The Monster Inside Me
1 Time To Change
Notas iniciais
—Você nunca, nunca mudará. – a voz sombria invadiu seus ouvidos, pelo o que parecia ser a última vez. — Por mais que tente, esse é seu destino. E você sabe muito bem o que acontece com pessoas que tentam enganar o destino.
A garota respirou fundo, olhando para o monitor ao seu lado. Seus batimentos diminuíam cada vez mais. Fechou os olhos, tentando não encarar aquilo e… Ele.
—Por que diz isso? – Sussurrou, com a voz falhando aos poucos, a voz de alguém louco. Ele aproximou-se dela e fez um zombeteiro carinho em seu rosto, fazendo-a sentir a aspereza de sua pele.
—Ainda não entendeu? – Sussurrou, apertando seu soro. – Isso acaba quando eu quero.
Stef abriu os olhos, sentindo sua última lágrima cair?
—E você quer?
Ele sorriu cínico e abriu a boca para falar suas últimas palavras.
—----------------------------------------1 ano antes-------------------------------------------------
“A merda já está feita Jayer… Você fez suas escolhas, pois eu também fiz a minha. Penso que temos direito a…”.
O sono lhe fugira mais uma vez, fazendo-a reler a mensagem pela… Quinquagésima vez, talvez? Sua falta de sono, no entanto era consequência de dormir cedo. Gostava de reler a mensagem, mesmo que aquilo a destruísse por dentro.
Continuou relendo até o final. A parte onde ela acabava com tudo, com uma amizade longa por um motivo fútil.
Sentiu que uma lágrima iria se formar, mas a conteve. Já havia chorado demais para apenas uma vida.
“E alguém se importou com isso?”
Fechou os olhos, relembrando-se dos acontecimentos da semana. Nada do que havia feito dera certo, o que gerou ódio de uma das pessoas que mais amava.
A vontade de gritar crescia cada vez que ela pegava o telefone e relia aquela mensagem. Como disse, apenas para se maltratar.
Flashes da semana anterior passaram por sua mente. Queria ter feito tudo diferente se tivesse mais uma chance.
Queria, queria, queria.
Estava cansada de só querer e nunca fazer. Estes pensamentos rondavam sua cabeça enquanto a mesma digitava uma mensagem de desculpas. Decidira deixar o orgulho de lado, afinal ela era a culpada.
“Claro Stefanie, você sempre é a culpada… Já parou pra pensar que às vezes a educação nunca te leva ao perdão?”
Apertou o botão enviar, se odiando profundamente por isso. Por que tinha que ser tão educada? Por que não podia ser que nem todos os outros, que só se importavam com seus mundinhos e nunca olhavam para os outros?Por que sempre ela tinha que ser a querida, a bondosa, a que nunca se irritava, a doce e a meiga? Por que sempre tinha que se culpar?
Deitou-se novamente na cama largando o celular em qualquer lugar e fez sua lista mental do que faria se tivesse uma máquina do tempo. Possuía esse hábito desde que vira 17 Outra Vez com sua amiga, que ficara apenas concentrada no que Zac Efron fazia ou deixava de fazer. Ela tentou apenas ver o lado lógico da história, e imaginou que tudo aquilo fosse obra de uma máquina do tempo.
Um bipe foi ouvido em seu telefone, fazendo-a sentar e apertar o botão de início.
“Sua mensagem não foi enviada.”
Sua mensagem não foi enviada.
Sua mensagem não foi enviada.
Sorriu psicoticamente ao ler aquelas palavras, um sorriso involuntário, mas um sorriso.
“Essa é sua chance de mudar Stefanie. De ser quem você quer ser.”
Deu uma alta gargalhada, fazendo seu cachorro arranhar a porta de seu quarto e ouviu reclamações do quarto de seus pais, imaginando que teria uma bela briga com eles pela manhã. Só que desta vez, não se importou. Ao invés disso, começou a rir novamente. Rir o mais alto que conseguiu, alto o bastante para fazer os vizinhos ligarem reclamando.
Tudo que havia passado, ainda estava doendo. Ainda estava ferida, mas não iria ser importante ferir-se mais. A única forma de curar uma dor era através do sofrimento. Aprendera isso com a dor na própria pele.
Calçou seus chinelos e foi até o banheiro, trancando a porta logo em seguida. Ajoelhou-se perante a privada e fez o que deveria ser feito.
Ninguém iria se importar, ou perguntar se estava bem ou ao menos dizer vou te ajudar.
Aquela não era a realidade que vivia.
“E talvez nunca seja.”
