Notas iniciais
Oi! vai nem demorei tanto! enfim, minhas aulas voltaram e toda aquela porcaria também. as coisas começam a tomar mais o rumo do mistério agora. uhhahahh! fui má, estamos no décimo cap e as coisas tomam rumo só agora! bem... eu espero terminar a fic até o final do ano, por isso vou tentar postar caps mais rápido. a partir daqui as coisas ficam mais interessantes... hehheeh só uma pergunta: alguém sabe onde a Fada Cantatis se meteu? Sinto falta da minha Swifitie... nos vemos lá em baixo.

Alameda George Bragnov , Antiquário Journey to the Past , Villa Maria. 30 de setembro, terça-feira, 18:17.

O homem desceu lentamente as escadas, possibilitando que Laura o analisasse por completo antes de chegar até ela.VXS era um homem um pouco mais alto que o comum, magro, com cabelos castanhos bagunçados ,salpicados de fios grisalhos junto de olhos azuis e uma pele branca com leite.

Quando o homem terminou de descer as escadas, fez sinal para que a brasileira se aproximasse. Ela, desconfiada como sempre , apertou mais o punho da adaga e fez o melhor possível para disfarçar que tremia dos pés á cabeça, antes de começar a andar.

Laura, graças á ser mais magra do que o comum para seus 1,61 de altura e as caminhadas no Brás e na rua Vinte e cinco de março desviou de todos os objetos sem o menor esforço. Além do mais, nas pequenas lojas da cidade onde ela nasceu e cresceu grande parte de seus 12 anos e 9 meses, onde os corredores eram estreitos, havia muita gente e a regra : “quebrou , pagou “ ela adquirira uma maravilhosa habilidade em desviar dos objetos em prateleiras, fileiras, montes e cestos espalhados.

Finalmente, com o coração quase saindo pela boca, ela chegou até VXS. Assim , mais perto, ela pode ver seu nariz fino e ligeiramente torto, provavelmente o resultado de uma briga.

– Siga-me. – ele disse de uma forma séria, conduzindo-a até uma pequena mesa mais ao fundo da loja.- Sente-se. – ele disse fazendo um gesto para a cadeira enquanto se sentava.

– Eu ainda não sei seu nome.- Laura respondeu encarando-o fundo nos olhos

Ele piscou, surpreendido pela determinação da garota. Depois de alguns segundos respondeu:

– Vladimir. – o homem sorriu- Vladimir Xernovich Sokolov .

–VXS.- Laura comentou pensativa.- Eu imaginava que seriam iniciais, mas não de um nome tão complicado.

Vladimir riu enquanto a jovem Prado se sentava.

– Eu sabia que você não resistiria á vir. Miranda descreveu você bem demais.

– Então... você é o misterioso homem que apareceu no velório da Miranda com a rosa negra?- ela entrelaçou os dedos e esticou os braços na mesa circular.- Vejo que realmente a conhecia.

– Mas... não é sobre ela exatamente que eu gostaria de falar nesse momento.

– E sobre o que viemos falar?- a menina arqueou as sobrancelhas e apoiou os cotovelos na mesa.- sobre o que sabe-se lá o Deus o que vocês faziam? Ou sobre os documentos que eu achei?

– Ambos.- Vladimir respondeu calmamente – Aceita um chá? Água?

– Café seria bom.- Laura respondeu gentilmente- Voltando ao assunto...

– Claro.- ele se levantou e tirou uma jarra de café de um dos vários armários de madeira e uma xícara , antes de servir o café.- fiz agora a pouco. Mas se quiser que eu esquente...

– Não precisa.- a menina se apressou em dizer, desesperada para ter suas respostas.- podemos começar?

– Por onde?- Vladimir levantou uma das sobrancelhas deixando a garota com um pouco de inveja. Ela sempre quisera fazer isso.

– Quando você conheceu Miranda? O que faziam?...- Laura gesticulou com as mãos uma roda. Querendo dizer para ele seguir adiante.

– Vai ser uma longa conversa...- Vladimir concluiu

– Nunca me intimidei pelo tamanho das coisas.- Laura sorriu- aliais, as maiores histórias são as melhores.

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Passagem secreta ( não vou explicar melhor, vocês lembram do último capítulo, com certeza.), Palácio de Schobrunn { quer dizer... acho que eles já saíram dos limites do palácio , mas...}. 30 de setembro, terça-feira, 19:17.

Fredie jurou a si mesmo que , se não matassem Katherin, ele mesmo o faria. Logo em seguida se sentiu mal , pois até agora quem tinha sido mais corajosa e prestativa havia sido ela... Mas, agora de nada importava , já que estavam prestes á serem descobertos.

Juntos, ele e Katherin recuavam cada vez mais em direção á parede. Em poucos segundos não tinha como se encolherem mais. Ela lançou um olhar desesperado para ele. Por mais estranho que isso possa parecer , os dois iniciaram uma conversa com os olhos.

“ideias?!” perguntava a menina

“você é a inteligente aqui!”

“ Então é a morte, né?”

“ não está sendo muito drástica?”

“ quer perguntar á esses caras se eles querem lanchar e bater um papo cabeça?”

A francesa começou a apalpar a parede sem ao menos olha-la, como se esperasse achar outra passagem secreta.

Fredie começou a fazer o mesmo, só que olhando para a parede. Em vão . Nada de passagens. Cansada, Katherin apoiou uma das mãos esticada no centro da parede . Fredie pois a sua ao lado da dela.

Foi quando algo muito estranho aconteceu. Veios branco-azulados brilhantes apareceram nas rochas, vindos de debaixo das duas mãos. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e que ela pudesse notar, um buraco se abriu na pedra , e os dois caíram na escuridão.

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Rua Amanda Peneagle , nº 45 , Villa Maria. 30 de setembro ,terça-feira , 19:19.

Lucy acordou sentindo um forte cheiro de flores e ouvindo música romântica em espanhol. Se Laura estivesse ali, Lucy tinha certeza que ela diria que era o tipo de música “levei o pé na bunda”. A menina, piscou varias vezes até se lembrar do acontecido.

Ela se levantou bruscamente e olhou para os lados. Estava em um quarto pequeno em uma cama de metal . Menos de um metro á sua frente existia um guarda-roupa antigo e ao seu lado , o criado-mudo continha suas compras.

– Que diabos aconteceu?- Lucy murmurou, passando a mão pelos longos cabelos loiros.

– Graças a Deus! Você acordou!- a menina pulou de susto ao ver Felipe na porta.

– Nunca.mais.faça.isso.- ela lhe lançou um olhar feroz.

O menino levantou a duas mãos para o alto , confuso, fazendo-a sorrir.

– Tudo bem?- ele perguntou

– Claro.- ela olhou para os lados- tirando o fato de eu não fazer ideia de onde estou...

Felipe finalmente entrou no cúbico que Lucy achava ser um quarto, ficando de frente para ela, que agora estava sentada na beirada da cama.

– Bem...- o garoto se sentou ao lado dela.- Você se sente bem?

Lucy olhou para cima. Não pode deixar de pensar o quanto era mais baixa que ele. Sempre fora assim, uma escadinha: Laura , Felipe e Lucy. Desde que se conheceram Lucy se sentia uma anã...

– Estou bem.- ela começou a brincar com os dedos.- um pouco tonta, mas tudo bem.

– eu também fiquei assim quando acordei.

– Faz muito tempo?

– uns dez minutos...

Um silêncio estranho caiu sobre eles, afinal, essa situação era , no mínimo , esquisita...

–Felipe... o que aconteceu ?- Subitamente, ela tirou os olhos dos dedos e olhou para ele.

O menino desviou o olhar, porém , Lucy percebeu que ele estivera a observando. Inexplicavelmente , ela enrubesceu. Antes que qualquer um deles pudesse dizer algo , uma voz falou:

– Ah! A mocinha já acordou!- Lucy olhou para cima e viu uma mulher morena , magra , alta e com cabelos cor de café lisos , repicados e que mal chegavam aos ombros. Algo nela e em seu sotaque fazia Lucy acreditar que tinha descendência latina.- Venham para sala, fiz uma torta de morango.

