The New Girl in the House
42 Sorteio - Especial de Férias
Notas iniciais
Estava quase alcançando o pote gigante de sorvete quando senti um peso em meus ombros, fazendo suaves vibrações. Ignorei, nada podia me impedir de tomar todo aquele sorvete. As vibrações ficaram um pouco mais fortes, mas ainda eram suaves. Acabei sorrindo com aquilo, dando mais um passo na direção do pote dos sonhos.
– Acorda, sua idiota! – Gritou uma voz.
Arregalei os olhos, dando um pulo da cama. Minha alma devia ter se desprendido do corpo, talvez ainda estivesse no mundo dos sonhos. Escancarei a boca, ofegando com tanta força que acabou jogando para longe alguma coisa que estava debruçada sobre mim. Ouvi um clique, e logo em seguida veio um flash. Olhei em volta, tentando assimilar o que estava acontecendo ali.
– E é assim que se acorda uma preguiçosa. – Disse Fuuto, abrindo os braços como um presidente dando um discurso inspirador.
Arquejei, tentando não morrer do coração. Todos os presentes riam bastante do que tinha acontecido, e não eram poucas pessoas. Uma delas estava com uma câmera na mão, seus olhos verdes eram quase tão assustadores do que seu sorriso maluco.
– Bom dia, Nina. – Disse Hikaru.
Arquejei, olhando em volta de novo. Azusa, Natsume, Masaomi, Fuuto e Hikaru estavam em pé no meu quarto, olhando na minha direção enquanto riam de mim. Alguma coisa pesada e cheirosa estava deitada ao meu lado, só fui perceber que era Tsubaki quando ele agarrou meus ombros e me prendeu em um abraço sufocante.
– Maninha, que belo dia, não acha? – Ele disse, rindo.
Afastei seu corpo, fazendo uma expressão furiosa. Olhei em volta de novo, deixando bem claro para os presentes como desaprovava aquela pequena reunião de manhã cedo.
– O que está acontecendo aqui? – Perguntei, séria.
Azusa, Natsume e Masaomi pararam de rir, esse último ficou ligeiramente nervoso. Fuuto revirou os olhos, jogando-se na minha poltrona de leitura e jogando os pés em cima da minha cama.
– O que parece que está acontecendo aqui? Viemos acordar a única pessoa que ainda estava dormindo no dia da nossa “Viagem em família”. – Ele disse, pondo muito sarcasmo na última parte.
Franzi o cenho, confusa. Alguma coisa levantou do chão, pelo tamanho do bico, era o caçula da família.
– Onee-chan, não pule da cama quando eu estiver em cima de você! – Ele disse, manhoso.
Soltei um muxoxo, o pequeno esfregou o rostinho com a mão. Abri meus braços, olhando para ele com minha melhor expressão culpada. Não demorou nem mesmo um minuto, Wataru desfez o bico choroso e pulou nos meus braços, sorrindo e enterrando o rosto em meus seios.
– Que viagem em família? – Perguntei, tentando tirar meu irmãozinho de dentro do meu pijama.
Masaomi olhou para o mais velho dos gêmeos, franzindo o cenho. Tsubaki riu, piscando para mim e enfiando a cara no meu ombro, quase batendo na cabeça de Wataru no processo.
– Talvez eu tenha esquecido de contar à ela. – Ele disse, rindo.
Azusa respirou fundo, assim como Masaomi. Fuuto bufou, fuzilando o irmão com o olhar. Natsume quase fazia o mesmo, sua expressão quase me fez tremer de agonia. Hikaru riu, sacudindo a cabeça.
– Tsubaki Asahina, sempre esquecendo as coisas importantes de propósito. – O ruivo disse.
Tsubaki riu, desgrudando o rosto do meu ombro. Nosso olhar se encontrou, ele mordeu o lábio.
– Aposto que ela me perdoa, nem que precise de dois ou três beijos profundos de “Me desculpe”. – Ele disse.
Fiz uma careta, empurrando seu corpo com o ombro. Ele riu, jogando-se em meu travesseiro.
– Tsubaki, menos. – Disse Azusa, sério.
– Muito menos. – Confirmou Natsume, olhando para o irmão de forma glacial.
Hikaru riu, sacudindo a cabeça. Masaomi franziu o cenho, olhando para os irmãos de um a um com um olhar firme. Suspirei, desistindo de tirar Wataru de cima de mim. Ele soltou um muxoxo quando sentiu minha desistência, agarrando minha cintura e deitando por cima de mim. Sorri sem querer, embrenhando meus dedos em seus cabelos macios.
– Já que Tsubaki nos fez o favor de não te avisar, vou contar o que está acontecendo. – Disse o mais velho dos irmãos. – Nossa mãe não vai passar o Natal conosco esse ano, já que está em uma viagem de negócios na Polinésia.
– Ainda? – Perguntei, boquiaberta.
Masaomi confirmou com a cabeça, um pouco pesaroso. Franzi o cenho, ligeiramente preocupada. Desde o desfile que aconteceu há meses atrás, Miwa não tem parado em casa. Muitas outras marcas famosas de várias partes do mundo estavam tentando arrumar uma parceria com ela, já que sua parceria com aquela marca francesa tinha feito um sucesso monstruoso. Eu não podia estar mais orgulhosa, mais sentia muita falta da minha mãe adotiva. Rintarou ainda nos visitava, mas também estava ocupado com seu trabalho de viajante internacional, carreira que eu passara a cobiçar muito desde que a descobrira. Miwa tinha ido à Polinésia no começo do mês, disse que estava buscando inspiração para desenhar uma nova coleção de verão. Eu quase chorara para ser levada junto, e embora ela quisesse me levar, eu ainda estava tendo aulas na época. Nunca senti tanta raiva de ser uma estudante na vida.
– Já que eles não poderão estar conosco durante as festividades, nosso padrasto sugeriu que passássemos alguns dias na casa de campo, todos juntos. – Disse Azusa, olhando para mim com uma expressão gentil. – Vamos partir hoje mesmo, então pedimos para que o Tsubaki te contasse. Mas, pelo visto, devíamos ter confiado em outra pessoa.
