Notas iniciais
oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! sei que demorei, mas tive muitas provas e trabalhos. Além de ter andado um pouco depressiva demais pro meu gosto...mas está tudo bem agora! a gente se vê lá embaixo, tenho algumas coisas importantes a dizer...

Floresta ao redor de Grander Hall, 15 de outubro, quarta-feira , 16:20

O caminho até a casa não era muito longe, mas tudo naquele fim de tarde parecia sinistro e medonho para ela. Mesmo Annie Retzmann nunca indo admitir que temia um lugar abandonado.

Depois de uma infinidade de mata um tanto fechada e plantas rasteiras que causavam coceira nos tornozelos dela, finalmente chegou. Ainda teve de subir uma pequena escada para chegar na varanda.

Seus dedos dançaram na maçaneta. Mas, antes de abrir a porta, Annie olhou para trás. O som de vários pássaros podiam ser ouvidos e as folhas farfalhavam com a brisa fria de início de outono adiantado. Como se esperasse por esse momento, o falcão que a acompanhava voou velozmente e pousou em seu ombro. Apesar de falcões terem garras fortes , não a machucou, pois a jaqueta de couro protegia bem.

– Rasgue essa jaqueta e eu quebro o seu pescoço. Entendido?- ela encarou o animal.

Talvez pareça engraçado para qualquer um falar com um bicho. A maioria fala com eles por brincadeira ou não parecer louco, mas Annie tinha uma ligação especial com falcões. Uma longa e bela história. Mas ela não costuma tocar no assunto. Certos traumas não se curam tão facilmente...

De qualquer forma, o animal bicou carinhosamente a bochecha dela. Isso queria dizer sim. Então, ela girou a maçaneta e teve de fazer força para abrir a porta.

Annie entrou aos tropeços e quase caiu no chão. A porta fez um estrondo tão grande que ela jurou ver a casa balançar.

Annie teve um ataque de tosse por causa da grande nuvem de poeira que se formou no cômodo. Ela abanou o ar á frente , e quando tudo se acalmou, viu uma sala , os sofá não passavam de meras carcaças do que um dia foram e estavam virados em posições entranhas. As cadeiras que ainda tinham pés estavam espalhadas e viradas; a mesa de centro quebrada ao meio e as pobres cortinas residiam no chão, servindo de ninho para ratos.

– Eca...- Annie comentou ao ver o estado da sala. Seus passos ecoavam altos como a solidão daquele lugar. O vazio era tão forte quanto a sujeira e o mofo nas paredes.- Um furacão passou por aqui?

“seres humanos cegos pelo desejo são piores que os castigos que a mãe natureza dá aos seus filhos ingratos...”

Ela não respondeu. Em parte porque ele tinha razão. O homem sempre foi ambicioso demais, cego demais.

De repente, ela parou de caminhar pela sala e olhou para nada em especifico , pensando: “ desde quando Annie Retzmann é profunda? E desde de quando ela pensa sobre si mesma em terceira pessoa?”

Mesmo assim, sacode a cabeça, afastando aquele pensamento julgado pela própria como estúpido e volta a andar.

Quando chega no final da sala, não há portas e sim uma abertura para a cozinha. Annie não sabia afirmar se um dia ali houve uma, ou se era assim mesmo. Resolveu que não era um assunto importante e começou a reparar no cômodo.

Era bem pequeno. Havia uma mesa de seis lugares no extremo oposto ( que não era muito longe), armários de uma madeira que aparentava os últimos traços do que um dia foi uma pintura branca. Existia um espaço vazio e quadrado em um canto, com a parede extremamente suja . Annie se perguntou se já haviam criado a geladeira na época de glória daquela casa. Mesmo assim, ainda havia um fogão á lenha que um dia fora elegante á poucos centímetros dali.

O chão estava coberto por poeira, musgo, comida mais do que podre, em um processo quase terminal de deterioração ,além de embalagens, talheres, pratos e pedaços de panos.

A cozinha com toda certeza era o cômodo mais sujo de toda a casa. A mesa estava intacta, ainda posta. Parecia que as pessoas haviam deixando-a ás pressas...

Sem hesitar, Annie saiu pela porta do lado oposto do cômodo, se deparando com uma escadaria á sua frente e uma porta arrancada de suas dobradiças ao lado esquerdo. Ela olhou por trás da porta e viu algo como uma antiga lavanderia, com os baldes ainda cheios de água mais verde que seus olhos e tão turva que parecia uma fumaça verde doentia , Tóxica.

Ela resolveu que não havia nada de muito interessante ali e começou a subir as escadas. Annie pisava com leveza e devagar, pois tinha medo que os degraus quebrassem sob seus pés. O corrimão estava quebrado e lascado, o que não oferecia muita segurança.

Com calma e paciência impressionante, ela subiu as escadas, degrau por degrau rangendo com seus passos e com aquela terrível sensação de medo na boca do estômago.

O suspiro de alívio não pode ser contido quando chegou em segurança ao segundo andar, que , virando para a direita ,continuava em um longo e estreito corredor. Enquanto o lado esquerdo guardava apenas mais um mísero trecho do corredor e logo saia em uma porta de madeira , apodrecida com o tempo.

Ela virou a direita e , ao abri-la , a porta soltou um rangido monstruoso e quase saiu das dobradiças.

Com o estrondo, o falcão em seu ombro voou para dentro do quarto. Fazendo sua acompanhante segui-lo.

O cômodo era um tanto triste. Claramente, se fosse restaurado em sua glória original, seria uma sala de estar. Havia uma lareira , com duas cadeiras quebradas e viradas ali perto ( provavelmente deveriam ficar em frente á ela), sofás destruídos mais ao fundo, os restos de uma mesa perto da varanda. O chão estava coberto de vidro e porcelana quebrada, além dos pedaços de madeira, poeira e cinzas.

Annie franziu o cenho e caminhou até a varanda. Ela se arriscou a pisar lá, mas a madeira ameaçou ceder sob seus pés. Por tanto, se limitou a encarar a vista dali, se perguntando como ela realmente deveria ser antigamente.

“pensei que quisesse ver tudo...” uma voz disse.

Apesar da australiana não admitir, ela ressoava apenas em sua mente. Ninguém mais poderia ouvi-la.

Ela se virou e viu o falcão encarando-a de cima do único sofá que ainda restava em pé.

– Você podia ser mais paciente , não?

“ você vai ter suas repostas mais tarde, se você se importa tanto em tentar reconstruir as coisas. Mesmo sabendo que elas não serão do mesmo jeito...”

Annie deu de ombros e voltou para o corredor, seguindo para a primeira porta, á esquerda.

Se ela achava que o outro cômodo estava horrível, não existia palavras suficientes para descrever este.

O guarda-roupa estava completamente destruído , a cadeira e a escrivaninha quebradas e jogadas em direções opostas, o criado-mudo estava de cabeça para baixo, com suas gavetas inteiramente despedaçadas espalhadas pelo quarto. Sim, aquilo era um quarto. As duas camas agora se resumiam a uma pilha de destroços no meio de tudo aquilo. A única janela estava quebrada e trepadeiras começavam a entrar por ela.

Novamente, o chão era uma mistura de madeira, poeira, vidro e uma outra coisa que Annie não se preocupava em identificar.

Ela não entrou, apenas observou e partiu para a próxima porta, desta vez á direita.

