The Mystery Of Grander Hall- The Alexander´s Book
14 Capítulo 13- Halloween- Fight
Notas iniciais

1º de novembro, domingo, 01: 20. Complexo montado para o festival, Ala D, perto da enfermaria.
– Eu deixo vocês dois sozinhos por três minutos e quando eu volto a cabeça dele está sangrando!- Lucy apontou para o corte na cabeça de Felipe- Laura!
A garota balbuciou algumas vezes antes de pigarrear.
– Não era para acertar ele!- ela protestou com a voz esganiçada.
A loira pôs a mão na testa e murmurou um quieto " eu mereço" antes de perguntar, suspirando:
– Então era para acertar quem?- a americana cruzou os braços.
– Foi assim:- Laura tomou fôlego e Lucy apurou os ouvidos, já que sabia que a amiga ia jogar todas as palavras rapidamente para que ela não entendesse metade.- Estávamos fingindo lutar, ao estilo Star Wars , sabe? Então, eu disse que minha vassoura era um sabre de luz e... é... eu fingi que ia acertar ele, só que acertou, né? pelo visto eu coloquei um pouco mais força que o necessário...
– Um pouco mais?!- Felipe reclamou- Você conseguiu abrir um corte na minha testa!
– Agora a culpa é minha?!- Laura parecia ofendida e os dois teriam começado mais uma de suas longas e confusas discussões se Lucy não estivesse ali.
– Esqueçam de quem é a culpa!- a menina falou- Vamos levar o Felipe para enfermaria. Você precisa limpar o machucado, sabia?- acrescentou rapidamente , antes que qualquer um dos dois protestasse.
Laura bufou e revirou os olhos. Lucy teve vontade de esganá-la. Ás vezes parecia que ela esquecia que não estava em casa. A brasileira era tão irresponsável de vez em quando...
Sem mais nenhuma palavra eles caminharam devagar até o pequeno trailer que estava parado há alguns metros dali, para atender alguém que passasse mal durante o festival. Existiam muitos deles. Praticamente três por ala, mas Lucy não tinha gastado seu tempo contando-as.
Depois de conversar alguns minutos com a enfermeira que estava ali, o ferimento do amigo foi limpado e colocado um band-aid por cima.
Contudo, quando eles estavam saindo, ainda sobre o som das reclamações de Laura, que dizia que Felipe podia ter feito isso mais tarde e que Lucy estava exagerando, Amy e Ameerah entraram. A porta se abriu com força, no exato momento em que Laura estava indo abri-la, fazendo a garota bater com a testa.
– aí!- a morena reclamou.
– Me Desculpe!- Ameerah ajudou a menina a se levantar.
– Não tudo bem...
– Machucou?- Lucy perguntou.
Laura, que até agora esfregava a testa, tirou a mão e mostrou para a loira. Ela fez uma careta. Com certeza ia ficar roxo.
– Só um pouquinho...- a garota disse.
– Eu vou pegar um pouco de gelo...- anunciou a enfermeira, quase rindo.
– Nem doí tanto assim...- Felipe retrucou fazendo uma voz extremamente fina.
– Você bateu em uma vassoura. Eu bati minha cabeça em uma porta. De metal.- ela enfatizou a última parte.- E minha voz não é assim!
Felipe levantou uma sobrancelha e a menina lhe deu um tapa no ombro.
Depois de entregar o gelo para a brasileira, a enfermeira se dedicou a Amy, que tinha a mão com vários cortes.
–Amy! O que aconteceu?- Lucy perguntou, preocupada.
– é que....é... bem...- a garota pareceu desconfortável.
– A gente estava no banheiro. Eu estava me olhando no meu espelhinho, sabe? sempre levo um na bolsa porque eu acho os espelhos de banheiros muito sujo e... nunca se sabe quando vai precisar, não? Então, eu terminei de me ver e o deixei em cima da pia. Amy estava contando uma história e quando foi enfatizar um gesto, bateu no espelho. Bem.... agora... eu acho que estraram alguns cacos...- Ameerah disse extremamente rápido.
Lucy arqueou as sobrancelhas e arregalou os olhos. Mas, na verdade, ela achava a história meio estranha. Como se algo não encaixasse.
– Bem... — a enfermeira disse- Vamos ver essa mão.
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1º de Novembro, domingo, 02:25. Complexo montado para o festival, Ala B.
Katherin estava sentada em uma mesa, brincando com o canudo do seu suco enquanto Selena tagarelava sobre seu encontro com Joshua. Não que ela detestasse ouvir a amiga falar sobre seu encontro. Longe disso. Todavia, parecia que a mexicana estava repetindo as frases com palavras diferentes e seus pensamentos não saíam do que aconteceu naquele banheiro.
– Katy? Você está me ouvindo?
– Desculpe,Selena.- a ruiva colocou um mecha do cabelo atrás da orelha.- Estou meio distraída...
– Eu não te culpo.- Fredie comentou.
– O que você quer dizer com isso?- a morena fuzilou o loiro.
– Que você está rodando o mesmo disco desde que sentamos!
– Rodando... o mesmo disco?- Selena perguntou, confusa.
– Ele quer dizer que você está falando da mesma coisa desde que sentamos. — Michael esclareceu.- O que não deixa de ser verdade...- ele comentou , em um tom mais baixo.
– Tudo bem. — A morena deu de ombros- Vamos mudar de assunto. Quais as novidades?
Se não houvesse o som do show ali perto e das pessoas conversando ao redor, Katherin tinha certeza que grilos poderiam ser ouvidos, por causa do silêncio que se sucedeu.
– Vida de nerd é tão parada assim?- a garota perguntou.
– Claro que não!- Michael respondeu- Sabemos nos divertir!
– Diversão para vocês é estar em um dos maiores festivais e tudo que você fizeram foi comer?- a mexicana retrucou.
–E desde quando comida não é diversão?- Fredie parecia indignado.
Selena pareceu pensar um pouco e olhou para Fredie como quem diz "talvez você tenha razão..."
– bem... vamos nos divertir , então!- Michael se levantou- Aqui ficam uns dois ou três palcos menores. Deve ter alguma banda legal tocando... Vamos?
– é assim que se fala, carinha daquele filme de nerd que eu não lembro o nome!
– Star Wars!- Michael parecia indignado e olhava para Selena como se ela tivesse dito que não sabia qual era a capital da Itália.- E é Luke Skywalker.
– Tanto faz.- ela deu de ombros e começou a andar.
Enquanto ela estava de costas, Fredie fingia enforcá-la com os dedos.
Katherin riu e segui-os.
Nenhum deles sabia quem estava tocando. A música tinha uma batida country e o cantor tinha uma voz grossa. Ao redor deles, as pessoas cantavam junto e a francesa se sentia incrivelmente fora de lugar. Pelo menos, estavam longe do palco, onde as pessoas ficavam extremamente longe uma das outras e você conseguia ver o chão aos seus pés.
Em um gesto de costume, ela olhou para o lado, mais além, onde uma pequena trilha começava e uma placa lia-se " Villa Maria".
Lá, a garota viu uma pessoa , fantasiada de capa, e com uma máscara horrorosa que ela já conhecia... era a mesma que vira na menina do espelho e no homem que tentou matar Seu Manuel.
Katherin não sabia como, mas podia sentir ele sorrindo por debaixo da máscara, como se estivesse satisfeito dela ter o visto. E então, tomou rumo da trilha, e sumiu de vista.
Katherin pensou em muita coisa ao mesmo tempo. As regras de Laura ecoavam em sua cabeça ao mesmo tempo que uma voz em sua cabeça dizia que deveria investigar...
Por fim, pensou que poderia ser perigoso ficar perto de Michael, Fredie e Selena, afinal, quem garantia que não poderiam fazer algo?
No final, Katherin disse que estava cansada e ia encontrar uma amiga que estava ali perto. Selena, que estava se divertindo e Michael e Fredie , que queria provar a mexicana que sabiam se divertir concordaram.
A ruiva correu até a trilha, tendo sempre verificado para que nenhum de seus amigos descobrisse que estava saindo do complexo.
Quando teve certeza de que não podia ser mais vista, correu por aquela estradinha de pedras cinzas e irregulares.
Ela não sabia onde estava a pessoas que perseguia e isso a preocupava. Mas, ao chegar no fim , viu-o um pouco mais ao longe.
A rua onde estavam não era das melhores: as maioria das casas estava abandonada e as luzes dos postes era fraca, quando existente. Mais a frente, seguia-se um grande terreno baldio e ao final, se encontrava um sobrado, ainda inteiro , porém claramente privado de cuidados.
Aquela pessoa lhe conduzia até lá. Katherin estava atenta a tudo em sua volta, todavia, não existia mais qualquer pessoa ali.