Tsubaki riu, erguendo o rosto para encarar o gêmeo.
– Que cruel, Azusa. – Ele disse, fazendo um bico engraçado. – Aposto que você também esqueceria de contar, só consigo pensar em uma coisa quando vejo a Nina, e não é em uma viagem de família.
– Tsubaki. – Disse Natsume, firme.
O mais velho fez uma expressão firme, seus olhos brilharam perversamente.
– Eu sou seu irmão mais velho, então cale a boca. – Disse.
Os trigêmeos trocaram um olhar firme, estremeci. Algo me disse que aquilo era bagagem demais para mim, respirei audivelmente. Imediatamente, todas as atenções foram voltadas para mim. Corei, arregalando um pouco os olhos. O olhar de Natsume se suavizou, Tsubaki voltou a sorrir.
– Chega dessa palhaçada, vamos perder a hora! – Disse Fuuto, bufando de forma irritada.
Hikaru olhou-o com um olhar sagaz, meus pelos se eriçaram.
– Para alguém que odiava essa viagem, você me parece bem ansioso. – O ruivo disse.
– Deve ser a excitação de saber que vai passar quinze dias com a Nina em um lugar longe da cidade. Se a levar para o lugar certo, ninguém vai ouvir os gritos. – Disse Tsubaki, rindo em meio à frase. – Só não se esqueça, o único que pode excitá-la sou eu, claro.
Taquei meu elefante de pelúcia em seu rosto, mas aquilo só o fez rir ainda mais. Wataru me abraçou com mais força, talvez pedindo atenção. Esqueci tudo que estava acontecendo ali, afagando sua cabeça com as mãos de forma carinhosa.
– O que foi, minha hiena? – Perguntei.
Ele ergueu o rosto, olhando em meus olhos com aquelas esferas enormes e brilhantes.
– A onee-chan vai ir no mesmo carro que eu, não é, onee-chan? – Perguntou, piscando os olhos duas vezes no final da frase.
Abri a boca para responder, mas não consegui dizer nada. Não adiantava, eu morava com eles há mais de um ano, mas não conseguia resistir ao olhar do pequeno. Arquejei, impotente.
– Wataru, Nina precisa tomar um banho, comer, arrumar as malas... – Disse Masaomi, sorrindo de leve para o menor. – Vocês decidem se querem ir juntos depois, tudo bem?
Wataru fez um bico, mas logo voltou a sorrir. Em um pulo, seu corpo levantou da cama. Ele olhou para o mais velho, fazendo uma rápida reverência travessa.
– Sim, Masa-nii! – Ele disse.
Ri, percebendo que o apelido mudara de novo. Wataru olhou para mim, abrindo um sorriso enorme e exibindo os dentes brancos e perfeitos.
– Onee-chan? – Chamou.
Abri um sorriso enorme, enfeitiçada por ele.
– Sim? – Respondi.
Seu sorriso cresceu, ele piscou duas vezes.
– Você precisa escovar os dentes. – Disse.
Pisquei, sentindo todo o sangue do meu corpo passar por meu rosto de uma só vez. Os irmãos explodiram em uma gargalhada conjunta, Fuuto quase caiu da poltrona. Arregalei os olhos, arquejando com força.
– Wataru! – Guinchei.
Ele deu de ombros, rindo.
– Kyo-nii disse que eu tenho que dizer a verdade sempre. – Ele disse.
Arquejei de novo, dando um pulo da cama. Fingi que não percebi a reação de todos ali diante do meu pijama extremamente... Confortavelmente curto, apenas corri em direção ao banheiro. Tentei ignorar as risadas escandalosas que tinha deixado para trás, soprando um pouco de ar na palma da minha mão para saber que o pequeno tinha razão.
Infelizmente, ninguém acorda com hálito de hortelã.
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Bufei, cruzando os braços. Hikaru fechou a porta da limusine de Fuuto, sorrindo de forma travessa. Bufei outra vez, tentando não me jogar pela janela.
– Ah, que belo começo para uma viagem, não acham? – Disse Tsubaki, esticando os braços por cima do banco espaçoso em que estava sentado.
– Não. – Respondi.
– Não mesmo. – Fuuto concordou.
O mais velho riu, sacudindo a cabeça. Hikaru deu uma risada discreta, discreta até demais. Ergui o olhar até seu rosto, sendo recebida por mais um flash indevido.
– Mais fotos? – Indaguei, indignada.
O ruivo riu, senti Fuuto bufar ao meu lado.
– Fotos são uma parte importante em uma viagem em família, e nossa mãe me pediu para fotografar bastante nossa querida estrelinha espanhola, para que ela possa ver se você está se divertindo. – Disse Hikaru, sacudindo a câmera de leve.
Revirei os olhos, desviando o olhar até meus joelhos.
– Aposto que eu pareço muito feliz nessas fotos. – Falei, sarcástica. – Achei que a amante de fotos dessa família fosse a Ema.
– Está vendo ela por aqui? Nesse momento, ela deve estar ajudando Ukyo com nosso jantar, já que os dois foram na frente com Kaname e Yusuke para preparar a casa. – Disse Tsubaki, encarando alguma coisa através da janela com um sorriso travesso.
Olhei para fora do carro também, curiosa. O carro de Masaomi estava emparelhado com o nosso, então podíamos ver o rosto indignado de Wataru colado contra o vidro do carro, olhando para mim. Pude ver Masaomi e Iori dentro do carro, rindo do pequeno. Tsubaki, Hikaru e até mesmo Fuuto começaram a rir, soltei um muxoxo.
– Minha hiena, pobrezinho. – Falei, fazendo um bico de pena.
O pequeno começou a dizer alguma coisa, mas Masaomi ligou o carro e se afastou de nós. Tive que rir daquilo, ainda que estivesse um pouco triste por fazer meu irmãozinho ficar triste com a divisão de caronas.
– Nossa viagem ia ficar muito mais complicada se ele estivesse aqui, não poderíamos conversar direito com uma criança por perto. – Disse Hikaru, olhando para mim enquanto falava.