Mais uma vez, um quarto com duas camas despedaçadas . Mas, havia algo de diferente ali... a cadeira estava despedaçada perto da parede, como se alguém tivesse arremessando-a com força... e a mesa estava partida ao meio em outro canto, em uma posição que sugeria que tivesse sido usada como escudo. Todavia, o que realmente chamou a atenção dela foi o rastro vermelho na parede , ao lado do guarda-roupa caído.

Annie caminhou devagar, ouvindo a madeira ranger sob seu peso, até a mancha. Não havia como negar, aquilo era sangue. O que a fez se perguntar quanto tempo sangue ficava assim, seco . Será que resistia á tanto tempo?

“depende de como o ferimento foi feito... e em quem foi feito...”

– O que você quer dizer com isso?- ela se virou para o pássaro parado em cima do antigo guarda-roupa.

Ele apenas encarou-a. Para qualquer pessoa, o animal não tinha mudado nada, mas para Annie, aquilo era o suficiente para uma resposta.

– Já sei “você terá suas respostas depois”- ela revirou os olhos- vamos logo terminar de ver isso aqui.

“Não estou lhe obrigando a ficar aqui...”

– Não sabe que nunca faço nada por dever?- ela riu, abrindo mais uma porta.- Isso é interessante.

“Realmente nada por dever? Acho que não conhece nem a si mesma direito...”

– Não tudo, mas digo de forma geral...- ela viu mais um quarto destroçado á sua frente.

Porém havia algo de novo ali... um armário, um pequeno armário a ponto de despencar no lado oposto.

Devagar, ela foi andando. A mistura no chão era igual a de todo lugar, mas de quando em vez ela via algum rato ou barata. Sem sequer se importar com este fato, ela abriu o armário.

Dentro havia , além de muitas teias de aranhas provavelmente venenosas, vários restos de plantas medicinais e alguns remédios. Além de um pequeno espelho completamente sujo e embaçado. Não era mais possível ver qualquer reflexo ali.

Annie não se atreveu a por a mão lá dentro, de qualquer maneira, ela não saberia para que serviriam as plantas ali mesmo... Todavia ela...

“não sei se seria uma boa ideia...”

– Pare de invadir meus pensamentos!

“sabe que não precisa falar em voz alta, não?”

– Pareço menos louca assim.

“não vou discutir.”

– Porque não posso mostrar isso á alguém ? – ela saiu do quarto e parou na porta para encarar o animal que voltara para seu ombro.

“ certas pessoas ... é... talvez você entenderá mais tarde.”

– Se você não me explicar nada agora, preciso de alguém que o faça.

“talvez...”

Não estando disposta a ouvir mais uma palavra desse assunto, a australiana foi em direção a última porta. Entretanto, ela não se movia.

– Como essa não está podre?

“ nem tudo é tão simples...”

– Ok, chega de mistério: como é que eu abro essa bodega?

“Onde você aprendeu esse palavreado, menina?! Mas eu não sei! Sou apenas um falcão!”

–Bodega é palavrão?- ela bufou- e quer dizer que você me trouxe aqui para nada!

“ei! Não grite comigo! Estou apenas obedecendo ordens!”

– Ordens?- ela levantou as sobrancelhas.

“já está anoitecendo. Você não vai querer ficar por aqui a noite...”

– Eu ainda arranco isso de você um dia.- ela resmungou e o animal voou até lá em baixo.

Sem a mínima vontade ela o seguiu.

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Palácio de Schonbrunn, quarto 63 , terceiro andar. 17 de outubro, sexta-feira. 17:34.

Laura escutava música vinda do notebook enquanto encarava a bússola como se obtivesse o segredo do universo.

Ela não conseguia entender como aquilo funcionava. Nem o Google conseguia responde-la. Isso a irritava de maneira extrema. Tanto, que ela passava 24 horas por dia vigiando tal instrumento , a procura de algum sinal.

Do outro lado do quarto, Lucy Rose escrevia em seu cadernos algumas ideias para suas histórias. O único problema era a colega ouvindo rock alternativo no volume máximo. Estava tão alto que até ela conseguia ouvir , mesmo Laura estando usando fones.

A atitude da brasileira estava angustiando-a também. Ela passava dia e noite grudada com aquela coisa e não deixava ninguém mexer.

A situação ficou insuportável quando a brasileira resolveu começar a gritar com a bússola.

– Já chega! – Lucy gritou, jogando o caderno, indo em direção a amiga e tirando o objeto de suas mãos.

– Ei!- ela berrou. Não por estar brava, mas por causa dos fones altos.

– Você precisa se desligar disso um pouco.

– Hã?

A americana bateu o pé no chão e arrancou os fones.

– Vê se para de tentar ficar surda e me escuta!- ela bufou- Você precisa sair daqui um pouco.- ela disse bem devagar.

– Tá certo.- a brasileira deu de ombros massageando os ouvidos.- talvez isso funcione ao ar puro.- ela tentou pegar a bússola da mão da amiga, mas ela recuou.

– nada disso!- Lucy estava farta daquilo. Se senti como uma mãe educando uma filha birrenta. – Você vai sair sem isso Prado!

– Rose...

– Sem “Rose”..- Lucy fez aspas imaginarias.- Você vai e ponto. Agora!

As duas começaram uma disputas de olhares, mas Lucy não estava nem um pouco a fim de esperar a boa vontade da amiga, por isso arrastou Laura para fora da cama e jogou a bússola em cima da sua.

– Lucy...- Laura gemeu.

– Calada! Você precisa de luz do sol, ou vai ficar tão branca quanta a Amy!

Então, saíram do quarto.

Agora, na maior da ironias, as bússola disparou naquele momento, que foi apenas o começo de muito mais coisas...

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Fonte de Atlântida, Centro de Grander Hall. 20 de outubro, segunda-feira. 11:27.

– Eu achei o problema dela.- Annie revirou os olhos.

Michael encarava os dois sem dizer uma palavra. Não sabia como descrever aquela situação, mas não seria nada bonito.

– Aquele é o...?- Katherin começou.

– John Peter.- Medelaine disse com desdém.

– O que ela está fazendo com esse.. esse...- Thalia parecia a ponto de bater em alguém.

– Fala Thalia!- Annie gritou

– Maldito!

– Foi quase.- Retzmann deu de ombros.

– Como.. Quando...- era tudo que Michael conseguia dizer.

– é... o amor é cego...- Thalia comentou irônica.

– Nesse caso, cego ,surdo e mudo , né?- Medelaine perguntou

– Com certeza.- eles disseram em uníssono.

Michael ainda não acreditava que Ameerah estava se relacionando com o bruto do John Peter. Como se não bastasse o cara ser tão rude, presunçoso, e cruel, ele ainda era tudo que o italiano abominava: ignorante. John estava no quarto ano e tinha 16. Não que seja possível repetir em Grander Hall. Ali era : passe de ano ou faça as malas. Mas o menino repetira duas vezes antes de chegar ali.

Não o surpreendia toda aquela mudança na menina. Estar com um cara como esse era desejar ser manipulada e usada. Isso só fazia Michael ficar ainda mais vermelho.

Quando estava prestes a fazer uma besteira, uma voz chamou:

– Michael! Michael!- Selena chamou a atenção de todos. Mas quando chegou, olhou por cima daqueles muitos ombros e viu o casal sentado e fez a careta mais engraçada que o menino já tinha visto.- Argh! Isso é nojento!