Apreensiva, a garota analisava o terreno por onde passavam: ele tinha a grama tão alta que estavam mais altos que o muro e , era provável que houvesse lixo lá dentro, porém, não era possível afirmar.
Ao chegar mais perto do sobrado, pode observar que ele estava em pior estado do que ela pensava: os vidros das janelas tinham buracos e as venezianas agora se resumiam a poucas tábuas de madeira que pendiam; a porta estava entreaberta e completamente destruída; os jardins estavam tomados por uma mato tão alto que batia na altura da cabeça da pessoa que ela seguia.
Falando nela, bem, estava preste a abrir o portão da casa e , em um ato não pensado, Katherin correu até ele e encostou a mão no seu ombro.
– Ei! Você!- ela gritou enquanto encostava nele.
Ele se virou,parecendo tão assutado quanto ela. Era um garotinho, não devia ter mais que onze anos, vestido com uma capa, mas sem máscara. De repente, Katherin percebeu que tinha perdido a pessoa e passara a seguir outra. Ela se sentiu constrangida.
– Desculpe.- a garota murmurou- Achei que fosse outra pessoa.
– T-tudo bem.- o garoto gaguejou.- Eu é que não devia estar aqui...
– E por que você está aqui?
– essa área era de preservação, só que as pessoas construíram aqui , mesmo assim. Há muito tempo, elas foram expulsas das casa. Mas, semana que vem, vão finalmente derruba-las e replantar as árvores. Então, meus amigos me desafiaram a entrar aqui e trazer algo para provar que eu estive aqui.- ele suspirou- Só que eu estou morrendo de medo...
Katherin sorriu para ele e arrancou uma das muitas pedrinhas douradas que pendiam da sua saia. Rolou a terra do jardim e bateu no chão um pouco.
– Pega. Diga que achou isso no quarto. Dentro de uma caixinha de jóias.
O menino sorriu, agradeceu e foi embora correndo.
Katherin deu uma boa risada. Por que ele não tinha pensado em fazer isso?
Ela ficou um bom tempo ali parada, sob a luz fraca do poste , observando o sobrado. Até que, subitamente, teve a sensação de medo, de estar em perigo. Foi algo repentino e forte, que arrepiou os seus pelos.
Então, pode-se ouvir uma espécie de estalo, que a fez olhar para os lados , procurando o que o causara.
De repente, ela foi empurrada para o chão, sob o som de um grande estrondo.
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1º de Novembro, domingo, 03: 13. Villa Maria, antiga rua Flutedeal.
Laura não acreditava que tinha realmente largado Lucy e Felipe com uma desculpa esfarrapada e estava correndo o risco de perder o show que ela mais esperava por culpa da ruiva que não sabia obedecer a três regras.
Por um mero momento, enquanto saia da trilha, a menina se perguntou se era que sua mãe se sentia quando ela e a irmã aprontavam.
De qualquer maneira, agora estava em uma rua escura e aparentemente cheia de casas abandonadas. Laura sentiu medo e saudade ao mesmo tempo. Medo porque sempre fora avisada do perigo de ruas mal-iluminadas e a falta de presença humana , caso algo acontecesse era angustiante. Saudades por causa da lembranças que essas casas lhe traziam: a dela e da irmã entrando nas casas que ainda estavam em construção do condomínio do seu tio.
Mesmo assim, ela se concentrou em Katherin e o menino que ela perseguia eles conversavam e então, ele saiu saltitando, feliz. Por desconfiança, Laura continuou a observá-lo enquanto ele ia até o final da rua e quase virava a esquina, onde se encontrou com uma sombra mais velha.
A mente de Laura começou a soltar alarmes dizendo " suspeito, SUSPEITO. Saí daí."
Depois de ver aquilo, andou ate´Katherin, tendo certeza de que ninguém poderia vê-la e observou o sobrado para o qual ela olhava. Uma olhada foi o suficiente para sua mente conectar muita coisa.
Ela lembrou-se de sua visão ... uma arma dendo apontada para a cabeça de uma ruiva... alguém mirando ... A garota estava procurando o atirador, quando ouviu o familiar som de arma sendo carregada.
Depois disso, não foi difícil achar alguém, na parte em que terminava a floresta. Laura olhou para ele, olhou para Katherin e murmurou:
– francesa inocente.- dito isso, ela se jogou em cima da ruiva no exato momento em que o tiro passava de raspão pela sua cabeça.
Quando atingiram a calçada, ela rolou para o lado só para garantir que nada as acertaria.
Sem nem pensar, ela agarrou a francesa pelo braço e guiou-a até dentro da casa. Novamente, o som de tiros veio e Laura forçou a ruiva , mais uma vez a cair no chão enquanto ela fechava a porta com o pé.
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1º de Novembro, domingo, 04: 10. Complexo montado para o festival, Ala A, Palco principal.
Annie ria de como Medelaine dançava e gritava as músicas , enquanto Thalia olhava feio para toda pessoa que encostava nela.
O show havia começado às quatro e duraria até as seis da manhã. Tradução: era o show que fechava o festival. Por isso, ela tentava aproveitar ao máximo.
Enquanto dançava com Medie esbarrou em uma mulher ao seu lado.
– Desculpe- ela se virou.
– Tudo bem.- a mulher respondeu polidamente antes de se afastar.
Contudo, aqueles pequenos segundos que ela se virou, possibilitou a Annie ter visto seu pingente : uma lua crescente e uma minguante ligadas por uma lua cheia.
Era o mesmo que tinha visto naquela pedra... o que significaria?
– Olha por onde anda!- Medie gritou para um garoto que esbarrara nela.
– Foi mal.- o homem respondeu calmamente e Annie pode ver a tatuagem que ele tinha no braço: o mesmo símbolo.
" Acalme-se Annie" ela se repreendeu " Pode ser apenas coincidência. Quem sabe esse símbolo não seja paz em alguma língua antiga?"
"não é." a voz da sua consciência respondeu.
"como posso saber?"
" Você quer parar de enrolar e admitir que tem algo errado aqui?!"
"Não tem nada de errado aqui!"
"depois não diga que eu não avisei..."
Então, um rapaz se aproximou de Thalia. De novo, o mesmo símbolo na pele. Uma garota dançante chegou perto de Medie. O símbolo na pulseira.
"Ainda não acredita?"
Por fim,Annie viu uma mulher se aproximando delas pela multidão. O colar dela...
– Thalia.- a australiana cochichou
– Você percebeu o símbolo em todos eles?
Por um momento de pânico, Annie pensou que a amiga diria que ela estava louca ou que não havia entendido. Contudo, Thalia Ivanov se limitou a assentir.
–Medie, — Thalia chamou- Precisamos ir.
– está no meio do show! Aliás, ele começou não faz nem meia hora!
–Medelaine Jane Jones, agora!- a russa apertou o braço da amiga com urgência.
Finalmente, Medie se convenceu e passou a ser puxada pela loira. Talvez ela tenha entendido a urgência na frase de Thalia ou talvez tivesse achado mais saudável concordar já que a senhorita Ivanov costuma ficar um pouco irritada quando não era obedecida. E Annie já tinha tido o prazer de constatar que isso era de família.
De qualquer maneira, elas passaram a abrir caminho pela multidão. Porém, quando mais recuavam, mais pessoas com o mesmo símbolo apareciam...
– Por aqui!- Annie puxou-as para o lado.
Elas correram entre as pessoas que se amontoavam até finalmente saírem da multidão.
– Para onde?- Thalia perguntou.
– Do que estamos correndo, mesmo?- Medie interrompeu.
– Vamos para a Ala E.- a australiana sugeriu.
Thalia assentiu enquanto puxava Medelaine , ainda confusa. Annie olhou para trás e viu no mínimo umas oito pessoas vestidas com capas e máscaras atrás deles.
– Eles tiveram tempo para trocar a roupa?- a morena comentou irônica. — Que lindo.
– Achei do que estamos fugindo...- Medie comentou.
Thalia encarou Annie enquanto elas corriam . Não era preciso palavras para traduzir o que ela estava querendo dizer.
– Não! Eu não fiz nada!
Sobrancelhas arqueadas para ela.
– Sério! Desta vez, não fui eu.
– Nem venha olhar para mim! — medie avisou.
Thalia revirou os olhos e apertou o passo.
Elas corriam feito loucas e as pessoas encaravam-nas assim como os seus perseguidores.
–Vamos ter que nos separar.- Thalia concluiu assim que entraram na ala E.
– O que?!- Annie se surpreendeu- Ficou maluca?!
– Eles são muitos!- a russa exclamou.
– Eu concordo com a loira.- Medie disse.- Depois do carrossel, cada uma para um lado e a Thalia continua reto.- ela disse para Annie, que ainda não achava uma boa ideia.
