The New Girl in the House

43 Desespero - Especial de férias


Notas iniciais
... ...É isso mesmo? Eu tô postando assim tão rápido? ... ...Tô até com medo. ... OIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! COMO ESTÃO? É ISSO MESMO, OUTRO CAPÍTULO! NEM ACREDITO, SOCORRO. DEUS, MUITO OBRIGADA! Nem sei o que escrever aqui, minha inspiração ficou toda no capítulo, huehuehuehue. Eu nem ia postar hoje, mas umas três senhoritas pediram tanto que eu não aguentei. Não é, dona Isabel? Dona Kellen? DONA BIANCA???? Esse capítulo é um presente para vocês, espero que gostem. Muito obrigada pelos comentários no capítulo anterior, mesmo que eu nem tenha dado tempo para as idéias se aquietarem nas cucas de vocês. Escrevi isso aqui tão rápido que nem sei o que dizer, de verdade. Vamos orar para que as coisas continuem assim, ou minhas férias acabam e eu me ferro em mais um ano corrido pakas. Eu escrevi muito rápido e nem revisei pra ver se tinha algum erro, se acharem algum, perdoem a tia. Bom, o que dizer sobre esse capítulo que mal terminei e já estou postando pakas? Está bem calminho, bem paradão. Nem se preocupem, esse vai dar até sono. Sobre a música... Uma coisa linda que eu não consigo ouvir sem chorar como um bebê. As directioners piram, kkkkk. Todas relaxadas? Então aí vai o capítulo *u* Lembrando que a narração está corrida já que a Nina mal teve tempo de pensar, então não vão pensar que é negligência da minha parte. Só estamos tentando passar isso para vocês. Sim, eu disse "estamos". A Nina e eu, quero dizer. Ela fala na minha mente, sabem como é... Mãe, me leva no psiquiatra? Imagem de hoje, alguém que todas vocês amam por ter uma namorada tão meiga.

Abri a porta do quarto, tentando ser silenciosa. Estava um pouco cansada da viagem, e ainda precisei dar um jeito de enfiar todas as roupas que Hikaru enfiara na minha mala dentro do armário. O quarto que eu pegara era ótimo, eu tinha espaço para fazer minhas coisas sem incomodar meu irmão ruivo. Também tínhamos nosso próprio banheiro, o que nos fez ter uma breve discussão sobre quem tomaria banho primeiro. Como eu ficara o dia todo dentro de um carro, consegui fazer seu coração amolecer um pouquinho ao dizer que estava com dor de cabeça e queria deitar. Mas eu não estava com dor de cabeça, e ele percebeu isso no momento em que eu peguei meu celular e comecei a gritar quando percebi que Hikaru postara tudo que filmara e fotografara hoje nas redes sociais. E, claro, eu estava ridícula em todos os momentos.

Yusuke roncava audivelmente em sua cama, o que não me incomodara até a hora que eu decidi dormir. Eu tinha tentado cair no sono durante duas horas, tempo suficiente para super que eu era a única da casa a estar acordada. Todos estavam cansados, e depois de comer bastante, cada um foi para seus respectivos quartos. Menos Tsubaki, Kaname, Hikaru e Ukyo, esses ficaram conversando em uma das varandas com duas uma garrafa de vodka. Fuuto não dera as caras nem na hora de jantar, eu começara a suspeitar que ele fugira pela janela de seu quarto e dera um jeito sair da propriedade sem ser percebido. Essa teoria foi rapidamente descartada quando Wataru entrou no quarto para pegar a carteira de Masaomi, que lhe pedira esse favor, e sair de lá correndo, rindo e chorando ao mesmo tempo. Fora um baita primeiro dia.

Bocejei, levemente sonolenta. Caminhei pelo corredor devagar, descalça para não fazer barulho. Todos estavam cansados, eu queria respeitar aquilo. Acabei demorando mais do que gostaria para chegar na cozinha por causa disso, mas não me importei. Acendi as luzes, piscando um pouco por conta da claridade. Dirigi-me à geladeira, abrindo as portas assim que consegui. Abri um grande sorriso quando localizei um pote de sorvete de chocolate, pegando-o sem pensar duas vezes. Catei uma colher em uma das gavetas daquele armário enorme, fechei a geladeira e seguir para o lugar que descobri ser o meu favorito aqui depois de apenas uma hora de estadia: a varanda da cozinha. Sentei em um dos bancos, deixando meu traseiro afundar no estofado macio. Sorri com aquilo, tudo naquela casa me fazia sentir como se eu estivesse flutuando em uma nuvem confortável. Tirei a tampa do pote, enfiando a colher nele assim que pude. Botei uma grande quantidade de sorvete na boca, soltando um suspiro.

A noite estava linda. As estrelas reinavam o cés escuro, iluminando, junto com a belíssima lua, o lugar em que eu estava. O terreno da propriedade se estendia até onde meus olhos podiam ver naquela claridade ínfima, nada nessa família pode ser comum, eu descobrira isso ao longo desse tempo. As aves noturnas faziam um barulho discreto em seus ninhos, juntando-se aos grilos naquela suave melodia norturna. Era lindo. Eu podia ver a luz delicada de alguns vagalumes perto de uma das trilhas que ligavam a casa à floresta, como se estivessem me chamando para uma caminhada. Eu até iria, se não estivesse tão confortável naquele banco. Talvez aquela floresta fosse encantada, servindo de morada às lindas fadas e ninfas que proporcionam a homens e deuses tantas fantasias românticas. Talvez elas me sevissem um banquete feito com frutas e ervas naturais, talvez até me chamassem para morar ali. Eu não era uma ninfa, como meus amigos diziam?

Ri daquele pensamento, sacudindo a cabeça. Soltei um suspiro contente, engolindo mais sorvete e deixando a cabeça tombar no sofá. Era tão bom ficar ali, eu esperava poder me mudar para cá assim que terminasse a escola e a faculdade. Ainda não sabia o que queria ser, mas queria morar em um lugar assim. Desejava aquela paz preenchendo todos os dias da minha vida.

Minha colher raspou o fundo o pote, fazendo um ruído triste demais para existir. Soltei um muxoxo, choramingando de leve. Sorvete devia ser infinito, eu queria nadar em uma piscina de sorvete. Mesmo querendo ficar ali pelo resto da vida, eu precisava me livrar daquele pote para que Wataru não surtasse quando visse que eu tomara todo os sorvete. Soltei outro muxoxo, preparando meu corpo para deixar a preguiça de lado.

– Droga de pote pequeno. – Resmunguei.

Com essas palavras, ergui-me do banco. Bufei como uma criança manhosa, dando as costas àquela linda noite para voltar para dentro da casa. A cozinha estava da mesma forma que eu deixara, graças a Deus ela era longe o bastante dos quartos para que as luzes acesas não incomodassem o sono de ninguém. Fui em direção a pia para lavar a colhar, jogando o pote vazio no fundo a grande lixeira que estava dentro de um armário isolado perto da saída. Abri a torneira, lavando a colher rapidamente para não me demorar muito. Queria voltar para a varanda, talvez até dormisse lá hoje.

