The Monster Inside Me
7 The Strongest Word.
Notas iniciais
O negócio é que Harry não saiu.
Ficou onde estava.
Na mesma posição, sem mover um músculo. Sem demonstrar emoção nenhuma, olhando para baixo.
Aquilo deixou Stef preocupada.
Digamos que bem preocupada.
–Harry? — chamou. Ele apenas olhou para ela, levantando a cabeça.
Sem alguma expressão identificável.
–Harry, você tá bem? — perguntou com um tom um tanto quanto preocupado colocando a mão em sua testa. Harry lançou a ela mais um olhar sem identificação.
–Olha Stefanie...
“Stefanie, começamos bem”.
– Bem eu não estou, se essa é sua real e única pergunta. — falou algo pela primeira vez, cruzando as pernas. — Mas… Meus pais são advogados, e eu fui criado com o pensamento de que todo mundo tem direito á defesa. Inclusive uma… — Harry já cometera esse erro uma vez e não cometeria novamente com sua namorada (?). — Hã…
Stef riu da reação do rapaz.
–Harry, pode falar de boa, eu não vou sentir nada.
Harry passou a mão em seu rosto.
–Stef, eu não quero cometer esse erro duas vezes.
–Não, to falando sério, eu realmente não sinto nada. Tipo, absolutamente nada, já faz uns dois meses.
Aquilo fez o garoto realmente se assustar.
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Após um longo tempo de silêncio, Stefanie Jayer e Harry Maison estavam tomando café, frente a frente na sala de Stef.
–Bem, ok, pode me explicar agora?- perguntou, a irritação presente em sua voz. Stef assentiu.
–Ok. Primeiramente eu conheci o Jake através de uma garota que também já o contratou.
–Você fala como se ele fosse um empregado que você contrata.
– Mas eu fiz o que fiz por um motivo. — ignorou as palavras do rapaz e continuou falando. — Sei que pode parecer meio estranho, doentio, maluco e psicótico…
“Pode parecer?”
–Mas eu tenho um monstro de mim. Uma voz sombria que primeiramente eu pensava ser minha consciência, mas cheguei à conclusão que a voz era masculina demais pra ser minha, e essa criatura, monstro, voz sombria, chame como quiser…
“Prefiro Deus supremo universal, mas…”.
–Anda infernizando minha vida. Parece que desde que ela entrou em minha mente sugou todas as minhas emoções como um… — pensou. — Dementador.
“Dementador, gostei dessa, mesmo sendo uma ofensa para mim, já que eu humilho os dementadores.”.
–Um dementador? — Harry arqueou a sobrancelha.
–É, daqueles do Harry Potter sabe? Eu tava desenhando ele na última aula, mas ele falou que seria como eu quisesse. Enfim, ele fala comigo, ele troca meus pensamentos pela voz dele, há quase dois meses meus pensamentos foram excluídos dando lugar a ele. Tipo, TODOS eles. Desde a decisão de que sapato eu devo usar até a decisão de matar a Daiane e armar pro Jay se matar.
–VOCÊ O QUE?
– E eu decidi o chamar de monstro.
Harry arqueou as sobrancelhas novamente.
–Um… monstro?
Stef assentiu.
–Então ‘tá…
A garota revirou os olhos.
–Ele controla a minha vida e me faz sentir coisas que eu nunca, NUNCA sentiria. E com esses sentimentos, ele me faz fazer coisas… Ah Harry, coisas terríveis. Como mandar alguém matar a Daiane, seduzir o Jay para ele acabar se matando e… Não ter mais sentimentos. — vomitou aquelas palavras, sem nem ao menos pensar antes. — E eu não consigo me sentir culpada por não conseguir me sentir culpada. Você… É complicado, não da pra entender né?
Harry olhou para ela com uma expressão confusa.
–Ok, depois eu explico melhor. Enfim, no início eu até que estava gostando. Gostando, sabe? De não sentir nada, pois felizes são aqueles que não sentem. Mas eu estava errada Harry. Muito errada. Eu não me sentia feliz com vocês me dando carinho e eu fingindo felicidade. Sim, fingindo, coisa que eu tenho feito muito, sabe? Eu… Eu me transformei em uma psicopata, alguém que finge ter emoções até conseguir o que quer, ou até destruir a vida de alguém, sou uma doente mental, sim, eu SOU um monstro, eu TENHO um monstro dentro de mim.
Harry assentiu, estranhando aquela situação. Até uma hora atrás sua maior preocupação era passar na prova de história e decidir qual engenharia era melhor.