Me arrepiei um pouco, desviando o olhar. Ele estava vestido como um homem outra vez, e estava lindo. Para falar a verdade, eu não o tinha visto vestido de mulher desde o dia da festa do dia dos namorados. Perguntei isso para Masaomi uma vez, mas ele apenas disse que Hikaru era uma pessoa imprevisível. Eu estava acostumada a vê-lo usando vestidos, então não me sentia muito confortável com mais um homem lindo na minha vida. Não que o fato dele se vestir com uma mulher mudasse essa realidade, era só mais fácil fingir que seu irmão não era... Homem quando o via de maquiagem.
– Sobre o que vamos falar? Estou ansioso para curtir a viagem ao lado da minha maninha linda. – Disse Tsubaki, lançando-me um olhar safado.
Me arrepiei mais, fazendo uma careta. Olhei para Fuuto, em busca de ajuda. Ele me ignorou, mexendo no celular com uma expressão descontente. Tentei ignorar aquilo, fingindo que não estava na mira de dois dos três filhos mais safados que Miwa tivera.
– Conte-nos, querida Nina. – Começou Hikaru, sorrindo daquela maneira maluca que só ele conseguia. – Você ainda está namorado?
Franzi o cenho, cruzando os braços acima do peito em uma pode defensiva.
– Estou. Por que? – Indaguei, cautelosa.
Hikaru riu, piscando de leve para mim.
– Não precisa ficar tão tensa, só fiz uma pergunta inocente. – Ele disse.
Bufei, lançando um olhar acusador em sua direção.
– Querido irmão, eu vivo com vocês durante tempo suficiente para saber que nada, absolutamente nada nessa família e inocente. – Acusei.
Fuuto riu pelo nariz, sem erguer o olhar da tela do celular. Se estava tentando fingir desinteresse na conversa, não estava se saindo muito bem. Tsubaki deu uma gargalhada, seus olhos brilhavam com divertimento.
– Então você finalmente descobriu isso? Demorou bastante. – Ele disse.
– Você é uma garota esperta, mas é um pouco lenta para certas coisas. – Disse Hikaru, completando os dizeres do irmão.
Fiz uma careta, encolhendo-me um pouco no banco do carro.
– A culpa não é minha, minha mentalidade ainda é inocente para certas coisas. – Confessei, um pouco manhosa.
Tsubaki mordeu o lábio, seu olhar queimava meu rosto.
– Fico imaginando se você também é assim na cama, vou adorar descobrir isso um dia. – Disse.
Trinquei os dentes, fuzilando seus olhos com o olhar.
– Pare de me tentar. – Falei.
– Hum, então Tsubaki é tentador para você. – Disse Hikaru.
Fuuto bufou, digitando algo em seu celular.
– Ela gosta de cafajestes, por isso sempre se dá mal. – Ele disse.
Arquejei, arregalando os olhos.
– Não é verdade! Com que fundamentos você diz isso? – Indaguei, indignada.
– Ela tem razão, até agora, nenhuma das escolhas dela se mostrou ser um cafajeste. – Disse Hikaru.
O cantor bufou outra vez, desviando o olhar da tela para lançar-me um olhar enojado.
– Não que vocês saibam. – Ele disse.
Meu coração pulou uma batida, arregalei os olhos. Fuuto desviou o olhar de mim, virando o rosto para encarar a janela. Soltei uma gargalhada, deixando os demais irmãos presentes um pouco confusos.
– Não me diga que você ainda está com raiva daquilo? – Falei, incrédula.
Fuuto deu uma risada debochada, ainda sem olhar na minha direção.
– Como eu poderia sentir raiva daquilo? Você teve o que mereceu. – Ele disse, frio.
Ri ainda mais, sacudindo a cabeça. Aproximei meu corpo do dele, abraçando-o de lado assim que pude. O garoto rosnou, virando para mim com uma expressão homicida.
– Me solta. – Disse.
Ri, apertando seu corpo com mais força.
– De jeito nenhum. – Respondi.
Ele bufou, tentando me afastar de si. Ri, deitando minha cabeça em seu ombro e fechando os olhos.
– Não precisa ficar assim. Eu te odeio, mas dançaria com você se o Liu não tivesse me desafiado. – Falei.
Fuuto bufou de novo, visivelmente irritado. Ri, contente demais para descrever.
– Alguém explica o que está acontecendo aqui? – Disse Tsubaki, erguendo uma sobrancelha.
Ri, soltando Fuuto e sentando melhor. Os irmãos mais velhos presentes olhavam para mim com copiosas expressões curiosas, ainda que Tsubaki parecesse mais firme do que Hikaru, e esse último exibisse um sorriso indecifrável. Senti Fuuto endurecer ao meu lado, prendi o riso.
– Na festa de despedida da nossa turma, a professora resolveu organizar uma dança. As garotas escolhiam os pares, embora os garotos pudessem fazer listas de desejos para dizer quem eles preferiam aceitar. – Comecei, parando de falar para rir um pouco. – Meu amigo me desafiou a escolher Ayato, um garoto da nossa classe. Eu aceitei, só porque não tinha percebido que Fuuto tinha colocado apenas o meu nome na lista de desejos.
– Só porque entre você e as outras malucas da nossa classe, você parecia a melhor opção. – Rosnou Fuuto, irritado. – Ou melhor, você não era a melhor opção, apenas a “menos pior”.
Soltei uma gargalhada, sendo acompanhada por Hikaru e Tsubaki. Fuuto bufou, cruzando os braços em força. Sacudi a cabeça, abraçando seu corpo de novo. Coloquei meu queixo em seu ombro, piscando os olhos duas vezes, como Wataru fazia para me conquistar.
– Não fique com raiva, eu me ofereci para dançar com você depois. – Falei.
Ele trincou os dentes, quase pude ver pequenas bombinhas explodindo ao redor de sua cabeça.
– Eu não nasci para colher o resto dos outros, muitas outras garotas morreriam para dançar comigo. Eu não acredito que você escolheu aquele idiota, ele ainda tentou beijar você no meio da dança. – Ele disse. – Você não vai mais ter uma chance dessas, nem que peça desculpas rastejando no chão. Morra com sua escolha.
Fiz um bico, piscando os olhos outra vez.
