The Mystery Of Grander Hall- The Alexander´s Book

13 Capítulo 12 - Halloween-A shadow in the mirror


Notas iniciais
HEy ! demorei, eu sei. O cap está enorme, eu sei. mas, olhe só , tenho uma novidade: vou programar o próximo capítulo para postar 12 de Agosto! então, tenham certeza, nessa data, ou seja, logo, você terão mais um cap de Grander Hall. Obrigada pela paciência.

30 de Outubro, sexta-feira, 17:30. Floresta de Grander Hall.

Annie estava começando a achar que tinha ficado louca de vez. Tudo bem, ela sempre quis entrar naquela floresta, e não estava com tanto medo assim por estar lá, afinal, já era a segunda vez e não vira nada. Sim, para ela isso era o suficiente para dizer que o local era seguro. Porém, fazer isso por causa de um falcão? Era certo que a australiana cultivava um grande amor por esses animais desde um fato passado , quando eles a ajudaram, mas... Mesmo assim, parecia loucura.

Todavia, ela não parava. Continuava a correr e correr atrás do falcão que voava veloz entre as árvores.

– Será que você não pode ir mais devagar?- a garota perguntou a ele em voz alta.- Eu não tenho asas, okay?

"fale baixo!" aquela voz que a cabeça dela cismava em dizer pertencer ao animal repreendeu-a. " não é seguro fazer muito barulho..."

– Como assim " não é seguro"?!- Annie sussurrou-O que pode me ouvir? Ursos?

"Apenas não faça barulho." O Falcão respondeu " Não estamos longe. Mas, de qualquer maneira, seria de muita ajuda se você tentasse falar comigo só na mente."

– Não.- ela respondeu.

A menina jurou que se falcões pudessem rolar os olhos, ele teria.

Somando mais alguns minutos de caminha silenciosa, finalmente o falcão posou em cima de uma pedra.

Annie tomou um tempo para admirar o cenário que mudara tão de repente: eles estava na margem de um rio, a mata dera espaço para uma grama rala e algumas especies de flores que viviam á beira das águas. O falcão observava-a atentamente de cima da pedra, que era coberta de plantas trepadeiras e pouco se via do cinza desgastado que a identificava como pedra. O curioso, era que ela era alta ( fica na altura do umbigo de Annie), e retangular. A largura não era muito maior que a da própria menina e parecia ter sido esculpida. Era impossível uma pedra ter ficado tão perfeitamente formada...

– é isso?!- ela cochichou- Você queria que eu visse uma pedra.

"mas que falta de visão..." o falcão balançou a cabeça em desaprovação " Sim. Eu te trouxe por causa da pedra."

– Então... ok.- a australiana bagunçou os cabelos, andando em volta do objeto.- Bem, seja lá o que tenha aqui, — ela se abaixou — Esse mato todo deve estar atrapalhando...

Annie começou a arrancar a planta que cobria quase toda a pedra. Mal tinha arrancado dois ramos quando a falcão protestou:

"ficou maluca ?!"

– O que foi?- ela perguntou, confusa.- eu estou tentando ver o que tem aqui.

"não tem um jeito ais delicado de você fazer isso?" ele perguntou " Isso está aí com um propósito, sabia?"

– Um propósito?- ela arqueou as sobrancelhas e , de repente, a resposta veio- Escondê-la.

O animal assentiu.

– Certo...- a menina fixou o olhar nas plantas- Vamos tentar de outro jeito...- Então, ela passou a apenas empurrar os ramos.

Não era possível ver muita coisa desse jeito, mas ela encontrou vários símbolos. Contudo, um em especial lhe chamou a atenção: era algo como uma lua minguante e outra crescente , com uma lua cheia ( ou um círculo, também podia ser...) entre elas.

A australiana estava prestes a perguntar o que aquilo significava, quando ouviu passos e rastejou até a mata, com o falcão no ombro.

Eles esperaram por alguns segundos até que um homem vestido de preto apareceu na margem oposta.

– Que estranho...

– Forges!- uma mulher apareceu de dentro da mata, ao lado do homem.- O que está fazendo aqui?

– Eu juro que ouvi alguém por aqui.- a mulher cruzou os braços.- é verdade Jackie!

– Forges, você está imaginando coisas...

– Mas eu ouvi...

– Pode ter sido só um animal.

– Eu ouvi vozes!

– Pode ter sido só o vento.- Jackie respondeu, irritada- Agora, vamos. Temos muito o que fazer...

– Mas...

– Vamos, Forges.- a mulher disse cerrando os dentes e o homem a obedeceu.

" o que foi isso?"

"Aprendeu a falar por aqui, agora?"

"Engraçadinho..." Annie encarou o falcão " Acho melhor irmos embora."

"Tudo bem. Já fiz a minha parte."

"Sua...?" Annie estava pronta para fazer mais perguntas quando o animal saiu voando. " ah, seu espertinho..."

E então, ela seguiu-o até a cerca, por onde passou e correu pelos gramados iluminados pelos últimos raios de sol até o palácio onde um bom banho a esperava.

–-----------------------------–--///------------------------–

30 de outubro, sexta-feira, 17:30. Sótão , quinto andar (?) .

– Nossa!- Selena exclamou se sentando em uma daquelas cadeira antigas e empoeiradas- Tem muita coisa aqui!

Katherin achou que Michael ia ter um ataque cardíaco.

– Selena, você sabe quantos anos tem essas cadeiras?!

– Não.- ela deu de ombros- Mas deve ser bem velha...

– Já pensou que você pode estar estragando ela?- o italiano falou com a voz mais fina que o normal. Katherin tece de se segurar para não rir.

– Ei, gente!- Fredie interrompeu.- Achei uma caixa!

– Novidade.- a mexicana revirou os olhos- Está cheio de caixas aqui.

– Achei uma caixa diferente.- o loiro se virou para olhar a morena — Melhorou?

Selena se limitou a revirar os olhos e ir até ele. Katherin e Michael fizeram o mesmo. Ela estava curiosa para saber o que o amigo achara de diferente.

– Então?- a ruiva se abaixou bem ao lado de Fredie.- O que tem aí?

Ele não disse nada , apenas colocou a pequena caixa de madeira na mão da ruiva, que sentiu o cheiro de madeira e de poeira. Ela mexeu no seu interior e encontrou várias fotos extremamente antigas.

– Quem são?- a francesa sentiu o queixo de Selena no seu ombro.

– Não sei...- a ruiva admitiu- Mas esses rostos não me são estranhos...

Ela se virou para os amigos que vasculharam o resto da caixa, enquanto a garota apenas encarava uma foto em especial.

Nela, havia uma grande turma reunida. A cor da foto e o jeito como as pessoas se vestiam faziam Katherin acreditar que todos já deviam estar mortos e que seus tataranetos eram os descendentes mais próximos.

Vinte e quatro pessoas na mesma foto, ela contou. deveria ter sido alguma reunião de amigos, ou família , apesar de eles não terem traços nenhum em comum. A grande maioria dos presentes parecia ter por volta dos quarenta anos. Contudo, havia um homem que Katherin tinha certeza já estar perto dos cinquenta e algumas pessoas ainda não deviam ter passado dos trinta. E, o que mais lhe chamou a atenção , foi ver duas meninas que se tivessem mais de vinte era muito e mais outras duas que deviam ter entre 16 e 19.

Após analisar mais um pouco percebeu a presença de um garoto de uns vinte anos também e um menino de uns 13.

O homem mais velho estava muito bem vestido, juntamente com a mulher ao lado dele. Seus rostos... ela já os vira. Os dos mais novos também.

Desistindo de tentar se lembrar deles, a francesa passou a observar as outras pessoas. Todos sustentava sorrisos , na grande maioria tímidos, como se fosse difícil ficar feliz. Enquanto perguntava-se o que teria feito tantas gente se reunir , avistou um rosto mais do que conhecido.

Katherin arregalou os olhos e abriu e fechou a boca mais de uma vez enquanto passava os dedos em torno do rosto de um homem mais ao fundo, como aqueles cabelos negros de cachos pequenos , os olhos felizes. Ele estava sem o bigode, por isso ela levou um tempo para reconhecê-lo, mas era impossível de não lembrar daquele homem.

– Seu Manuel?!- a garota só percebeu que havia externado esse pensamento quando Selena encarou-a assustada.

– O que?- a mexicana perguntou.

– Quem é seu Manuel? — Michael franziu o cenho.

– O que é Seu Manuel?- Fredie perguntou confuso — é alguma expressão?

Katherin deu uma boa risada.

– é um nome.- ela explicou, ainda rindo- É uma pessoa , Fredie.

– Mas por que "seu"?!

– Ele é português. Parece que o jeito que eles tratam as pessoas mais velhas...- a francesa deu de ombros.

– E por que você falou dele?- Selena inclinou a cabeça.

– Parece ele na foto.- ela virou a imagem para eles e apontou para o homem — esse aqui.

Os três analisaram a foto por um longo momento. Katherin pensou então que aquilo era uma extrema bobagem já que nenhum deles tinha visto o gentil senhor português antes.

"Mas eu vi." ela pensou " Quantos anos tem essa foto, mesmo?"

