The Monster Inside Me
5 Nothing is done without reason.
Notas iniciais
Parou em frente à casa de Daiane, o coração na mão. Sabia que esse seria o melhor para a amiga.
Ao tocar a campainha, a porta foi aberta no mesmo instante.
–Stefanie, querida. — a mãe de Daiane a abraçou. — Onde está minha filha?
Stef suspirou. Seria o melhor.
–Abortando seu filho. Ela está grávida de um cara que ela conheceu em uma festa e vai abortá-lo.
–------------------------------------5------------------------------------------------------------------
Jay Jayer.
De todas as pessoas que Stef mais sentia ódio, aquela ganhava. O odiava mais que Daiane, que o diabo a tenha.
Seu jeito atrevido, mandão e idiota.
Seu jeito metido, violento e controlador de ser.
Ela tinha péssimas lembranças em relação à Jay Jayer.
As piores que uma prima pode ter de um primo.
Aliás, as piores que um ser humano pode ter de alguém.
Ela lembrava perfeitamente das duas vezes.
Como poderia esquecer?
Stef era apenas uma criança com seus 10 anos, quando seu primo Jay, 16, pediu para ambos entrarem no quarto. Stefanie nunca se esqueceu da forma que o primo trancou a porta. Cobriu a boca de Stef com uma amordaça. Tirou toda sua roupa. Tocava em cada parte da garota, fazendo a chorar a cada toque. E ele?
Apenas ria de sua desgraça.
Stefanie contara para todo mundo do que havia acontecido. Todos a chamaram de mentirosa.
O primo Jay era o perfeito.
Stef era a quieta.
O primo Jay tinha muitos amigos.
Stef tinha Harry, Hanna e Daiane.
Jay tinha 16.
E Stef tinha apenas 10.
Ninguém acreditara nela.
O primo Jay ganhou um carro.
Ela ficou de castigo.
E teve que pedir desculpas á Jay.
Da outra vez, ele repetiu os mesmos movimentos. Porém ela não chorou e a amordaça não foi necessária. Enquanto ele fazia os atos, porém, ela pensava em Daiane e jurava vingança.
Não contou para ninguém, sabia que seria uma perda de tempo.
Stef sempre vira o primo como um psicopata aos 10 anos, mesmo que com uma definição errônea e jurou a si mesma nunca virar uma.
Porém, o que ia fazer iriam ser as atitudes de uma.
Enganar e seduzir, até fazer o mal.
“Surpresa.”
Sempre a atrapalhando
“Sempre”.
Naquela manhã, na mesa da família Jayer, Stef, sua mãe e sua avó estavam tomando café ouvindo o primo Jayer contando sobre todas as aventuras que vivera em Londres. Stef só fingia comer, esperando Ju ligar dizendo que já estava a esperando.
–Então, priminha, o que pretende cursar? — perguntou Jay. Stefanie nem ao menos levantou os olhos.
–Medicina. — falou com ódio na voz. A mãe de Stef colocou a mão em seu ombro.
–Orgulho da família. As melhores notas, a melhor aluna… Futuro brilhante! — falou. Stefanie corou, sua mãe notando um feito seu era raro, mas decidiu ignorar. Claro que ela ser a mais inteligente elevaria sua mãe em um nível maior na sociedade.
“Esse é o real motivo dela dizer isso Jayer, não se iluda”.
Sentiu seu celular vibrar e o olhou. Era Juliana.
–Mãe, a Ju quer reunir os amigos e me chamou, eu posso ir? — perguntou já se levantando.
–Filha, mas o seu primo…
Stef não esperou. Não aguentava mais falar no primo Jay, ouvi-lo, sentir a presença dele no mesmo ambiente que ela. Simplesmente pegou sua bolsa e foi para o carro de Ju.
–Deixa tia. A prima tem coisas mais importantes para resolver. — foi à última coisa que ouviu antes de bater a porta.
–ÓDIO. — Berrou ao bater a porta. Rezou internamente que seu primo tivesse lhe ouvido e foi até o carro da outra.
