The New Girl in the House
41 Desfile
Notas iniciais
– Er... Eu fiz isso aqui para você. – ele disse, coçando a nuca para disfarçar a timidez.
Meus olhos deviam ter brilhado, Yelisei estendeu uma caixinha vermelha em minha direção. Peguei o presente, sentindo um sorriso surpreso nascer em meu rosto. Ergui o olhar até estar encarando seus olhos verdes, meu amigo corou de imediato.
– Veio até a minha casa só para me dar um presente? – perguntei, repentinamente animada.
Ele corou ainda mais, dando um sorriso fofo.
– Bom, sim. Eu queria ter te dado na escola, mas acabei esquecendo em casa sem querer. – ele disse – Espero que você goste.
Ri, feliz demais para descrever. Baixei o olhar até a caixa, abrindo-a sem nem hesitar. Seis tabletes de chocolate em formas variadas repousavam dentro da caixa, exalando um aroma delicioso. Tinha uma estrela; um gato; uma flor; um laço e uma pomba. Tinha até mesmo um coração, e esse era feito de chocolate branco e tinhas flocos vermelhos em volta de um grande “N” de glacê marrom. Arquejei, soltando uma gargalhada histérica. Ergui o olhar até o rosto de Yelisei, tampando a caixa de novo e pulando nele sem pensar duas vezes. O garoto ofegou de surpresa, mas logo retribuiu meu abraço animado de uma forma tímida, porém carinhosa.
– Ai meu Deus, eu não acredito! – exclamei, ainda rindo de alegria – Você é perfeito, muito obrigada!
Yelisha riu, um pouco constrangido, mas eu podia sentir que ele estava verdadeiramente feliz. Soltei seu corpo, parando diante dele outra vez. O garoto sorriu para mim, corado.
– Você gostou? Eu fiz ontem a noite. – ele disse.
Ri de novo, mal podendo conter a alegria.
– Se eu gostei? Eu amei, você é um amor. – falei.
Ele riu de leve, vermelho como um pimentão. Sorri, mordendo o lábio com força.
– Que bom que você gostou, fico mais aliviado. – ele disse, suspirando – Preciso ir agora, minha irmã está lá em casa.
Dei dos pulinhos, animada.
– Ela já está com quantos meses de gestação? – perguntei, curiosa.
O sorriso tímido de Yelisha passou a ser bobo, meu coração se aqueceu.
– Cinco. – respondeu – Aliás, você estava certa, é uma garotinha.
Arquejei, abrindo um sorriso enorme. Yelisei riu, visivelmente orgulhoso.
– É, eu sei, também fiquei exultante quando soube. – ele disse, dando de ombros – Tenho que ir, bom fim de semana.
Sorri, inclinando-me em sua direção antes que ele pudesse se mexer. Depositei um beijo rápido e carinhoso em sua bochecha, me afastando logo em seguida.
– Nos vemos segunda-feira, obrigada pelos chocolates. – falei.
Ele levou cerca de dez segundos para se recuperar, seus olhos brilhavam tanto que eu podia até ficar cega se olhasse por muito tempo. Yelisei sacudiu a cabeça, corando que nem um tomate. Rindo, o garoto assentiu. Sorri, acenando de leve. Observei enquanto ele subia em sua moto, colocando o capacete logo em seguida. Meu amigo acenou para mim antes de ligar a moto e disparar pela rua, levantando algumas folhas amareladas que estavam jogadas pela calçada. Ri, sacudindo a cabeça. Ele podia ser um anjo, mas amava velocidade.
Respirei fundo, dando dois pulinhos no mesmo lugar. Puxei o portão com força, entrando na propriedade Asahina e fechando-o em seguida. Abri a caixa de novo, pegando o gato de chocolate e enfiando-o na boca em menos de dez segundos. Meus olhos se encheram de lágrimas assim que senti aquele gosto maravilhoso, soltei um muxoxo alto e agudo.
– Eu te amo, Yelisei Sakura! – guinchei, enfiando mais chocolate na boca – Você é o melhor amigo do mundo.
Rindo comigo mesma, fui saltitando pelo caminho. Aquela era a segunda caixa de chocolates que eu ganhara hoje, já que Akira tinha me dado uma durante minha visita ao orfanato de hoje. Pelo visto, Mishima tinha amolecido um pouco, já que comprara mais de cem barras de chocolate para as crianças fazerem suas próprias criações e presentearem umas as outras. Akira passara boa parte do dia ontem fazendo os chocolates que ele me dera de presente, como ele mesmo dissera. Até Sarah resolveu dar uma trégua e ajudá-lo, fazendo uma caixa artesanal para ele me entregar. Eu ficara muito feliz e surpresa, tanto que o beijara na frente de quase todos os residentes do orfanato. Fomos ovacionados pelas crianças, Kim até mesmo iniciou um coro de “Casem, casem”. Mas o melhor nem tinha sido os chocolates, e sim o sexo... Com sabor de chocolate. Literalmente, eu comprara preservativos de chocolate para hoje. Meu presente para Akira foi uma lingerie nova. Pelo jeito, ele adorara minha escolha. Era bom vê-lo tão bem, era quase como se nada de ruim tivesse acontecido com ele. Aquilo me deixava feliz, e eu sentia como se nosso amor estivesse ficando mais forte do que nunca. Comemos todo chocolate juntos, mas o que ficara melhor em minha boca fora o sabor de seus lábios. Suspirei, sentindo meu estômago se retorcer, como se eu tivesse engolido um milhão de borboletas. Era o dia dos namorados, o amor estava mesmo no ar nesse dia.
Abri a porta, entrando em casa com um sorriso enorme. Fechei a porta com o pé, pegando um impulso para frente. Saltitei pelo corredor, enfiando a estrela de chocolate inteira na boca e mastigando tudo de uma vez só. Soltei um suspiro alto, podia até mesmo ver corações imaginários explodirem ao meu redor.
– Nossa, ela está muito animada. – disse a voz maliciosa de Kaname.
– Parece que a visita fez muito bem a ela. – comentou Hikaru, brincando com sua taça de suco de laranja.
Revirei os olhos, sem conseguir conter um sorriso bobo.
– Calem a boca – falei, engolindo o chocolate que ainda tinha na boca. – Eu acabo de ganhar uma caixa cheia de chocolates deliciosos, me deixem em paz.
– Eles são tão bons assim? Não me parecem grande coisa. – zombou Fuuto.
Revirei os olhos para ele, agarrando a caixa contra meu peito de forma protetora.
– Eles são ótimos, melhor do que aquele pudim de chocolate com cerejas que você enfiou no meu armário. – acusei.
Fuuto bufou, lançando-me um olhar irritado.
– Pode provar que fui eu? Quando vai tirar essa ideia idiota da cabeça? – indagou, crítico.
Revirei os olhos pela terceira vez, jogando-me no sofá ao seu lado. Quase esmaguei algumas caixas de chocolate que ele ganhara no colégio no processo, mas nenhum de nós dois parecia ligar muito para aquilo no momento.
– Quem mais escreveria “Do cara mais gato desse colégio” na embalagem? – zombei, enfiando o laço de chocolate na boca assim que terminei de falar.
Kaname, Hikaru, e Tsubaki riram, Fuuto bufou.
– Idiota. – ele disse.
Ri, piscando para ele.
– Idiota. – retruquei, sorrindo – Mas eu amei o pudim, obrigada.
Ele revirou os olhos, lançando-me um olhar irritado.
– Eu já disse que não fui eu, cala a boca e vai comer essa porcaria de chocolate que aquele seu amiguinho te trouxe. – resmungou.
Suspirei, sacudindo a cabeça. Agora até Azusa riu, Fuuto apenas abriu uma caixa azul e comeu um chocolate que tinha dentro.
– Vou fingir que acredito, mas só se você me responder uma coisa. – falei.
Ele grunhiu, indicando que estava ouvindo. Franzi o cenho para a montanha de caixas de chocolate ao redor dele, lançando-lhe um olhar indagador em seguida.
– Por que está comendo os chocolates? Você disse que jogaria todos os presentes fora. – falei.
Ele deu de ombros, chutando um ursinho de pelúcia fofinho para o meio da sala como se fosse uma bola de futebol. Juli atacou o urso, ele devia ter achado-o suspeito.
– Eu vou jogar, assim que comer os chocolates. – Fuuto respondeu, dando de ombros.
Franzi o cenho, Kaname riu. Olhei para o monge, em busca de respostas.
– Nem tente entender, ele sempre faz isso. – ele disse, sorrindo maliciosamente para o irmão infame – Acho que até os corações mais frios e duros se derretem com chocolate.
Soltei uma gargalhada, sendo acompanhada pelos irmãos presente. Estavam quase todos ali, apenas Masaomi, Ukyo, Subaru, Natsume, Yusuke, Ema e Iori ainda não tinham aparecido. Todos resolveram se reunir hoje, tudo por conta da festa que nossa mãe daria mais tarde. Fuuto bufou, olhando para todos nós como se não passássemos de amebas.
– Só tem idiota nessa família, a idiotice está no sangue. – ele disse.
Bufei, ignorando-o por completo. Peguei a pomba de chocolate, mordiscando uma pontinha com carinho. Percebi um pouco tarde demais que Tsubaki estudava meus movimentos como se aquela pomba fosse um pênis, revirei os olhos. Será possível que ele vê malícia em tudo que eu faço ou digo?
– Você está agindo assim, mas todos aqui já perceberam o quanto você está animadinho hoje. – disse Hikaru, abrindo aquele sorriso sinistro dele.
Fuuto lançou-lhe um olhar de puro desdém, irritado.
– Achem outro assunto para conversarem, eu odeio ser o ídolo de gente idiota. – ele disse, duro.
Hikaru apenas deu uma risadinha malvada, apontando para Fuuto com seu dedo indicador. Ele estava com as unhas aparadas hoje, já que estava vestido como um homem. Eu ainda estava traumatizada por conta de nosso último encontro, vê-lo tão bonito assim não ajudava em nada.
– Por que não conta à Nina o que você andou aprontando hoje na escola, meu caro irmãozinho rebelde? – o ruivo disse.
Fuuto soltou um rosnado de raiva, quase jogando as caixas de chocolate amontoadas ao seu redor no teto. Franzi o cenho, lançando-lhe um olhar indagador.
– O que você fez? – perguntei.
Ele não respondeu, apenas fuzilou Hikaru com o olhar. O ruivo apenas riu, dando de ombros como se não tivesse feito nada de errado. Decidi encarar Azusa, já que ele era o único confiável naquela sala. Ele sorriu de leve ao constatar que eu olhara para ele daquela vez, esperei.
– Fuuto contou que seu armário estava cheio de presentes depois da quarta aula, mas ele jogou tudo no lixo antes que você visse. – ele disse.
Pisquei, tentando digerir a informação. Fuuto trincou os dentes ao meu lado, soltando um rosnado do fundo da garganta. Meus pelos se eriçaram, mas eu não sabia dizer se aquela era uma reação provocada pela notícia que tinha acabado de ouvir ou se tinha sido culpa do rosnado de Fuuto. Engoli em seco, sem saber muito bem como reagir. Kaname e Hikaru trocaram um olhar malicioso, rindo logo em seguida. O loiro olhou para mim, sorrindo de forma sensual e misteriosa.
– Ele pode não parecer, mas morre de ciúmes de você. – ele disse, rindo em meio à frase – E você não pode culpá-lo, ele só foi mais uma vítima do seu encanto.