Mesmo assim, a australiana assentiu e acelerou. E, ao desviarem do carrossel, fizeram o combinado: Annie para a direita, Thalia reto , Medie esquerda.
Porém, algo insperado aconteceu: ao invés dele se dividirem igualmente, apenas um correu atrás de Annie e o mesmo aconteceu com Thalia enquanto seis atrás de Medelaine.
Annie franziu o cenho e parou de correr. Seu perseguidor ainda vinha em sua direção.
" bem... se é só um..."
A australiana ficou parada, observando o homem se aproximar e diminuir a velocidade, até parar , cerca de um metro dela.
– Cansou de correr?- ele riu.
Eles se encararam por uma fração de segundo antes dele vir até ela. Annie se esquivou e bateu com o cotovelo na lombar do homem. O que o fez cambalear para frente e quase perder o equilíbrio.
Ele se virou e encarou-a bravo.Pelo menos era o que ela deduzia já que só podia ver os olhos pelos buracos da máscara. E, foi para cima dela de novo.
Annie tentou se esquivar, mas desta vez ela não foi tão rápida e ele agarrou-a pelo braço e dobrou-o na suas costas, torcendo-o. A garota reprimiu um grito de dor r chutou-o com força na virilha.
Ele soltou-a e grunhiu de dor.
– Pirralha desgraçada.- ele disse , avançando de novo.
Novamente, a tentativa de desviar falhou e desta vez o homem derrubou-a no chão , fazendo-a bater a cabeça no chão de pedra.
Se aproveitando da tontura dela, ele prendeu os braços dela e , quando seus sentidos começaram a voltar, Annie tentou se soltar, mas sentiu as mãos fortes segurando-a. Juntando toda a força que tinha, a garota chutou-o na barriga, fazendo-o soltá-la e empurrou-o para que ele saísse de cima dela.
Enquanto o homem tentava se recuperar do tombo e como Annie sabia que não conseguiria segurá-lo, chutou-o na barriga.
O golpe deu certo, mas ele segurou-a pela perna e puxou-a para o chão.
Annie caiu ao lado dele, porém, sua perna dava a volta por cima dele e ela usou isso como vantagem: chutou-o bem nas costelas.
O homem contudo, rolou por cima da perna dela, fazendo-a finalmente gritar de dor e prendeu sua perna com o corpo.
Mais por reflexo do que por golpe, a australiana chutou-o bem na cara. esse ato o pegou de surpresa e deu tempo para ela se soltar.
Ela rolou para longe, para ter certeza que ele não a derrubaria de novo e ter tempo de recuperar o fôlego.
Quando os dois se levantaram, Annie foi para cima dele , dando-lhe um soco no rosto.
Antes que a mão da menina pudesse desviar, ele agarrou-a e virou-ade costas, colocando a mão na sua boca e tentando arrastá-la.
Sem pensar suas vezes, Annie mordeu a mão com mais força do que qualquer tubarão faria , obrigando-o a soltá-la.
O homem se afastou, grunhindo e , aproveitando-se dessa distração, a morena acertou-lhe outro soco, que, desta vez, quebrou o seu nariz.
Ele cambaleou, surpreso e a garota deu-lhe uma rasteira, derrubando-o. Depois que ele caiu, sem sequer pensar, a australiana chutou-o duas vezes na barriga. O homem se contorceu de dor e ela lhe deu mais um soco no rosto, fazendo-o desacordar.
Depois de garantir que ele não acordaria, ela correu para onde vira Thalia pela última vez.
Não precisou ir muito longe para ver uma loira , soltando palavras que Annie sabia se tratarem de grandes ofensas e desferindo vários golpes no pobre coitado que decidiu atacá-la.
Thalia era filha de dois grandes médicos, mas fora treinada como se tivesse feito parte do exército russo.
–Eu odeio ter que acabar com essa cena linda, mas precisamos achar Medie!
Thalia assentiu.
– Nunca, mais me ouse me chamar desses nomes seu porco!- ela gritou, chutando-o.
–Vamos?- Annie perguntou.
– Eles foram quase todos atrás dela...
– Eu percebi. Por mais que Jones saiba lutar como um demônio, não aco que ela da conta de seis...
– Então? estamos esperando o que?
– Wow! wow! alguém acordou com sede de sangue hoje!
Thalia soltou uma boa risada antes de correr para a esquerda.
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1º de Novembro, domingo, 04: 22. Villa Maria, Antiga rua Flutedeal, nº 43.
Katherin demorou algum tempo para entender o que estava acontecendo. Depois do susto, tentava ajudar a pessoa que salvara sua vida a se levantar.
Quando o garota morena que estava com a cara no chão finalmente recobrou os sentidos e se levantou, a francesa a reconheceu.
– Laura?!- ela arregalou os olhos — O que você está fazendo aqui?!
– Ao que parece salvando a sua pele.*- a brasileira respondeu, áspera- de nada.
– Como você me achou?- a menina ignorou o último comentário da brasileira.
– Bem, é que o meu radar para ruivas ingênuas que gostam de quebrar regras estava apitando muito alto e eu resolvi investigar.- a morena respondeu com sarcasmo.
Katherin revirou os olhos enquanto Laura empurrava uma cômoda para impedir a passagem. A francesa foi ajudá-la.
– Te vi entrando na trilha sozinha. — a morena disse depois que terminaram, dando de ombros- Resolvi vir para evitar que você se metesse em confusão.
– Você realmente acha que eu sou tão ingênua assim?
– Considerando que você não reconhece o som de uma arma sendo carregada...- a brasileira fingiu pensar por um segundo- Sim.
– Talvez eu não tenha reconhecido porque nunca ouvi...- a ruiva retrucou.
– Então o que os franceses ensinam para suas crianças?!
– Pensei que no seu país fosse proibido ter armas em casa...
– E é... mas você pode ganhar uma autorização.
– E você ganhou uma?!
– Não.- a brasileira passou a colocar mais alguma coisa que Katherin não soube dizer o que era em frente á porta- Mas nada me impede de usar de quem tem.
– Então... você sabe atirar?
– Sim. Isso é autodefesa.
Katherin revirou os olhos mais uma vez até que Laura ficou repentinamente séria.
– o que foi?- a francesa perguntou preocupada.
– Está ouvindo isso?
– Não.-a ruiva estava começando a achar que a amiga tinha sérios problemas.
– Exatamente.- Laura cochichou- Nada.
– Significa que já foram embora?
A brasileira murmurou algo como " francesa ingênua" e apontou para as escadas, como se dissesse para Katherin subi-las.
– Ficou louca!- a ruiva sussurrou — Essa coisa vai quebrar enquanto pisarmos nela!
Laura revirou os olhos e passou a subir as escadas. Katherin estava pronta para mandá-la descer quando ouviu barulho vindo de dentro da casa. e correu atrás da morena.
O andar de cima era resumido a apenas um quarto o que não facilitava muito...
– Tranque a porta!- a ruiva sibilou
– Tem alguém lá em baixo?
A francesa encarou.
– Sério? você consegue identificar o som de uma arma sendo carregada e não consegue ouvir o som de alguém pulando a janela?
Laura revirou o olhos e começou a empurrar as coisa para barrar a porta. Ao terminar, se virou para Katherin, arfando.
– Obrigada pela ajuda.
– Ei! Você no fez entrar aqui!
– Desculpe, da próxima vez eu deixo você levar um tiro na nuca.
Katherin se sentou na cama e enterrou o rosto nas mãos.
– Como vamos descer?
– bem... se o telhado for do jeito que eu estou pensando...
– Quer dizer que se não for estamos mortas?!
– Você é muito trágica, sabia?- a morena riu, andando até a janela- Se não for, eu arranjo um jeito.
– Você é bem confiante, não?- Katherin levantou a sobrancelha, indo até a janela.
– E você é meio desesperada, não?- a brasileira retrucou, olhando para o telhado que dava para os fundos da casa , que, como não tinha muros, acabava na floresta.
Havia um pedaço de telhado logo em baixo da janela e , mais para a esquerda, quando este telhado acabava, existia um pequeno trecho de telhado que cobria uma janela do primeiro andar. Era uma arquitetura peculiar. Aliás, parecia que o telhado tinha esse formado exatamente para servir como rota de fuga. Talvez fosse só a imaginação fértil da ruiva, mas algo lhe dizia que a pessoa que morara nessa casa não era das melhores...
– E nem precisamos no preocupar com o caso do telhado não nos aguentar!
– Por que ele não aguentaria?- Katherin perguntou enquanto a amiga já partia para o telhado.
Relutante, a francesa a seguiu.
– De onde eu veio- Laura cochichava.- Não precisamos construir telhados muito fortes, porque não há neve, então o telhado não precisa aguentar muito peso. E, assim, muito telhados não aguentam muito peso...