– Um dia você também vai ter namorados , Sel.- Katherin disse com seu charmoso e forte sotaque francês.

– Não digo do ato em si. Digo de quem o esta praticando, entende?- ela cruzou os braços.

– Acho que sim.

– Bem...- Selena pigarreou- Michael, seus mini-nerds estão lhe chamando.

– Onde?- ele perguntou confuso.

– Lá dentro, idiota!- ela revirou os olhos, fazendo-o ficar carrancudo.- Vem.

Nesse instante, Michael se perguntou se Selena tinha ficado mais forte ou se ele sempre fora tão fraco.

Quando chegaram num ponto mais afastado ela empurrou ele para cima de uma árvore.

– Ai!- ele massageou a cabeça.- Onde é que estão os garotos?

– Meu Deus, Michael! Usa o cérebro ! ou ele só serve para fazer conta! – ela bateu no braço dele.- Precisamos conversar!

– Sobre o que?- ele encarou-a confuso e percebe que aquela era a resposta errada. Mais um tapa.

– Sobre aquele dia que seguimos os dois!- ela gritava com ele.

– Não precisa ficar histérica, ok? Já entendi.

– Então...?- ela levantou as sobrancelhas. Desde quando ela tinha tanto cérebro?

– Então...?

– Quando a gente fala com eles?- Selena cruzou os braços.

– Acho que a pergunta é com quem, não?

– Uma hora ou outra eles vão ter que se falar.

– Quando?- foi a vez dele levantar as sobrancelhas e cruzar os braços.

– Uma hora eles vão ter que se juntar de novo.- ela deu de ombros.

– E você me tirou de lá só para isso?

– Fique avisado. Toda vez que ele sair ,vá atrás.

– Ok.

– Não me olhe com essa cara. Você é um espaguete, não faria nem cosquinhas no Tomalenche!

Michael não disse nada. Era a mais pura verdade, mas ele preferia ficar quieto do que admitir.

– Vamos Senhor Giordano!- Selena puxa-o pelo braço.- Você tem que voltar.

– E você?

– Tenho de fazer outras coisas.- ela deu de ombros.

Michael riu e começou a voltar para onde tinha deixando as meninas.

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Parque do Palácio de Catarina, 20 de outubro, segunda-feira. 13:12.

Joshua esperava ansioso, batendo palmas par aliviar a tensão.

– Porque está batendo palmas? Não é meu aniversário!- ele se virou para ver Selena García parada atrás dele.

– Por... nada.- ele balançou a cabeça- eu trouxe doguinhos.

Ela se sentou na frente dele imediatamente e começou a devorar a comida.

Eles estavam sentados em uma das muitas mesas de granito para piqueniques nos arredores do palácio.

Depois de tê-lo atropelado, os dois começaram a falar mais. Eles tinham se tornados bons amigos.

Seus amigos andavam atazano-o para ficar com Selena , mas ele achava melhor ir com calma. Não que não gostasse dela, Selena era uma menina legal, mas ele só ficaria com ela por ficar.

– Você está muito bonita hoje.- ele olhou-a sorrindo.

– Obrigada...- ela encarou-o desconfiada.

Joshua sorriu de volta e eles passaram o almoço todo conversando.

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Palácio de Catarina, 22 de outubro, quarta-feira. 14:58.

Faltavam cinco minutos para a aula de teoria de música acabar e Medelaine Jones já havia guardado todo o seu material e esperava ansiosamente o sinal tocar.

– Professora?- ela levantou a mão e tentou fazer a cara mais digna de piedade que conseguia.

– Sim, Jones? – ela parou de escrever no quadro e encarou-a.

– Posso ir ao banheiro?

– Não.

– Mas...

– Não.

– A senhora quer que eu faça aqui mesmo?- ela levantou a sobrancelha direita.

– Vá!- ela berrou.

– Muito obrigada.- e quando ela virou de costas, pegou a mochila e saiu.

Correu feito uma louca pelos corredores. Os artistas que viriam para o festival de Halloween seriam anunciados hoje. E ela precisava saber.

Encontrou Annie um minuto antes do sinal tocar.

– Pronta Retzmann?

– Ainda pergunta Medie?

Cinco, quatro, três, dois... um.

O sinal tocou e uma multidão apressada correu para o telão mais próximo.

– Para trás otários!- Ela empurrou alguns garotos do primeiro ano.

Então, o pequeno telão começou a falar.

“ presados alunos, este ano , como sempre teremos o nosso famoso e tradicional festival de Halloween com atrações nacionais e internacionais.

As atrações do grande Palco serão:”

Medelaine apertou a mão de Annie com força, as duas tinham a cara grudada no telão.

“ Little mix.”

Uma salva de palmas e gritos de todos de muitas idades. Mas o telão continuou sobre o barulho.

“Avril Lavigne”

Muitos gritos e palmas , gente pulava ali atrás.

“ Justin Timberlake.”

Com certeza a porcentagem feminina se encheu de berros . Não tinha como não pular.

“Taylor Swift”

Medelaine sentiu Annie dançar ao seu lado.

“ 30 Seconds to Mars”

Ela não pode conter sua alegria e berrou a plenos pulmões.

“e... One Direction”

Com certeza a maioria feminina, inclusive a fã mais obcecada deles: Medie. Ela pulou, gritou dançou quase quebrou o pé quando esbarrou em umas garotas do sexto ano.

“Todos os alunos recebem um ingresso e fiquem atentos as promoções que o colégio oferecerá para vocês.

Com atenção,

Coroa Real das Ilhas Orion.”

Medelaine e Annie saíram toda felizes pelos corredores e encontraram as outras meninas no caminho. Conversaram muito, até que... “brinnnnnnnnn” o sinal.

– merda.- ela praguejou.

– A gente se vê mais tarde, Medie.- disse Annie.

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Palácio de Catarina, 23 de outubro, quinta-feira. 14:25. Teatro Eleni I ( I de primeira, ok? Eleni primeira.).

Katherin estava um pouco confusa. Eles lhe disseram que teriam de fazer uma peça pra Novembro, mas ela nunca imaginara tão em cima da hora!

– Thalia.- ela sussurrou para a garota ao seu lado.- Eles não deviam ter avisado antes?

– Talvez. Eles preferem deixar mais para cima. Só pra ver quem vai bem.

– Vocês já sabem que peça?

– Het. Mas eles dão umas indiretas- ela apontou para o chão no palco, onde uma falsa estrada de tijolos amarelos estava colocada.

Katherin sorriu. É claro que ela sabia.

Como toda vez que ela se encontrava com os artistas, o caos reinava.

Uns meninos do segundo ano se balançavam nas cortinas, Michael, Fredie e companhia limitada arremessavam bolinhas de papel higiênico uns nos outros. O único problema foi quando uma delas atingiu a Thalia, o que rendeu bons palavrões em russo.

Medelaine levantava um menino pelo pescoço e gritava algo com “passa a bala!’” mas o barulho estava tão alto que Katherin não sabia ao certo.

Selena conversava com uns meninos que a francesa já tinha visto antes, mas nunca havia falado com eles, nem sabia quem eram.