Assim, Felipe ajudou-a a se levantar e os três foram parar em uma sala pequena, mas aconchegante. Ela tinha apenas duas poltronas posicionadas cada uma de um lado da lareira no fundo da sala e ao lado da parede esquerda, um tapete cheio de almofadas em baixo de uma janela. A americana sentiu pontadas de desespero no estomago ao ver que já era noite. Quando tempo ela dormira? Porque ela dormira? Estavam sendo perseguidos!

– sentem-se- apontando para as poltronas.

Enquanto ela saia para pegar a torta, Lucy se sentou em uma das poltronas enquanto Felipe simplesmente se sentava no braço da cadeira.

– Você sabe quem tem outra cadeira, né?- a menina levantou as sobrancelhas.

– Seria falta de educação não deixar lugar para ela sentar.

A menina se virou para ele.

– Você está paranoico.- ela concluiu sem rodeios.

– Lucy, você se lembra de ter parado 40 quarteirões de onde estávamos?

A menina abriu e fechou a boca várias vezes, arregalou os olhos e ficou repetindo “quarenta, quarenta!’ tanta vezes que ela não podia mais contar.

De repente algo estalou na mente dela e a fez lembrar do porque tentou atravessar a rua : Laura. Nesse momento, a menina deve ter apertado mais do que esperava o braço do amigo, pois ele soltou uma exclamação de dor enquanto ela pedia desculpas.

Nesse momento, a mulher entrou na sala junto com o aroma da torta. O que fez Lucy perceber o quão faminta estava.

– Então...- ela sorriu enquanto via a menina devorar a torta.- Acho que ainda não nos apresentamos.... Sou Marta. Marta Hielosol.

– Felipe Valentim.

– Lucy Rose.

Um estranho silêncio se estabeleceu até que Felipe terminou a torta e conseguiu perguntar.

– Com todo respeito , mas... Como viemos parar aqui?

Marta, tomou um gole de suco antes e responder:

– Bem.. eu estava fechando a minha loja – ela apontou para uma porta entreaberta pela qual Lucy viu várias estantes com orquídeas, margaridas, rosas e outras flores. Uma floricultura.- quando ouvi um estrondo e depois alguns gemidos. Olhei para os dois lados da rua , mas não vi ninguém. Sai e achei vocês dois caídos, inconscientes. E os trouxe aqui para dentro.

– Porque a senhorita traria dois estranhos para casa?- a garota perguntou , boba com a bondade e ingenuidade daquela mulher.

– Ora! O que duas crianças poderiam fazer comigo?

Em qualquer outra situação , Lucy e Felipe teriam ficados bravos por serem chamados de crianças, mas Marta era tão doce que nenhum deles teve coragem de dizer algo contra.

– Vocês se lembram de algo que aconteceu?

Felipe começou a contar uma versão alterada da verdadeira história; dizendo que estavam sendo perseguidos por uns garotos mais velhos nada simpáticos, e que não se lembrava de ter chegado tão longe.

Lucy ficou olhando Marta durante toda a explicação do amigo. Algo na cabeça nela a deixava inquieta. Ela simplesmente achava que Marta estava fingindo acreditar, mas... o que uma florista ganharia com isso?

Por fim, a menina se encontrou olhando as fotos na parte de cima da lareira. Uma era , com toda certeza Machu Picchu . Laura falara tantas vezes daquele lugar que Lucy achava que nunca mais esqueceria. A outra era uma mulher de uns vinte e poucos anos junto de um casal mais velhos, provavelmente ,seus pais. Na última foto, era a mesma mulher,um pouco mais velha com uma outra loira alta e uma de cabelos negros lisos e descendência oriental bem mais baixa. Lucy teve vontade de disser á mulher que compreendia sua dor , mas todas as fotos estavam em preto e branco, a americana tinha quase certeza que deviam ter sido tiradas, no máximo, na década de trinta.

– Depois você não se lembra de mais nada?- a voz de Marta transmitia preocupação, porque ela se importava tanto com eles?

Pare com isso Lucy! Ela mesma se advertiu Você está fiando paranoica como a Laura e o Felipe.

Porém , uma voizinha no fundo da sua cabeça dizia: “ aqueles homens eram bem reais...”

– Lucy?- Marta olhou-a como uma mãe olharia para o filho com um machucado na testa- Você se lembra de algo mais?

De repente, olhando nos olhos da moça, Lucy começou a se lembrar: ela sentiu algo a puxando para trás, as ruas da villa Maria vista do alto , como se ela fosse o vento; ela deitada no beco vendo alguém se dissolver em sobras; Marta chegando até eles.

–não.- Lucy disse assustando á si mesma com sua determinação.- Nada.

Quando Marta começou a recolher os pratos, Lucy sentiu necessidade de fazer algo.

– Marta.... Se importaria de eu usar o banheiro?

– A casa é sua, chica.- ela sorriu- segunda porta á direita.

Não, ela não precisava ir realmente ao banheiro. Logo após entrar, fechou a porta e se olhou no espelho.

Porque ela havia mentido? Desde quando lembrava alguma coisa? Porque as fotos de Marta lhe incomodavam tanto? Porque sentia como se tivesse que lembrar de alguma coisa?

Ela abriu gentilmente a torneira e lavou o rosto. Apesar das noites já começarem a serem frias , pois já estavam no outono e logo as folhas começariam a cair, Lucy sentia as veias queimarem, como se estivesse em um jogo de quente ou frio cujo qual realmente conseguia sentir.

Ela sacudiu a cabeça enquanto , ainda olhando para o espelho á espera de uma explicação para sentir tanto calor no rosto, tateava á procura da toalha.

Foi então , que algo muito estranho aconteceu: Lucy encostou no azulejo ao lado da toalha que tinha o desenho de um pato em uma lagoa e simplesmente sentiu uma enorme força, como se aquele desenho emanasse poder e viu uma cena que não estava realmente acontecendo.

“ Lucy viu uma moça extremamente branca e de cabelos loiros platinados que batiam em suas costas ,correr pelas ruas. Ela bateu violentamente na porta da floricultura.

Lucy sentia o desespero dela, como se alguém pudesse mata-la á qualquer momento, como se estivesse sendo seguida.

A moça parecida com Marta apareceu. Olhando-a mais de perto ela teve a impressão de ser Marta só que com os cabelos passando um pouco dos ombros e mais jovem.

– Ivene!- ela deixou-a entrar e Lucy sentiu o alivio da loira. As duas se abraçaram rapidamente e depois correram para dentro da casa.

– Eu sei que não devia ter vindo até aqui mas eu não aguento mais correr. Os homens dela são muito rápidos.

– Você acha que eles estão...- a quase Marta foi cortada por Ivene

– Os truquinhos dela? Com certeza.

– Vá para o banheiro e não sai de lá.

– E você?

– Apenas vá e reze para a magia dele ser suficiente para encobrir nós duas.

Lucy sentiu o pavor de Ivene em pensar no que podiam fazer á sua amiga, mas também sentiu que ela não tinha escolha.

Como mandado, a loira correu para o mesmo lugar em que a americana se encontrava agora. Se apoiando no mesmo azulejo em que ela estava. O desespero se apoderava dela. E se não fosse o suficiente? E se entrassem e matasse ela e Marta?

Mesmo sentindo o desespero de Ivene, parte da mente de Lucy se apegou ao pensamento da moça. Marta, ela disse Marta.

De repente, Passos pesados e apressados entravam no corredor e, sob a fraca luz Ivene viu alguém parar em frente á porta. Seu coração parou quando ouviu ela se abrir. A sua adaga já estava em mãos.

– Ivene?- um homem tão jovem quanto ela apareceu na porta com seus olhos azuis e cabelos castanhos.

Ivene sentiu um imenso alívio e correu para ele.

– Vladimir!- ela se soltou levemente do abraço.- Como chegou aqui?

– Seu Príncipe Encantado sabe quando a donzela está em perigo...- sorriu Marta- Tão romântico.