Katherin de repente se lembrou de que não nevava em países tropicais. Se perguntou como seria passar um inverno sem neve ou um natal sem frio...
Seus pensamentos foram interrompidos pela aterrizagem silenciosa de Laura no telhado de baixo.
Ao recobrar o equilíbrio, Laura pulou para o chão, aterrizando desajeitadamente e caindo na grama.
Katherin reprimiu uma risada e , com a graça silenciosa de uma bailarina, desceu para o telhado e aterrizou de pé no chão, enquanto Laura limpava a barra do vestido.
– Tanto talento para não ser percebida nunca usado...- a brasileira comentou enquanto corriam até a floresta.- Já pensou em passar uma temporada na minha casa? Assim você me ensina uns truques quem, sabe.
Katherin provavelmente teria rido, se não tivesse visto dois homens vestido do jeito tradicional : capa e máscara correndo atrás delas.
– A gente combina isso depois. Temos companhia.- ela apontou para o jardim.
– Ah! Qual é! a brasileira disse antes de puxar Katherin e começar a correr.
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1º de Novembro, domingo, 4:15. Complexo montado para o festival, Ala E, Área de diversão.
"Okay, separar foi, definitivamente uma má ideia." esse é o pensamento que passava pela cabeça de Medie no exato momento em que seis dos oito homens passaram a persegui-la.
Ela vasculhava sua memória enquanto corria, procurando algo que pudesse ter causado tamanha confusão. Mas até agora ela não tinha feito nada... Nada que fosse tão grave.
Medelaine fazia parte do time de futebol,vôlei, rugby , handball... Talvez fosse essa boa forma física que estava lhe ajudando a correr tanto. Agora, as atividades de correr em volta da quadra do colégio que seu professor de educação física , na época em que ainda estudava na Inglaterra, fazia, não parecia mais tão ruim. O único problema era não poder ouvir seu rock pesado enquanto corria. E, que aqui ela dava voltas pela Ala de um festival e era perseguida. Pouca coisa.
Contudo, medie estava começando a perder velocidade, pois estava ficando cansada. Percebendo isso, os perseguidores se dividiram e quando ela olhou para trás, haviam apenas dois.
Medelaine, então, se virou e correu na direção deles.Não era a coisa mais sensata a se fazer, mas ela queria aproveitar que haviam menos agora.
Ela deu um soco no rosto do da esquerda , mas o da direita segurou-a pela cintura, deixando-a no ar. Medie chutou o da esquerda e juntou toda a força que tinha e deu uma cotovelada no pescoço do que a segurava.
Ele soltou-a , em desespero, e Medie caiu no chão. Mal havia se levantado e o outro homem veio para cima. A inglesa tentou bater-lhe de novo, mas ele lhe segurou o braço direito, depois o esquerdo. Assim, Medelaine forçou a perna por trás do joelho esquerdo dele, derrubando-o.
Ela estava pronta para chutá-lo na barriga, quando algo agarrou-a pelas costas e começou a arrastá-la. Medie deu-lhe várias cotoveladas, mas ele não a soltava. Desesperada, a garota gritou por ajuda. Então, seu perseguidor, pôs a mão na sua boca.
Medelaine se debateu feito louca e seu perseguidor ainda prendia forte. Foi somente então que ela reparou em uma pequena parte exposta de pele entre a manga da blusa e a luva. Ela não pensou duas vezes em mordê-la com força.
O homem a soltou e olhou para seu pulso, que agora sangrava em alguns pequenos lugares.
Distraída com o fato de ter uma mordida tão forte, medelaine não viu o outro homem chegar por trás e puxá-la pela perna. A morena bateu com força no chão e começou a ver pontos pretos. Contudo, juntou um pouco de força para rolar para o lado e desviar de um soco, surpreendendo o adversário e usando essa surpresa para bater-lhe no rosto , duas vezes e chutá-lo uma vez.
mesmo assim, ele não saiu de cima dela, então Medelaine juntou uma força enorme para levantar sua cabeça para golpear o homem. Ele soltou as mão dela para colocá-las em cima do lugar em que a cabeça dela bateu. Aproveitando-se, Medie deu-lhe uma joelhada na barriga, derrubando-o.
Ela se levantou, só para se virar e levar um soco do homem do qual mordera a mão. o soco fora forte, pois fez ela voltar a ver as manchas pretas e recuar.
Ele veio para cima dela, mas Medie desvio e deu-lhe uma chave de braço. O adversário ficou algum tempo lutando contra, até juntar forças e jogar Medelaine para sua frente, derrubando-a no chão novamente.
Desta vez, ela caiu com muita força no chão, uma vez que ele fez a garota voar por cima dele. Ela mal enxergava o que havia a sua volta , sentia náuseas e agora sentia o gosto de sangue na sua boca.
Seu adversário ficou por cima dela e deu-lhe mais um soco.
– Nunca te ensinaram que não se bate em uma dama?- a inglesa perguntou, tentando não desmaiar.
– Você não é tão dama assim nas aulas de luta, né?
Medelaine arregalou os olhos, e sentiu sua mão passar por cima de um pedra grande e solta do chão.
" Eureka" ela pensou.
– Só que você se esqueceu de uma coisa...- a garota comentou enquanto recebia um olhar confuso de seu adversário.- Eu não luto lutas justas.- ela gritou batendo na cara dele com a pedra, derrubando-o, fazendo-o desmaiar.
– Maluco.- medie falou enquanto se levantava e encarava os dois homens caídos.
Ela finalmente achou que poderia ter paz. Estava prestes a ir procurar Annie e Thalia quando alguém segurou seus braços.
Pelo susto e pelo pânico, a garota berrou de uma forma como nunca. Ela apostava que seus gritos puderam ser ouvidos até o Pólo Sul, mas ninguém veio ajudá-la.
Uma mão tapou sua boca. A morena tentou morde-la , contudo a luva protegia-a.
Então foi colocada uma mordaça e a inglesa se debateu e seu perseguir teve dificuldade em segurá-la.
Uma terceira pessoa entrou em cena e lhe deu três socos, que deixou a menina quase desacordada. Ela via tudo borrado, a náusea voltara e ela sentia que iria desmaiar a qualquer minuto. Por um minuto cruel e agoniante, pensou que era seu fim.
Entretanto, algo aconteceu, pois seu perseguidor soltou-a, deixando que ela caísse. Ali, no chão frio,Medelaine começou a recuperar os sentidos e viu duas garotas, uma loira e uma morena, lutando contra quatro homens.
A inglesa sorriu de orelha a orelha e se obrigou a levantar . Ela, mesmo sentindo fortes dores por causa dos vários tombos e dos socos, voltou a lutar.
Entretanto, a luta não ia muito bem: Annie lutava contra dois homens e não conseguia sair do chão enquanto Thalia se esforçava para não ser derrubada pelos dois com quem lutava.
Medie cutucou um dos homens que batiam em Annie e, enquanto ele se virava, deu-lhe um soco, derrubando-o.
Aproveitando-se dessa distração, Annie derrubou seu adversário e deu-lhe dois chutes nas costas.
Medie ficou em cima de seu adversário e prendeu-o. Ela lhe deu mais um soco, porém, antes que sua mão voltasse a prender o braço do homem, ele pegou-a e chutou-lhe a barriga.
Medelaine sentiu uma dor aguda e horrorosa. Por um minuto pensou que vomitaria.
seu adversário tentou lhe dar um soco, mas ela rolou para o lado e o punho dele bateu com força no chão.
Ele tentou disfarçar, contudo, ficou claro que gemeu de dor. Aproveitando-se disso e do fato dele ainda estar curvado para o chão, medie correu e caiu em cima dele, com o cotovelo na coluna dele. os dois caíram com tudo e a inglesa sentiu o homem gritar de dor. Aquele sorriso psicopata veio ao seu rosto, apenas para ser tirado por duas mãos que a jogaram no chão e lhe deram um soco.
– Isso é sério?!- ela perguntou para o seu agressor antes de chutá-lo no rosto e inverter as posições.
Este ainda estava mascara e a morena precisou arrancar-lhe esta antes de socá-lo e dar uma joelhada na sua barriga.
O homem com quem lutava tinha uma aparência comum: cabelos curtos e castanhos e olhos escuros. Não tinha braços muito fortes, mas eram o suficiente para dar trabalho para medie. pelas estimativas dela devia ter por volta dos vinte e cinco anos.
Ele lutava para se soltar da garota enquanto esta lhe dava mais joelhadas. Ela achava que estava ganhando , alguém a tirar de cima dele e arrastá-la.
medie enroscou sua perna da de seu mais novo adversário , derrubando-o. os dois então, passaram a rolar no chão trocando tapas ,socos e chutes, até que uma terceira pessoa, levantou Medelaine e segurou-a enquanto o seu adversário dava-lhe mais um soco.