Aquele comentário me fez acordar do meu transe, bufei. Tsubaki riu, pondo a mão acima do peito.
– Kaname tem razão, fomos todos atingidos. – ele disse – Você é um perigo para a sociedade masculina, maninha.
Hikaru e Kaname riram, Azusa lançou um olhar de advertência ao gêmeo. Tsubaki revirou os olhos, Fuuto apenas continuou comendo seus chocolates com uma expressão emburrada. Bufei de novo, revirando os olhos.
– Vou ao meu quarto, pelo menos lá eu não sou difamada por ninguém. – falei.
– Ah, ela não aguenta. – disse Hikaru, olhando-me como uma águia em caçada.
Ignorei, levantando do sofá. Meu querido bom-humor parecia ter levado um tiro, era incrível como reuniões de família me deixavam de mãos atadas. Eu podia lidar bem com um ou dois Asahinas juntos, mas não era forte o bastante para desviar das provocações que me atingiam sempre que estavam todos juntos ou parcialmente juntos.
– Não pense que vai escapar, ainda temos a noite toda para bombardear você. – disse Tsubaki, malicioso.
Sacudi a cabeça, dirigindo-me à escadaria.
– Eu tenho certeza de que a verdadeira vítima aqui sou eu. – resmunguei.
– Qual foi sua primeira pista? – perguntou Kaname, rindo.
Bufei mais uma vez, desistindo de tentar lutar de volta. Todos eles riram de mim, até mesmo Fuuto. Maravilha, a fórmula para deixá-lo de bom-humor era me irritar. Eu não podia querer nada melhor.
Pulei os degraus, subindo rapidamente. Disparei pelo corredor, tentando deixar para trás as risadas masculinas no andar de baixo. Só parei de andar diante da porta do meu quarto, onde respirei fundo. Sem querer, deixei um sorriso escapar. Quem eu queria enganar? Eu amava aqueles homens. Não me importava em ser pisoteada por seu humor pesado se pudesse ver todos juntos e felizes daquele jeito, eu amava nossas reuniões de família.
O som de passos no corredor fez minha bolha feliz estourar, ergui o olhar. Louis andava pelo corredor, devia estar indo em direção à escada. Devia ter acabado de tomar banho, já que ele tinha chegado em casa uns minutos atrás. Seus cabelos estavam úmidos, ele usava um suéter azul escuro que contrastava com sua pele clara. Respirei fundo, sendo invadida por uma sensação nostálgica. Eu dera aquele suéter para ele no começo do ano, ele ficara tão feliz que me abraçara com tanto entusiasmo que até me tirara do chão.
Soltei um suspiro, observando seu rosto. Ele estava bem perto de mim agora, eu podia sentir seu cheiro. Olhei em seus olhos, estranhamente calma. Eu perdera o medo de encará-lo na semana passada, mas não o fizera até então. Sempre que eu o via, estávamos com muita gente em volta. Essa era a primeira vez que ficávamos sozinhos desde nosso desentendimento, eu devia estar tensa, mas não estava.
Talvez ele tivesse sentido que minha postura mudara, pude ver sua expressão mudar um pouco. Continuei encarando seus olhos, estudando aquelas esferas cor de malva que me causavam tanto fascínio. Louis me encarou de volta, senti um pequeno e breve frio atingir meu estômago. Eu não esperava por isso, não imaginava que ele ia olhar em meus olhos de fato. Continuei do mesmo jeito, mais confiante do que jamais estive em minha vida toda. Seu caminhar ficou um pouco mais lento, talvez hesitante. Respirei fundo, mordendo o lábio de leve. Louis foi chegando mais perto, desacelerando até finalmente parar ao meu lado. Esperei, olhando em seus olhos. Ele encarou meus olhos por um tempo, até finalmente perder o controle. Lentamente, ele desceu o olhar por meu rosto. Senti sua respiração mudar quando ele viu que eu mordia o lábio, respirei fundo. Louis encarou minha boca por cerca de dois segundos, até ele sacudir a cabeça e desviar o olhar até o chão. Suspirei, esperando. Ficamos daquele jeito por quase um minuto, até ele soltar um suspiro pesado. Seus ombros baixaram visivelmente, como se ele tivesse acabado de soltar uma mochila pesada depois de andar com ela durante horas. Ele mordeu o lábio, pensativo. Parecia estar em um conflito interno, mas aquilo não durou por muito tempo, já que o som de novos passos no corredor pareceu estourar nossa bolha.
– ONEE-CHAN! – berrou Wataru, correndo na minha direção.
Sorri, recuperando-me do silêncio anterior um pouco rápido demais. O pequeno pulou em mim, abraçando-me com força e deitando sua cabeça em meus seios.
– Boa tarde, minha hiena linda. – falei.
Louis olhou para mim, seus olhos brilharam de leve. Sorri para Wataru, tentando relevar aquilo. O pequeno me soltou, sorrindo como se estivesse muito contente consigo mesmo. Ele enfiou a mão dentro da jaqueta que usava, tirando um cartão colorido de dentro. Sorrindo, ele estendeu o cartão em minha direção.
– Eu fiz isso pra você, onee-chan. – ele disse.
Arquejei, arregalando os olhos. Ri, ajoelhando-me no chão diante dele. Peguei o cartão, sorrindo para ele.
– Para mim? Quanta honra. – falei.
Ele riu, empinando um pouco o queixo. Sorri, mordendo o lábio. Abri o cartão, prendendo a respiração ao ver as letras “N e W” brilhando em dourado no meio de um mar de desenhos abstratos em lápis-de-cor azul. Ri de alegria, erguendo o olhar até o rosto de Wataru.
– Isso é lindo! Obrigada, Wataru. – falei, abrindo os braços.
Ele entendeu meu sinal, atirando-se em mim com força total. Abracei seu corpo com força, ele fez o mesmo comigo. Soltei um muxoxo, fechando os olhos para aproveitar melhor aquele carinho. Do nada, Wataru me soltou. Arregalei os olhos, surpresa. Ele cruzou os braços, estufando o peito.
– Eu decidi que vou crescer e vou virar um homem bom o bastante para minhas duas onee-chan’s. – ele disse – A partir de hoje, eu quero que a onee-chan me veja como um pretendente sério que não volta atrás com suas palavras.
Ofeguei, escancarando a boca. Ergui o olhar até Louis, percebendo que ele estava tão chocado quanto eu. Ri pelo nariz, tentando não parecer uma garotinha assustada. Segurei Wataru pelos ombros, sacudindo-o com força.
– Mas é claro que você vai se tornar um homem incrível, tanto que eu vou casar com você, Ema e eu vamos até brigar com unhas e dentes até que uma de nós perca as tripas. – falei, imitando o rosnado de um tigre.
– Para, onee-chan! – ele berrou, se debatendo.
Ri, puxando-o para um abraço de urso. Ele ofegou, sem fôlego. Depositei vários beijos em diversas regiões da sua cabeça, mordendo um pouco a ponta da sua orelha. Ele começou a gritar, me empurrando. Fiz cócegas em sua barriga com as unhas, o pequeno riu até perder o ar. Ri, deixando-o ir quando percebi que ele não suportava mais. Ergui o olhar até seu rosto, mordendo o lábio. Wataru estava de olhos arregalados, olhando-me como se eu fosse uma louca. Ri, rosnando de novo.
– Para com isso, onee-chan. – ele disse, assustado.
Rosnei de novo, inclinando-se em sua direção. Mordi o ar, olhando em seus olhos como uma fera faminta. Wataru arregalou os olhos, dando um pulo para trás, se escondendo atrás de Louis.
– Socorro, Lou-kun! – berrou, agarrando o braço do irmão.
Ri, erguendo o olhar até encontrar o de Louis. Ele me encarava fixamente, quase fixamente demais. Sua respiração estava um pouco pesada, ele tinha um brilho estranho nos olhos. Desviei o olhar, levantando-me do chão. Ajeitei minha camiseta, notando um pouco tarde demais que ela tinha subido mais do que devia e agora exibia metade da minha barriga. Sorri para Wataru, ele ainda parecia um pouco indeciso. Nem sei o que dera em mim para agir como uma louca, talvez aquele dia estivesse me transformando em uma fera faminta. Ri, sacudindo a cabeça.
– Vem aqui. – chamei, abrindo os braços.
Ele hesitou por um tempo, abri um sorriso gentil. Aquilo pareceu ter bastado, já que ele abriu um sorriso enorme e correu para mim. Seu corpo colidiu contra o meu, o pequeno me abraçou com força. Ri, abraçando-o com força também, feliz.
– Obrigada pelo cartão, você é um amor. – falei.
Ele riu, enterrando a cara no meio dos meus seios. Ri, sacudindo a cabeça.
– Fiz isso para ganhar um abraço da onee-chan, ela é tão macia! – disse o pequeno, me apertando com mais força.
Ri de novo, soltando um muxoxo. Abracei seu corpo com toda força que tinha, espremendo-o contra mim. Louis assistia a cena com um pequeno sorriso no rosto, nosso olhar se encontrou. Ele parecia quase nostálgico, como se estivesse vivendo uma coisa que não vivia a tempos. Sorri de leve para ele, desviando o olhar até Wataru. Talvez estivesse sendo difícil para ele também, mas eu não seria a primeira a ceder, ainda tinha meu orgulho.
– Nina? – chamou-me uma voz suave.
Senti meus pelos se eriçarem, ergui o olhar. Da direção das escadas, vinha o príncipe mais lindo do mundo. Não pude conter um sorriso enorme, ele sorriu de volta para mim.
– Iori! Que bom que já chegou. – falei.
Ele chegou mais perto, sorrindo gentilmente. Eu não o via em casa com frequência desde que Miwa chegara em Tókio, já que ele seria um dos modelos do desfile que ela estava organizando. Ele tinha passado boa parte da semana com ela, mal dormia em casa. Eu sabia que Iori só estava cumprindo seu papel como filho e profissional, mas eu ainda morria de saudades de sua companhia.
– Cheguei sim, mas vim só para buscar você. – ele disse, calmo.
Pisquei, mordendo o lábio de leve.
– Me buscar? Como assim? – perguntei, confusa.
Iori riu carinhosamente da minha reação, aproximando-se de mim mais um pouco. Ele pôs a mão esquerda em meu ombro, olhando em meus olhos.
– Nossa mãe quer que você vá comigo até o local do desfile, ela tem uma surpresa para você e para Ema. – ele disse – Yusuke ficou encarregado de levar Ema até lá, enquanto eu vim aqui para levar você.
Arquejei, entendendo. Iori sorriu para mim, ainda olhando em meus olhos.
– Desculpe por te dar trabalho. – falei, levemente acanhada.
Ele riu consigo mesmo, afagando meu ombro de forma gentil.
– Não considero isso como um incômodo. – ele disse – Na verdade, eu me ofereci para vir.
Sorri, ele fez o mesmo.
– Então eu não vou te atrasar mais, só vou deixar algumas coisas no meu quarto. – falei.
Iori assentiu, soltando meu ombro. Sorri para ele, desviando o olhar até Wataru. O pequeno fez um bico, soltando-me para que eu pudesse me mexer. Virei meu corpo, abrindo a porta do meu quarto. Entrei, sentindo todos eles me observavam. Dirigi-me à minha cômoda, deixando lá o cartão de Wataru e a caixa de chocolates de Yelisei, bem ao lado do frasco de perfume com aroma de chocolate que Azusa me dera. Apenas o coração de chocolate tinha sobrevivido, decidi deixar que ele se juntasse aos amigos dentro do meu estômago. Fui até minha cama, catando meu celular e enfiando-o no bolso do short. Peguei a jaqueta que estava jogava em um canto qualquer e a vesti, sorrindo carinhosamente para o urso de pelúcia gigante que Tsubaki me dera de presente hoje de manhã. Dirigi-me à porta outra vez, abrindo um sorriso enorme para Iori, que sorriu de volta.