Vladimir lançou um olhar bravo á morena , que simplesmente riu.

– fique calma, ninguém sequer sentiu seu adorável aroma , Ivene, minha querida.- Marta continuou.- para eles, você sumiu sem deixar rastro.

Os três riram. Mas, quando Vladimir estava prestes á dizer algo, alguém bateu na porta.”

– Lucy?- era a voz de Felipe- Nós temos que ir.

Ela piscou por alguns minutos, balançando a cabeça, tentando tirar a tontura que sentia.

– Claro.- a voz dela deu uma leve falhada, que ela rezava para que o amigo não tivesse percebido.

Lucy tinha até medo de se encostar em qualquer parede, então ela só esperou até sua respiração voltar a normal e sua mente voltar a funcionar para abrir a porta.

– Obrigada , Marta.- Lucy disse mais uma vez.

– Ah! Você é um doce de menina. Voltem sempre.- ela sorriu, fechando a porta atrás dela.

Os dois ficaram parados em silêncio por um tempo.

– Então...- a americana falou- quarenta quarteirões?

– é uma longa caminhada...- Felipe reclamou

– Temos opção?!

– Bem... não...

– pelo menos ainda temos bastante tempo....

Os dois começaram a andar.

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Palácio de Schonbrunn, quarto 22, terceiro (quarto, chame como quiser...) andar. 30 de setembro, terça-feira. 19:30.

– Annie você não vai sair disso aí nunca?- Thalia perguntava pelo quinquagésima vez.

– Não.- respondeu a australiana , fazendo a amiga rolar os olhos enquanto mexia a panela de carne.

– Ainda não conseguiu?!- Medelaine lançou um olhar acusador á menina por cima da revista esportiva.

– Tenho cara de quem já conseguiu?- Annie perguntou zangada

– Uí! Ela tá bravinha!- a inglesa respondeu voltando sua atenção para a revista.

Tinha sido assim desde que Selena voltara para o quarto. Katherin havia sumido e parece que bom senso também. Enquanto nada acontecia, ela fingia estar entretida lendo uma revista de fofocas. Como se ela tivesse vontade de ler.

– Alguém sabe onde a Katy se meteu?- ela perguntou, não aguentando mais.

– Não.- as três responderam em uníssono.

– ótimo.- ela disse com cinismo e se lançou com força na cama.

“ onde ela se meteu?” Selena se perguntava

– Vou dar uma volta.- anunciou a mexicana

– Por quê?- Medelaine questionou

– Porque aqui tá um tédio, chica!- Selena disse como se isso fosse obvio.

Foi assim que ela saiu.

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Alameda George Bragnov , Antiquário Journey to the Past , Villa Maria. 30 de setembro, terça-feira, 19:34.

–Você está me dizendo que Miranda sonhou com uma chave escondida nas Ruínas? Tipo... a quando ela encontrou a Lucy?

– Muita coincidência , não.

– Não existem coincidências.- Laura pronunciou a última palavras como se fosse ofensiva.

– Talvez.- Vladimir deu de ombros.- A questão é que ela encontrou a chave e a Lucy. Depois não custou muito para ela me achar.

– Ela só tinha uma chave.

– Com uma mensagem. – o homem esclareceu- Foi o suficiente para ela me achar.

– Você queria que ela te encontrasse? Como fez conosco?

– Vocês foram um caso á parte. Miranda tinha medo que tentassem machuca-los.

– A pessoa/pessoas, seja lá o que for, estavam atrás dela há muito tempo?- Laura sentiu um frio na espinha ao falar da morte da amiga

– Creio que sim. Eles são muito bons.- a menina viu a tristeza nos olhos de Vladimir. Ela não sabia porque, mas tinha confiança nele.

– E o que vocês faziam ?- ela mudou e assunto, tudo que menos queria era não obter todas as respostas.

– Procurávamos pelo que você leu nos arquivos.

– Nove guardiões, oito escolhidos, sete protetores.- Laura disse mais para ela mesma do que para o homem á sua frente- O que tudo isso quer dizer?

– Um total de 24 jovens muito poderosos.- Vladimir concluiu , ganhando as sobrancelhas arqueadas da menina- atualmente adolescentes.

– Você quer dizer que todos ele estudam em Grander Hall?

– Sim.

– Se eu entendi certo os guardiões tem algum tipo de ligação com as nove musas , não?

– Tecnicamente. Nós á usamos como padrão por causa da semelhança com os nove.

– Você está dizendo que eles tem poderes? Tipo... mágica?

– Laura,- Vladimir começou á falar como seus professores- você é uma menina muito inteligente. Já deve ter ouvido que não usamos todo o nosso cérebro, não?

– Claro. Que pessoa não sabe disso quando se tem quase 13.

– Muita gente.

– Por que metade desse mundo foi tomado por ignorantes.- ela retrucou- continue.

– Bem.... o que você acha que uma pessoa capaz de usa-lo ao todo poderia fazer?- ele olhou bem nos olhos dela. Repentinamente, ela entendeu.

– O que os guardiões fazem?- ela chutou

– O que você faz?- ele levantou a sobrancelha esquerda

O choque dessas palavras foram tão grandes que Laura endireitou a postura como uma bailarina.

– Você está insinuando que...

– Você consegue usar todo o seu cérebro e é um deles.

Ela engoliu em seco.

– Como eu ....? Eu acho que saberia. Você sabe... se fosse uma.

– Você duvida?- ele se debruçou na mesa.- Laura, veja bem, você consegue ver coisas que se realizam, fala com uma moça muito estranha em seus sonhos, têm uma inteligência sobrenatural comparada ás crianças da sua idade.

– Mas sonhos podem ser explicados psicologicamente, e se você praticar consegue fazer o que eu faço e as coisas acontecerem é só uma coincidência.- ela acrescentou rapidamente.

– Pensei que não acreditassem em coincidência.

“O-D-E-I-O quando isso acontece.”

– Como eu sei de tudo isso?- Vladimir fez a pergunta que Laura tinha acabado de pensar.

– Dedução?

– Eu conheci a antiga Urânia. Ela passou pelo mesmo que você. Só que na nossa época éramos mais velhos, independentes , e conhecíamos o nosso líder e toda a história.

– Urânia? A mais novas das musas. Musa da astrologia, astronomia, ciências exatas.- ela parou para pensar –Eu?

– Miranda nunca comentou nada com você?

– Ela sempre me ajudava a pesquisar sobre mitologia, e adorávamos matemática e...- as coisas começaram a passar pela mente dela- eu disse que adorava a Urânia.

Ela encarou Vladimir com os olhos quase saltando da cara.

– Eu sei que é difícil um estranho te dizer de uma hora para outra que você é especial, mas não temos tempo. O ideal seria achar todos vocês quando estivessem mais velhos. Infelizmente não será assim. Eles já estão se adiantando. Vão fazer de tudo para impedi-los a partir de agora e o relógio vai começar a funcionar. Vocês precisam aprender tudo agora.

– Wow. Wow.wow. é bastante coisa para digerir. Eu Quase acredito em você...

– O que tenho que fazer para provar que falo a verdade?

– Me prove. Prove que a Miranda te conhecia. Que ela confiava em você.

A hesitação dele deixou Laura nervosa. A mão dela estava na adaga. Tudo bem que ela acreditava em qualquer um que nunca á tivesse dado motivos para suspeitar, mas algo em Vladimir fazia ela querer perguntar quando começavam o trabalho. Contudo, seu bom-censo lhe pedia uma prova antes de qualquer coisa.

Ele se sentou de frente para ela com uma caixa nas mãos. Desde quando ele levantara? Era melhor começar a manter o foco...

– Você reconhece isso?- ele empurrou a caixa para ela.

Com as mãos trêmulas, Laura abriu a caixa. Dentro havia simplesmente um relógio de bolso antigo.

Ela tomou o relógio nas mãos, o olhando fixamente. Sim, ela lembrava-se dele. Sempre que entrava no quarto sem bater , via Miranda olhando para ele. Uma vez, ela seguira ela até o banheiro e viu ela murmurar alguma coisa enquanto o observava.

