The Mistery Of Her Eyes
2 Save Myself
Notas iniciais
Hay
''Ao desembarcar do avião, peguei minhas malas e meu violão e fui em busca da minha nova colega de apê. Havia muitas pessoas, mas de fato ela se destacava no meio de tanta gente, não sei se era pelo fato dela segurar uma placa toda errada com uma mão, estar com a blusa encharcada e estar brigando com um garoto que estava realmente muito assustado. Aquela garota era linda, e por alguns minutos me senti estranha perto dela, ela tinha cabelos loiros que iam até sua cintura, ao qual era muito fina, havia um corpo totalmente esculpido e estava vestindo qualquer roupa que deveria ter achado no seu roupeiro. A blusa, agora colada pela água, era preta de regata, usava um short jeans e chinelos nos pés. E por mais bem vestida que eu achava que estava, eu não conseguia me sentir bonita perto dela. Me aproximei e vi que ela ainda xingava o rapaz.
— Com licença. — eu disse cutucando ela.
— Escuta aqui, eu to no meio de uma briga. — ela disse brava.
— Você deve ser Estela, não é? — ela me encara bufando enquanto o garoto dava no é. — Sou Hayley, sua nova colega de apê. — sorri envergonhada.
— Meu Deus, desculpe.- ela colocou a mão na boca assustada e arregalou os olhos. Logo se ajeitou e me olhou sorrindo. — Sera um prazer dividir apê contigo, sei que seremos grandes amigas. — ela sorri novamente e me abraça. ''
—_______
Havia se passado exatamente um mês desde o nosso encontro, e de fato nos tornamos grandes amigas. Eu já conseguia ver meus dias sem a loucura de Estela, e em tão pouco tempo já sabíamos tudo uma da outra. Inclusive, fizemos matrículas juntas na mesma faculdade para o mesmo curso, e como se nos vendo todos os dias já não bastasse, pegamos cadeiras iguais em mesmo horário. Estela de fato se mostrava ser uma baita amiga, ao qual eu não queria perder nunquinha nessa vida. Nesse meio tempo eu mudei, mudei algumas atitudes minhas, mudei minhas roupas, comecei a usar meu cabelo mais natural, passei a usar menos maquiagem, iniciei aulas de piano e continuei com meu violão e minhas músicas. Estela adorava me ouvir tocar, e seu incentivo me ajudava muito a continuar com esse hobbie. Antes de ouvir os gritos histéricos de Estela, me pus a pensar em tudo que aconteceu nesse mês e sorri ao olhar para meu quarto. Ele era todo branco com uma parede lilás, minha cama ficava justamente nessa parede, onde havia muitos nichos com meus novos livros e enfeites. Na parede ao lado havia uma baita janela e uma mesa para estudos, onde tinha mais algumas prateleiras para futuros livros da faculdade. O roupeiro ficava ao lado da porta do banheiro, ao qual eu era muito privilegiada por ter um só para mim.
— HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAY. PELO AMOR DE DEUS, VEM AQUI SUA PIRANHA, TENHO NOVIDADES. — ela gritava sem parar da sala e aquilo me fazia odiá-la. Estela tinha manias ao qual eu detestava, mas a gente aprende a relevar.
— Falar criatura, quem morreu? — eu disse revirando os olhos e a encarando.
— Você, caso perca essa oportu. — Uma das manias que eu detestava nela era o fato dela encurtar as palavras, como se elas já não fossem curtas o suficiente. — Tenho um primo que conhece um cara que tem um pubzinho, eu mandei um áudio seu cantando e ele se interessou. Então te chamou para tocar hoje a noite no pub, caso ele curta muito ele quer te contratar para algumas noites. É pouca grana, mas já ajuda em alguma coisa. E como não começamos a facul ainda, achei que não iria se importar, então eu aceitei por ti. De nada. — ela deu um beijo em seu ombro e riu.
— Sua vaca, como sabia que eu iria aceita? — cruzei os braços e revirei os olhos.
— Não sabia, mas sabia que iria tentar fugir, e como eu sei que você não gosta de fugir com suas responsabilidades, sabia que se aceitasse não iria fugir. Agora trate de ver alguma coisa pra tocar que daqui 2h estamos indo.