–Continue.
–Então, o negócio é que eu QUERO. Eu quero sentir. Eu quero rir. Eu quero chorar. Porra, eu não CHORO mais. Eu as sinto no meu rosto, mas eu o toco e está tudo seco e… Eu não choro mais, nada, absolutamente nada, e eu sinto uma grande falta de chorar. Eu só… Harry, eu quero que acredite em mim e me ajude. Porque, por mais que eu não tenha sentimentos, eu te amo. Sei que parece confuso, mas eu te amo muito. Não sei se é amor, necessidade, mas eu preciso de você. Eu te preciso, eu te amo. E acho que é o único sentimento alheio que eu sinto por alguém.
“Lindas, lindas palavras Jayer… Estou sendo tão bonzinho com você… Mas não esqueça que tudo que é bom dura pouco. MUITO pouco”.
Um silêncio se infiltrou na sala de Stef, enquanto a mesma não quis olhar para ele.
Achava que ele estaria a olhando como se ela estivesse louca.
“Você está”.
Como se ela não o merecesse.
“Você não o merece”.
Como se ela devesse ser internada.
“Você deve, mas não ia adiantar muita coisa, só se eu quisesse é claro.”.
–Stefanie, olha pra mim. -
Novamente Stefanie.
Não foi Stef, ou até mesmo fofinha.
Poucas pessoas a chamavam assim. Seus pais, quando estavam bravos com ela e sua vó quando… Quando estava sendo vó.
“Seu sentido está se perdendo cada dia mais, orgulhoso de você Jayer”.
Stef levantou os olhos e viu o rosto decepcionado de Harry. Aquilo a deixou com medo. Como se algo que ela amasse tivesse sendo retirado dela.
E de fato, estava.
–Stefanie, nos conhecemos há muito tempo. Eu nunca, nem em meus piores pesadelos eu imaginaria você, a doce Stefanie Jayer, aquela garota que sempre falava mal de assassinos quando líamos o noticiário… Eu nunca imaginaria você mandando matar uma pessoa. Nunca. Nunca. — falou em um tom um tanto quanto decepcionado. Stefanie assentiu, sentindo o rosto vermelho. Iria ela chorar? — Você… É minha melhor amiga. É minha namorada. É a pessoa que eu mais amo nesse mundo.
O coração de Stef parou por um segundo. Namorada.
Você. É. Minha. Namorada.
A pessoa que eu mais amo nesse mundo.
Um sorriso a invadiu por um segundo. Mas não tiraria conclusões precipitadas. Esperaria ele terminar de falar.
“Não vai ser nada bonito”.
–Como você fez isso? — aumentou seu tom de voz. Seu rosto mudou de decepção para preocupação. — Quer dizer, não parece à mesma Stefanie que eu conheci e amei, amo, sei lá. Você mudou demais das férias pra cá e eu sempre, sempre, SEMPRE tentava te fazer sorrir E AÍ EU DESCUBRO QUE VOCÊ FAZ ISSO? A Stefanie Jayer que eu conheço NUNCA, NUNCA mesmo deixava alguém a mandar fazer algo e…
“Não é questão de ceder, é questão de ser forte”.
–E eu não…
“Realmente achava que ele iria te perdoar? Isso não é Hollywood minha querida, mesmo que estejamos em Los Angeles.”
Um silêncio se infiltrou pela sala, até Harry olhar novamente para a garota.
– Stef? Stef me desculpa eu não sabia que… Espera você… — cobriu a boca com a mão.
Stefanie não sabia do que ele estava falando.
–Que? — perguntou. Ele deu um pequeno sorriso, apontando para seu rosto.
Ela o tocou e deu o maior sorriso que poderia dar. Ele estava molhado. Tocou seus olhos para ter certeza.
Lágrimas.
Nada forçado, nada falso.
“Na teoria”.
Eram realmente lágrimas.
De culpa.
–Stef, você… ‘Tá chorando. — exclamou.
E Stefanie assentiu, soltando todas as lágrimas presas nela. Harry levantou e envolveu-a em um abraço reconfortante. Stef enterrou seu rosto no peito do rapaz e largou as lágrimas. Todas elas, presas, agora soltas. Molhou abundantemente o peito do rapaz, mesmo parecendo que o mesmo não se importava.
–Calma amor, eu estou aqui.
Aquelas palavras fizeram Stef chorar.
E chorou por culpa.
Culpada por ter matado.
Por deixar um monstro a dominar.
Por não ter valorizado.
Por ter bulimia.
