The Mutants - O Dragão Branco
16 Capítulo Dezesseis
Notas iniciais
—SE VOCÊS NÃO ME SOLTAREM EU VOU CAÇAR VOCÊS ATÉ O INFERNO! —Berrou May enquanto se debatia inutilmente. Ela já tinha tentado usar a sua mutação, mas tinha sido drogada e isso a impedia. Jogaram-na juntamente com Ken e o outro garoto numa gaiola pequena, que os forçava a permanecerem sentados. — DROGA!
Kentin olhou para ela e sorriu, ele não iria falar nada, pois não sabia o que dizer. o garoto não podia imaginar o que seria deles daqui para frente.
—Precisamos sair daqui, Kentin! — Disse May desesperada — eu não vou me dar por vencida.
—Eu também não, May, mas não podemos fazer nada por enquanto. Não há por que gastar sua energia, apenas relaxe para usarmos na hora certa.
—Eu vou cortar fora a cabeça dessa mulher! Eu prometo! — May cerrou os dentes enquanto olhava com ódio para fora da cela. Se não fosse a droga, as barras já teriam derretido de tão complicada que estava se tornando a situação.
—E esse garoto? Ele está morto? — Kentin cutucou a barriga do garoto, que se moveu dando-lhes a resposta. — Ei! Acorda! — Ele sacudiu o menino até que ele abrisse os olhos.
O garoto empurrou Kentin e se afastou bruscamente, alternando o olhar de Ken para May e vice-versa.
—Quem são vocês? O que fizeram comigo? — Perguntou assustado.
—Calma... Calma — Ken demonstrou que seus braços também estavam presos, que eles estavam na mesma situação. — Meu nome é Kentin, essa é Miley. Nós também fomos capturados.
—Por que estão por aqui? — O menino ainda estava desconfiado de ambos.
Kentin não sabia se podia contar para qualquer um sobre a missão, mas não se importou com isso.
—Fomos enviados numa missão. — Disse primeiramente olhando para May, para ver se podia prosseguir. — Precisamos capturar o Dragão antes deles...
—Ah... Normal. — O olhar do garoto suavizou. — Não são os primeiros que veem pra cá com esse objetivo.
Kentin olhou preocupado para May. Será que esse garoto era, de fato, o Dragão? Como iriam captura-lo? Era só mais uma criança com a mesma idade deles!
—o que foi? — Perguntou o garoto ao ver a suspeita troca de olhares entre os outros. — Ah e meu nome é Teny, prazer!
—Teny, não é? — May perguntou e o garoto assentiu com a cabeça. — O que você sabe sobre o Dragão?
O garoto riu.
—Não sou ele, galera, podem ficar tranquilos quanto a isso! — essa frase fez com que os ombros de Ken se relaxassem e que o olhar de May suavizasse. — Sei onde ele está e exatamente como ele é, afinal, não sou ele, mas...
—Mas? — Ambos tinham passado de preocupados para curiosos.
— Mas eu vivi com ele por bastante tempo. — Disse o garoto, sorrindo. Não havia motivo para se envergonhar disso — foi ele quem me criou.
Os olhos de Ken cresceram e brilharam.
—Você foi criado por um dragão? — Ken esbanjava excitação — mano, que legal!
May estranhou muito esse fato. Como é que um dragão poderia cuidar de um humano? Os humanos tinham corpos delicados e um dragão não precisaria de mais do que um bater de asas para mandar alguém pra longe.
—Ele te criou? — May chegou mais perto para não precisar gritar enquanto falava, o quanto mais baixo o volume de suas vozes, melhor para eles. — Tipo... Ensinou a falar e a andar e tudo o mais?
—Sim. — O garoto respondeu com simplicidade, mas tudo isso ainda parecia muito estranho para May.
—Mas por que é que ele faria isso?
—Bem... Nós morávamos no oriente com os humanos, mas acabou que nosso pai não quis mais a gente por perto, então decidiu nos matar. Assim que meu irmão soube, ele me pegou e me trouxe para cá. Eu ainda era pequeno, estava aprendendo a falar. Ele me ensinou tudo o que sei hoje em dia.
—SEU IRMÃO? — Ken e May se surpreenderam com a revelação do garoto.
—Isso quer dizer que... O dragão... É um ser humano? — May perguntou.
—Sim, essa é a mutação do meu irmão. — O garoto parecia estar falando coisas óbvias. — Nunca entendi muito bem o porquê de sempre estarem procurando ele...
May afastou Ken do garoto e começaram a cochichar:
—Ok, Kentin, nós estamos com o irmão do dragão... Isso é fantástico!