– Liu me desafiou, eu nunca consigo resistir a um desafio. – Insisti. – Eu danço com você assim que puder, não fica assim.
Fuuto bufou, empurrando meu corpo. Soltei-o, rindo um pouco. Hikaru assistia a cena com um brilho estranho no olhar, senti meu sorriso morrer aos poucos.
– Vocês parecem duas crianças mimadas brigando assim, mas eu até entendo o Fuuto. – Disse Tsubaki, cruzando os braços. – O cara tentou beijar você? Nessas situações, você precisa ficar perto de um irmão.
Revirei os olhos, sacudindo a cabeça. Fuuto voltou sua atenção ao celular, ainda que estivesse visivelmente irritado. Hikaru olhava de Tsubaki para Fuuto, soltando um risadinha discreta e misteriosa. Fingi que não tinha visto, virando o rosto para olhar a rua do lado de fora do carro.
– Não foi a primeira vez que eu quase fui beijada contra a minha vontade, sei lidar com esse tipo de coisa. – Falei.
O gêmeo presente ergueu uma sobrancelha, curioso.
– Quando isso aconteceu? – Perguntou.
Fingi contar nos dedos, parando assim que percebi que Tsubaki escancarou a boca. Ri, dando de ombros.
– É o que acontece quando se é uma garota estrangeira em um orfanato, vocês japoneses são muito tarados. – Respondi.
– Por falar nisso, o que acha de nos contar um pouco sobre sua vida naquele lugar? É importante para nós, conhecer você. – Disse Hikaru.
Mordi o lábio, um pouco hesitante. Os olhos verdes do ruivo me passavam a sensação de que eu não escaparia daquela tão fácil, dei um sorriso amarelo.
– O que exatamente você quer saber? Foi uma longa jornada. – Falei, um pouco incerta.
Tsubaki inclinou o corpo para a frente, apoiando a cabeça nas mãos, enquanto seus cotovelos fincaram-se em suas pernas. Ele parecia uma criança daquele jeito, ainda que seu corpo forte não lembrasse nem um pouco o corpo de uma criança.
– Nos conte desde onde você parou de contar, no Natal passado. – Ele disse, abrindo um sorriso para mim.
Sorri de volta, um pouco derretida por sua expressão curiosa. Não era sempre que ele deixava de ser um safado para agir como um homem normal, e isso mexia demais comigo para ser saudável. Respirei fundo, puxando na memória alguma coisa decente para contar para eles.
– Bom, sabe quando dizem que todos começam a te querer quando você começa a namorar? Pois é, é exatamente assim que acontece. – Comecei, sem conseguir conter um sorriso nostálgico. – Metade dos garotos que tinha idade para namorar começaram a me perseguir, até os mais novos ganharam alguma simpatia por mim. Um deles fazia de tudo para me tirar do sério, acho que era sua forma de mostrar que tinha uma queda por mim. Esse garoto saiu do orfanato um pouco depois da minha saída, e ainda recebeu uma herança gorda do avô ou coisa assim. Nunca mais tive notícias dele, Bruce, é o nome da criatura.
Ri um pouco, soltando um suspiro alegre. Os três pareciam estar prestando atenção no que eu dizia, mas apenas Fuuto não tinha um sorriso leve no rosto. Olhei para ele, lançando a ele uma piscadela brincalhona.
– Você meio que me lembra dele, embora o Bruce não seja tão chato. – Falei.
Ele bufou, me lançando um olhar irritado.
– Não me compare com uma pessoa tão insignificante, controla droga da língua. – Disse.
Ri, sacudindo a cabeça.
– Talvez eu controle minha língua, se você controlar esse seu ego gigante. – Respondi.
Fuuto bufou de novo, desviando o olhar até o celular para fingir que não estava prestando atenção em cada movimento meu. Sorri, tinha ficado boa em ler a linguagem corporal masculina depois de tanto conviver com meus irmãos. Ficar rodeada de homens tem lá suas vantagens.
– Então você sempre foi um imã de homens? – Disse Hikaru, cruzando as pernas.
Senti meus pelos se eriçarem de leve, mas deixei um sorriso escapar. Tinha descoberto recentemente que gostava de ver um homem cruzar as pernas, ironicamente, quem me fizera descobrir aquilo era o quarto filho.
– Você pode chamar assim, mas eu não me orgulho muito disso. – Falei, revirando os olhos no meio da frase. – Claro, isso tem lá suas vantagens. Mas não é legal ser disputada assim, eu me sinto um pouco... Presa.
Não pude evitar um suspiro, desviando o olhar até meus sapatos. Já fazia um tempo e que eu não refletia sobre isso, mas era a mais pura verdade. Eu sabia como lidar com certas situações, mas não era muito saudável esperar um “ataque” a todo momento. Morar com a família Asahina me trouxera um pouco de paz nesse sentido, mas eu ainda tinha que me controlar de vez em quando. Não gostava disso, mas estava evitando um pouco manter contato com alguns deles. Iori, por exemplo. Era difícil ficar longe do meu príncipe, mas para meu próprio bem, eu precisava... Aquietar a vagina, como minha amiga Ayla dizia sempre que eu ligava para desabafar.
Outra surpresa boa que o ano trouxera para mim, eu tinha uma amizade com Ayla. Ela não era a garota mais amigável e doce do mundo, mas era estranho o modo como nos dávamos bem. Acho que ter irmãos caçulas que viraram melhores amigos depois de apenas cinco minutos de conversa ajudava, agora ela até mesmo me ligava para contar sobre sua vida amorosa instável. Eu também a procurava para isso, e ela sempre me dizia a mesma coisa: Termine o namoro e curta a vida. Eu sempre respondia a mesma coisa: Não posso fazer isso. Ela sempre bufava e dizia: Então aquieta a vagina, e me faça o favor de ir se ferrar.
(Música)
Acabei rindo ao lembrar daquilo, Ayla era uma figura. Eu fingia me irritar com suas palavras diretas, mas nunca conseguia conter uma gargalhada sempre que ela dizia algo do tipo. Isso a deixava irritada, mas ela sempre acabava rindo também. Eu amava isso, em pouco tempo, ela tinha virado uma espécie de melhor amiga.