Duas gêmeas loiras ( que ela reconheceu como Lilian e Layla, as argentinas colegas de quarto de Laura) e mais um monte de meninas maquiavam os garotos que dormiam em suas poltronas Enquanto do outro lado da sala, Felipe Valentim e seus amigos cochichavam tão suspeitamente que Katherin tinha medo do que estavam falando.

Para confirmar a questão tratada dias atrás, Ameerah e John Peter namoravam em um canto. Ao lado de Amy , Yoko , Lígia e Lívia que conversavam e as vezes lançavam olhares desaprovadores.

Annie e seus “parceiros” faziam todo tipo de pegadinha. Katherin não queria saber o que eles disseram para aquela menina que a deixou tão branca.

Para variar, Laura e Rebecca trocavam farpas enquanto Lucy , Drew e Britta fingiam não ouvir.

Perdida em suas risadas ao ver a sala desse jeito e os ainda pesados e sujos comentários de Thalia a respeito de meninos arteiros, Katherin vê Ian e companhia limitada do outro lado da sala . Ele encarava ela, enquanto o resto parecia entretido na conversa. A garota se sentiu tentada fazer um gesto tão grosseiro quanto as palavras de Thalia. O último encontro dos dois não tinha sido muito agradável.

Para a sorte dele, Ellen Crazive, professora de artes cênicas, artes e música chegou para atrair a atenção da menina. E tentar colocar ordem na classe.

– Senhorita Jones , por favor, Pare de tentar furtar as balas do Adam!

Retzmann e companhia, pare de causar confusão e sentem-se!

Vocês aí! Pare com essas bolinhas! Ao menos que queiram passar o resto do dia limpando este teatro!

Ameerah e Peter, namorem no intervalo , isso aqui é uma aula!

Meninos, vocês não são o Tarzan , então voltem para seus lugares.

As González, querem por gentile... Ah! Podem continuar, eles não deveria estra dormindo.

Prado e Quirimon, você não param por um minuto?!

Em alguns minutos, todos tinham se sentado nas poltronas mais próximas ao palco. Ellen subiu nele e começou a falar:

– Obrigada.- ela olhou feio para Felipe e os amigos que ainda cochichavam e que pararam assim que perceberam- Certo. Bem, como todos já sabem, nossa peça anual tem de começar a ser desenvolvida. Como ela é , tradicionalmente, apresentada no final de Novembro, os teste começaram semana que vêm.

Murmúrios invadiram o lugar o que fez a professora assoviar de uma forma tão aguda que Katherin pensou que seus ouvidos haviam estourado.

– Como eu ia dizendo... Todo ano, a escola faz duas peças de grande produção e abertas ao público geral: uma em Novembro, protagonizada pelos alunos do primeiro ao quarto ano , e outra em Maio, protagonizada pelos alunos do quinto, sexto e sétimo ano. – Ela encarou os alunos- Dúvidas?

Uma menina loira e alta levantou a mão. Katherin reconheceu: Elizabeth, a garota da sua primeira aula de biologia.

– Sim, Johnson?

– Qual vai ser a peça desse ano?

– Ah! Que bom que você perguntou!- a professora sorriu- Algum palpite?

Ao lado de Thalia, Annie levantou a mão.

– Retzmann.

– O Mágico de Oz. – respondeu a australiana com seu inglês britânico mais feliz.

– Como sempre, correta.- Ellen sorriu.- Muito bem Annie. Estão animados?

A classe reagiu bem.

– O Mágico de Oz é uma linda história e, este ano, teremos a honra de representa-lo.- ela andava pelo palco, seus passo ecoando pela sala- Vamos precisar, não só de artistas. Teremos uma equipe de figurinistas, coreógrafos , compositores, um maestro, uma orquestra, roteiristas, o pessoal dos efeitos especiais e muito mais. Todos serão vocês. Eu vou apenas direciona-los mas o mérito será todo de vocês. Bem... Vamos começar?

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24 de outubro, sexta-feira, 18:45. Palácio de Schonbrunn , quarto 63, terceiro andar.

Laura se sentia aliviada pelo fato de tentar atuar na peça. Pelo menos um distração.

Não que ela não gostasse de atuar, mas a artista da família sempre fora sua irmã, Luísa.. Tanto que agora a menina estuda em uma escola voltada ao teatro de Nova York. Mas, Laura nunca tinha tentado algo sério, porém decorar era algo fácil para ela, então porque não?

Com toda certeza, ela não esperava ganhar o papel da protagonista, mas secretamente, tinha esperanças.

Quando terminou, pela vigésima vez , de revisar as falas, procurou sua bússola na gaveta do criado-mudo. E, saltou da cama ao vê-la funcionando. Depois, tomou-a nas mãos e tentou decifra-la. Ela nunca tinha mexido em uma bússola, mas essa não parecia difícil.

A parte interna funcionavam como uma bússola normal, mas no disco dourado que a cercava apareciam pontos negros. Como um GPS. Além , é claro ,dos estranhos nove símbolos entre o disco dourado e a bússola em si. A parte de cima indica a hora como um relógio de sol, mas o símbolo entre VI e VII estavam brilhando.

– O horário disponível de bateria?- Laura perguntou a bússola que, felizmente, não respondeu.

Ela pegou o celular de Miranda e discou um número.

Porém, por ironia do destino ( ou não, depende no que você acredita), Lucy e Felipe entraram no quarto. A bússola ficou quente na mão direita da brasileira e o ponteiro girou que nem louco. Dois símbolos brilharam: o de um pergaminho semiaberto e o de uma pá.

Quando a chamada foi atendida, o brilho e o calor param. Lucy e Felipe encaravam a amiga sem entender.

– Alô?

– Nós precisamos conversar.- ela disse muito séria e brava.

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25 de outubro, sábado, 11:24. Palácio de Schonbrunn, quarto 31, quarto andar.

Leonardo estava completamente desprevenido para a surpresa . Ele simplesmente ouviu um berro ensurdecedor e ouviu Edson e Annie gritarem:

– Conseguimos!

– Conseguiram?- ele largou a sua revista de cavalos e correu até os dois sentados em frente á um belíssimo e moderníssimo computador.- Não acredito.

– Pois comece a acreditar ,cara!- Edson fez uma dancinha na cadeira- A senha do wi-fi é nossa! Uhhhhahahahaha!- sim essa risada foi tão estranha quanto foi escrita.

Então , Annie se levantou e disse :

– Diz que eu não arrasei!

Ela lembrou-o terrivelmente de uma vilã de uma das incontáveis novelas que sua mãe fazia-o assistir junto.

A única coisa que restava a Leo fazer era rir junto com eles.

– E agora?- ele perguntou , quando as crises de riso cessaram.

– Vocês que se resolvam! Eu vou é usar!- e gargalhando de uma forma assustadora, ela saiu correndo com o seu notebook.

– Essa menina me assusta.- concluiu Edson.

– Com certeza.

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25 de outubro, sábado, 11:30. Palácio de Schonbrunn, quarto andar, quarto 22.

Tudo no quarto estava silencioso. Thalia fazia lição de casa, Medie ouvia música e trocava mensagem com alguém pelo celular, Selena dormia e Katherin lia um livro.

Mas como de costume, Annie tinha que trazer seu caos. A australiana entrou com tudo no quarto, cantarolando tão alto que provavelmente acordou todos no andar.

AS reações foram múltiplas: Thalia levantou os olhos assustada, Medelaine se encostou na parede, Katherin derrubou seu livro e Selena ( literalmente) caiu da cama.