– Acho que não pode ser ele...- a garota acrescentou rapidamente.- Afinal, ele está vivo e ... é impossível alguém viver tanto assim. Aliás, — ela encarou a foto mais uma vez- ele nunca esteve em outro lugar que não fosse Portugal desde sua infância. Se mudou para Paris pouco antes de eu nascer...

– Talvez seja algum parente dele.- Selena sugeriu.

– A família dele era de pura origem portuguesa e não era muito rica. Não tem como.- a menina sacudiu a cabeça como se quisesse espantar o pensamento.- Devo estar imaginando coisas...

Algum tempo em silêncio se passou novamente.

– De que época é essa foto?- Selena perguntou, em baixo tom.

– Pelo tipo, qualidade e roupas...- Michael encarou uma foto que tinha em mãos- Os últimos anos dos Grander.

– Você diz a época de Alexander?- Katherin se assustou.

– Aliás...- Fredie cerrou os olhos e pegou a foto da mão da amiga, que , novamente se sente incomodada por ele não ter pedido permissão.- Esse não é ele?

Selena puxou a foto do loiro.

– Parece...- a mexicana analisou a foto.- e Essa é a mulher dele a Katrina. Não. Catarina. Não. Era...

– Ekaterina.- Katherin corrigiu.- Mas a versão grega é Catarina então... acho que tudo bem.

– Ela entrou na escola há um mês e já sabe mais do que você aprendeu em quatro anos inteiros.- Fredie riu até levar um tapa da mexicana.- Aí!

– Então os mais novos são claramente os filhos.- Michael concluiu.

– O que essa foto está fazendo nesse sótão empoeirado?- Katherin se exaltou- Não deveriam estar em um museu?!

– é... Katherin?- o italiano encarou a amiga, sério — Você já levou em consideração a possibilidade de ninguém ter entrado aqui desde que as coisas foram empilhadas?

– Como não ... — ela começou

– Como a escadaria, como aquela passagem.- Fredie comentou.

A francesa inclinou a cabeça e encarou o chão por um tempo. O mecanismo para a porta abrir era o mesmo daquela passagem. As pessoas que vieram atrás deles provavelmente não sabiam daquilo ou teriam verificado aquela passagem paralela. Os veios criados por ela e por Fredie eram branco azulados, os de Michael eram azuis, os de Selena eram vermelhos. Será que isso fazia alguma diferença?

Bem... alguém conseguia fazer o mesmo, ou aquelas coisas não estariam ali, isso era certo. Mas, essa pessoa ainda estava viva? Ela e Fredie poderiam abrir aquela porta ou só Selena e Michael? Mais pessoas poderiam fazer isso? Por que era preciso fazer isso para abrir porta,passagens e etc? Será que existiam mais lugares assim? por que alguém colocaria tudo isso aqui? Se ninguém nunca entrou, significa que a pessoa que empilhou tudo isso era da época de Alexander? Mais alguém sabia da existência dessa sala? Será que aquelas fotos foram guardadas pelo próprio Alexander e sua família? Será que...

– Katherin?- Michael pôs a mão no ombro dela.

–Perdão.- a garota sacudiu a cabeça- É só... pensar que somos os primeiros a entrar aqui em décadas é no mínimo...

– Assustador?- fredie sugeriu.- Porque para mim é.

– Eu acho emocionante!- Selena bateu palmas- Somos descobridores!

– Eu fico me perguntando como nunca acharam esse lugar antes...- Michael comentou.

– Eu penso mais em qual seria o motivo que alguém teria para deixar tudo isso aqui...- a francesa encarou a foto em sua mão.

Pela terceira vez, silêncio.

– Será que tem algo de importante nas coisas que estão aqui?- Selena finalmente perguntou.

– Talvez tenham algum valor sentimental ...- Fredie sugeriu- Afinal, tem várias caixas aqui. Quem me garante que não são outras fotos ou objetos pessoais dos Grander?

– Mas ... Não teriam percebido que faltava muita coisa?- Michael ergueu uma sobrancelha.

– acho que não.- Fredie deu de ombros- O povo não entrou no palácio durante a revolução?- o italiano assentiu , respondendo a pergunta dele- Então, podem ter achado que roubaram tudo isso.

– Talvez foi por isso que guardaram isso tudo aqui.- a mexicana empurrou a franja para trás.- Para proteger o que eles prezavam caso o pior acontecesse.

– é uma boa teoria.- Katherin comentou enquanto a amiga sorria.- Mas... Se alguém colocou isso aqui, significa que podia fazer... é... aquilo.- ela pontou para a porta.

– Será?- Michael fez uma careta de confusão.

– Eu não vejo outra maneira de entrar.- Selena concordou. Katherin achava que ela estava dizendo isso mais para mostrar que estava certa quanto a não haver outras portas do que para completar o raciocínio.

– Você acha que...?- Fredie começou enquanto a francesa olhava para o relógio. Já eram quase seis horas!

– Eu não acho nada. Na verdade, — ela se levantou — eu tenho certeza que vamos ter de responder várias perguntas se Annie pegar nós quatro fora de novo...

– Qual o problema?- Michael se levantou, assim como os outros.

– Qual parte do ninguém pode saber você não entendeu?- Fredie disse, devolvendo a foto que estava na sua mão para a caixa.

– Inventamos alguma coisa, oras!- o italiano exclamou enquanto Selena devolvia a sua foto.

– Annie já está de olhos em nós.- a mexicana comentou- Mais um pouco e ela vai começar a investigar. E aí, ela descobre.

– Não se formos cuidadosos.- Michael retrucou enquanto, relutante, devolvia a foto na sua mão.

– Estamos falando de Annie Retzmann , senhor.- a mexicana comentou- Se ela quiser descobrir, ela vai.

Depois de mais m tempo gasto convencendo Michael que era melhor irem, finalmente deixaram a sala. Ficou decidido que os meninos ficariam com a caixa, uma vez que Selena e Katherin temiam que Annie, Medie ou Thalia achassem-as,já que as meninas costumavam limpar as coisas das outras e ser curiosas ( essa parte só diz respeito a Annie e Medie mesmo...).

As duas garotas mal tinham se sentado nas suas camas quando a porta se abriu e Annie entrou, toda suja.

– Annie!- Selena repreendeu.- Abra a porta mais devagar ou vai quebrá-la!

a australiana revirou os olhos e ia fechar a porta quando Thalia e Medelaine entraram.

Medie passou reto pela garota imunda e foi logo pegar o seu celular. Já Thalia, fechou a porta e fez uma careta de raiva.

– Annie Louise Retzmann !- a russa gritou- Você ficou rolando com os porcos por acaso?!

– Não.- a morena respondeu em tom de tédio.

– Então qual é a sua explicação para voltar tão suja e ficar sujando o quarto todo?!

A menina apontou para a aljava nas suas costas.

Thalia parecia prestes a bater em Annie.

– VÁ. SE.LIMPAR.- a loira disse pausadamente- agora!

a amiga deixou o arco em cima da cama e correu para o banheiro.

Logo após, a porta de fechar, a russa suspirou e se dirigiu à cozinha. A trança balançando ferozmente nas costas e as sapatilhas floridas fazendo barulho no chão.

– Vou fazer café.- anunciou , enquanto ligava o fogão.- alguém vai querer outra coisa?

– Não. — as três responderam em uníssono.

Thalia nervosa era um perigo.

– ótimo.- ela resmungou pegando as panelas e fazendo um tremendo barulho.

Katherin olhou para Selena e deu um sorriso tímido.

–----------------------/////////////-------------------

31 de Outubro, 16:12, sábado. Palácio de Schonbrunn, terceiro andar, quarto 63.

– Vamos Amy!- Layla berrou pela quinta vez- E vê se anda logo, Laura!

– Quer parar de reclamar e ajudar aqui?- a brasileira lançou um olhar gelado a ela.

A argentina rolou os olhos e caminhou até a morena que estava em frente ao espelho.

– O que foi?

– me traga a minha caixa de bijuterias.- a garota pediu, enquanto arrumava a suas botas.

Layla foi até a bagunça que um dia fora a cama da amiga e pegou uma caixa de madeira escura que tinha três flores desenhadas na tampa. No meio de caminho, esbarrou com a irmã e quase deixou a caixa cair.

– Cuidado!- Laura berrou, se virando.- Foi um presente!

– Toma.- a garota entregou a caixa para a morena.

– Obrigada.- a brasileira murmura e começa a mexer no seu conteúdo.

Aquele quarto estava um caos. Roupas para todo lado, as cinco andavam para todo canto a procura de um sapato, colar, bolsa...

– Vamos Lucy!- Lilian batia na porta do banheiro onde a americana e Amy se encontravam.- Até a Laura já está acabando!

– Ei!- a menina protestou, colocando os brincos.

– pensei que não usasse brincos.- Layla comentou, enquanto a brasileira pegava um colar.- Você não tem orelha furada.

– Não tenho mesmo.- a garota riu enquanto fechava o colar.- São de pressão.- apontou para a parte de trás do objeto.- Comprei para o casamento do meu primo.

– Do Leo?!- Lilian exclamou.

Layla riu. Era impressionante como a sua irmã conseguia ser burra ás vezes...