Eu tinha sempre o desprazer se subestimar Estela, ela sempre conseguia o que queria e de certa forma isso me irritava. Mas não posso dizer que não gosto dela, ela virou uma quase melhor amiga, tinha ideias boas, uma cabeça bem firme (apesar de algumas loucuras) e sempre pensava muito antes de agir (talvez as vezes), mas era uma pessoa boa, em pouco tempo vi que ela era capaz de muita coisa para ser feliz, ou para fazer alguém que goste feliz. E nos gostávamos, então sempre tínhamos muitas situações para rir.
Já se passava das 19h, e eu precisava estar no estabelecimento as 20h. Estela se enrolava no banho enquanto eu terminava de ajeitar minhas coisas. Violão, ok. Roupa, ok. Só falta um banho e tudo certo. Entrei no meu banheiro e tirei minhas roupas, tomei um banho bem relaxado e aproveitei para lavar meus cabelos. Hoje definitivamente não era um dia para poucas coisas, precisava impressionar o público e ser bem vista, quem sabe não rende uma renda extra. Sequei meus cabelos e deixei apenas as pontinas pouco molhadas para assim formar os cachinhos que eu tanto gostava. Coloquei um short jeans com alguns brilhos ao qual eu amava, coloquei uma regata básica e por uma cima um casaco com um tecido tão fino que chegava a ser transparante, ele era lindo e havia alguns brilhos por todo ele, coloquei minhas botas de salto e caprichei na maquiagem e no batom vinho. Lembrei de uns brincos de argola que Estela havia me dado e coloquei, aproveitei e apenas peguei minha pulseira dourada ao qual minha mãe havia me dado. Estava pronta e satisfeita.
Para a minha sorte Estela tinha um carro e dirigia, o que nos facilitou na hora de chegar até o pub. Apenas sai de seu lado quando ela me prometeu de minguinho que não iria beber, pois estava dirigindo. Fui até o dono do bar e por alguns minutos conversamos sobre as músicas, ele adorou as minhas escolhas e me mostrou onde seria a minha ''apresentação''. Assim que o local começou a lotar, ele me fez um sinal de positivo e fui até o lugar onde tocaria.
— Olá, sejam todos bem vindos. Meu nome é Hayley Campbell, e hoje eu animarei a sua noite. Espero que gostem. — ajeitei o violão no meu colo e voltei ao microfone. — Essa se chama What Lovers Do.
Eu realmente adorava aquela música, ela era animada e percebi que o público havia gostado bastante. Depois de meia hora, decidi fazer uma pausa para comer alguma coisa. Senti olhares sobre mim, mas não me importei tanto assim. Sentei na mesa com Estela e a mesma não para de tagarelar, olhei para o bar e percebi que alguém me olhava, porém eu não conseguia ver seu rosto, acabei ignorando e decidi pedir batatas. Estela conheceu um carinha e não perdeu tempo o chamando para sentar conosco. Ele era legal, confesso, e era um gato, se chamava Nick. Ele era forte, não um monstro, mas bem musculoso, deveria ter uns 23 anos, cabelos negros e olhos verdes, e claro parecia ser uma pessoa gente boa. Com toda a certeza ela não perdeu tempo algum, quando eu vi, eles estavam ja trocando telefones. Quando dei por mim, precisava voltar para o palco, e eu estava ansiosa para ver quem tanto me olhava, porém quando sentei vi que não havia ninguém de tão interessante assim no bar.
— E para encerrar a noite. — eu já poderia ouvir alguns falando o maroto ''ahhh'', e isso me deixava com a autoestima lá em cima. — Essa última música se chama Save Myself e é uma composição minha. Espero que gostem, e boa noite. — sorri e comecei a dedilhar no violão as primeiras notas daquela música, ao qual eu conhecia muito bem. Fechei meus olhos e senti o que a muito tempo não sentia, aquelas cenas voltavam como um passe de mágica, mas não me atingia mais como antes. — I gave all my oxygen to people that could breathe
I gave away my money and now we don't even speak
I drove miles and miles, but would you do the same for me?
Oh, honestly?
(Eu dei todo o meu oxigênio a pessoas que podiam respirar
Eu dei todo o meu dinheiro e agora nós nem nos falamos mais
Eu dirigi por milhas e milhas, mas será que vocês fariam o mesmo por mim?