– Você amadureceu demais em pouco tempo, maninha. – Disse Tsubaki.
Sua voz me despertou de meus devaneios, pisquei. Ele olhava para mim, uma expressão ligeiramente sombria tomava seu rosto. Meus pelos se eriçaram, engoli em seco.
– Perder os pais faz qualquer pessoa amadurecer, Tsubaki. Eu só aprendi um pouco a sabedoria das ruas... Ou dos orfanatos, no meu caso. – Falei.
Hikaru riu de leve da minha tentativa ridícula de amenizar a situação, encarei seu rosto. O ruivo piscou para mim, erguendo a mão para apertar de leve o ombro de Tsubaki.
– Nem todos amadurecem depois de perder um parente, não é mesmo, Baki-Baki? – Ele disse.
Soltei uma gargalhada, arregalando os olhos um pouco. Inesperadamente, o gêmeo mais velho corou furiosamente com as palavras do irmão. Até mesmo Fuuto deixou uma risada escapar pelo nariz, o apelido secreto de Tsubaki devia ser mesmo poderoso.
– Hikaru, não fale isso perto desses dois, eu gosto do meu orgulho! – Disse Tsubaki, arregalando um pouco os olhos.
Ri ainda mais, levando Fuuto comigo dessa vez. O mais velho presente riu, inclinando a cabeça para a esquerda como um cachorrinho.
– Por que não? Você deixava sua primeira namorada te chamar assim. – Ele disse.
Tsubaki bufou, escondendo o rosto nas mãos.
– Foi por isso que eu terminei com ela, ninguém merece ser chamado assim no meio do pátio da faculdade. – Disse.
Fuuto e eu gargalhávamos, algo me disse que não era a primeira vez que ele ouvia aquela história, já que ele parecia ter acabado de lembrar de algo que adorava saber. Respirei fundo, tentando recuperar meu fôlego. Encarei meu irmão envergonhado, curiosa.
– Então seu primeiro namoro foi durante a faculdade? – Perguntei.
Ele ergueu o rosto, um pouco mais recuperado. Prendi o riso, fascinada por sua expressão.
– Oficialmente, foi sim. Mas só aconteceu porque aquela maluca contou aos pais que tinha perdido a virgindade comigo, fui forçado a aguentar a família dela durante quase um ano. – Respondeu.
Ri, tapando a boca com as mãos. Tsubaki fez uma careta, sacudindo um pouco a cabeça.
– Pode rir, eu sei que esses foram os dias mais patéticos da minha existência. – Ele disse.
– Confesse que foi divertido apresentar ela para nossos irmãos, Tsubaki. – Disse Hikaru.
Fuuto riu, assentindo para enfatizar as palavras do ruivo. Seus olhos brilhavam muito, senti meu coração se aquecer.
– Disso eu lembro, ela foi embora correndo depois de fazer o Wataru chorar como um bezerro recém-nascido. – Ele disse.
Hikaru soltou um gargalhada, levando Fuuto consigo. Não consegui conter minha risada, enchendo o carro com o som de três pessoas malucas rindo como hienas. Tsubaki acabou rindo junto conosco depois de um tempo, soltando um suspiro alegre.
– Tenho que agradecer ao Wataru mais uma vez por isso, e ao Azusa também. – Ele disse.
Ergui uma sobrancelha, curiosa. Encarei o gêmeo, pedindo silenciosamente por respostas. Ele sorriu para mim, atirando os braços para cima do banco. Era o Tsubaki de sempre outra vez.
– Ele praticamente interrogou a garota, Azusa sempre agiu como se fosse o mais velho nesse sentido. – Disse, sorrindo. – Mamãe também ajudou, já que ela morre de ciúme de todos nós. Ela insistia o tempo todo em dizer que éramos muito jovens para nos casar, como o pai da garota queria. Papai teve que intervir na hora H, ou mamãe estaria presa por agressão até agora.
– “Velho insolente, ninguém obriga meu menino a nada!” – Imitou Fuuto, forçando a voz o bastante para fazer parecer que Miwa estava mesmo ali.
Tsubaki e Hikaru gargalharam com a imitação do garoto, eu mesma não aguentei. Fuuto cruzou os braços, um pouco presunçoso. Sequei um lágrima involuntária que acabara saindo sem querer, tentando respirar direito. Hikaru deu uma última risada, respirando fundo.
– Espero que isso tenha te ensinado a lição mais valiosa da vida de um solteiro. – Ele disse.
Tsubaki riu, batendo continência e estufando um pouco o peito.
– Nunca durma com uma virgem se não quiser casar com ela. – Disse.
Hikaru riu, assentindo. Os dois trocaram um soco amigável, sorrindo marotamente um para o outro. Eles continuaram a conversar, Fuuto ria do que era dito, e até comentava vez ou outra. Abri um sorriso enorme, fascinada com a amizade deles. Embora todos os irmãos sempre me passassem a impressão de serem muito unidos, eu não via muitas demonstrações e camaradagem como aquela. A maior que eu tinha visto devia ser a que aconteceu no natal passado, a que eu ouvira por acidente, e acabara entrando na brincadeira ao dizer que Kaname tinha um rato morto nas calças. Meu coração se apertou com a lembrança, tinha sido um dos melhores dias da minha vida.
–... Nunca vi o Ukyo tão bêbado, acho que ele nunca vai esquecer aquele castigo histórico. – Disse Hikaru, sacudindo a cabeça.
– A bebida é mesmo um problema para essa família, lembra daquela festa de aniversário da mamãe? – Disse Tsubaki.
Fuuto riu, sendo acompanhado pelos outros. Sorri com a cena, abraçando meu próprio corpo.
– Ela e Kaname se abraçaram, cantando uma música aleatória enquanto Masaomi e Ukyo tentavam fazer o Wataru parar de correr pelado pela sala, foi nessa dia que ele passou cocô na cara do Masa-nii. – Disse Tsubaki.
Fuuto fez uma careta, mas logo desatou a rir descontroladamente. Ri, um pouco espantada com aquela reação. Eu nunca o vira rir tanto em tão pouco tempo, era a coisa mais estranha e maravilhosa que eu já presenciara na vida.