– é... o relógio dela! – Laura exclamou.- ela o achou no chão no primeiro dia dela aqui!

– Por isso ela era a primeira mensageira. Ela tinha que encontrar vocês. Mas parece que alguém está bem disposto á fazer de tudo para impedir vocês.

Um bilhão de coisas passou pela mente dela. Dentre elas alguns estranhos fatos de sua infância e seu mais estranhos ainda sonhos. Sua infância sendo a menina gênia. Tudo se encaixava tão bem. Miranda sempre disse que ela tinha uma inteligência sobre-humana, não ,todo mundo dizia isso. “Fudeo” foi tudo que ela pensou.

– Pois então diga que o tiro saiu pela culatra. Eu estou dentro.- ela sorriu diabolicamente- se você estiver disposto a me contar tudo. O que são os guardiões? para início de conversa.

– Eles guardam os segredos e poderes de todas as ciências humanas.

– nunca pensei no amor como uma ciência.

– Uma que todo humano conhece, pelo menos uma vez na vida.- existia uma ponta de melancolia em sua voz.

Laura sentiu pena dele. Há quando tempo ele estaria sozinho nesse lugar?

– Só isso?

– Não.

– Destruiu as minhas esperanças.- ela brincou

– Eles tem em suas mãos quatro místicos objetos. Verdade, Justiça, Bondade, Bravura.

– E ... o que seriam eles?

– Não, sei. Alexander os escondeu em outros objetos. Não faço ideia do que são agora.

– Vish... – Laura mordeu o lábio.- E quanto aos protetores?

– os protetores guardam os sete pilares da magia e da vida. Concentração, Força, Coragem, Astúcia, Paciência, Altruísmo e Sabedoria.

– E por isso sete.

– Bem... sim.

– Então tá né...- ela correu os olhos pela sala- e os escolhidos?

– Eles são os quatro elementos, estações. Além das 8 inteligências e 8 planetas.

– O que os planetas tem á ver com isso?

– melhor deixar isso para mais tarde...

– Porque?

– Você precisa voltar para seu quarto antes dos portões fecharem. Ao menos que tenham onde passar a noite.- quando ela fez menção de se levantar Vladimir fez sinal para ela esperar.- eu preciso te entregar isto.- ele disse tirando um colar do bolso e entregando á ela.

– A constelação de órion.... O que é isso?

– Vai te ajudar á controlar suas visões e sonhos.

– Mas... minha visões são os meus sonhos.

– Por enquanto. Se você praticar vai poder ver o futuro quando encostar em alguém.

A cara que ela fez devia ter sido muito assustadora pois, Vladimir recuou um pouco na cadeira.

– Com o tempo você entende. Se praticar , vai conseguir controlar as visões. Conseguirá ouvi-las , desacelera-las , revê-las em sua mente, ver o futuro de alguém se quiser.

– Como se pratica uma coisa dessas?

– Tentando.- ele esticou o braço.

– Pensei que eu não podia demorar muito.

– isso não vai levar mais que dois segundos para mim., aqui fora. Mas, na sua cabeça , vai demorar o tempo que quiser.Só um conselho: não pare o fluxo.

– Oi?

– Vá em frente.

Ela colocou o colar e tocou o braço de Vladimir, sentindo a pele formigar e uma sensação estranha acontecer, ela deixou-a vir. Foi então que aconteceu.

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Passagem secreta na passagem secreta. 30 de setembro, terça-feira. 19:40.

Katherin não fazia ideia de á quanto tempo ela e Fredie estavam andando por aquele corredor escuro. Nenhum dos dois tinha dito nada desde quando caíram ali. Ela só se lembrava de sentir a pedra sumir de debaixo de suas mão e pés e de repente, estavam ali.

– O que você acha que aconteceu?- o menino perguntou tirando ela de seus pensamentos.

– Não faço ideia.- ela respondeu, a sua voz ecoando pelo estreito corredor de pedra.

Fredie ia á frente dela, ambos com as mãos na parede, já que as lanternas tinham se espatifado com a queda.

– Onde você acha que isso aqui vai dar?

– Espero que dentro do palácio. Não estou á fim de responder o porque eu me encontrava fora dele a essa hora.

– Você sabe que horas são?- ele perguntou excitado

– Hum.. Não.

Ele praguejou em alguma língua que Katherin não tinha certeza, mas achava ser árabe.

O silêncio tomou conta novamente .A cabeça da garota ainda tentava assimilar tudo. Em tão pouco tempo, eles se meteram em tanta coisa. Ainda por cima tinha aquele brilho esquisito saindo de sua mão. Mas, Ela nunca contaria isso á Fredie. Ele com certeza a acharia louca.

– Acho que o túnel está subindo!- o loiro comemorou

– Aleluia!

Ela realmente começou a sentir uma elevação e, uns três metros depois, um alçapão se encontrava no teto. Fredie, por ser mais alto, o puxou e uma escadinha desceu, deixando a luz invadiu o lugar.

Devagar, eles subiram. Os dois olharam para os lado antes de sair. Vazio. Estavam saindo de um quadrado no chão de pedra. Os dois saíram silenciosamente e, não sem um grande esforço, fecharam o alçapão que imitava com precisão o mármore.

Estavam em uma sala minúscula, que tinha escadas para algo muitos andares á cima e á baixo deles.

– Você acha que isso liga todos os andares?- perguntou o egípcio

– Uma rota de fuga caso invasões?- sugeriu Katherin levantando as sobrancelhas.- Venha há uma porta aqui.

E, dando ás costas para as escadas, caminhou para a porta. Antes que pudesse se quer encostar nela, ouviu passos subindo escada.

– Fredie! –ela gritou enquanto ele subia

– Que foi? Se isso liga todos os andares, porque arriscar ser vistos no segundo andar quando podemos fingir que estivemos o tempo todo no quarto?

Relutante, a menina começou a subir as escadas. Seus cabelos pareciam uma tempestade ruiva enquanto pisava forte nos degraus e balançava a cabeça , murmurando qualquer coisa em francês.

Vários lances depois, eles chegaram no quarto andar.

– Será que chegamos mesmo?- a ruiva questionou olhando alguns lances á mais para cima.

– Tenho certeza.

– Para onde será que essa escada leva?

– Melhor deixar para outro dia.- ele a puxou pelo braço, obrigando-a a sair da escadaria

– Tem razão. Já passamos por muito hoje.

Rapidamente e delicadamente , ela abriu a porta. Qual foi a sua surpresa ao dar de cara com uma cortina.

– Aí!- ela protestou quando Fredie a empurrou, fazendo sair rodando para fora daquela maça de veludo vermelho.

Ele não se desculpou, mas a ajudou a se levantar. Foi quando ela percebeu que estava no corredor perto de seu quarto.

– Wow.

– O que foi? Eu sei, sou muito forte , não?

– non- ela deu um tapa no braço dele, apontando para o tudo á sua volta.- estamos no corredor do meu quarto.

– Caraca.

– acho melhor voltarmos.- eles começaram a andar- Fredie. é melhor não contarmos isso para ninguém. Se nem nós mesmos entendemos o que aconteceu, como pediremos para os outros o fazerem? Acho melhor resolvermos isso antes de falar qualquer coisa.

– Você pensa em contar para eles?

– Sim. As meninas são minhas amigas. Não gosto de mentir para elas.

– para o melhor de todos é melhor isso ficar só entre nós. Quase nos metemos em uma baita encrenca. Melhor deixa-los longe disso.

– Tem razão. Mas meu coração ainda está acelerado. Acho que a qualquer momento posso vomita-lo.

– E eu deixei meus pulmões lá atrás.

Os dois riram.

– Isso é muita loucura.- ela sorriu- vamos voltar lá de novo?

– Sério?

– quem sabe a gente não descobre algo? -Ela levantou a sobrancelha direita.

– tudo bem.

– A gente se fala.

– Claro.