Um som atrás de mim me dispertou de meus devaneios, dei um pequeno pulo de susto. Estava acostumada com a ideia de que era a única acordada, era natural ter aquela reação. Guardei a colher limpa na caveta, virando para ver quem era meu acompanhante naquela excursão noturna.

Quase caí para trás ao perceber que Louis Asahina olhava para mim, os olhos ligeiramente inchados de sono. Ele não parecia surpreso por me ver ali, nem expressava qualquer tipo de reação. Vestia seu pijama padrão, o que me fez lembrar do dia em que dormimos juntos depois de ver um filme. Aquilo parecia ser uma lembrança boa e distante, e perceber isso fez meu coração doer. Desviei o olhar, fingindo que não sentia como se algo frio estivesse espetando meu peito. Era fácil ignorar o que eu sentia com aquela situação quando eu esperava vê-lo em algum lugar, mas estar em sua presença de surpresa me pegara com a guarda baixa. Eu não estava preparada para ficar sozinha com ele.

Dei um passo em direção à saída, encarando qualquer coisa que não fosse meu irmão. Ele não se mexeu, apenas me encarou, estudando meus passos. Respirei fundo, será que ele não percebia que aquela atenção me incomodava? Era muito melhor quando ele fingia que eu não existia, já que nesses momentos eu não sentia metade do que sentia agora. Se continuássemos daquela forma, havia uma pequena chance de que meus instintos vencessem aquela batalha, e eu gritasse em seu rosto o quanto sentia sua falta. E o quanto queria que ele se ferrasse por me tratar assim.

Parei de andar, engolindo em seco. Pensar aquilo me deixara perigosamente irritada, e eu não tinha como passar, já que Louis ainda continuava parado do meio do caminho. Eu não tinha como desviar, já que seu corpo tapava a saída. Eu estava entre a cruz e a espada. Respirei fundo, tomando coragem para reconhecer sua presença e erguer o rosto. Seu olhar fixou-se nos meus olhos assim que foi possível, percebi um pouco tarde demais que estávamos muito perto um do outro.

– Com licença. – Falei.

Minha voz soou mais tensa do que eu queria, mas não era por nervosismo. Parte de mim sentia saudade dele, mas uma parte bem maior sentia raiva. Ambas as partes já tinham sofrido o bastante por causa daquele comportamento, então minha tensão era causada por um forte vontade de acertar a cabeça dele com um martelo. Louis não respondeu, nem mesmo se mexeu. Tudo que ele fez foi encarar meus olhos, encher minha visão com o tom malva de suas íris. Arquejei, deixando de lado minha postura fria e mostrando o quanto estava incomodada.

– Você está bloqueando a passagem, pode sair da minha frente? – Falei, encarando seus olhos fixamente enquanto falava.

Ele não respondeu de imediato, apenas encarou meus olhos com mais intensidade. Sustentei seu olhar com firmeza, deixando claro que não estava brincando. Sua expressão neutra se abalou por um segundo, ele soltou um suspiro discreto. Seu corpo moveu-se devagar, se eu não tivesse prestado atenção, pensaria que ele tinha flutuado. O caminho estava livre, mas eu ainda estava presa. Respirei fundo, tentando relaxar.

– Muito obrigada. – Falei, desviando o olhar até o caminho agora livre.

Dei um passo, tentando desprender meu corpo do chão. Minha tensão dobrou de tamanho, como se eu a tivesse vestindo como um casaco. Ergui o olhar de novo, percebendo um pouco tarde demais que Louis ainda encarava o meu rosto. Sua boca estava prensa entre seus dentes, ele a mordia com força. Sua expressão não estava mais neutra, agora ele parecia estar em uma batalha interna. Respirei fundo, tomando coragem.

– Você quer me dizer alguma coisa? – Perguntei.

Talvez tivesse sido dura demais, já que ele pareceu minimente surpreso com minhas palavras. Esperei, encarando seus olhos com firmeza. Louis respirou fundo, desviando o olhar. Ele não respondeu, mas tomei aquilo como a resposta que eu queria. Sacudi a cabeça, bufando e revirando os olhos ao mesmo tempo. Dei mais um passo, pronta para sair dali.

(música)

Mas não tive sucesso, já que sua mão envolveu meu pulso direito, prendendo-me no lugar. Aquilo me surpreendeu, mas não mais do que ele fez em seguida. Louis puxou-me para si, girando meu corpo e prendendo-me contra o balcão da cozinha. Arregalei os olhos, sentindo minha respiração mudar completamente. Ele não me prendeu com seu corpo, apenas apoiou a mão que não me segurava no balcão. Era como se ele me quisesse ali, mas não quisesse encostar em mim de fato. De certa forma, isso foi uma prisão ainda pior.

– O que... – Comecei, incrédula.

– Xiu. – Ele disse, apertando levemente meu pulso.

Arquejei, encarando seu rosto. Não acreditava que ele me mandara calar a boca, o que diabos tinha dado nele?

– Eu quero ir embora, me solta. – Falei.

Ele não disse nada, apenas aproximou-se mais de mim. Eu reclamara da distância entre nós, mas a proximidade era ainda mais perturbadora. Eu podia sentir seu cheiro como se nunca tivéssemos brigado.

– Não vai doer se você ficar mais um pouco. – Ele disse, encarando meus olhos.

Trinquei os dentes, rosnando baixinho. Eu não conseguia me reconhecer, tinha raiva demais no peito para ser a Nina Kazama que eu conhecia.

– Vai doer em você se você não me soltar. – Falei.

Louis soltou meu pulso, mas apenas para colocar sua mão no balcão, prendendo-me assim como a outra. Bufei, revirando os olhos.

– Certo, agora se afasta. – Falei, cruzando os braços para colocar alguma distância entre nós.

Ele não me obedeceu, apenas aproximou-se de mim mais um pouco. Meu coração pulou uma batida, engoli em seco.

– Houve um tempo em que você gostava de me ter perto de você. – Ele disse.

Meu espírito quase me abandonou, minhas pernas tremeram. Ele usara seu tom de voz suave, o que usava antes. Seu olhar estava mais suave do que das outras vezes que ele olhou depois que tudo aconteceu, ainda que suas íris mostrassem algum sentimento ruim, quase tristonho. Eu também não o reconhecia, ainda que a pessoa diante de mim fosse familiar como o som da minha própria voz. Minha boca se abriu para responder, mas não consegui dizer nada. Louis soltou um suspiro pesado, afastando-se de mim apenas alguns centímetros. Nosso olhar se encontrou, prendi a respiração.

– Até quando vamos ficar assim? – Ele perguntou.