– Não!- Laura gargalhou- Vocês não o conhecem. Aliás, — ela colocou um pulseira- ele casou ano passado. Ou foi retrasado?

Lilian revirou os olhos. Laura era um horror com datas tanto como era com horário. Falando em horário...

– Amy!- a argentina ajudou a irmã a bater na porta.

Quando a porta finalmente abriu, Layla estava distraída e sua mão em punho por pouco não acertou Lucy Rose, que estava com os olhos arregalados.

– Quase...- a americana murmurou, em choque.

– Vamos!- Lilian exclamou, fazendo Lucy e Amy saírem.

– Wow!- Laura sorriu ao ver a escocesa.- VocÊ que fez?

Amy sorri timidamente enquanto assente. Layla não pode evitar de pensar em como a amiga parecia ser quatro anos mais nova do que era. E isso não era só consequência da sua baixa estatura, mas também do seu rosto. Se a argentina visse a escocesa na rua, diria que tinha 9 ou 8 anos, não treze, como ela.

– A sua fantasia é de corvo, né?- Lilian perguntou enquanto calçava suas botas de salto.

– Não , Li. — a irmã retrucou- é de urubu.

a irmã revirou os olhos enquanto se levantava.

– é linda.- disse, puxando Laura- Vamos!

– do que vocês estão fantasiadas?- Lucy perguntou.

– Romeu e Julieta?- Laura perguntou, inclinando a cabeça.

– Por acaso eu estou vestida de homem?- Layla perguntou

– Não, não é que você não é o queijo e ela a goiabada? — a brasileira insistiu.

– Goia o que?- Lilian perguntou.

– Ah! esquece.- ninguém mais parecia ter reparado, mais Layla achava que havia um tom de tristeza na voz dela. Algo lhe dizia que esse tal de Romeu e Julieta e a tal goiabada era algo do país dela. Todos sentiam saudades de casa, mas pareci que com Laura era sempre mais duro, Layla não entendia o porque.

– Eu sou a manteiga de amendoim!- Lilian sorriu

– E eu a geleia!- Layla completou.

– Claro!- a brasileira sorriu. — Como eu não pensei nisso!

– E a Rose é uma princesa.- Amy abriu um sorriso largo. Algo dizia a Layla que era ela quem fez a roupa da americana também.

– Ok, okay.- Laura interrompeu- vamos?

as quatro riram enquanto a brasileira esperou todas saírem antes de trancar a porta.

–------------------------/////////-----------------------

31 de outubro , sábado ,16:30. Complexo de palcos montados para o festival, ala B, perto do palco 3.

– Gostei da fantasia.- Ameerah disse para o loiro a sua frente.- E obrigada pela maçã.- ela apontou para a fruta.

– Eu queria te pagar uma pipoca, mas vocÊ cisma em fazer dieta...- Michael respondeu enquanto ela rolava os olhos.

– Então...- a menina pigarreou alto- O que você queria falar?

– Eu queria acertar as coisas , sabe?- o italiano brincava com os dedos — Depois da nossa discussão.

Ameerah abaixou a cabeça. Ela havia até esquecido daquilo, mas ainda se arrependia muito. Aliás, a culpada era ela.

– Me desculpe. Fui uma idiota lá.- A saudita balançou de leve a cabeça, como se isso pudesse fazê-la esquecer de tudo- Vamos esquecer essa história, okay?

Michael assentiu, sério e se virou para ela.

– Mas não era só sobre isso que eu queria falar...

– Se você for fazer o mesmo discurso que a Annie...- a garota começou, nervosa ao lembrar das reclamações praticamente diárias da australiana sobre o seu namoro.

– Acho que consigo ser menos vulgar...- ele esboçou um sorriso- Falando sério, seus pais sabem?

A menina mordeu o lábio inferior.

– Não.

– Meerah!- Michael exclamou. Ela nunca soube se ele a chamava assim porque queria ou porque sua voz falhava quando estava nervoso.

– E estou pensando se vou contar.- confessou , olhando para o chão.

– Seu pai...- o loiro engasgava.

– É por causa dele mesmo...

– Se ele descobrir... — Michael balançou a cabeça- é capaz de te tirar da escola. Sem contar que vai fazer um tapete com o couro do garoto...

– Ele tem nome , sabia?- a saudita retrucou, amarga.- John ...

– Peter.- o amigo completou- eu sei. E de nada importa já que o assunto aqui é seus pais, não ele.

– Michael.- Ameerah disse devagar e depois suspirou- Eu vou falar com a minha mãe, okay?- ela encarou o loiro — Ela vai saber como falar com ele e vai dar tudo certo. Só... só não acho que é o momento.

– Só tome cuidado para não esperar demais.- ele repreendeu.

– Desde que você não conte...- ela cruzou os braços.

– Não vou.- o italiano encarou o movimento de pessoas que circulavam por ali enquanto eles estavam sentados em um banco.- Se é isso que você pede de mim... Agora, fique sabendo que você não vai poder esconder para sempre.

– Eu já disse: na hora certa.

– Claro.- Ameerah se irritou ao ouvir o tom de deboche na voz dele. teria começado uma discussão se suas colegas de quarto não tivessem chegado.

– Luke Skywalker e Sherazade. — Yoko sorri- Nenhuma cena mais normal a se ver no dia das bruxas...

– Tão como ver duas samurais, uma sereia e uma Kali.- o garoto sorriu- Aliás... conhece Star Wars , Yoko?

– Na verdade, não. — a japonesa sorriu- foi um palpite...

Michael pareceu meio desapontado.

– bem... Vocês estão muito bem de samurais.- ele sorriu para Yoko e Lígia, que agradeceram timidamente.

– Ei! Michael!- Fredie apareceu correndo , com a poca toda suja de molho- Já provou esse...- quando as meninas abriram espaço para ele passar e o egípcio viu Padma vestida da deusa indiana, soltou um grito pouco másculo.- Que é isso menina!- ele gritou para a indiana.

Padma riu junto com as outras garotas.

– Mas que Darth Vader corajoso.- Lívia ironizou.

– Quietinha ramo de peixe!- ele brincou.

– Bem, não vou mais tomar o tempo de vocês senhoritas...- Michael disse, se levantando- Vamos Darth.

Fredie sorriu e os dois deixaram Ameerah com as colegas que pareciam querer ver o complexo inteiro antes dos shows começarem.

–-----------------------------–--------////////////---------–---------------------------

31 de outubro, 17:00, sábado. Complexo montado para o festival, ala F, praça de alimentação.

–Você comeu comida mexicana, não é?- Selena arqueou as sobrancelhas.

– Não.- Joshua admitiu rindo.- é tão apimentada assim?

– Sou mexicana.- a morena deu de ombros- Não sei se minha palavra é confiável.

O menino ficou encarando os nachos por mais um tempo.

– Se está com medo dos nachos, coma os tacos!- a garota sugeriu.

– Eles não parecem com o que eu imaginava...

– Porque são tacos mexicanos.– Selena parecia estar se divertindo com a situação.- Você deve ter visto um americano. Mas é gostoso, eu garanto.- ela completou enquanto comia mais um nacho.

Joshua encarou o taco que segurava na mão antes de finalmente mordê-lo. Selena achava aquilo tão engraçado... Agora, já tinha grandes planos em fazer Katherin experimentar comida típica de seu país. Ela queria ver a reação da amiga.

– Isso é bom...- Joshua comentou enquanto pegava outro taco.

– Eu disse.- Selena riu, enquanto fazia o mesmo.

Eles passaram a conversar sobre todo tipo de assunto enquanto comiam. Estavam se divertindo bastante. A mexicana tinha começado a gostar da companhia do sul-coreano , afinal, ele era um cara bem divertido. Parando para pensar agora, eles se tornaram bons amigos em pouco tempo. Quer dizer, na verdade eles já se falavam há algum tempo , mas depois que ela atropelou ele, ambos passaram a se ver mais e a conversar mais. Joshua era mais legal do que Selena imaginava.

– Selena? Está acordada?- o menino a tirou de seus pensamentos.- Pensando no que?

– Eu?- a menina se virou para ele- Estou pensando em fazer Katherin comer comida mexicana também.

– Duvido que escargot seja tão bom quanto tacos...- o garoto comentou pegando mais um taco, porém, dessa vez a morena deu-lhe um tapa na mão

–Esse é meu!- repreendeu.

– Claro.- Joshua riu- Mas da próxima vez eu vou te levar para comer comida coreana...

Selena parou o taco no meio do caminho e inclinou a cabeça.

– Sim, existe comida tradicional coreana, sabia?

Os dois riram e continuaram a conversar.

–-----------------------------//////////////----------------–----------

31 de outubro, sábado, 17:15. Rodovia Harold Jarling , 5 Km da Villa Maria.

Lilian tinha vontade de atirar aquele rádio pela janela do carro. O caminho inteiro a irmã não a deixara mudar daquele barulho que ela chamava de música. Quem foi o idiota que inventou a história de que gêmeos são iguais em tudo? Tirando o rosto, a argentina duvidava que tivesse algo mais em comum com Layla.

– para com barulheira!- ela berrou por cima da música.

Layla fingiu não escutar.

– Eu disse, — a menina desligou-para com essa barulheira.- Ela colocou em uma rádio qualquer.- Bem melhor...

