The Misty

26 Capítulo 24 - Previsão


Notas iniciais
Boa Leitura

Out States — Dark Sky

Júlia Smith 12 de Novembro de 1997, 14h16min.

No hospital apenas pingos batiam na janela do quarto. Lara estava em coma. A cara dos médicos não era nada bom, me senti bastante culpada e me lembrava sempre do que Alice havia me dito;

“— Você se diz tão pura mas não é tão diferente de min… “

Essa frase ecoou pela minha mente à noite inteira, não consegui dormi. Jean não saiu do meu lado e até mesmo sua esposa sabia sobre quem eu era, creio que estava chegando a hora de anunciar para todos sobre quem eu era realmente, mas Jean pediu para que eu esperasse Lara se recuperar.

No entanto continuava a pensar na mesma coisa da noite passada, havia muita coisa para similar mas não tinha para quem dialogar. Jean iria acha que eu estava maluca mas poderia me entender. Elizabeth e eu não temos um laço muito forte, eu estava presa nas minhas próprias lembranças.

— Ei loirinha é melhor você caminhar um pouco, você havia me dito que adorava caminhar por aí enquanto estivesse chovendo. — Ele sorriu me entregando uma caneca de café.

Creio que estava uns -10 graus. Eu estava usando um casaco de lã branco que comprei na minha viagem em Londres, na realidade nem estava tão velho pois nunca cheguei ao usar mas me sentia muito confortável com aquela vestimenta.

Eu realmente queria caminhar mas a ideia de deixar Lara aqui me fazia recusar, estava ciente de que Jean ficaria ao lado dela, mas eu sentia a obrigação de ficar ali.

O brilho lá fora iluminava seu cabelo castanho, havia um cisco no olho e cocei, ao olhar novamente vi uma mecha do cabelo dela ficando avermelhado, eu fiquei meio assustada e achei que estava vendo coisas, Jean e Elizabeth me disseram que não viram nada demais, então decidi ir para o lado de fora do hospital.

Ao sair estava uma nevoa densa que me fazia sentir mais frio, pelo reflexo da porta do hospital notava que estava bem corada. Depois de voltar da minha missão eu não vi que Dark Sky havia sido reformada, não que construíram de novo apenas mudaram algumas coisas, os lugares continuavam os mesmo ao lado do hospital havia uma catedral, do outro lado da rua, atrás do hospital havia um posto de gasolina e bem perto daqui havia os condomínios onde eu morava e outras pessoas também além de várias casas para o sul da cidade. Além da enorme mansão da Abigail perto da praça. Em frente à igreja havia o prédio da prefeitura junto com o museu, a delegacia, lanchonete. Além de um espaço para festas politicas os quais eu participava de vez em quando, eles serviam um belo banquete.

Comecei a caminhar pelas ruas as quais estavam meio suja, com jornais e copos por ai, o movimento era meio vago, haviam carros passando e algumas pessoas falando, mas nada de tão movimentando, antes a coisa era meio diferente, as pessoas adoravam sair quando o tempo estava frio, eu particularmente não me surpreendo a cidade ficou bastante perigosa.

Me lembrava do tempo que eu fugia para cá, eu tinha entre 14 e 16 anos, sempre gostava de visitar essas florestas e brincar com os animais, depois daqueles acontecimentos não via mais aqueles animais, existia obviamente, mas talvez escondidos dos lobos que agora habitam aquela floresta.

Nesse momento de nostalgia acabo lembrando do momento que havia me escondido na cabana.

Ao acordar não sabia exatamente onde estava ou até mesmo que horas eram, me levantei com um pouco de dor pelo corpo e fraca, além de ter sede e fome, o brilho do sol iluminava aquela cabana abandonada, ao olhar novamente para ao redor havia uma lareira cheia de teia de aranha, mesas e cadeira quebradas e jogadas pelo o local o chão estava com muita poeira e algumas folhas do lado de fora, no teto havia alguns furos e era a razão de haver uma poça d’água a alguns metros dali.

Quando sair havia me lembrando do porquê de estar ali, provavelmente já era agosto, Will nem veio me procurar depois de ter caído e conseguido sobreviver, talvez ele pensou que eu teria morrido e nisso foi uma sorte pra ele. Eu preciso ter essas respostas, pois se for verdade, meu plano estará apenas começando.

— Antes de qualquer coisa eu preciso pedir ajuda e sair dessa floresta.