A menina tinha certeza que seu olho ficaria roxo depois de apanhar tanto, e, ao desviar de um dos socos, viu que Annie estava praticamente dominada no chão e que Thalia mexia a cabeça para escapar de alguns golpes, mas também estava no chão.
Quando a inglesa estava preste a desistir, o seu agressor caiu duro no chão. na sua frente, agora havia uma loira baixinha... qual era o nome dela?Lucy! a amiga da amiga da katherin!
O homem que prendia medie a soltou e passou a lutar com a loira. Contudo, a menina era rápida e chegava a levar vantagem por ser mais baixa que seu adversário.
Então, Medie partiu para cima do agressor de Annie. Ela estava machucada, e exausta,mas a chegada de alguém para ajudar tinha revigorado sua esperança.
Os dois saíram nos socos por um tempo até derrubarem-na no chão de novo.
A menina esperou por Annie, mas ela já lutava com outro. Medelaine começou a se perguntar se estavam aparecendo mais...
– Lucy!- a garota ouviu alguém berrar.
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1º de Novembro, domingo , 4:33. Complexo montado para o festival, Ala E, Limite da área de diversões.
Felipe não conseguia acreditar no que via : Lucy, doce e gentil Lucy Rose lutando. Aliás, ganhando um luta contra alguém com o dobro do seu tamanho e idade.
Ele passou algum tempo observando a cena antes de começar a correr até ela. Ao chegar perto, viu ela tentando lutar, já caída. contudo, ela não tinha força para soltar seus braços nem empurrar seu agressor.
Em um surto louco de coragem, o garoto empurrou o homem para o lado e deu-lhe um forte soco na cara. O homem caiu e Valentim aproveitou o tempo para levantar a amiga.
– Você está bem?
– Sim... Obri..- ela arregalou olhou por cima do ombro dele.- Abaixa!
No exato momento em que ele obedeceu-a , ela acertou um soco em alguém logo atrás dele.
– Já enfrentou uma pancadaria antes, Valentim?
– Uma vez. — ele deu de ombros. Ela arqueou as sobrancelhas.- Uma longa história dos subúrbios londrinos.
Ela sorriu. Todavia, Felipe não pode desfrutar mais da conversa ou do sorriso dela, uma vez que alguém derrubou-o.
O homem que agora estava por cima dele tentou lhe dar um soco, mas ele desviou-se e derrubou-o. Coisa que, para ele não era muito difícil, Já que era alto e , mesmo que Laura risse quando ele dizia, forte o suficiente.
Ao se levantar analisou tudo em poucos segundos: Lucy estava indo bem em sua luta; a russa, Thalia,ainda não conseguia se soltar de seu agressor ; a dos olhos verdes, Annie, parecia ter tomado um energético ou algo do gênero, pois lutava com dois ao mesmo tempo e estava melhor do que qualquer um; e a sua compatriota, Medelaine, estava rolando no chão com alguém. Felipe olhou ao redor: eles eram seis. Seus agressores eram oito. Uma luta nem tão justa.
De qualquer maneira, estava preste a ir ajudar a russa que precisa de uma mão, quando alguém bateu-lhe nas costelas. Aquilo doeu, mas o inglês não achava que era suficiente para quebrar alguma.
o garoto passou a lutar com um homem. Ele não tinha mais máscara e era possível ver seu rosto: loiro, olhos escuros, trinta anos, mais ou menos. Ele era forte, porém lerdo. Não que Felipe fosse muito rápido... Afinal ele era alto também.
Os dois lutaram bem, até o homem agarrar as bordas da capa do garoto e jogálo do chão.
O inglês tentou se soltar, mas o adversário bloqueava todos os seus truques. Então, partiu para algo mais ... baixo. Ele levantou o pé com força e bateu na virilha do adversário.
pelo menos funcionou. O homem recuou um pouco e o garoto chutou-o na altura do estômago. O loiro caiu para o lado e Felipe deu-lhe um forte soco no rosto, fazendo desmaiar.
O menino suspirou enquanto corria até Annie ajudava-a com um dos seus adversários.
A luta com este não foi difícil: Annie já havia cansado-o bastante e ele não estava acostumado com os truques do inglês. Em poucos minutos, ele nocauteou-o.
– Bom trabalho, Felipe.- Annie sorriu derrubando seu adversário.- Ajude Thalia. Vou ajudar a Medie.
o garoto assentiu e correu até a loira. Contudo, alguém veio até ele como um touro, pegando-o de lado e fazendo-o bater na parede de uma construção da qual estavam lutando atrás. Era a casa de espelhos, ele achava.
Felipe bateu a cabeça com força e viu pontos pretos. Praguejou mentalmente e se obrigou a lutar.
Seu adversário prendia-o na parede pelos pulsos enquanto Valentim tentava derrubá-lo.
Os dois lutaram por um bom tempo, felipe desviando dos socos dele, que batiam diretamente na parede e ele se desviando dos chute , joelhadas e cotoveladas de Felipe.
Entretanto, o homem, vendo que os socos não funcionavam, bateu com seu joelho na barriga do inglês com muita força.
Velentim, reprimiu um grito e caiu de joelhos. A dor era forte e ele ainda via os pontos pretos.
O homem estava preste a dar um golpe final no garoto, quando alguém empurrou para o lado e caiu em cima dele.
Felipe só conseguia ver duas pessoas se batendo no chão. Somente quando o que salvou Felipe se levantou que ele o reconheceu.
– Leo!- o inglês exclamou, só agora sentindo o gosto de sangue na boca agora.
– Cara, que diabos está acontecendo aqui?!
Felipe ia responder que não sabia, quando um grito pode ser ouvido.
Os dois olharam para trás e só então perceberam de quem vinha: Thalia
Annie e Medie tentavam se libertar de seus agressores, mas estavam com muita dificuldade.
Leo ganhou um brilho assassino nos olhos que Felipe só havia visto em uma única outra pessoa antes e correu até a russa.
O brasileiro puxou o homem com força e deu-lhe um soco forte. Os dois passaram a brigar ferozmente. Sério. Felipe só tinha visto lutas tão fortes assim em filmes de ação e quando ele sem querer parava no Animal Chanel.
O final foi Leo socando o cara mais do que o necessário e Valentim ter que arrastá-lo para longe.
Então, o brasileiro focou sua atenção na russa. felipe sorriu de lado e resolveu deixá-los sozinhos.
Ao se virar, viu Lucy acertando seu adversário, fazendo-o cair. Ela tinha alguns cortes no rosto e um machucado no canto da boca, mas mesmo assim Felipe achou que ela parecia uma daquelas guerreiras de filmes medievais.
Ao era que era observada, a americana sorriu e correu para arrancar Annie de cima de seu agressor antes que ele virasse defunto.
Medelaine se levantou há menos de um metro de Felipe. O garota não sabia em que estado estava , mas tinha quase certeza que a garota era a mais machucada de todas: seu olho esquerdo estava ficando roxo e sua bochechas estavam vermelhas, contudo ainda não era possível saber se ficariam roxas ou não. Havia ainda, um grande corte que começava em sua boca e acabava na metade de seu queixo e em várias partes de seu rosto estava com ralados e cortes por todo lado.
Ela se juntou a Annie e Lucy que olhavam seu ferimentos. Leo e Thalia se juntaram a elas e Felipe fez o mesmo.
–Então...- o inglês interrompeu a conversa deles.- Quem vai explicar o que aconteceu aqui?
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1º de novembro, domingo, 04:40. Floresta à margem da Villa Maria.
– Por que toda vez que eu venho para cá, tenho que correr?!- Laura resmungou.
– O que?!- A francesa ao seu lado perguntou.
– Esquece...- a brasileira respondeu.- Alguma ideia de para onde ir?
– O café da Jade...
– Nem pensar!- a morena encarou a ruiva- E se eles entrarem lá? Colega, a perseguição acaba ou quando alguém morre ou quando você despista seus perseguidores.
– Você tem um pensamento um tanto trágico da vida , não?- a menina comentou, olhando para trás.
– Talvez. Mas isso não faz você menos ingênua.- Ela deu de ombros.
Laura sabia muito bem que Katherin estava fuzilando-a, mas aquilo era o que ela realmente pensava. A ruiva era uma pessoa bonita, honesta, generosa... Contudo, nada faria a brasileira pensar de outra maneira. Talvez ela só falasse isso de brincadeira, talvez fosse por causa da diferença entre a vida européia e a brasileira... Qualquer que fosse o motivo pelo qual sua mente havia criado essa imagem na sua cabeça, seria difícil tirá-la.
– Então... esperta, — a francesa disse com sarcasmo- já que eu sou muito ingênua, poe que você não arranja um jeito de despistá-los?