–Oi Stef, entra aí. — falou Ju passando batom. Stefanie entrou no carro e lançou um falso sorriso. — Posso te perguntar uma coisa?
Stef assentiu.
–Por que você não assume nada com o Harry? Vocês estão cada vez mais próximos e eu sinto que vocês se amam.
Aquela maldita palavra que rondava a cabeça de Stef e não a deixava dormir.
De fato, ela e Harry estavam cada vez mais unidos. Não haviam falado mais nada sobre aquela tarde, mas parece que o fato dela ter respondido aquilo os uniu.
Ele estava cada vez mais compreensivo e amável com Stef, em todos os sentidos. Mesmo assim Stef não conseguia sentir nada. Mas ela queria.
E muito.
Claro, ela ficava muito feliz quando Harry perguntava se estava tudo bem ou quando Harry a abraçava por trás sem motivo algum ou até mesmo quando Harry insistia em perguntar qual o problema até ela contar (mesmo que não toda a verdade).
Aquilo a deixava feliz. Mas sentia que monstro não a deixava ter sentimentos.
“E o que você vai fazer hoje vai ser o que um psicopata faria não se esqueça”.
–Ah Ju, eu… Não sei, sabe? Tá tudo tão confuso na minha cabeça…
“Não minta, está tudo bem claro”.
Ju assentiu.
–Qualquer coisa que precisar me liga tá? Não importa a hora ou o lugar, eu dou um jeito e largo tudo o que estou fazendo pra ir te salvar. — Juliana colocou a mão no ombro de Stef, o que fez a garota querer chorar.
Porém não existiam mais lágrimas em Stefanie.
Aliás, não existia mais nada em Stefanie.
Mas e se isso fosse o que monstro queria fazer? E se no fundo tudo o que ela fez fora sobre a influência de monstro?
Se ela contasse o que fizera ninguém iria a perdoar.
Mas ela queria mudar.
E precisava de ajuda.
Muita ajuda.
“Vai desistir tão fácil assim Stef?”
O monstro. A porra daquele monstro. Que, no fundo, tinha razão.
Ela sentia total e absoluto ódio de Jay.
E se vingaria dele com todo prazer.
A culpa de seu sofrimento era dele.
E de Daiane, mas já dera um jeito na mesma.
“Além de psicopata, é bipolar? Nossa…”.
Stef revirou os olhos e voltou sua atenção a Ju.
–Stefanie, posso te pedir outra uma coisa? — perguntou aflita. Ela assentiu, despreocupada. — Você pode ler a mensagem da Daiane?
O coração de Stef parou. Seu rosto ficou gelado. Suas mãos tremeram.
E Juliana parece ter notado isso.
–Stef, desculpa é que… Você chorou tanto com a morte dela e se sentiu culpada quando ela morreu, pois vocês estavam brigadas…
“Tudo forçado, mas tudo bem”.
Mas eu acho que ela foi cruel nas férias, ela não podia ter tentado te fazer parecer culpada e eu acho que também fui muito dura com você então... Por favor.
Stef assentiu, pegando o telefone.
–Vou começar, está bem? — Ju assentiu. — Stef.
“Não vou começar com muitas formalidades, você não merece. A merda já está feita Jayer… Você fez suas escolhas, pois eu também fiz a minha. Penso que temos direito a fazer nossas escolhas, e não existe um alguém que possa nos julgar. E se existir, não será um vermezinho inútil como você. Escolhemos o que bem entendemos, mesmo que isso machuque. Isso me machucou, mas a dor seria muito maior se eu tivesse contado para os meus pais. Opa, VOCÊ fez isso. E ainda contou que eu abortei, mesmo me prometendo que eu não. Tudo, absolutamente tudo que você sofrer agora vai ser merecido. TUDO. E quando você esperar que alguém fique do seu lado, eu irei rir. Aliás, eu só rio de você, que realmente pensa ser alguém nesse mundo. Você não é nada. Ninguém liga pra você. Ninguém te ama, você não é amada. Seus pais não acreditam em você. Só os meus, que são verdadeiros idiotas. Você vai ver só Jayer. Me aguarde. Tenho pena de você por achar que lhe resta sentimentos. Eles já saíram de você Jayer, mas você é estúpida demais pra perceber.”.