—SIM! Eu sequer imaginei que o dragão fosse ser um mutante como nós! — Kentin expôs — E, se formos levar na lógica, podemos ter dado sorte e encontrado dois selos com uma cajadada só!
Os olhos de May brilharam, ela jamais teria pensado nisso — ela tinha que admitir que Kentin surpreendeu-a com a sua incrível capacidade (que estava oculta até então).
—E nós vamos deixar a Trícia feliz! — a loira quase deu pequenos pulinhos, mas antes que o fizesse se lembrou de que estava numa gaiola e que provavelmente bateria a cabeça.
—Agora nós só precisamos fazer ele nos falar onde o dragão está...
—E capturar os dois!
—Mas antes precisamos encontrar um jeito de sair daqui. — Disse Teny, assustando os outros dois.
—Desde quando você está ouvindo? — May ficou estressada.
—Não faz muito tempo...
COLÉGIO THE MUTANTS
Yumo já estava melhor: os ferimentos de suas costas já estavam cicatrizando — o que era incrível, já que os cortes eram bem profundos — e logo ele poderia frequentar as “Aulas Particulares De Como Sobreviver Em Terra Livre” (nome dado por K sobre as aulas que Meltran estava lecionando para os três).
Não demorou muito para que K chegasse à classe, mas o garoto estava atrasado — coisa que não era nada normal.
—O que aconteceu? — perguntou quando viu que o menino estava ofegante e suado.
—Você não sabe... — K parou para respirar um pouco antes de prosseguir.
—Não mesmo...
—Vou começar a treinar para poder aperfeiçoar a minha mutação, logo não precisarei mais pensar duas vezes antes de usar minhas habilidades! — Disse K com brilho nos olhos. Seu punho estava fechado e levantado para cima, como se ele tivesse acabado de conseguir algo glorioso.
—Isso é realmente muito bom! — Yumo alegrou-se pelo amigo.
—Mas tem um porém...
—Iih, já vem coisa ruim por aí... — Previu o moreno.
—Exato. O meu treinador quer que eu faça... Algo... Em troca de ele me treinar... — Yumo percebeu que alguma coisa estava muito suspeita sobre o assunto. — Ele quer que eu preste alguns serviços para ele...
—SEXUAIS? — Yumo se espantou, ficou pasmo e sua alma quase saiu do corpo.
—Não! — Protestou K mais vermelho do que um tomate. — Ele quer que eu faça favores normais... Tipo... Suas tarefas, que eu lave suas roupas, limpe o quarto...
—Você vai ser uma empregada de alguém que nem conhece só para poder aperfeiçoar a sua mutação? — Yumo ergueu uma de suas sobrancelhas, estranhando totalmente o seu amigo. É como se eles não se conhecessem há tanto tempo.
—Eu não vejo desse jeito... Eu...
—Por que você não vê se a Meltran sabe algo a respeito? Ela poderia te ensinar e você não seria a empregadinha dela...
K ficou com um pouco de raiva do amigo, por estar caçoando dele e não o apoiando.
—Agora já é tarde demais.
BASE INIMIGA, PRÓXIMO A BOCA DO VULCÃO.
—Ora, ora — Disse a mulher de antes se agachando para poder ver melhor as crianças — vejo que minhas encrencas acordaram...
— O que você acha de nos soltar, hein? — May estava arrisca, porém precisava encarar com peito cheio — não se sente mal por prender crianças?
A moça riu.
—Se eu fosse me sentir mal por alguma coisa, certamente não seria por algo bobo como isso. — Disse dando de ombros — E cá entre nós, não vou cogitar a ideia de soltar vocês. Se vocês estão por aqui é porque possuem o mesmo objetivo que eu. Mas diferentemente da maioria: eu nunca falho.
—Não falha? Então por que tem que nos prender aqui? Está se sentindo ameaçada?
—Não. Não vou cair em seus joguinhos pré-escolares. Se eu os prendi aqui é porque não quero receber a responsabilidade por ter machucado crianças inúteis que não sabem onde estão se metendo!
May estava cansada de discutir, ela nunca fora chegada nessas coisas. Sempre optou pela agressão física, não verbal. Porém agora além de presa estava drogada e não podia usar suas mutações a seu favor.
—O que é que você fez com a gente? — Kentin perguntou, referindo-se a droga.
— Usei algo totalmente necessário para que vocês não ficassem tomando todo o meu precioso tempo. — Respondeu rispidamente.
—Você nos drogou! — Acusou May com raiva.