Com um aceno de cabeça, ele começou a caminhar para seu quarto enquanto ela girava a chave do seu. A única coisa que não viram foi uma Selena que pegou as últimas frases dessa conversa.

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Alameda George Bragnov , Antiquário Journey to the Past , Villa Maria. 30 de setembro, terça-feira, 19:42.

Laura não faz ideia de como conseguiu, mas começou a ver as coisas.

Primeiro viera em um flash, depois ela ordenou mentalmente que elas desacelerassem e tivessem som. Funcionou. Começou a ver ela e Vladimir sentados na beirada de uma janela tomando algo parecido com suco de uva. Depois a cena mudou para ele amarrado em uma cadeira.

“você realmente pensou que ela estivesse morta?” uma voz fria masculina ecoou pela sala “ Ah! Vladimir! Achei que você fosse melhor que isso”

Vladimir praguejou em russo e levou um choque tão forte que Laura pode sentir seus pelo eriçarem.

A cena mudou de novo . Era ela e o homem de novo. Laura não fazia ideia de onde eles estavam.

“Eu estou muito assustada. Aquilo que eu vi... Vladimir aquilo era surreal! Como alguém é capaz de tudo aquilo”

“ Eu lhe disse Laura, isso é um jogo muito perigoso. Mas eu farei o que for preciso.” Ele a abraçou.

A cena mudou de novo e ela viu Vladimir abrindo um portal, com um raios cortando o Céu. Depois, um bicho cujo qual Laura não conseguia ver a forma o atacou. Duas vozes femininas gritaram seu nome. E , de repente, tudo foi consumido por uma luz azul-gelo.

A última visão foi a pior. Ela via um rastro de sangue pela floresta, gritos e uma massa negra vindo na direção dela, que na verdade não estava ali e... ah! Deu para entender.

Assustada, ela largou do braço de Vladimir.

– O seu futuro não é dos melhores... – ela comentou ofegante.- Mas eu não vi a sua morte. O que penso ser bom.- ela deu um sorriso amarelo

– Eu já esperava isso.

– Vladimir.- Laura começou- em uma das visões... eu lhe disse que havia visto algo, surreal. Que não sabia como alguém seria capaz de fazer..- ela sentiu um gosto amargo na boca- você acha que...

– Laura, eu não vou mentir para você. Isso aqui é um caminho sem volta e um jogo perigoso, cruel ,me arrisco á dizer maligno. Não é como as histórias que você está acostumada.

– Acredite em mim, Vladimir. Eu sei muito bem o que é a vida real.- ela olhou bem fundo nele. Realmente, algo que ela pensara que nunca ninguém seria capaz a assustava.- Se eu disso que estou dentro, eu estou dentro.

– Leve isso com você . – ele entregou um embrulho á ela

– uma bússola? Ou um relógio de sol? -Ela perguntou , confusa ao vê-lo.

–os dois. Acredite , vai te ajudar a achar os outros guardiões.

– como?

– Será que você não vai conseguir entender que certas coisas terá de fazer sozinha?- ele brincou.- antes de você ir, saiba de uma coisa: sendo a primeira á aceitar , você se torna a líder.

– Eu? Você tá de brincadeira, né?!

– Não. Por isso você fica com isso.- ele apontou para o embrulho- Sinceramente pelo pouco que te conheço esperava que fosse você. Miranda dizia a mesma coisa.

Laura sentiu os olhos brilharem com as lágrimas que queimavam por não serem livres para cair ao ouvir que Miranda também confiava nela. Só ela sentia que não era essa bola toda?

– Tenho que ir.- ela disse com a garganta seca.

– Claro, há uma estação de metrô há duas quadras.

Eles se levantaram e andaram juntos até a porta. Ele abriu para a menina.

– Vladimir- ela se virou para o homem antes dele fechar a porta- Obrigada. Quando nos veremos novamente?

– Você saberá.- ele sorriu enigmaticamente

Assim, a porta se fechou e Laura caminhou, lentamente, pelas ruas com pouca iluminação. Ela não sabia muito bem onde estava se metendo, mas tinha certeza, não podia decepcionar Miranda. Se ela podia fazer o que fazia, se realmente era especial, Faria de tudo para ajudar. Se tinha uma responsabilidade, não a ignoraria. E foi assim, com a cabeça erguida que ela foi a primeira guardiã a encarrar sua verdadeira realidade.

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1º de outubro, quarta-feira. Corredores do Palácio de Catarina, 15:25.

Selena passara a última noite inteira pensando na conversa que ouvira entre Fredie e Katherin...

“- Tem razão. Mas meu coração ainda está acelerado. Acho que a qualquer momento posso vomita-lo.- ela dissera

– E eu deixei meus pulmões lá atrás.

Os dois riram.

– Isso é muita loucura.- ela sorriu- vamos voltar lá de novo?

– Sério?

– quem sabe a gente não descobre algo? -Ela levantou a sobrancelha direita.

– tudo bem.

– A gente se fala.

– Claro.”

Todo o intelecto da mexicana lhe dizia que estava “pintando um clima” entre Fredie e Katherin... Mas, ela precisava de provas. Eles não precisavam ter vergonha de admitir. Era por isso que ela corria atrás de um pontinho loiro no meio da massa e adolescentes que circulavam pelos corredores.

– Michael! Michael!- ela começou a gritar, quando chegou mais perto.

Acelerando o passo e quase sendo esmagada por um casal do sexto ano , a garota conseguiu fazer o italiano parar, ficando em seu caminho.

– Selena?

– Tá surdo? Eu gritei seu nome umas vinte vezes.- ela rolou os olhos

– O que é tão importante assim?

Ela puxou ele para o canto.

– Eu acho que o Fredie e a Katherin estão namorando escondido.

Michael soltou uma risada debochada, irritando a menina.

– Qual é a graça?- ela perguntou impaciente

– Tudo! A katherin e o Fredie?!- ele se dobrou para rir- Mas, falando sério, qual o seu assunto urgente?

– Esse é o meu assunto.

– Tá tomando seus remedinhos?- ele brincou e ganhou um belo tapa no braço.

– Quem precisa deles é a Annie.

– Ah, é! Está indo ao médico regularmente? E ao psicólogo?- Ele continuou rindo e a garota lançou lhe um olhar capaz de perfurar a alma.- Você está falando sério?

– Estou.

– ok, vamos apostar. Eu faço o que você com certeza vai me pedir para fazer, e quem perder paga cinquenta reais.

– vinte .

– cinquenta.

– Trinta, ou nada.

– Certo, trinta.- eles apertaram as mãos.- O que você quer que eu faça?

– Tente coletar informações. Ela disse para eles irem á um lugar de novo. Tente descobrir onde.

– Certo.- ele suspirou.

– Uma última pergunta.- Selena disse quando ele já estava indo embora.- Você recebe mesada. Porque vai querer trinta reais?

– Porque é mais legal quando ele vem de alguém que perdeu a aposta.- ele deu de ombros e continuou a andar, deixando uma Selena confusa para trás.

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1º de outubro, quarta-feira. Jardins do Palácio. 16:45.

Felipe batia a mão no joelho nervosamente. Ele e Lucy combinaram de trazer Laura até ali para conversar. O único problema seria se ela perguntasse se ele acreditava nela. Os acontecimentos das últimas 48 horas não foram dos mais normais... Mas, era realmente possível que a brasileira conseguisse ver o que estava por vir? E Lucy tinha contado á ele o que tinha visto. Conhecendo-a do jeito que ele conhecia sabia que ela não havia tido tudo, porém, de repente as vidas deles estavam esquisitas e de pernas para o ar. Isso era completamente... frustrante.

O garoto parou de pensar nisso no exato momento que viu uma massa loira arrastando outra garota atrás de si. Em pouco tempo , duas meninas ofegantes estavam na frete dele.

– Lucy...- Laura disse tentando tomar ar ,se apoiando nas pernas- Quando eu disse para irmos o mais rápido possível, não era para me arrastar como um saco de batatas até aqui.- ela começou a torcer os cabelos e fazer um coque com eles.

– Desculpa. Mas... acho que vai gostar do porque termos te chamamos aqui..

