The New Girl in the House
44 Resolução - Especial de Férias - FINAL.
Notas iniciais
POV Louis Asahina.
Fechei os olhos, soltando um suspiro pesado. Meu corpo estava apoiado no balcão da cozinha, onde ela estivera momento atrás. Deixei a cabeça pender para trás, como se aquilo fosse fazer meus problemas sumirem. Meu coração ainda batia com força, acelerado em seus batimentos. Eu me sentia quente, aquecido pelos últimos acontecimentos. Nós trocamos o melhor beijo da minha vida, um beijo que superava todas as minhas expectativas e meus devaneios. Estava mais do que comprovado, eu estava terrivelmente apaixonado por ela, minha criança.
Ainda que ela tivesse fechado a porta no meu rosto.
Eu não tinha forças para lutar contra, não depois daquilo. Tentei o máximo possível, respeitei seus limites... Mas foi inevitável. Foi impossível não amá-la mais do que a minha própria vida, e foi impossível não morrer por dentro por ter sido deixado de lado daquele jeito.
Não era possível culpá-la por ter escolhido outro, ou por ter fugido dos meus toques invasivos e desesperados. Apesar de chamá-la de criança, eu era o único a manter um comportamento infantil diante da garota que amava. Eu não podia querer que ela se arrependesse e voltasse para mim, já que eu a magoara ainda mais do que era possível perdoar. E eu me sentia o pior homem do mundo por isso.
Como pude preferir viver uma mentira do que estar ao lado dela? Como pude preferir iniciar um relacionamento com outra pessoa sendo que ela era a dona dos meus pensamentos? Como eu podia agir friamente, tratá-la como uma pessoa qualquer? Como eu conseguia fingir que não estava completamente, inexplicavelmente e irrevogavelmente apaixonado por ela? Ela, Nina Kazama, a nova garota da casa. Alguém que eu deveria proteger, cuidar como se fosse seu irmão. Por que eu me apaixonara por ela?
Ofeguei, mordendo o lábio com força. Aquele sentimento era forte demais, intenso demais. Eu não me reconhecia, não conseguia pensar em outra coisa que não fosse nos lábios frios e trêmulos da garota que eu amava. Ficar longe dela fora difícil demais, e tê-la tão perto depois de tanto tempo acabara de vez com o meu controle. Eu precisava de mais, meu corpo clamava por ela, como se sua presença fosse mais necessária do que minha própria respiração.
— Consegue parar de fazer essa cara ridícula? Está mais irritante do que o normal. – Disse alguém.
Abri os olhos, respirando fundo como se estivesse emergindo de um afogamento. Um dos meus irmãos, o mais egocêntrico deles, me olhava da entrada da cozinha. Sua expressão era dura, irritada. Era quase como se ele me odiasse, e estivesse prestes a atirar alguma coisa em meu rosto. Pisquei, ele bufou sua irritação como um touro irritado.
— O que você está fazendo aqui? – Perguntei, quase sem fôlego para falar.
Minhas palavras serviram apenas para deixá-lo ainda mais irritado, se era possível. Fuuto deu dois passos em minha direção, quase como um tigre faminto cercava sua presa.
— Essa pergunta é minha, você não acha? Ou o cheiro de laquê te transformou de vez em uma velha estupida? – Ele disse, quase rosnando. – Depois dessa cena ridícula, o mínimo que você devia fazer era reconhecer um flagrante quando vê um.
Expirei pelo nariz, sacudindo a cabeça. Em uma situação normal, eu não daria atenção para os chiliques daquele garoto. Mas eu não estava normal, eu estava enlouquecendo.
— Pare de falar de coisas que você não entende, volte para o seu quarto. – Falei.
Ele riu, uma risada cheia de sarcasmo. Seu olhar parecia me fuzilar, mas eu não estava complacente o bastante para me afetar com aquilo.
— Quem você acha que é? O meu pai? – Ele disse, quase enojado. – Você não pode me dizer o que fazer, e mesmo se pudesse, eu não obedeceria alguém cuja moral foi jogada fora pelo próprio dono. Você é tão podre que me dá nojo.
Respirei fundo, tentando não me irritar com aquilo. Eu sabia como Fuuto podia ser quando estava com raiva, sabia que suas palavras ácidas tinham o poder de perfurar qualquer coração. Mas o meu já estava perfurado, por algo muito mais forte do que sua raiva infantil.
— Eu não me importo com o seu comportamento, mas exijo respeito. – Falei. – Eu sou seu irmão, e não importa o quanto você esteja irritado, eu nunca te dei motivos para falar comigo dessa maneira.
Dessa vez, ele deu uma gargalhada. Esperei, sabia que ele precisaria de mais algumas palavras rudes para se acalmar e acabar com aquilo.
— Quem, me diga. – Ele disse, ainda rindo. – Quem diabos você acha que é para falar assim comigo? Você não passa de uma vadia dos pentes, uma fruta podre que deixa as pessoas doentes só por estarem no mesmo ambiente. Você usa essa fachada “adorável” para que as pessoas não verem o doente que você é, a sua falsidade é tão forte que nem mesmo você se reconhece.
Fechei os olhos, sentindo o impacto daquelas palavras.
— Eu já mandei você me respeitar. – Falei.
Mesmo de olhos fechados, eu sabia que ele tinha dando um sorriso venenoso. Eu o conhecia desde quando ele era um bebê, afinal, era eu quem o colocava para dormir quando ele ainda tinha medo de relâmpagos.
— E eu já disse que você não é ninguém para exigir qualquer coisa de mim, e nem de ninguém. – Foi sua resposta. – Ou você acha que ainda me engana? Eu vi do que você é capaz, já sei a farsa que você é.
— O que você quer? Aonde quer chegar com isso? – Indaguei.
Abri os olhos, vendo que seu sorriso se desmanchara em uma expressão de puro ódio. Fuuto deu mais dois passos, ficando bem diante de mim. Eu podia sentir as ondas de raiva me atingindo, não podia evitar de me sentir intimidado.
— Aonde eu quero chegar? Quando é que você vai perceber as merdas que você tem feito? – Ele disse, me olhando com desprezo. – Você está tão cego pela sua vingança idiota que não consegue perceber o quão ridículo seu comportamento está sendo? Você devia sentir vergonha de si mesmo.
