P.O.V. Malu.

Esse mordomo dos São Romão me mete medo, parece aqueles mordomos de filme de terror me olha como se quisesse me devorar.

Está sempre me rodeando, me seguindo que nem cobra se preparando pra dar o bote. E então... sinto braços á minha volta.

Estou na cozinha, num reflexo eu pegou a faca me viro e enfio na pessoa. E era ele o Amador.

Eu enfiei a faca bem no pescoço dele, fiz um buraco no pescoço dele e quando ele arrancou a de lá começou a sair um jorro de sangue.

—Jesus!

Tentei correr e ele veio pra cima de mim.

—Sua vadia desgraçada!

—Larga de mim! Para!

Eu ainda dei um tapa na cara dele. Daí uma voz, não qualquer voz, a voz perguntou:

—O que está acontecendo aqui?

—Essa louca me atacou.

—Eu lhe ataquei? Eu? Você veio por trás de mim e me agarrou eu só reagi. Precisa de um hospital ou vai morrer.

O Doutor levou ele pro hospital e quando voltaram o Amador estava com um curativo no pescoço.

Quando ele voltou eu estava ajoelhada esfregando o sangue e o cheiro de morte do chão.

—Malu. Temos que conversar.

—Eu to ocupada esfregando o cheiro de morte do chão.

—Deixe isso ai e venha até a minha sala agora.

—Mas, se a Tininha vir isso...

—Agora!!

—Ai, tá bem.

P.O.V. João Miguel.

Quando cheguei em casa o Amador estava sangrando segurando Malu pelos braços com violência e ela o mandava parar e se afastar. Intervi e levei Amador para o hospital.

Ao retornarmos ela estava na cozinha, ajoelhada esfregando o sangue do chão. Depois de uma breve discussão eu a levei para o meu escritório onde pudemos conversar.

—O que houve?

—Eu estava na cozinha fazendo um suco para a Tininha beber, o liquidificador estava ligado por isso eu não ouvi ele vindo. Quando eu senti braços ao meu redor, me agarrando eu peguei a primeira coisa que eu vi e enfiei na pessoa. Eu agi por reflexo, foi tão depressa que nem deu pra perceber e quando eu vi o Amador estava com a faca enfiada no pescoço, ele gritou e arrancou a faca do próprio pescoço jogando ela onde estava e dai ele tentou me agarrar outra vez e foi quando o senhor chegou.

—Porque Amador a atacaria?

—Ele tem me olhado estranho desde que eu cheguei na casa e parece que tem inveja de vocês porque vocês são ricos, ele vem me perseguindo que nem uma cobra se preparando pra pegar um rato. Mas, eu fingia que não percebia porque se ele percebesse que eu percebia iria fazer alguma coisa e hoje ele deu o bote e eu revidei. Eu nem sei direito o que aconteceu só sei que aconteceu.

—Você foi bem detalhista ao descrever o que aconteceu.

—Eu sei. Eu não fiz de propósito foi só um reflexo.

—Essa parte eu entendi. E como eu dou prioridade á minha filha vou demitir Amador para que isso nunca mais aconteça.

—Obrigado. Agora, eu tenho que ir limpar aquilo lá.

Ela lavou toda a cozinha, limpou o liquidificador e tudo o que aconteceu foi esquecido. Amador perdeu o emprego e foi proibido de entrar dentro da mansão, de se quer chegar perto da mansão.

—Eu podia ter matado ele. Teria matado se o senhor não tivesse chegado, mesmo eu dizendo que ele precisava de ir ao hospital porque tava saindo muito sangue ele só queria saber de vir pra cima de mim, era como se a coisa mais importante pra ele fazer antes de partir era me agarrar.

—Ele tentou te violar?

—Sim. Mas, eu não deixei. E sinceramente? Se ele tivesse morrido, eu não sentiria o menor remorso. Um homem ruim á menos no mundo.

Essa última fala dela foi chocante.

—Não se preocupe. Eu nunca faria nada pra machucar a Tininha, ela é uma inocente. Eu só ataquei o Amador porque ele me atacou se não não teria feito nada pra ele. Eu não sou assassina.