– Careta.- a loira retrucou, se jogando no banco do motorista.

Pelo retrovisor , Lilian pode ver Amy sorrindo, Lucy arqueando as sobrancelhas e Laura , bem, ela olhava pela janela. O frio estava chegando e cada vez mais ela ficava mais fechada.

Passaram-se mais alguns minutos até o carro começaram a engasgar e então parar.

–Mas o que eu foi isso?- Lucy perguntou, assustada.

– Eu acho que o carro morreu...- Laura comentou.

– Então vou virar doutor Frankenstein e reviver essa joça, porque eu não estou a fim de passar o Halloween no mecânico.- e dito isso, Layla saiu do carro.

– Eu vou com ela .- Laura anunciou, pulando para fora também.

Lucy pulou para o banco da frente, e olhou para o painel. Lilian já sabia o que ela ia dizer...

–Meninas!- a americana gritou pela janela- Achei o nosso problema!- Layla e Laura apareceram na janela.- Gasolina.- Lucy não parecia feliz...

– Okay, quem gastou toda a gasolina?!- Lilian perguntou , revoltada.

No banco de trás, Amy se encolheu.

– Amy!- Layla gritou.

– Desculpa!- ela parecia arrependida- Eu precisava comprar o material para fazer o vestido...- a escocesa apontou para o vestido dela. Tinha realmente ficado lindo.

– Tudo bem.- Laura respondeu- Afinal, isso não vai nos dar gasolina agora...- a brasileira se virou para as três que ainda estavam lá dentro.- Então...? Vão esperar um milagre? Vamos! eu e a Layla sozinhas não vamos conseguir empurrar o carro, né?

– Eu fico no volante!- Lilian disse rapidamente. Para ela ter de passar uns quatro ou três quilômetros empurrando um carro era o cúmulo.

A irmã lhe lançou um olhar fulminante. Lilian fingiu não ver e se aconchegou no banco do motorista.

Logo, Amy e Lucy deixaram o carro e foram todas para trás.

–prontas?- perguntou enquanto colocava a chave.

– Eu já nasci pronta, amore!- Layla retrucou o que fez Lilian revirar os olhos e girar a chave.

– Agora!- ela ouviu gemidos de força e o carro começou a andar.

Lilian foi guiando o carro enquanto ele se movimentava bem devagar pelo acostamento. Exatamente em frente a placa de um quilômetro até a villa Maria, o carro parou.

– O que foi?- ela berrou pela janela, olhando para o fim do automóvel.

– Calma, a gente parou porque acha que você pode estar cansada de girar essa porcaria de volante.- Layla retrucou.-Pelo que você acha? Ninguém aqui consegue andar mais dois passos!

Lilian revirou os olhos. Era sempre ela que tinha que fazer o trabalho...

– Amy! assuma o volante!- Rapidamente, a garota de olhos verdes apareceu em frente a porta enquanto Lilian descia.

– Vou mostrar como se empurra um carro.- e dito isso, caminhou até a parte de trás e pousou as duas mão na traseira.- Prontas?- a argentina berrou.- Um , dois , TRÊS!

A força que Lilian tinha era assustadora. Talvez fosse porque ela fazia balé, Pilates,um pouco de ginástica, todo tipo de dança e as vezes praticava judô. Mas isso era desde pequena, sempre de agenda lotada de atividades. Quem sabe não era dali que ela aprendera a ter um bom pique?

De qualquer maneira, elas chagaram a um posto depois de um tempo. Encheram o tanque e compraram algumas coisas da lojinha que tinha por ali.

Alguns minutos depois, chegaram ao festival. Contudo, estavam suadas, cansadas e Lucy reclamava de dor no braço.

– nossa! Mas o que aconteceu com vocês?!- Valentim riu- Por acaso vieram andando?

– Não. empurrando mesmo.- Laura respondeu, com todo o seu a mal-humor.

– você está falando sério?- o menino pareceu assustado.

– Estou com cara de quem está de humor para fazer piadas, Valentim?- a menina retrucou.

– Vem, eu pago uma água para vocês...

– água de coco.- a brasileira respondeu enquanto eles andavam devagar.

– Laura, estamos no outono. — Felipe respondeu- E , não sei se você sabe, mas eu duvido que tenha muitos coqueiros por aqui...

– Talvez vendam aquelas de caixinha.- Lucy sugeriu.

– Não.- Laura balançou a cabeça, triste- Eu queria água do coco mesmo...

Enquanto eles andavam as pessoas lançavam olhares para Amy. Lilian suspeitava que isso era por causa das muitas penas do vestido.

– por que eles estão me olhando assim?- a escocesa parecia assustada.

– Amy, eu acho que você devia ter colocado uma placa dizendo : são penas de mentira.- Layla comentou. Lilian achava ridículo essas "tiradas" da irmã. — Ou melhor : Não. Eu não depenei um corvo.

Amy riu e as duas passaram a ter uma conversa que Lilian só podia classificar como de doido.

– Quer saber?- a argentina pode ouvir Laura dizendo- Vou procurar um caldo de cana!- ela olhou ao redor- Ah! Sempre tem um brasileiro em uma festa. Caldo de cana, aí vou eu!

E dito isso, saiu correndo até uma barraquinha ali perto. Lucy e Felipe a seguiram, enquanto Layla e AMY já estavam comprando água.

Lilian olhou em volta e arrumou a fantasia. Ia ser uma longa noite...

–-----------------------////////////////--------------------

31 de outubro, sábado, 17:30. Complexo montado para o festival, ala H, Dornigal Lanches .

Marta sorriu ao ver a garota morena se sentar em uma das muitas mesas espalhadas em frente àquela lanchonete móvel.

Ela esperou um certo tempo e observou de longe. Nada a vista, nenhum perigo. Então, sem sequer olhar para a menina, se sentou na mesa ao lado, de costas para ela.

Estava na hora da encenação. Enquanto Marta sentia a garota colocar os fones de ouvido e fingir apertar o play, ela pega o celular e começa a agir como se estivesse fazendo uma ligação.

– Hey! Regina!- Marta diz.

– That's not my name. That's not my name. That's not my name.*- (* esse não é o meu nome. é um trecho de uma música da banda The Ting Tings , cujo nome é o mesmo.)Laura cantarolou.

– Eu sei. Mas, ele me pediu para fazer isso!- Marta respondeu.- Mas como vão as coisas?

– It's hard to say that I'd rather stay awake when I'm asleep.* — (*"é difícil dizer que eu peferiria ficar acordado enquanto estou dormindo". frase da música Fireflies do Owl City.

– Wow! isso é ruim... Mas,olha, você só precisa dar tempo ao tempo, sabe? Logo você supera isso... — uma parte de Marta ficou feliz em fazer toda essa cena. Lembrava-lhe os tempos do clube de teatro...- Sabe, os momentos ruins da vida servem para nos ensinar alguma coisa. Agora... sem querer te fazer sofrer mais... mas eu preciso perguntar : foi tão ruim assim?

–Yeah, yeah, yeah. Yeah, yeah, yeah*- (* kiss you, one Direction)

– Mas... você entendeu como isso aconteceu?- Marta franziu o cenho.

– No, no, no.*- (*rehab, Amy Winehouse) Laura cantarolou- What do you want from me?*- ("O que você quer de mim?" , da música de mesmo nome de Adam Lambert)

– Na verdade, eu só liguei para dizer oi. E ver como você estava, claro.

– How did you found me?*- ("Como você me achou?" , da música Mercy, do OneRepublic)

– A May me deu o endereço.-Marta mordeu o lábio e sentiu a garota franzir o cenho atrás dela. Aquela mensagem ficou meio estranha...- Mas então ...mais nada a dizer?

– I always feel that somebody's watchin' me.*- ("Eu sempre sinto que alguém está me observando"* Somebody's watching me, Michael Jackson.)

– é.... eu também sinto isso...- Marta deu um rápida e imperceptível olhada em volta. O garçom do estabelecimento oposto encarava-a.- Eu vou precisar desligar, okay? Até mais.

– Goodbye, Goodbye. * — ("Adeus/ Tchau"*Goodbye da Avril Lavigne.)

A mulher se levantou devagar e começou a andar, observando o garçom. Ela caminhou lentamente por um tempo e fingiu se interessar por uma barraquinha de artesanatos. Por agonizantes cinco minutos, nada aconteceu. Então, Laura passou por ali. Marta sentiu a tensão se desfazer dos seus ombros e olhou para o garçom. Ele continuava ali, agora estava atendendo alguns clientes. De qualquer maneira, ele ainda a incomodava...

Mas, era melhor voltar para villa Maria, ela não podia se arriscar muito.

–-----------------------------–/////////////////------------–----------

31 de outubro, sábado, 18:10. Complexo montado para o festival, ala C, perto do palco quatro.

Michael, estava inconformado com a velocidade que a temperatura caiu a medida que o sol sumia. Ele teve que por mais uma blusa por debaixo da roupas de jedi para não tremer de frio. mesmo assim, ainda se sentia gelado.

Enquanto isso, Fredie parecia nem sequer sentir o vento frio.

– Então...?- o italiano começou- Para onde agora?