O silêncio se infiltrou no Hyundai de Ju. Stefanie guardou o telefone e tudo ficou em silêncio, até o certo momento.
–Não se sinta culpada Stef. — falou em um tom confortante. — OLHA O QUE ELA FALOU. — Gritou irritada. — Ela NÃO TINHA O DIREITO. EU… Não sabia que… — aumentou a velocidade. — EU SOU UMA IDIOTA. — berrou.
Stef abaixou a cabeça.
–Do jeito que ela contou… — murmurou. — Realmente parecia que eu era a real culpada.
–Você É amada, ok Stef? — falou, parando na sinaleira e olhando para ela — Nós te amamos, teus pais te amam VOCÊ É AMADA.
Nós te amamos.
Nós te amamos.
Nós.
Sim, ela não tinha sentimentos.
Sim, aquelas palavras não causaram nenhum mísero impacto nela.
Sim, ela tinha um monstro dentro dela.
Mas aquelas palavras foram as mais lindas que Stef ouvira em 17 anos.
“Ah, até parece…”.
–----------------------------------------5--------------------------------------------------------------
Quando chegou a sua casa, a admiração por Jay continuava. Stef simplesmente os ignorou e foi para seu quarto. Colocou sua camisola, a mais sensual que pudera e foi dormir. Os planos estavam todos prontos.
E dessa vez?
Todos acreditariam nela.
–--------------------------------------------------5-----------------------------------------------------
O relógio do criado mudo de Stef marcava 2h: 43min quando a porta bateu. Um psicótico sorriso invadiu seu rosto.
“Como a vingança é boa, não?”
–Quem é? — perguntou como se não soubesse a resposta. Jay abriu a porta e trancou-a logo em seguida Stef sorriu maliciosamente, enquanto ia à direção do rapaz. Jay segurou abruptamente sua cintura e começou um demorado beijo. Jay ia direcionando Stef até sua cama e, ao deitá-la na mesma, ela cortou o beijo.
–Jay, eu não quero. Para. — falou de uma forma relativamente alta.
–Ah, qual é Stef. Você já tem 18 anos. — falou, voltando ao beijá-la. Stef o empurrou, sentando-se na cama.
–Jay eu não quero. PARA. ME SOLTA. — gritou. Jay olhou confuso para ela.
–Mas eu não…
–PARA JAY, VOCÊ TÁ ME MACHUCANDO. -Gritou mais alto dessa vez, de uma forma a qual fez um barulho ser ouvido do quarto de sua mãe.
–Stefanie, cala a boca! — falou rispidamente.
–PARA JAY, EU NÃO QUERO. — Rápida e astutamente, Stef retirou sua roupa, mostrando feridas feitas por ela há alguns minutos atrás. Algumas sangravam, tamanha profundidade do corte. — JAY VOCÊ ME MACHUCOU.
Uma faca estava no seu criado mudou, o que fez Jay socar seu rosto.
–Cala a boca sua maluca. — segurando seu pulso. — ESCONDE A PORRA DESSA FACA.
–PARA JAY, POR FAVOR. SOCORRO.
Jay a pegou pelos cabelos e arrastou até a parede, prensando-a contra a mesma.
–Cala boca sua vadia maluca. — gritou. Stef ouviu a porta ranger. — E ESCONDE A FACA!
–JAY JAYER, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?- gritou pasma sua mãe, abrindo a porta.
“Prontinho Jayer”.
Jay a largou, fazendo-a cair no chão.
–Mãe, socorro, ele entrou aqui no quarto e me agarrou a força… — ia continuar, mas foi interrompida por Jay tampando sua boca com uma mão e segurando seu pulso com força com a outra.