Deu descarga e escovou os dentes, em uma tentativa de tirar o cheiro de vômito de sua boca e voltou para o quarto.
Seu sono havia magicamente voltado.
—-----------------------------------Dois meses depois. -------------------------------------------
— Stef? Stef? STEF? STEFANIE JAYER, SE VOCÊ NÃO OLHAR PRA MIM EU JURO QUE VOU JOGAR MAIONESE NA SUA CARA — Gritou dessa vez. A garota levantou os olhos sem demonstrar emoção nenhuma. Emoção. Stefanie já desconhecia essa palavra há uns bons dois meses. Motivos a fizeram estar assim, motivos que a faziam querer se matar.
Ou matar alguém.
Mas a dor daqueles dois meses mais a pior semana da sua vida a fizeram aprender como esconder suas emoções. Ou como não a ter. Estava funcionando, exceto por um pequeno detalhe.
— Sim? — Respondeu friamente a seu “amigo”, Luke. O mesmo revirou os olhos.
— Você vem ou não vem?
Stefanie lançou um sorriso e assentiu com a cabeça. Luke estendeu a mão para a garota. A mesma fingiu não ter notado este ato e os dois saíram da sala de aula, se direcionando ao ginásio.
Luke DeLittle era um garoto… Diferente. Sofreu muito na vida, mas conseguiu ver o lado bom dela quando começou a se ele mesmo. A diferença entre ele e Stef era simples: Ele sabia quem era.
Ela não fazia nem ideia.
— Você mudou muito nas férias Stef. — Começou Luke tirando-a de seus devaneios. — O que… Aconteceu? Foi à mensagem, aquela coisa que você não quer nos contar?
Stefanie lançou a ele seu melhor sorriso de “desculpas” e tocou sua mão no ombro do garoto, fazendo-o sorrir, como quem pensasse que era drama adolescente.
Tolo. Se ele sofresse tudo o que ela sofreu só sairia de casa a força.
— Desculpa Luke. Eu… Não sei o que anda acontecendo comigo. – Falou em um falso tom de decepção. — Vamos encontrar com as meninas?
Luke assentiu, convencendo a si mesmo que aquilo só deveria ser um problema adolescente de Stefanie.
Típico.
Avistaram Juliana e Hanna mexendo em seus respectivos celulares. Daiane não estava mais lá; para o desespero delas e a satisfação de Stefanie.
— Meninas! — Falou em um falso entusiasmo dando um beijo na bochecha de cada uma, as quais retribuíram o gesto. As férias inteiras Stef tentou encontrar um motivo para chamá-las de amigas, mas nenhuma delas ficou ao seu lado. Aliás, só voltaram a falar com ela quando a mesma assumiu a culpa, em uma tentativa de não perder a popularidade. Havia funcionado. As duas gostavam de Stef cada vez mais, porém ela as odiava cada vez que se lembrava daquelas férias.
— Como foi a viajem a Paris, Hanna? — Perguntou. Antes de tudo, Hanna era a melhor amiga que alguém poderia ter. E esse alguém era Stef. As duas faziam tudo junto; compras, viagens, festas… Até iriam para Paris juntas, mas os pais de Stef quiseram a punir por ter estourado seu cartão de crédito. Porém, quando aquela semana aconteceu, Hanna a culpou por tudo, mesmo por vídeo chamada. Stef se chateou por um tempo, até sua voz interior falar que ela apenas tirou a máscara e mostrou quem era. Ela apenas sentiria falta daquela que pensou que seria sincera.
Hanna deu de ombros referente à pergunta da garota.
— Conheci um francês gato que me deu um bolo no arco do triunfo, tomei um porre na Torre Eiffel, também comprei feito doida e sobrevivi pra contar a história. — Falou como quem diz que comprou arroz. Stefanie riu. Ainda conseguia ver a Hanna- Amiga, mesmo que a Hanna-Falsa fosse mais visível que tudo.
—Nossa Hauser, nem na França você consegue se controlar. – Falou uma voz masculina, fazendo Stef estremecer.
Harry Maison, mais conhecido como “o pequeno detalhe.”.
Sempre que Stef queria desistir, vinha ele. A única pessoa que nunca a magoou, a única pessoa que ficou do seu lado quando seus amigos o abandonaram, a única pessoa que nunca a culpou. O melhor amigo que alguém poderia ter.
E o melhor ficante também.
—Há, olha só quem fala. — falou Juliana, irônica. Ela e Stef nunca foram muito próximas, mas Stef nunca pensara que aquilo poderia ser motivo para odiar alguém.
“As coisas nunca são como você pensa.”