As palavras ainda me deixavam sozinha, não tive outra reação a não ser desviar o olhar para algum lugar seguro. Aquilo não estava certo, se continuasse assim...

O que aconteceria? Esqueceríamos tudo e faríamos as pazes? Brigaríamos feio o bastante para criar um ódio eterno de ambas as partes? O que aconteceria se eu esquecesse tudo o que passamos até agora e continuasse fingindo estar com raiva dele? Deus sabe que eu não estava, claro que não. Como eu poderia?

A imagem de um beijo me veio à cabeça, e aquilo foi o bastante para me lembrar de tudo que ele havia me feito sentir. Respirei fundo, achando minha irritação outra vez. Ergui o olhar, encarando aqueles lábios, os mesmos que beijaram uma garota na minha frente só para me provocar. Abri um meio sorriso sarcástico, encarando seus olhos com frieza.

– Isso está te incomodando? Eu achei que você estava muito bem, está até namorando. – Falei, rindo pelo nariz. – Não foi isso que você pediu? Que eu fosse feliz com a minha escolha, já que você ia tentar ser feliz com a sua? O que mudou? Não achou a felicidade que esperava achar?

Sua boca se abriu, seu rosto foi tomado por uma expressão surpresa. Ele não estava esperando aquilo, eu podia sentir. Seu silêncio me encorajou ainda mais, abri outro sorriso sarcástico.

– Talvez você esteja fazendo isso para me machucar ainda mais, só que não esperava que eu agisse assim. – Zombei. – O que queria que eu dissesse? Queria que eu pedisse desculpas?

Louis continuou calado, olhando para mim com aquela expressão. Esperei, sustentando seu olhar com uma expressão desafiadora. Era minha vez de ser a vilã.

– O que houve com você? Não estou te reconhecendo. – Ele disse, sua voz estava ligeiramente falha.

Não aguentei, acabei rindo daquilo. Não minha risada normal, foi uma risada estranhamente fria e sarcástica. Era como se a personalidade de Fuuto tivesse me dominado, e eu não sabia como voltar a ser quem eu era. Encarei seus olhos, endurecendo a expressão.

– O que houve comigo? Eu fui deixada de lado pela pessoa que eu mais confiava. – Respondi. – Eu passei por um momento terrível, onde não podia conversar com a pessoa que amava sobre isso, já que ele estava sofrendo tanto quanto eu. Eu estava perdida, machudada, sem saber o que fazer. Deixei meu coração me levar, e acabei escolhendo ficar com Akira ao invés de fazer o que eu te disse que faria. Quer que eu me culpe por isso? Quer que eu me culpe por amar demais uma pessoa, a ponto de esquecer o rumo que meus sentimentos estavam tomando para ficar com essa ele? Quer que eu me arrependar por ter um coração? Se for isso, então saiba que eu nunca vou me arrepender por isso e, se eu tivesse que fazer a mesma escolha de novo, eu não mudaria nada.

Parei de falar, deixando a boca entreaberta para respirar. Gastara fôlego demais para dizer aquilo, e agora não conseguia mais manter-me irritada. Louis engoliu em seco, olhando-me diretamente nos olhos. Sua expressão estava triste, como se ele sentisse dor. Ele devia estar sentindo pena de mim, o que indicava que eu mostrara para ele o quanto ele tinha me magoado. Eu não queria ter mostrado aquilo.

Respirei fundo, desviando o olhar. Louis não disse nada, apenas se aproximou de mim de novo. Não o impedi, não tinha forças para isso. Se me mexesse agora, o muro que eu lutara tanto para erguer cairia por terra.

– Eu sei que eu te machuquei, eu não me orgulho disso. Você foi muito sincero comigo, eu sabia exatamente o que aconteceria quando fiz aquela escolha. – Confessei, engolindo em seco. – Eu não me orgulho de ter te ferido, mas também não me arrependo da minha escolha. Você mudou muito, me mostrou um lado completamente detestável que eu nunca imaginei que você tinha. Eu não me arrependo de não ter te escolhido, já que, por causa disso, eu descobri quem você realmente é, e descobri que não amo essa pessoa da forma que achei que amava.

Ele ofegou, seu corpo tremeu de leve. Soltei um suspiro pesado, abrindo a boca para falar mais. Eu faria isso, se não sentisse o corpo de Louis abraçar o meu.

– Oh, Deus. – Ele disse, desesperado. – O que eu fiz? O que aconteceu com nós dois?

Percebi um pouco tarde demais que estava chorando, pela milésima vez naquela vida. Era isso, o mais simples toque dele era capaz de trazer de volta tudo que eu senti, tudo que eu pensava ter superado. Meu peito doía, fazendo esforço para respirar. Minha garganta começou a arder, como se alguma coisa estivesse me apertando. Fechei os olhos, tentando não ouvir a parte furiosa da Nina Kazama que voltara para mim por causa daquele abraço. Deixei escapar um soluço, abrindo os olhos novamente.

– Sabe o que aconteceu? Eu sofri. – Falei, engolindo em seco. – Eu sofri, sofri e sofri. Eu sofri mais do que estava acostumada, e não tinha para onde correr. E o que você fez? Me deixou, e fez questão de esfregar na minha cara que eu não era sua única opção. Eu admito que o que fiz com você não foi certo, mas também não foi certo o que você fez. Eu já estava sofrendo o bastante, e você colocou aquela garota na minha vida e deixou que ela me humilhasse. E você ainda disse que eu não era da sua família, foi exatamente isso o que você fez. Eu não queria nada, eu só precisava de um abraço como esse. Eu não queria um novo namorado, eu só queria que meu irmão estivesse lá por mim.

Os braços de Louis me apertaram com força, como se ele quisesse me fazer entrar no peito dele. Respirei fundo, engolindo em seco. Seu corpo estava quente, e eu estava terrivelmente fria. Arquejei, tentando ignorar o fato de que tinha esquartejado meu orgulho e servido-o a Louis em uma bandeja.

– Mas eu fiz minha escolha, e você fez a sua. Nada do que eu sinta pode mudar isso, e nem deve. – Falei. – Você não estava lá, mas Fuuto, Tsubaki, Subaru, Iori, Natsume... Todos estavam. Eu pensei estar sozinha, mas eles vieram até mim e provaram que eu estava errada. Foi como se eu tivesse te perdido, mas ganhado todos eles em troca. E isso me fez perceber quanto eu era dependente de você, e só te perder me fez ver que estava me perdendo em você.

Expirei pesadamente, descruzando os bracos e pondo as mãos no peito de Louis. Empurrei seu corpo com força suficiente para acabar com aquele abraço, afastando-o de mim. Ele ofegou, confuso. Nosso olhar se encontrou, senti minhas lágrimas pararem de cair. Sequei o que restava delas, respirando fundo e recuperando minha força anterior. Encarei-o, firme.

