Depois daquela cena horrível eu decidi me acalmar, respirei fundo e espantei os meninos da minha mesa, ouvi algumas reclamações vindas do Ricardo mas apenas mandei ele tomar no cú mentalmente.

A professora mandou todo mundo sentar em seus lugares e o Eduardo se sentou bem atrás da Alice.

– Alunos, eu quero que vocês façam um trabalho pra mim em grupo, o prazo de entrega é dia 30, os grupos tem que ter no mínimo 6 pessoas.

Dei um sorriso vitorioso, esperei o comando da professora pra poder se levantar e fazer os grupos, e fui correndo pra mesa da Alice (Que ficava atrás da carteira da Allana e na frente da carteira do Eduardo).

– Oi meninas — Forcei o sorriso.

– Oi — Disseram sem nenhum animo.

– Oi, e você quem é? — Perguntei me referindo ao garoto que estava atrás dela.

– Hã... Oi — Disse dando um sorriso, eca, que sorriso feio, os dentes dele da frente eram enormes e alguns eram encavalados, desde que ele não ficasse abrindo a boca pra nada, nosso relacionamento iria seguir muito bem.

– O que você quer aqui Jéssica? — Perguntou Alice interrompendo o nosso momento.

– Ah, já ia me esquecendo. A professora pediu grupo de 6, vamos eu, você, a Allana, o Eduardo, o Vinicius e o Ricardo.

– É, podemos ir de casais — Diz Allana.

– Casais?

– É, a Lili tá namorando com o Edu.

– Lili? Edu?

– Ai Jéssica, Lili é a Alice e Edu é o Eduardo. Dãã.

O quê? Nossa mas a Alice é uma puta mesmo, o menino nem chegou na escola direito e ela já tá pegando?

– Isso é verdade Alice? — Perguntei com a pior cara possível.

– É sim Jéssica — Respondeu sorrindo sarcástica.

– Nossa, não faz nem meia hora que o guri chegou na escola e tu já tá pegando?

– Olha aqui Jéssica, você não sabe o que a gente passou então não se mete.

– Nossa, me desculpa. Vai ser os "casais" ou não?

– Vai, avisa os meninos.

Sorri e soltei um piscar de olhos pro Eduardo sem que a Alice e a Allana vissem, ele sorriu meio constrangido e eu sai dali.

Em vez de ir pra minha mesa fui até a mesa do Vinicius.

– Vinicius — Disse entre os dentes — Trabalho de Ciências hoje na minha casa ás 15:00.

– Ih, não vai dar — Disse ele cruzando as pernas — Eu já combinei com os moleques e vamos pra casa do Wesley.

– Eu não perguntei! Você vai pra minha casa hoje e ponto final.

– Tá achando que manda em mim?

– Eu não acho que mando, eu tenho certeza disso. Fui eu que juntei você com a rolha de poço da Allana, eu posso muito bem separar vocês dois.

– Não chama a Allana assim.

– Eu chamo como eu quiser Vinicius, você não sabe do que eu sou capaz, se sabe o que é bom pra sua namorada, eu acho melhor aparecer na minha casa hoje as 15:00, porque... sei lá, acidentes acontecem — Sorri maldosa.

Vinicius começou a suar frio e concordou com a cabeça, eu prossegui:

– Eu tenho um plano pra hoje a tarde e você vai me ajudar com ele.

– O que eu tenho que fazer?

– Vamos pra minha casa e fazer um trabalho normalmente, quando eu fizer um sinal, você chama o Ricardo pra fora de casa dizendo que precisa conversar com ele, inventa um assunto grande porque eu preciso de tempo.

– E o que eu ganho com isso?

– O que você ganha fazendo eu não sei, mas se não fazer ganha uma surra.

Ele engoliu seco e eu sai dali, finalmente sentando no meu lugar

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Já era 15:00 e na minha casa só estava o Ricardo e eu, a Allana e o bondinho dela ainda não haviam chegado.

Alguns minutos depois ouvi algumas batidas na porta, fui correndo atender e lá estava ele, Eduardo.

Ele estava lindo, parecendo um príncipe encantado, mas infelizmente não estava sozinho, ele levou a piranha da Alice junto com ele (E a elefanta da Allana com o namoradinho dela também).

– Entrem — Sorri pra todo mundo, mas quando foi a vez do Vinicius de entrar eu fiquei encarando ele, ele sorriu nervoso e entrou.

Sentamos em uma mesa de centro que tinha na sala, de um lado ficaram Allana Vinicius e Alice e do outro Ricardo, eu e Eduardo.

– E então? O que vamos fazer? — Perguntou Alice já tascando a mão nos biscoitinhos que eu tinha deixado ali em cima.

– Bom, eu ainda não sei, o que você acha Edu? — Perguntei olhando pra ele com a cabeça apoiada nas mãos.

Alice me encarou com a pior cara possível, e eu apenas sorria inocente.

– Bom — Disse ele coçando a nuca — Acho que seria legal fazermos uma redação falando sobre o Ancóneo, acho que ninguém pensou nessa parte e a professora mandou ser criativo.

– Nossa que ótima ideia, é uma parte ótima do corpo, quando vou pra academia sempre exercito na bicicleta.

– Bicicleta? — Perguntou Allana — O mula, o Ancóneo fica no braço e não nas pernas.

Eu fiquei vermelha de vergonha e todos começaram a rir da minha cara, inclusive o Eduardo, mas não exitei.

– Ah, eu me confundi, me explique melhor sobre isso Edu — Disse olhando para o Eduardo enquanto enrolava mechas do meu cabelo nos dedos.

Eduardo sorriu nervoso e começou a me explicar sobre essa parte do corpo.

– É... o Ancóneo se insere na face lateral do olécrano e auxilia na extensão do antebraço — Disse, ele fica tão fofo bancando o professor.

– Nossa, e pelo jeito você malha o seu Ancóneo né? — Disse passando a mão no seu braço.

Só pude ver a Alice me encarando, não só ela como todos que estavam ali, podiam não estar me encarando como ela, mas as caras deles também não eram nada boas.

Eduardo ficou vermelho de vergonha, parecia um pimentãozinho, que lindo.

Nós então prosseguimos com o trabalho, eu só ficava passando a mão nos cabelos do Eduardo, falando o quanto ele era lindo e etc. até que chegou uma hora que a Alice perdeu a paciência.

Ela se levantou da mesa e bateu com as mãos nela, a mesa tremeu e tudo que estava em cima dela também.

– Allana, posso falar com você? — Perguntou.

– Pode sim — Disse Allana se levantando e saindo dali junto de Alice.

Meu plano estava começando a dar certo, estalei os dedos e Vinicius percebendo o meu sinal começou a parte dele do plano.

– É... Ricardo, eu posso falar com você também? — Perguntou Vinicius.

– Pode cara — Respondeu Ricardo se levantando. Os dois foram pra cozinha.

Finalmente eu e meu querido estávamos a sós.

– É, Jéssica, não é melhor eu ir atrás da Alice ver o que ela tem? — Perguntou.

– Não Edu, se ela quisesse falar com você teria te chamado e não chamado a Allana, deve ser coisas de amigas mesmo.

– Tem certeza?

– Claro. Já que estamos aqui sozinhos que tal aproveitarmos um pouco?

– Como assim "aproveitar"?

– Ah, você sabe... — Fui me aproximando dele.

– Jéssica o que é que você...

Não deixei que ele terminasse de falar, o agarrei e dei um beijo nele.

Continua...

Notas finais
Nossa gente, essa Jéssica é muito galinha mesmo :o