– Mas o que foi isso?!- Thalia pergunta, brava.

Katherin se pragueja em francês. Ela perdera a página.

Enquanto se abaixava para pegar o marca página, Selena acorda:

– O que ? quem ? quando? – ela olha em volta- Quem me acordou?

– Eu.- Annie deu de ombros.

– Espero ter um bom motivo- Medelaine diz do outro lado do quarto. Katherin achava impressionante como ela conseguia parecer tão calma as vezes.- Porque a música estava muito boa.

– E eu estava tendo um sonho maravilhoso!- Selena protestou- Com o Zac Efrom me pedindo em casamento, então se explique!

– meus motivos são ótimos!

– Agora eu me assustei...- Thalia se sentou direito, Sua postura fazia Katherin se sentir o corcunda de Notre-Dame.- Fala. O que você aprontou dessa vez?

A garota deu um daqueles sorrisos loucos que assustavam.

– Adivinha quem descobriu a senha do wi-fi?- ela dançou- a mamãe aqui!

– me passa essa senha!- Medelaine ordenou.

– Calma, calma!- Annie afastou o notebook das mãos da inglesa.- Eu prometi a novata que ela ia conseguir usar o Skype primeiro.

– Certo.- ela bufou- Mas seja rápida.

Katherin agradeceu e pegou a senha do notebook de Annie. Em poucos minutos, estava executando uma chamada de vídeo para Cleo, Theo e Eric.

Depois de três toques, a tela se iluminou e a menina morena de olhos castanhos apareceu do outro lado, seguida de dois morenos de olhos claros.

– Katherin!- Cleo gritou.- Que saudade!

– Oi Cleo!- a menina sorriu- sinto muito pela demora. As coisas não saíram conforme eu esperava... Mas está tudo bem.

– Eu roubei a senha do wi-fi!- Annie berrou.

A morena franziu o cenho.

– Cleo, Eric e Theo estas são Annie Retzmann, Thalia Ivanov, Medelaine Jones e Selena García. Minhas colegas de quarto.- ela apontou para cada menina- Senhoritas, estes são Eric, Cleo e Theo.

Depois de muitos “prazer em te conhecer”, eles começaram a conversar. Katherin tinha sentido muita falta dos amigos e chegou a se sentir culpada por ter se divertido sem eles. Era o mais próximo que ela tinha de casa agora. Na verdade sempre fora.

A conversa já estava acabando quando Eric perguntou:

– E a caixa da sua mãe, Katy? Já abriu?

A francesa abriu e fechou a boca várias vezes. Ela se esquecera completamente.

– Você esqueceu.- ele sorriu. Ninguém mais pareceu perceber, mas para Katherin seu sorriso era triste.- Deve estar meio confuso ai.

– é.. Mais juro que da próxima vez eu conto tudo o que tem lá dentro para vocês, ok?

Eles assentiram e se despediram.

Katherin teve de responder muitas perguntas depois. Então foram almoçar, e saíram. Talvez seus pensamentos não voltariam á aquela caixa tão cedo.

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26 de outubro, domingo, 12:03. Palácio de Schonbrunn, quarto 22, quarto andar.

Katherin copiava uma partitura da internet para seu caderno de música, quando ouviu três batidas na porta. Rapidamente, se levantou e abriu-a.

– Esta sozinha?- Fredie entra no quarto sem pedir permissão, o que faz a menina fazer uma careta de indignação que passa despercebida por ele.

– Sim.- ela fecha a porta- Porque?

– Acha que devíamos ir para lá?

– Lá?- Katherin caminhou até ele- Ah! Entendi. Porque agora?- ela encarou-o melhor- Tudo bem Fredie?

– Katherin... você tem a sensação de que tem algo grande acontecendo?

Ela parou para pensar um minuto. Com dificuldade respondeu.

– Não sei ao certo. Tudo tem andado meio...

– Estranho?

– Sei lá. Tentei não pensar naquela história mas... é impossível! Como aquilo ...?! eu nem sei como perguntar!

– Será que se voltarmos lá achamos alguma resposta?

– Duvido muito.- ela se sentiu um pouco mal por tirar a esperança do rosto dele, por isso acrescentou rapidamente- Mas talvez possamos investigar o que tem escada acima.

Ele balançou a cabeça para um lado e a menina tomou aquilo como um sim.

– Deixe-me apenas pegar as lanternas.- ela se abaixou para abrir a gaveta , mas como ela estava emperrada e quando ela puxou, tudo caiu no chão.

Fredie se abaixou para ajuda-la e recolheram tudo, apenas pegando as pequenas lanternas de luzes azuladas.

– Essa gaveta está um porcaria!- a francesa fechando-a com força.- Bem, — ela colocou uma mecha do cabelo ruivo para trás da orelha.- Acho que podemos ir...

– Não, não.- os dois se viraram assustados e viram Selena e Michael na frente da porta.- Agora, não.

– Selena... A gente pode conversar depois?

– Não. Ninguém sai daqui até vocês dois explicarem tudo o que está acontecendo.- a mexicana disse séria.

– Não mintam, vimos vocês no subterrâneo.- o italiano completou.

– Seguiram a gente?- Fredie perguntou incrédulo. Como podiam ter sido tão descuidados?

– é.- eles deram de ombros.

Silêncio mortal. Ninguém se moveu ou disse nada.

– Então... quem começa?- a mexicana quebrou o silêncio.

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26 de outubro, domingo, 12:15. Alameda George Bragnov , Antiquário Journey to the Past , Villa Maria.

Laura parou em frente ao antiquário. Sua cabeça pesava , ela estava cansada. Os dias não a tinham ajudado muito. Ela estava inexplicavelmente triste.

A menina ignorava todas as perguntas feitas por Lucy e Felipe todo o percurso. As vezes respondia um “ já estamos chegando...”

Agora e ali, em frente á aquela porta, a consciência do que estava fazendo caiu. Com um suspiro e sem bater, ela entra , com os amigos logo atrás.

– Ainda bem que tem o sino. Ou eu nunca saberia quando você entra.- o homem sentado em uma cadeira embaixo do relógio cuco sorriu- Você poderia bater.

– Poderia. Mas não. Não vou tirar o emprego do sino.- Laura disse sarcástica.

– ok, ok. – Felipe interrompeu- o sino agradece. Agora quem é ele e porque você trouxe a gente aqui, Prado?

Vladimir esboçou um sorriso.

– Espero que você tenha mais cadeiras. Ou serei obrigada a sentar em cima das suas coisas.- apesar de tudo, as frases dela saiam sem emoções, sem humor.

– Claro, me acompanhem.

Eles subiram as escadas devagar e abriram a primeira porta. Entram em uma sala pequena, com duas poltronas e um sofá. Os três se sentaram no sofá e o homem foi em direção á uma das poltronas.

– Laura, você parecia agitada no telefone. Qual o problema?

– Isto.- ela tirou a bússola do bolso.- Eu descobri como funciona.

– Você é rápida.

– E para o que serve também...

– Compartilhe seu conhecimento.- ele abriu os braços. De algum modo, ela tinha suas ações atuais como debochadas.

– Você esta brincando com a minha cara , não?

– Desculpe.

