Notas iniciais
Minha parte, povo!
Boa leitura!

Querido Diário...

Estávamos arrumando tudo para o show de Vocaloid...E todo mundo do time, mas todo mundo mesmo, vai pra lá! Isso não é bacana? Não há nada melhor do que estar se divertindo, junto com seus amigos... E claro, do lado da pessoa que eu mais amo. Tudo está correndo bem, mas...

Ainda estou triste por dentro. Sabe, aquela história da minha mãe...Não esperava que isso fosse acontecer...Mesmo depois das palavras do Shuya, ainda continuo mal...Espero que isso passe...Se vai passar, eu não sei, essa notícia doeu muito em mim... Mas eu tenho esperanças...De que tudo vai ficar bem novamente.

O pessoal decidiu que iria se encontrar na entrada do show as oito horas. Assim, nós teríamos tempo pra se arrumar.

Todos foram se despedindo aos poucos de mim e da Aiko-san. Mas... Quando chegou a vez do Kazemaru-kun...Foi meio estranho. Ele olhava pra mim de uma maneira tão diferente...Porém preocupada.

- Hana-chan...

- Hey, Kazemaru-kun, o que houve?

- Parece que você não tá bem... É por causa da sua mãe, né?

- Digamos que sim, mas...

Do nada, ele me abraçou.

- Sinto muito por ela, Hanakichi.

Confesso que eu não esperava por isso. Ele é só um bom amigo pra mim, mas...Aquele abraço...Parecia um abraço de adeus. Que estranho... Bem, mas poderia ser por outra coisa. Fora dos treinos do time, a gente quase não se falava...Talvez por causa do Fubuki-kun, que digamos, é um pouco ciumento... Ele não gostava de me ver perto do Kazemaru-kun...

Não posso culpá-lo por isso. Afinal de contas, eu também tenho uma parcela de culpa nisso.

Sem muita opção, retribuí o abraço de meu amigo, o que deixou o Fubuki-kun enciumado, lógico. Pude ver algumas veinhas saltando na testa dele. Confesso que me deu vontade de rir, mas eu não o fiz.

Depois disso, ele foi embora. O Fubuki-kun foi logo atrás, e eu acho que se ele não fosse assim, muito na dele, quebraria a cara do Kazemaru na saída... Enfim.

Logo estávamos sozinhas em casa, eu e a Aiko-san. Eu estava com muito sono. E precisava acordar cedo. Não só por causa dos preparativos para o show, mas para cuidar das minhas lindas flores. Acha que eu ia esquecer delas? Claro que não. As flores são uma parte de mim...

Desabei na cama, e sequer falei com a Aiko-san, mas não por ignorância. Mas sim porque o cansaço era grande, mas muito grande mesmo. Espero que ela entenda...

Antes de cair em um sono profundo, ainda pude ouvir a voz da Aiko-san.

- Oyasumi Nasai, Hanne-chan.

Logo a casa ficou em silêncio. Nós estávamos dormindo tranquilamente...Até outro pesadelo me atormentar.

Mas dessa vez, ele era diferente...Eu estava em um jardim. Mas era um lugar muito bonito mesmo. O dia estava ensolarado, e eu caminhava com uma certa calmaria por entre as flores... Até que...

Eu vejo a minha mãe ao longe. E ela chamava por mim.

- Hanakichi....Hanakichi...

E quando a vi, comecei a correr em sua direção, porém, quanto mais rápido eu corria, mais ela se afastava de mim...Eu até tentei gritar, mas ela não me escutava...

- OKAA-SAN! NÃO ME DEIXE!!!

Logo, a luz do dia sumiu, dando lugar a uma escuridão terrível, abominante. As flores viraram espinhos, e minha mãe...Sumia cada vez mais rápido... E eu continuava correndo e correndo...Teve uma hora, em que meu corpo não suportava mais nada. Caí sobre os espinhos, me machucando completamente. E ainda chamava por ela.

- OKAA-SAN, POR FAVOR, NÃO VÁ! OKAA-SAAAAAN!!!!

Depois disso, eu me acordei, ainda chorando muito. Fiquei sentada na cama, ainda com lágrimas caindo de meus olhos. Eu estava ofegante, parecia que me coração ia sair pela boca...Levei minhas mãos ao meu rosto, que já estava ficando arroxeado de tanto chorar...E minhas lágrimas não se cessavam. Eu tive outro pesadelo...E não sabia até quando aquilo iria me atormentar.

A Aiko-san se assutou, logicamente, com os meus gritos. Foi até mim, e se sentou do meu lado, na cama.

- Hanne-chan...

Ela não aguentou me ver daquela maneira. Então ela me abraçou, numa forma de confortar a minha dor...

- Você...Teve outro pesadelo, não foi...?

- Sim...

- Mesmo depois de tudo aquilo...Você ainda está mal, não é...?

- Me desculpe...

- Você não tem que me pedir desculpas, Hanne-chan. É difícil o que você está passando, eu sei.

- Obrigada, Aiko-san.

Depois dessas palavras, minhas lágrimas meio que se cessaram. Sabia que podia contar com ela.

Eram 5 da manhã, e eu tinha que fazer o que eu sempre faço: Cuidar das minhas flores. Respirei fundo e me levantei. Calcei minhas sandálias, peguei o regador que estava em cima de uma pequena mesa, e fui para a frente da minha casa, onde estava meu jardim.

Estava a regar as minhas flores, quando vejo algo estranho. Havia alguma coisa na caixa de correio. Claro, eu fui até lá para ver o que era. Chamei a Aiko-san para ver se era para ela...

- Aiko-san! Você estava esperando alguma coisa do correio?

- Que eu saiba não. Porque? — Ouço a voz dela de longe.

- Por nada...

Já que ela não estava esperando nada, e nem eu, resolvi ver de quem era aquela encomenda. E me surpreendi quando descobri.

"Para: Yumene Hanakichi."

Eu vi que era um pequeno pacote, e já que estava endereçado a mim, abri o mais rápido que pude. Era tão esquisito, não estava escrito no pacote, quem mandou isso...

E o que estava dentro do pacote...

Era uma caixa de música, não muito grande, com um bilhete em cima. Primeiramente, li o mesmo que estava em cima da caixa.

"Saiba que eu nunca esquecerei de você, Hanakichi. Isso um dia já foi meu, e agora, estou entregando essa caixinha para você. Perto ou longe, você sempre será a minha querida, Pequena Flor dos Sonhos."

Aquilo não estava fazendo sentido pra mim. E as coisas ficaram mais complicadas, quando eu abri a caixa de música. O que começou a tocar...

Era a minha canção de ninar, "Sakura-Iro".

"Kawazoi ni saiteta
Sakura namiki wo
Tomo ni ikite yuku to
Futari de aruita
Sekai ni nomikomare
Hakidasarete mo
Tada soba ni itakute
Motto motto motto...."

Lágrimas caíram de meus olhos. Poderia ter sido a minha mãe, quem me mandou esse presente...Mas se ela já morreu, como isso é possível? Aquilo estava perturbando a minha mente. E eu não sabia o que fazer naquele momento. A única coisa que me veio a mente...Foi a imagem de minha mãe, cantando aquela canção.

Diário...Prometo que venho escrever aqui depois. Afinal, sei que posso contar com você também, para desabafar...

Me espera, tá? Logo eu voltarei!

Kisu.

De sua amiga, Hanakichi Shirou.

Notas finais
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