– Eu não faço ideia...- Fredie comentou.-Que tal comermos algo?

– Mas nós comemos não faz nem dez minutos...

– Okay, vamos beber alguma coisa. Pode ser?- O amigo respondeu, revirando os olhos. Ele havia tirado a máscara e carregava-a na mão esquerda.- Ser mal consome energia.

– Claro...- Michael riu.- Vamos tomar o que Darth?

– Suco. Suco natural.- o egípcio respondeu alegre, enquanto o amigo levantava as sobrancelhas.

– Suco natural?

– Sim. Vai fazer bem para a sua saúde, Lukezinho. — Fredie comentou dando um sorriso travesso.

– Como eu fui me esquecer de como você é um pai atencioso...- Michael brincou.

Subitamente, o italiano mordeu a língua. Ele tinha esquecido... a palavra pai era um assunto um tanto delicado com Fredie.

Entretanto,o menino apenas riu até um furacão de cabelos castanhos se chocar contra eles.

– Olha por onde...- Michael começou , mas se interrompeu ao identificar a menina- Annie?

– Vocês viram a Katherin?- ela parecia desesperada.- Eu acho que perdemos ela...

– é.... não.- Fredie disse, se levantando.- Como vocês deixam uma ruiva sem o menor senso de direção solta por aí ?!- Annie e Michael encararam-no — Não, sério. Ela se perde com uma facilidade impressionante.

– Obrigada capitão óbvio.- a australiana rolou os olhos- Enfim, se a virem, me liguem, ou avisem Thalia, Medie, Selena... Alguém.- dito isso, voltou a correr entre as pessoas.

– Bem... Onde estávamos?- Fredie perguntou- Ah! o suco.

Os dois amigos andaram até um lugar qualquer, conversando sobre coisas aleatórias e, quando estavam perto de uma lanchonete móvel, um garçom abordou-os.

– Com licença, cavalheiros.- ele devia ter uns vinte anos, o que fez Michael pensar que trabalhava ali para pagar a faculdade ou algo do tipo. Era loiro e seu cabelo era liso e despenteado.- aqui estão seus sucos.

– Mas nós não pedimos nada...- Fredie comentou, desconfiado.

– Ela pediu para vocês.- o garçom apontou para uma garota morena, entre 16 e 20 anos , com longos cabelos castanhos que batiam quase em sua cintura.

Ela sorriu e acenou. O que fez os dois amigos se entreolharem e pegarem os sucos.

– Com licença.- o garçom disse antes de sair.

Mais uma vez, eles se entreolharam. E ficaram em silêncio por um certo tempo.

– Tomamos?- o egípcio perguntou.

– Por que não tomaríamos?

– Eu não sei você, mas a minha mãe me ensinou a nunca aceitar coisas de estranhos...- ele comentou cerrando os olhos para o copo.

– é só uma garota...- Michael revirou os olhos.- Aliás, quem iria querer algum mal para nós , Fredie?

– Eu não sei...- o menino balançou o copo, como se esperasse ver algo saindo dele.

– Olha eu...- Michael começou a falar, pronto para dar um gole e acabar com a paranoia do amigo quando um garoto, não devia ter mais que 15 anos, passou correndo por ele e o fez derrubar o suco.

– Ah! Que Droga!- o italiano berrou- Olha por onde anda seu...

– Michael?- Fredie o chamou.

– O que foi?- ele se virou nervoso.

– Eu não sei você, mas eu acho que não era isso que deveria acontecer com os sucos...- o menino apontava para o copo, agora quebrado ,que derramara seu conteúdo no chão. O suco , ao se misturar com a água de uma pequena poça d'água no chão, se separara em duas partes, uma com o color natural dele e a outra, esbranquiçada, leitosa.

– Mas o que...?- o italiano estava extremamente confuso.

– Eu disse que não se aceita nada de estranhos...- Fredie disse , com a voz esganiçada.

Como se só tivesse se lembrado agora de quem oferecera os sucos, Michael olhou para o lugar onde a moça estava e arregalou os olhos. Nem ela, nem o garçom estavam mais lá.

–-----------------------------/////////////-----------------–----------------

31 de outubro, sábado, 18:45. Complexo construído para o festival, ala E, Área de diversões.

Annie nunca tinha corrido tanto na vida. Seu rabo de cavalo já estava quase solto e a alça da aljava ( com flechas de mentira, é claro. Não iriam deixá-la entrar se elas fossem de verdade) caía de seu ombro toda hora.

– Onde essa menina se enfiou?!- ela murmurou frustrada, apoiando as mãos nos joelhos.

Depois de recuperar o fôlego, a australiana pegou um mapa do complexo de Halloween e tentou se localizar. Não custou muito para ela descobrir que se encontrava na área dos brinquedos.

Mais a frente , pode ser visto os brinquedos montados para a festa e as crianças gritando, correndo e olhando admirados para as luzes dos brinquedos que agora acendiam.

Annie se sentiu um pouco melancólica, afinal, olhar para aquelas crianças lembrava-a dos fins de semana em que seus pais levavam-na junto com todos os seus irmão para brincar no parque. Um sorriso se esboçou em seu rosto.

"Foco, Retzmann!" Ela se auto-repreendeu " Ache a francesa!"

A garota andou por mais um tempo. Mesmo não estando na ala do palco principal, o som das músicas chegavam aos seus ouvidos. Contudo, a menina não conseguia distinguir quem as cantava. Veio a tentação de olhar no cronograma de shows que estava no bolso da calça larga da fantasia de arqueira, mas algo chamou sua atenção: o celular no já mencionado bolso vibrou.

Primeiramente,a australiana se assustou e ficou sem saber o que estava acontecendo. Então, ele vibrou novamente e ela abriu o bolso desajeitadamente. mensagem de Katherin Perrié. Annie revirou os olhos.

" Hey! desculpa! meu celular descarregou An!

Enfim, estou bem! Estou na ala E, perto do carrossel. Estou comendo algodão doce com um amigo,okay?" Annie leu a mensagem e saiu pisando forte em direção ao carrossel, ela podia vê-lo ali perto.

"Um amigo?" Pensou no meio do caminho " Quem?"

Durante o caminho , mandou mensagens para todos dizendo que já tinha encontrado a ruiva. Quando finalmente guardou o celular de volta no bolso, avistou Katherin e sua fantasia de cigana ( adaptada para o frio do outono) e um garoto vestido de Assasin's Creed.

Annie , com certo desgosto , descobriu quem era o amigo da ruiva, afinal : Andrew Rodríguez. Aquele pesadelo espanhol. A garota se escondeu atrás da fileira de banheiros químicos perto dos dois e passou a observá-los. Annie fazia de tudo para evitar sequer olhar para Andrew e agora estava prestes a ter de levar uma conversa amigável com ele. esse pensamento fez ela revirar os olhos.

Todavia, a garota ficou observando os dois por um tempo mais longo do que até mesmo ela julgaria como necessário. Ambos riam e conversavam alegremente. Aquilo deixou-a irritada. Em parte, porque ela tinha corrido por cinco alas atrás da ruiva e lá estava ela, se divertindo enquanto Annie estava suada, descabelada e cansada... a outra parte? nem ela sabia ao certo.... Talvez fosse apenas seu nervosismo natural, talvez ainda estivesse tensa com a presença de Andrew, talvez sua mente estivesse nos testes para a peça de novembro ou nas provas dali a algumas semanas...

De qualquer maneira, a australiana marchou até os dois.

– Katherin Perrié!- ela virou a ruiva para a sua frente- Você sabe o que é correr cinco alas atrás de uma ruiva perdida?

A francesa se encolheu .

– desculpe...- murmurou.

– Agora você vai ter que aturar a Selena...- a morena suspirou — Aquela garota quase fez um escândalo quando não te achamos.... — mal ela tinha terminado de falar quando o telefone de Katherin tocou o refrão de "Hit the Lights" da Selena Gomez.

– Alô?- Katherin atendeu e logo distanciou-o do ouvido.- Calma Sel! Onde você está?- novamente se ouviu os gritos em espanhol do outro lado da linha.- Okay, okay, eu já estou indo. Eu disse que já estou indo Selena, calma!- enquanto a mexicana gritava mais alguma coisa no telefone, Katherin acenou para os dois polidamente com seu sorriso de desculpas e saiu correndo com o celular no ouvido.

Deixando Andrew e Annie sozinhos.

–--------------------------////////////---------------------–-------

31 de outubro, sábado, 19:00. Complexo montado para o festival, Ala E,Área de diversões.

Por um momento tenso, os dois ficaram ali, parados, encarando uma ao outro. Então, Annie fez menção de ir embora.

Andrew sentiu a garganta seca , quando chamou-a. Por um segundo, ele chegou a pensar que ela simplesmente fingiria que não o ouvira e iria embora. Contudo, após o que pareceu uma discussão interna, a garota virou-se.

– O que?- os olhos verdes dela encararam-no com sarcasmo.- Você quer conversar?

Andrew mordeu a própria bochecha.Tentar uma conversa, mesmo que monossilábica com Annie, quando se tratava dele, era um sacrifício. O que ele podia dizer? Que não tinha culpa? não, ele tinha. Que não sabia? ela nunca acreditou. Que sentia muito? da última vez que disse isso, ela lhe deu um tapa na cara.