– Então é por isso que meu professor um dia me disse que o sarcasmo era francês, né?- ela comentou sorrindo.- Admirável, mas deixe as alfinetadas para depois, menina.
– Certo. Todavia, ainda precisamos de um plano...
– Eu tenho um.- a brasileira confessou- Mas não é a melhor ideia...
– Se não tem remédio...- a ruiva suspirou, enquanto olhava para trás.- Qual o plano?
– bem... temos que distraí-los, certo?
– Sim.
– E como distraímos as pessoas ?
– correndo em zigue-zague?
– Talvez... Mas agora , nós vamos virar muitas esquinas, correr mais rápido e nos adentrar cada vez mais no bairro.
– Assim, a gente se perde.- a francesa retrucou.
– Fique calma, deixe-os pensar que estamos fazendo isso por desespero, contudo, estaremos apenas indo para onde queremos que eles vão.
– E que lugar é esse ?
– Você vai ver...- a brasileira sorriu, acelerando o passo enquanto ouvia Katherin suspirar e fazer o mesmo.
Os próximos minutos passaram tão rápidos que Laura não conseguia saber há quanto tempo corriam pelas ruas desertas.
Tudo a sua volta passava rápido, como um borrão. Tudo estava muito escuro e o coração da menina parava toda vez que tinha de atravessar uma rua sem iluminação.
Laura se concentrava em não andar em círculos e em guiar a francesa para o lado certo. Não podiam ir muito longe ou as duas estariam perdidas por ali.
– Para onde eles foram?- Katherin murmurou e a morena parou de repente, olhando para trás.
– Qual parte do "Não perca eles de vista" você não entendeu?- a brasileira retrucou, revoltada.
A francesa parecia prestes a respondê-la de uma forma nem tão educada, quando algo em sua mente a repreendeu.
– E agora?- ela perguntou.
– Eu não sei...- Laura franziu o cenho- Vamos tentar...
A menina foi interrompida por uma força invisível e fortíssima , que jogou-as dentro beco que elas estavam em frente e só agora Laura reparara no erro que haviam cometido parando.
Agora, as duas batiam as cabeças com força no muro e tentavam recuperar os sentidos enquanto três pessoas entrando no beco calmamente.
Laura, que estava deitada no chão e não enxergava direito, pois seus óculos haviam caído e ela não sabia onde estavam, viu duas bordas de capa flutuando, mostrando dois pares de tênis negros juntamente com um par de botoas negras de salto, cujo barulho ecoava pelo lugar.
Quando eles já estavam próximos, a brasileira resolveu levantar e encontrou seus óculos deitados no seu colo. Quase sorriu de alívio. Ele era algo meio sentimental para ela, parte do seu corpo já. Perdê-lo ou quebrá-lo a deixaria miseravelmente infeliz.
Com os óculos, a garota pode ver os mesmos homens mascarados acompanhados por uma mulher alta, com cabelos castanhos que desciam em ondas até suas costas, olhos escuros e rosto de traços finos. Ela poderia ter 16 ou 35 anos. Laura não saberia dizer.Olhando-a agora, Laura poderia dizer que ela muito bonita, mas se a visse na rua, seus cabelos e olhos de cores comuns disfarçariam seu rosto bonito e ela mal seria notada.
A brasileira se levantou devagar, enquanto os três paravam bem em frente a elas. Segundos de silêncio se passaram antes que katherin dissesse:
– Você... Você é a menina do espelho.- a francesa comentou, se levantando.
– Talvez esse seja o mais suave dos meus nomes.- ela deu um sorriso debochado.- Mas tente ser mais criativa da próxima vez.
Laura olhou-a de cima a baixo. Sentiu uma vontade enorme de bater nela. Talvez fosse só seu stress precisando ser extravasado, ou apenas o fato da garota não ter gostado do tom de voz dela.
– Deixando as piadinhas sem graça de lado,- a brasileira falou, sequer deixando transparecer o tremendo pavor que sentia- Pode dizer o que vocês querem?
Os três riram. A brasileira fechou as mãos em punhos e cerrou os dentes.
– Parece que alguém está com pressa.- A mulher riu.- Algum compromisso, menina?
– Talvez.- a morena deu de ombros.- Ou talvez eu só esteja cansada de olhar para a sua cara.
– Fique calma.- ela disse , tirando um revólver de algum lugar que a brasileira não pode ver.- Isso já vai acabar.
Laura nunca admitiria, mas sentiu seu coração parar.
– O que? Acabou a sua pressa?- a mulher sorriu.
Laura teria ficado com muita raiva se não estivesse com tanto pavor. A garota encarava a arma e sem querer, pensou em como a vida era irônica...
– Por que vocês estão atrás de nós?- Katherin perguntou com uma determinação e um brilho de ódio nos olhos que fez Laura se perguntar quantas vezes alguém já a ameaçara.
– Fique calma, Katherin.- a perseguidora respondeu- A culpa por isso, — ela balançou a arma — No seu caso, não é sua.
– Isso não responde a minha pergunta.- a francesa levantou o rosto ainda mais alto para encarar a mulher.
– Tudo bem, tudo bem...- Ela riu, deitando um pouco o revólver.- Você,- ela aproximou a arma da ruiva, que não se mexeu um centímetro.- vai morrer por medidas de precaução. E alguns erros do passado que precisam ser acertados.
A ruiva franziu as sobrancelhas enquanto a arma era direcionada para Laura. Que sentiu todos os pelos do seu corpo se arrepiarem e o coração disparar.
– Quanto a você, Senhorita Laura Regina.
– Laura Fregaza Regina.- a morena corrigiu , sentindo a boca seca.
– Eu sei, eu sei. — a mulher fez um gesto de descaso com a mão.- Laura Fregaza Regina e ,uns quatro nomes depois, Prado.- Ao ver a expressão surpresa da brasileira, ela deu um sorriso que a menina considerou assustador.- O que? Pensou que não sabíamos quem você era?
Enquanto eles riam, Laura olhou para Katherin. A brasileira não sabia ao certo, mas pensou ver um esboço de sorriso no canto dos lábios dela.
–Você é realmente uma garota estúpida.- a mulher riu- Crianças não deveriam jogar jogos tão perigosos. Ainda mais quando elas não sabem o que há neles...- ela apontou a arma para Laura- Aliás, estou fazendo um favor ao mundo, você é um desperdício de espaço.
A morena estava preste a puxar o gatilho. Laura rezou enquanto , a cada segundo, ficava mais próxima da morte. Então, se lembrou de Leo, de todos os seus primos, seus pais, sua irmã, seu irmão, seus pais, seus tios, seus amigos, Lucy e Felipe. Definitivamente esse não era o jeito que a menina iria morrer. pelo menos foi isso que ela decidiu. Estava prestes a fazer algum movimento repentino para escapar quando Katherin se virou para correr e foi um pouco para o lado.
Esse movimento chamou a atenção da assassina , que atirou para o lado contrário. Ao constatar que Katherin não tinha sido atingida, Laura revolveu se aproveitar da distração e foi até a mulher, fazendo-a se assustar e atirar para cima.
Laura deu uma rasteira nela , e, enquanto ela caia, a arma voou de suas mãos. A brasileira estava prestes a pegar o revólver quando algo puxou-a pela perna e derrubou-a no chão. Olhou para trás e viu a assassina com as unhas grandes cravadas na sua perna.
Palavras nem um pouco elogiosas passaram pela cabeça dela antes de começara chutar e espernear,enquanto a mulher escalava sua perna, fincando cada vez mais as unhas.
A menina então, deixou-a chegar mais perto para dizer :
– Minha sempre me alertou sobre mulheres vulgares como você que usam de métodos baixos para ganhar.- ela cuspiu as palavras no rosto claro da outra.
– E o que ela disse para você fazer nesses casos?- a morena perguntou com deboche, fincando mais ainda as unhas.
– Mostrar como uma mulher luta de verdade.- a brasileira gritou, fechando as pernas em torno do pescoço da adversária e fechando com força.
Ela, em desespero, tentou fincar as unhas novamente, criando pequenos cortes na parte da perna exposta da garota.
Contudo, Laura só riu.
– Querida, você não tem irmão, né?
A mulher guinchou e a brasileira apertou ainda mais.
– Suas unhas não são nada perto da mão forte de uma irmã estressada que sabe lutar.- a morena riu e se esticou para pegar o revólver.
Entretanto, para isso, ela teve que se esticar e acabou por afrouxar o círculo que sufocava a assassina, que se aproveitou disso e jogou a menina para o lado.
A mulher se levantou e foi atrás da arma, mas Laura agarrou-a pelo pé a fez cair. Para garantir que ela não pegasse o revólver, a brasileira arrastou-a para longe. A assassina , então, levantou seu tronco e deu um soco na cara da morena.