— Doente ou não, pelo menos eu tenho maturidade para lutar minhas próprias batalhas e não costumo envolver ninguém nisso. – Falei.
Ele riu outra vez, jogando a cabeça para cima e fechando os punhos com força.
— Maturidade? Você pelo menos sabe o que isso significa? – Disse. – Claro, talvez seu dicionário diga que o significado de maturidade é agir como um idiota e deixar de lado a única pessoa que te ama de verdade.
Foi como se ele tivesse me dado um soco. Na verdade, um soco teria doído menos. Ofeguei, sentindo suas palavras jogarem na minha cara sua veracidade. Fuuto me olhou, sacudindo a cabeça.
— Eu não sei como ela consegue sentir algo por alguém como você. – Ele disse.
O nojo em suas palavras era forte, fez com que eu sentisse nojo de mim mesmo. Ele estava certo, fechei os olhos.
— Eu também não. – Deixei escapar.
Pude sentir que ele dera um sorriso debochado, mas não consegui fazer nada para me mexer.
— Já que você concorda comigo, então vamos fazer um acordo. – Ele disse. – Você vai embora com a sua namoradinha ridícula e nunca, nunca mais faz a Nina sofrer. Não importa o que você acha que sinta, nunca mais vai interferir na vida dela.
Aquilo me fez abrir os olhos, chocado. Fuuto me encarava, firme como eu nunca o vira antes.
— Eu não posso fazer isso, ela precisa de mim. – Falei.
Dessa vez, ele não riu. O ódio tomou conta de sua expressão, deixando-o tão ameaçador quanto uma cobra venenosa.
— Não, Louis. – Ele disse, cuspindo meu nome. – Ela não precisa de você, ninguém precisa.
Outro soco verbal, e dessa vez, viera acompanhado com uma facada no meu peito. Ele nunca tinha falado assim comigo, não importa o que eu fizera antes. Dessa vez era mais do que claro que ele me odiava, e era culpa minha. Eu perdera a confiança de duas das pessoas mais importantes da minha vida, e não podia fazer nada para voltar atrás.
— Você sabe que isso não é verdade. – Eu disse. – Não importa o que você diga, eu nunca vou desistir dela. Eu nunca vou desistir de vocês.
Ele quase piscou, sendo afetado por minhas palavras. Tínhamos uma relação que ia além da amizade, éramos irmãos. Eu o vira tropeçar até conseguir caminhar, e segurara sua mão sempre que ele caia. Sempre seria assim, e por mais que ele negasse, ele sabia disso. Encarei aqueles olhos castanhos, lembrando do pequeno bebê que eu segurara nos braços um dia.
Fuuto bufou, revirando os olhos. Eu sabia que tinha afetado seu julgamento, pelo menos um pouco. Ele sabia que não podia me enganar com aquela máscara.
— Ninguém aqui pediu a sua atenção, nii-san. – Ele disse. – Eu tenho nojo de você, e ela também tem. Você mesmo sabe disso.
Eu não saberia dizer o que era pior, o nojo que ele usara para pronunciar o apelido que ele falava quando era criança ou a verdade que ele jogara diante mim. Senti minha firmeza recém-nascida morrer, deixando-me visivelmente abatido. Ele abriu um sorriso duro, encarando-me com raiva.
— Está vendo? Você é um fraco. – Ele disse. – Ela não precisa de alguém assim, ela merece alguém muito melhor do que você jamais vai ser.
Fechei os olhos, mordendo o lábio com força. Uma grande parte de mim sabia que ele estava certo. Eu não merecia a Nina. Não merecia ser amado por ela. Não merecia suas lágrimas, não tinha direito de causá-las. Por mais que eu amasse, por mais que aquele amor fosse a coisa mais forte que eu já sentira na vida, eu sabia que ela merecia algo melhor. Eu não merecia seus beijos.
Uma onda de calor preencheu todos os meus sentidos. Algo tão forte, tão intenso que superava os sentimentos ruins em meu peito. Aquele calor acabou com a dúvida, com a insegurança, com a culpa. Eu sabia que era necessário muito mais do que aquele calor para mudar o rumo que as coisas tinham tomado, mas aquele calor era energia. O combustível que eu precisava, o alimento que me dera razões para seguir em frente. Eu achara, enfim, o amor da minha vida.
Aquele calor, tudo o que eu sentia por ela.
Abri meus olhos, sentindo aquela verdade irrevogável me atingir como um caminhão. Encarei Fuuto, firme como nunca antes. Ele me encarou de volta, como se esperasse minha reação. Dei um pequeno sorriso duro, sacudindo a cabeça.
— Não importa o que você diga, meu amor por ela não vai mudar. – Falei. – Eu posso ser a pior pessoa do mundo por isso, mas eu jamais desistiria da mulher que amo. Mesmo que ela não me queira, eu vou estar aqui. Não importa quantas vezes esse amor queime até a morte, ele sempre vai renascer das cinzas.
— Uah, isso com certeza vai entrar no meu próximo livro... – Disse uma voz.
Fuuto e eu paramos de nos encarar, confusos. Arrastando-se lentamente em nossa direção, vinha o quarto filho da famíia Asahina. O ruivo usava um roupão preto, seu corpo exalava o cheiro de espuma de baunilha. Devia ter acabado de sair do banho. Seus olhos verdes fixaram-se nos meus por um segundo, até que ele riu de forma sarcástica e voltou-se para encarar nosso irmão mais novo.
— Ora, ora. O que temos aqui? – Ele disse, rindo pelo nariz. – Meus dois queridos irmãos discutindo acaloradamente no meio da madrugada? O que será que aconteceu.
O sarcasmo em sua voz me fez extremecer, desviei o olhar. Hikaru não era apenas meu irmão mais peculiar, ele também tinha o dom de intimidar qualquer um apenas mudando um pouco seu tom de voz. Eu já devia estar acostumado com aquilo, mas sabia que ele nunca ia deixar de ser uma figura importante na família. De sua maneira, ele era tão influente quanto Masaomi.
— Ah, seja lá o que for, parece que acabou. – Ele disse, dando de ombros. – Já que estamos conversados, o que acham de voltarmos para a cama?
— Pare de agir como... – Disse Fuuto, arquejando de irritação.