– Annie...- ele começou sem saber exatamente o que iria falar.

– Não.- Ela o cortou- Talvez essa seja a minha vez de falar...- Algo no olhar dela fez Andrew pensar que as palavras seguintes não seriam bonitas, mas ele foi surpreendido- Você sabia que até hoje meus pais não confiam direito em mim?

O espanhol encarou-a. Aquela frase era nova. Provavelmente o discurso que viria também. Ele só queria saber se terminaria melhor ou pior do que os outros.

– Você sabia que se o Erasmus não tivesse sido bom conosco todos nós podíamos ser presos? Você sabia que toda vez que eu vou usar a internet da escola, eu tenho que mostrar tudo o que eu fiz? Você sabia que eu não posso mais cursar programação de computador por causa de tudo aquilo?! — os olhos dela estavam marejados. Andrew não saberia dizer se ela estava prestes a chorar de tristeza ou raiva.- A única coisa boa que eu posso de tirar disso tudo é que eu sou respeitada. Até mesmo pela Rebecca. Mas isso não vai me fazer te perdoar.

– Annie...- a voz dele saía trêmula — Eu tentei consertar. Eu tentei conversar com o pessoal que cuida do time da programação de computadores, eu falei com Erasmus, eu falei com os professores, eu tentei de tudo...Eu fiz tudo que eu podia! Eu...

– Você,- Annie o cortou- Você mesmo assim não conseguiu. Mesmo assim, continua baixando a cabeça para aqueles seus "amiguinhos".- Ela parrou para respirar fundo antes de dizer- Andrew, você tem que entender, não importa quanto tempo passe, isso não vai mudar. Seus amigos feriram meu orgulho e você...- ela encarou-o com os olhos prestes a soltar toda água contida neles- Você traiu a minha confiança. Eu não acho que algum dia eu posso perdoá-lo por isso.

E dito isso,Annie Retzmann sumiu na multidão que passava, enquanto Andrew ficava observando-a ir embora, se xingando mentalmente por ter sido tão estúpido um dia para ter feito o que fez.

– Hey Andrew!- um garoto baixinho de cabelos castanhos e olhos verdes bateu no ombro dele.- O que foi?

– Nada Henry. — ele suspirou- Só algumas besteiras que eu nunca vou poder desfazer...

– Tenha um pouco de fé.- Henry bateu no ombro dele de novo.- Vem comigo, vamos tentar animar esse Andrew baixo-astral...

–--------------------////////////----------------------

31 de outubro, sábado 19:50. Villa Maria, rua Geraldo Pruncio.

– Selena, eu não acredito que você veio me procurar na villa Maria! É uma boa caminhada, sabia?

– é.... pensando agora, não foi a melhor ideia...- a mexicana fez uma careta.

–Só você mesmo, Sel...- Katherin riu.

Selena riu junto. As duas estavam na villa, andando e rindo pelas ruas. O complexo estava localizado exatamente no espaço entre as villas, por isso, não era assim tão longe. Mas, continuava sendo uma boa caminhada.

Enquanto caminhavam, passaram a conversar sobre coisas aleatórias e Katherin até tentou tirar de Selena a história do Andrew e da Annie. Porém, a amiga disse que era melhor deixar esse assunto de lado, já que a australiana tem um orgulho grande e feri-lo era um grande erro, já que Retzmann era cabeça-dura demais para ver o ponto de vista do outro e orgulhosa de mais para perdoar quem um dia a fez allgo ruim.

Katherin tentava entender se a história dos dois era tão ruim assim. Eles tinha onze anos! crianças de onze anos não podem fazer algo tão grave.... Podem?

Selena passou a falar de alguma coisa que a francesa prestava pouca atenção. Ela falava algo sobre o menino com quem estava saindo... Josh. Ou seria Oshua? ela não sabia ao certo...

De qualquer maneira, quando elas estavam quase saindo da villa a ruiva viu um homem, de uns quarenta anos, olhos azuis e cabelos castanhos, entrando em uma loja. Ela sentiu que já o vira em algum lugar... Era estranho... O rosto dele era conhecido, mas ela não sabia de onde.

–Katy? Katy!-Os pensamentos da menina foram cortados pela mexicana

– o que?

– Você está me ouvindo?

–Claro que sim , Selena.

–Ótimo.- a garota respondeu e continuou a falar sem parar. Katherin ficava surpreendida com a velocidade que a amiga conseguia falar.Lembrou-se dela e Fredie discutindo naquele porão e dela argumentando tão rapidamente com Michael que a francesa duvidava que o amigo tinha realmente entendido o que a morena havia dito.

Katherin sorriu. Mas seu sorriso desapareceu logo que se lembrou de algo: O rosto do homem. Era lá que tinha visto! Ele estava naquela foto. Quer dizer... alguém parecido com ele. Talvez nem fosse tão igual assim. Contudo, a menina pensava que nunca saberia, já que o homem tinha sumido de vista enquanto falava com Selena.

–------------------------//////----------------------

31 de outubro, sábado, 20:48. Complexo montado para o festival, Ala A, Palco Principal.

– Como você planeja encontrar ela nessa bagunça?!- Felipe gritava por causa do som alto.

– Ela disse que viria até nós.- a americana deu de ombros.

– Como?!- o menino estava irritado.

– Eu não sei!- a loira disse em um tom de desculpas.- Vamos esperar um pouco...- ela gritou.

Havia uma grande multidão entre eles e o palco, mas mesmo assim, era uma barulheira de deixar qualquer um incomodado.

Felipe não conseguia acreditar que Laura iria achá-los. Devia haver, no mínimo, uma 10 mil pessoas por ali. Como, ela iria encontrá-los?

– Se divertindo, Valentim?- uma voz atrás dele chamou, fazendo-o dar um pulo de susto.

– Sim. Até você chegar ,Prado.- respondeu , amargo.

A morena abriu um sorriso largo.

– Não fique assim Drácula...- a garota deu um tapa mais forte do que Felipe achava que deveria no seu ombro.

– Falando em fantasias...- o garoto comentou, segurando o pulso da menina, tentando fazê-la parar de dar tapas no seu ombro- Do que você está vestida?

Laura fez uma expressão que facilmente se lia como " Meu Deus, como você é estúpido" e pôs o chapéu pontudo na cabeça.

– Eu sou uma bruxa!- ela sorriu e abriu os braços.

– Eu perguntei da sua fantasia, não de você.

A brasileira rolou os olhos, mas mesmo assim sorriu.

– Como você é engraçado Valentim.- ela disse com sarcasmo. Contudo, era difícil saber, já que ela sorria.

Eles passaram a conversar sobre várias coisa e , entre elas, Laura contava , disfarçadamente, sua conversa com Marta. Não havia sido nada de mais, tirando pelo fato do garçom. Mas, a garota parecia ter descartado a ideia de que aquilo tinha sido um real perigo.

Apesar de não ter dito nada, Felipe não tinha tanta certeza, afinal, nunca se sabe. E algo ainda soava errado nisso tudo. Aliás, ele achava imprudente Marta ter ido falar com Laura. O festival era cheio de pessoas de todo lado, e , como toda grande festa, é uma boa hora para se fazer algo escondido. Talvez as duas tenham, pensado assim, mas Felipe pensava pelo outro lado. Tudo era muito mais fácil para seja-lá-quem que estivesse querendo infernizar a vida deles ou impedi-los de tentar fazer o que quer que seja a confusão onde estavam.

Na verdade, o menino ainda não havia entendido nem a metade do que haviam lhe explicado. Era confuso, era um tanto surreal. Todavia, se fosse tão perigoso quanto Vladimir afirmara ser, não tinha sido uma boa ideia... de jeito nenhum.

Os três conversaram mais um pouco, até que Laura pediu licença e saiu.

–---------------///////////---–----------------

31 de outubro,sábado, 21: 36. Complexo montado para o festival, Ala A, Palco Principal.

– Você viu quem mais está de bruxa hoje, Becky?- Bryan provoco-a olhando para um grupo de pessoas a alguns metros deles.

Rebecca seguiu o olhar do garoto a contra gosto e viu aquela garota irritante com um chapéu pontudo, um vestido negro que batia em seus calcanhares e botas.

– Mas ninguém é melhor bruxa do que eu.- Ela retrucou com um sorriso cínico para o garoto.

Para Rebecca, ser a melhor não era uma opção e sim uma obrigação. Ela fora criada assim. Seu pai dizia que ficar em segundo era ser o Rei dos perdedores. No ponto de vista dela, tudo era uma competição, tudo era sobre vencer, ser a melhor. Até mesmo quando se tratava de coisas tão simples quanto a roupa.

Todavia, quando o assunto era Laura Regina , ela era competitiva ao ponto máximo. A menina não respeitava quase nada e era ousada demais. Se metia onde não devia, era cabeça-dura e sempre pronta para um boa discussão. Era uma das poucas pessoas que não a temiam, afinal, literalmente , a brasileira não tinha nada ruim para esconder: aluna perfeita desde sempre, o seu pior ato até hoje fora dar aquele tapa nela , sua família nunca teve problemas com a justiça ou outra coisa. Não importava quanto Rebecca procurasse, nunca achava algo para tentar controlar a menina.

