The Mutants - O Dragão Branco
18 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
A comandante e mais alguns soldados foram empurrados até a boca do vulcão devido a força do impacto. Por sorte, Abyss não caiu no vulcão, mas pôde ouvir os gritos de muitos que, provavelmente, haviam caído.
Alguns dos soldados que sobraram olharam para ela, tomados pela paralisia e pavor. Abyss estalou o corpo e se ergueu. Olhou, com raiva, para os soldados e começou o sermão:
—O que ainda estão fazendo aqui? Peguem suas armas, demonstrem que honram suas posições e trabalho. Vão já ver o que aconteceu! –Gritou e sentiu suas cordas vocais arderem. Até quando teria que mandar os soldados fazerem seus trabalhos? O que raios eles pensaram quando se alistaram? Que ficariam sem fazer nada, num boa, só recebendo aplausos e olhares admirados da população?
Os soldados foram até o local, mas suas pernas os impediam de continuar, tremiam de medo, um turbilhão de pensamentos ruins invadiam o cérebro deles como nunca invadiu antes—e sequer estavam numa guerra.
Foi difícil encontrar algo, mas perceberam que não estavam sozinhos quando um dos seus foi atingido na perna. Os outros ficaram mais despertos ainda enquanto o companheiro choramingava caído no chão, com as mãos no furo que a bala tinha deixado como presente. Não pareia haver alguém li, mas era realmente impossível de que os tiros estivessem sando do nada.
Algo chamou a atenção do soldado que estava na frente do grupo: um rastro de sangue.
COLÉGIO THE MUTANTS
Rachel estava totalmente disposta a fazer o que tinha decidido: iria se vingar de Meltran. Os pentagramas, que antes eram pretos, estavam tingidos de vermelho, o que demonstrava que ela estava possessa por raiva de uma maneira que jamais se encontrou. Sua mente jovial já estava bolando planos para que seu desejo insano fosse sanado.
As pessoas que passavam por ela no corredor a olhavam com espanto, como se ela fosse um dinossauro reencarnado de terno e gravata passeando pelos corredores infinitos da The Mutant’s. Rachel empurrava sem dó qualquer um que não desviasse dela.
A ruivinha não precisou procurar por muito tempo para encontrar o que queria: ela estava indo em sua direção, toda animada e sorridente, mas sem perceber o clima pesado em volta dela.
—RAAAACHEEEEL, VOCÊ NÃO VAI ACREDTAR! ACABEI DE ESBARRAR COM UM CARA SUPERGATO NA BIBLIOTECA E... Credo! — Disse a outra ao se aproximar, arregalando os olhos e a olhando com nojo. — desse jeito você vai ficar com muitas rugas, Chel.
—Não tenho tempo para brincadeiras, Ca. Eu preciso da sua ajuda. –Disse Rachel, séria.
—Posso ver que, pelo seu semblante, a coisa é séria e vai ser pesada. — Comentou e, logo em seguida, a morena deixou escapulir um grande sorriso repleto de malicia. —Adoro isso. Vamos para o meu quarto, precisamos conversar melhor sobre esse assunto.
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Cacau se jogou na cama e Rachel sentou-se ao lado dela, com um copo de chá de maracujá gelado em mãos — isso era uma das únicas coisas que a acalmava.
Cacau e Rachel eram da mesma sala. Cacau tinha a pele morena e os longos cabelos negros lhe caíam pelas costas como uma bênção dada por Deus de tão belos que eram. As pontas eram tingidas de azul. A morena era alta e magra, porém não tinha o corpo seco, mas malhado. Os olhos eram grandes e atentos, negros como carvão.
Rachel sorve um pouco do chá, sentindo os ombros ficarem leves e a barriga agradecer. Os vermelhos dos seus olhos já começavam a suavizar, voltando para o preto habitual.
—E você está estressada desse jeito por quê? —Cacau perguntou enquanto observava o semblante de aprovação da amiga pelo chá.
—Fui humilhada — respondeu Rachel — E pretendo me vingar. Ainda hoje.
—Ih, você sabe que isso pode dar uma treta legal, né? —A morena ficou preocupada, não queria e meter em confusões e queria menos ainda que a amiga se metesse. —Briga com alunos fora da aula de luta ainda não são lá aquelas coisas.