Hikaru desviou seu olhar até o rosto do mais novo, abrindo um sorriso sagaz.
— Como a nossa mãe? Por que você não fala o nome dela? – Ele disse, rindo pelo nariz. – Talvez você ainda esteja constrangido pela conversa que nós três tivemos outro dia? Por que não conta a Louis o que disse à nossa mãe?
Franzi o cenho, confuso. Por mais incrível que pareça, Fuuto encarou o chão. Suas orelhas um pouco vermelhas.
— Cale a boca, boneca de vodu. – Ele disse.
Hikaru riu, sacudindo a cabeça. Observei-o aproximar-se de nosso irmão, colocando sua mão no ombro do garoto e apertando intensamente, ainda que sem machucá-lo.
— Seria melhor você ir dormir um pouco para esfriar a cabeça. Amanhã você pode encarar a garota que ama com a valentia que você usa para enfrentar seus irmãos. – Disse o ruivo, dando uma risadinha. – Ou será que você não tem coragem?
Fuuto soltou um rosnado irritado, empurrando a mão de Hikaru com força. Pisando forte, ele encaminhou-se à saída da cozinha, mas não sem antes me lançar um olhar glacial. Endureci a expressão, mas ele me ignorou completamente. Hikaru suspirou de forma quase sonhadora ao ver o mais novo sair, seu olhar mostrava mais malícia do que seus livros.
— Ah, essas crianças... – Ele disse, dando uma risadinha.
Respirei fundo, encarando qualquer coisa que não fosse o corredor dos quartos. Hikaru pareceu perceber meu desconforto, já que abriu um sorriso sagaz e veio lentamente em minha direção.
— Você gostou do beijo? Os lábios dela têm um sabor único. – Ele disse.
Ergui o olhar, sendo recebido pelos olhos verdes mais sábios que já vi na vida. Senti meu rosto esquentar um pouco, desviando o olhar. Era de se esperar que ele soubesse. Inexplicavelmente, Hikaru parecia saber de tudo que acontecia.
— Bom, já que parece que você perdeu a língua, eu vou continuar falando. – Disse, abrindo um sorriso malicioso. – Vocês são os piores, sabiam? Não conseguem mesmo deixar a garota sossegar, é incrível assistir. Se eu pudesse apostar, apostaria que o futuro marido da nossa irmã é um de nós. Sendo mais específico, tenho três apostas.
Aquilo me fez erguer o olhar. Franzi o cenho, incerto. O mais velho apenas riu da minha reação, sacudindo a cabeça como se estivesse assistindo um filhote de girafa tentando dar os primeiros passos.
— Hm, que belo show vocês me proporcionam. Nossas reuniões de família são melhores do que qualquer livro que eu já li. – Ele disse. – Mas está realmente tarde, devemos estar todos descansados amanhã.
Hikaru lançou-me um último olhar sarcástico antes de sair da cozinha, levando consigo todas as minhas certezas. Soltei um suspiro pesado, fechando os olhos por um segundo.
Ele estava certo. Éramos os piores homens do mundo. Tínhamos colocado duas garotas inocentes no nosso conflito de irmãos, e não podíamos nos afastar. Não importa quem ganhe, conseguimos magoar essas garotas para sempre. Somos os piores irmãos que alguém poderia ter.
Amar a mesma mulher tinha nos transformado nisso.
POV Nina Kazama.
Sentei na cadeira, respirando fundo. Tudo estava correndo bem até agora, tudo ia ficar bem. Eu conseguira contornar Yusuke dizendo que decidira tomar água, então tinha uma explicação para não estar no quarto quando ele acordou. Por sorte, eu voltara na hora em que ele saíra do banheiro após escovar os dentes e tomar banho. Depois disso, fiz minha higiene matinal, vesti uma blusa de gola alta e joguei o cabelo por cima da marca roxa que Tsubaki deixara em minha pele. Por sorte, estava sendo uma manhã fria, então aquela roupa era justificável. Ukyo, Ema e Masaomi já estavam acordados quando saí do quarto, nenhum deles parecia desconfiar de nada. Aquilo era bom, eu só precisava sorrir e acenar o dia todo.
E aparatar na hora em que visse Louis, Tsubaki e Azusa.
Suspirei, conseguindo dar um pequeno sorriso. Ukyo entrou na sala de jantar, sendo seguido por Ema. Cada um empurrava um carrinho de comida, eu achei que aquilo só existia nos filmes. Identifiquei materiais para fazer vários sanduíches de patê de presunto no carrinho de Ema, abri um grande sorriso.
— Está com fome, Nina? – Ukyo perguntou, sorrindo para mim.
Assenti como uma criança, olhando-lhe com os olhos levemente maiores do que o normal. Ele sorriu abertamente para mim, sua mão afagou meus cabelos como se eu fosse um cachorro obediente.
— Coma bastante, fizemos tudo isso para ver todos vocês bem. – Ele disse.
Abri um sorriso enorme, piscando para ele.
— Essa é minha intenção, meu caro irmão loiro. – Falei.
Ele riu, suas orelhas ficaram um pouco vermelhas. Eu descobrira que um dos pontos fracos de Ukyo era a cor de seus cabelos quando disse que ele parecia muito com a mãe, depois de ter dito que amava os cabelos de Miwa. Eu usava isso sempre que podia, sua reação era adorável.
— Prove os sanduíches, eu fiz porque sei que você gosta. – Disse Ema, sorrindo para mim.
Sorri para ela, fazendo uma reverência com a cabeça.
— Sim, nee-san! – Falei.
Ela corou, mas riu. Sorri, contente com aquela reação. Eu também descobrira o ponto fraco de Ema, ela sempre quisera uma irmã menor.
— Você parece estar de bom humor hoje. – Disse Masaomi, entrando na sala de jantar.
Sorri para ele, o mais velho retribuiu meu sorriso.
— E você parece ficar cada vez mais bonito, Masa-nii. – Falei, imitando a voz de Wataru na hora de dizer aquele apelido.
Ele corou, mais soltou uma risada gentil. Sorri, dirigindo meu olhar às comidas que Ukyo e Ema colocavam na mesa. Ataquei o pão de forma integral, passando nele uma grande quantidade de patê e enfiando o sanduíche na boca para dar uma grande mordida. Os três riram daquilo, mas não me importei. Tinha parado de bancar a mocinha educada quando provara aquele patê pela primeira vez, nunca mais ia agir da mesma forma.