—Talvez eu até tenha feito isso, mas entendam: é para o bem de vocês e para o meu bem. Caso vocês atrapalhem demais os meus planos, terei que mata-los. Não vou levar bronca dos meus superiores por culpa de três crianças enxeridas. — Ela se moveu um pouco para ficar mais confortável. — Enfim, eu não tenho o dia todo para gastar aqui com vocês. Estão vendo aquele homem? — Ela apontou para um dos seus soldados que estava parado na porta, virado para eles. — Caso tenham fome é só chama-lo.
Ela se levantou e saiu, deixando que as três crianças ficassem alguns segundos encarando o soldado. May estava transbordando raiva. Precisava fazer com que o nariz daquela moça ficasse fora de linha em seu rosto. Kentin se preocupou com Jen e com Trícia, Ian e Fernando. A amiga não dava indícios de vida, e talvez até estivesse contando com eles para que a salvasse! E podia imaginar Trícia marchando com todo um exército para cima de todos eles e acabando com a confusão em questão de segundos, Kentin sentia muito medo da morena.
—O que vamos fazer pra sair daqui? — Perguntou May esperando uma resposta de Teny, que já vivia ali por mais tempo. — Você não pode simplesmente chamar o seu irmão pra vir te resgatar?
—Não é assim tão simples. — Ele coçou a cabeça — Ele me disse uma vez que eu deveria aprender a me proteger sozinho e que qualquer enrascada em que eu me metesse era problema meu e o dever não era de ninguém a não ser da minha pessoa. Por isso, desde sempre aprendi a me virar sozinho, mas só agora que vieram pessoas com drogas que nos impede de usar os poderes...
—Mas que irmão mais chato! Até os meus que são sistemáticos são melhores! — Murmurou May.
—Por quanto tempo será que faz efeito? — Perguntou Kentin percebendo que nenhum deles tinha pensado nisso até então.
—Não faço ideia, mas certamente virão com a reposição antes que essa primeira dose perca o efeito. — a loira respondeu preocupada.
COLÉGIO THE MUTANTS
—Agora leve essa caixa para aquele canto! — Indicou DeFiore com o dedo, enquanto observava K cumprir todas as suas ordens como se fosse uma máquina. O maior soava e estava cansado demais, mas não tinha soltado sequer um pio de reclamação, o que impressionou o louro (que faz Kakaroto mudar os móveis do quarto três vezes consecutivas) — HM... Não gostei muito, acho que prefiro como estava no começo de tudo! — Disse com desdém assim que o novo escravo acabou o serviço.
Após arrumar o quarto para o seu “modo original” o maior caiu duro no chão. Não tinha mais forças para continuar e sequer para sair do dormitório de Louis e ir para o seu.
—O que pensa que está fazendo? — O louro perguntou irritado.
—Descansando.
—Você só poderá descansar após se alongar, ou todo esse trabalho não surtirá efeito. — Disse batendo as palmas. —Vamos. Levante e se alongue!
+++
Kakaroto caiu morto em sua cama confortável — que parecia ser o paraíso por qual todo ser humano deseja repousar eternamente.
Yumo achou graça ao ver o estado do amigo.
—Não vai se lavar? — Perguntou, sem sequer tirar a atenção do que estivesse fazendo no celular.
—Eu acordo mais cedo amanhã e tomo banho antes de ir para a aula! — Resmungou o outro.
—E hoje?
—O que tem hoje? — Kakaroto mudou sua posição em segundos. Seus olhos estavam esbugalhados de tanta surpresa.
—Temos treino hoje!
—AH MEU DEUS! EU NÃO AGUENTO MAIS SOFRER! — Clamou por misericórdia.
—Foi você quem escolheu ir à onda desse cara aí, agora aguenta! — Protestou o outro.
—Diga a Meltran que eu treinei mais cedo, ela vai entender... Eu tenho certeza!
—Não cara. Você tem que ir! O seu corpo se adapta depois de alguns dias repetindo isso. —Yumo pensou em algo melhor para falar, ao ver que as palavras não fizeram efeito... — Não quer surpreender Jen quando ela voltar?
Isso fez com que cada pelo de Kakaroto se levantasse. Ele mal imaginou diversas cenas com a menor e já se sentia novinho em folha. Independentemente de qual seria o esforço, se fosse por Jen ele faria.
+++
Rachel parecia mais elétrica do que nunca e a gravidade da sala parecia muito pior para Kakaroto. Yumo já estava se adaptando, então não via maiores problemas em nada.
—Hoje eu q-quero testar algo d-diferente. — Disse Meltran hesitando costumeiramente em algumas palavras. No início Kakaroto se irritava bastante come essa mania, mas agora já acostumara e nem ouvia mais os gaguejos. — O-o que vo-vocês acham de l-lutarem contra m-mim?