Nos primeiros trinta minutos caminhava para algum ponto, não sabia se era norte sul, “nosultdeste” eu não sei se isso existe, teve momento que eu boiava no rio que entrava nos matos. Meus pés estavam totalmente doloridos. Completando uma estrada, caminhando em terra pura, pisava em galhos e tropeçava no meu próprio pé, pode parecer engraçado mais eu queria ficar caída no chão. Completando duas horas e meia eu finalmente vi à “luz do fim do túnel” cheguei na rua principal, aquela à qual havia “pulado”. Estava completamente sonsa e com fome ao olhar para os lados notava um tipo de miragem, eu sinceramente notava batatas fritas e um copo enorme de Milk Shack de brigadeiro e uma cama totalmente com plumas, as batas fritas eram semelhantes a que eu comia na lanchonete, crocantes e bem gostosas, e o milk shake era um paraíso gelado, corri até em direção tropecei em uma pedra cai de cara no chão e adormeci, acordei em um apartamento.

Havia um ventilador junto com uma lâmpada no teto, aquilo girava sem parar, meus olhos seguiam eles sem hesitação quando me levantei e me sentia totalmente dolorida, estava com diversos curativos e panos umedecidos pelo o meu corpo. Aquele lugar era pequeno, havia uma mesa central e uma tv quebrada uma banca de livros atrás de min, o banheiro estava a dois passos ao meu lado, especificamente atrás e do lado o quarto, a cozinha era junto com a sala, engraçado é que isso virou o meu apartamento, mas isso é pra depois.

Uma idosa saiu do quarto e ela soltou um sorriso, ela vestia roupa de idosa, com uma estampa completa de rosas além de esta com os cabelos brancos presos por um palito chinês, aquele que se usa para comer. Seus olhos eram esverdeados e tinha traços de ser oriental. Ela era silenciosa e ficava olhando para min, o vento que saia da janela levava o cheiro do chá que estava preparando, como eu era curiosa fui devagar caminhando lentamente para onde ela estava.

Esperava ela me dar uma bronca mas sua doce e cansada voz me falou algo.

— Eu queria ter uma filha assim… Na realidade eu tinha, mas ela havia falecido… — O seu sorriso desapareceu logo em seguida abaixou a cabeça.

— Como?

— Nada… Apenas lembranças do passado. — Retornou a sorri.

Um silencio caiu e fiquei sem palavras estava constrangida mas sabia o que era para falar, ela continuava a preparar o chá, havia biscoitos espalhado pela mesa, semelhante aos famosos cookies. Além de no centro existir uma jarra com flores, no entanto de um vermelho forte começou a murchar e se transformar em um roxo escuro.

— Obrigada… por me levar até aqui. — Ignorei a tal ação da flor e agradeci pelo o que ela me fez.

— Não foi nada, vi você caída no meio da estrada, tinha ido fazer pequenas compras em Roseward, não podia deixar uma menina assim. — Eu comecei a observar os retratos que havia na banca que estava ao lado da banca onde havia um pequeno rádio e uma pia, na bancada existia diversos retratos, tinha um idoso com uma menina sorridente, o velho estava usando um uniforme de militar e a senhora que estava ali apenas sorria como se nunca estivesse tido aquela emoção. — Você deve ficar aqui… Eu sei quem é você… — nesse momento arregalei os olhos e comecei a me afastar — não se preocupe criança, cuidarei de você como eu cuidei dela. — A sensação de calma pós o pânico foi aliviante.

— Você sabe quem eu sou? — Me sentei na cadeira novamente, o brilho que vinha de fora iluminava aquele apartamento me deixando observar detalhes importantes, como o piso de madeira que estava meio sujo, um tapete empoeirado, na parede estava coberto por uma tinta branca que já estava saindo por conta do tempo.

— Claro… Júlia Smith não é? Eu não estou tão velhota assim, sei o que está acontecendo, no meio das minhas compras anunciaram seu desaparecimento, fiquei imaginando, pobre garota tão feliz, caminhando essas florestas, sozinha! Você é bem corajosa…

— Por que não me levou de volta? — Ela deu um sorriso e se voltou para min, estava olhando a paisagem pela janela, nessa época não havia telhados atrapalhando nenhuma visão. — Acredito que você conhece muito bem o retorno para Roseward, e com certeza teria um motivo para não voltar lá… Eu entendo muito bem você, na realidade eu também não gosto daquele Will.

— Você sabe de tudo?

— Eu sei de muita coisa, olha criança uma coisa que você deve saber, nunca se meta nos problemas que não é seu, apenas observe, é muito melhor se um telespectador do que um apresentador, todos olham para você…

Aquilo foi bem curioso, eu estava gostando dela, o cheiro do chá me deixava aliviada, o silencio retornou e eu acabei falando o que não deve.