A menina arqueou as sobrancelhas e olhou de Lucy para Felipe.

– Agora eu estou preocupada.

– Eu quase atravessei.- Lucy falou rapidamente

– Atravessou? Atravessou o que menina?

– a rua quando tinha o caro azul.- ela explicou fazendo Laura se engasgar . Com o que? Felipe apostava que fosse com a própria saliva. Isso acontecia com uma frequência assustadora.

– O quê?!- ela gritou quando a tosse cessou.

– Senta aqui.- A loira empurrou a amiga gentilmente na outra extremidade do banco.- Temos uma longa história para contar.

Os próximos trinta minutos foram tomados pela explicação de Lucy que, por vezes, recebia acréscimos dele.

Felipe não pode deixar de notar como Lucy mantinha a postura e a elegância enquanto falava. Ela parecia uma boneca de porcelana .

Assim que ela terminou, Laura começou a sua história. O menino não podia deixar de ficar com a boca aberta.Tudo era .... bem ele não sabia exatamente definir. Ela mostrou á eles o colar e a bússola/relógio. Contou sobre os “guardiões”, “protetores”, “escolhidos” ... No final, o inglês achou que tinha perdido seu queixo e ele estava em seus pés.

– Perguntas?- Laura perguntou com um sorriso , como alguém que pede desculpas. Obviamente achando que nenhum deles tinha acreditado.

– Ele não te falou mais nada sobre “os escolhidos”?- Felipe se viu perguntando.

– Nada mais.- Laura sacudiu a cabeça, de certo modo, ele sabia o quanto ela ficava frustrada em não ter a informação por inteiro.

– E... você é uma guardiã?- Lucy perguntou com uma mescla de susto e felicidade na voz.

– Acho que sim.- a brasileira olhou para o horizonte e começou a mexer no colar.

– Você consegue ...é.. ver o futuro?- ele perguntou da forma mais delicada que conseguia. Aparentemente o assunto assustava ela tanto quanto assustava eles.

– Acho que sim.

– As apostas com você estão cancelas.- ele brincou arrancando um sorriso das duas.

– Bem... Vamos achar os outros!- Lucy sorriu

– Não quero meter vocês nisso...

– Nem começa! Nós vamos te ajudar e ponto. Nem adianta tentar impedir que nós vamos lhe perseguir.

Sem dizer nada ela abraçou os dois pelos pescoços. Era bom continuarem juntos por mais estranhas que as coisas ficaram.

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Palácio de Schobrunn , quarto 22, quarto andar. 5 de outubro, domingo. 16:23.

Michael se fizera a mesma pergunta nos últimos cinco dias: Porque diabos ele aceitara ajudar Selena? Depois se lembrava que precisava do dinheiro , já que tinha torrado toda a mesada enviada mês passado pelos pais e provar á garota que seu melhor amigo nunca esconderia nada dele, certo?

– Para onde eles estão indo?- Selena se perguntava , excitada.

– Para a Terra do Nunca.

– Você sempre tem que ser tão grosso?!- ela perguntou virando-se para encara-lo.

– Tá.- ele revirou os olhos- Vou ficar quietinho.

Eles perseguiam um pontinho dourado e outro vermelho á distância, se escondendo em cortinas, atrás de estátuas e qualquer outra coisa no caminho.

– Selena , espera.- ele puxou-a para trás de uma das estátuas bem a tempo, pois os dois pararam em frente á uma cortina.

– O que eles....- a pergunta dele foi respondida antes mesmo de ser feita.

Os dois sumiram por de trás da massa de veludo vermelho.

– Eu.. não sei exatamente o que pensar disso.- Selena finalmente falou depois de uns minutos quietos

– Ainda não diga nada.- disse Michael correndo até a cortina e, mesmo sobre os protestos da mexicana, levantou-a.

Qual foi sua surpresa ao dar de cara com uma porta de metal negro, cheia de vários desenhos abstratos.

– As damas primeiro- ele deu passagem á Selena que, mostrou-lhe a língua e abriu a porta.

Sem ao menos hesitar, os dois passaram por ela.

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Escadaria de fuga . Espera ... eu posso fazer melhor; rota de fuga. Tá difícil ... é...Ah! leva como passagem secreta também. Escadaria secreta, Palácio de Schonbrunn. 5 de outubro. 16:30.

Katherin sentia o coração bater forte em seu peito. Depois de tantos lances de escada ,quem não ficaria? Além de tudo, tinha a sensação de estar sendo observada, mas nunca havia ninguém por perto...

Por fim, chegaram ao lugar de onde haviam saído na última vez. Ela jurava ter ouvido passos depois que os dois pararam. Porém, seu companheiro já estava abrindo o alçapão.

– Tem certeza de que isso vai dar certo?- perguntou ele ,somente com a cabeça para fora.

– Tem que dar. Não podemos ir pelo mesmo caminho. Podemos não ter mais tanta sorte...- ela o repreendeu , sentindo um calafrio subir-lhe a espinha ao pensar no que haviam passado.- Agora vamos.

Tentando não parecer muito nervosa, Katherin fechou o alçapão atrás de si. Ambos ligaram as lanternas e começaram a andar pelo corredor escuro. água pingava em algum lugar e seu passos ecoavam fantasmagoricamente pelas paredes.

– Como você sabe que vamos achar aquele lugar de novo?- Fredie perguntou certo tempo depois.

– Não sei.- ela deu de ombros- Mas não posso deixar de tentar.

As luzes branco- azuladas das lanternas criavam sombras e imagens abstratas nas paredes. Elas percorriam as rochas irregulares e o chão escorregadio , mostrando não ter uma sequer forma de vida por lá.

– Você acha que mais alguém sabe disso aqui?

– Duvido muito... Ninguém sabe disso aqui.- ela afirmou- ninguém que esteja vivo.

– O que você quer dizer com isso ?

– Que é claro que na época que isso era um castelo alguém sabia sobre isso aqui. Foi construída com um proposito.

– E qual seria?

– Tenho cara de alguém do século passado, Fredie?

De repente, ela ouve um som. Algo como... risadas?

– Tudo bem com você?

– Tudo... eu acho.- Katherin sacode a cabeça com força, aquela paranoia a estava perseguindo novamente.

Passados alguns minutos de conversa fiada, ouve-se um estalo.

– O que foi isso?!- a francesa pergunta assustada

– Acho que pisei em algo...- Fredie abaixou e ela iluminou seus pés, vendo um fragmento de plástico preto.- chegamos. – ele anunciou- foi exatamente aqui que caímos.

Katherin não disse nada simplesmente começou a mexer na pedra, na esperança de conseguir abrir passagem novamente.

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Passagem secreta, 5 de outubro, domingo. 16:40.

Selena quase os deixou serem pegos quando riu. A sorte ( ou azar) era que Michael estava preparado para lhe tapar a boca.

Obviamente, ele levou uma bela mordida...

– Acho que eles pararam.- ela cochichou

Ele não respondeu, apenas fuzilou-a. Talvez , a mordida não tenha sido agradável.

Os dois ficaram quietos enquanto Fredie e Katherin mexiam na parede, como se procurassem algo...

– ainda acha que eles estão namorando?- Michael finalmente disse algo

– Não. Mas em algo muito estranho aqui...

Selena não olhou para o menino, mas algo no jeito que ele apertou seu braço a fez entender que , de certo, modo concordava.

– o que eles estão procurando...?

De repente, algo começou a brilhar na pedra.

– ¡Dios mío!- ela exclamou enquanto Michael dizia:

– Cáspita!

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Passagem secreta. 5 de outubro, domingo, 16:45.

Fredie não sabia como, mas quando pediu a Katherin para sentir , obrigar a pedra a lhe obedecer , ele sabia que funcionaria.

– Wow!- ela gritou ao ver a pedra se abrir.

Sem hesitar, ele a puxou para dentro. Logo, estavam naquela mesma sala.

– Então eu não estava louco....- o menino disse, soltando o braço dela- Realmente fizemos aquilo!