– Pronto. – anunciei.
– Feche a porta e podemos ir. – ele disse, sorrindo de forma divertida.
Ri, assentindo. Fiz o que ele disse, trancando bem e enfiando a chave no bolso da jaqueta. Me virei para encará-lo, sorridente.
– Até a noite, Louis. – disse Iori, educado como sempre.
O mais velho sorriu, evitando meu olhar. Franzi o cenho, não estávamos bem um pouco antes?
– Boa sorte com o desfile, dê o melhor de si. – ele disse.
Iori assentiu, sorrindo. Ele olhou para mim, percebi um pouco tarde demais que ele inclinava o braço na minha direção. Ri, aceitando seu convite silencioso. Prendi meu braço no seu, exatamente como passeávamos no dia da festa de Halloween do ano passado.
– Eu vou com a onee-chan até o portão! – anunciou Wataru.
Ele agarrou-se em meu braço livre, puxando-me para si. Aquilo quase me fez soltar o braço de Iori, o modelo franziu o cenho para o caçula da família. Sacudi a cabeça, sorrindo de leve.
– Então vamos, mas sem me puxar. – falei, erguendo o olhar.
Meu olhar vagou até o rosto de Louis, ele já me encarava. Sua boca estava levemente entreaberta, como se ele quisesse dizer alguma coisa. Seu olhar, antes nostálgico e brilhante, agora estava frio e opaco. Ele respirou fundo, desviando o olhar como se não visse que estava sendo observado por mim. Ri pelo nariz, empinando um pouco o queixo. Ergui meu olhar até o rosto de Iori, que parecia quase alheio ao clima repentinamente pesado. Sorri, aproximando-me dele um pouco mais.
– Guie-me, meu caro rapaz. – falei.
Ele riu, olhando-me com ternura.
– Como preferir, minha bela dama. – disse.
Sorri, sentindo meu interior se aquecer. Pude sentir o olhar de Louis esquadrilhar meu rosto, mas tudo que fiz foi puxar delicadamente a mão de Wataru e seguir Iori pelo corredor. Aos poucos, o cheiro do príncipe suprimiu o cheiro dele em meus pulmões, minha respiração pareceu melhorar de uma hora para a outra.
Se era assim que Louis queria jogar, então ele não podia ser mais azarado, já que eu era uma ótima jogadora quando precisava.
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Mordi o lábio, encantada pela variedade imensa de flores pertencentes àquele jardim. Mesmo não sendo uma área prepara para a festa, o jardim traseiro do lugar estava completamente encantador. Apertei o braço de Iori, empolgada um pouco demais. Ele sorriu para mim, desviando seu olhar dos canteiros de rosas brancas até encontrar meus olhos.
– Você gostou desse lugar? – ele perguntou.
Ofeguei, sem palavras. Ele riu baixinho, lançando-me um olhar terno.
– Eu imaginei que você ficaria assim, por isso resolvi te trazer. – ele disse, suspirando graciosamente – Venha comigo.
Assenti, abrindo um sorriso enorme. Ele guiou-me tranquilamente pelo caminho de ladrilhos, seus olhos cor de aveia estudavam calmamente o céu da tarde de sexta-feira. Sorri, mordendo o lábio de leve.
Não conversáramos muito no caminho para cá, apenas trocávamos comentários sobre coisas triviais como o clima e as decorações dos lugares por onde passávamos. De certa forma, aquilo era melhor do que iniciar uma conversa séria. Iori me deixava calma, eu sentia como se todos os meus problemas se esvaíssem perto daquele homem. Um exemplo disso, eu quase nem lembrava da “conversa” estranha com Louis no corredor.
Agora estávamos no jardim traseiro de uma construção recém concluída. Eu descobrira mais cedo que se tratava de um centro de convenções e eventos de importância internacional, eu me sentia uma princesa só por estar em um lugar como aquele, ainda mais como família de uma das donas do evento. Iori me trouxera para essa parte do centro de convenções assim que chegáramos, alegando ter algo para me mostrar. Eu não podia – e nem queria — recusar, então aqui estávamos.
Subi um pequeno degrau com Iori me ajudando, olhando em volta. Estávamos em um coreto, no centro do jardim. Ali tinha um banco de madeira grande o bastante para duas pessoas, então pude concluir que tinha sido decorado para casais. Luzes em forma de estrelas e outros astros pendiam do teto, apagadas por ainda estar claro. O teto era abobado em madeira branca, assim como seus pilares. Tudo era branco, como em um palácio antigo. Sorri, um pouco boquiaberta. Era lindo, eu estava completamente encantada.
– Esse lugar é incrível. – falei.
Iori assentiu, sorrindo com leveza.
– Descobri esse coreto hoje de manhã, decidi que traria você aqui assim que pudesse. – ele disse – Venha, vamos sentar um pouco.
Assenti, ele soltou meu braço para que eu pudesse sentar. Iori respirou fundo graciosamente, lançando-me um sorriso terno.
– Tenho um presente para você. – ele disse.
Mordi o lábio, ansiosa. Ele sorriu mais um pouco, inclinando-se para o lado. Observei-o enfiar a mão debaixo do banco, puxando de lá uma caixa marrom. Ergui uma sobrancelha, ele riu baixinho.
– Deixei isso aqui mais cedo. – esclareceu, olhando em meus olhos.
Ri um pouco, um pouco constrangida por minha burrice. Caixas não se materializam do nada, Iori devia ter planejado aquele momento cuidadosamente. O príncipe estendeu o presente na minha direção, olhando em meus olhos. Ele sorriu, mordi o lábio. Peguei a caixa de sua mão, curiosa e ansiosa. Adorava ganhar presentes, ainda mais quando era um príncipe quem me presenteava. Talvez eu estivesse parecendo uma criança mimada, mas não ligava. Puxei o laço bege que prendia a caixa, preparando-me para abri-la. Ergui o olhar até encontrar o de Iori, ele riu silenciosamente da minha reação. Sorri, mordendo o lábio. Desviei o olhar até a caixa outra vez, destampando-a de uma vez. Arregalei os olhos assim que vi seu conteúdo, o sorriso de Iori cresceu.
– Bolinhos! – arquejei, maravilhada.
Iori riu graciosamente, olhando-me como se eu fosse uma pérola preciosa.
– Sei o quando você gosta de bolinhos de chocolate, então fiz alguns para você. – ele disse.
Sorri, sentindo uma onda de felicidade me invadir. Estudei os bolinhos dentro da caixa, perdendo o ar ao reparar em um detalhe. Ergui o olhar até encontrar o de Iori, abrindo um sorriso enorme.
– Isso são rosas de chocolate? – perguntei.
Ele deu um sorriso discreto, assentindo. Arquejei, incrédula.
– Eu nunca tinha visto uma na vida, você fez isso também? – perguntei.
– Cada mínimo detalhe. – ele respondeu, sereno – Rosas são um dos símbolos do amor, assim como o chocolate. Decidi juntar as duas coisas para presentear alguém tão importante para mim.
Abri um sorriso enorme, quase rindo de alegria. Baixei o olhar até o chocolate, soltando um suspiro profundo. Peguei um dos bolinhos de dentro da caixa, levando-o aos lábios logo em seguida. Iori acompanhou meus movimentos com o olhar, um sorriso doce repousava em seus lábios. Mordi o bolinho, fechando os olhos para receber melhor o sabor. Foi como se alguém tivesse ateado fogo ao meu coração, senti meu corpo inteiro esquentar. Abri um grande sorriso, mastigando de olhos fechados. Abri os olhos, radiante.
– Está delicioso! – falei, rindo em meio à frase.
Ele abriu um sorriso radiante, olhando-me como eu fosse uma pilha de ouro.
– Que bom que você gostou. – ele disse.
Sorri, dando mais uma mordida no bolinho. Iori observava-me cuidadosamente, estudando cada detalhe da minha expressão. Era quase como se ele quisesse gravar aquele momento muito bem, senti meu rosto esquentar. Eu não coraria, mas era difícil não ficar constrangida sob a mira daquele olhar. Pigarreei discretamente, tentando achar algum assunto para falar.
– Você deve ter tido bastante trabalho para fazer as rosas. – comentei, desviando o olhar até a caixa.
Iori sorriu para as rosas, lançando-me um olhar terno logo em seguida.
– Valeu a pena, pude ver seu lindo sorriso. – disse, suspirando de leve.
Soltei um leve arquejo, ligeiramente constrangida. Sorri, evitando seu olhar.
– Bom, você fez um ótimo trabalho com esses bolinhos. – falei – Eu sinto como se estivesse comendo algum alimento divino, sinto meu coração ficar mais quente.
Ele riu baixinho, lançando-me um olhar carinhoso.
– É assim que eu me sinto sempre que a vejo, minha querida Nina. – disse Iori.
Arquejei de novo, dessa vez deixando uma risada tímida escapar. Iori riu comigo, olhando-me com aqueles olhos carinhosos. Mordi o lábio, lançando-o um olhar divertido.
– Muito bem, você venceu. – falei, sorrindo de leve – Eu devo estar vermelha agora.
Ele riu, sacudindo a cabeça de leve.
– Você está corada como os primeiros raios de sol de uma manhã de outono, tão bela quanto. – disse, olhando-me com ternura.
Senti meu rosto esquentar, ri baixinho. Iori sorriu para mim, ainda observando cada movimento meu.
– Eu não costumo ficar corada, você está mexendo comigo. – admiti, encarando os bolinhos da caixa.
– De uma forma boa, eu espero. – ele disse, olhando-me nos olhos.
Arquejei, mordendo o lábio. O olhar de Iori ainda estava fixo em meus olhos, pude sentir meu interior se esquentar.
– Eu ainda não sei bem. – confessei, desviando o olhar – Mas eu posso afirmar que é forte.
Ele estudou cuidadosamente minha expressão, lendo cada mínimo sentimento que passava por meu ser no momento. Mordi o lábio, sentindo o rosto esquentar mais. Iori sorriu, como se estivesse muito satisfeito com alguma coisa. Sua postura relaxou por completo, ele soltou um suspiro amoroso.
– Você não devia se preocupar tanto com isso, fica simplesmente linda desse jeito. – ele disse.
Soltei um muxoxo, arregalando de leve os olhos em sua direção.
– Iori, você pode parar de ser tão gentil? Assim meu coração não aguenta. – confessei, ligeiramente exasperada.
Ele riu gostosamente, olhando-me como se eu fosse uma criatura rara e bela. Meu rosto estava tão quente que se podia assar biscoitos nele, mordi o lábio.
– Sinto muito, eu só estava dizendo a verdade. – disse Iori, divertido.
Fiz um bico, lançando-o um olhar falsamente indagador. Ele sorriu para mim, radiante.
– Você adora isso, não adora? – indaguei, tentando não sorrir.
Iori riu mais uma vez, mordi o lábio.
– Estar com você? Sim, eu adoro. – ele disse, soltando um suspiro – Não temos nos visto muito ultimamente, é bom poder tê-la ao meu lado. Senti sua falta.