— Acordada a essa hora? O que será que pode ter acontecido? – Ouvi uma voz dizer.
Ergui o olhar, deparando-me com o ruivo mais sinistro que já vira na vida. Hikaru sorria para mim, seus olhos tinham um brilho malicioso tão sinistro que fizera meus pelos se eriçarem.
— Bom dia, Hikaru, Kaname. – Disse Masaomi, parecia estar de ótimo humor.
Eu só reparara na presença do monge naquele momento, desejei nem ter o feito. Ele estava com os cabelos molhados, arrumava-os com a mão esquerda. Seu sorriso era enorme, ele piscou para mim.
— Ver seu lindo rosto pela manhã é a melhor coisa que eu poderia pedir, irmãzinha. – Ele disse, sensual.
Arrepiei-me, mas não tive a reação que pensei que teria. Em vez de bufar e revirar os olhos, apenas sorri de lado e desviei o olhar até meu sanduíche parcialmente comido. Todos pareceram surpresos por essa reação, menos o ruivo presente. Com um sorriso sagaz, Hikaru inclinou-se para sussurrar alguma coisa na orelha de Kaname. O loiro riu, assentindo. Eles trocaram um olhar de cumplicidade, senti meu alerta vermelho apitar.
— Não está muito cedo para tanta safadeza? – Disse Yusuke, entrando no ambiente.
Seu companheiro de cabeça vermelha deu de ombros, o mais novo riu. Seu olhar vacilou na direção de Ema, ele corou um pouco ao perceber que ela olhava para ele também. Abri um sorriso malicioso, fingindo estar mais interessada no meu café da manhã do que no clima que se instalara ali.
— Sentem-se, a comida vai esfriar. – Disse Ukyo, olhando para os recém-chegados.
Mesmo sem responder diretamente, todos fizeram o que o loiro mandara. Sorri, adorava aquilo nos Asahina. Como eles cresceram longe da mãe e tiveram que amadurecer rápido, todos obedeciam aos mais velhos. Era como se Masaomi fosse o pai, e Ukyo fosse a mãe. Se seguíssemos esse pensamento, era até fácil imaginá-los como uma casal criando seus filhos. Aquilo era bizarro, mas esse pensamento me fazia pensar em Hikaru como a filha mais velha e atraente, e aquilo era cômico demais para evitar pensar.
Kaname sentou ao meu lado, lançando a mim um olhar caloroso. Dei um sorriso de lado, desviando o olhar até o copo de leite puro que Ukyo preparara para mim. O que estava dando em mim hoje?
— Nina, está se sentindo bem? – Ukyo perguntou.
Pisquei, percebendo que todos os presentes me encaravam. Senti meu coração acelerar levemente seus batimentos, abri um meio sorriso amarelo.
— Estou, por que não estaria? – Respondi.
Hikaru deu uma risadinha, lançando-me um olhar perspicaz. Pisquei, ele parecia mais afiado do que o normal.
— Então é assim que você se sente, vou ter que aumentar o número de força de ação do candidato número oito. – Ele disse.
Pisquei, confusa. Ema quase deixou ser garfo cair, todos olharam para ela. A garota parecia pálida, olhando para o ruivo com uma expressão exasperada.
— Você ainda faz isso? – Ela perguntou.
Ele apenas piscou para ela, obtendo um Yusuke ofegando no caminho. Ergui uma sobrancelha, olhando para minha irmã para buscar respostas. Ela apenas me olhou como se tivesse acabado de descobrir a data da minha morte, engoli em seco.
— Enfim, acho que sua noite de sono deve ter sido muito boa. – Disse Hikaru, passando manteiga em uma fatia de pão.
As atenções se voltaram para mim outra vez, senti meu rosto esquentar. Procurei o olhar do ruivo, desconfiada. Ele piscou para mim, sorrindo daquela forma sinistra que só ele conseguia.
Uma nova pessoa se juntou à nossa reunião, o que me livrou de uma conversa difícil. Ele estava meio sonolento, mas isso não o impediu de pular no meu pescoço assim que pode.
— Bom dia, onee-chan! – Berrou Wataru.
Meu ouvido doeu, mas não pude resistir. Abracei meu pequeno com força, enterrando meu rosto em seus cabelos perfumados. Ele estava com um cheiro ótimo, senti vontade de mordê-lo. Me afastei para evitar isso, sorrindo abertamente para ele.
— Bom dia, amor da minha vida. – Falei, derretendo-me por completo.
Wataru riu, adotando um ar presunçoso. Ele sentou na cadeira vaga do meu lado direito, sorrindo para os irmãos.
— Ouviram só? Eu sou o amor da vida da onee-chan, podem desistir de tentar ficar com ela. – Ele disse.
Ri, arregalando os olhos. Hikaru, Kaname, Yusuke, Ukyo e até mesmo Ema riram do pequeno, Masaomi apenas conteve um sorriso.
— Wataru, não fale assim, você é muito pequeno para isso. – Ele disse, lançando um olhar terno ao pequeno.
Wataru fez um bico, estufando o peito.
— Já sou grande o bastante para casar com a onee-chan, vou provar isso! – Disse.
Soltei uma gargalhada, sendo seguida por todos os presentes. Inclinei-me na direção do caçula, depositando um beijo demorado e amoroso em sua testa. Repeti o processo em suas duas bochechas assim que pude, afastando-me dele quando terminei. Todos olhavam para ele, esperando por sua reação. Wataru pareceu meio bobo e corado por um segundo, mas logo sacudiu a cabeça e estufou o peito de novo.
— Viram? Ela está completamente apaixonada por mim. – Disse.
Todos nós rimos, Yusuke esticou o braço para bagunçar os cabelos do irmão. Minha hiena riu, presunçoso. Mordi meu sanduíche, soltando um suspiro feliz.
— Já está comendo? É por isso que está gorda como uma porca. – Disse a voz do meu cantor favorito.
