The Mutants - O Dragão Branco
15 Capítulo Quinze
Notas iniciais
Nem Kentin e nem May se sentiam confortáveis com a ideia de que estavam indo para a luta final sem a sua companheira. Era muita mancada da parte deles deixa-la para trás, mas isso não era culpa de nenhum dos dois — Trícia merecia ser jogada num caldeirão com ácido fervendo, segundo os pensamentos de May.
A paisagem já havia mudado: O solo estava totalmente seco e se estilhaçava em diversas partes com formas divergentes. O céu não parecia mais ser algo agradável com aquele azul sujo pelo branco puro das nuvens, não. Agora ele estava depressivo, impuro e com nuvens roxas que demonstravam raiva enquanto liberavam os seus devastadores raios pelo chão.
Kentin estava absorto demais em suas ideias para falar algo com May, que também não prestava muito atenção no presente, mas ambos compartilhavam um sentimento em comum: suas barrigas não estavam nada dispostas a ajuda-los na parte final que a cada segundo estava mais próxima de ser iniciada.
—Você está preparado? — May decidiu quebrar o silêncio e um pouco da tensão antes que ela morresse ali dentro.
—Você está? — Kentin soou irônico.
—Nós nunca estamos. — Concluiu ela, por fim.
Um minuto de silêncio, May estava olhando para os seus pés agora, enquanto Kentin continuava observando a paisagem correr lá fora.
—E se nós não conseguirmos? —o olhar de May é puxado pela voz do garoto.
—Nós vamos conseguir Kentin. Sei que é um peso muito grande em nossos ombros, mas vamos suportar.
—Mas nós estamos prestes a travar uma luta com um dragão! Um ser lendário. Ele vai nos queimar e depois nos comer vivos. — Ele exclama. O olhar desesperado do garoto quase se perde nos olhos fortes da garota.
—Se ele nos queimar, ai dele. Vai sentir a dor da queimadura devido ao seu poder! Já eu posso me armar com algum demônio e manda-lo para baixo.
—E Jen poderia machuca-lo com lanças de sangue, mas ela infelizmente não está aqui.
COLÉGIO THE MUTANTS
Alguns alunos saiam da sala, acompanhados, mas outros optavam por continuar o intervalo na classe mesmo. Kakaroto estava meio envergonhado por estar ali, perto de pessoas tão jovens como eles. E ainda sentia mais vergonha ao pensar no que ia fazer. Tomou coragem, virou-se para a porta da sala e entrou.
Passou os olhos por todo o local, recebendo o olhar curioso de algumas pessoas que residiam ali. Ele finalmente tinha encontrado o que estava procurando: Rachel estava sentada em sua mesa com algumas garotas em volta, todas conversando e rindo animadamente. Alguns passos para estar próximo ao grupo de garotas e todas elas se aquietaram e começaram a observá-lo, todas quietas com olhos maiores do que jabuticabas.
Kakaroto respirou e pensou em cada palavra antes de soltá-las para a sua plateia juvenil:
—R-Rachel? — K esperou que ela fizesse algum movimento que consentisse para que ele prosseguisse — Eu posso falar com você? A sós.
A garota ficou vermelha, sorrisos brotaram de orelha a orelha nos rostos das amigas dela. Rachel levantou e falou emburrada:
— Vamos logo com isso. — E foi esperar o garoto fora da sala.
—Eu preciso te pedir um favor...
—Ande logo, qual é?
—Eu gostaria que você me apresentasse o garoto que conseguiu evoluir os poderes.
—Por quê? Vai pedir pra ele te ensinar?
—Como você sabe? — K corou-se, jamais teria imaginado que estava tão nítido assim os seus objetivos.
—Vocês se interessaram pelo assunto quando eu falei, por isso imaginei que fosse. —Disse com desdém e, após alguns minutos olhando para o nada, a garota corou, mas logo após fechou a cara, como se tivesse acabado de chupar um limão — Mas o que te faz pensar que é bom o bastante para falar com o Louis?
K hesitou, Rachel estava falando sério agora.
—Vocês são namorados ou algo do tipo? — A curiosidade nem era tão grande assim, mas ele percebeu que a menina ficou aérea com a pergunta.
—Antes fossemos! — Disse após o pequeno surto de grandes pensamentos pervertidos que todas as garotas escondem da sociedade. —Huh... Só vou te levar até ele porque eu sei que mesmo que você não seja digno e não perceba, ele vai te mostrar isso. Venha comigo.