Não pude evitar de soltar um suspiro pesado, sentindo uma sensação estranhamente triste se apoderar do meu corpo. Desviei o olhar até meus sapatos, mordendo o lábio de leve. Eu ficava mais carente nessa época do ano, e ficar longe de uma pessoa tão querida para mim não ajudava em nada. De alguma forma, ficar uns dias sem Iori por perto era tão doloroso quanto passar semanas sem falar com Louis. Eu não sabia como estava vivendo tão bem sem aquilo, mas só percebi nesse momento o quanto estava sendo boba por estar triste por Louis. Ele mesmo escolhera me deixar de lado, e eu decidira sofrer por isso. Enquanto Iori continuava ali, mesmo depois de ter se declarado na noite de halloween e ter descoberto que eu tinha um namorado na noite de Natal. Ele continuava ao meu lado, sentindo minha falta quando não nos víamos. Se tinha alguém que merecia minha atenção, esse alguém era ele.
Ergui o olhar, encontrando seus olhos no caminho. Iori esperou, sorrindo levemente para mim. Sorri de volta, esticando um pouco o braço para pegar sua mão. O príncipe aceitou meu carinho, entrelaçando nossos dedos ao mesmo tempo que aumentava seu sorriso lindo. Mordi o lábio, contente.
– Também senti sua falta, Iori. – falei, sincera – Obrigada pelo presente e pela companhia, você faz meus dias serem sempre especiais.
Ele ofegou baixinho, um pouco surpreendido por minhas palavras. Esperei, mordendo o lábio de leve. Iori riu, fechando os olhos por um segundo. Seus dedos apertaram os meus com um pouco mais de força, como um carinho delicado e amoroso. Sorri de leve, sentindo meu interior se aquecer. Ele abriu os olhos, e então pude ver o brilho de seu olhar. Seus lindos olhos cor de aveia fixaram-se nos meus, ele abriu um sorriso puramente amoroso, quase apaixonado.
– Então estamos quites, minha amada Nina. – ele disse.
Ri baixinho, soltando um suspiro. Iori sorriu, inclinando-se na minha direção. Sua mão ergueu a minha até seu rosto, seus lábios macios e quentes depositaram um longo e carinhoso beijo em minha pele. Senti meus pelos se eriçarem, eu não conseguia parar de sorrir.
Ter um príncipe ao lado era assim.
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– Você acha que ela ainda vai demorar muito? – perguntou-me Ema, afagando o próprio braço.
Dei de ombros, mordendo o lábio.
– Ela deve estar ocupada, mas Miwa não nos deixaria esperando por muito tempo. – falei, categórica.
Ema assentiu, soltando um suspiro. Ela ainda estava um pouco corada por ter sido trazida até um camarim enorme por nosso irmão ruivo, Yusuke nunca me parecera tão contente consigo mesmo. Nossa mãe nos mandara esperar ali durante dez minutos, mas já fazia quase meia hora desde que ela tinha dito aquilo. Eu queria acreditar que ela estava demorando apenas por estar ocupada com os últimos detalhes do desfile, e não por querer me matar de agonia. Havia tantas modelos lindas ali que eu me sentia um aborto alienígena, e isso sem falar nos lindos vestidos ao meu redor. O desfile começaria em breve, e por mais que Ema e eu estivéssemos em uma parte afastada do tumulto que as modelos e os maquiadores faziam, eu ainda me sentia uma intrusa. Eu só queria que me deixassem sair correndo com meus 55 quilos, o que tinha de errado com aquelas mulheres? Elas não comiam nunca?
– O que você acha que ela quer nos dar? – Ema perguntou, falando um pouco baixo demais.
Desviei o olhar de uma modelo particularmente linda demais para ser real, tentando não franzir o cenho. Encarei minha irmã, ela parecia tão infeliz quanto eu ali.
– Eu não sei. – respondi – Mas deve ser algo ligado a festa, ela não nos traria aqui se não fosse.
Ema assentiu, engolindo em seco. Soltei um suspiro profundo, esticando a mão para pegar a dela. A garota aceitou meu apoio, apertei seus dedos delicadamente. Eu não era insegura, mas estar ali era um golpe e tanto na minha autoestima. Eu nem queria pensar em como estava sendo para Ema, já que ela era tímida demais para se sentir a vontade em um ambiente como aquele. O mínimo que eu podia fazer era apoiar minha irmã, ainda que ansiasse pelo momento em que um príncipe apareceria ali só para nos salvar.
O burburinho ficou ainda mais alto, e a porta central do camarim se abriu. Uma enxurrada de cabeleireiros e maquiadores entrou, enchendo ainda mais o espaço. Eu soltaria um muxoxo de agonia, se minha mãe não tivesse entrado por último, fechando a porta atrás de si. Meu queixo caiu, pude ouvir Ema ofegar ao meu lado. Miwa abriu um sorriso enorme, vindo em nossa direção. Ela estava estonteante em um vestido longo e dourado, seus cabelos estavam tão perfeitamente penteados que podiam deixar todas as modelos ali com inveja. Ela não parecia ter parido treze filhos, abri um sorriso enorme. Essa era a mãe Asahina, é claro que ela ficaria linda em qualquer ocasião.
– Meninas! Que bom que vieram. – ela disse, assim que chegou perto o bastante – Me desculpem por toda essa demora, vocês não fazem ideia o quanto é difícil acomodar quinze modelos francesas nesse país.
Ri, sacudindo a cabeça. Ema deu uma risadinha, ainda um pouco constrangida. A maioria das modelos estava olhando para nós duas agora, algumas pareciam estar pensando “Como elas conseguiram entrar aqui?”. Eu não achava isso sempre, mas Subaru estava corretíssimo quando dizia que mulheres eram assustadoras.
– Reservei os trocadores 1 e 2 para vocês, vistam-se depressa. – disse Miwa, alheia àquela atmosfera esquisita – Suas novas roupas já estão esperando lá dentro, desenhei aqueles modelos exclusivamente para vocês.
Ofeguei, apertando os dedos de Ema por instinto. Ela fez o mesmo comigo, trocamos um olhar. Miwa riu, batendo palmas diante de nós duas. Aquilo nos acordou de nosso transe, respirei fundo.
– Obrigada, mamãe. – falei, um pouco sem fôlego.
Ela fez um bico, inclinando-se na minha direção. Suas unhas arranharam carinhosamente minhas bochechas, sorri.
– É por isso que eu sempre quis ter filhas, garotas são as melhores! – ela disse, animada – Levantem-se, o desfile só vai começar quando nós estivermos prontas.
Arquejei, sentindo Ema fazer o mesmo. Sem pensar, dei um pulo do banco onde estava sentada, trazendo minha irmã comigo. Nossa mãe aplaudiu, satisfeita.
– Isso mesmo, quero muito ânimo das minhas garotas hoje! – ela disse, radiante – Vão logo! Não é educado deixar sua mãe esperando.
– S-sim, senhora. – disse Ema, vermelha.
Miwa riu, engoli em seco. Puxei Ema por entre o mar de pessoas, um pouco abismada demais para prestar atenção em quem estava em volta. Os trocadores 1 e 2 ficaram bem no final do enorme camarim, na área mais silenciosa que tinha ali. Parecia ser uma área privada, já que não tinha ninguém trabalhando ali. Não liguei muito para os detalhes, apenas deixei que Ema entrasse no trocador dela. Entrei no meu logo em seguida, respirando fundo. Estava um pouco eufórica demais, isso não acontecia desde o Natal. Ver Miwa me deixava daquele jeito, e ver Miwa em um camarim de um desfile importante era ainda mais intenso. Eu mal podia esperar para ver meus irmãos, algo me dizia que essa noite seria incrível para todos nós.
– Nina, você precisa de ajuda? – disse a voz de Miwa.
Arquejei, percebendo um pouco tarde demais que estava parada no trocador a quase cinco minutos. Ri comigo mesma, sacudindo-me um pouco para acordar daquele transe entusiástico.
– Não se preocupe, vou estar aí em um segundo. – respondi.
Pude ouvir sua risada, sorri. Desfiz o laço que prendia o grande roupão vermelho que cobria meu corpo, pendurando-o no gancho ao lado da porta assim que o tirei. Eu tinha tomado banho em uma grande banheira cheia de espuma antes de entrar no camarim, Miwa tinha realmente pensado em tudo. Minha pele estava mais macia do que pele de bebê, fora que eu estava cheirando a morangos. Peguei um grande saco para roupas que estava pendurado perto do grande espelho, abrindo o zíper logo em seguida. Quase caí para trás quando vi o lindo vestido de seda vermelha que descansava dentro da embalagem, adornado por um casaco de pele perfumado. Ri, arregalando os olhos para a peça.
– Isso é demais! – exclamei, incrédula.
Ouvi Miwa rir do lado de fora, arfei.
– Luxo nunca é demais, minha querida. – ela disse – Eu sabia que vocês iam reagir assim, eu amo ter filhas!
Ri, ainda de olhos arregalados. Decidi vestir a roupa de uma vez, ignorando a lingerie vermelha que Miwa tinha colocado no meio dos tecidos. Entrei no vestido, contando calmamente os segundos em espanhol. Não demorei muito para terminar, os tecidos deslizavam em minha pele com tanta facilidade que eu me sentia em um comercial de hidratante corporal. Sorri, satisfeita. Olhei para meu reflexo no espelho, prendendo a respiração. Aquela não era a Nina Kazama que eu estava acostumada a ver, eu quase não me reconhecia. Então era verdade o que diziam: A roupa faz o homem.
Sem pensar muito, saí do trocador. Não esperava que Ema já estivesse do lado de fora, eu demorara mais tempo do que tinha pensado. As duas mulheres da minha família olharam para mim com copiosas expressões deslumbradas, e eu devia estar com a mesma expressão, já que Ema estava totalmente linda. Arregalei os olhos, ofegando ao mesmo tempo que minha irmã.
– Você está incrível! – falamos ao mesmo tempo.
Miwa riu bastante daquela reação mutua, ela devia achar muito divertido acabar com os nervos de suas filhas. Ema corou um pouco, não pude deixar de rir. O vestido dela era roxo, e se encaixava tão perfeitamente em seu corpo que parecia ter sido costurado nela. Que bom que tínhamos um médico na família, eu tinha certeza de que Yusuke e Subaru precisariam passar em um hospital depois que a vissem. Eu até falaria aquilo só para deixá-la constrangida, se um homem baixinho e “brilhoso” não entrasse no camarim. Até mesmo Miwa parou de rir para olhá-lo, ele devia ser importante.
– Quinze minutos para o desfile! – ele disse.
Eu riria de sua voz falsamente afinada, se aquele aviso não tivesse acabado com a calma de todos os presentes. As modelos – que estavam inquietas antes das palavras do homem – podiam surtar a qualquer momento. Estranhamente, aquela reação parecia ser quase normal, já que a equipe de maquiadores e cabeleireiros não ficaram tão eufóricos assim. Ergui uma sobrancelha, Miwa soltou um suspiro dramático.
– Francesas. – disse, como se aquilo fosse explicação suficiente – Quero dois cabeleireiros e maquiadores nas cadeiras 1 e 2, minhas filhas também precisam ficar lindas!
– Ainda mais lindas, a senhora quer dizer. – disse um dos cabeleireiros, tinha um forte sotaque francês, ainda que falasse um japonês perfeito.
Minha mãe riu, metade dos cabeleireiros do lugar balbuciaram palavras de aprovação ao comentário do homem. Ema corou, como sempre. Dei um sorriso nervoso, um pouco incomodada por estar na mira de cerca de quinze modelos enciumadas.