– É isso, isso resume tudo. – Falei. – Fizemos nossas escolhas, agora cada um vive sua vida do jeito que decidiu. Eu sei que ainda significo alguma coisa pra você, então estou te deixando ir. Gostaria que você fizesse o mesmo, por favor.

– Você não precisa dizer isso, minha criança. – Louis disse, olhando-me com uma expressão frágil.

Sacudi a cabeça, tentando não ser afetada por aquele apelido. Já fazia tanto tempo que ele não me chamava assim, eu até esquecera o quanto eu gostava daquilo.

– Eu estou falando sério, nós não precisamos mais ficar assim. – Falei, cruzando os bracos. – Você tem sua vida e eu tenho a minha, vamos vivê-las da forma que acharmos melhor. Se você precisar de uma irmã, eu vou estar aqui. Mas já chega de agir como se...

Inesperadamente, sua mão direita segurou minha cabeça e me puxou para si, colando nossos lábios como se sua vida dependesse disso. Arregalei os olhos, sentindo meu coração parar de bater por um momento. Tentei me mexer, mas estava chocada demais para conseguir. Os lábios dele estavam ligeiramente frios, embora seu corpo estivesse quente. Louis segurou-me pela cintura com sua mão livre, deixando-me sempletamente presa em seu abraço. Pisquei, sem conseguir respirar. Ele soltou um muxoxo, colando nossos corpos e começando a movimentar seus lábios contra os meus. Eu ainda estava sem reação, então não consegui impedi-lo. Não respirei, apenas fiquei parada enquanto ele me beijava, meus olhos ainda estavam arregalados.

Tudo parecia estar em câmera lenta, até mesmo meus batimentos cardíacos. Eu não sabia o que estava acontecendo com meu corpo, já que não conseguia mover um músculo. Também não conseguia sentir nada, apenas a sensação de seus lábios nos meus. Meu corpo, antes frio, agora era tomado por uma chama quente, acolhedora. Todos os meus sentidos pareceram se desligar, deixando-me apenas com o sabor do beijo de Louis para me segurar. Consegui achar o que precisava para piscar, mas ter conseguido me mexer também fora minha ruína. Devagar, como se fosse algo muito doloroso, meus lábios começaram a se mexer. Ele sentiu isso, já que soltou outro muxoxo e afundo-me em seu corpo, deixando aquele beijo mais profundo e intenso do que já estava. Minha mente, antes em branco, agora só consegui pensar em uma coisa. E era no amor que eu sentia por ele.

O amor que eu fingia não sentir.

Fechei os olhos, deixando-me levar pelos meus instintos. Deixei que ele me beijasse, amolecendo completamente os lábios. Louis introduziu sua língua em minha boca, talvez soubesse que não teria outra chance. Nossas línguas se encontraram, abraçando-se como um casal de amigos virtuais que estavam se vendo pela primeira vez. Soltei um muxoxo, perdendo qualquer tipo de resistência que ainda tinha. Ele me beijava desesperadamente, segurando-me como se eu fosse um bebê. Se meu coração não tivesse começado a bater com tanta força, eu pensaria que estava sonhando. Mas aquele beijo era mais do que real, e estava mexendo comigo de uma forma que eu não conseguia evitar. Talvez nem quisesse.

Era ele outra vez, o Louis que eu conhecia, o Louis que me amava. Tudo que eu vivi até então, tudo que eu lutara para apagar da minha mente. Tudo voltara para mim, juntando-se e concentrando-se em minha boca. Desisiti de pensar, apenas deixei que o que eu sentira por ele assumisse meu controle. Descruzei os braços, tateando as cegas até minhas mãos sentirem os cabelos macios daquele que me beijava. Segurei sua nuca, forçando-me contra ele. Seus lábios ficaram mais ferozes, deixando aquilo ainda mais desesperado. Ofeguei, sentindo que eu estava de volta. Nós dois estávamos de volta. E aquela sensação era mais do que eu podia aguentar sem soltar algumas lágrimas.

O beijo só acabou quando o último poquinho de ar se esgotou em meus pulmões, nos separamos. Arquejei, tentando voltar a respirar. Louis estava tão ofegante quanto eu, embora parecesse um pouco mais composto. Minhas pernas tremiam, se ele não estivesse me segurando com tanta firmeza, eu cairia no chão. Meu coração batia como louco, minha mente só conseguia repassar repetidamente uma certeza assustadora demais para ser verdade. Fechei os olhos, sentindo como se estivesse pronta para pular de cabeça em um precipício. E por mais que eu soubesse que aquela era uma queda sem volta, tudo em mim queria se atirar em Louis Asahina.

Abri os olhos, como se estivesse sentindo o que viria a seguir. Ele se aproximou de mim outra vez, buscando meus lábios e me apertando contra si. Sua expressão mostrava um sentimento avalassador, assim como um desespero sôfrego. Meu corpo paralisou de novo, eu sentia o que estava por vir.

Em algum lugar da minha mente, algo estalou. Aquilo me trouxe de volta para a realidade, fazendo com que eu arregalasse os olhos. Em um impulso, bati minhas mãos em seu peito e empurrei seu corpo. Ele não esperava por isso, então não conseguiu reagir a tempo. Afastei-me dele, dando-lhe as costas e começando a correr. Não conseguia pensar em nada, apenas me enfiei no corredor e abri a primeira porta que vi pela frente, entrando em um quarto qualquer. Fechei a porta com desespero, trancando-a e me jogando no chão em seguida. Enfiei o rosto nas mãos, puxando meus cabelos como uma louca. O que diabos acabara de acontecer? O que dera em mim? Por que eu não o afastara antes? Por que ele fizera aquilo?

Eu não conseguia entender, não conseguia assimilar os últimos minutos da minha vida. A única coisa que me impedia de fechar os olhos e achar que aquilo era um pesadelo era, não minha respiração e minha pulsação aceleradas, e sim o aperto no peito que eu sentia. Era como se alguém tivesse acabado de jogar sal e vinagre em uma ferida aberta, e depois cutucado com um garfo gelado. Todas as células do meu corpo pareciam estar em chamas, como se eu tivesse acabado de tomar banho e um lago de lava. Minha boca estava entreaberta, já que eu respirava da mesma forma que respiraria se esfivesse acabado de emergir de um afogamento. Meus olhos estavam arregalados, e eu fitava o chão diante de mim sem realmente perceber os detalhes da madeira fria. Só percebi que estava tremendo mais do que o normal quando minhas mãos caíram nas minhas pernas, sem conseguir puxar meus cabelos por mais tempo. Eu sentia como se um rio de lágrimas tivesse acabado de se formar, mas eu não conseguia chorar. Deus, o que Louis fizera? Que direito ele achava que tinha para mexer comigo daquela forma? Ele não achava que eu merecia viver minha vida? Por que ele tinha que deixar tudo ainda mais difícil? Eu só queria continuar sentindo como se tivesse feito a coisa certa ao ficar com Akira, mas aquilo, aquele beijo... Só provara o que eu não queria sentir. Era tão errado. Eu não podia deixar meu namorado, eu também o amava. Tinha certeza disso.