Quase me engasguei, lançando a ele um olhar assassino. Fuuto me ignorou, puxando a cadeira de Wataru para trás. Ele pegou o pequeno pelos ombros, arrancando-o da cadeira e lançando seu corpo para o lado. O caçula caiu no chão, Fuuto apenas sentou no lugar de Wataru como se nada tivesse acontecido. Arregalei os olhos, assim como Ema.
— Fuu-tan! – O pequeno berrou, choramingando.
Fuuto fingiu que não sentia o olhar repreensivo de todos os presentes, apenas pegou meu copo de leite e bebeu um gole. Arquejei, agora ele passara dos limites.
— Quem você pensa que é? O dono do universo? – Guinchei, irritada. – Se você fizer isso com o Wataru de novo, eu abro sua cabeça com um martelo e espalho o que quer que tenha dentro no meio da rua.
— Nina! – Ema ofegou, chocada.
Pisquei, percebendo o que tinha acabado de dizer. Masaomi olhava para mim, chocado. Yusuke, Hikaru e Kaname riam, trocando olhares estranhos. Wataru me olhava com os olhos arregalados, até parara de esfregar a perna que batera com a queda. Fuuto lançou-me um olhar assassino, meus pelos se eriçaram.
— Sua garotinha idiota, quem você acha que é para falar assim comigo? – Ele disse, irritado. – Eu não sei o que você está pensando, mas você não é ninguém para me fazer ameaças, ninguém.
Pisquei, sentindo uma pontada no coração. Ema ofegou outra vez, assim como Masaomi. Kaname franziu o cenho para Fuuto, mas foi ignorado. Hikaru acomodou seu sorriso sagaz em algo mais discreto, observando a cena sem dizer nada. Wataru sentou-se ao lado da minha irmã, fungando um pouco. Engoli em seco, um pouco chocada pelas palavras de Fuuto. Ele nunca foi gentil comigo, mas nunca tinha dado a entender que eu era um ser insignificante.
Bom, ele já tinha, mas já fazia um bom tempo.
— Você acabou de jogar meu irmãozinho no chão, o que queria que eu fizesse? – Perguntei, um pouco sem graça.
Ele bufou, revirando os olhos.
— Esse fedelho estava no meu lugar, todo mundo aqui sabe que essa cadeira sempre foi minha. – Disse.
— Muito idiota da sua parte jogar Wataru no chão por causa de uma porcaria de cadeira. – Falei.
Ele arregalou um pouco os olhos, me olhando como se eu tivesse uma doença grave e contagiosa. Esperei, sustentando seu olhar.
— Você vai continuar falando assim comigo? Não sei dizer se você é muito corajosa ou se é só uma grande idiota. – Ele disse.
Bufei, fugindo de seu olhar.
— Eu devo ser mesmo muito idiota por gostar de você. – Murmurei, baixinho.
Fuuto deve ter sido o único que ouvira aquilo, já que foi o único a esboçar qualquer reação. Ele abriu um sorriso sarcástico, sacudindo a cabeça como se eu tivesse acabado de dizer que a lua me seguia.
— Vou te punir por tamanha audácia, você não perde por esperar. – Ele disse. – Aliás, diga isso bem alto, deixe bem claro o que sente.
Revirei os olhos, dando um meio sorriso. Estendi a mão para cima, sacudindo-a para chamar atenção.
— Ouçam bem, meus queridos. – Comecei. – Fuuto Asahina é o desgraçado mais idiota do mundo, obrigada pela atenção.
Ema arquejou, mas foi a única a parecer surpresa. Wataru e Yusuke explodiram em uma gargalhada conjunta, o mais novo arregalou os olhos. Kaname riu, olhando para mim como se eu fosse um bebê que acabara de dizer sua primeira palavra engraçada. Hikaru também olhava para mim, embora se sorriso sinistro me fizesse sentir como se estivesse correndo pelada em uma pista de patinação. Masaomi e Ukyo riram, ainda que de forma discreta. Sorri, fingindo que meu sanduíche era mais interessante do que tudo aquilo. Fuuto lançou-me um olhar assassino, mordi o lábio para não rir.
— Sua va... Sua idiota. – Ele disse, bufando. – Sua punição acaba de dobrar de tamanho.
Ri, dando de ombros. Ele bufou, encarando a mesa por um segundo. Parecia frustrado por algum motivo, senti o anzol da curiosidade me fisgar. Olhei-o, piscando os olhos duas vezes.
— Ei, o que aconteceu? O poderoso Fuuto que eu conheço não parece tão poderoso assim hoje. – Comentei, curiosa.
Ele bufou, parecendo mais irritado do que frustrado agora. Esperei, sentindo-me um pouco mais preocupada com ele do que eu geralmente ficaria.
— Por que não vai cuidar da sua vida? Aposto que até mesmo uma idiota como você tem alguma coisa para fazer. – Foi sua resposta.
Franzi o cenho, Fuuto ainda não me encarava. Mordi o lábio, pensando um pouco. Ele não costumava agir daquela forma, ainda que sua forma de me xingar parecesse a mesma. Sua expressão nunca ficava daquele jeito, ele me parecia quase... incomodado com alguma coisa. Olhei para ele, um pouco mais desconfortável do que gostaria.
— Fuu...
— Olha aqui, me deixa tomar café em paz! – Ele disse, batendo na mesa de forma irritada.
Arregalei os olhos, espantada por aquilo. Todos ao redor da mesa ficaram em silêncio, pude ver Ema engolir em seco. Fuuto soltou um arquejo irritado, respirando fundo. Encarei seu rosto, notando que sua expressão frustrada não estava mais ali. Agora ele estava apenas irritado, mas eu não tinha certeza se aquilo podia ser considerado um progresso. Desviei o olhar, encarando a mesa por um segundo. Suspirei, resolvendo deixar aquilo para lá, ele não queria minha atenção.
Deixei meu olhar vagar até a entrada da sala de jantar, quase morrendo de susto no processo. Ele pareceu um pouco surpreso, já que eu olhara exatamente no momento em que ele chegara. Engoli em seco, desviando o olhar até meu sanduíche inacabado. Era mesmo possível a manhã de uma pessoa passar de agradável para quase... eu nem sabia do que chamar.
— Bom dia, Louis! – Disse Hikaru, sorrindo imensamente para o irmão.
Senti meus pelos se eriçarem, não sabia o que podia ser mais sinistro do que meu irmão ruivo. Pude ver Louis sorrir, ainda que estivesse tentando evitar olhar em sua direção.