—Não quero brigar com um aluno.
—Se não é aluno, só pode ser funcionário — Cacau pensou em voz alta — e se meter em confusão com funcionários do colégio é pedir por expulsão. Você enlouqueceu Rachel? Eu entendo que você não goste de ser humilhada, ninguém gosta. Mas procurar confusão por causa disso é infantil.
—Não vim aqui para ouvir lição de moral. — Rachel respondeu rápida, cortado qualquer coisa que estivesse por ir da amiga. —Vim aqui pedir a sua ajuda e não aceito um não como resposta. Você vai e ajudar?
Se não quer ouvir um ‘não’ como resposta, porque pergunta?, pensou Cacau antes de responder qualquer coisa. Lidar com Rachel sempre fora complicado.
—E qual é o plano? —Ela e sentiu com medo quando percebeu que crescia um sorriso malicioso nos lábios da ruivinha.
Cacau percebeu que os olhos de Rachel estavam estranhos: Os pentagramas estavam maiores do que nunca, quase preenchendo toda a parte branca, e pulsavam numa coloração vermelha.
—Eu quero matar minha tutora de treino.
PRÓXIMO AO DRAGÃO.
May estava mordendo os lábios tão forte que já podia sentir o gosto de sangue em sua boca. Era a primeira vez que ela havia usado pra valer uma arma, a primeira vez que tinha disparado e acertado uma pessoa.
Escondida atrás de uma estalagmite, com o coração a mil por hora, a loura decidiu espiar a situação do rival. Ela observou que o soldado que havia acertado estava caído no chão e uma poça de sangue se formava em volta dele, mas ele se mexia e, logo, não estava morto. Os outros soldados estavam deixando ele para trás. Se ele perder muito sangue vai morrer, ela pensou, por minha causa. Eu vou ser uma assassina.
No inicio a ideia de atirar em alguém não parecia algo tão intenso assim, mas ao vivenciar May quase desistiu. Ela se perguntou como estariam os outros agora, se estavam se saindo bem em suas partes do plano, mas se assustou ao ver o soldado em que atirara mais cedo se arrastando. Ele olhou para cima.
E ela elou bem no fundo dos olhos dele, pasma e sem respiração.
Até que ele gritou.
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Jen endureceu o sangue, prendendo todos os soldados que iam o rastro, impedindo-os e irem ver o que tinha acontecido com o soldado que foi deixado para trás.
Os soldados ficaram desesperados com o que tinha acabado de acontecer. Conseguiam até se mover, mas era impossível dar um passo sequer, e isso os assustava — mais do que já estavam. Um dos solados tentou usar sua mutação para se livrar, mas mesmo batendo suas asas de mosca, era impossível desprender os pés do sangue. Outro demonstrou uma longa e grossa cauda amarronzada e começou a batê-la agressivamente contra a película escarlate, que não quebrou, sequer trincou.
Antes que mais um investisse contra a prisão, Jen se revelou, portando em mãos uma katana de sangue. Os soldados se assustaram, inicialmente, mas o susto se converteu em ódio ao perceberem que estava sendo presos por uma garotinha de sabe-se lá quantos anos.
—Parem de tentar se soltar! — Jen avisou antes que mais um tentasse — vocês não vão conseguir. E eu lançarei essa katana no pescoço do próximo que se mexer.
Os soldados se entreolharam e depois caíram na gargalhada. Alguns chegaram até a chorar de tanto rir do que a garotinha tinha falado.
—Qual é — Disse um deles, contendo o riso para que as palavras fossem entendidas — Aqui não é lugar pra uma criança como você ficar, sabia menininha? Aqui não é lugar para brincar de herói. — Jen apertou as mãos em vota da katana, cogitando fortemente a ideia de jogá-la no soldado. Ela sabia que sua ameaça provavelmente não surtiria efeito e que teria que cumpri-la para que a respeitassem. — Solte-nos, criança, e eu prometo que seremos bonzinhos com você.