Era impossível alguém nunca ter feito algo que se arrependesse na vida. Aquela garota escondia algo muito ruim, e muito bem. Com toda certeza. Se tinha algo em que Rebecca era boa, era em achar os segredos das pessoas. Laura cheirava a quem carrega um fardo antigo nas costas. Ela era seu maior desafio, sempre fora.

– Por que se importa tanto com ela?- uma voz sussurrou no seu ouvido.

Nem um pouco feliz, a alemã virou-se para ver Ian ao seu lado. Os outros estavam tão entretidos conversando que não perceberam os dois conversando sozinhos. Ou talvez tinham percebido. Mas quem seria pior? Ela ou Ian?

– Finalmente encontrou uma oponente a sua altura?- um sorriso debochado estava estampado no rosto dele.

Rebecca riu.

– Como se ela fosse alguma coisa.

– Becky, Becky. Sente raiva dela, não? Tanto quanto tinha da Miranda.

– Se não as conhecesse diria que eram irmãs.- comentou cruzando os braços.- São piores que baratas, não importe quantas vezes você pise, elas não morrem!

– Ela atualmente.- Ian comentou, sem emoção.

– é.- Rebecca deu de ombros.- Mas a ratinha tropical ainda está escondendo algo...

– Um ponto em que concordamos.- ele comentou,mais uma vez sem emoção.

A garota se virou para ele e arqueou as sobrancelhas.

– Fique calma. Logo você não vai mais se importar com os míseros segredinhos dela.

Então, ele se afastou.

Rebecca não se permitiu mostrar-se apavorada. Mas ela sabia exatamente o verdadeiro sentido daquela frase. E ele não era nem um pouco agradável aos seus olhos.

–-------------------------/////////---------------------

31 de outubro,sábado, 22: 21. Complexo montado para o festival, Ala A, perto dos banheiros.

Michael ainda estava inconformado com o acontecido. Como ele não previra aquilo?

– Não fique pensando nisso.- Fredie comentou- No copo, eu digo. Acontece com as melhores pessoas...

– Fredie, isso não é algo que deveria acontecer com frequência...

– Mas acontece.- o garoto deu de ombros. Michael não conseguia entender como ele conseguiu se manter tão tranquilo.- pessoas colocam soníferos ou .... outras coisas, nas bebidas de alguém para fazer coisas ruins...

– Fredie, — Michael disse, pausadamente- Você sabe que aquilo não era sonífero, não sabe?

O egípcio parou de repente e encarou-o por um longo tempo, com as sobrancelhas franzidas.

– O que você quer dizer?

– Aquilo parecia veneno...

– Veneno?!- Fredie arregalou os olhos- Por que alguém iria querer envenenar nós dois?!

– Esse é o problema...- Michael mordeu a língua — Você acha que isso tem alguma coisa a ver com ...

– Aquela sala , a passagem e tudo mais?- Fredie deu de ombros.- Não sei. Não me parece motivo para tentar matar alguém...

– Wow, wow, wow!- uma voz interrompeu-o.- Quem matar quem?! que história é essa?

Os dois se viraram e encontraram Katherin, com a cabeleira ruiva já completamente despenteada.

– Não é nada, ruiva.- Fredie respondeu.

– Não...- a menina revirou os olhos- Nem tentem me enganar! Podem começar a explicar essa história.

Os dois se entreolharam e , com um suspiro, Michael contou a história. Katherin era uma boa ouvinte, afinal. Ela ouviu tudo sem interrompe-lo e sem mudar de expressão ,como se pensasse qual seria a melhor maneira de reagir àquilo.

– Foi muita sorte , não?- ela levantou as sobrancelhas.

– foi...- o italiano disse.

– sorte demais...- ela franziu o cenho.

– O que você quer dizer?

Seja qual fosse a resposta da menina, teria de esperar.

– Não é ela?- fredie apontou para a garota morena que entrava no banheiro feminino.

Sem dizer nada, Katherin fez o mesmo.

–----------------------///////////---------------------

31 de outubro, sábado, 23:02. Complexo montado para o festival, Ala A, banheiro feminino.

Laura tinha lido em algum lugar que o lugar onde estava era utilizados para vários festivais. A área era grande, contudo o banheiro onde estava era o único que não era químico.

Logo quando entrou, encarou o chão e se perguntou se a pedra era realmente dessa cor ou aquilo tudo era sujeira. Ela entrou na primeira cabine , mas saiu tão rápido quanto entrou.

– Eu já vi banheiros de rodoviárias mais limpos.- a garota resmungou, andando até a outra cabine.

Todavia, antes que pudesse entrar, ouviu a porta se abrir. Laura se virou com extrema rapidez, mas não viu ninguém. Ela semicerrou os olhos.

Apesar dela preferir ter de arrancar a própria língua a admitir , a verdade era que Laura sentia medo de estar sozinha. E tudo só piorava se o cenário fosse um banheiro.

Quando tinha 6 anos sua irmã a deixou trancada no da própria casa e nem Laura nem a babá conseguiam abrir. Aos oito ficou presa em uma cabine do banheiro da escola e ninguém veio ajudá-la, o que obrigou-a a ter de sair pelo vão entre a porta e o chão. Desde que ela se lembra , lhe contam histórias sobre seres sobrenaturais que habitam esses lugares. Não que a menina acreditasse muito, mas era melhor não mexer com o assunto. E para acrescentar na lista, Miranda morreu em um banheiro.

A brasileira tomou fôlego e começou a ocupar a mente, tentando não pensar no que tinha acabado de acontecer. Mesmo assim, ela não tirou os olhos da porta e, quando saiu da cabine, ainda estava de olho nela.

Foi então que um furação ruivo irrompeu no silêncio do lugar, os passos ecoando pelo lugar quase tanto quando o som dos pingos que vazavam do cano de debaixo da pia.

– Laura?- a menina pergunta, tirando os fios rebeldes do rosto.

– Você quer me matar do coração?!- Laura pergunta, com uma mão no coração e a outra apoiada na pia. Ela conseguia ouvir o coração batendo em seus ouvidos, tamanho fora o susto.

– desculpe...- a francesa fez uma careta.- Tinha mais alguém aqui?

– Não.- a morena fez uma cara desconfiada- Por que?

– Nada.- ela respondeu, como se realmente não tivesse importância.

Contudo, Laura arqueou as sobrancelhas.

– Sério?- disse — Por que você parece tão decepcionada como um caçador que perde a caça, se é que me entende.

Katherin cruzou os braços.

– Perseguindo alguém, Perrié?- a brasileira perguntou com um sorriso debochado.

– Não estou perseguindo ninguém.- a francesa respondeu- Só perguntei aquilo para saber se Lucy estava com você se mais alguém me viu entrar desse jeito.- ela apontou para os cabelos.

– Claro.- Laura concordou, se olhando no espelho , tirando os brincos de pressão e massageando as orelhas vermelhas.

Depois de algum tempo, ela percebeu que Katherin a encarava , com a escova nos cabelos.

– Que foi?- perguntou- Estou a cinco horas com eles!

– Mas... a marca na sua orelha...

– Calma.- a brasileira comentou, rindo- Amanhã de manhã nem vai mais dar pra ver. Ao menos que eu use demais. Então, corremos o risco de ficar com uma orelha roxa por uns tempos...

O silêncio veio novamente , até Katherin guardar sua escova na bolsa e Laura lavar o rosto, quando uma voz feminina, falando em uma língua que ambas não poderiam entender, ecoou pelo lugar.

– Você ouviu isso?!- a morena perguntou.

A ruiva assentiu e as duas se viraram para examinar o banheiro. Entretanto, não havia ninguém ali.

O que deixou Laura perplexa e aterrorizada, considerando que seja lá o que estivesse ali atacasse, sua melhor arma a caneta que carregava na bolsa.

– Talvez tenha sido lá fora...- a ruiva comentou. a amiga pode vê-la engolindo em seco pelo canto do olho.

– Aquilo era o que?- Ela trocou de assunto- russo? japonês? alemão?

Katherin encarou-a com uma expressão que claramente dizia " como você quer que eu saiba?!".

– Ah!, Qual é?!- a brasileira argumentou- Você é a europeia por aqui! Não conhece essa língua?

– NÃO! — ela gritou, nervosa, depois balançando a cabeça.- Olha...- ela respirou fundo, falando tudo calmamente.- Vamos ... só vamos sair daqui , entendido?

Laura deu de ombros e se virou para pegar sua bolsa. Katherin fez o mesmo. Todavia, no exato momento em que viraram-se, elas viram.

Katherin ficou muda em uma clara mescla de pânico e choque , enquanto Laura recuou com força, soltando um palavrão até bater na parede oposta.

Não era possível. Aquilo era surreal... Como? Como?! Não estava ali há três segundos atrás. Agora, Laura quase arrancava os cabelos. Ela puxava-os com força, como se a dor pudesse acordá-la de seu pesadelo. Isso era um mal agouro. Estava claro. Ela sentia isso no seus ossos.