— Bom dia, Hikaru. – Ele respondeu. – Bom dia a todos.
Sua voz estava leve, calma como costumava ser. Engoli em seco, percebendo que não era a única a notar aquela mudança. Masaomi, Ukyo e Ema sorriram, surpresos e contentes ao mesmo tempo. Wataru olhou para Louis, seus grandes olhos brilhavam. Kaname deu um sorriso discreto, o que era incomum para ele. Fuuto bufou, ignorando a presença de todos. Hikaru e Yusuke trocaram um sorriso malicioso, eu não sabia qual ruivo parecia mais perigoso no momento.
— Hoje é o dia mundial do bom humor? – Zombou Yusuke, ainda sorrindo daquele jeito.
Louis deu uma risada curta e suave, pude sentir seu olhar em mim. Ergui o olhar, ainda que não quisesse muito encarar seus olhos agora. Ele estudou meu rosto cuidadosamente, minimamente hesitante. Sustentei seu olhar, usando um pingo de coragem que nem sabia que ainda tinha. Devagar, ele deu um meio sorriso incerto. Devia estar tentando ver se estava tudo bem conosco, mas eu não sabia como devia responder àquilo.
— Bom dia, minha família linda! – Exclamou alguém.
Pisquei, esquecendo Louis por um segundo. Nem tive tempo de procurar o recém-chegado, já que ele se atirou em meus ombros. Arquejei, Tsubaki riu da minha reação.
— Bom dia, irmãzinha. – Ele disse, sorrindo abertamente. – Você esqueceu seus chinelos no meu quarto, pode ir lá buscá-los quando quiser. Mas, claro, dê preferência a um horário em que possamos ficar sozinhos para terminar o que começamos mais cedo.
Arregalei os olhos, ele soltou uma gargalhada maliciosa. Senti todos os olhares em mim, alguns tão maliciosos quanto Tsubaki. Tentei fingir que não percebera, lançando ao mais velho dos gêmeos um olhar indignado.
— O que você está fazendo? – Perguntei.
Ele abriu um sorriso enorme, seus olhos brilhavam. Bufei, sacudindo os ombros para tentar me livrar de seu aperto.
— Tem algo para nos contar, senhorita Kazama? – Perguntou Kaname.
Ele franzia o cenho como se estivesse curioso, mas seu sorriso deixava a malícia que sua pergunta carregava. Todos continuavam me encarando, dois Asahina em especial pareciam mais interessados do que os demais. Esses eram Louis e Fuuto e, embora o mais novo parecesse tentar esconder, ele estava perigosamente irritado. Engoli em seco, o que deu no meu cantor “favorito” hoje?
— Não foi nada do que parece, eu só... dormi no quarto do Tsubaki. – Confessei.
Sim, eu sabia o quanto aquilo soara... malicioso. Mas era a verdade, e eu sabia que se não contasse agora, Tsubaki daria um jeito de fazer parecer que meu ato inocente fora na verdade algo pervertido. Eu aprendera isso depois de um tempo, se você quer sobreviver na família Asahina, diga sempre sua versão dos fatos antes que alguém distorça tudo.
— Hum, isso está cada vez mais interessante. – Disse Hikaru, sorrindo de lado enquanto servia suco de laranja em seu copo.
Tsubaki riu, enterrando seu nariz em meus cabelos. Aquilo quase descobriu meu pescoço, meus pelos se eriçaram. Olhei em volta, precisava ver se alguém tinha percebido meu desconforto. Masaomi me olhava, erguia uma sobrancelha. Ukyo fazia a mesma coisa, embora o loiro parecesse ligeiramente incomodado com a forma que Tsubaki estava jogado em mim. Yusuke devia achar que observar o rosto curioso de Ema era mais interessante do que me encarar, agradeci internamente. Wataru fazia um bico enorme para o gêmeo presente, seus braços estavam cruzados com força. Ema me olhava, chocada com minha revelação. Ela não devia ficar tão à vontade com a situação quanto eu, ainda que eu não estivesse exatamente feliz por precisar expor minha saída noturna logo no começo do dia. Eu sabia que isso puxaria para...O outro ocorrido da noite de ontem, e não estava disposta a comentar sobre aquilo com ninguém. Aquela era uma coisa confusa demais para tomar qualquer decisão sem antes pensar bastante a respeito.
— Não fique tão presunçoso, Tsubaki. Você sabe muito bem que ela não dormiu com você. – Disse uma voz.
Ergui o olhar, percebendo a presença do gêmeo moreno. Ele sorriu abertamente para mim, um sorriso que esbanjava carinho. Aquilo me tirou o ar, abri um sorriso bobo. Todos os presentes perceberam aquilo, pude sentir as ondas de malícia que Hikaru soltava me atingirem. Ignorei aquilo, estava ocupada demais conectando meu olhar com o de Azusa. Senti Tsubaki se enrijecer, ele bufou.
— Por que vocês estão se olhando assim? – Ele disse, tocando minha orelha com os lábios. – A marca que eu deixei em você mais cedo não foi o suficiente para provar que eu sou melhor do que ele?
Arregalei os olhos, dando um pulinho na cadeira para tentar tirá-lo de cima de mim. Não deu certo, a única coisa que eu consegui com aquilo foi fazer o queixo de Tsubaki puxar para baixo a gola da minha camisa. Minha alma gelou, minha mão voou até o meu pescoço. Puxei a gola para cima, tapando novamente a marca roxa que me assombrava desde cedo. Infelizmente, meu desespero não passou despercebido.
— Por que você ficou tão nervosa, querida irmã? – Disse Yusuke, mostrando os dentes em um sorriso malvado.
— Eu não fiquei nervosa! Só estou com frio. – Menti.
Hikaru abriu o maior sorriso perspicaz que eu já vi na vida, assim como Yusuke. Era incrível o quanto eles ficavam parecidos em situações como aquela.
— Mas o aquecedor está ligado. – Disse o ruivo mais novo.
Lancei-o meu melhor olhar de “Cale-se, ou eu costuro sua boca”, mas não tive o efeito desejado. Pude sentir o olhar de Louis, Masaomi, Ukyo, Azusa e Fuuto em mim, mas tentei fingir que estava tudo bem.