“Infelizmente, Jen, as pessoas não acreditam muito umas nas outras. Não até que elas tenham uma prova visual ou palpável. Sempre que prometer algo, não tarde em cumprir, Jen. Dê valor à suas palavras, dê valor si mesma. E só assim as pessoas vão aprender a te respeitar.” A garota lembrou-se de Lipe, seu primo mais velho que a ensinara tudo o que ela sabia sobre lutas. Jen sentia falta dele, dos ensinamentos e dos diálogos deles, principalmente agora, que estava podo em prática tudo o que aprendera.
—Eu não sou uma garotinha — murmurou enquanto olhava para o chão e num volume tão baixo que pôde escutar um “o quê?” vindo de um dos soldados. — EU NÃO SOU UMA GAROTINHA! — A garota mirou no soldado e lançou, com força, raiva e determinação, a katana.
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Teny e Kentin se arrastaram até May, para ver o que tinha acontecido com ela, e –por sorte— ela estava bem. E estava acompanhada até.
May estava encostada na estalagmite, a arma jazia largada no chão um soldado estava em sua frente, agachado, apontando a arma para o cérebro da garota. May teve sorte dos dois aparecerem atrás do solado em silêncio, uma vez que ele sequer notou as novas companhias.
—Então você é a vadiazinha que me acertou, não é? — Rosnou o soldado — não me parece tão corajosa agora, querida.
O soldado se preparou para atirar, mas Kentin agiu mais rápido dando-lhe um chute na mão. Arma voou longe e o soldado olhou irado para o garoto.
—Então a putinha tá acompanhada? — Resmungou e cuspiu no rosto de Kentin. — O que vocês pensam que são? Super-heróis? Os X-Mens? Não sei por que estão aqui, pirralhos, mas vocês estão brincando com a vida e ela não gosta de quem faz isso. Se eu fosse vo— e o soldado nunca completou e nunca chegaria ou chegará a completar sua frase. Foi impedido pelo fogo que lhe cobriu o corpo e levou sua vida para longe.
May olhou horrorizada para o corpo e depois para Teny, Kentin fez a mesma coisa.
—Acho que o efeito da droga está passando... — Comentou Teny.
COLÉGIO THE MUTANTS
—Você pode simplesmente parar de ir. Sumir do mapa desse colégio. — Sugeriu Yumo, sem dar muita bola para o assunto bobo do amigo.
—Não é tão simples assim — focou K— ele não é qualquer aluno, já percebi isso. Você percebe só de vê-lo. Só dele tweetar em seu twitter uma foto minha com a legenda “encontrem esse garoto” não dou dois segundo para ser preso por um batalhão de fãs dele.
Yumo revirou os olhos. Não aguentava mais o desespero ridículo do amigo. Estudar na biblioteca era mil vezes melhor.
—Yumo. Você. Não. Tá. Ajudando!
—Posso ser sincero? —Ele olhou fundo nos olhos do parceiro, como sempre fez quando ia falar algo importante que toaria a alma do outro.
—Mas é claro!
—Você entrou nessa e, se não tem como escapar, vai ficar nessa até acabar. —Disse por fim, observando o outro fiar vermelho como sangue.
—Qual é! Estou te pedido ajuda, você não pode simplesmente falar qualquer coisa que tire a responsabilidade das suas costas.
—O que, exatamente, você quer que eu faça? Eu já te disse para falar comigo antes de fazer qualquer coisa, pois sempre que você faz algo em me consultar, dá merda.
Kakaroto se jogou de costas na cama, com a mão sobre os olhos. A mente estava um turbilhão, mas uma frase parecia submergir e se destacar “Você é um idiota”.
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—Esse é o seu plano, Chel? – Cacau levantou da cama, observando a amiga com olhos ansiosos.
A amiga assentiu com a cabeça, somente.
—E você sabe onde encontrar ela?
—Preciso da sua ajuda nessa parte também. Eu... Nós precisamos pegar um mapa da escola, que mostre não só as áreas que podemos ir, como todos os cantos do colégio.
—E onde você acha que vamos encontrar isso?
—Biblioteca, na seção que só os funcionários podem pegar.
—E se, por um caso, não houver nada lá? — Cacau interrogou. Garota adorava saber os mínimos detalhes de tudo o que iria fazer, pois não gostava do acaso. Achava eu isso era coisa para as pessoas que não davam total importância pra tudo.
—Aí nós vamos ter que invadir a sala da diretora.
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