– Vocês ainda estão aqui? Vão sentar! – exclamou Miwa, fazendo-me dar um pulo de susto.
Tremendo, Ema e eu nos apressamos para obedecê-la. Sentei na cadeira número dois, minha irmã ficou bem ao meu lado. O cabeleireiro que nos elogiara veio até nós com uma mulher alta e ruiva em seu encalço, ela era quase tão linda quanto as modelos.
– Fecha a boca, querida. – disse o homem, tocando meu queixo com o dedo indicador.
Devo ter corado, já que a mulher ruiva riu. Dei um sorriso amarelo, fixando minha atenção no espelho enorme diante de mim. Talvez assim que não invejasse muito os cabelos daquela mulher. Ela postou-se atrás da minha cadeira, sorrindo para o meu reflexo. Tentei sorrir de volta, me encolhendo um pouquinho no meu lugar.
– Je peux être créatif?* — ela disse.
Pisquei, tentando puxar na memória alguma coisa para responder. Eu não falava francês, e não reconhecia nada do que ela tinha dito. Mordi o lábio, decidindo que assentir e sorrir minimamente seria o suficiente. Os cabeleireiros trocaram um olhar cúmplice, ela riu.
– Você é má, Jean. – disse o homem.
Ela piscou para o meu reflexo, tirando o prendedor que mantinha meus cabelos presos em um coque apertado.
– Eu sei. – ela disse.
Pisquei, os dois cabeleireiros riram. Pelo visto, ela estava me testando.
Uma maquiadora baixinha se aproximou de mim, sorridente. Tentei sorrir de volta, sentindo as mãos de Jean trabalharem em meus cabelos.
– Oi! Eu sou Valentina, pode me chamar de Tina que eu adoro. – ela disse, cantarolando.
Sorri verdadeiramente, ela parecia realmente radiante.
– Sou Nina, é um prazer. – falei.
Tina soltou um muxoxo, saltitando no mesmo lugar.
– Você é tão, tão linda! Eu vou adorar maquiar você. – ela disse.
Ri, ela fez o mesmo. Jean e o outro cabeleireiro reviraram os olhos, eles deviam estar acostumados com o jeito dela.
– Bem, obrigada. Vou adorar ser maquiada por você. – falei.
Tina aplaudiu minhas palavras, arrancando algumas risadas de Miwa, Jean e aquele homem. Sorri, ela voltou-se para seus instrumentos de trabalho com uma animação empolgante.
– Você é naturalmente fofa e sensual, então eu vou fazer algumas combinações de batom e sombras para transformar você em uma femme fatale.*- ela disse.
– Tsubaki vai adorar isso – disse Miwa.
Até mesmo Ema riu daquilo, ainda que tivesse sido mais discreta do que Jean. Encarei o reflexo da ruiva, sentindo meu rosto esquentar. Ela piscou para mim, mexendo em meus cabelos.
– Sim, eu conheço aquele pedaço de mal caminho. – ela disse.
Franzi o cenho, minha mãe me observava com um sorriso sinistro nos lábios.
– Como você o conhece? – perguntei.
Jean lançou-me um olhar sugestivo, sorrindo de forma mais sinistra do que minha mãe.
– Ele está fazendo uma ronda lá fora, até perguntou para o Henri se ele tinha visto uma espanhola bonita e uma japonesa adorável aqui dentro. – ela disse.
Minha boca se abriu, o cabeleireiro, Henri, riu um pouco da minha reação. Procurei o reflexo de Miwa no espelho, achando-a perto da cadeira de Ema.
– Eles sabem que estamos aqui? – perguntei.
– Infelizmente. – ela respondeu, rindo de leve — Devia ser uma surpresa para todos, mas Yusuke acabou deixando escapar seu paradeiro para Wataru, e a notícia se espalhou.
Olhei para Ema, tentando achar um pouco de conforto em seu rosto levemente vermelho. Ela arregalou um pouco os olhos, devíamos estar sentindo o mesmo desespero.
– E o que o Tsubaki está fazendo lá fora? – perguntei.
Miwa abriu um sorriso enorme, tremi.
– Correção: O que Tsubaki, Yusuke, Subaru e Natsume estão fazendo lá fora. – ela disse – Eles estão esperando vocês duas, claro.
Arregalei os olhos, fazendo com que Jean, Tina, Henri e Miwa rissem.
– C-como assim? Por que eles estão nos esperando? – Ema perguntou, gaguejando na primeira parte.
Nossa mãe abriu um sorriso malicioso, piscando para nós duas. Ema e eu nos entreolhamos, aquilo ia dar confusão.
– Muito bem, deixem os bonitões para lá! – disse Tina, sacudindo-me pelos ombros – Feche os olhos e fique bem paradinha, eu preciso trabalhar.
Engoli em seco, mas resolvi fazer o que ela mandara. Não estava apta para lidar com o que podia me acontecer naquela noite, tudo que eu podia fazer era me deixar levar pelo fluxo.
E esperar que o tal fluxo não me levasse até correntes fortes demais para ter chance de escapar.
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Sentei na cadeira que Natsume puxara para mim, lhe agradecendo com o sorriso. Ele sorriu em resposta, o que me fez sorrir mais. Observei-o enquanto sentava-se ao meu lado, suspirando de leve. Aquele homem já era lindo em um dia normal, imagina só como ele ficava lindo ao usar um tuxedo*. Fora que seus cabelos estavam penteados de forma ligeiramente rebelde hoje, dando a ele um ar juvenil, quase selvagem. Sim, aquele era meu gatinho. Eu estava encantada por sua beleza, tanto que não conseguia desgrudar os olhos dele desde o momento em que saíra do camarim e o encontrara do lado de fora, esperando por mim com um pequeno buquê de rosas vermelhas nas mãos.
O problema era que eu não era a única mulher encantada com Natsume. Metade da população feminina daquele salão olhava na direção dele, todas com a mesma expressão de deleite. Ele não parecia perceber, o que me deixava ainda mais tensa. Pode parecer loucura, mas eu não estava nada feliz com isso.
Mas a situação estava equilibrada, já que metade da população masculina daquele salão estava olhando para mim e para Ema. Não que fossemos as mais belas naquele salão, mas éramos as únicas ali usando vestidos exclusivos e maquiadas como verdadeiras princesas. Bom, pelo menos minha irmã estava parecendo uma princesa. E eu não era a única a pensar assim, já que Subaru, Yusuke e até mesmo Masaomi não desgrudavam os olhos dela. Era engraçado assistir, queria que Wataru estivesse aqui.
– Vocês estão lindas, meninas. – disse a voz sedutora de Kaname.
Sorri, tentando não revirar os olhos. Um dos irmãos presentes dizia aquilo a cada cinco minutos, como se Ema e eu precisássemos de todos aqueles elogios. Eu estava amando todo aquele carinho, mas não achava que merecia tudo aquilo.
– Obrigada, Kaname-san. – disse Ema, um pouco corada.
O monge abriu um sorriso encantador para ela, suas pernas tremeram um pouco por baixo da mesa. Abafei uma risadinha, sacudindo a cabeça. Desviei o olhar até Natsume, percebendo um pouco tarde demais que ele encarava a mesa. Inclinei minha cabeça para frente, podendo olhar seu rosto por inteiro. Seu olhar encontrou o meu na mesma hora, como um movimento ensaiado. Dei um pequeno sorriso, tentando parecer mais gentil do que preocupada.
– Tudo bem? – perguntei.
Ele abriu um pequeno sorriso, assentindo. Refreei um suspiro, ele não percebeu. Pus minha mão sobre a dele, afagando seus dedos delicadamente.
– Tem certeza? – perguntei.
Seu sorriso se alargou, senti meu interior se esquentar.
– Sim, por incrível que pareça. – ele disse.
Ergui uma sobrancelha, lançando um rápido e discreto olhar para onde nossa irmã estava. Subaru tentava puxar conversa com ela, mas estava vermelho demais para parecer saudável. Ela estava quase na mesma situação, mas parecia, surpreendentemente, confortável com aquilo. Natsume seguiu meu olhar, pude senti-lo respirar fundo. Olhei para seu rosto outra vez, erguendo uma sobrancelha. Ele olhou para mim, hesitando por um segundo. Por fim, soltou um arquejo baixo e sorriu.
– Isso quase não me incomoda, se é que me entende. – ele disse – Me sinto aliviado como nunca mais me senti, acho que posso agradecê-la por isso.
Dei um sorriso contente, apertando seus dedos com carinho.
– Isso é bom de ouvir. – falei.
Ele sorriu para mim, seus olhos brilharam. Abri a boca para dizer alguma coisa, mas fui calada por um braço que jogou-se em meus ombros. Arquejei, Tsubaki puxou-me para si, arrancando minha mão da de seu gêmeo. Acabei batendo em seu peito, ele abriu um sorriso safado.
– Você está muito linda, maninha – ele disse.
Ri, tentando me afastar. Era um perigo ficar tão próxima dele, pelo menos enquanto ele parecesse um Deus grego. Ele sorriu ainda mais, me apertando um pouco.
– Só vou soltar se você me der um beijo, que tal? – disse.
Ouvi Natsume bufar ao meu lado, mordi o lábio.
– Isso sim me incomoda. – ele disse.
Vi naquilo uma oportunidade para escapar. Dei um beijo rápido na bochecha de Tsubaki, minha ação repentina fez com que todos da mesa ficassem surpresos. Ri, aproveitando a situação para me desvencilhar do aperto do gêmeo safado. Ele me olhou, um pouco boquiaberto.
– Incomoda muito. – disse Natsume.
Seu tom era quase glacial, não consegui ficar séria. Tsubaki riu, lançando-me um olhar tão quente que podia derreter gelo.
– Acho que essa noite vai ser melhor do que eu esperava. – ele disse.
Dei de ombros, dando uma piscadela.
– Quem sabe? – sussurrei.
Azusa quase deixou sua taça de vinho cair, Hikaru, Kaname e Yusuke riram. Tsubaki abriu um sorriso safado.
– Não brinque com fogo, você pode se queimar. – ele disse.
Revirei os olhos, sacudindo a cabeça. Pus as mãos na mesa, encarando minhas unhas como se não sentisse que todos olhavam para mim. Pude sentir Natsume respirando fundo ao meu lado, aquilo me fez abrir um sorriso perverso. Eu tinha que fazê-lo sentir o mesmo que eu sentia enquanto todas as mulheres do salão olhava para ele.
Então isso era fazer ciúmes. Gostei.
– Essa mesa parece animada, podemos nos juntar a vocês? – disse uma voz.
Cada fio de cabelo do meu corpo de eriçou, meu sorriso desfigurou-se lentamente. Ergui o olhar, deparando-me com um casal familiar para mim.
O que não deixava menos irritante vê-los juntos.
– Yui-chan? – disse Kaname, um pouco mais surpreso do que o normal.
A mulher abriu um sorriso quase debochado, acenando para os presentes com a mão esquerda, já que a outra estava ocupada agarrando o ombro de Louis. Ele, por sua vez, enlaçava a cintura dela como um galã de novela. Seu rosto estava quase livre de qualquer expressão, ele olhava fixamente para a mesa. Engoli em seco, respirando fundo.
– Falando em incomodar. – disse Tsubaki, bufando – Tchau para vocês.