— O que aconteceu com eles? — Seu sorriso fugiu como um ladrão e seus olhos mostraram coisas que não queria lembrar.

— Meu Marido não vivia em casa ele apenas seguia em seu trabalho como um chefe, a minha menina, adotada mas eu considerava minha filha…

— Me desculpe por iniciar esse assunto, mas eu não sei o seu nome — lancei um sorriso tímido.

— Molly… Molly Winks… Bem continuando, eu sempre reclamava com ele por não passar muito tempo com a garota mas ele não ligava, cheguei a um ponto de pedir divorcio mas naquela época não era uma boa opção, ele era um bom marido, mas nós não podemos ter filhos e ter um de outro alguém deixava ele meio nervoso, ela notava que o pai dela não gostava, em um dia de chuva ela decidiu partir sem min avisar… — As lagrimas começaram a cair sobre sua face — Ela acabou caindo nas escavações do ano passado e depois dali seu corpo não foi mais encontrado…

Aquilo parecia meio triste, eu notava que aquilo deixava ela abalada e queria conter aquela “água contida” que havia nela.

— Me desculpe, eu sou uma tola mesmo, iniciar um assunto tão delicado à quem me deu teto e me ajudou nesses ferimentos, é melhor eu ir.

— Não… isso não… apenas fique, é o melhor que você pode fazer, mas eu preciso desabafar de uma vez.

— Tudo bem… — Ela pegou um lencinho e enxugou as lagrimas.

— Depois disso meu marido voltou para o trabalho e também ficou desaparecido em combate eu simplesmente desabei, meus vizinhos e que me ajudaram nessa hora, mas nos dias de hoje consigo superar tudo isso, no entanto Dark Sky está ficando cada vez mais perigosa e creio que esteja na hora de eu partir.

— Partir?

— Sim… talvez viver em uma fazenda ou ir para outros pais, mas quero deixa essas minhas lembranças aqui e ir embora de uma vez…

— Talvez seja a escolha certa…

Ela se levantou e me permitiu pegar alguns biscoitos, comecei a devora-los sem hesitação.

— Me diga… qual era o nome de sua filha?

— Eu e meu marido, Max. Chamávamos ela de Alice… Alice Winks… ela deve ter a sua idade.

Ao sair desse flashback confuso estava ciente de que à Alice que virou minha inimiga era à mesma que desapareceu nos escavamentos, isso só me indica que existe alguma coisa naquele local.

Não havia reparado o quanto longe havia ido, uma forte tempestade estava chegando e os raios começaram a cair, o som de trovões eram escutados de quarteirões, voltei ao hospital e Jean e Elizabeth haviam cochilados no lado de fora do quarto.

Antes de entrar eu esperava ver Lara na cama e começava a pensar em não entrar, mas mesmo assim entrei.

Existe coisas que uma pessoa pode prever, outras apenas consideram teorias vagas que vagamente é comprida. A janela do quarto estava aberta e as cortinas estavam balançando com o vento que a tempestade trazia do lado de fora, Os relâmpagos iluminava o local pois as luzes do quarto haviam sido apagadas, Lara não estava mais na cama e alguém estava no banheiro.

De princípio eu pensei que havia conhecido Alice da maneira correta sem segredos e o caso de Lara poderia ser semelhante, mas na verdade era completamente diferente, eu não previa aquilo, na verdade eu temia o que estava vendo.

Uma mulher de “porte” estava usando calça jeans justas e ela dobrava na parte das botas, as quais tinha um detalhe cinza e preto. Estava usando uma camisa de tecido preto e uma jaqueta jeans. Ao notar sua face não reconhecia mas, seus olhos estavam cheios de medo e ao mesmo tempo sentia o mesmo diante daquele olhar medonho que aquela mulher estava dando para min, seus óculos escuros só aumentava o brilho e a coragem que aquele olhar estava dando, aqueles seus olhos eram de coragem, firmeza e de que ninguém poderia deter lá. Seus lábios estavam vermelhos o bastante que parecia que tinha passado batom ou bebido sangue humano. Seus cabelos estavam completamente avermelhados e sua trança havia voltado, o relâmpago o qual iluminou o local só aumento a hipótese de quem era aquela mulher. Na verdade à mulher que havia conhecido não existia era apenas uma versão simpática, a verdadeira estava na minha frente e eu queria fugir dali, mas apenas fiquei forte e firme esperando uma resposta na qual eu já tinha...

Pois Lara Croft está de volta.