Letras grandes e negras preenchiam boa parte do espelho , formando uma frase que ambas ainda tentavam entender. Mas não era isso que fazia Laura quase arrancar seus cabelos. Não. O surrealismo não estaria ali , naquelas farses. Ele estava em seu autor que ainda estava no espelho, com aquela máscara horrorosa e aquele sorriso psicopata no rosto.

Então, seja lá o que estivesse no espelho foi embora, as duas ficaram um longo tempo em silêncio. Tudo que Laura conseguia ver era aquele sorriso maluco costurado em suas pálpebras toda vez que fechava os olhos e aquela... coisa preta escorrendo pelo espelho, formando as palavras que até agora pareciam ecoar pelo lugar vazio.

"Você acha que já está pronto? você quer entrar no jogo? Certo, vamos brincar. Mas , primeiro, deixe-me mostrar-lhe as regras..."

– Mas que porra é essa?!- Laura gritou. Sua voz soava mais inconformada do que assustada e seu grito chegava a ser quase um berro ecoando pelo banheiro.

– Você... Você viu aquilo?- a ruiva ainda parecia em choque.

– O que? O Psicopata dentro do espelho?- ela caminhou até a pia.- Impossível não ver.

– A psicopata.- Katherin corrigiu.

– Como você sabe?

– A luva.- ela comentou , passando a mão no rosto.- Dava para enxergar daqui.

A morena encarou a ruiva. Não era fácil ver alguém dentro do espelho , deixando uma mensagem nada amigável para você.

– Você...- Laura murmurou.

– O que?

– Não...- a menina sacudiu a cabeça, apontando para a mensagem.- Você em português, Vous em francês , You em inglês.- ela mexia gesticulava mais por costume do que por necessidade.- Contudo, You pode ser singular ou plural... Então... essa mensagem é para mim, para você ou para nós duas?

Mais uma vez, apenas o som das gotas foi ouvido.

– Diga-me, Laura, você pode ter feito algo que irritasse gente assim?- Katherin encarou-a.

– Tanto quanto você.- a menina sorriu.- Mas agora temos é que sair daqui...- a morena pegou a bolsa.- Aja como se nada tivesse acontecido até o fim da noite e não conte nada a ninguém.

– Por que?-Katherin se distanciou da pia.

– Por que a partir de agora, nós podemos estar sendo vigiadas, as vitimas, os alvos... Chame do que quiser.

– Wow! não acha que você pode estar exagerando?

– Claro, pessoas aparecem dentro de espelhos e te ameaçam toda hora.- a brasileira retrucou- Escute, Katy. Não existe lugar errado nem hora errada , okay? Se você estava aqui, se você viu isso aqui, é porque queriam que isso acontecesse , certo? é porque você tem tanta culpa no cartório quanto eu.

– Culpa no cartório?- a menina pareceu confusa.

– Esquece.- laura rolou os olhos- Vou te dar três regras simples para você seguir, certo? Primeira: Não diga a ninguém o que aconteceu, nem deixe perceberem que você não está bem. Segunda: Nunca vá para qualquer lugar sozinha. Você é um alvo fácil assim. Terceira e mais importante: Não confie em ninguém. Literalmente. Não confie nem na sua sombra. Não importa o que te digam, continue onde está até que a veracidade do fato seja confirmada. Entendido?- A garota sabia que estava soando muito autoritária, mas ela tinha medo de que Katherin não a escutasse.

A ruiva assentiu e as duas saíram do banheiro forçando risos e conversando sobre coisas aleatórias.

O que elas não viram foi a entrada de uma outra garota comum no banheiro. Só que, quando ela entrou no banheiro , ele estava no seu estado normal.

–----------------------//////////////------------------

1º de Novembro, domingo, 00:15. Complexo montado para o festival, Ala E, Área de diversões.

– Ameerah!- Amy reclamou.- Por que estamos indo para a casa dos espelhos, mesmo?

– Talvez seja porque nos vamos entrar.

– Por que? Tem espelhos em todo lugar.

– Pare de reclamar Amy! Você vai ver como é divertido quando entrar.

A escocesa se limitou a rolar os olhos. A amiga estava arrastado-a para todo lado daquele parque de diversão. Pelo menos ela tinha desgrudado do namorado. aquela conversinha melosa deixava-a enjoada.

O tempo parecia passar devagar enquanto elas caminhavam em direção a uma casa mais afastada, sem quase ninguém por perto. O ar estava gelado, e um vento fraco soprava. Os longos fios castanhos que haviam se perdido do seu coque balançavam em frente ao seu rosto e ela se concentrava em pará-los.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Depois do que pareceram séculos, as duas entraram.

A casa não era muito grande, apenas um pequeno labirinto de espelhos que lhe deixavam maior, menor... típico. Amy não estava nem um pouco surpresa. Na verdade, ela estava morrendo de medo de entrar ali e não achar a saída. Sem contar que era , no mínimo assustador se ver em todo canto. Ela se sentia observada e desprotegida. Era como se ela fosse apenas um ponto negro em uma folha em braco...

Tudo passou bem, até quando as duas estavam perto da saída. Bem... pelo menos era isso que Amy achava, já que estavam naquele lugar a tempos.

Então, um vulto passou ao lado delas. Amy virou a cabeça rapidamente , mas não viu nada.

– O que foi?- Ameerah perguntou.

– Nada... eu... eu só ... pensei ter visto algo...- a escocesa cerrou os olhos.

Elas andaram mais um pouco. Mas o vulto veio de novo, fazendo as duas pararem.

– Você viu isso?- a saudita disse em baixo tom.

Amy se limitou a assentir.

– Você acha que mais alguém pode ter entrado aqui?- a morena parecia assustada.

Sob a pouca luz do lugar, Amy pode ver o rosto de tradicionais traços árabes formar uma expressão séria.

– Acelere o passo. Vamos sair daqui.- a saudita disse , fazendo a amiga segui-la.

Amy achou estranho a ausência do som de passos, tanto como o fato de o vulto passar sempre tão perto.

– Ameerah, não corra!- a escocesa repreendeu- Vai nos fazer ficar perdidas desse jeito.

Foi nesse exato momento, em uma pequena curva daquele caminho entre espelhos que Amy viu aquela.... coisa no espelho. Ela não sabia o que era, mas lhe perturbava. Aquela maça cinzenta cujo corpo parecia uma sombra humana. Exato, era isso. Uma sombra que, no lugar dos olhos, mantinha dois pontos vermelhos e tinha uma cor mais cinza do que preta.

De qualquer maneira, sendo sombra, espírito ou seja á o que fosse, Amy não queria saber. Soltou um berro assustado e bateu no espelho na suas costas. E , quando ela se virou para ver se tinha quebrado-o, viu aquela coisa nele também.

Ameerah percebeu e gritou também.

A coisa pareceu se divertir e abriu a sua... boca? aquilo podia ser chamado de boca? como se sorrisse.

– Meu Deus!- Amy girtou e sem pensar em mais nada , agarrou a mão de Ammerah , já correndo.

Enquanto a pequena escocesa tinha de se esforçar para dar largos passos e guiar a amiga ao mesmo tempo, via o vulto seguindo-as de espelho em espelho.

Ambas se desesperavam cada vez que olhavam para o lado e o viam ali, sorrindo para elas.

Ninguém saberá dizer , ao certo, quanto tempo foi gasto correndo pelo aquele labirinto. Contudo, depois de algum esforço a portas da saída estava no fundo do corredor. A porta estava encostada e tinha um espelho na parte de trás.

Talvez o espelho fosse para mostrar que você chegou no fim, ou apenas porque não sobrara espaço para ele. O motivo não importava, de qualquer maneira. O objetivo de Amy era claro: sair dali. E ela estava quase lá.

Pelo canto do olho, viu o vulto lado a lado com elas. Era preciso correr muito rápido, mas a garota não tinha tanta força para isso. Mesmo assim, tentou ser mais rápida, deu tudo de si, porém, a sombra chegou na frente.

Bruscamente, as duas pararam, frente a frente com o espelho e a sombra nele.

– Vamos tentar sair pela entrada...- Ameerah tentou puxar a amiga, mas esta apenas se soltou dela.

– Eu estou cansada de correr.- reclamou- E... deixe-me testar uma teoria.

A sombra parecia acompanhar as falas das duas, olhando de uma para a outra.

– Amy...- Ameerah começou com o tom de repreensão.

Entretanto Amy sequer parou para ouvir. Ela , de repente, deu um soco no espelho. No momento em que sua mão colidiu com o vidro ela sentiu como se várias pequenas agulhas estivessem cutucando a sua pele. Sentiu o vidro entrando em seus dedos e o ardor dos cortes recém-abertos. Provavelmente o que qualquer um sentiria se socasse um espelho, tirando o fato de que Amy sentiu sua mão empurrar algo. Contudo, ela não teve tempo de ver o que aconteceu, uma vez que a rachadura percorreu todo o espelho , fazendo-o se quebrar em vários pedaços de tamanhos diferentes.

– Você está bem?- perguntou Ameerah, preocupada, tocando seu ombro.

A garota encarou a própria mão: Haviam vários cortes em seus dedos e nas costas da mão, além da dor de ter batido contra algo sólido.

– São só alguns cortes.- Amy forçou um sorriso.- Vamos sair daqui.

Notas finais
Hey! então, o que acharam?