Rachel abriu um sorriso malicioso e repleto de escárnio.
—Contra você? — cuspiu ironicamente as palavras, analisando a tutora de cima a baixo. — Quero ver como você se sairia numa luta, já que pensei que você jamais havia participado de uma. Quero ser a primeira.
Os garotos se distanciaram e Kakaroto se sentou no chão. O pré-treino havia acabado com qualquer disposição que o garoto possa ter.
—Não pense que só porque você é estranha desse jeito que vou pegar leve com você! — Esclareceu Rachel antes de partir para cima.
Era para ser uma mera ameaça, Rachel tinha certeza que a professora iria recuar e tentar proteger o corpo pondo os braços para frente, mas não foi isso o que aconteceu. A ruiva foi surpreendida quando Meltran pegou firme e a puxou pelos cabelos — Rachel torceu para que seu coro cabeludo não saísse do lugar — jogando-a contra a parede.
A mais nova sujou sua roupa e o chão de sangue, mas aquele típico sorriso malicioso ainda decorava o seu rosto. Os pentagramas em seus olhos estavam maiores do que nunca — era como se ambos implorassem pela vitória. A garota correu novamente com o punho fechado, mas sua intenção não era desferir um soco. Um pentagrama médio foi criado e ficou planando em cima de sua mão e, quando mais perto de Meltran ela se aproximava, mais rápido o pentagrama girava.
Meltran não se desesperou, só colocou a mão para frente, expondo sua palma que foi tudo o que precisou para parar o pentagrama e o ataque da garota. A coluna curva da professora se endireitou e ela demonstrou-se maior do que Rachel. Os cabelos freezados passaram a aceitar a gravidade, caindo e alisando magicamente. Rachel não sabia se estava sonhando ou se estava, realmente, presenciando ao vivo a metamorfose de uma pessoa. As finas pernas de Meltran tornaram-se malhadas e potentes. Rachel soube disso quando levou um chute na barriga que a jogou involuntariamente para o lado, forçando-a a cuspir mais sangue.
Os pulmões da garota já não tinham mais a mesma eficiência em conseguir gás oxigênio e ela estava mais do que cansada, mas Meltran não se importava com isso. Socou-a na barriga e depois desenhou uma meia lua com a perna, levando a cabeça da rival direto para o chão. Rachel tinha se arrependido de ter aceitado a proposta de primeira, mas já era tarde demais, seu nariz já estava quebrado.
PRÓXIMO AO DRAGÃO.
Jen pôde contemplar uma tênue luz que revelava fitas de areia que perambulavam por ali. As tochas atrás de si apagaram-se sozinhas e as da frente acenderam, mostrando uma minúscula escada. A garota subiu os degraus de dois em dois para que não caísse. Quando chegou ao último degrau, viu que havia uma pedra que tapava boa parte da saída e que era do outro lado que a iluminação vinha. Usou um pouco de sangue para poder empurrar melhor a rocha e saiu da caverna.
Jen olhou em volta e viu que havia saído de uma estalagmite e estranhou ao ver que havia mais como aquele, mas que só havia uma única saída. Não demorou muito para perceber que havia mais pessoas ali, então tomou cuidado para que não fosse vista. A garota olhou para o céu e viu que estava prestes a escurecer. “Eles já devem estar perto de capturar o dragão...” Pensou em seus amigos. “mas quem raios são essas pessoas de cinza?”.
Jen se moveu mais um pouco até chegar ao limite — as estalagmites davam lugar a uma clareira, que dava destaque a uma construção onde entrava e saía vários soldados de cinza. Jen viu uma moça com um rosto rígido sair de lá estressada, brigando com alguns soldados e sendo seguida por mais uns dez. Esperou cinco minutos para ter a confirmação de que, realmente, não havia mais soldados no local. Jen saiu de seu esconderijo com cautela e foi andando levemente até a porta. Recuou dois passos quando viu o guarda, mas não se daria por vencida.
Criou uma lança de sangue e mandou direto para a nuca dele, com força, fazendo-o cair no chão. Jen entrou com mais cuidado ainda na casa, olhando para todos os lados procurando por qualquer coisa: câmeras, armas, comida, PSP ou até mesmo pelo Dragão Branco, mas tudo o que encontrou foram várias cadeiras vazias frente a monitores.
A menina congelou o corpo quando ouviu algumas pessoas discutindo, mas logo percebeu que havia algo de familiar nas vozes. Andou empolgadamente até o local em que as pessoas discutiam e parou quando viu seus amigos presos numa gaiola.
—Jen?! — May disse apavorada.
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