– Essa família é totalmente maluca, por sorte todos nós sobrevivemos até agora. – Disse Hikaru, soltando um suspiro. – Quantas vezes o Yusuke fez xixi nas calças durante os nossos acampamentos?
– Seis! – Disseram Tsubaki e Fuuto ao mesmo tempo.
Arregalei os olhos, tapando a boca para não rir muito alto. Foi inútil, já que os três resolveram se juntar a mim naquela sessão de gargalhadas. Foi difícil conseguir respirar, já que a risada de Tsubaki era tão engraçada quanto a conversa. Acabei precisando abraçar Fuuto para não cair de cara no tapete, ele não tentou me afastar dessa vez. Fechei os olhos, respirando fundo para controlar minhas risadas. Meu controle não durou muito tempo, já que Hikaru começara a contar uma história estranha que evolvia cinco laranjas, um abajur e um Natsume criança com medo de fantasmas.
E, embora o momento fosse de relembrar lembranças felizes, eu não conseguia pensar em um momento em que me senti feliz daquele jeito.
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Desci do carro, um pouco sonolenta. A viagem fora relativamente longa, então eu não conseguira resistir, e acabei dormindo no ombro de Fuuto. Estaria tudo bem, se ele não quisesse mostrar o quanto era amável e me acordar com um grito, pela segunda vez naquele dia. E para melhorar, Hikaru registrara o momento com sua câmera, de novo.
– Ah! É tão bom voltar aqui depois de todo esse tempo! – Disse Tsubaki.
Ele se espreguiçou lentamente, visivelmente feliz. Tentei me alegrar com aquilo, ainda que não estivesse muito feliz com a forma como fora acordada alguns minutos atrás.
– Ei, sua niña idiota. – Disse Fuuto.
Grunhi, virando o rosto para vê-lo. Antes que eu pudesse reagir, ele jogou minha pesada mala na minha direção. O projétil acertou minha barriga, caí no chão. Arquejei, tentando respirar. Uma dor tomou conta do meu abdômen, choraminguei como um cão ferido. Lancei um olhar assassino ao cantor idiota assim que consegui respirar, ele ignorava completamente a minha presença. Abri a boca para reclamar, mas um toque firme e quente em minha cintura desviou minha atenção. Meu corpo foi içado do chão, ofeguei. Me vi presa em um par de braços fortes, com o rosto quase colado naquele peitoral perfumado.
– Gatinho? – Arquejei, um pouco tonta.
A expressão de Natsume se suavizou um pouco com minhas palavras, mas seu abraço não perdeu sua intensidade.
– Você está bem? Está machucada? – Ele perguntou.
Parecia preocupado, meu coração acelerou um pouco seus batimentos. Eu nunca mais tinha sido abraçada por ele daquela maneira, já que ele ficava dez vezes mais atolado no trabalho durante essa época do ano. Meu sono fora de hora parecia ter embarcado em um navio para o Canadá, meus sentidos ficaram acesos.
– Estou bem, eu acho. – Respondi.
Natsume sorriu de leve, encarando meus olhos fixamente. Me perdi naqueles olhos violetas, respirando com um pouco mais de força do que seria necessário.
– Fuuto, por que você fez isso? – Disse a voz de Masaomi.
Pisquei, acordando de meu transe repentino. Desviei o olhar, sentindo meu rosto esquentar sem motivo algum. Quase todos os irmãos estavam ali, olhando para Fuuto com quase a mesma expressão irritada. Ele apenas ignorou todos, pegando sua mala e caminhando despreocupadamente em direção à grande casa que nos esperava diante de nós. Respirei fundo, rosnando baixinho de raiva. Senti Natsume apertar minha cintura um pouco mais, rosnando também. Mordi o lábio, seria aquilo algum tipo de comunicação felina?
– Francamente, esse garoto fica pior a cada dia. – Disse Masaomi, expirando pesadamente.
– Você está bem, maninha? – Perguntou Tsubaki.
Assenti, sorrindo de leve para ele. Os irmãos pareceram aliviados quando viram minha reação, com exceção de apenas um. Um pouco indiferente demais, Louis pegou sua mala e seguiu o mesmo caminho que Fuuto, não sem antes ignorar completamente a minha existência quando passou por mim. Suspirei, revirando os olhos.
– Mais essa agora. – Disse Azusa, sacudindo a cabeça para o irmão.
Respirei fundo, erguendo o olhar até o rosto de Natsume. Ele desviou o olhar até encontrar o meu, como um movimento ensaiado. Sorri da forma mais convincente que pude, abraçando seu corpo brevemente.
– Obrigada pela ajuda, já estou melhor agora. – Falei.
Ele sorriu de leve para mim, assentindo. Empurrei seu corpo devagar até estar livre de seus braços, tive o cuidado de sorrir para ele enquanto me afastava de forma sutil. Não queria passar a impressão errada, já que queria apenas me manter longe de problemas. Aquela devia ser uma viagem de família, então devíamos nos manter unidos como uma.
Peguei a alça da minha mala, erguendo-a do chão. Soltei a mesma no chão quase imediatamente, arregalando os olhos.
– Hikaru! – Falei, indignada.
O ruivo riu, olhando para mim como se eu fosse um gatinho tentando rosnar como um leão.
– Sinto falta de arrumar malas com roupas de mulher, acho que acabei me empolgando. – Ele disse, divertido.
Fiz um bico, fuzilando seu rosto com o olhar.
– Você colocou o que aqui? Uma armadura medieval? Como eu vou conseguir levar isso? – Perguntei.
Ele riu, erguendo as mãos em rendição. Tsubaki, Natsume, Azusa e Masaomi riram, Wataru estava dormindo profundamente no colo desse último. Subaru suspirou, sacudindo a cabeça e vindo na minha direção. Ele ergueu a mala como se ela fosse uma sacola plástica vazia, minha boca se abriu.
– Vai parar de reclamar agora? – Ele disse.
Arquejei, os outros riram. Subaru sacudiu a cabeça outra vez, se dirigindo à casa com duas malas nas mãos, a minha e a dele. Ri pelo nariz, sacudindo a cabeça de leve.