“A dor leva a recompensa, não se esqueça”.
–Tia, ela está mentindo. — falou tentando parecer calmo, mesmo o nervosismo presente em sua voz.
–Mãe, ELE está mentindo, olha, ele até me machucou. — Stef mostrou suas feridas. Jay olhou enojado para ela. — Com aquela faca ali. — apontou para a faca deixada ardilosamente em seu criado mudo.
–Mentirosa, maluca, DOENTE. — Gritou. — Tia, acredita em mim, por favor.
A mãe de Stef olhou firme para ele, logo em seguida observando os machucados de sua filha.
–Mas eu me lembro... Sim! Stef contou-nos que você tinha abusado dela quando criança.
–E em fevereiro. — murmurou, fazendo sua mãe tapar a boca de pavor.
–Jay, isso é mentira?
Jay Jayer corou. Seu rosto não era mais o mesmo.
–Bem… Não, mas…
–Nada de, mas- falou fria a mãe de Stef. — Ah querida, desculpe por não ter acreditado em você. — a abraçou. — Quanto a você Jay, o que você fez é estupro.
Jay deu as mãos.
–MAS EU NÃO FIZ NADA. — Gritou. A mãe de Stef balançou negativamente a cabeça.
–VOCÊ ACABOU DE ADMITIR QUE NÃO É MENTIRA.
–ELA ACEITOU TUDO, EU NÃO FIZ NADA CONTRA ELA.
–A prova esta aí Jay. — retrucou apontando para Stefanie. Jay assentiu irônico.
–Ok. — riu novamente, a ironia presente em sua risada. — Não passou pela sua cabeça que ELA possa ter feito isso? — perguntou já alterado.
–Por que minha filha faria isso? Ela não é nenhuma doente! — respondeu no mesmo tom.
Jay olhou debochado para Stef.
–Vou garantir que toda a sua vida seja um inferno e que você seja preso. — afirmou a mãe de Stef.
–PRESO? — Berrou. — Ah, não, não, não.
Stefanie conteve um sorriso que estava se formando. Sabia o que viria logo em seguida. O perfeito Jay Jayer nunca suportaria uma prisão.
Ela sempre soube muito bem disso.
“E agora, usou isso ao seu favor. Estou orgulhoso Jayer”.
–Eu sei o que aconteceu. — Jay pegou a faca do criado mudo. — E Deus vai me perdoar.
–Jay, o que você está fazendo? — perguntou Stef em um tom de falsa preocupação. Jay a ignorou. Pegou a faca e enfiou violentamente em seu apêndice.
–Lembre-se desta cena Stefanie Jayer. Ela sempre estará em sua memória. Não vou preso. O inferno me aguarda. Te encontro nele.
Dizendo isso, Jay Jayer caiu de costas, perdendo lentamente a cor de seus olhos.
Sua mão deu um grito de desespero, enquanto Stef sorria internamente.
Nada do que ela havia feito era culpa dela.
Ele merecia.
Não sentiu um pingo de remorso.
“A psicopatia é caracterizada pela ausência de empatia com outros seres humanos resultando em descaso com o bem-estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com eles. Não demonstram empatia, são interesseiros, egoístas e manipuladores. A prática comum de calúnias, omissões ou distorções de fatos também os define além da falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles possuem um alto egocentrismo, emoções superficiais e falsas, pobre ou nenhum controle da impulsividade, baixa tolerância para frustração e derrotas. São pessoas sedutoras, cínicas e manipuladoras, tudo isso de acordo com as suas queridas pesquisas da Wikipédia. Agora, depois de tudo que você fez e a nenhuma culpa que você sentiu, acredita em mim Jayer?”.
O monstro novamente estava lá.
Falando novamente com ela.
E dessa vez, ele estava certo.
Havia agido como uma verdadeira psicopata.
Mesmo que, sem ela saber, ele estava controlando cada passo e cada ação dela.
Fale com o autor