VULCÃO, PRÓXIMO AO DRAGÃO
O vento passou queimando sobre o rosto deles, fazendo com que seus cabelos dançassem. May se arrependeu por não ter trazido algum óculos para proteger seus olhos. E Kentin estava sentindo muito calor.
— Acho que devemos ir por ali — Kentin apontou para o coração do local, onde provavelmente ficava a boca do vulcão.
Eles prosseguiram caminho por um bom tempo andando. Os pés de May estavam queimando e seu cabelo estava todo amarrado num rabo de cavalo para não soar no pescoço, já Kentin havia retirado a sua jaqueta ficando apenas com uma camiseta lisa branca — que logo estaria totalmente colada ao corpo devido ao suor.
Quanto mais se aproximavam do meio do local, mais quente ficava e mais estalagmites gigantescas apareciam. A loira experimentou encostar-se a uma delas para descansar e no mesmo momento se arrependeu quando sentiu sua pele queimar.
“Olá galera!” Ian voltou, fazendo com que os dois quase morressem de susto “Voltei por um tempinho aqui e pelo que vejo os dois já estão próximo do local onde o Dragão se localiza. Estão preparados?”
—Temos a opção de voltar? — Kentin perguntou, mas o próprio não levava o questionamento a sério.
“Bem, vocês escolhem: prosseguem e enfrentam um dragão ou voltam e enfrentam Trícia.” Ian riu de sua própria piada, não que fosse sem graça — May até esboçou um sorriso — mas não tinha tanto valor assim para os garotos que haviam acabado de conhecer a mulher.
—Acho que assim que derrotarmos o dragão estaremos prontos para treinar até ficarmos bons pra lutar contra Trícia. — Brincou a loira, entrando na conversa.
“Galera, vou precisar sair mais uma vez. Tenho que estar pronto pra agir quando a nave chegar. Se cuidem” E Ian desligou, deixando-os ali, sozinhos e quietos naquele calor maldito.
May parou bruscamente quando ouvir uma voz estranha e no mesmo momento impediu Ken de andar, que também havia percebido a voz. Ambos encolheram o corpo torcendo para que não fossem vistos ali.
A loira tentou espiar usando uma das grandes rochas como esconderijo. O que ela podia ver eram várias pessoas uniformizadas que pareciam estar trabalhando em alguma coisa por ali.
—Acho que capturamos! — Disse um dos homens. — Mas não esperava que fosse isso...
—Já falou com a chefia?
—Ainda não, não sei se devo...
—Ah qual é?! Vai perder a oportunidade de ganhar uma promoção? Cara, você está com o dragão branco em mãos! E o quanto mais cedo o capturarmos, mais cedo poderemos voltar para as nossas famílias.
May estremeceu ao ouvir isso. Dragão Branco? Ele já tinha sido capturado então? Quem estava atrás dele? Com quais objetivos? O que Trícia pensaria a respeito? A maior olhou para o gordo, que também parecia estar em choque.
—Alô... Ian? — Sussurrou, mas o maior não estava lá para receber a notícia. — Droga!
—O que vamos fazer agora? — Kentin não falou, apenas moveu os lábios e May, com toda a sua habilidade em leitura labial, entendeu mais do que perfeitamente.
—Vamos segui-los! Não consigo ver muito bem daqui, mas não creio que estejam realmente com o Dragão. Não ouço nenhum rugido e não há sinais dele aqui.
Os dois continuaram usando as rochas para manterem-se anônimos, mas houve um momento em que isso se tornou impossível. May parou por ali. Tinha uma visão completa do local em que os inimigos estavam. Havia uma base ali, cheia de pessoas e, por que não, cheia de tecnologias avançadas criadas especificamente para capturar o dragão?
May viu aqueles que estavam conversando antes e percebeu que nenhum deles estava, de fato, com dragão algum. Um deles carregava um garoto que aparentava ter a idade de Ken, usava alguns trapos que era impossível de se chamar de vestimenta. O cabelo do garoto era grande e aparentava ter uma cor cinzenta, May ficou confusa quando viu isso, não sabia se ele era um mendigo qualquer ou alguém com dinheiro para tingir o cabelo. Mas o dragão era, realmente, uma criança com a idade deles? Por que raios eles teriam que captura-lo?
Uma mulher alta e com uma cara achatada saiu da “base” indo de encontro com os dois que estavam com a criança. Ela usava o mesmo uniforme, só que este estava aberto e seus braços não estavam nas mangas, mas sim fora delas, cruzados sob o peito.