– Esses, definitivamente, vão ser umas férias muito agitadas. – Disse Tsubaki.
– Fiquei até com medo de ver no que isso vai dar. – Concordou Azusa.
Iori, que estava calado até então, deu uma risada discreta. Meu olhar encontrou o seu, um sorriso terno tomou seus lábios no mesmo instante.
– Vamos, Nina? – Ele disse, estendendo a mão para mim.
Sorri, assentindo. Fui até ele, mas o príncipe não pegou minha mão como achei que faria. Ao invés disso, ele posicionou os dedos longos e firmes em minha cintura, segurando-me ao seu lado de forma intensa e calma ao mesmo tempo. Mordi o lábio, perdendo o ar por um segundo. Aquietar a vagina... Aquietar...
Era mais difícil do que eu pensava.
Iori sorriu para mim, desviando o olhar até o caminho. Fiz o mesmo, respirando fundo para não perder a calma. Olhei em volta, tentando me perder no verde do lugar.
A propriedade era enorme, eu podia ver árvores e mais árvores em qualquer direção que olhasse. A casa era quase tão grande quanto a casa em que morávamos, perdi o fôlego. Os carros em que viemos estavam parados em uma garagem ao ar livre, um pouco longe da construção magnífica. Umas cinco trilhas levavam à floresta em diferentes locais, mas todas pareciam estar conectadas de algum modo à casa, como se ela fosse uma árvore frondosa. A arquitetura era tradicional, mas eu ainda sentia como se estivesse entrando em um castelo. As luzes estavam acesas lá dentro, contrastando com o crepúsculo que vivenciávamos aqui fora. Eu podia ouvir vozes do lado de dentro, já que estávamos na varanda da casa. Masaomi foi o primeiro a entrar, sorridente. Sorri de leve, ainda um pouco embasbacada pelo cenário. Iori riu baixinho, soltando um suspiro e afagando minha cintura de leve. Sorri para ele, sendo conduzida para dentro.
– Irmãzinha! – Disse Kaname.
Não tive tempo para nada, apenas para ser recebida em seus braços, em um abraço apertado. Ofeguei, rindo logo em seguida. O monge me soltou, sorrindo para mim de forma radiante.
– Seja bem vinda, vamos nos divertir bastante aqui. – Ele disse.
– Hey! Nós também estamos aqui, sabia? – Disse Tsubaki, levemente indignado.
Kaname ignorou o mais novo, inclinando-se na minha direção para tocar minha orelha com seus lábios.
– Estava ansioso por sua chegada, sabia que teremos de dividir quartos? Com quem será que você vai dormir hoje? – Disse, sussurrando lentamente cada palavra.
Meus pelos se eriçaram, afastei seu corpo com um empurrão desesperado. Kaname riu, sendo seguido por Hikaru e Yusuke, que acabara de aparecer na sala, segurando um aquário cheio de papeis amassados. Tsubaki fez uma careta, aproximando-se de mim e jogando o braço por cima dos meus ombros.
– O que ele disse, maninha? – Indagou, encarando meus olhos.
Trinquei os dentes, soltando um muxoxo.
– Que eu vou precisar de um canivete debaixo do meu travesseiro. – Falei.
Os trigêmeos franziram o cenho, ficando com a mesma expressão indagadora. Iori lançava um olhar ligeiramente frio ao monge desde o momento em que ele nos separara, mas agora fizera uma expressão confusa. Wataru olhava para todos nós, em busca de respostas. Louis fingia estar muito ocupado acariciando a cabeça de Juli, mas pude sentir que ele também estava interessado na conversa. Aquilo me incomodou um pouco, respirei fundo.
– Bem vindos ao lar. – Disse Ukyo, aparecendo na sala.
O loiro levara embora o clima pesado, soltei um suspiro de alívio. Sorri para ele, percebendo que Ema também chegara. Ambos vestiam aventais coloridos e aconchegantes, pareciam duas avós.
– Kyo-nii, o que tem para comer? – Perguntou Wataru, pulando no mais velho.
Ukyo riu, ficando surpreso por um segundo com a ação do pequeno. Wataru não costumava pedir colo para ele, aquela era uma cena adorável de se ver.
– Fizemos um banquete para vocês, espero que gostem. – Disse Ema, cruzando as mãos atrás das costas.
Sorri para ela, abrindo os braços e indo em sua direção. Ela corou, mas retribuiu meu abraço apertado e carinhoso. Não deixei que ela se afastasse, apenas envolvi sua cintura com o braço direito.
– Vamos ficar no mesmo quarto, não vamos? – Perguntei, ligeiramente ansiosa.
Ema deu um sorriso amarelo, um pouco desconcertada. Esperei por sua resposta, mas o único que se pronunciou foi Ukyo, com um pigarro.
– Na verdade, a distribuição dos quartos vai ser um pouco diferente esse ano. – Ele disse.
Pisquei, sentido meus pelos se eriçarem. Aquilo não podia ser coisa boa, mas eu confiava no julgamento de meu irmão.
– Sendo assim, vamos ter quartos mistos? – Perguntou Azusa, erguendo um pouco a sobrancelha.
Ukyo assentiu, desencadeando uma reação coletiva. Imediatamente, metade dos homens da família olharam na minha direção. Engoli em seco, sentindo Ema endurecer ao meu lado.
– Maninha, você vai me escolher, não vai? – Disse Tsubaki, abrindo um sorriso enorme.
– Tsubaki. – Disse Azusa, repreensivo.
– Não se meta, deixe que ela faça a escolha. – Disse Iori.
– Onee-chan, durma comigo! – Disse Wataru, soltando Ukyo para correr na minha direção e me abraçar com força.
– E perder a chance de dormir com a pessoa que ela mais ama? Até parece. – Disse Fuuto, debochado.
– Ignore-os, gatinha. – Disse Natsume.