A menina sentiu o rosto esquentar, por conta do soco e da raiva.
– Estou cansada de mulheres como você!- a garota berrou, dando dois socos no rosto dela.
As duas trocaram socos, chutes e ofensas em suas línguas natais por um longo tempo. Laura não conseguia entender em que língua a mulher falava. Soava como russo, contudo, ela não tinha tempo para descobrir.
As duas morenas rolavam no chão e se atacavam , verbalmente e fisicamente, com tanta ferocidade que pareciam animais selvagens.
Então, por um descuido da mais nova delas, a assassina ficou por cima e prendeu-a no chão. Seus cabelos castanhos estavam completamente bagunçados e molhados de suor nas pontas, grudando em suas bochechas, agora cheias de cortes e vermelhas. Sua boca sangrava e haviam um roxo em sua testa. mesmo assim, seus olhos escuros tinham um brilho feroz no olhar.
– Sua irmã lhe ensinou como fugir da morte, querida?- Ela perguntou em tom de deboche com o brilho feroz no olhar encarando a brasileira, enquanto virava o cotovelo direito dela.
Laura sentiu uma dor horrível. Sentiu seus ossos saindo do lugar. A dor percorreu seu corpo todo e foi impossível não berrar. Seu olhos embaçaram e só então percebeu que chorava de dor. Ela sabia exatamente o que tinha acontecido: aquela mulher vulgar de roupas justas acabara de deslocar seu cotovelo.
A mulher se esticou para pegar a arma, e , com esse deslise, Laura finalmente conseguiu alcançar sua bota esquerda. Lá sentiu seu dedos tocarem aquele familiar metal gelado, ela não resistiu a sorrir.
– Na verdade...- ela comentou com seu sorriso mais psicopata e certa dificuldade , pois seu braço ainda doía muito, tirando aquele precioso objeto da bota, enquanto a assassina virava o rosto para ela, surpresa- Ela ensinou sim.- a brasileira gritou, enfiando a adaga de bronze com força no ombro da mulher, que gritou de agonia e saiu de cima dela.
– Sua filha da...- a assassina gritou
Em um surto de raiva ,Laura enfiou a adaga na perna dela também, fazendo-a gritar e agonizar mais.
– Não ouse dizer uma sequer palavra contra a minha família!- a menina gritou.
A mulher pegou a arma finalmente e apontou-a para a morena.
– Então deixe que eu me dirija a você , sua pequena vadia!- O brilho feroz ainda estava em seus olhos e ela estava pronta para atirar, quando um certa ruiva pisou em sua mão e pegou o revólver.
– Você é bem convencida, sabia?- A francesa, disse, chutando a mulher.
–é verdade. Você devia...
– Hum..Laura?
– Sim?
– Eu estava falando de você.- A ruiva disse, correndo para fora dobravam a esquina.
– então...- Laura começou a tentar mudar de assunto- Você cuidou dos dois?
– Mais ou menos.- ela deu de ombros- E você carrega uma adaga na bota?
– Na verdade... eu carrego para quase todo lugar...- a menina se virou e viu a expressão confusa da amiga-Que foi? Nunca se sabe quando se vai precisar...
– Okay, mas...
Laura nunca saberia o que Katherin estava prestes a dizer, porque, há alguns metros dali, um grito pode ser ouvido.
– ACABEM COM ELAS, SEUS IDIOTAS!
As duas amigas se entreolharam por alguns segundos.
– VocÊ tem um novo plano?
– Tenho, — a morena deu um sorriso amarelo- O mesmo que eu aprendi nas aulas de educação física: CORRE!
E foi exatamente o que elas fizeram, contudo, desta vez, Laura guiava a amiga para o destino certo, ainda tentando despistar os adversários. Todavia, não era nem um pouco fácil correr quando se tinha um cotovelo descolocado.
– Ainda está doendo?- Katherin perguntou.
– Não.- a menina disse , fazendo um claro esforço para correr , aguentar a dor e falar ao mesmo tempo- Ter um cotovelo a 90 graus de onde ele deveria estar não faz nem cócegas...
A ruiva fez uma careta ao ver o ângulo em que o braço da menina se encontrava.
– Por que — Laura falou com dificuldade- Você não está atirando neles?
– Ah! claro! a arma!
– Sério?
A francesa encarou-a, com uma expressão raivosa.
– Você sabe como se atira, não?- Laura perguntou em tom de deboche.
– Sei.- Katherin sacou a arma- Mas talvez eu devesse praticar com você antes de tentar.
– Ha, ha. Muito engraçado , ruiva.
Katherin revirou os olhos e puxou o gatilho. Contudo, nada aconteceu.
– Por favor, — Laura choramingou- Não me diga que ela está descarregada.
– Bem...
– Como está descarregada se aquela maluca tentou atirar em mim umas quinze vezes?!
– eu não sei!- a francesa gritou- Talvez tenha...
Então, novamente aquela força invisível que já estava deixando a morena com raiva, empurrou-a para o chão.
– Laura!
– Eu. Não. consigo. levantar.- a garota fazia muita força, mas não conseguia sair dali. Era como se tivesse um enorme peso em suas costas. Além dela ter que se levantar com só um braço, já que suas pernas também estavam "presas".
Katherin tentou levantá-la, tentou atirar , tentou achar algo que as ajudasse, mas nada. Estava no mais completo e puro desespero quando esticou os braços, como se empurrasse algo.
Então, simplesmente aconteceu: um vento forte assoviou pelo lugar e arrastou os dois homens para longe, fazendo ambos baterem a cabeça em um poste de luz quatro quadras dali.
– Você fez isso?!- laura perguntou enquanto a garota levantava-a.
– Acho que sim...
– Se sobrevivermos a isso, eu quero uma aula.- a morena sorriu, voltando a correr e sentindo aquela dor horrorosa no braço.
Ela tinha que se forçar a correr e se lembrar que não havia outra alternativa para não parar e berrar. A facilidade em deslocar ossos era de família, e atingia principalmente se irmão. A menina ainda se lembrava da cena do joelho dele deslocando-se. Uma vez, seu pai havia dito que você tinha que esticar para fazê-lo voltar para o lugar. Mas Laura não queria arriscar , não agora. E, ela ainda duvidava muito de que isso fosse diminuir a dor ou fosse dar certo.
Então, involuntariamente, ela começou a se lembrar de como tudo chegara nesse ponto e tinha tirado a conclusão que a culpa era dela e da sua indiscrição. Vladimir avisara que era preciso ser mais cuidadosa e agora a menina via quão idiota havia sido pensando que tinha tudo sob controle.
Vladimir. Ela estava tentando guiá-las para o antiquário,sentiu vontade de gritar o nome dele para que o homem acordasse e ajudasse elas. Ainda faltavam três quadras e elas estavam na rua de trás.
Contudo, os homens estavam cada vez mais perto e Laura cada vez mais devagar. Então, elas pararam em um pequeno vão entre uma casa e outra.
– Você pula esse muro e vá até o antiquário quase no fim da rua. Diga o que aconteceu e que me conhece. Talvez seja o suficiente.
– se você está sequer pensando que vou deixá-la aqui, está enganada. Admiro seu heroísmo, mas não. Vamos achar outra maneira.
– Elas entraram aqui!- Laura ouviu um dos homens gritar. e fechou os olhos.
Socorro, Socorro, Socorro. Era tudo que a mente de Laura processava enquanto uma lágrima silenciosa de medo, dor, pavor e tristeza caia pela sua bochecha.
Entretanto, de repente ela sentiu mãos puxando-a para trás junto com Katherin e tudo ficou escuro.
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1º de Novembro, domingo, 05:01. Alameda George Bragnov, Antiquário Journey to the Past, Villa Maria.
Vladimir ainda tentava entender o que havia acontecido. Sentado em sua poltrona, encarando o luar que entrava pela pequena fresta da cortina.
Ele ainda se lembrava de acordar com um pulo, ouvindo um chamado tão simples, mas tão urgente: Vladimir.
O homem recordou de como , ao reconhecer a voz, correu pelo porões interligados das casas , tradicionalmente ingleses , e retirou as meninas pela porta lateral daquela pequena padaria. Abrir as portas que supostamente deveriam estar trancadas não era um grande trabalho, nem correr por aquele pequeno corredor que ligava as casas, mas sim puxar duas meninas a força.
O pior de tudo foi fazer laura parar de berrar. Tudo bem, ele tinha puxado o braço deslocado dela o que, acidentalmente esticou seu cotovelo e o fez voltar para o lugar, mas naquele exato momento ele foi obrigado a cobrir a boca dela.
As duas contaram tudo o que tinha acontecido e depois de cuidarem dos ferimentos pequenos de Katherin e imobilizar o cotovelo de Laura, Vladimir achou melhor deixar ambas dormirem.