– Eu não sei se estou feliz.... ou assustada.- Katherin murmurou.

Fredie passou a olhar a sala como se tivesse vendo-a pela primeira vez. Haviam inúmeros sofás no centro, e quase todas as paredes eram revestidas por estantes e mais estantes de livros. Os únicos lugares em que se podia ver a pedra fria eram : atrás da estante onde estavam e entre duas poltronas no lado oposto. Subitamente, algo se iluminou na mente do menino.

– Katherin! Katherin!- ele puxou a menina que examinava os muitos livros á sua volta, levando ela para a parede.

– O que foi criatura?!- ela reclamou quando pararam no espaço entre as poltronas.

– Acha que aquela passagem só funciona naquela parede?

– Fredie, passagens secretas costumam ter só uma entrada e uma saída. Ou não...- ela parou para refletir seu comentário

– será que você faria a gentileza de tentar comigo?- ele apontou para a parede

– Tente sozinho. Vamos ver se funciona.

Respirando fundo, ele encostou a mão na rocha. Primeiramente, ela estava quente , mas então, seu desejo de que uma passagem se abrisse tomou conta , ele sentiu algo gelado passar por todo seu corpo e chegar em suas mãos formigando. O garoto não o prendeu e logo os veios cor de gelo tomaram conta da rocha, fazendo-a se abrir.

Quando entrou no corredor, viu que Katherin o olhava assombrada, pálida como leite.

– O que foi?- ele perguntou girando e pisando em algo.

Imediatamente, ele se abaixou e pegou o mesmo pedaço de plástico preto de alguns minutos atrás.

– Mas.... isso...- ele olhou incrédulo para a francesa e depois viu por cima do ombro dela que a outra passagem ainda estava aberta e ele estava lá, se encarando com a mesma face.

Fredie estava abismado demais para dizer uma palavra. Por sorte, Katherin se recuperara do choque.

– Como isso é possível?!- ela ficou ao lado dele no corredor, sem tirar os olhos da outra passagem, ainda aberta.

– Isso é impossível.... é como se fosse... fosse..- ele tentava achar uma palavra que não soasse tão tola, mas Katherin o fez sem se importar.

– Mágica.- Ela parecia maravilhada e assustada ao mesmo tempo.- Fredie....

Seja lá o que ela diria á ele, não pode ser feito , uma vez que eles ouviram um ruído vindo do corredor onde estavam.

– Acho melhor irmos embora. É muita coisa para um dia só.

Fredie estava ficando louco ou ela estava... despontada?

– Você tem razão.- entrando na sala.- Se fecharmos uma , fechamos as duas?

– Só tem um jeito de descobrir ...- ele se posicionou ao lado dela e , junto fecharam a segunda porta.

Felizmente, a outra não se fechou.

– Acho que elas .... hum.... – Katherin começou, sem graça.

– Obedecem a gente? – ele levantou uma sobrancelha.

Ela fez que sim com a cabeça e, sem mais nem menos, atravessou a passagem. Sendo logo seguida por Fredie e a parede.

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Palácio de Schonbrunn, quarto 22, quarto andar. 6 de outubro, segunda-feira, 2:54.

Selena não conseguia pregar os olhos. Não depois do que vira ... Ela e Michael ficaram tão assustados ao ver dois Fredies e duas Katherins , decidiram ir cada um para seu quarto digerir essa informação e decidir o que fariam depois.

Ela não fazia ideia do que dizer, quanto mais o que fazer. Aquilo era .... estranho e magnifico ao mesmo tempo.

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Palácio de Catarina, sala do Diretor. 9 de outubro, quinta-feira. 10:28.

Laura tinha uma leve suspeita do motivo pelo qual fora chamada . Mas ele parecia ter acontecido décadas atrás... E levar uma advertência ou suspensão poderia ser seu pior pesadelo á um mês , mas agora, era a coisa mais leve que poderia levar.

Quando a porta se abriu, Erasmus Wonder entrou com seu terno perfeitamente limpo. Seus olhos eram de um castanho claro aconchegante e seus cabelos completamente brancos eram um tanto maiores que o convencional para homens , mas curto demais para a maioria das mulheres. Sua barba ainda estava por fazer.

– Senhorita Prado.- ele acenou com a cabeça se sentando de frente para ela , atrás de sua mesa.

– Diretor Erasmus.- ela assentiu

– Sabe por que está aqui?

– Sim e não.- Laura se surpreendeu com a facilidade com que falava. Em geral travava quando se sentia envergonhada ou quando estava em frente á uma grande autoridade.- é sobre Rebecca?

– Um tiro certeiro.- ele sorriu e entregou um café á ela. O que a fez se perguntar quantas vezes já havia estado lá para ajudar, ser parabenizada ou por acaso.- O que você fez na festa de boas vindas não pode ser ignorado.

Normalmente, ela pediria desculpas e imploraria por perdão. Mas, já havia saído do normal há algum tempo.

– Suas fontes estão meio lerdas. Isso aconteceu mês passado.

– Tem razão. A corrente de vocês, estudantes é bem mais forte.

– Acho que sim.- Laura sorriu e tomou um cole do café.

– Você está me surpreendendo com essa diferença.- ele comentou.

Ela sabia que, na verdade ele não estava bravo. Erasmus conhecia Rebecca, ela não era flor que se cheire. Ás vezes, Laura achava que até doía nele punir sua aluna mais dedicada, porém, ela era uma mestra em arranjar discussões.

– Está mais solta, com menos vergonha e , diga-se de passagem, mais corajosa.

– Acho que tenho mudado bastante de uns tempo para cá.- ela colocou a caneca vazia de volta na mesa- Perdi boa parte de meus medos...

– Isso é bom.—ele deu um belo sorriso.- como vão indo as coisas?

– Bem... ou quase.- ela olhou para ele e riu.

– Lucy e Felipe não serão chamados.- ele disse, e Laura se puniu mentalmente por não ter pensado neles.- A única que causou agressão foi você.

– Acho que estou ganhando um espirito rebelde.- os dois riram, como velhos amigos.

– Alguém me chamou?- uma voz alegre veio de trás da brasileira.

Ela se vira e vê Annie Retzmann, com a gola da camisa desabotoada , as mangas arregaçadas e a gravata completamente solta.

– Sente-se Reztmann.- Erasmus disse em um suspiro cansado.

– O que ela está fazendo aqui?- Annie disse de forma pejorativa apontando para Laura

– Laura está aqui pelo mesmo motivo que você, Annie.

– Acertou uma pedra em um babaca?- a australiana perguntou, com um sorriso

– Não. – Erasmus respondeu, Laura sabia que ele estava se divertindo com isso- Ela bateu na senhorita Quiremon.

– Você bateu na Rebecca!- a cara de Annie se iluminou – Cara! Eu quero você como aprendiz!

– Acho que não estou interessada em aparecer na diretoria por essas razões...

– Vai por mim, uma vez que você consegue, pega gosto.- ela pegou um papel e uma caneta da mesa do diretor , que não se incomodou , e anotou algo.- Se mudar de ideia....

Laura leu o papel. Nele, estava escrito, com um caligrafia horrorosa: “Annie Louise Retzmann. Treinadora de encrenqueiros e mestres de pegadinhas. Quarto 22, Palácio de Schonbrunn, quarto andar.”

– Acho que você não precisa do meu telefone... Sabe onde me encontrar.- ela deu uma piscadela

– claro.- a menina deu um sorriso amarelo

– Bem..- Erasmus pigarreou- As duas, detenção. Sábado, oito e vinte.

Ambas deram de ombros. Para Annie era rotina, para Laura, um mero castigo que não a faria mudar de ideia sobre o que fez.

– Tá.- as duas disseram juntas.

– Dispensadas .- o diretor sorriu

AS duas saíram juntas , mas Annie acelerou no corredor, murmurando algo sobre “ter de fazer uma entrega”, somente parando nas escadas para gritar á brasileira:

– Eu sei que você vai mudar de ideia.

E assim, desapareceu em meio á enorme escadaria.