– Isso vai me levar até os outros... guardiões.- ela disse a palavra com cuidado.- A parte da bússola normal vai me guiar, o relógio indica quanto tempo tenho para acha-lo, e os símbolos ,de que guardião se trata.- Vladimir levantou a cabeça e encarou-a, interessado.- A única coisa que não me avisaram é que os próximos estariam tão perto.

– O que você quer dizer?

– Você sabia?- ela ignorou-o- Porque não me disse?

– Eu...

– Está entendo perfeitamente.

– Certas coisas você tem de enfrentar sozinha.

Ela soltou todo o ar preso em seus pulmões.

– Com licença?- Lucy falou- Mas do que vocês estão falando?

Laura encarou Vladimir por um bom tempo.

– Me traga água. Isso vai gastar muito da minha saliva.

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26 de outubro, domingo, 12:43. Palácio de Schonbrunn, quarto andar, quarto 22.

– Joder!- Selena exclamou.

– Isso é estranho. Bem estranho. – Michael concluiu- só não entendo porque não nos falaram antes.

Os dois se olharam por um tempo e então Katherin disse:

– Sinceramente, você acreditaria se eu lhe contasse isso?

Ele não respondeu. E... ele era cético demais para essas coisas...

– Com isso ele diz não.- Selena concluiu.- mas e eu?

– Selena... você é meio... é...- Fredie começou.

– Já entendi.- ela fez uma careta.- Mas vocês estão ferrados agora , então. Porque eu estou nessa agora.

– Eu também.- o menino respondeu sem hesitar.

– Então..- Selena balançou seus cabelos negros na cara de Michael.- Quem está a fim de investigar?

– Sério?- ele virou para encarar a mexicana.

– Michael, você é muito sério , sabia?

– Eu ainda não sei se isso é uma qualidade ou um defeito...

– Depende do momento.- a menina sorriu.- Bem... vamos?

– Vamos onde?- Thalia e Annie aparecem.

– Dar uma volta. Porque você não vem com a gente?- ela sorriu.

– Claro- a russa retribuiu o sorriso, enquanto Annie apenas deu de ombros.

– Como você consegue fazer isso?- Michael sussurrou no ouvido dela.

– Prática.

– Acho que ela não é tão boba assim.- o italiano ouviu Fredie comentar com a ruiva.

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26 de outubro, domingo, 13:04. . Alameda George Bragnov , Antiquário Journey to the Past , Villa Maria.

– Clío e... o que mesmo?- Felipe perguntou.

Lucy sorriu. Ela não tinha certeza se ele estava tendo problemas em decorar os nomes ou se estava fazendo aquilo apenas para não deixar Laura tão séria.

– Polímnia. Polímnia e Clio , Felipe.- a brasileira colocou a franja para trás da orelha esquerda.- São musas gregas.

– Agora entendi como você decorou esses nomes difíceis tão fácil...- ele brincou.

– Valentim, Valentim...- ela riu.

– Como você sabe? Quero dizer, sobre essa história de musas e tal...- Lucy perguntou

Laura franziu o cenho e entregou a bússola á amiga. Lucy sentiu o peso e o frio do metal em seus dedos. Ela apontou para disco com os símbolos.

– São os símbolos delas.- A brasileira disse, séria- este aqui, o pergaminho meio aberto é o símbolo dela. Já a pá foi um pouco mais difícil, já que o símbolo mais comum dela é uma figura velada, mas a pá, agricultura... não foi tão difícil...

Lucy assentiu. Ela achava impressionante o jeito como Laura explicava e a paciência que tinha. Bem, quando se trata de explicações...

– Resumão: somos do mesmo time?- Felipe perguntou.

– Resumão do Resumão: Sim.- Laura riu.

– Tá... mas quem é quem? – Lucy perguntou- Quero dizer... quem é Clio e quem é Polímnia.

– Lucy, Clio- Laura concluiu- Polímnia , Felipe.

– Como você sabe?- ele perguntou

– Faz parte do trabalho dela.- Vladimir entra na sala com o copo.- Senhorita.

– Obrigada.

– Bem...- Felipe pigarreou alto- E agora?

– Esperamos ela exercer o trabalho dela.- Laura deu de ombros, apontando para a bússola.

Lucy sorriu. Mas, no fundo, não sabia exatamente o que sentir sobre isso.

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26 de outubro, domingo, 12:15. Alameda George Bragnov , Antiquário Journey to the Past , Villa Maria.

Eles já estavam na porta quando Vladimir segurou Laura pelo braço e cochichou em seu ouvido:

– Você deveria ter sido mais cuidadosa.- a menina olhou-o confusa- Trazendo-os aqui. Poderia ter posto muito em risco. Se não o fez, é claro.

– o que você quer dizer com isso?

– eles ainda estão de olho. Não venham aqui . Ao menos que seja extremamente urgente. Entendeu?- o russo não gostava de ser tão grosso com a menina tão jovem, mas era necessário. Laura tinha que entender que aquilo não era brincadeira. Ele só estava tentando fazer isso de um jeito mais fácil.

Ela apenas assentiu e saiu.

Vladimir passou alguns minutos olhando para a porta , antes de subir as escadas novamente.

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Palácio de Chamboard , Biblioteca de Grander Hall. 27 de outubro, segunda-feira, 14:23.

Katherin tinha acabado de entrar na biblioteca. Era muito linda. Realmente , uma oitava maravilha do mundo...

Ela caminhava devagar até o salão onde os alunos estudavam. Era uma área reservada apenas para eles, com os melhores livros para os assuntos estudados.

Apesar de tudo, a conversa com Selena e Michael ainda estava fixada em sua memória. Algo tão forte quanto o vento frio que golpeia os rostos no inverno. Tão presente quanto o arrependimento de um mal ato. Tão inexplicável como a inteligência humana. Tão confuso quanto o medo.

Ela balançou a cabeça. Não podia pensar nisso agora. Deveria ajudar alguém.

Quando chegou na ala para os alunos, encontrou , dentre muitas outras mesas de estudos lotadas, Andrew . Ele a viu e sorriu. Ela, com sua elegância costumeira caminhou graciosamente até ele.

– Sabe que ela está do outro lado da sala, né?- ele perguntou, enquanto ela se sentava á sua frente

– Sei. – a francesa sorriu. – essa é a intenção. Quero que ela me fale sobre você . Quero fazer ela reparar que sente sua falta.

– Ela não pode reparar agora em algo que nunca sentiu.

– Você é tão dramático.- ela revirou os olhos, deixando seu sotaque francês consumir as palavras e até mesmo deixa-las irreconhecíveis.

Ele riu. Ela também.

– Você não vai mesmo me contar o que aconteceu entre os dois? Digo, o motivo da briga?- Katherin levantou as sobrancelhas e se inclinou sobre a mesa.

– Você já sabe o suficiente.- ela sorriu. Quando Andrew ficava nervoso, seu sotaque espanhol ficava mais forte.

– Ok, eu me rendo!- a menina levantou as mãos, em sinal de rendição.- Vou falar com ela.

Eles se despediram e ela caminhou até a outra mesa e se sentou em frente a australiana que virava as páginas com muita força.

– Você está lendo ou tentando arrancar as páginas?- Katherin perguntou, sentando.

Annie encarou-a furiosa, mas depois ignorou a pergunta.

– O que você estava falando com o Rodríguez?- ela perguntou sem olhar diretamente para a amiga.

– Oi? Ah! Você diz o Andrew!- Katherin queria rir por estar se fingindo de lesada.- Ué, estávamos falando. Não posso mais falar?