Todavia, ele foi surpreendido pelo som de passos. Ao se virou, viu Laura parada na porta do quarto.
– Ela já está dormindo.-disse,sem emoção.
– E você?
– Não estou com sono.- a menina entrou na sala sem pedir permissão, o que resultou em uma careta de desaprovação dele , que , aparentemente, passou despercebida por ela.
– Então... Talvez seja melhor termos um conversa agora, deixando Katherin fora disso.- Vladimir deu uma pequena pausa encarar a garota,afial, os próximos minutos não seriam agradáveis.
A garota simplesmente pegou um copo d'água da mesa de centro e, depois de um gole, falou:
–Eu já sei, você vai dizer um grande "eu te avisei".
– Não é só um "eu te avisei".- Vladimir repreendeu-a, e respirou fundo- Pelo menos, você sabe muito bem por que isso aconteceu, não?
– Porque eu sou indiscreta , teimosa, cabeça-dura...- a garota respondeu com cinismo.
– E ao que parece, alguém com pouco amor à vida.- o homem cortou-a irritado.
– Se ter pouco amor à vida significa impedir que uma amiga morra, então, sim eu não tenho nem um pouco.- ela encarou-o , extremamente séria.
– Não é por isso que estou falando.- ele enterrou a cabeça nas mãos- Estou lhe repreendendo porque tudo o que aconteceu hoje é consequência do seu descuido!
– Meu descuido?!- a garota parecia realmente ofendida- Eu os trouxe até aqui! eu os encontrei! E ter feito isso foi um "descuido"?!
– Foi!- Vladimir respondeu rapidamente, se levantando- Foi, pois eu lhe disse que eu entraria em contado , e não o contrário!- ele bateu a mão no braço da poltrona- Aliás,você os trouxe sob a plena luz do dia!
– Eu deveria ter , supostamente, feito o que, então?! Mandado sinal de fumaça?!
– Você tem que aprender a se controlar , Laura!Essa sua ansiedade pode custar caro!
– Você está dizendo que ele quase terem matado Katherin , foi minha culpa? é isso?!- a morena balançava a cabeça, fazendo seu cabelo balançar violentamente- Porque, até onde eu saiba, eu não fiz nada que envolvesse ela nisso!
–O que põem Katherin nessa história não é assunto para se discutir agora, mas a atitude precitada deles é resultado daquele descuido!
– Eu só vim aqui duas vezes! Como eu ia saber que isso era um "descuido"?!- a menina vez grandes aspas com as mãos.
Vladimir se sentiu tentado a berrar tudo que já tinha dito para ver se ela entendia tudo logo, mas respirou fundo.
– Laura, — os cabelos brancos dele se tornaram prateados sob a luz do luar- a questão está apenas no agora, okay? Você precisa aprender a controlar sua ansiedade.
– Talvez eu fosse menos ansiosa se você explicasse as coisas direito!- A menina retrucou.
– Você pareceu ter entendido muito bem.
– A questão não é parecer ou achar.- ela caminhou até ele- a questão é que você esquece que não é mais VXS para mim. Você se esquece que não é mais o homem mistério, sabe? — a menina inclinou levemente a cabeça para o lado.- Você se esquece que já há mistério suficiente nisso tudo.
– Você está me culpando agora, é isso?
–Não é tão legal quando é com você, não?- ela retrucou , com um sorriso cínico.
– LAURA! VOCÊ TEM QUE LEVAR ISSO A SÉRIO! VOCÊ TEM QUE...- Vladimir começou a berrar
– EU NÃO ESTOU LEVANDO ISSO A SÉRIO?!- a menina cortou-o- Porque, ao que parece, eu tenho levado isso extremamente a sério, sabe? eu...
Provavelmente os dois teriam continuado, berrando coisas que talvez, mais tarde, se arrependeriam, se Katherin não tivesse aparecido na porta e pigarreado alto.
– A porta estava aberta e eu não pude deixar de ouvir, perdão.- vendo que nenhum dos dois queria falar, ela continuou- Laura, o sol já está nascendo.- disse, apontando para a fresta da janela, onde já era possível ver o céu começando a clarear.- Acho que deveríamos ir. Selena deve estar me procurando...
– Claro.- Laura respondeu, com a boca seca- Você tem razão.
– Eu abro a porta para vocês.- Vladimir disse polidamente enquanto passava na frente de Katherin e descia as escadas fingindo não ver o olhar da ruiva para a amiga, pedindo explicações.
A caminhada até a porta foi curta e silenciosa.
– Bom dia senhor...- Katherin começou.
– Vladimir.
– Vladimir.- a ruiva assentiu sorrindo.
– Bom dia para vocês também.- ele disse.
Katherin deu-lhe um grande sorriso antes de sair, porém, tudo que ganhou de Laura foi um seco e curto:
– Passar bem.
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1º de Novembro, domingo, 6:00. Villa Maria, Avenida Maria Ivanovich Grander.
Katherin ainda não tinha engolido aquela discussão sem explicação entre Laura e aquele homem, Vladimir, quando as duas ouviram um claro grito de terror.
A ruiva arregalou os olhos e olhou para a morena, que levantou as sobrancelhas enquanto corriam algumas quadras.
Três, ou quatro minutos depois, se viram diante de um grupo de vários conhecidos: Fredie, Lucy, Michael, Selena, Thalia, Leo, Felipe, Amy, Annie, Ameerah, Medelaine.
O grito foi indetificado como de Ameerah que ainda mantinha as mãos na boca olhando , pasma e incrédula para o que estava naquele beco, pendurado.
Amy tentava acalmar a amiga, sem sucesso, uma vez que sua respiração estava irregular e seu coração batia rápido, ela estava morrendo de medo.
Selena olhava para o chão,enjoada,aquela cena era horrorosa. Ela se sentia triste.
Michael encarava o horizonte, se perguntando quem era aquela pessoa e o que havia feito para merecer isso.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Leo e Thalia analisavam cada centímetro do corpo com seus olhos astutos, tentava descobrir alguma pista sobre como aquilo tinha acontecido, como bons prodígios da área de Biologia e Medicina. Mas, a menina segurava as mãos com força, tentando evitar que elas tremessem com o espanto que sentia e ele sentia-se deprimido profundamente com uma situação dessas.
Lucy olhava algo atrás daquilo tudo, no que estava escrito na parede, tentando não olhar para o corpo. Ela sentia de tudo, medo , nojo, raiva, pavor...
Felipe estava ao seu lado e tentava assimilar tudo de uma vez, mas não conseguia parar de ficar espantado.
Medelaine mordia o lábio inferior e era a única que não estava surtando, afinal, o que realmente atormentava era como alguém sentiria o desejo de fazer isso.
Annie , apesar de tentar impedir, sentiu uma lágrima solitária rolar pela sua bochecha. Era triste tudo aquilo aquela mulher não devia ter mais de vinte anos, tinha uma vida toda pela frente e tudo seu futuro fora arrancado de uma forma brutal e desumana.
Fredie estava do outro lado de Ameerah, encarando tudo boquiaberto. Não havia reação para aquilo em sua mente.
Laura e Katherin foram as únicas a verdadeiramente entrar ali. pisando naquele chão ensanguentado, entre as paredes manchadas de sangue.Passaram algum tempo olhando o corpo de uma mulher pendurado pelo pescoço, completamente ensaguentado , o que mostrava que ela fora morta e depois pendurada. Aliás, ambas acharam tão desumano um assassino subir no telhado dos dois prédios que margeavam o pequeno beco só para pendurá-la.
Então, quando decidiram parar de olhar para aquilo, e passaram para a parede do fundo, onde uma mensagem escrita com o sangue daquela pobre mulher dizia : "Primeira Regra: Uma vida pela outra." E, mais embaixo, em letras um pouco menores lia-se : " Eu pensei que você** já soubesse disso."
Laura sentiu sua pernas quase fraquejarem. Ela estava paralisada. Aquilo era... era...ela não saberia dizer. Estava paralisada. ódio, medo, pavor, tristeza, susto... tudo isso passava pelos seus olhos, pelo seu rosto, pelo seu sangue, pelos seus ossos.
Katherin levou a mão até a boca, em uma muda expressão de pavor. Mais uma vez uma mensagem e mais um vez, quando ela ia para alguma festa se divertir, alguém morria de forma fria e cruel.
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* Na verdade essa frase foi pensada como a expressão americana "Saving your ass" que não é exatamente "Salvando a sua pele" , mas é a expressão equivalente brasileira, ao meu ver.
** de novo, em inglês, you vale para você ou vocês então, pensem na frase assim, não sabendo exatamente para quem foi a mensagem sabe? Se foi para Katherin, para a Laura ou para qualquer outra pessoa ou todas as opções, okay?
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