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Palácio de Catarina, sala de detenção. 11 de outubro, sábado. 8:29.

Laura estava trancada á cinco minutos e já queria subir pelas paredes. Aquilo era um tédio. Ela tinha de admitir, imaginava a detenção uma completa bagunça. Afinal, eles eram os piores da escola. Mas , a verdade era que somente o tic-tac do relógio acima da mesa do professor podia ser ouvido.

A menina não sabia o que era pior: o silêncio ou ter de olhar para a cara de Brianna Davies, a sua nada adorada professora de história. Laura podia amar a matéria, mas nunca aquela porca vestida como mulher. Ela era tão.. vulgar, burra, metida e fedida que fazia-a ter vontade de espancar aquela cara flácida. Ela não passava de uma leitora de textos, sem métodos. Um bom professor realmente acrescenta algo á matéria, Brianna só faz o básico. E Laura era o tipo de pessoa que odiava o convencional.

– Bem...- a senhora Davies começou a falar.- Fiquem quietos e não me incomodem nas próximas duas horas.

Laura, que estava sentada de lado na carteira, como de costume, viu Annie e Travis Stlonger trocarem olhares cúmplices. Talvez não fosse uma boa ideia deixar dezenas de delinquentes na mesma sala.

– Professora, eu fiz um bolo.- disse Linda Flework.- A senhora quer provar?

– Me dê isso aqui.- Brianna pegou-o das mãos da menina- Não se pode comer na detenção .

Dito isso, ela voltou para o lugar e a professora devorou o bolo no que pareceu segundos.

– Nem pensem em conversar...- ela caiu dura em cima da mesa, dormindo.

{ sound}

– Rápido, ponham os tampões!- Annie berrou para ninguém em especial.

Dois garotos do sexto ano correram para coloca-los na professora.

– Dividam os turnos em quinze minutos.- Travis gritou e uma garota se posicionou na porta, de vigia.

– Comecem a bagunça, Irmãos encrenqueiros!- Annie berrou

Laura não sabe como, mas de repente, as janelas foram fechadas ,pisca-piscas foram colocados, as luzes da sala apagadas, pessoas dançavam com plumas, óculos ridículos e arquinhos com antenas brilhantes. Subitamente, aquilo mais parecia uma baladinha de criança do que a detenção.

Logo, alguém colocou o som para tocar e confete começou a cair. Era tudo tão organizado que a brasileira se perguntou quantas vezes já deviam ter feito isso.

Sem rodeios, Annie e Travis a puxaram para dançar. Aquilo estava completamente maluco. Eles dançaram de tudo, até macarena entrou na história. Depois fizeram um trenzinho da conga e , mais tarde outro em uma música eletrônica.

As pessoas cantavam as músicas em plenos pulmões, pulavam, dançavam, rolavam no chão e subiam nas carteiras que estavam amontoadas no fundo da sala.

– Isso é muito louco!- Laura teve de berrar para Annie conseguir escuta-la

– Você achava que ficávamos parados?!

AS duas riram histericamente e começaram a se enroscar em plumas. Cantavam feito retardadas e pulavam mais alto do que Laura se achava capaz.

A diversão durou duas horas inteiras. Quando Brianna ameaçou acordar, os pisca-piscas foram desligados e retirados, os confetes guardados, as plumas socadas na mochila de quem as trouxera. O mesmo aconteceu com os donos dos óculos e antenas. O som foi guardado, as luzes ligadas, as janelas abertas e as carteiras devolvidas para seus lugares.

Ao Brianna despertar, liberou todos.

– Annie!- Laura corria atrás da australiana que ria e discutia algo com Travis.- Annie!

Com facilidade, ela conseguiu alcançar a menina, a única coisa que sabia fazer na educação física era correr.

– Annie!- ela tocou o ombro da garota

– Sim?

– Eu aceito. Aceito o seu convite.

Ela deu um sorriso diabólico, e saiu andando. Qualquer pessoa teria achado que Annie tivesse brincado sobre treina-la, mas Laura sabia o que isso significava: Aguarde meu contato.

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Estande de arco e flecha, 15 de outubro, quarta-feira. 16:04.

Annie atirava uma flecha trás a outra, nunca errando. Depois de ter acertado todos os alvos, ela colocou-se a recolher as flechas.

Enquanto tirava a última, ouviu um galho da árvore mais próxima farfalhar. Ela retirou a flecha, e colocou-a na aljava enquanto caminhava até a cerca que delimitava onde terminavam os limites da escola e começavam o da floresta que a cercava.

Desde do primeiro momento em que esteve em Grander Hall ela tivera o desejo de se aventurar por lá, mas havia simplesmente uma cerca elétrica de um metro e noventa de altura de voltagem altíssima. Era por isso que os alunos do primeiro ano não eram autorizados á andar perto dos limites. O internato fazia de tudo para manter todos seguros, ou pelo menos , dar a impressão de segurança para os pais.

Annie achava aquilo um completo exagero, mas a escola dizia ser uma precaução contra invasores e animais selvagens. A menina nunca vira nenhum dos dois, porém tinha o desejo secreto de levar uma cobra á certas pessoas...

Ela se concentrou na direção de que o som viera. Com um certo trabalho, achou o causador: um falcão-peregrino estava empoleirado em um dos muitos galhos de uma árvore que ultrapassara a cerca.

Ao vê-la se aproximar, em vez de voar para longe, ele pousou na cerca, piando nervosamente para ela, como se reclamasse da lerdeza dela.

A primeira coisa que Annie pensou foi “ Como ele não morreu eletrificado?!” Então se lembrou que, ela nunca soubera como, mas os pássaros não morriam quando ficavam e fios de alta tensão.

A segunda, veio em sua mente quando ele parou de piar. “Silêncio??!” ela reparou , sorrindo. “ Deligada.”

Hesitante, a menina pousou a mão em um dos inúmeros fios. Nada. Ela suspirou aliviada e um sorriso malvado surgiu em sua bela face, pingada de suor.

Sem pensar sua vezes, ela se abaixou, procurando falhas . Foi então que se lembrou : no ano passado, alunos do sétimo ano resolveram cavar um buraco para passar.... eles tinha tapado com uma pedra e estava ali...

”Achei!”

Ela precisou de alguns minutos e força, mas conseguiu jogar a enorme pedra para o lado. O buraco era maior do que pensara, grande o suficiente para faze-la passar por debaixo da cerca. A australiana não conteve uma risadinha.

Deitada de barriga para baixo, começou a se arrastar. A linha fria do cabo levantou parte de sua blusa e arranhou sua pele. A terra sujava-a por inteiro, mas ela não desistiu até chegar ao outro lado.

Tamanho foi seu susto ao ver que o Falcão estava na árvore ao eu lado, ainda piando nervosamente.

– O que você quer ?- ela perguntou, limpando as mãos na camisa.

Como se esperasse a pergunta ele saiu voando baixo, no meio da mata. Estupefata, Annie o seguiu.

A floresta tinha o chão coberto de folhas, o outono já estava fazendo seu efeito e grande parte da folhas , da maioria das árvores já estavam amarelas. A terra estava um pouco úmida pois chovera nos últimos dias. Ela tinha completa ciência de que ali era selvagem, haviam animais perigosos, mas algo dizia á ela para não se preocupar.

– Estamos muito longe?- Annie gritou para o pássaro enquanto descia um pequeno desnível.

Ele piou calmamente, o que queira dizer : Não.

De repente, ela começou a perceber que o chão estava cavado mais fundo, como se aquilo fosse uma trilha e viu o espaço entre as árvores aumentar. Então, tudo se abriu e ela se viu de frente para uma casa

Ela provavelmente tinha três andares, e plantas dominavam grande parte de suas paredes. As janelas , em sua grande maioria estavam quebradas e algumas partes das paredes também.

O Falcão piou novamente.

– Quer que eu entre aí?- ela perguntou, incrédula.

Algo em sua cabeça disse :sim

Annie respirou fundo, pulou o portão e começou a abrir espaço entre as plantas, em direção á casa.

Notas finais
Então............? o que acharam! comentem!