– Não com ele. Andrew não é de confiança.

– Ele me pareceu gente boa.

– Mas não é.

– Como pode ter tanta certeza?

– porque ele já aprontou com um monte de gente...

– Você faz isso também.

– Comigo é diferente.

– é?

– Claro que sim! Eu não manipulo as pessoas, faço elas serem minha amigas e depois as apunha-lo pelas costas!

– Espera... ele fez isso com você?

Annie ficou em silencio por alguns minutos antes de dizer.

– Katherin, eu gosto muito de você. Mas se continuar com essa conversa, não terá mais dentes para termina-la.

A francesa engoliu em seco e ambas passaram muito tempo em silêncio mortal.

– Eu vou... vou procurar um livro para ler.- ela disse, saindo da mesa depressa.

Ela parou umas estantes mais atrás dos enormes conjuntos de mesas e ligou o celular.

– Katherin... eu não vou.

– Eu acabei de ser ameaçada de não ter mais dentes e quem está com medo é você?

– Você não sabe quantas partes do meu corpo ela já ameaçou.

– Não quero saber, vai falar com ela! Agora!- e assim desligou.

Pegou um livro e ficou olhando pelo lado da estante o que estava acontecendo. Andrew olhava para Annie e ela olhava para ele em momentos intercalados. Quase como ensaiado.

A operação Andrie era mais difícil do que ela pensava... talvez precisasse de uma estratégia nova...

– Espiar a vida alheia é muito feio, sabia, pequena órfã?- uma voz irritante cochichou em seu ouvido.

Ela se virou e deu de cara ( mais perto do que ela gostaria) com Ian.

– Meu nome é Katherin. E porque do apelidinho maldoso? Por acaso eu voltei a primeira série?- ela fechou o livro com força e se afastou.

– Brava , Perrié?

– Não, cheia dessa brincadeira.- ela sorriu, sarcástica e se virou, colocando o livro de volta na estante.

– Você fala de Rebecca?

– Não.- ela se virou para ele, encarando-o com os braços cruzados- Dela, das amigas dela, de você e dos seus amigos.

– Quanto ódio.

– Você nem imagina.

– Porque se irrita tanto? Afinal você é realmente uma pequena órfã.- ele deu de ombros e se encostou na estante.

– Acontece, -ela balançou a cabeça- que vocês agem como se isso fosse uma grande piada. Quando, na verdade, não fazem a menor ideia do que é isso.

– Todos nós já perdemos alguém que amávamos. é a vida.- Ian deu de ombros

– E parece que vocês preferem espalhar essa dor por todos do que erradica-la.

– Precisa realmente levar isso tão a sério?

– Preciso. – ela afirmou com a cabeça- Preciso , não só por mim, mas por todos que vocês atormentam. E não só pela humilhação que isso cria, mas pela dor que isso desenterra.

– você é muito sentimental. Além de se achar a heroína, não?- ele se virou para ela, sem se desencostar da estante- Ninguém precisa de uma advogada que fale por eles. Tem bocas para poderem falarem sozinhos.

– E vocês se acham os donos disso tudo aqui, não é? Que podem fazer o que bem entendem com todos?

– Como você ousa ser tão grossa?- ele fingiu estar ofendido, depois riu- Katherin, Katherin, Katherin. Quando você vai aprender que isso é a vida e não os livros que você lê?

– Sei muito bem a diferença. O único que não consegue diferenciar algo aqui é você.

– O quê?

– Liberdade e abuso de poder. Poder que,- ela ficou de frente para ele – Até agora não entendi como você tem. Rebecca até entendo, ela é bonita, os meninos a cortejam... mas você? Sinceramente, não me assusta.

– Já lhe disseram que as aparências enganam?

– Nem que você tão horroroso quanto suas ações, ainda não teria medo.

– Pois deveria. Mas deixe por estar. Do jeito que você é, vai aprender a baixar as orelhas rapidinho...

– Isso foi uma tentativa de ameaça?

– Não. Foi só um aviso. Você mesma vai se colocar em perigo.

– Como se eu fosse ouvir suas palavras vazias.

– não me importo. – ele se desencostou da parede e cochichou no seu ouvido- Contudo terei o prazer de lhe dizer que eu lhe adverti para aceitar o jeito como as coisas funcionam aqui.

Ela virou a cabeça e fuzilou-o com o olhar. Um olhar tão duro quanto a mais resistente das pedras e tão frio quanto as geleiras da Antártida.

– Eu. Não . Tenho. Medo. De . você.- ela falou em um sussurro , encarando-o em desafio.

– Eu não falo só de mim.- ele deu um sorriso travesso.

E devagar, ele sumiu de vista.

Katherin seguiu-o com o olhar. Sua mente ainda ecoando, mesmo que contra a sua vontade, as suas últimas palavras.

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27 de outubro, segunda-feira, 19:45. Palácio de Schonbrunn, sala de descanso nº4, quarto andar.

A sala estava completamente deserta, a não ser por ela , ali parada na bancada, com os dedos em volta do copo de água.

A noite estava nublada e quase nenhuma luz entrava pela janela. Entretanto, ela estava ali, sentada no escuro. Seus cabelos vermelhos pareciam ter luz própria em uma sala de cores tão pastéis.

Ela põem o copo de volta no balcão e faz seus dedos finos e delicados dançarem pela borda dele.

Katherin não parava de pensar naquela conversa com Ian. Porque o temiam mais do que John Peter? Ela mesma tinha medo do atual namorado de Ameerah. Apesar disso, todos temiam Ian Stamford . Porque? O que ele quis dizer quando falou que não era só deles que ela deveria ter medo? O que ela poderia temer em um internato dos melhores, superprotegido e bem guardado? Nada, não é mesmo? É... ela também já começara a pensar que não...

“ Chega, Katherin!” ela pensou, balançando a cabeça “ é isso que ele quer que você faça :acredite naquelas palavras frias, sem emoção e vazias.”

Mesmo assim, sua cabeça continuava a pensar na mesma conversa. Com a medida que ela ficava mais nervosa e confusa, a velocidade dos dedos percorrendo a borda do copo aumentava, cada vez e cada vez mais.

Subitamente, ela sentiu algo frio em contato com a sua pele. Com certo receio , olhou para baixo. O copo estava congelado.

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28 de outubro, terça-feira, 2:23. Palácio de Schonbrunn, quarto andar, quarto 63.

Laura encarava o teto, sem sono, confusa e atormentada pelo trovões lá fora. Não que tivesse medo de tempestades, mas ela nunca se sentia confortável com elas.

Tão de repente quanto um dos raios, seu olhos se fecharam, e ela já sabia o que tinha de fazer.

–vison on-

Uma arma é mirada para uma garota ruiva sozinha , olhando algo do lado oposto, em um lugar abandonado.

Um copo se quebra e seu liquido se espalha pelo chão, ficando esbranquiçado.

Uma mulher de cabelos platinados olha pela janela de uma cela as estrelas e sorri ao ver um brilho no céu.

Uma porta se abre com estrondo.

Um grito.

Pés sobem escadas.

Uma figura envolta em uma capa preta segue pela floresta. O som das folhas quebrando aos seus pés. A sua graciosidade em meio aos ventos frios.

Mãos finas e frias passam por um livro. Algum canto antigo esta sendo recitado. Um poderoso feitiço.

