidinhas no meu próprio rosto. Louis apertou minha mão, chamando minha atenção.
– Está tudo bem? – perguntou, parecendo preocupado.
Assenti, dando um sorriso.
– Eu estou bem, só não gosto de despedidas – falei.
Louis assentiu, aproximando-se um pouco mais de mim. Ele abraçou-me de lado, confortando-me com sua aura calma e pacífica.
– Se não estiver bem, ou se precisar conversar... – começou – Saiba que eu estou aqui, pode contar comigo.
Abri um sorriso, erguendo um pouco meu rosto para vê-lo. Louis olhava-me com uma expressão bondosa, terna e carinhosa, seu sorriso acalmou meus loucos sentimentos.
– Tudo bem – falei.
Ele sorriu ainda mais, abracei-o com mais força. Seguimos em direção à estação do metrô, nenhum de nós falou muito durante o percurso. Louis estava claramente me dando um tempo, coisa que foi muito bem vinda. Quando entramos na estação, eu já me sentia bem melhor. Só a simples presença de Louis ao meu lado já era o suficiente para me deixar calma, consegui sorrir um pouco. O metrô estava razoavelmente vazio, mas não haviam bancos disponíveis. Louis e eu nos postamos em um lugar seguro, ele colocou os braços ao redor da minha cintura de forma protetora assim que o metrô começou a andar. Tentei não olhar para seu rosto, mas foi impossível evitar, já que ele estava bem diante de mim. Mais pessoas entraram conforme as estações passavam, fazendo com que Louis me abraçasse cada vez mais perto de si. Por fim, não pude resistir mais. Abracei-o com toda a minha força, fechando os olhos. Ele retribuiu meu abraço, pude ouvir um suspiro carinhoso em minha orelha.
– Obrigada, Louis – sussurrei – Por tudo.
Ele deu uma suave risadinha em minha orelha, fechei os olhos.
– Não há de que, Nina – ele disse – Pode contar comigo.
Sorri, apertando-o ainda mais. O metrô parou em uma estação, e vários passageiros desceram. Havia bastante espaço agora, mas não soltei Louis. Ele também não parecia muito ansioso para deixar-me ir, então continuamos abraçados durante todo o caminho de volta para a mansão Asahina.
E continuamos abraçados, mesmo depois de termos chegado em casa.
IMAGEM DO CAPÍTULO
Iori Asahina
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