Ele levantou-se quase na velocidade da luz, piscou uma vez para mim e saiu, misturando-se com as pessoas da festa em questão de segundos. Franzi o cenho, Ema fez o mesmo. Nos entreolhamos, confusas. Olhei em volta, vendo que todos os Asahina faziam algum tipo de preparação, como um ritual. Natsume e Azusa respiraram fundo, desviando o olhar para algum ponto qualquer. Yusuke e Subaru se entreolharam, o ruivo riu e sacudiu a cabeça. Masaomi e Ukyo suspiraram, olhando para os demais como se os repreendessem silenciosamente. Hikaru olhava para Louis com um sorriso misterioso, seus olhos pareciam soltar faíscas. Kaname ainda estava surpreso, mas sorria para os recém chegados. Fuuto não estava ali, então fiquei sem saber qual seria sua reação. Suspirei, encarando minhas unhas outra vez.
– Vamos sentar, amor. – disse Yui, sorrindo para Louis.
Ele sorriu de volta, um sorriso quase frio. Yui fez menção de vir na direção da cadeira que Tsubaki deixara livre, mas Subaru foi mais rápido. Ele nem parecia pensar, apenas sentou-se ao meu lado, deixando a cadeira perto de Ema vaga. Minha irmã pareceu murchar um pouco, aquilo me faria rir, se eu não estivesse tentando controlar meus batimentos. Olhei para o jogador ao meu lado, em busca de respostas. Ele nem se mexeu, apenas cruzou os braços. Sorri, soltando um suspiro de gratidão.
– Subaru. – disse Ukyo, como uma advertência.
Meu irmão respirou fundo, ignorando o mais velho da melhor forma que pode. Yui deu uma risadinha, dando de ombros.
– Tudo bem. – disse, quase cantando – Uma vez ogro, sempre ogro.
Trinquei os dentes, flexionando os dedos como uma leoa. Natsume prendeu o riso com aquilo, sua mão tocou as minhas.
– Calma, gatinha. – ele disse.
Precisei respirar fundo, mas consegui me acalmar. Louis me ignorava por completo, levando sua acompanhante para sentar. Ele ficou ao lado dela, que ficou ao lado de Ema. Estava a apenas um Subaru de distância de mim, eu podia sentir o cheiro de seu perfume. Prendi a respiração, inclinando-me na direção de Natsume quase imperceptivelmente.
– Não sabia que tinha voltado, Yui-chan – disse Kaname.
Ela sorriu para ele, agarrando a mão de Louis.
– Faz pouco tempo, ainda não falei com todo mundo. – ela disse – Encontrei Louis por acaso naquela festa de Halloween, da Mae.
– Estão juntos desde então? – Masaomi perguntou.
Ela negou com a cabeça, sorridente.
– Não faz muito tempo que voltamos, mas está sendo como se eu nunca tivesse viajado. – ela disse – Fora que Louis não mudou nada, foi fácil me apaixonar por ele de novo.
– Ele não mudou nada mesmo, continua tendo um péssimo gosto. – disse Yusuke, lançando-me um olhar estranho – Eu bem que pensei que ele tinha melhorado, mas devo ter errado aí.
– Yusuke. – advertiu Ukyo, sério.
Yui apenas riu, dando de ombros. Louis não disse nada, apenas olhou-me pelo canto dos olhos. Congelei, ele deu um pequeno sorriso, encarando Yusuke de forma quase fria.
– Se meu gosto não tivesse melhorado, eu ainda estaria lutando por uma causa perdida como um idiota. – ele disse.
– Cuspir no prato que comeu é feio, ninguém te ensinou isso? – o ruivo rebateu, sarcástico.
Engoli em seco, sentindo meu estômago retorcer. Respirei fundo, tentando evitar os olhares de quem me encarava. Sentia falta de Tsubaki e Fuuto nesses momentos.
– E ninguém te ensinou a não se meter na vida alheia, moranguinho? – disse Yui.
Yusuke lançou um olhar assassino a ela, cruzando os braços.
– Nossa educação foi precária, não pode ver que o Louis nunca aprendeu a diferenciar uma boa garota de uma piranha? Ele sempre acaba escolhendo a pior opção. – ele disse.
Subaru prendeu o riso, Ukyo bateu na mesa.
– Yusuke Asahina, se disser mais uma palavra, ficará de castigo pelos próximos dois meses! – disse o loiro.
Yusuke bufou, erguendo-se da mesa.
– Chega, eu não preciso ficar aqui. – ele disse.
– Yusuke-kun! – disse Ema, quase exasperada.
Pela primeira vez na vida, o ruivo ignorou a garota. Arregalei os olhos, vendo-o sumir na festa, assim como Tsubaki. Meu coração pulou uma batida, engoli em seco. Os dois mais velhos da família respiraram fundo, Kaname assistia tudo com uma expressão surpresa no rosto.
– Yu-chan ainda se comporta assim com você? Ninguém nessa família amadureceu? – ele disse.
Yui bufou, sorrindo para o monge.
– Eu nunca me importei com isso, o único Asahina que eu preciso agradar já é apaixonado por mim. – ela disse.
Subaru deu uma gargalhada, sacudindo a cabeça. Arregalei os olhos, assim como Ema, Natsume, Kaname, Masaomi e Ukyo. Azusa abafou uma risada, sacudindo a cabeça para o irmão. Hikaru riu, dando um gole em seu champanhe. Ele estava em silêncio desde a chegada do casal, eu tinha medo do que se passava naquela cabeça ruiva. Louis não reagiu, apenas fugiu do olhar de Kaname.
– Uau, vocês já estão nessa etapa de novo? – ele disse, rindo – Posso avisar mamãe de que terá outro casamento na família?
Azusa engasgou-se com seu vinho, Natsume deu duas tapinhas nas costas do gêmeo. Respirei fundo, fechando os olhos para me manter calma. Queria minha cama, só isso.
As luzes do salão se apagaram, fazendo com que todos dessem um leve grito de susto. Dei um pulinho, agarrando a mão de Natsume sem querer. Ele riu baixinho, entrelaçando nossos dedos.
– Todos prontos para o show? – Disse uma voz.
Os holofotes se acenderam, focando na passarela que cortava o salão. Iluminada pelas luzes coloridas, estava a mãe Asahina. Todos soltaram exclamações de admiração, ela estava linda. Abri um sorriso, quase sem ar. Miwa sorriu para a plateia, abrindo os braços.
– Sejam bem vindos a festa do ano. Hoje, mostraremos a coleção outono-inverno que mistura a elegância japonesa e o romance francês. Esse projeto revolucionário é apenas o começo, a moda nunca mais será a mesma depois dessa noite. – ela disse – Que o amor das marcas mais conceituadas da atualidade encha seus corações, a noite é apenas uma criança.
As pessoas começaram a aplaudir, não pude deixar de fazer o mesmo. Minha mãe sorriu, fazendo uma mesura e indo até o fim da passarela. Assim que ela sumiu, uma música agitada e romântica começou a tocar em volume tão alto que eu mal podia ouvir meus pensamentos. Arquejei assim que a primeira modelo começou a desfilar, arrancando suspiros e arquejos de quase todos os presentes. Olhei para Natsume, estupefata.
– Nossa mãe é incrível! – falei.
Ele franziu o cenho, inclinando-se em minha direção.
– O que é horrível? – perguntou, gritando.
Soltei uma gargalhada, ele esperou.
– Nada, absolutamente nada! – falei.
Ele ergueu uma sobrancelha, ri mais ainda. Desviei meu olhar até a passarela outra vez, encantada com as modelos lindas que passavam por ali. Então um desfile profissional era assim. Eu podia entender perfeitamente a paixão que minhas mães, biológica e adotiva, tinham por moda. Sempre amei assistir concursos de beleza e desfiles pela televisão, mas nunca vira nada que se comparasse àquilo. Era lindo. Ganhou meu coração. Queria que minha mãe estivesse aqui, eu seguraria sua mão, choraríamos juntas de emoção.
Senti a mão de Natsume apertar a minha, mas quase não foi o bastante para desviar minha atenção. Desviei o olhar da passarela, olhando para seu rosto em busca de respostas. Ele encarava um ponto fixo ao meu lado direito, quase desgostoso. Segui seu olhar, meu coração parou.
Yui estava praticamente no colo de Louis, aproveitando que ninguém os via para beijar seus lábios como se não houvesse amanhã. Ele segurava sua cintura com força, puxando-a para si. Se beijavam com fome, desejo... Paixão. Uma paixão que ele nunca demonstrara antes, era quase como se meu irmão fosse outra pessoa. Alguém que eu nunca vira antes.
Aquilo durou minutos, quase uma música inteira. Eu não conseguia parar de encarar, era como se meu corpo tivesse virado pedra. Eu não sentia nada, estava completamente entorpecida. Um meteoro podia cair na minha cabeça, eu podia levar uma facada na barriga, uma cachorro gigante podia engolir minha mão... Eu não sentiria nada. Meu coração parecia nem bater, tinha virado pedra. Não consegui desviar o olhar, nem mesmo quando eles se separaram e Louis olhou na minha direção. Nosso olhar se encontrou, meus pelos se eriçaram. Ele respirava com força, ofegante. O batom vermelho de Yui havia manchado seus lábios, ele parecia um vampiro faminto. Seus cabelos estavam bagunçados, ele parecia selvagem. Não consegui respirar até perceber que ela também olhava para mim, sorrindo maldosamente.
Queria ter certeza de que eu estava vendo.
Respirei fundo, trincando os dentes. Desviei o olhar, engolindo em seco. Tinha um bolo em minha garganta. Meus olhos ardiam. Meu coração doía. Onde havia parar meu orgulho? O que estava acontecendo comigo? Não era da minha conta, eu não precisava ver aquilo. Não era surpresa alguma para mim, eu já tinha visto milhares de beijos. Já tinha dado milhares de beijos.
Por que doía tanto?
– Engole o choro, você é melhor do que isso. – disse uma voz forte.
Só percebi que Yusuke voltara naquele momento, já que ele sussurrara aquilo na minha orelha. Respirei fundo, sentindo o ruivo recuar e voltar de onde tinha vindo, como um fantasma. Olhei em volta, percebendo que Azusa, Subaru, Natsume e Kaname olhavam para mim, esse último estava sério como eu nunca o tinha visto. Engoli em seco, fechando os olhos por um segundo. Sentia meu rosto queimar de raiva, como se eu estivesse prestes a explodir. Respirei fundo, absorvendo as palavras de Yusuke como se fosse uma esponja. Aquilo não era um jogo? Só crianças choram quando estão perdendo.
Ergui o olhar até a passarela, respirando fundo mais uma vez. Engoli tudo que sentia, empurrando aquela maré de sentimentos para um canto escuro e distante na minha mente. Deixei que a música agitada e o caminhar das modelos me levassem para longe, como se nada mais tivesse importância. Tentei pensar em qualquer coisa, deixando o desfile como uma plano de fundo. Minha respiração era forte, controlada. Cada terminação nervosa do meu corpo parecia estar hipersensível, eu quase era capaz de sentir meu fluxo sanguíneo. Meu coração batia com força, competindo com a música para ver quem explodia meu cérebro primeiro. Sinceramente, eu estava torcendo para a música. Meu coração não era confiável, eu constatara aquilo alguns minutos atrás. Respirei meu orgulho ferido, tentando restituir a dignidade que me restava. Foi quando o vi.
