The More Different Way To Be Happy.
6 Just a Dream
Passei a noite acordada, sem sono mesmo, porque? Por causa da culpa que eu estava sentindo, nada disso estaria acontecendo se não fosse por minha causa.
-Ei — uma voz sussurra me tirando dos meus pensamentos. — não consegue dormir?
-Não- era o mascarado- se você não percebeu, eu to numa espécie de jaula... Contra minha vontade.
-Olha, se eu deixar você sair promete não me bater?-afirmei com a cabeça
Ele abriu a porta e eu corri e lhe dei um abraço. PORQUE EU FIZ ISSO CARA? ELE ME SEQUESTROU, deve ser porque eu to carende+estranho+confusa+confusa.
-desculpa.-ele apenas me olhava.-foi sem querer, eu..sei lá.
-Não precisa se desculpar, foi estranho, mas foi um abraço. –riu
Ele puxou meu colchão pra o lado oposto ao dele,me deitei e lembro de ter ouvido ele sussurrar um ’boa noite’ antes de eu cair no sono.
Meu pai. Na minha frente. Era tudo que eu via, e por impulso eu corri para abraça-lo. Ou pensei que havia corrido, meus pés estavam grudados ao chão, eu não conseguia sair do lugar, tentava com todas as forças movimenta-los, mas algo os pendia ao concreto embaixo de mim. Quando olhei novamente para meu pai, tive medo, ele me olhava com pena, franzia as sobrancelhas e apertava os olhos, olhos assustadores, olhos azuis, extremamente azuis. “mas meu pai tem olhos castanhos” pensei, tentando entender o que estava acontecendo. Olhei rapidamente pro chão, que agora não existia mais, abaixo de mim havia apenas um branco terrível, assustador, mas meus pés continuavam presos a algo sólido, forte, e eu não conseguia mexe-los, pés aos quais eu já não via, mas sabiam que estavam embaixo de mim. Quando voltei a olhar para meu pai minha reação foi contraditória, quis correr para o lado contrario, quis fugir daquele lugar, com meus pés que já não existiam, eram apenas uma ilusão de meu consciente, aquele não era meu pai, seus cabelos eram castanhos claros, com raízes escuras, e seu rosto estava completamente sujo, manchas marrons cobriam quase toda sua pele, deixando-o com um aspecto nojento. Ele me olhava com um sorriso sarcástico no rosto, talvez com um pouco de ódio, ou alguma coisa do tipo, algo que eu não conseguia decifrar. Meu impulso de correr ficou maior e a vontade de me soltar me fazia querer pular naquela imensa branquidão, onde eu nunca mais veria ninguém, pra sempre. Esse pensamento me tirou todas as duvidas, olhei novamente naqueles olhos azuis, que me olhavam, agora assustados, com medo. Acho que vi naqueles olhos algo como dor, antes de pular na imensidão branca, por um segundo me senti livre, até cair num quarto, um quarto nojento e asqueroso, com apenas uma porta de entrada e saída, 4 paredes, um colchão e eu, era tudo que tinha naquele lugar. Olhei pra todos os lados, todos os lugares e não achei ninguém, nem nada. Agora meus pés já se moviam, mas eu não tinha pra onde ir, a porta era minha única chance de sair daquele lugar, não me custaria tentar, afinal, eu não tinha mais nada a perder, corri até a porta e tentei abrir, mas não tive sucesso, estava trancada, claro, como o imaginado. Não tinha mais o que fazer, apenas bater naquela coisa imunda de madeira e gritar até que alguém a abrisse. Bati nela e gritei pelo que pensei ser 30 minutos, até que minhas mãos já estavam inchadas e minhas cordas vocais estavam perfuradas e desgastadas. Desisti. Sentei no colchão e permaneci lá, deitada, pensando no que estava acontecendo, mas nada me passava na cabeça, nada, apenas o olhar do meu pai, sendo trocado por aqueles olhos azuis, e senti raiva. Era tudo que eu sentia, raiva e desprezo. Por tudo.
Um barulho irritante atrapalhou meus pensamentos e me fez levantar do colchão, na minha frente estava apenas a porta, aberta, e do outro lado dela estava meu pai, me olhando assustado. MEU PAI. EU PRECISAVA DELE MAIS QUE TUDO. Mas tive medo de me encontrar novamente com aquele olhar, aqueles olhos azuis. Mas não me aguentei, era meu pai, minha vida, tudo que eu tinha. Corri até ele de braços abertos e o abracei, ele retribuiu meu abraço. Comecei a soluçar em seu ombro, mas eu não sabia o motivo de estar chorando, tudo havia sumido de minha cabeça, e nenhuma lembrança me restava, a não ser minha vontade de chorar, chorei até não ter mais lágrimas disponíveis, mas ele permaneceu calado, apenas com os braços ao redor de mim. Quando já não aguentava mais chorar tirei as mãos do pescoço de meu pai e enxuguei os olhos, mas já não enxergava quase nada por conta das lágrimas. Olhei para meu pai, e a única coisa que consegui ver foram aqueles olhos azuis, acompanhados por uma voz que dizia:
- Porque garota tão bonita como você está chorando dessa forma?
E meus pés colaram no chão.
-ACORDA, CAFÉ DA MANHÃ, OU TU COME OU VAI PASSAR FOME O RESTO DO DIA.
-NIALL!?
-QUEM!?
-PUTA MERDA EU TAVA SONHANDO
-Com o Niall? – falou o mascarado dando ênfase no ‘Niall’
-Ah, é um cara ai – corei – ele meio que me ajudou e tal...ei seus olhos são azuis como os dele!
-É-é, eu tenho que dar um telefonema, já volto. – ele disse meio desconfortável sem parar com o contato visual, foi pra longe.
Cara, os olhos do mascarado eram tão azuis quando os do Niall, como eu queria que ele aparecesse aqui agora me oferecendo abrigo...na verdade, eu não queria não, queria estar em casa no meu quarto falando com o Shorter no telefone...MEU TELEFONE!
Levantei rapidamente e entrei na ‘gaiola’ meu celular tava lá, todo arranhado no chão, peguei rápido com esperança de que pudesse chamar ajuda a merda da operadora estava SEM SINAL, NOSSA COMO EU AMO ESSA VIDA.
Lá estava eu pulando e subindo em tudo tentando encontrar sinal até ouvir um riso.
-Acha mesmo que vai achar sinal aqui princesa? Sabe onde estamos?
-Para de rir, cê sabe que eu só quero ir pra casa...
-e ‘cê’ sabe que não pode.
-então já que vamos ficar aqui, nessa animação...qual seu nome?
-Não posso falar...-ele diz olhando pensativo pro chão e depois fixamente nos meus olhos.- me chame de..batman?!
-hahahhah ok, Batman.
Passamos a manhã\\tarde conversando ele disse que estávamos ‘no esconderijo do batman’ mais conhecida como floresta, ele nunca me deixava saber muito sobre ele, toda vez que eu estava quase descobrindo algo, ele mudava de assunto e assim por diante, rimos, contamos piadas, nem parecia que eu estava sendo mantida em cativeiro, na boa. Não podemos evitar de falar sobre o que estava acontecendo, ele disse que não queria estar fazendo isso comigo ou com minha família, mas ele tem uma divida com o seu ‘chefe’ e caso se recuse a ‘paga-la’ a família dele pode sofrer com isso, então ele estava sendo obrigado a fazer aquilo.
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