— Do que está com medo? – Disse Tsubaki, com a voz alta o bastante para que todos o ouvissem. – Aposto que a maioria deles já viu uma marca de chupão na vida.
Alguém deixou cair uma colher.
Senti como se minha alma estivesse deixando meu corpo, não sem antes olhar para mim e dizer: “Estou caindo fora, agora é com você”. Arregalei os olhos, usando o pingo de vitalidade que me restara para afastar Tsubaki e enfiar o rosto nas mãos. O silêncio não durou mais que um segundo, já que as gargalhadas de Tsubaki, Yusuke, Kaname e Hikaru ecoaram no ambiente. Eu podia sentir a surpresa de Azusa, Ema, Masaomi e Ukyo, assim como podia sentir a confusão de Louis. Incrivelmente, o que eu sentia sair de Fuuto e Wataru era a mesma irritação assassina. Eles eram terrivelmente parecidos.
— Tsuba-nii, você fez isso com a minha onee-chan?! – Berrou Wataru.
Pisquei, tirando as mãos do rosto para olhar para ele. Todos os presentes encaravam o caçula da família, alguns tão chocados quanto eu.
— O-onde você aprendeu essas coisas?! – Perguntou Ema.
O pequeno bufou, cruzando os braços com força. Toda a população masculina presente começou a rir, alguns mais alto do que os outros. Imagino que não preciso citar nomes.
— Que alvoroço é esse? – Disse uma voz grave.
Minha atenção foi atraída para a pessoa que acabara de entrar no recinto, arregalei os olhos imediatamente. Natsume estava exibindo sua glória de abs, já que estava sem camisa. Vestia uma bermuda esportiva, combinando com seu tênis de corrida. Sua camiseta jazia em seus ombros largos, adornando seu pescoço como um cachecol. Senti minha boca se abrir, ao mesmo tempo que uma parte muito específica do meu corpo ficou mais quente. Ele abriu um sorriso brilhante, vindo em minha direção.
— Bom dia, gatinha. – Ele disse.
Minhas pernas tremeram, derreti-me em um sorriso bobo.
— Bom dia, Natsume. – Falei.
Devo ter soado como uma idiota, já que Yusuke riu. Fiquei tão boquiaberta com a visão de Natsume suado que quase não percebi que Subaru também chegara, e vestia, assim como o mais velho, roupas esportivas. Porém, para a infelicidade da nação, ele vestia sua camiseta.
— Você está vermelha, está se sentindo bem? – Perguntou o mais novo dos gêmeos.
Pisquei, percebendo que ele estava muito perto de mim. Abri a boca para responder, mas não consegui falar nada que não parecesse com a tentativa de um esquilo cantar hip-hop. Felizmente, Natsume pareceu achar aquilo engraçado.
— O gato comeu sua língua? – Ele disse.
Ri, sacudindo a cabeça. Ele corou um pouco, mas inclinou-se na minha direção. Antes que eu pudesse perceber, seus lábios quentes depositaram um beijo lento em minha bochecha.
E foi naquele momento que meu útero explodiu.
Arregalei os olhos, sem conseguir dizer nada enquanto Natsume afastava-se de mim, sorrindo timidamente e esfregando a nuca com a mão esquerda. Ele olhou para Subaru, que estava nos encarando com a melhor cara de paisagem que eu já vira na vida.
— Pronto, fiz o que combinamos. Vai devolver as chaves do meu carro agora? – Disse Natsume.
Subaru deu de ombros, girando nos calcanhares na direção do corredor.
— Não sei do que você está falando. – Disse, saindo de cena como se nada tivesse acontecido.
Arquejei, Natsume arregalou os olhos.
— Hey, Subaru! – Ele disse.
Observei-o correr atrás do mais novo, sentindo meu rosto esquentar. Fixei meu olhar em meu café da manhã parcialmente comido, abrindo um sorriso bobo.
— Ah! Natsume trapaceou. – Resmungou Tsubaki.
— Nosso jogador de basquete favorito começou a mostrar ao mundo que realmente carrega o sangue Asahina. – Disse Hikaru, bebericando seu suco.
Os irmãos começaram a discutir alguma coisa masculina demais para que eu pudesse compreender, pude identificar a voz de Wataru dizendo alguma coisa sobre deslealdade fraternal. Mordi o lábio, baixando um pouco o olhar.
Estava ocupada demais em minha bolha de felicidade para perceber que um dos irmãos olhava fixamente para mim.
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Suspirei, deixando meu corpo desabar no sofá da varanda. Estava cansada, já que passara praticamente o dia todo correndo pelo terreno com uma hiena linda e um ruivo grotesco. Sorri, sentindo plenamente feliz por ter passado um ótimo dia com meus irmãos. Yusuke, além de participar de minha brincadeira com Wataru, ainda me ensinara a jogar futebol. Com isso, descobri que ele era muito bom no jogo, o que me surpreendera. Mais uma vez, a família Asahina nunca para de se mostrar incrível.
Respirei fundo, afundando-me no conforto das almofadas. Uma brisa macia trazia a noite, agitando meus cabelos e levando embora o sol. Sorri, maravilhada com a sensação de tranquilidade que me tomava. Como eu amo as férias.
Fechei os olhos para aproveitar melhor. Talvez até tirasse uma soneca, já que não tinha dormindo muito na noite passada. Vivera momentos conturbados, até mesmo para mim. Eu sempre pensava que já tinha tido minha cota de acontecimentos malucos, mas aí o universo fazia questão de me mostrar o quanto eu estava errada. Dessa vez, talvez ele tivesse pegado pesado demais.
Louis me beijara, e eu não sabia como lidar com aquilo. Praticamente 90% do meu corpo gritava para que eu me entregasse a ele de vez, embora outra 90% da minha mente me mandassem comprar uma passagem para a Groelândia e nunca mais aparecer no Japão. Eu não costumava fugir tanto assim das situações, mas daquela vez, essa opção nunca me parecera tão tentadora.
— Posso sentar aqui? – Perguntou uma voz.
Senti que até o último pelo do meu corpo arrepiou-se. Abri os olhos, dando um pulinho. Diante de mim estava minha maior incerteza, e estava incrivelmente lindo. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, deixando que eu reparasse em cada pequeno detalhe de seu rosto. Como se eu já não estivesse arrebatada o suficiente. Universo sacana.
