The Mutants - Interativa
1 Por onde anda a sua educação?
Notas iniciais
A mala estava cheia, mas não era ela que estava sobrecarregada. Quando meus pais pretendiam me dar a notícia? Ah, é... Nunca. Mas não foi o que eles me garatiram na noite anterior. Eu só queria era encontrar logo os dormitórios para que eu pudesse enfim, descansar. Até porquê, já havia perdido a conta de quantas escadas havia subido até aqui e ainda não havia encontrado o lugar certo. A notícia boa: os dormitórios eram escolhidos por nós mesmos, ordem de chegada. A notícia ruim: uma vez escolhido, impossível trocar.
As paredes da academia eram Salmão, apesar de serem brancas por fora. Chegava a dar dor de cabeça mesmo parecendo tudo tão... Luxuoso. O lugar além do mais estava um caos. Gente para todo o lado, andavam apressadas e desciam e subiam correndo como robôs.
– Ei. Ei, ei, ei! — segurei um garoto que passava por ali, pelo braço. Estávamos aos pés de outro lance de ecadas quando ele me olhou irritado.
– O que você quer?
– Você poderia me dizer onde ficam os dormitórios?
Antes irritado, agora tinha um sorriso irônico. Respirei fundo. Onde estava a educação das pessoas daquele lugar? Sairam para dar uma volta? Eu só estava pedindo uma informação.
Ele não precisou me responder. Uma garota se aproximou de nós e me desprendeu dele. Ela não parecia muito feliz e estava tão apressada quanto ele.
– Novatos. — disse rolando os olhos com sarcasmo.
Certo, eu queria socar a cara dela. Mas me segurei graças a uma voz que dançava em minha cabeça dizendo que esse era só o primeiro dia e eu tinha que me comportar.
– Dormitórios... — repeti com a esperança de finalmente ganhar a informação.
– Não é da nossa conta. — ela disse por fim — Você tem olhos, ouvidos, duas pernas e uma voz irritante. Procure você mesma.
Não havia nada que me segurasse agora. Eu ia mesmo socar a cara dela. Mas antes mesmo que eu tivesse reação ela já estava longe puxando o garoto com ela.
– Tudo bem, tudo bem. — resmunguei baixinho — Vai ficar tudo bem.
Mas não ficaria. Do jeito que o barco da minha vida navegara até agora, estava mais do que propício a afundar.
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