Em uma sala majestosa, uma mulher está sentada , olhando pela janela. Seu rosto parecia cansado e muito mais velho. Seus cabelos cor de fogo estavam iluminados pelo fogo de um lareira

– Uma guerra está começando .E não cabe a ninguém decidir se estará no meio dela ou não.- ela diz para alguém sentado ao seu lado.

Uma rastro vermelho-alaranjado guia-a até um fresta na parede.

Um túmulo negro onde uma cobra sibila na tampa. Retornará.

“ O espelho o caminho mostrará

A vontade de seu mestre o discípulo seguirá.

A mãe á sua filha voltará

No sem fim o assassino há de ficar

E a grande jornada começará”

– Vison Off-

Ela acordou e levantou com tudo. E um grande raio cortou o ar.

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28 de outubro, quarta-feira, 17:23. Palácio de Schonbrunn, quarto andar, quarto 63

Lucy e Laura estavam sentadas na cama da brasileira. Não falavam desde que voltaram da escola. Nada fizeram. Apenas observavam a chuva cair lá fora.

Ela ainda achava meio estranho essa história de guardiões e tudo mais. Algo nela queria acreditar ao mesmo tempo que também não queria. é... era tão complicado assim.

– Laura...-ela decidiu quebrar o silêncio, mas hesitou ao ver o rosto da menina se virando – Você disse que tem visões , certo?

Laura assentiu devagar e olhou para Lucy com cara de quem sabia onde essa conversa ia parar.

– Será que...?

– Você consegue fazer algo do tipo?- a menina completou a frase tão corretamente que fez a amiga recuar um pouco

– é...- Lucy admitiu se sentindo um pouco idiota com a pergunta.- mas o problema é que eu acho que já tive.

Laura a encarou assustada.

– Como assim “acha”- ela fez as aspas com os dedos.

– Quando eu estava na casa da Marta, vi algo como uma cena do passado. Você acha isso possível.

– Como pode não ser possível se você viu Lucy?

– Eu não quis dizer isso! A pergunta é: ver algo do passado. Será?

– Me responda você.- os olhos verde-outono dela a encaram.

– Sim.- Lucy se encheu de coragem- e eu sou a prova viva disso.

– é assim que se fala- a amiga sorriu, batendo no ombro dela.

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29 de outubro, quinta-feira, 20:12. Palácio de Schonbrunn, quarto andar, quarto 22.

– Pronto!- Thalia jogou sua sacola na cama.- Chegamos!

Ela se deitou na cama e observou as amigas fazerem o mesmo.

– Preparadas para o Halloween?- ela pergunta

– Sim!

– viva!- Selena gritou. A russa não sabia de onde ela tirava tanta energia.

– Só espero que não cho...- Katherin começou

– Não fala que atrai!- Annie berrou

Todas riram e depois caíram no silêncio.

– Eu tomo banho primeiro!- Thalia berrou e correu para o banheiro.

Annie tentou entrar primeiro, mas a amiga já havia fechado a porta.

– Thalia!

– Perdeu! Há!

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30 de outubro, sexta-feira, 16:48. Palácio de Schonbrunn, escadaria secreta ( porque a minha criatividade para nomes é muita!), quarto andar.

– Vocês demoraram!- Katherin exclamou ao ver os meninos entrarem- Depois dizem que as mulheres são demoradas para se arrumar!

Fredie revirou os olhos. A francesa precisava aprender a fazer piadas melhores...

– Estamos aqui. Isso é o importante.- Michel disse, fechando a porta.

– Tanto faz- Selena deu de ombros.- Pra onde agora?- ela perguntou para Katherin.

– Cima.- a francesa apontou com a luz da lanterna os lances acima de sua cabeça.

Eles começaram a subir. Acompanhados apenas dos sons de seus passos ecoando pela escadaria suja.

Quando chegaram no último andar , o chão de mármore branco estava coberto por uma grossa camada de poeira e se estendia por uma grande sala vazia. Cujo fundo encontrava-se uma enorme porta de madeira, trabalhada em belos arabescos.

– Wow.- a mexicana exclamou, caminhando á passos lentos até a porta.

– Para onde será que leva?- perguntou Fredie , se colocando ao lado dela.

– Só eu não sabia que existia um andar aqui em cima?- Michel se posicionou ao lado dele.

Katherin não disse nada, apenas passou a mão pela porta, admirando-a profundamente.

– Não tem maçaneta.- ela exclamou, confusa

– Talvez tenha outra entrada.- Michael sugeriu.

– não tenho muita certeza.- disse a francesa , gentilmente.

– Ela tem razão.- Selena se intrometeu- é meio improvável que tenha outra dessas por ai.

– Eu quis dizer uma entrada que dê direto lá.- Michael respondeu.

– Meio improvável.- mexicana apontou para a porta- Por que alguém faria uma porta dessas se não pode abri-la? Só para enfeitar?

– Não , Selena.- o italiano estava ficando irritado com a menina. Fredie podia sentir. Teve que reprimir um riso.- Mas para enganar. Uma estratégia.

– Mas e se a estratégia for fazer você pensar que essa é a estratégia?

– Selena, por favor!- Michael bateu a mão com força na porta.

– Por que a minha sugestão sempre é a ridícula?- Selena repetiu o gesto do garoto.

Então eles começaram uma longa e tediosa discussão sobre quem era mais estupido. Algo como uma “lavação de roupa suja”, que fez Fredie se perguntar como eles conseguiram trabalhar juntos para descobrir ele e Katherin.

O egípcio passou tanto tempo rindo da situação que só viu quando Katherin tentou intervir

– Gente! Calma!

– Não! Porque essa porcaria de porta não quer abrir!- os dois exclamaram juntos.

Nesse momento, dois veios apareceram na pedra. Um vermelho , vindo da mão de Selena e outro azul , vindo da mão de Michael. E assim a porta se abriu com um enorme estalo.

Katherin olhou para Fredie, assustada e ele olhou para ela confuso.

– Bem... – Michael quebrou o silencio.- As damas primeiro.- ele fez um sinal para Selena ir na frente.

– Medroso.- ela disse antes de entrar.

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30 de outubro, sexta-feira, 17:25. Estande de arco e flecha, Grander Hall.

Annie treinava tranquilamente, quando aquele mesmo falcão pousou no seu ombro.

– O que você quer agora?- ela virou a cabeça para o animal.

Ele se limitou a piar e voar para a floresta de novo.

– De novo? Machuca passar aqui por baixo!- ela apontou para o buraco por onde deveria passar.

Como ele não parou nem respondeu-a, ela se sentiu obrigada a passar por lá novamente. Por estar com medo de perde-lo de vista, passou com mais pressa e se arranhou mais.

– Preciso de uma nova passagem.- ela reclamou, limpando a terra dos braços.

E no silencio do fim de tarde, sob o céu cinza-chumbo ela começou a seguir o falcão.

Notas finais
Estou disposta a fazer algo assim: seis comentários e eu escrevo um capítulo bônus com a memória do personagem que você quiser. O personagem mais votado ganha. Qualquer um vale! Bem, pessoal, não isso não vai virar High School Musical, eu apenas quis citar os artistas que dominaram a trilha sonora do cap´´ítulo especial de Halloween. Não, não sou Directioner, mas a presença deles é uma homenagem a uma amiga muito querida. Então, gostaram?