Oh, de verdade?)- abri meus olhos e fiz uma pequena pausa, antes que eu pudesse fechar meus olhos novamente e continuar, olhei para o bar novamente e o vi. Um rapaz lindo, não tão musculoso, com os cabelos negros e os olhos da mesma cor. Seu sorriso sacana me tirou do chão. Eu nunca havia o visto, mas meu coração pulava para fora de uma maneira que nunca havia feito, nem mesmo com Klaus. Respirei fundo e sorri tímida, vi que ele notou e ele passou a me encarar da mesma forma que eu havia o encarado. — Offered off my shoulder just for you to cry upon
Gave you constant shelter and a bed to keep you warm
They gave me the heartache and in return I gave a song
It goes on and on
(Eu ofereci meu ombro para vocês chorarem
Dei abrigo sempre que precisaram e uma cama para aquecê-los
Eles me magoaram e, em retorno, eu os dei uma canção
E assim vai)
Life can get you down so I just numb the way it feels
I drown it with a drink and out-of-date prescription pills
And all the ones that love me they just left me on the shelf
No farewell
So before I save someone else, I've got to save myself.
(Eu a afogo em bebidas e comprimidos vencidos
E todos os que me amam, eles apenas me deixaram numa prateleira
Sem despedidas
Então antes que eu salve alguém, eu preciso salvar a mim mesmo) — aquele rapaz sorriu, e eu não entendia o efeito que ele havia causado sobre mim, fechei meus olhos novamente me permitindo que eu apenas sentisse aquela música e afim de tentar ignorar o fato que eu não conseguia tirar os olhos dele. — I gave you all my energy and I took away your pain
'Cause human beings are destined to radiate or drain
What line do we stand upon, 'cause from here it looks the same
And only scars remain
(Eu os dei toda a minha energia e levei suas dores embora
Porque seres humanos estão destinados a irradiar ou drenar
Em qual linha estamos de pé? Porque daqui parece tudo a mesma coisa
E restam apenas cicatrizes)
Life can get you down so I just numb the way it feels
I drown it with a drink and out-of-date prescription pills
And all the ones that love me they just left me on the shelf
No farewell
So before I save someone else, I've got to save myself
(A vida pode te derrubar, então eu apenas anestesio como eu a sinto
Eu a afogo em bebidas e comprimidos vencidos
E todos os que me amam, eles apenas me deixaram numa prateleira
Sem despedidas
Então antes que eu salve alguém, eu preciso salvar a mim mesmo)
But if don't
Then I'll go back
To where I'm rescuing a stranger
Just because they needed saving just like that
Oh, I'm here again
Between the devil and the danger
But I guess it's just my nature
My dad was wrong
'Cause I'm not like my mum
'Cause she'd just smile and I'm complaining in a song
But it helps
So before I save someone else
I've got to save myself
(Mas se não der
Então eu voltarei
A onde eu estou salvando um estranho
Só porque eles precisavam ser salvos, simples assim
Oh, estou aqui de novo
Entre o diabo e o perigo
Mas acho que é só a minha natureza
Meu pai estava errado
Porque eu não sou como a minha mãe
Porque ela apenas sorriria, e eu estou reclamando em uma canção
Mas isso ajuda
Então antes que eu salve alguém
Eu preciso salvar a mim mesmo)
Life can get you down so I just numb the way it feels
I drown it with a drink and out-of-date prescription pills
And all the ones that love me they just left me on the shelf
No farewell
So before I save someone else, I've got to save myself
(A vida pode te derrubar, então eu apenas anestesio como eu a sinto
Eu a afogo em bebidas e comprimidos vencidos
E todos os que me amam, eles apenas me deixaram numa prateleira
Sem despedidas
Então antes que eu salve alguém, eu preciso salvar a mim mesmo)
And before I blame someone else, I've got to save myself
And before I love someone else, I've got to love myself.
(E antes que eu culpe alguém, eu preciso salvar a mim mesmo
E antes que eu ame alguém, eu preciso amar a mim mesmo) — terminei a música sendo aplaudida pelo pessoal, respirei fundo e abri meus olhos sorrindo. Levantei, peguei meu violão e sai dali o mais rápido que podia.
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