The Misty
18 No Break01# Comunicado sobre a Fanfic
Notas iniciais
“Nem sempre conseguimos prever o que está por vir. O maior mistério do ser humano é o futuro, é com ele que nos preocupamos. O que vai acontecer depois que atravessar a rua, ou até mesmo abrir uma porta?.”
O fator surpresa é meu maior fracasso. — O homem de cabelos castanhos, pele parda e marcas de luta por todo corpo, encarava o fundo preto com a visão turva, no local pouco iluminado encontrava-se uma mulher de cabelos ruivos e pele branca, os dois encaravam-se, estavam presos, frente a frente em cadeiras como reféns.
O som agudo inundava sua mente, não conseguia ligar os pontos, os suspiros da mulher a sua frente o agonizava cada vez mais.
— Escute… — Suspirou. — Ary! — Os olhos do homem abriram despertando-o.
— Ei… — Ele respondeu. — Apenas… acalme-se, eu encontrarei uma forma de tirar você daqui.
— Isso… Não importa mais… — Pausava cada vez que respirava. — Apenas saiba que eu me importo com você, independente de sua origem!
— Estamos tendo essa conversa de novo… — Ele foi interrompido por um forte som de porta se abrindo. De lá saiu um homem encapuzado trazendo consigo uma lâmina afiada, a cada passo que dava cortava o vento com ela, quanto mais o homem se aproximava, mais suas mão gelavam.
— Mas que Linda cena familiar! — Ele foi direto para trá da mulher ruiva, tocou seu pescoço e lambeu seu rosto.
— SEU BASTARDO! — Ofendeu-o. — Tire as mãos de cima dela!
— Hum… Não… — Ele segurou com força o rosto da garota. Ela não tirava o olhar do homem à sua frente, de seus olhos brilhantes caiam lágrimas. — Olhe para ela Ary Wood! Veja como você fracassou em salvar aqueles que ama! Você é uma fraude. — Ary se retorceu na cadeira de tal forma que machucou seu punho e acabou caindo no chão.
— Últimas palavras… — Perguntou o encapuzado para a garota.
— Ary… Por favor.
— Diga adeus a sua irmã…
— NÃO! — Exclamou pedindo misericórdia.
…
Dias antes.
Um raio de luz passou pelas cortinas que balançavam com a brisa vinda da janela, o som de carros indo e vindo fizeram-o acordar junto ao despertador.
Eram seis da manhã, em sua humilde cama, quarto pequeno, observou o ventilador de teto girar lentamente. Assim como seu tédio nas tardes de Domingo. Se levantou, tocou no rosto, olhou para a cômoda a sua frentecheia de livros e caminhou até o banheiro.
— MAS QUE MERDA!! — Exclamou ao bater o seu dedo mindinho no pé da cama.
Xingando e chorando(metaforicamente) de dor, foi em direção ao seu celular, colocou sua playlist preferida para liberar a preguiça interna. Prosseguindo a uma ducha quente, mesmo no verão de Agosto.
Depois de se arrumar e se encarar no espelho ele pegou seu celular e escutou as mensagens recentes.
— Hey Ary! Como vai meu querido irmão cabeça dura?! — A voz doce e ao mesmo tempo ameaçadora da irmã de Ary ecoou pelo quarto, enquanto o mesmo organizava a bagunça do pequeno apartamento. — Então, tô mandando essa mensagem a uma hora dessas, se bem que Dark Sky nunca dorme, você não sabe o como é curioso observar as velhinhas fofocando pela parede… Olha — Suspirou. — Sei que é estressante para você, depois de muito tempo voltar a ativa, mas esse periodo de ferias estava te matando! Eu fiquei muito preocupada com você.
— Bem o tédio ainda não foi embora… — Falou sozinho, Ary tinha esse costume.