— A casa é sua. – Respondi.
Louis deu um pequeno sorriso, sentando-se ao meu lado em silêncio. Seu cheiro me atingiu em cheio, engoli em seco. Tentando ser o mais discreta possível, afastei-me dele o suficiente para que a brisa vespertina levasse seu perfume para longe de mim. Talvez assim eu estivesse segura.
— Não precisa ficar assim, eu só vim conversar. – Ele disse.
Tentei ignorar a pontinha de dor em sua voz, encarei fixamente a cerca branca da varanda.
— Eu estou normal, não se preocupe. – Menti.
Ele franziu o cenho diante de minha resposta, mas não fez nada. Respirei fundo para tentar relaxar, mas aquilo me parecia impossível no momento. Ouvi Louis suspirar, mas não ousei me mexer.
— Como foi seu dia? – Ele disse.
Pisquei, surpresa. Aquela pergunta quase me fez olhar para ele, mas consegui manter-me firme naquela pose de “Não ligo”.
— Foi ótimo, eu me diverti muito. – Respondi. – E o seu?
— Foi um pouco solitário. – Foi sua resposta.
Trinquei os dentes, tentando não sentir nada ao ouvir sua voz tão perto de mim. Aquilo era perigoso, da última vez que ficamos sozinhos...
— Está gostando desse lugar? – Louis disse.
Bufei, um pouco irritada por sua conduta. Encarei a paisagem por um momento, ele esperou.
— É lindo. – Falei, não conseguia pensar em mais coisas para dizer.
Ele assentiu, olhando em volta também. Espiei-o com o canto dos olhos, apenas para ver que o rapaz ao meu lado nem mesmo olhava na minha direção. Bufei de novo.
— Já sabe o que quer ser quando crescer? – Ele perguntou.
Arquejei, cruzando os braços. Olhei para ele, indignada.
— Quer parar com isso? – Rosnei.
Ele olhou para mim, seu lindo rosto exibia uma expressão neutra.
— O que eu estou fazendo? – Foi sua resposta.
Arquejei outra vez, sacudindo a cabeça. Desviei o olhar, bufando.
— Está agindo como se nada tivesse acontecido. Fica fazendo essas perguntas aleatória que não fazem o mínimo sentido, não demonstra nenhuma reação e ainda fica com essa cara. – Falei. – O que você pretende com isso?
Ele suspirou, desviando o olhar.
— O que você quer que eu fale? Acho que já deixei claro o suficiente o que sinto ontem, você sabe como. – Disse.
Senti cada mísero pelo do meu corpo se eriçar, estremeci. Mordi o lábio, bufando de frustração.
— Isso está me assustando. – Confessei. – Você estava me tratando como um lixo há pouco tempo, e de repente você aparece e diz que está arrependido. Aí você... faz aquilo. E agora fica agindo como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivéssemos brigado ou nos...
Arquejei, sem conseguir terminar. Louis suspirou de novo, voltando a olhar para mim.
— Por que você não consegue dizer? – Ele perguntou. – Nosso beijo foi tão ruim que você prefere fingir que não aconteceu?
Senti vontade de matar Louis Asahina. Grunhi, virando o rosto na direção oposta ao rapaz que me encarava. Não queria que ele visse o quando meu rosto havia esquentado.
— Eu... ah! – Grunhi, sacudindo a cabeça. – Não importa.
Senti algo tocar minha mão, arregalei os olhos. Gentilmente, a mão quente de Louis envolveu a minha. Abri a boca para falar, dizer qualquer coisa que o fizesse me deixar em paz. Mas tudo que meu corpo conseguiu fazer foi soltar um arquejo. Ele ficou em silêncio, matando-me de nervosismo enquanto seus dedos acariciavam os meus.
— Senti sua falta, mais do que você imagina. – Ouvi-o dizer.
Pronto. Se ele queria quebrar meus muros de segurança, ele havia conseguido. Estremeci, como se as paredes figuradas caíssem com força suficiente para abalar minhas estruturas. Mordi o lábio com força, sentindo os olhos arderem. Arquejei, virando o rosto para encarar o homem que me fazia duvidar de todas as minhas certezas. Aqueles olhos cor de malva olhavam para mim, esquadrilhando minha figura como um marido ao ver a esposa vestida de noiva. A intensidade daquele olhar acabou de vez com o que restava do meu controle.
Sem pensar, atirei-me nele. Seus braços estavam lá para me receber, envolvendo-me em um abraço apertado e cheio de sentimentos. Era quase sufocante, mas não de uma forma ruim. Enterrei meu rosto em seu peito, arfando desesperadamente para enfiar seu cheiro de vez nos meus pulmões. Louis depositou um longo beijo em meus cabelos, apertando meu corpo contra o seu como se tivesse medo que eu desaparecesse como fumaça.
— Deus, eu estava tão... – Arfei, sem fôlego.
Ele apenas suspirou, embalando-me em seus braços como costumava fazer.
— Eu sei. – Ele disse. – Eu sei disso, minha criança. Me desculpe.
Mordi o lábio, afastando-me dele para poder encarar seus olhos. A malva estava lá para receber meu olhar, meu coração apertou-se.
— O que fazemos agora? – Falei, ofegando. – Droga, eu não sei o que sentir.
Louis respirou fundo, inclinando-se na minha direção. Senti seus lábios tocarem minha testa, meus olhos se fecharam instantaneamente. Arquejei, deixando que ele me abraçasse de novo.
— Vamos dar um jeito, juntos. – Ele disse. – Eu amo você.
Mordi o lábio, afundando-me em seu corpo. Ele estava quente, quente como um cobertor em uma noite fria. Eu tremia por aquele calor, e ele, finalmente, estava lá para aquecer.
— Eu também te amo. – Falei, agarrando-me a ele.
Louis suspirou, apertando-me contra si até que não houvesse espaço entre nós. Deixei que ele me engolisse naquele contato, não tinha mais forças para lutar.
Eu o amava, aquilo era concreto. Porém, eu sabia que aquele amor não tinha como dar certo.
Ainda assim, ele não podia ser apagado.
IMAGEM ESPECIAL (Quero)
Natsume Asahina.

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