—Hey, eu nunca fui pra França, nunca conheci uma francesa gata que me dá bolos em Arcos de Triunfos ou tomei porres em Torres Eifeis. Mas sim, sobreviveria para contar a história. — Sentou-se ao lado de Stef e Luke. — E então Jayer, como foram às férias?
Stefanie deu de ombros.
—Nada muito diferente do que vocês viram. — falou fitando sua salada sem vontade de comê-la. — Fui a algumas festas com vocês, fiquei ouvindo meus pais ouvindo como estavam orgulhosos de mim por algum motivo que eu não compreendo…
—Eu não me orgulharia. — murmurou Luke, recendo um tapa de Hanna logo em seguida. Stefanie os ignorou.
—Não vai comer, não? — perguntou, apontando para a salada intacta da garota, que apenas colocou uma alface na boca.
—Sua namorada está em uma dieta de comer apenas o ar. — falou Juliana mordendo o sanduíche. — Ou nem ele.
—Nós não estamos namorando. — falaram juntos, batendo as mãos logo em seguida. Era uma coisa que tinham desde pequenos; falavam juntos, batiam as mãos.
Juliana revirou os olhos.
—Ah, por favor, vocês transavam dia sim dia não.
Stef colocou mais um pedaço de alface na boca.
—Então você está namorando a Califórnia inteira? — colocou as mãos por cima das mãos da outra. — Parabéns pra você amiga, eu fico feliz. — falou sarcástica, fazendo Juliana ficar vermelha e o resto da mesa rir.
—É, tem razão, você nunca arrumaria um namorado bom como o Harry. Ele merece alguém que saiba ter sentimentos alheios e que se preocupe com algo além de seu próprio umbigo.
Um silêncio tomou conta da mesa, fazendo Stef olhar no fundo dos olhos da loira. Pensou em algo para dizer de volta, mas não adiantaria de nada. Apenas geraria mais ódio e mais briga.
—Bom que pensa assim. — fechou a embalagem da salada e levantou-se, pegando a bolsa e se direcionando para qualquer lugar longe dali.
—BOM QUE PENSA ASSIM? — Gritou, com a paciência se estourando. — ONDE PENSA QUE VAI?
—Qualquer lugar que eu não tenha que olhar pra vocês. — e foi embora jogando a salada fora sem esperar respostas. Aquilo doeu um pouco ao olhar para Harry e ver seu olhar de tristeza, mas decidiu ignorar. Seria melhor para todos.
Subiu até seu andar, aquele que nenhum aluno em sã consciência iria. Ela nunca entendera o porquê; era apenas um andar de salas abandonadas.
Sentou-se e pegou o telefone, disposta a reler a mensagem e se depreciar um pouco, até ligá-lo.
“Sete chamadas perdidas: Harry.”
Sorriu involuntariamente e segurou as lágrimas que estavam se formando em seus olhos. Não retornou a ligação, mas pela primeira vez sentiu sua felicidade voltando aos poucos.
Ele nunca a culpou.
Ele nunca disse que ela não tinha sentimentos.
Ele nunca a deixou na mão.
Ele nunca a decepcionou.
Ele nunca foi falso.
Ele sempre esteve ao seu lado.
Talvez o que sentisse por ele fosse mais forte que uma simples amizade colorida. Talvez sentisse amor.
Franziu o cenho a lembrar dessa palavra. Não havia esse sentimento desde o ocorrido há alguns meses atrás, mesmo acreditando que esse sentimento poderia ser aflorado pelo menino que a conhecia há 17 anos.
Apagou as chamadas e releu novamente a mensagem de Daiane.
“Escolhemos o que bem entendemos, mesmo que isso machuque. Isso me machucou, mas a dor seria muito maior se eu tivesse…”.
Sentiu uma presença sentar a seu lado e bloqueou o telefone.
—Você tem que parar de me seguir. — murmurou. — Talvez a Ju esteja certa, eu sou podre.
Harry maneou a cabeça e a abraçou.
—E você tem que entender que você nunca estará sozinha. Sempre estarei aqui pra te ajudar ou pra você ter um amigo.
—Então só fica do meu lado por pena? — perguntou, aquilo mais forte do que ela. Sentiu o garoto revirar os olhos, mas não desfez o abraço.
—Ou talvez porque eu goste mesmo de você. E esquece os outros Stef. Comece a pensar mais em si mesma e ver que o mundo pode estar do seu lado.
Sorriu, sentindo-se segura, como se nada no mundo pudesse a abater.
Até sua voz interior interromper.
“Não se preocupe, ela está. Mesmo que isso possa acabar com cada pedaço sentimentalista dela.”
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