The Nature Kingdom

4 Amanhã é um grande dia


Notas iniciais
E aí, pessoas? Gostando da história ou não? Eu, pelo menos, estou adorando escrevê-la.

Conversar com humanos era muito difícil. Eles não conseguiam enxergar a verdade. Suas mentes eram tomadas por más interpretações. Faon sabia disso. Ainda mais agora que conversara com Max e fizera a grande proposta. O garoto foi escolhido de modo aleatório. Ele, junto com Gaia, deu uma rápida olhada nos Registros da Terra. E lá estava o nome do garoto, entre bilhões de outros. Ele teve que se dirigir ao País Paterno, que era como outra Cidade Mãe, onde estavam os Registros que ele precisava. Para cada Supervisor, que eram quatro, existia uma cidade. Existia a Cidade Mãe, o País Paterno, a Nação Maior e o Reino Superior.

Mas voltando à história, o garoto ficou um pouco receoso. Fez algumas perguntas características dos humanos. Trocou algumas idéias com Kate e vendo sua indecisão, Faon lhe deu mais dois dias para pensar. Voltaria no sábado de manhã, bem cedo. O garoto concordou e se despediu, como se Gaia e Faon fossem seus amigos de longa data. Ele ainda não confiava nos estranhos humanóides, mas sentia certa empatia por eles.

E agora, teria que tomar sérias decisões. Pelo que entendera, a missão exigia que ele saísse da Terra, algo que lhe parecia quase impossível, abandonasse completamente a família e os amigos e ficasse por, talvez, meses nessa aventura que era um tanto arriscada. Mas havia uma boa recompensa. A paz mundial. Não que isso fosse seu maior interesse. Era algo bom, ninguém poderia negar. Mas valeria a pena? Na verdade, ele pensava mais em sua vida pacata do que na felicidade dos terráqueos. Era um pensamento egoísta, mas encorajava-o ao mesmo tempo. Ele finalmente teria algo a mais: uma aventura!

Depois da despedida, ele e sua amiga ficaram por mais cinco minutos no gramado, pensando e conversando. Só então ouviram a voz do Sr. Lewis. Quando se viraram, viram, pela janela da sala, todos os alunos e o professor em pé, olhando para eles com cara de confusos. O homem gritou mais uma vez:

_ Os dois! Venham para dentro. Agora! _ Aquele homem só sabia dar ordens.

A dupla de amigos, meio que acordando de um sonho, correram de volta à sala. Quando chegaram, o professor logo perguntou:

_ O que vocês pensam que estavam fazendo lá fora, no meio de um terremoto, que graças à Deus já acabou, conversando com o nada?

_ Como assim, com o nada? _ Perguntou a garota.

_ Você não viu? _ Completou Max.

_ Ver o que? Dois alunos irresponsáveis falando sozinhos? Isso eu vi muito bem!

Max e Kate olharam para os outros alunos, todos com cara de interrogação. Pelo jeito, ninguém mais vira Gaia e Faon, além dos dois jovens. Eles voltaram para suas carteiras e se sentaram normalmente, enquanto todos os outros continuaram em pé, com as mesmas feições.

Por sorte, o sino tocou, em sinal de que a aula havia acabado. Eles não teriam que dar mais nenhuma explicação. Poderiam ir para casa, uma vez que aquela era a última aula do dia. Guardaram seus materiais em suas respectivas mochilas e se levantaram, indo em direção a porta. O sino parecia ter despertado os outros alunos, que fizeram o mesmo que Kate e Max. Ao sair da sala, ainda podiam escutar o Sr. Lewis resmungando:

_ Eu vou deixar passar essa porque o terremoto deve ter deixado vocês muito doidões! _ Ele não costumava usar esse tipo de expressões, mas em momentos como aquele...

–//-

Max finalmente chegou à sua casa. A escola deve ter ligado para os pais, avisando do terremoto, pois os pais do garoto estavam todos preocupados. Típicos pais corujas –pensou o jovem.

_ Filho, você está bem? Conte-me o que houve. _ Disse a mãe, em um tom quase que desesperado.

_ Ficamos preocupados com você. Durou muito tempo? _ Perguntou o pai.

_ Vocês não sentiram nada? _ Perguntou Max.

_ Não. _ Responderam os pais, ao mesmo tempo.

O garoto olhou para a cara dos dois, surpreso. Soltou-se dos braços dos pais, que o seguravam e subiu as escadas, rumo ao seu quarto. Sabia que os pais o seguiriam em uma tentativa de descobrir o que acontecera. E também para obrigá-lo a almoçar, assim como acontecia todos os dias. Só agora ele parou para perceber que estava morrendo de fome. Suas previsões aconteceram e logo seus pais invadiram seu quarto. Ele teve de enrolar e logicamente, mentir. Ninguém além de Kate vira os humanóides. Ninguém iria acreditar. Então teve que dizer que apenas ficou em baixo da carteira durante todo o terremoto.