Mesmo que o beijo de Louis me fizesse contestar aquela certeza.

Arquejei, em busca de ar. Consegui puxar meus cabelos de novo, queria que aquilo me acordasse. Eu nunca pensei que estar apaixonada por alguém fosse tão doloroso, ainda mais quando essa pessoa não era a que você devia amar. Meu coração vacilante batia com tanta força que chegava a doer, e aquilo me deixava ainda mais sem fôlego. Fechei os olhos, tentando realmente acordar de um sonho que eu não estava tendo.

Mas tudo que consegui com aquilo foi lembrar da sensação que os lábios dele deixaram nos meus, e isso não foi o bastante para fazer meu coração se acalmar. Arquejei mais uma vez, tentando não morrer com aquela sensação de calor interno. Uma rebelião pareciada per começado em meu interior. De um lado estava meu coração, explodindo de alegria pelo que tinha acontecido. E do outro estava minha razão, gritando de desespero por ter traído meu namorado outra vez. Era difícil saber qual dos lados ganharia essa batalha, mas eu já sabia que ia acabar magoando seriamente alguém se decidisse apoiar um deles, como sempre.

Um ronco descomunal soou no ambiente, fazendo com que minha batalha interior parasse por um momento. Ergui o rosto, ligeiramente perplexa por conta do barulho. Outro ronco soou, pisquei. Encarei o dono daqueles sons estranhos, arregalando um pouco os olhos ao perceber que, em meu desespero para fugir dos meus sentimentos, eu entrara no quarto de Tsubaki. Ele estava estirado na cama, coberto apenas por um lençol e uma calça de moletom preta. Pisquei, tentando processar aquela cena. Consegui levantar para olhar melhor, sentindo uma ligeira vontade de rir me tomar. Tsubaki se remexeu um pouco na cama, como se estivesse desconfortável. Aproximei-me dele, repentinamente preocupada. Ele soltou um som estranho, quase um gemido. Franzi o cenho, estaria tendo um sonho ruim?

– Tão... Apertada... – Resmungou, abrindo um sorriso bobo e disforme.

Arregalei os olhos, tapando a boca com as mãos para não gritar. Dei um pulo para trás, arquejando com força. Que tipo de sonho era aquele?! Será que nem mesmo dormindo ele podia ser menos safado?

Não quis ficar para descobri, apenas girei nos calcanhares e me digiri à sáida, ainda de olhos arregalados. Destranquei a porta, abrindo-a e botando um pé no corredor. Meus olhos se arregalaram ainda mais quando vi os olhos cor de malva que eu estava tentando evitar diante de mim, ele devia estar indo até seu próprio quarto. Arquejei antes que ele conseguisse reagir, fechando a porta e trancando-a outra vez.

– *Realmente estoy jodida. – Sussurrei, sem fôlego.

Afastei-me da porta, tentando não me aproximar muito da cama de Tsubaki no processo. Ele ainda resmungava coisas nojentas demais para citar, engoli em seco. Eu não podia ter escolhido um momento pior para entrar no primeiro quarto que vi pela frente.

Como se Deus quisesse me mostrar o quanto eu estava certa por achar aquilo, a porta do banheiro do quarto de Tsubaki se abriu, revelando seu companheiro. Eu nem reparara naquela porta até então, e o homem que saíra de lá também não reparara na minha presença até que eu ofegasse como se estivesse sendo enforcada. Nosso olhar se encontrou, nós dois arregalamos os olhos.

– Azusa! – Guinchei.

Ele ofegou, meu olhar foi atraído como mágica até seu abdômen molhado. Ele vestia apenas uma toalha azul enrolada na cintura, eu podia até contar os gominhos daquele tanquinho perfeito. Engoli em seco, sentindo meu rosto esquentar. Ele corou furiosamente, abrindo a porta atrás de si outra vez e enfiando-se no banheiro antes que eu pudesse ter tempo para secar mais seu corpo com o olhar. Arquejei, tapando a boca com as mãos. Tínhamos feito barulho, mas Tsubaki estava tão ferrado no sono que nem mesmo se mexera. Eu não conseguia piscar, apenas encarava fixamente o lugar que o gêmeo moreno estivera segundos atrás. Tentei respirar, mas antes que eu conseguisse me acalmar, um Azusa furiosamente corado saiu do banheiro. Estava completamente vestido agora, e eu não sabia dizer se estava exatamente feliz com aquilo

– O que você estã fazendo aqui? – Ele guinchou, sussurrando para na acordar o irmão.

– E-eu... E-eu só... – Comecei, gaguejando.

Ele arregalou os olhos, desviando o olhar do meu rosto por um segundo. Seu rosto corou ainda mais quando percebeu que eu vestia apenas uma camisa velha que roubara de Ukyo, aquele virara meu pijama secreto favorito. Corei, arregalando os olhos. Talvez aquela camisa revelasse demais.

– R-repito, o que você está fazendo aqui? Sabe que horas são? – Ele perguntou, visivelmente nervoso.

Neguei com a cabeça, dirigindo meu olhar ao relógio digital que descansava em cima de uma cômoda. Arregalei os olhos, já passara das duas da madrugada. Olhei para Azusa outra vez, ele esperava por uma resposta.

– Eu estava na cozinha, aí... – Falei, engolindo em seco. – O corredor estava escuro, achei que fosse o meu quarto.

Ele franziu o cenho, talvez sentisse que parte da minha resposta faltara com a verdade. Engoli em seco, nervosa.

– Esse quarto é o primeiro do corredor, o seu é o último. – Ele disse.

Abri a boca para responder, mas estava encurralada. Azusa piscou, parecia sem saber bem como agir. Eu estava na mesma situação, então tudo que pude fazer foi encarar o chão.

– Acreditaria se eu dissesse que esse quarto me pareceu o último porque eu estava praticando meu moonwalk no corredor? – Perguntei, esperançosa.

Ele bufou, sacudindo a cabeça. Ergui o olhar de leve, percebendo que pelo menos o tinha feito rir um pouco com aquela história estapafúrdia. O moreno suspirou, olhando-me de forma ligeiramente terna.

– Fale a verdade, o que veio fazer aqui? – Perguntou.

Sua voz estava bem mais leve, mas ele ainda queria a verdade. Soltei um muxoxo, como explicaria a situação sem me colocar no corredor da morte?

– Eu... Estava tentando fugir. – Rendi-me, soltando um suspiro.

Azusa ergueu uma sobrancelha, confuso. Ele se aproximou se mim, tentei ignorar o cheiro convidativo de sabonete de ervas que exalava de seu corpo.

– Fugir? – Ele disse. – Fugir do que?

Mordi o lábio, desviando o olhar até a porta. Não queria contar, não queria mesmo. Meu irmão devia ter sentido isso, já que soltou um suspiro pesado.