Lindo. Andando em um ritmo decidido, confiante. Olhava para frente, sua cabeça estava erguida. Seus cabelos sacudiam com seu andar, como os galhos de uma árvore ao serem tocados pela brisa noturna. Seus olhos fixaram-se nos meus, intensos. Nossa mesa estava bem na frente da passarela, ele caminhava em minha direção. Um príncipe, um anjo. Meu olhar ficou firme, cada centímetro do meu corpo estava envolvido. Minha respiração parou, meu coração acalmou seus batimentos violentos. Aquele rosto perfeito voltava-se para mim, aqueles olhos encaravam os meus. Como se nenhuma plateia nos separasse, como se ele tivesse sido feito para mim. Soltei um suspiro, completamente perdida, presa em seu encanto. Devagar, os cantos de seus lábios se mexeram. O rosto inexpressivo de Iori agora estava cheio de algum sentimento que não pude distinguir. Era quente, me tirou o fôlego.
– Ele nunca sorriu em um desfile! – ouvi Masaomi dizer, surpreso.
Ukyo disse alguma coisa, mas eu estava distraída demais para ouvir. Iori parou ao fim da passarela, enfiando a mão no bolso da calça que usava e girando o corpo para o lado. Seu sorriso acalmou-se em algo mais cálido, confiante. Ele olhava diretamente para mim, como se estivesse tentando estabelecer uma conexão mental entre nós. Sorri, levemente ofegante. O príncipe ampliou aquele sorriso, mas foi só por um segundo. Como o profissional que era, Iori voltou a exibir aquela expressão neutra, virando de uma vez e voltando de onde tinha visto. Pude ver sua bunda enquanto se afastava, mordi o lábio.
Meu coração parecia ter sido acendido. Incendiando-se como uma floresta de árvores secas em um lugar abandonado. Tudo de ruim que eu sentira momentos atrás parecia ter sido queimado, deixando suas cinzas no lugar onde estavam. Se um vento soprasse, elas iam embora, não deixando evidência alguma de que um dia estiveram ali. Aquele incêndio deixaria marcas, daquilo eu tinha certeza.
Iori não voltou à passarela. O desfile continuou, outros modelos entraram e arrancaram o ar das mulheres presentes. Eu assisti tudo até o final, sem desviar o olhar da passarela uma única vez. No fim, Miwa voltou e fez outro discurso. Fora tão bom quanto o anterior, mas eu não me entusiasmara muito, estava presa demais ao encanto de Iori para me concentrar em outra coisa. Meus irmãos começaram a conversar entre si assim que o desfile acabou, uma música romântica começou a tocar e vários casais foram dançar, iniciando a festa dos namorados. Eu estava alheia a tudo que acontecia ao meu redor, apenas encarava a mesa e respirava. Minha cabeça balançava devagar, eu diria que estava seguindo o ritmo da música, se eu sequer estivesse prestando atenção nela. Senti algo tocar minha mão, ergui o olhar muito lentamente.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Gostou do desfile? – Natsume perguntou.
Seus dedos escorregaram por entre os meus, esquentando minha mão. Sorri de leve, assentindo devagar. Ele sorriu de volta, um pouco curioso.
– Você está bem? – ele disse.
Assenti, devagar como se minha cabeça fosse cair. Natsume ergueu uma sobrancelha, sorrindo de lado.
– Está com sono? – ele perguntou.
Neguei com a cabeça devagar, sentindo um sorriso bobo nascer em meus lábios. Nem eu sabia explicar o que estava sentindo, era uma mistura de serenidade e agonia, mas não incomodava. Talvez eu estivesse no limbo outra vez, era quase como se estivesse bêbada.
– Ficou encantada com os modelos? Pensei que seu namoradinho desse conta do recado, mas parece que você é mais insaciável do que o normal. – disse Yui, lançando-me um olhar venenoso.
E lá estava eu fora do limbo outra vez. Arregalei os olhos, ofegando. Todos os presentes tiveram a mesma reação, Hikaru até se engasgou com sua bebida. Trinquei os dentes, quase rosnando de raiva. Fiz minha melhor expressão fria, ela esperava por minha resposta com um brilho perverso no olhar.
– Meu namorado “dá conta do recado” sim, não pode ver que eu não preciso me meter na vida de ninguém para tentar me satisfazer, ao contrário de você? – cuspi, dura.
Natsume, Ema, Ukyo, Masaomi e Azusa ofegaram, surpresos. Subaru tossiu, uma tentativa descarada de encobrir uma risada. Kaname e Hikaru não foram tão discretos, ambos começaram a rir. Esse último me olhava como se eu estivesse coberta de ouro, ignorei aquilo. Louis lançou-me um olhar surpreso e indignado ao mesmo tempo, ignorei aquilo também. Minha guerra não era contra ele agora.
– Hey! Foi só uma brincadeira! – disse Yui, rindo e erguendo as mãos em sinal de rendição – Não precisa me tratar assim. Somos uma família agora, eu quero ser sua amiga.
Revirei os olhos, tentando não soltar um palavrão em espanhol. Cruzei os braços, desviando o olhar até a mesa de bebidas.
– Você não é da minha família, nem nunca vai ser. – resmunguei.
– Ninguém pediu sua opinião, nem que você fizesse parte da nossa família. – disse Louis, encerrando seu silêncio.
Foi como se eu tivesse recebido um soco de uma luva de aço. Respirei fundo, tentando não parecer alguém prestes a vomitar. Natsume lançou um olhar assassino a Louis, desviei o olhar até meus braços.
– Então, sinta-se à vontade para agir como se não me conhecesse. – falei.
Ele riu, uma risada cheia de escárnio. Louis fixou seu olhar no meu rosto, meu olhar encontrou o dele. Sua expressão era dura, fria como gelo.
– É isso que eu estou fazendo, caso não tenha percebido. – ele disse – Não sou homem voltar atrás, acho que você lembra exatamente o motivo de tudo estar assim.
Devo ter transparecido a dor que senti pelo olhar, já que nossos espectadores alternaram-se entre me olhar com pena e fuzilar Louis com os olhos. Azusa abriu a boca para dizer alguma coisa, mas meu corpo foi mais rápido. Bati na mesa com as duas mãos, dissecando o rosto de Louis com os olhos.
– Quem foi que perguntou que tipo de homem você é? Até mesmo um criminoso tem mais honra. – rosnei, respirando com força.
Ele arquejou, lançando-me um olhar frio.
– Quer mesmo falar sobre honra? – disse.
Trinquei os dentes, sentindo meu interior ferver. Joguei meu corpo contra o encosto da cadeira, cruzando os braços acima do peito. Louis me encarava, como se me desafiasse a falar mais. Dei um sorriso debochado, sacudindo a cabeça.
– Parem com isso, os dois. – disse Masaomi, soltando um suspiro pesado – Eu não sei o que aconteceu entre vocês dois, mas ambos deviam ser maduros o suficiente para guardar seus acessos de raiva para quando estiverem sozinhos, ninguém é obrigado a ouvir isso.
Ukyo assentiu, lançando-me um olhar de aviso.
– Pare de dizer que não pertence à nossa família, você é tão filha da nossa mãe do que qualquer outro aqui. – ele disse.
Meu coração pulou uma batida, engoli em seco. Senti meus ombros pesarem, respirei fundo para não desmanchar em lágrimas. Assenti, incapaz de dizer qualquer coisa, não confiava na minha voz. A expressão do loiro se suavizou um pouco, ele respirou fundo. Ukyo olhou para Louis, recuperando sua expressão de aviso.
– E você, respeite nossa irmã. Ela é da família, então aja como um adulto e reconheça isso. – ele disse.
O mais novo apenas respirou fundo, desviando o olhar até a mesa. Tentei não encarar seu rosto, mas podia sentir que ele estava se segurando para não olhar para mim. Muitas coisas deviam estar passando por sua cabeça, ele resolveu ficar calado. Desviei o olhar até a mesa, respirando fundo. Fechei os olhos por um segundo, soltando um suspiro pesado. Senti a perna de Subaru me chutar por debaixo da mesa, ofeguei. Abri os olhos, olhando para ele em busca de respostas. Ele apenas me encarou de volta, calado. Nosso olhar se encontrou, pisquei. Seu rosto ficou vermelho, mas ele continuou me encarando. Senti um sorriso se abrir em meu rosto, estava rindo em questão de segundos. Sacudi a cabeça, deitando minha cabeça em seu ombro por um segundo. Não vi seu rosto com clareza quando me afastei, mas tive a impressão de ver um sorriso tímido em seus lábios. Aquele era seu jeito de me dar apoio.
– Boa noite, família Asahina. – disse uma voz.
Senti meus pelos se eriçarem, ergui o rosto. O modelo mais lindo que eu já vira na vida estava parado atrás de mim, olhando-me com aqueles lindos olhos cor de aveia. Meu coração acelerou seus batimentos, mordi o lábio de leve. Ele sorriu para mim, encarando meus olhos intensamente.
– Iori! Que bom que veio, parabéns pelo desfile. – disse Ema, animada.
O príncipe desviou o olhar do meu para olhar para ela, senti uma leve sensação de abandono.
– Obrigado, Ema. Se me permite dizer, você está encantadora hoje. – ele disse.
Ela corou, soltando uma risadinha delicada. Sorri de leve, ela era uma verdadeira dama.
– E quanto a mim, não mereço um elogio? – disse Yui, sorrindo para o príncipe.
Engoli em seco, como se tentasse engolir uma bola de fogo. Iori sorriu educadamente para ela, tentei não me irritar com aquilo.
– Você está fantástica hoje, Senpai – ele disse.
Ergui uma sobrancelha, Ema fez o mesmo.
– Senpai? – minha irmã disse, um pouco confusa.
Iori pousou a mão esquerda em meu ombro, senti um arrepio me tomar.
– Yui é modelo. Foi ela quem me introduziu ao mundo da moda, fui seu kouhai durante três anos. – esclareceu, simplesmente.
Ótimo, as conexões não tinham fim. Suspirei, atraindo a atenção do príncipe para mim. Tentei não corar, não deu certo. Ele abriu um sorriso cheio de ternura, perdi o ar.
– Se alguém me perguntasse como é a imagem da perfeição, eu te descreveria com o maior prazer do mundo. – ele disse.
Arquejei, soltando uma risadinha sem graça. Ele sorriu ainda mais, afagando meu ombro com sua mão. Os irmãos presentes fuzilaram-no com os olhos, mordi o lábio.
– Obrigada, Iori. – falei, respirando fundo – Você é tão incrível na passarela quanto no jardim, meus parabéns.
Ele riu, charmoso. Sorri, esfregando minhas pernas para mantê-las aquecidas. Aquilo não pareceu passar despercebido a ele, Iori lançou-me um olhar divinamente encantador.
– Posso ajudar com isso? – ele disse.
Pisquei, erguendo uma sobrancelha. Ele riu da minha reação, soltando meu ombro. Sorrindo de forma carinhosa, meu modelo favorito postou-se ao meu lado, esticando a mão para mim.
– Me daria a honra de ter essa dança, senhorita Kazama? – disse, sorrindo de lado.
Meu coração pulou uma batida, arquejei. Tentei não olhar em volta, não queria encarar diretamente nenhum dos lindos homens que me encaravam. Sorri, mordendo o lábio.
– A honra seria toda minha, Sr. Asahina. – falei.
Ele abriu um sorriso torto lindo demais para ser possível, perdi o ar. Iori fez uma mesura para mim, olhando-me fixamente.
– Venha, minha linda dama. – ele disse.
Sorri, erguendo-me da cadeira de forma rápida e deselegante. Subaru e Hikaru abafaram risadinhas, deixei aquilo de lado. Natsume e Azusa exibiam as mesma expressões de desagrado, enquanto os dois Asahina mais velhos pareciam surpresos com o que viam. Ema sorria discretamente, olhando para nós como se fôssemos um casal apaixonado. Yui fazia um bico estranhado, Louis estava inexpressivo. Ignorei aquilo tudo, colocando a mão na de Iori de forma suave. Ele sorriu, olhando em volta com um brilho misterioso nos olhos.