—Ouvi dizer que conseguiu alguma coisa — Sua voz era seca e ríspida — será que devo criar esperanças.
—Olhe! — Disse ele demonstrando o garoto. — capturamos o dragão.
A mulher olhou bem para o garoto e depois voltou os seus olhos para um dos soldados com um ar de reprovação.
—Você quer mesmo que eu acredite que isso é o dragão? Você só pode estar de brincadeira com a minha cara.
—Mas ele era o único que estava no local que você nos mandou procurar! — Protestou o outro, desesperado.
—Vocês o viram soltando fogo pela boca? Vocês o viram voar? Onde estão as escamas que não as vejo? Isso, meus caros, não chega nem perto do dragão. — Virou de costas, como se fosse andar, mas depois se voltou para eles — vocês ao menos sabem o que é um dragão?
—mas é claro que sabemos...
— Ótimo então. Prendam esse garoto e as crianças que estão atrás da rocha e depois voltem a procurar pelo maldito.
COLÉGIO THE MUTANTS
—Você está me dizendo que aquele é o Louis? — Kakaroto ainda não acreditava no que Rachel estava afirmando.
—Você não vai confiar em mim? Por que não vai até ele e pergunta, então? — Bufou a ruivinha.
—Desculpa, é que eu não imaginava que ele seria... Assim.
—Assim como? — A garota se ofendeu (e muito). Kakaroto não fazia ideia do tamanho do fanclub que Louis DeFiore tinha. Todas fangirls, e até mesmo alguns fanboys. Todos dispostos a matar qualquer um que olhasse torto para o garoto ou até mesmo para alguma das letras que compunham seu nome.
—É que eu pensei que ele seria mais... Másculo, sabe? Não me leve a mal...
—Hã! Olhe só. Você é todo másculo e é um bosta, o seu amigo, brutamontes, apanhou de uma garota e você ainda vai jugar pela aparência? — A menina ergueu uma sobrancelha e cruzou seus braços sobre o peito, esperando uma resposta plausível do maior, que não sabia o que dizer.
—Eu vou até lá, muito obrigado. — Bufou envergonhado.
—Boa sorte, vai precisar. — Disse Rachel enquanto ficava para trás.
Kakaroto não deu muita bola para o que a garota tinha dito, mas devia. Ao aproximar-se do loiro alto e magricela que estava sentando lendo um livro, parou e ficou um tempo na frente dele, pensando no que deveria falar.
— Está tapando o sol.
—Hã? — Perguntou Kakaroto por reflexo.
— O sol. — Disse Louis fechando o livro e olhando com ódio para o garoto — você está tapando.
—M.. Me desculpa, eu... Não tinha intenção de... tapar o sol... Eu... — Kakaroto não sabia o que falar, realmente ele não esperava iniciar uma conversa desse jeito com ninguém. — Louis, né? Louis DeFiore...
—O que você quer?
—Bem, eu... Fiquei sabendo de uns boatos sobre você conseguir fazer com que a sua mutação evoluísse e eu pensei se você poderia me ensinar a fazer isso, sabe? É que eu realmente necessito disso... — Kakaroto não estava entendendo o que estava acontecendo. Todos estavam tirando o dia para lhe dar patadas e serem grosseiros? O que é que o garoto tinha feito?
—E o que eu ganho em troca?
—Como?
—O que é que eu ganho em troca de te ensinar a aperfeiçoar a sua mutação? — Louis levantou uma de suas sobrancelhas. Kakaroto pirou. Não conseguia imaginar nada que pudesse fazer para retribuir isso para o desconhecido.
—Eu não sei, eu... Eu posso pensar no que fazer em troca desse seu grande favor, mesmo sabendo que nunca vou conseguir retribuir totalmente, mas eu só...
—E o que te faz pensar que você é digno de merecer que eu te treine? — Louis perguntou fitando os olhos do garoto. Ele já estava em pé e bem perto do maior. Não que ele fosse algo assustador, mas era intimidador. Kakaroto não sabia o que responder, tinha vontade de chorar, até. No que ele tinha se metido? Onde estava com a cabeça quando pensou em chegar para um estranho e pedir um treinamento? — Eu vou te treinar. Você tem sorte, caro amigo, de que eu tenho muita compaixão dos necessitados. Mas há algo que vou querer em troca...
Kakaroto sabia que não vinha algo bom pela frente, mas mesmo assim quis saber:
— E o que é?
—Você vai ter que trabalhar para mim, como escravo.
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