– Tudo bem, não me conte se não quiser. – Ele disse.

Me encolhi um pouco, mordendo o lábio com mais força.

– Me desculpe, eu não quero falar sobre isso agora. – Confessei.

O moreno ergueu uma sobrancelha, encarando meu rosto. Não estávamos muito distantes um do outro, eu podia sentir o calor de seu corpo. Meus pelos se eriçaram, eu estava com frio, e um corpo quente como aquele me parecia muito acolhedor. Ele devia ter tido um bom momento em sua banheira.

– Aconteceu alguma coisa ruim? Você parece pálida. – Ele disse.

Prendi a respiração, engolindo em seco. Azusa aproximou-se ainda mais, tocando minha testa de leve com as pontas dos dedos.

– Não parece ter febre, mas sua boca está estranhamente vermelha. – Ele disse.

Arregalei os olhos, dando um pulo para fora de seu alcance. Ele piscou, confuso. Abri um meio sorriso amarelo, dando de ombros de forma desajeitada.

– É só o escuro, você não deve estar vendo direito. – Falei, tentando mascarar o nervosismo em minha voz. Pai, mãe, me ajudem!

Azusa abriu a boca para dizer alguma coisa, mais um novo ronco cortou seu raciocínio. Dei um pulinho de susto, olhando para o corpo adormecido de Tsubaki com os olhos ainda arregalados. Ele tinha uma perna caída para fora da cama, seu pé estava tocando o chão. Não consegui me conter, soltei uma risada.

– Silêncio! Se ele acordar, você vai conhecer o inferno! – Disse Azusa.

Ele tapou minha boca com dois dedos, parei de respirar. Encarei seu rosto, engolindo em seco. Ele arquejou, tirando os dedos da minha boca. Seu rosto adotou um forte tom vermelho, senti minhas bochechas esquentarem. Os dedos dele estavam frios, eram macios.

– O que quer dizer? – Perguntei, curiosa.

Ele respirou fundo, desviando o olhar até seu gêmeo adormecido. Sua expressão ficou repreensiva, como se Tsubaki pudesse vê-lo.

– Ele fica um terror quando está bêbado e acorda no meio da noite, torça para nunca vê-lo dessa forma. – Respondeu. – Aliás, nunca se aproxime demais quando ele estiver nesse estado, e nunca fique sozinha com ele nessas situações.

Pisquei, confusa. Encarei o moreno, pedindo explicações. Ele não olhou para mim, apenas soltou um suspiro pesado e foi na direção do irmão. Observei enquanto ele pegava a perna de Tsubaki e a colocava no lugar certo, cobrindo-o com o lençol logo em seguida. Dei um pequeno sorriso, admirada com a cena. Azusa abriu uma gaveta, remexendo seu conteúdo devagar. Ele tirou um comprimido redondo de dentro, colocando-o ao lado de um copo com água na mesinha de cabeceira da cama o gêmeo. Ele suspirou de novo, lançando um último olhar repreensivo a Tsubaki, antes de olhar para mim com uma expressão questionadora. Esperei, um pouco temerosa. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas outro ronco interrompeu-o. Ri, tapando a boca com as mãos para não fazer barulho. Azusa sacudiu a cabeça, mas riu também. Suspirei, aliviada com sua mudança de humor. Não gostava de ver nenhum Asahina sem um sorriso no rosto, aquilo não combinava com nenhum de seus lindos rostos.

– Ele sempre ronca assim? – Perguntei.

– Só quando bebe muito, como fez hoje. – Respondeu.

Ri, sacudindo a cabeça. O moreno veio até mim, caminhando de forma despreocupada. Nosso olhar se encontrou assim que estávamos próximos o bastante, sorri para ele.

– Acha que pode voltar ao seu quarto agora? – Ele perguntou, sorrindo para mim.

Meu sorriso morreu, engoli em seco. Azusa piscou, ligeiramente curioso com a minha reação. Disfarcei, abrindo outro sorriso amarelo.

– Já? Eu estava gostando tanto de ouvir os roncos do Tsubaki. – Falei, tentando fazê-lo esquecer aquilo.

Ele riu, sacudindo a cabeça. Dei uma risadinha nervosa, afagando meu braço esquerdo para tentar pazer meus pelos voltarem para o lugar.

– Eu posso gravar para você, outro dia você pode ouvi-los. – Disse, suspirando. – Está tarde, pare de falar bobagens e vá se deitar, quero que esteja bem amanhã.

Seu tom era brincalhão, mas eu sentia um pingo de seriedade por trás daquilo. Mordi o lábio, desviando o olhar até o chão. Ele devia estar com sono, eu não tinha o direito de atrapalhar sua noite.

Mas não tinha a mínima vontade de voltar para aquele corredor, já que existia uma pequena chance de que eu encontrasse Louis no caminho até meu quarto.

Abri a boca para falar, mas não consegui dizer nada. Mordi o lábio outra vez, assentindo. Eu não podia ficar ali, tinha que parar de fugir. Azusa sorriu de leve, encarando meu rosto.

– Boa noite, Nina. – Ele disse.

Forcei um sorriso, erguendo o olhar até seu rosto. Estava um pouco escuro, mas eu podia ver seus lindos olhos quase perfeitamente, já que um abajur estava aceso perto da cama de Azusa.

– Boa noite. – Falei.

Ele assentiu, sorrindo. Olhei para a porta, respirando fundo. Dei o primeiro passo, tentando não tremer muito, ou ele perceberia que eu estava me esforçando muito para tomar coragem. Talvez eu tivesse conseguido, se não visse pela fresta da porta que a luz da cozinha estava acesa. Engoli em seco, arregalando os olhos e virando na direção de Azusa mais rápido do que o normal. Ele se assustou um pouco com aquilo, mas não me importei.

– Eu sei que pode ser maluquice, mas eu... Posso dormir aqui? – Perguntei.

Ele piscou, incrédulo. Mordi o lábio, insegura. O moreno encarou meus olhos, seu rosto foi tomado por um expressão confusa.

– Nina, o que...

Não aguentei, apenas pulei em sua direção. Atirei meus braços em volta de seu pescoço, ficando nas pontas dos pés para enterrar o rosto em seu pescoço. Seu corpo se retesou de susto, ele soltou um arquejo surpreso. Fechei os olhos, tentando passar para ele o medo que eu estava sentindo apenas com aquele abraço.

– Por favor, irmão. – Falei. – Por favor.

Ele não respondeu, apenas arquejou de novo. Não me mexi, continuei abraçando seu corpo duro como uma estátua. Azusa respirou fundo, exasperado. Suas mãos tocaram minha cintura, tímidas. Devia estar em dúvida se me abraçava de volta ou não, já que eu o apertava com tanta força que podia até mesmo mata-lo sufocado. Respirei fundo, afrouxando meu aperto. Meus braços caíram ao redor de seu corpo, toquei seus braços levemente. Encarei seus olhos, deixando meu olhar transparecer o quanto eu precisava de sua permissão. Ele arquejou de novo, abrindo a boca para responder. Esperei, agarrando-me a um finíssimo fio de esperança. Nosso olhar durou alguns segundos, até ele soltar um suspiro pesado.