— Fico feliz por ter retornado, boa sorte com amanhã, falei com Leah hoje mais cedo, pedi pra ela te guiar novamente, acho que você deve ter esquecido como as coisas funcionam… Droga… — Ele olhou atento para o celular… — Preciso ir, mas, — Parou. — Saiba que nossos pais ficariam felizes de saber que voltou a trabalhar no que gosta, eles sempre procuraram sua felicidade, chamavam você de príncipe do som! Não me pergunte sobre isso. — Riu. — Até mais Ary. — Ele parou e encarou ao redor, encontrava-se na sala de estar próximo a televisão, um sofá, um carpete empoeirado e a porta de saída do apartamento.
— Bem que você poderia estar aqui Ruby…
Ele partiu e foi em direção ao metrô. No caminho várias pessoas caminhavam para seu trabalho, seu objetivo de vida, ou até mesmo para algum passeio aleatório que Ary Wood não tinha noção. Roseward era agradável de se morar, tranquilo de manhã no meio da multidão e agonizante a noite. No passar das pessoas Ary lembrava seu tempo como Detetive no Departamento de Polícia de Roseward, incansáveis noites de trabalho, procurando por pistas, becos escuros e possíveis vítimas que se tornaram o próprio assassino por vingança.
Os prédios de Roseward eram sem dúvidas a coisa mais atraente de todo o país de Lyra. Cada estado de lá tinha sua beleza. Apollo Town com seus grandes alpes nevado, que era possível ver de certos arranha-céus de Roseward. Dark Sky, a imensa floresta e as lendas locais, apesar de Ary crer que tudo isso é uma fachada para ganhar dinheiro dos turistas. Greenseed, um vilarejo focado em fazendas, a terra fértil do local é uma das principais rendas do país. Aquarius City, levou o nome pelo seu imenso Aquário e acervo de peixes, devido a ser uma área equilibrada pelo clima, existe um grande lago, mistura de floresta com pantanal que fez com que muitos empresários investissem no local, além da caça e pesca. Splendor Town e Hope City, são os únicos estados que Ary não tinha conhecimento, estranhamente não lembrava de muita coisa de lá.
Chegou no metrô e seu trem ainda não havia chegado, passou por uma lanchonete e pediu por um café, na televisão a notícia de um assassinato misterioso envolvendo uma mulher e o desenho de um instrumento musical chamou a atenção de Ary.
— Toma senhor.
— Ah, desculpe. — Ele pagou para jovem mulher que trabalhava lá.
— É bem preocupante como as notícias na televisão vem piorando cada vez mais, espero que os policiais encontrem o culpado.
— Também espero.
O homem de cabelos castanhos partiu com seu café para um vagão, sentou-se e começou a mexer no celular, colocou os fones e escutou outra mensagem de voz no meio da viagem.
— Oi Wood, É a Leah falando, você sabe que sou eu né? — Risadas — Tô ligando só pra saber se você vai mesmo amanhã, fico feliz pela Ruby ter conseguido convencer você que precisava voltar, espero que não leve pro outro lado isso que vou dizer, mas sinto sua falta por aqui. — Ary solta um sorriso malicioso. — Está sendo um caos ser o Sherlock Holmes de Roseward, tenho uma surpresa te esperando pra quando você chegar amanhã. Dorme bem, se não é o que está fazendo agora.
— O que diabos Leah está guardando como surpresa? — Pensou.
Ele chegou na estação, desceu e foi a caminho da delegacia, alguns carros permaneciam estacionados próximo a mesma, ele entrou e muitos colegas de trabalham soltaram um sorriso ao vê-lo, o local era igual a qualquer delegacia, tinha um retrato do funcionário que se destacou no mês, alguns que sempre ficavam por respeito, cada um tinha uma mini cabine particular com fotos de familiares e alguns post its.
Ele tirou a mochila das costas e foi atendido pelo Delegado de Roseward, O senhor William Harrison.