“Não mete seu problema que existia antes da minha existência no seu choro”.
Harry segurou seu rosto e ficou analisando. Os frágeis traços da garota, que havia feito tanta coisa ruim na vida, mas que agora estava lá, chorando copiosamente.
E verdadeiramente.
“Aham”.
–Me perdoa, por favor. — falou Stef entre soluços. Harry fez carinho em seu cabelo.
–Stef, perdoar é uma palavra muito forte. Porém, eu te amo muito pra ficar bravo com você. Admito que há alguns segundos eu queria te matar, mas então você começou a chorar e nisso eu vi que ainda há chance de recuperar. Stef assentiu, fungando.
–Então, eu vou te ajudar. Vou te ajudar até tudo isso passar e a porra desse monstro… — deu uma leve batidinha em na cabeça dela, o que a fez sorrir. — Desaparecer pra sempre de você.
“Boa sorte garoto, eu sou mais difícil que essa daí.”.
Stef lançou a ele um olhar confuso.
–Então…
–Então Stef, eu quero te atirar pela janela, mas eu quero chorar quando você estiver morta. Eu estou com raiva, mas o meu amor por você é MUITO maior do que o ódio. — fez carinho em seu cabelo. — Eu nunca vou esquecer o que você fez, mas eu quero te ajudar. Te ajudar e quero passar todos os dias possíveis e impossíveis da minha vida com você.
Mais lágrimas saíram do rosto de Stef, enquanto a mesma enterrava novamente o rosto no peito de Harry.
–E eu sei que posso estar sendo chato por repetir isso milhares de vezes…
“Que isso jovem Harry, até me emocionou”.
–… mas eu te amo muito pra deixar você viver sem mim. Eu acho que não posso viver sem você e acho que você não pode viver sem mim também, modéstia a parte.
Stef sorriu.
–Não. Não posso. Não posso mesmo. Eu achava que éramos só amigos com benefícios, mas…
–Você, ou o monstro? — perguntou arqueando a sobrancelha.
–O monstro.
“EU SOU VOCÊ, NÃO ENTENDE? Depois acham que é inteligente…”.
–Menina, eu te amo. — abraçou-a mais forte dessa vez. — Não é só o sexo. É tudo. Seu jeito, suas ironias, seu beijo, o jeito como você me completa… Tudo.
Stef sorriu com as palavras e puxou Harry para um beijo. Nada muito urgente, nada muito rápido. Um beijo calmo, com amor e um pouco de perdão.
Mas, de novo, Stefanie não iria tomar decisões precipitadas antes de o rapaz responder a pergunta que ela queria fazer desde que revelara tudo o que fizera.
Stef aprofundou um pouco o beijo e Harry colocou a mão em sua cintura. Ela colocou uma mão em seu ombro e outra em seu cabelo. Harry a abraçou mais forte e levantou-a um pouco no ar, girando-a. Stef sorriu se sentido segura, como se nada no mundo pudesse a afetar.
“Prazer, eu”.
Ambos partiram o beijo e ficaram-se olhando por um tempo. Harry novamente fez carinho em seu cabelo.
–Então… — Stef se surpreendeu com as palavras que iriam sair de sua boca, mas ficou feliz com a sinceridade com as quais elas iriam vir. Harry sorriu. — Você me… Você me perdoa? Olha, eu te amo e eu não posso viver sem você. Só preciso saber disso.
Harry sorriu e assentiu.
–Eu não quero Stef. Uma parte do meu cérebro me diz pra te esquecer pra sempre. Mas eu preciso porque eu te amo e quero te ajudar. — Deu um leve selinho na garota. — Então sim, Stef. Vou fazer de tudo pra te ajudar e fazer você mudar, e vou começar fazendo algo pra você comer. Quer dizer, eu lembro que você tinha bulimia e acho que ainda tem e você não vai morrer antes da Hanna ser presa.
Stef deu um sorriso e deu um selinho no garoto. Ambos sentaram-se no sofá, ela deitada no peito do garoto e ele fazendo carinho em seu rosto.
Ela sabia que tudo estava errado.
Mas ele estava com ela.
E tudo estava bem.
Porque eles se amavam.
E iriam vencer tudo aquilo.
Como sempre fora.
“Boa sorte Jayer… Boa sorte mesmo… Estou ansioso para saber COMO você e seu namorado vão fazer pra se livrar de mim… Eu não sou pulga, não sou piolho, não sou. Quando você me aceita, poucos conseguem.”.
Stef franziu o cenho internamente.
Poucos?
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