– Certo. – Azusa respondeu.

Uma onda de alívio me atingiu, senti como se estivesse me desfazendo um sorriso bobo. Abracei-o de novo, de forma muito mais carinhosa dessa vez. Ele me abraçou de volta, ainda que um pouco hesitante. Enterrei meu rosto em seu pescoço, respirando fundo o cheiro de sua pele. Ele era macio naquela região, meus lábios formigaram suavemente de vontade de depositar um beijo carinhoso ali.

– Obrigada. – Sussurrei, ainda sorrindo. – Muito obrigada, Azusa.

Ele suspirou, seus braços ficaram mais firmes ao meu redor.

– Tudo bem. – Ele disse.

Sua voz estava suave, quase carinhosa. Sorri, respirando fundo seu cheiro mais uma vez, antes de soltar seu corpo devagar. Ele não pareceu ansioso para desfazer aquele abraço, mas deixou que eu me afastasse. Sorri para ele, verdadeiramente agradecida. Ele tinha me poupado de muitas coisas, e teria um lugar especial no meu coração pelo resto da minha vida por causa daquilo. Azusa sorriu de volta, corando um pouco. Ele desviou o olhar, afastando-se um pouco mais de mim. Estávamos a uma distância aceitável agora, senti uma leve sensação de abandono.

– Você pode ficar com a minha cama, eu posso dormir com Tsubaki. – Ele disse.

Pisquei, percebendo um pouco tarde demais que eu ia realmente dormir ali. Meus pelos se eriçaram, por mais que eu confiasse em Azusa, ele não deixava de ser um homem muito atraente. Fora que Tsubaki também estava ali. Desmaiado de sono, mas estava. E também, pela forma como o gêmeo adormecido estava espalhado na cama, Azusa seria alvo de chutes e cotoveladas a noite toda.

– De jeito nenhum, você vai ser triturado se dormir com ele. – Falei.

Olhei em volta, procurando por uma solução. Meu olhar caiu sobre um pequeno sofá de dois lugares, não era muito, mas parecia confortável.

– Eu durmo ali. – Falei, apontando para o móvel.

Azusa franziu o cenho, olhando-me como se eu estivesse louca. Esperei, ainda encarando o sofá. Agora que percebera que dormiria com um dos homens mais lindos que eu já vira na vida, sentia como se pudesse derreter se olhasse para seu rosto outra vez.

– De jeito nenhum, eu nunca deixaria que você dormisse naquele sofá pequeno e desconfortável. – Ele disse, ainda me olhando daquela forma. – Posso lidar com Tsubaki, minha cama é toda sua.

– Azusa. – Falei, manhosa.

Fiz um bico, ainda sem olhá-lo. Ele continuou encarando meu rosto, firme. Seu olhar me dizia que ele não cederia com facilidade, soltei um muxoxo.

– Por que não dormimos juntos na sua cama? – Comentei.

Só fui perceber o que tinha dito quando era tarde demais, e agora minhas palavras pareciam dançar diante de mim. Arregalei os olhos, engolindo em seco. Evitei o olhar de Azusa, então não pude ver sua reação. Eu não devia estar preocupada, do jeito que ele era, nunca aceitaria aquela proposta.

– Não é má idéia. – Ele disse, surpreendendo-me completamente.

Pisquei, dirigindo meu olhar incrédulo até seu rosto. Ele estava vermelho, era sua vez de encarar qualquer coisa além da minha cara. Pisquei de novo, inclinando um pouco a cabeça para o lado.

– Sério? – Perguntei.

Ele corou ainda mais, arquejando. Esperei, sentindo meus batimentos cardíacos se aceleraram conforme os segundos passavam.

– É melhor do que te deixar dormir naquele sofá. – Ele disse.

Senti um arrepio me atingir, em uma região baixa e inesperada. Engoli em seco, sendo tomada pela realidade que eu mesma tinha provocado. Azusa respirou fundo, como se estivesse tomando coragem. Seu rosto ainda estava vermelho, ele ficava terrivelmente lindo daquele jeito.

– Vá em frente, vou desligar o abajur e guardar meus óculos. – Ele disse.

Minha respiração tremeu, mas não tive alternativa a não ser fazer o que ele mandara. Assenti, já que sabia que, ou dormia com ele, ou ia ter que dar o fora dali.

E dormir com Azusa era a opção mais aparente, de longe.

Caminhei em direção à cama, movendo-me como um robô. Pus meu joelho no colchão, surpreendendo-me ao perceber o quanto ele era macio. Sorri, era como deitar em uma nuvem. Deitei, esquecendo por um momento a situação em que me metera. O travesseiro também era macio, assim como o cobertor. A cama estava fria, mas continuava sendo mil vezes mais aconchegante do que a minha. Sorri, fechando os olhos para aproveitar melhor o momento. Meu corpo todo relaxou, como se nada tivesse acontecido. Meu humor ocilante pareceu finalmente se estabelecer, como se eu tivesse tomado uma dose de calmante. Aquela era a melhor cama que eu já deitara na minha vida.

Estava tão ocupada sentindo a maciez do cobertor que quase não senti um ligeiro peso ser depositado ao meu lado, quase. Abri os olhos, prendendo a respiração por um segundo. Azusa apagara o abajur, então o quarto estava quase completamente escuro. A única iluminação era a claridade que entrava pelas frestas da porta, como um lembrete do que me esperava do lado de fora. Arrepiei-me, engolindo em seco. O moreno deitou a cabeça no travesseiro, a pele de seu braço rouçou-se na minha sem querer. Pude senti-lo se retesar, afastando-se de mim de forma discreta. Fiz um careta, não sabia bem se queria ou não que ele fizesse aquilo. Eu confiava em Azusa, mas talvez ele não confiasse em mim o suficiente para relaxar. Soltei um suspiro pesado, resolvendo afastar-me para dar um pouco mais de espaço a ele. Senti seu corpo se mexer um pouco, como se ele estivesse desconfortável.

– Se precisar de mais espaço, é só dizer. – Falei.

Devo ter soado um pouco tristonha, já que ouvi Azusa ofegar baixinho. Mordi o lábio, Wataru gostava de dormir comigo, mas talvez ele fosse o único.

– Só estou tentando te deixar confortável. – Ele disse, ligeiramente hesitante.

Engoli em seco, meu coração estava descompassado. Eu estava nervosa por causa daquela noite, e sentir o nervosismo de Azusa não ajudava a me acalmar. Soltei um suspiro, fechando os olhos com força.

– Não se preocupe comigo, eu estou bem. – Falei.