– Com licença. – ele disse, dirigindo-se ais irmãos ainda que nem olhasse na direção deles.
Prendi uma risadinha, abrindo um sorriso alegre. Iori puxou-me delicadamente, deixei que meus pés me guiassem. Saímos da área das mesas, entrando na pista de dança depois de alguns passos. Iori desviava educadamente das pessoas, eu tentava fazer o mesmo. O caminho por onde passáramos parecia se iluminar, cabeças viravam para encarar o homem que me acompanhava. Encarei o chão, tentando não me sentir menor do que já era. Ele parou quase no centro do salão, onde não tinha nenhum casal dançando. Respirei fundo, parando diante dele. O príncipe abriu um sorriso contido, quase orgulhoso. Sorri de leve, engolindo em seco de leve. Sua mão encontrou minha cintura, dando um aperto carinhoso no lugar. Sua outra mão segurou a minha, posicionei minha mão livre em seu ombro. O tecido de seu terno recém trocado era muito macio, senti como se estivesse tocando em um algodão-doce.
(música)
Antes que pudéssemos começar, a música parou. Arquejei, surpresa. Iori olhou para a mesa do DJ, franzindo o cenho. Sua expressão se suavizou depois de um segundo, ele abriu um sorriso lindo. Olhei para a mesa do DJ, encontrando Miwa com as mãos nos aparelhos. Antes que pudesse esboçar minha surpresa, ela abriu um sorriso torto, selecionou uma nova playlist e piscou marotamente para mim. Imediatamente, uma música romântica e lenta começou a tocar, fazendo com que as moças mais jovens dessem suspiros e ofegos surpresos. Sorri, estupefata. Um aperto firme em minha cintura me fez despertar, olhei para os olhos aveia diante de mim. Ele sorriu, satisfeito. Sorri de volta, sentindo meu rosto esquentar na mira daquele olhar aquecido. Seu corpo começou a se mover, guiando o meu para uma dança serena e cheia de intenções mascaradas. Meu corpo pareceu esquentar de uma hora para outra. Meus sistemas deviam estar tentando conter a alegria que crescia em meu peito. Eu já tinha dançado com Natsume, mas dessa vez era diferente. Eu podia sentir o sentimento que Iori nutria por mim em cada movimento que ele fazia. Nossos corpos se esbarravam lentamente, como em uma dança íntima. Eu podia sentir os músculos de seu corpo se contraírem quando nos tocávamos, assim como os meus, como se estivéssemos eletrocutando um ao outro. Seus olhos faiscavam, encarando os meus de forma fixa. Minha boca estava entreaberta, como se meu fôlego estivesse escapando por entre meus dentes. Engoli em seco, dando um sorriso tímido e desviando o olhar. Iori riu silenciosamente, apertando minha cintura com mais carinho. Deixei meu olhar vagar pelo salão, tentando ignorar os olhares em nossa direção. Os outros casais continuavam dançando, embora olhassem para nós. As pessoas nas meses faziam o mesmo, algumas garotas soltavam suspiros sonhadores. Suspirei, sorrindo de leve. Eu devia estar realizando o sonho de todas elas, que garota nunca sonhou em dançar com um príncipe lindo como aquele?
Meu olhar caiu sobre a mesa da família. Quase todos olhavam para nós, com diferentes expressões. Kaname estava visivelmente surpreso, embora seu olhar parecesse um pouco alarmado. Masaomi parecia feliz, quase orgulhoso do que via. Ukyo estava quase do mesmo jeito, porém parecia um pouco surpreso. Hikaru tinha um sorriso torto quase tão maligno quanto o de Miwa, seus olhos brilharam quando nosso olhar se entrou. Desviei o olhar rapidamente até os gêmeos, que tinham expressões inexpressivas copiosas. Natsume parecia um pouco duro demais, enquanto Azusa parecia um pouco triste. Mordi o lábio, sentindo meu coração se apertar de leve. Meu olhar encontrou o de Subaru, que apenas deu um meio sorriso engraçado. Prendi o riso, notando que Ema praticamente desmaiava de emoção ao lado de Yui. Essa, por outro lado, não parecia nada emocionada. Seu olhar fuzilava meu rosto, sua boca estava retorcida em um bico estranho. Estaria ela com ciúmes?
Abri um sorriso torto, contente com aquele pensamento. Ainda eu não entendesse o motivo daquela reação, era bom saber que eu podia proporcionar a ela pelo menos uma parte do que eu sentia quando ela chegava perto de Louis. Eu não me orgulhava disso, mas ficara feliz por isso.
Minha alegria durou até Yui se inclinar e cochichar alguma coisa na orelha do namorado, que travou o maxilar. Eles trocaram um longo olhar, até ele suspirar, abrir um pequeno sorriso e encostar suavemente os lábios nos dela. Foi um beijo gentil, quase carinhoso. Os lábios dele acariciavam os dela bem devagar, curtindo o momento. Ela fazia o mesmo, parecendo explodir de felicidade. Soltei um suspiro, desviando o olhar até o chão.
– Não se perca seu tempo com isso. – Disse Iori.
Ergui o olhar até seu rosto, franzindo as sobrancelhas. Ele olhou nos meus olhos, levemente desapontado com alguma coisa.
– Eles não parecem felizes. – Ele disse.
Suspirei, desviando o olhar até sua gravata.
– Iori... – Comecei.
Ele apertou minha mão de leve, me calando. Esperei, ainda evitando seu olhar.
– Louis não é a pessoa mais madura do mundo quando o assunto é relacionamentos. – Disse. – Lembro da época em que eles terminaram, ele não atendia os telefonemas dela de propósito, era horrível assistir.
Senti meu coração se apertar de curiosidade, mas tentei não transparecer isso. De alguma forma, Iori parecia ter lido minha mente. Suspirando, ele me girou uma vez na dança já não tão romântica assim.
– Yui recebeu uma proposta para estudar em uma faculdade moda em Paris, já que era muito talentosa na época. Ela nem hesitou, ainda que amasse Louis e tivesse uma ótima carreira no Japão. Ele tenta mostrar o contrário, mas crescemos juntos, sei que ele nunca a perdoou por isso. – Contou, dando uma pequena pausa para respirar fundo. – Dois meses depois de sua partida, ela começou a tentar contato com ele de novo, mas Louis evitou isso o máximo possível. Ela conseguiu me contatar, só para dizer que sentia saudades de casa, e que seu intercâmbio ia durar mais do que ela imaginava. Ela pediu para que eu dissesse a Louis que ela o queria por perto, ou seja, ela o convidou para morar com ela.
Ofeguei, um pouco surpresa. Iori esperou, devia saber que eu queria dizer algo. Respirei fundo, tentando me recompor.
– Eles eram próximos assim? – Perguntei.
Devo ter soado mais decepcionada do que queria, já que pude ver que meu príncipe franziu as sobrancelhas em uma expressão triste. Engoli em seco, sentindo uma pontada em meu coração.
– Sim, eles eram. – Ele disse. – Louis era jovem na época, mas parecia realmente querer um futuro com ela. Mas ele negou a proposta de Yui, passou a se dedicar mais ao trabalho e voltou a ser o mesmo de sempre depois de um tempo. Ele até chegou a confessar que pensou em ir, mas soube de alguma forma que devia ficar aqui, pois as coisas não dariam certo. Foi melhor assim, para todos.
Suspirei, desviando o olhar até o salão.
– Mas eles voltaram. – Falei.
– Sim, é verdade. – Disse Iori. – Mas ele não parece satisfeito por isso, já que ama você.
(música)
Meus pelos se eriçaram, engoli em seco. Ergui o olhar, arregalando um pouco os olhos. O olhar de Iori estava lá para me receber, a aveia queimando dentro daqueles olhos.
– Não me orgulho de me sentir assim, mas estou satisfeito com a distância entre vocês. Sei que Louis está enganando a si mesmo ao tentar amar outra pessoa, mas estou satisfeito. – Ele disse, olhando intensamente em meus olhos. – Estou satisfeito, já que também amo você.
Parei de respirar, ofegando. Meu coração pulou uma batida, acelerando seus batimentos logo em seguida. Era a primeira vez que ele dizia que me amava com todas as letras, e meu corpo não fez nada além de agir como se retribuísse aqueles sentimentos. Iori inclinou o rosto em minha direção, puxando meu corpo para si. Seu aperto em minha cintura ficou mais firme, intenso. Seu olhar devorava minha expressão, sua boca parecia se mover bem devagar, como se estivesse morrendo de sede, e estivesse encarando um copo de água gelada. Minha boca ficou entreaberta, já que estivera sem respirar durante esse tempo. Ofeguei outra vez, sentindo meu corpo esquentar por completo.
Ouvi a música mudar em algum lugar no fundo da minha mente, mas aquilo quase me passou despercebido. Aparentemente, eu era a única a não dar atenção àquilo. Iori respirou fundo, colando nossos corpos e me guiando para uma dança completamente diferente de tudo que eu já tinha visto. Até esqueci que não sabia dançar muito bem, já que meu corpo parecia estar se mexendo sozinho. Minhas pernas rocavam nas dele, deixando-nos tão próximos quanto eu julgava ser possível. O calor dele parecia cozinhar meu corpo, cada pedacinho de pele exposto em mim parecia estar sendo sugado por ele. Ficamos daquele jeito, dançando e nos tocando de forma quase imprópria durante muito tempo. Para falar a verdade, o tempo nem deveria estar passando. Pernas, ventres, braços... Tudo estava em contato, e tudo parecia queimar. Os olhos dele pareciam estar em chamas, enquanto meu rosto estava da mesma forma. Minha garganta ficou seca, minha respiração ficou pesada. Estar perto dele se tornou necessário para que meu coração continuasse a bater, e para ser sincera, eu ainda ia querer continuar aquilo mesmo se não precisasse.
Devagar, os passos de Iori foram desacelerando. Seus dois braços enlaçaram minha cintura, içando meu corpo para cima. Ofeguei enquanto ele me tirava do chão, girando meu corpo no ar em um círculo completo. Meu corpo todo roçou no dele quando o príncipe me pôs no chão outra vez, levando o resto do ar que ainda jazia em meus pulmões. Minhas pernas tremiam um pouco, meu peito se movia com força em busca de ar. Nosso olhar se encontrou, engoli em seco. Iori abriu um sorriso torto, inclinando-se em minha direção, uma reverência. Sua mão tomou a minha, seus lábios depositaram um beijo lento em minha pele. Sua boca estava quente, ofeguei. Com uma elegância incrível, o príncipe voltou a ficar ereto. Seus olhos faiscaram na minha direção, paralisei.
– Obrigado pela dança, Senhorita Kazama. — Ele disse.
Minhas pernas tremeram com mais força, senti meu coração parar por um segundo. Iori abriu um sorriso enorme, tomando minha mão para beijá-la novamente, enquanto quase todas as pessoas do salão olhavam para nós. Algumas até aplaudiam, Miwa, Hikaru e até Yusuke no meio. Vi meu pai olhar de forma firme para Iori, mas a única coisa que eu conseguia sentir era um calor enorme.
Mais forte em lugares extremamente inapropriados.
IMAGEM ESPECIAL (COMO EU SENTI FALTA DISSO).
Iori Asahina (...Me abanem).

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