A tarde passou normalmente. Apesar das loucuras que aconteceram, ele ainda tinha dever de casa, que infelizmente tinha que fazer. Mas não eram muitos. Apenas um resumo sobre a agricultura da África Setentrional e algumas perguntas sobre Napoleão Bonaparte. Não eram nem duas horas da tarde e ele já tinha acabado. Com tudo organizado, foi assistir à televisão. Não deu nem trinta minutos que ele se sentara para relaxar e Kate liga para ele:

_ Cara, o que foi aquilo?

_ Eu prefiro nem pensar sobre isso.

_ Mas você vai ter que fazer uma escolha. Não pode escapar disso. O velho vai voltar no sábado.

_ Ah, é só eu dar qualquer desculpa e recusar. Não sou obrigado a salvar o Universo.

_ Não, mas... Não era você que reclamava que sua vida era patética e sem graça?

_ Cara, eu posso morrer! Você tem noção do que é isso?

_ Eu sei, mas pense bem: você vai salvar o Universo, dar graça à sua vida e ainda vai se tornar um herói. Provavelmente essa missão será fora do Sistema Solar e quem sabe, fora de nossa galáxia. Imagine você sendo a primeira pessoa a sair da galáxia? E mais: você vai trazer paz e felicidade pro mundo. Pessoas morrem todos os dias por causa da violência e da miséria. As pessoas se tornariam eternamente gratas.

_ Nisso você está certa, mas será que vale a pena?

_ É lógico que vale! _ Disse ela como se perguntasse: não é óbvio?

_ E é lógico que essa missão exige muito de mim. Um mero humano não pode e nem deve se arriscar desse jeito. Se eu morrer ninguém vai se lembrar de mim e paz alguma virá ao mundo. Eu não sei se eu consigo. Eu não sei se eu devo.

_ Você anda se subestimando muito. Não devia fazer isso. Você é capaz. Espero que reflita sobre isso. E mudando totalmente de assunto, já fez o resumo da África lá?

Os minutos seguintes da ligação se resumiram em uma explicação do dever de casa. Quando terminaram, desligaram e o garoto voltou a ver TV. Dez minutos depois, o telefone toca de novo. Era Gary, seu melhor amigo de longa data.

_ Mano, me explica aquele troço direito! Você usou algum produto alucinógeno ou algo do tipo?

_ Cara, ninguém mais viu o que eu e a Kate vimos. Você nunca iria acreditar.

_ Que isso, velho. Sou seu mano, pode contar pra mim. Eu levo fé em tu.

_ A história é longa e eu não sei se devo te preocupar. Amanhã eu te falo tudo.

_ Ok, então, mas vê se não vai vacilar, valeu? Estou curioso. Mas aqui, e o resumo lá, tu fez?

E mais dez minutos de explicações. Gary não era dos alunos mais inteligentes. Ele bem que se esforçava, mas apresentava certas dificuldades em algumas matérias. Max sempre o ajudava. Diferentemente de Max, Gary não era nada tímido. Comunicava-se de forma extremamente informal com todo mundo. Não era muito fã de livros, preferia o basquete. Mas apesar disso, ele era muito amigável e gostava de ajudar as pessoas.

Ele pensou em seus amigos por um instante e nas diferenças entre eles. Kate, por exemplo, não gostava nem dos livros e nem dos esportes, mas das paqueras, das festas e das redes sociais. Sempre atualizada e moderna. Mas assim como Gary, gostava de ajudar as pessoas. Não era de ficar ouvindo os problemas dos outros, mas estava sempre disposta a dar conselhos. Às vezes, era meio fofoqueira. Gostava de saber sobre os boatos atuais, mas de fato possuía uma boa índole. Além disso, tinha um espírito aventureiro raro.

Max ficou ali na sala, vendo TV, por mais uma hora. Depois disso, subiu para o seu quarto para ler qualquer coisa. O tempo foi passando e ele logo se viu em meio à plena noite de verão. Como gostava de dormir cedo, decidiu-se por deitar e dormir, descansando daquele longo dia.

Na manhã seguinte, já no colégio, Max, junto com sua amiga, pode contar toda a história do dia anterior. Gary ainda não sabia da Verdade, mas conseguira entender que a situação era séria e arriscada. Até mesmo se ofereceu para ajudar na missão, mas Max sabia que ele não poderia aceitar qualquer tipo de auxílio. Apesar de saberem dos riscos, ambos os amigos ainda pressionavam o garoto a aceitar a missão. Mas ele tinha que pensar, refletir e imaginar todas as possibilidades.

Os dias se passaram normalmente, ele continuou indo à escola e tendo as mesmas preocupações com deveres e provas. Os amigos continuaram pressionando e ele, pensando sobre o assunto. Apesar disso, ainda ficou feliz por ter chegado o fim de semana, quando saiu do colégio na sexta. Isso, logicamente, até a noite daquele dia, quando ele começou a pensar sobre o dia de amanhã. Sábado. O dia da chegada de Faon e da grande decisão. Amanhã é um grande dia, pensou, antes de se deitar e pegar no sono.

Notas finais
Eu sei que o link do Gary não deu certo, então estou colocando aqui: http://wallpafer.com/wp-content/uploads/image_de_jaden_smith_2013.jpg Gente, só para lembrar: vocês podem me falar no que devo melhorar, viu? Conto com o apoio de vocês e até o próximo :)