Os seis se entreolharam, todos com olhares firmes e expressões determinadas. Wataru me apertou, pressionando-me de sua forma infantil e mimada. Tsubaki me lançou um olhar safado, abrindo um sorriso de tirar o fôlego. Natsume me encarou, fixando aqueles olhos esperançosos no meu rosto. Azusa e Iori pareciam querer se comportar, ainda que o príncipe me olhasse como se quisesse me hipnotizar. Fuuto cruzou os braços, inclinando a cabeça na direção dos irmãos com um ar debochado. Engoli em seco, sem saber o que fazer. Olhei para Masaomi, arregalando os olhos e tentando estabelecer uma conexão mental para dizer “Me ajude, pelo amor de Deus!”.
– Nada disso, faremos um sorteio. – Disse Yusuke, abrindo um sorriso malicioso para os irmãos.
Senti meus pretendentes murcharem, esvaziando suas reservas de esperanças. Apenas Fuuto se manteve do mesmo jeito, ainda que agora tivesse um sorriso sarcástico no rosto. Kaname e Hikaru riram, Masaomi, Ukyo e Subaru deram pequenos sorrisos contidos. Ema soltou um suspiro, como se estivesse aliviada. Ela devia estar tão tensa quanto eu, já que, se não tivesse sorteio, também teria que escolher um deles para dormir consigo durante as férias.
– Certo, chega de enrolação. – Disse Fuuto.
Tentei fugir de seu olhar, mas tudo que consegui com isso foi detectar uma figura inerte até então. Ele ainda brincava com o esquilo, calado como se estivesse alheio a tudo que acontecia. Ele olhava para aquário de vidro que Yusuke segurava, inexpressivo. Meus pelos se eriçaram, desviei o olhar rapidamente. Mesmo quieto, Louis emitia uma aura fria demais para ser saudável.
–...E assim, as duplas serão formadas. – Disse Ukyo, suspirando alegremente. – Todos entenderam?
Treze dos presentes assentiram, animados. Pisquei, olhando em volta confusamente. Masaomi foi até Yusuke, sorrindo de leve. O ruivo estendeu-lhe o aquário, permitindo que o mais velho tirasse duas tiras de papel. O silêncio foi completo, todos pareciam ansiosos, de suas próprias maneiras.
– Ema e Wataru. – Disse Masaomi.
Senti o corpo de Ema relaxar completamente, ela até soltou um suspiro. Wataru me soltou, arregalando os olhos e pulando na garota, separando-a de mim.
– Yay! Consegui a Onee-chan-Ema! – Exclamou, rindo.
Arquejei, minha irmã fez o mesmo. Os Asahina começaram a rir, ainda que Subaru e Yusuke parecessem um pouco desapontados.
– Traidor. – Zombou Fuuto, ainda muito debochado.
O pequeno mostrou-lhe a língua, ri.
– Vamos continuar. – Disse Masaomi, ainda que estivesse tentando não rir enquanto pesacava mais duas tiras de papel para ler. – Kaname e Hikaru.
Tsubaki e Azusa se entreolharam, como se disfrutassem de uma piada interna. Natsume riu discretamente, assim como Ukyo e Yusuke. Kaname abriu um sorriso esquisito, olhando para Hikaru. O ruivo abriu o mesmo sorriso, assentindo de leve e olhando para mim. Arregalei os olhos, tremendo de leve.
Alguma coisa me dizia para passar bem longe do quarto deles.
– Fuuto fica comigo. – Disse Masaomi.
Sua expressão era um pouco engraçada, como se ele estivesse tentando engolir um limão. Fuuto arregalou os olhos, indignado.
– Não! Eu não aceito isso, sorteie de novo. – Berrou, irritado.
Seu deboche parecia ter evaporado, não consegui segurar o riso. Não fui a única, já que apenas Masaomi e Fuuto permaneceram sérios. Tsubaki e Yusuke se entreolharam, satisfeitos demais para ser bom. Finalmente o cantor se dera mal, por assim dizer.
– Também não estou feliz com isso, mas as regras do sorteio são claras. – Disse o mais velho, encarando o irmão com um olhar firme. – E o horário de dormir será às dez, nem pense em escapar de madrugada.
Fuuto escancarou a boca, arregalando os olhos. Agora nem mesmo Ema tantava se conter, a sala foi enchida com gargalhadas. O cantor nos lançou um olhar assassino, irritado demais para descrever.
– Vão se ferrar, seus idiotas! Morram, morram todos vocês! – Berrou.
Ele pegou sua mala e deixou a sala, marchando pelo caminho e bufando como um touro. Precisei me segurar na parede para não cair, todos riam, como se estivéssemos assistindo uma comédia. Masaomi suspirou, sacudindo a cabeça e enfiando a mão no aquário. Ele tirou apenas um papel dessa vez, desenrolando-o e lendo seu conteúdo. Sua expressão mudou instantaneamente, ele respirou fundo.
– Nina. – Anunciou.
Parei de rir, sendo seguida por todos os presentes. Meu corpo congelou, arregalei os olhos de leve. Senti o olhar de todos em mim, todos mesmo. Até mesmo Louis me olhava, de forma ligeiramente fria, mas me olhava. E todos pareciam ansiosos, até mesmo ele. Aquilo acabou comigo.
Engoli em seco, olhando para Masaomi de forma fixa enquanto ele metia a mão no aquário para sortear meu companheiro de quarto outra vez. Prendi a resipiração, sentindo que eu não era a única nervosa ali. O mais velho dos irmãos tirou uma tira de papel, abrindo-a e lendo. Sua expressão se suavizou, ele até mesmo sorriu para mim.
– E Yusuke. – Disse.
Me desfiz em um suspiro de alívio, quase caindo no chão no processo. Meu corpo inteiro relaxou, um sorriso emocionado se abriu em meu rosto.
– Droga. – Disse Tsubaki, fazendo um bico manhoso. – Vou ser obrigado a dormir com algum marmanjo de novo.
Ri daquilo, sendo invadida por uma onda de felicidade. Yusuke bufou, dando de ombros como se não se importasse com aquilo. Kaname e Hikaru olhavam para mim, o sorriso malicioso do ruivo devia me dar arrepios, mas eu estava aliviada demais para descrever. O mundo era um lugar maravilhoso.
Eu não podia estar mais segura.
CONTINUA (Só e que leio isso com uma voz de suspense na cabeça?)
IMAGEM ESPECIAL
Subaru Asahina (Quero)

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