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Ela não acreditara quando ouviu rumores de que House havia sido preso, acusado do assassinato que ocorrera do outro lado do Carnegie. E sem pensar duas vezes, e vendo o agente entrar dentro do elevador sozinho, Cameron o seguiu e com uma rápida corrida, entrou no elevador também. O simpático agente, sorriu quando a viu entrar. Cameron estava nervosa, não sabia como começar a falar o que ela viera dizer, e os números mudando no visor do elevador, avisando que a breve viagem logo chegaria ao seu destino, não estava a ajudando muito. Em um ato impensando, misto de desespero e determinação, Cameron acionou o botão de emergência, parando o elevador quase que imediatamente.
-Uou! — Booth gritou, surpreso com o ato da jovem médica.
-Agente Booth... — Cameron sorriu sem graça e suspirou — O House não matou aquele homem... Ele sabia o quanto Arthur era importante para sua mãe e ele jamais faria algo que a fizesse sofrer... A mãe e talvez o Wilson, são as únicas pessoas por quem ele se importa realmente e...
-Drª Cameron... — Booth interrompeu-a — Eu sei que é difícil para vocês aceitarem esse tipo de coisa... Alguém tão próximo ser um assassino, ou o ajudante de um... Eu mesmo compreendo bem o que você sente, mas...
-Por favor, me deixa terminar, Agente Booth... — Cameron pediu, suspirando profundamente — Um dos motivos do House ser considerado um suspeito é porque ele não possue um álibi que o coloque em outro lugar na hora do crime... — a jovem médica deu mais um suspiro — Eu não tenho orgulho em dizer isso, mas... Eu sou o álibi do House...

Booth tentava decifrar o que a jovem médica estava lhe dizendo. Todos diziam que ela fora a pupila mais leal do grosseiro médico, e alguns até apostavam que os dois tiveram um caso. Mas o que estava acontecendo agora, não era demais?
-Como? — ele perguntou confuso.
-Eu... Eu estava com ele na noite em que ocorreu o crime...
-Você estava com ele?
-Sim... — Cameron fechou os olhos — Na casa dele... Para ser mais específica... Na cama dele... — abriu os olhos, a culpa e vergonha visíveis no olhar.
-Oohh... — de todas as coisas que ele imaginara que ela poderia falar, aquela era a única que ele não imaginara.
-É... \"Oohh\"...
-Desculpa, Drª Cameron, mas... — Booth ainda tentava assimilar as últimas informações que recebera — Por que ele omitiria algo assim tão importante? Quer dizer, isso provaria que ele é inocente...
-Okay... Agora vem a parte vergonhosa... — Cameron ponderou por alguns segundos qual seria a melhor maneira de contar a verdade para Booth, se é que existia uma \"melhor maneira\" — Meu sobrenome Cameron... Ele vem acompanhando por outro... Chase...
Booth entendeu o que ela queria dizer. A jovem médica com rosto angelical, havia dormido com seu ex-mentor, e tudo isso aconteceu escondido de seu marido. — Certo...
-Por isso, agente Booth, eu peço que por favor, você mantenha essa informação em sigilo. House não matou o pai dele... Ele estava comigo... E eu posso garantir que ele não saiu do meu lado naquela noite...
-Okay... — Booth afirmou com a cabeça, afinal ele estava em Jersey para desvendar um assassinato e não para causar o divórcio de ninguém.
-Obrigada... — Cameron sorriu aliviada e reacionou o botão de emergência, fazendo o elevador voltar a funcionar. — Ah! Só mais uma coisa... O pai dele ligou para ele na noite do crime... Disse algo sobre ter contado a verdade para a esposa...
-Irene? — Booth perguntou surpreso
-Eu não sei o nome dela... Mas foi o que House disse...

Booth agradeceu a nova e valiosa informação, e antes que a médica se retirasse do elevador, chamou-a.
-Só tem uma coisa de errado nessa sua história, Drª Cameron... Você disse que o Dr. House só se importa com a mãe e com o melhor amigo... Ele não falou sobre você dois... Ele aceitou ser preso, acusado por um crime grave à falar sobre você. Sobre vocês... Ele a preservou... A você e a seu casamento... E isso para mim é se importar com alguém.

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O barulho do celular inrrompeu na noite silênciosa. House com um resmungar baixo, atendeu, reconhecendo de imediato a voz do outro lado da linha.
-\"Eu contei... Contei toda a verdade para ela...\"
O médico não esperava por aquela ligação, principalmente em horário tão impróprio.
-Agora não é o melhor momento para falarmos...
-\"Sem problemas... Eu só queria que você fosse o primeiro a saber... Filho...\"
House sussurrou um \"ok\" e desligou. A noite voltou a ficar silênciosa. Seu quarto estava escuro, e o único barulho que podia ser escutado, era a repiração serena da mulher deitada ao seu lado na cama. Cameron, aparentemente, dormia tranquilamente, e House foi pego de surpreso quando a jovem médica, ainda de olhos fechados, perguntou quem havia ligado. Ela sabia que não deveria ter feito tal pergunta, não tinha nenhum direito em saber quem ligara, mas havia sido mais forte do que ela.
House por um instante não soube o que responder, ponderando se contava ou não sobre o segredo de sua mãe, porém foi só olhar para aqueles lindos olhos verdes, que mesmo no escuro brilhavam mais que esmeraldas, que ele não teve mais dúvidas. Olhando para o teto e sussurrando, ele contou toda a verdade para ela.


House suspirou profundamente e fechou os olhos. Deitado na cama de sua cela 3mx3m, ele não tinha nada mais a fazer do que pensar e dormir um pouco.

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