– Tem certeza? – Perguntou. – Posso dormir com Tsubaki.

Respirei fundo, revirando os olhos. Sentei na cama, tentando não encostar nele enquanto tentava sair da cama. Eu não queria incomodá-lo, estaria bem no sofá. Azusa ofegou, senti sua mão segurar meu pulso de forma firme, prendendo-me no lugar. Aquele toque me fez lembrar do toque de Louis, engoli em seco.

– O que está fazendo? – Ele perguntou, ligeiramente exasperado.

Senti meu coração amolecer, mordi o lábio.

– Pode ficar na sua cama, eu não me importo em dormir no sofá. – Falei.

O moreno ergueu o tórax da cama, ficando mais perto de mim do que eu pensei que ele ficaria. Esperei, sua mão apertou meu pulso mais um pouco.

– Não, fique aqui. – Pediu.

Sua voz estava um pouco mais rouca do que o normal, senti meus pelos se eriçarem. Mordi o lábio, fechando os olhos. Meus hormônios juvenis revoltados me mandavam agarrar aquele homem, mas eu não podia fazer aquilo.

– Tá, eu fico. – Cedi.

Ele soltou um suspiro, aliviado. Sua mão afrouxou seu aperto, abri os olhos.

– Mas com uma condição. – Falei.

Não deixei que ele respondesse, apenas inclinei meu corpo em sua direção. Afundei-me em seus braços fortes, enfiando meu nariz em seu pescoço cheiroso. Ele arquejou de surpresa, mas não me importei. Senti seus braços me abraçarem, de forma carinhosa e intensa. Soltei um suspiro, fechando os olhos com força. Ele deitou, levando-me consigo. Enrosquei-me nele como uma cobra, tentando afundar-me naquela segurança que ele me passava. O peso daquela madrugada confusa e intensa foi jogando em meus ombros, esmagando meus pulmões. Ofeguei, tentando desesperadamente não chorar. Não consegui, meus sentimentos conflitantes eram muito mais fortes do que eu. Enterrei o rosto no corpo do gêmeo moreno, como se aquilo fosse, finalmente, me tirar do abismo em que eu estava caindo lentamente.

– O que houve? Por que está chorando? – Sussurrou, preocupado.

Engoli em seco, apertando-o com força. Azusa fez o mesmo comigo, como se tentasse me proteger de meus próprios demônios. Não respondi, sabia que não conseguiria chorar silenciosamente se abrisse a boca. O moreno soltou um suspiro pesado, enterrando o nariz em meus cabelos. Suas mãos começaram a afagar minhas costas, ele apertou ainda mais aquele abraço. Funguei, respirando seu cheiro para tentar fazê-lo suprimir a confusão dentro de mim.

– Não chore, vai ficar tudo bem. Estou aqui com você, Nina. – Disse Azusa, soltando um suspiro.

Engoli em seco, sentindo meu coração diminuir seus batimentos. As palavras dele eram gentis, mas eu sabia que ele estava dizendo a verdade. Mesmo que não estivesse tudo bem, ele ainda estava lá comigo. Eu podia confiar naquilo, podia me abrigar naquela abrigo que era o seu abraço. E foi assim que eu acabei pegando no sono, chorando nos braços do gêmeo moreno.

Aliviada por ter encontrado um lugar seguro para lamber minhas feridas e esperar a tempestade passar.

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Senti meu corpo ser apertado de leve, envolto em um abraço. Não me mexi, queria continuar dormindo mais um pouco. Alguma coisa roçou em minha testa, deviar ser o nariz de alguém. Essa mesma pessoa soltou um suspiro, arrastando seu nariz em minha pele, até chegar na minha orelha. Sua boca depositou um beijo lento em minha pele, enquanto seus braços me apertavam mais um pouco. Sorri de leve, aquilo era bom.

– O que você está fazendo na cama do meu irmãozinho, maninha? – Disse uma voz manhosa.

Abri os olhos instantaneamente, dando de cara com o rosto de Tsubaki bem diante do meu. Ofeguei, dando um pulo de susto. Ele riu da minha reação, seus braços me apertavam com força, eu não conseguia sair.

– Você? Cadê o Azusa? – Perguntei, exasperada.

Ele fez uma careta, soltando-me um pouco. Seu corpo empurrou o meu contra a cama, subindo em mim logo em seguida. Arregalei os olhos, sentindo seu peito pressionar o meu enquanto seus braços ladeavam minha cabeça.

– O que você quer com ele? – Perguntou, aproximando-se do meu rosto. – Esqueça meu irmãozinho, eu sou muito melhor do que ele.

Arquejei, Tsubaki riu. Antes que eu pudesse tentar escapar, ele enfiou a cara no meu pescoço. Sua boca depositou um chupão intenso em minha pele, meus pelos se eriçaram. Tentei empurrar seu corpo, mas ele depositara seu peso em mim para que eu não pudesse fugir. Soltei um muxoxo, contorcendo-me na cama para tentar tirar a boca dele de mim.

– Me solta, Tsubaki! – Guinchei.

Ele riu de novo, descendo seus lábios até minha clavícula.

– De jeito nenhum, eu nunca tive a chance de descontar o quanto você me provocou no dia do desfile da mamãe. – Disse, grunhindo baixinho. – Aliás, sonhei com você.

Arregalei os olhos, então eu estava no sonho pervertido de Tsubaki? Fiz toda força que pude, conseguindo tombar seu corpo na cama. Aproveitei que ele ficara surpreso com aquilo e dei um pulo na cama, quase caindo no chão no processo. Nem mesmo calcei meus chinelos, apenas disparei pelo quarto. Abri a porta com força, varando no corredor. Pude ouvir as risadas de Tsubaki atrás de mim, mas não tentei ficar para entender o que ele dizia. Corri pelo corredor, quase atroplenado um esquilo sonolento no caminho. Abri a porta do meu quarto, enfiando-me nele e batendo a porta. Respirei fundo, ainda de olhos arregalados.

– Onde você estava? – Disse a voz de Yusuke atrás de mim.

Engoli em seco, lembrando apenas naquele momento que ele também era dono desse quarto. Respirei fundo, tentando não dasabar no chão e ter uma crise de desespero. Meu pescoço estava quente, o lugar onde a boca do gêmeo perfertido estivera agora doía de forma levemente prazeirosa.

Eu sabia que seria perigoso dormir no quarto de Tsubaki.

CONTINUA.

IMAGEM ESPECIAL (...HUEHUEHUEHUE).

Louis Asahina.

Notas finais
E aí, consegui enganar vocês com as notas iniciais? HUEHUEHUEHUE. Comentem o que acharam *u* Realmente estoy jodida: Estou realmente fodida. Imagem de hoje---> https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/12/17/14/121714ee587934ffee3bf4a8ca6cd1cb.jpg Música---> https://www.youtube.com/watch?v=1bbceaR0nm4 Próximo capítulo: Sem data definida. Beijo...