— Bom Dia, É bom revê-lo novamente garoto! — Will ignorou os comprimentos padrões e abraçou Ary deixando-o sem jeito, o Will já tinha 60 anos e era muito respeitado por todos. — Fico feliz por estar saudável, apesar da marca nos seus olhos de noites de sono mal dormidas que com certeza não vão sair tão cedo. — Wood sorriu. Realmente sentia falta daquele lugar. — Venha comigo preciso te mostrar algo que vai lhe surpreender.
Os dois entraram na sala do Delegado, dando logo de cara com um grande mural com adesivos, fios ligados e um grande espaço para teoria, De um caso que encontrava-se aberto, pelo visto, por muito tempo.
— Isso é…
— Sim… o caso que está nos tirando do sério.
Ele se aproximou e foi em direção ao mural, imagens nada agradáveis de se ver, uma mulher na faixa de 25 anos, morta, com o corpo esfaqueado e a barriga aberta, no fundo um símbolo de uma harpa desenhada.
— Leah comprou esse caso e você também vai, tem um mural novo na sua sala particular Ary. — Ele virou. — Ocorreu recentemente um assassinato próximo daqui, quero que você vá até lá verificar e analisar a cena do crime.
— Claro. — Ele dirigiu-se até a porta.
— Veja garoto, esse acontecimento. — Apontou para o quadro. — Não é normal, evitamos que essas informações vazassem, ocorreram no início da semana, entretanto, alguns dos meus policiais avisaram que a cena onde você está indo é parecida com isso, os jornais conseguiram essa manchete. — Apontou para o mesmo que estava em sua mesa próximo a uma caneca de melhor pai do mundo. — Se isso for um começo de uma onda de assassinatos toda Roseward ficará em pânico, você se lembra da última vez que isso aconteceu…
— Sim. — Sua expressão facial mudou para algo mais sério, a brisa fria da janela movimentou alguns papéis, os dois ficaram em silêncio.
— Vá até lá e cuidado, estou confiando esse mistério a você.
Ary pegou a mochila e foi em direção ao quarteirão mais próximo.
…
A rua fora interditada e vários repórteres encontravam-se no local, a quantidade de flashs saindo das câmeras o deixavam com labirintite.
— Isso é um palco de horrores?
— E se não é. — Leah sorriu para Wood, a mesma o esperava em frente ao apartamento, cena do crime. Ela era alta e tinha um corpo treinado para uma briga, morena, e seu cabelo enrolado fazia um incrível black power, usava o uniforme da polícia, mas não aqueles generalizados, bem mais estiloso, seus olhos cor de mel demonstravam poder e liderança.
— Então o que é essa sua incrível surpresa? Imagino que o caso misterioso que a polícia ainda não resolveu.
— Poderia ser, mas… Ei garoto venha aqui! — Gritou para um menino na faixa dos 18 para 20 anos, branco, sardas no rosto e magro, usava uma camisa social branca, calça jeans e uma mochila atravessada, seu cabelo parecia ruivo ou era loiro, Ary não conseguia distinguir a cor devido ao tanto de flashes que saiam das câmeras, aquilo era pior que uma balada.
— Quem é esse?
— Meu nome é Jonathan… — Falou emburrado e fechou a cara.
— Essa é sua surpresa, Jonathan está estagiando no departamento de polícia, você terá que guiá-lo pro caminho certo.
— O que?! — Os dois falaram ao mesmo tempo, se olharam como se fossem latas de lixo, não queriam ficar perto um do outro de jeito nenhum.
— Pois tratem de se acostumar, Ary você já é um adulto, sabe como lidar com as pessoas.
— Não, eu não sei.
— Jonathan você quer trabalhar na polícia, precisa começar com um colega de trabalho, você mesmo me disse que adoraria trabalhar comigo.
— Exato, com você não com um homem esquisito que mata as pessoas no olhar.
— Ele tem razão.
— Olha eu to cansada dos flashs e to precisando entrar, junto com vocês como colegas de trabalho, vou jogar a real. Ary, Will me pediu pra avisar a você sobre isso, se não seguir as ordens dele está demitido, isso serve também pra tí Jonathan. — Leah falava como uma mãe com dois filhos de cinco anos de idade que não conseguiam se entender.
— Tanto faz, vamos logo.
Leah passou na frente dos dois e pediu para Jonathan se acostumar com o que ia ver.
A subida até o apartamento não foi muito agradável, o cheiro de mofo no ar era agonizante, o passar de policiais o tempo todo deixava tudo aquilo uma bela contra-mão.
Entraram no apartamento, o que viram não era nada agradável.
Uma mulher, branca e ruiva, presa pelo pescoço no ventilador que girava varias e varias vezes, suas tripas balançavam conforme o objetivo acima girava, a mesma estava com a barriga aberta com o sangue escorrendo pelo corpo deixando uma grande poça no chão. Ao redor toda sala de estar bagunçada, estantes de livros caídas, tapete encharcado, marcas de luta na parede e em específico o símbolo de harpa feito com sangue.
— Isso é…
— Nojento… — Jonathan saiu correndo para vomitar. — Ary olhou para Leah.
— Ele se acostuma, você vai ver.
Os dois prosseguiram junto com a equipe, tirando fotos e pegando alguns materiais.
— Então… ele caminhou observando o corpo e ao redor. Posso começar? — Perguntou Ary.
— Estou esperando.
— Pelo o que estou vendo, o assassino tentou fazer parecer o suicídio, correto?
— Não.
— Pois é, isso não é natural. As marcas de luta provam que o mesmo tentou matá-la de forma agressiva, não sorrateira, a barriga cortada é algum tipo de loucura pessoal, seja lá o que for isso. — Apontou para o símbolo. — É exatamente o que devemos nós preocupar.
— Uma seita?
— Sim, seja lá o que for, levem o corpo com cuidado para a análise. Tenho algumas dúvidas…
— Isso é extremamente cruel, seja lá como ela tenha sido morta.
— Exato… — Ele caminhou até o banheiro, na passagem encontrou livros de psicologia, drama e fantasia. Na geladeira bastante bebida. — Nossa vítima parecia ter um fascínio por melancolia.
— O nome dela é Laura Webb, primeira das três filhas de Josy Webb, estudante local, tinha poucos amigos e um ex-namorado gótico, de acordo com ele e as irmãs Josy gostava de se isolar do mundo até começar a agir estranho de uma hora para outra, de acordo com James Baker, esse foi um dos motivos para o término do namoro.
— Informações úteis, Palpites?
— Olha… — Leah foi interrompido por Jonathan.
— A pergunta é, o namorado dela tinha algum caso com as irmãs? Já pensaram que a mesma pode ter se matado por ciúmes?
— Ela foi assassinada Jonathan. — Retrucou a perita criminal.
— Isso é o que ele ou ela fez parecer.
— Independente da causa, não faz sentido ela ter se cortado na barriga, lutando consigo mesma e no meio do caminho escrever um símbolo.
— Pode ter razão chefe, mas precisamos interrogar os familiares da Josy.
— É isso que vamos fazer.
— Posso fazer isso?
— Que seja. — Ele comemorou discretamente e depois foi investigar os destroços locais.
— Ele tem potencial.
— Sim. — Ary dirigiu-se até o banheiro, abriu a porta e encontrou vários remédios no chão e na pia. — Os peritos não viram isso ainda?
— Não, estávamos esperando você, por que pergunta?
— Por isso. — Wood pegou uma luva do bolso e pegou alguns dos remédios.
— O que está tentando fazer? — Sussurrou.
— Se bem me lembro a máquina de procedimentos de Roseward é lenta demais, prefiro ir em um local mais rapido, pelo o que estou vendo, são remédios variados. — Pegou algumas cápsulas e colocou no bolso junto da luva. — Talvez o garoto tenha razão, a ordem dos eventos não batem.
— Nada está batendo. Vamos lá.
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