The Missing Rainbow
3 Descubro que sou filha de um Arco-Íris
Depois de algum tempo, uns cinco monstros mortos, e muitas conversas, finalmente chegamos ao Acampamento Meio-Sangue. Confesso que fiquei bem espantada com o tamanho do lugar. Era imenso!
– Caraca! Você não me disse que era desse tamanho! – Comentei
– Isso é gigante, cara! – Disse, Pedro.
– Eu sei, eu sei... É demais mesmo! Agora vamos, que Quiron está nos esperando na casa grande. – Concluiu Tom, dirigindo-nos colina á baixo.
Descemos a colina, e fomos em direção á grande casa azul, passando por campistas ocupados com espadas, arcos, adagas, ou apenas conversando. Eles olhavam para mim, e para Pedro com um olhar amigável e faziam comentários para Tom, do tipo: “Parabéns! Além do garoto, conseguiu um bônus!” e “Quiron vai ficar feliz, com a campista extra.”. Acho que estavam falando de mim.
Fomos até a casa, onde um homem numa cadeira de rodas estava lendo um grosso livro de romance. Quando entramos, ele apenas ergueu os olhos do livro, e se dirigiu á Tom:
– Olhe o que temos aqui! Fico feliz que tenha tido sucesso com sua missão, Tom. Parabéns! – Disse com um ar satisfeito – Vejo que conseguiu uma campista a mais, além de nosso alvo! Pode apresentá-los, por favor?
– Bem – começou o sátiro – Esse é Pedro, ele tem 15 anos, o resgatei em sua escola, logo após um ataque de Dracaenae. Estávamos vindo para cá, quando uma hidra nos surpreendeu. Julieta nos salvou. Ela tem também 15 anos, e após o incidente, resolvemos trazê-la conosco. – Explicou, de forma rápida.
– Prazer em conhecê-los! Eu sou Quiron, o diretor de atividades, daqui. Sejam bem vindos, ao Acampamento Meio-Sangue. Aqui vocês serão treinados para lutar contra monstros, e coisas do tipo. Temporariamente, vocês ficarão do chalé de Hermes, mas, quando forem reclamados, serão destinados aos seus respectivos chalés. – Virou-se para Tom, e completou – Tom, leve-os para conhecer o acampamento, explique o que for necessário, e tire suas dúvidas. Depois os encaminhe ao chalé 11.
Conhecemos o acampamento, os chalés, o lago, o pavilhão, a fogueira, enfim... Conhecemos tudo. Foi realmente legal! Depois de tudo, quando eu já estava super cansada, Tom, levou a mim e a Pedro, até o Chalé de Hermes, onde os campistas, que ainda não foram reclamados, ficam em suas primeiras semanas. É um chalé relativamente normal, com paredes de madeira, e vários beliches. Sentei em um dos beliches, que eu concluí estar vazio, e coloquei minhas roupas sobre o colchão. Pedro se acomodou no mesmo beliche que eu, na parte de cima.
Encostei minhas costas na parede, e abracei minhas pernas. Estava com saudade do meu pai, e por incrível que pareça, estava sentindo falta até da voz irritante de Sarah. Instantaneamente, ao pensar em meu pai, toda aquela alegria e euforia que eu estava sentindo por ter chegado ao acampamento, se transformou em tristeza. Enfiei a cabeça no meio das pernas e comecei a chorar. Sei que era só um dia longe de casa, mas é que eu tinha ido embora logo depois de ter brigado com o meu pai, e isso estava me corroendo por dentro.
Senti alguém se sentar em minha cama. Me senti uma idiota por estar chorando, pois havia esquecido de que estava em um chalé lotado, e não no meu quarto. Quando levantei a cabeça, me deparei com um garoto que eu nunca tinha visto antes. Ele era moreno e baixo, e tinha um sorriso malicioso no rosto.
– Porque está chorando? — Perguntou
– Nada – Respondi rapidamente, enxugando ás lágrimas.
– Huum, tudo bem. Meu nome é Felipe, sou filho de Hermes. Qual é o seu nome?
– Julieta – eu disse. Não estava nem um pouco a fim de conversar, mas ele estava sendo muito simpático comigo. – E aquele ali em cima é Pedro. Chegamos aqui juntos, essa manhã.
Ele chamou Pedro, e o garoto desceu e se sentou em minha cama. Felipe se apresentou, nós três conversamos um pouco, mas logo depois se ouviu um toque de trombeta, ao longe.
– É hora do jantar – Disse Felipe, já se levantando – Vamos! Eu estou morrendo de fome!
Nós nos levantamos, e o seguimos.
Chegamos ao refeitório, e nos sentamos em nossa mesa. Como não sabia o que fazer, segui o exemplo dos outros. Disse o nome da comida que eu queria, e ela magicamente apareceu no meu prato. A mesma coisa aconteceu com a bebida. Fiz o que Felipe fez: Me levantei e fui até a fogueira, despejei um pouco de minha comida ali, e disse:
–Á minha mãe divina, seja lá quem for.
Voltei á mesa, e comi minha macarronada. Quando ergui os olhos, vi que todos me olhavam, espantados. Inclusive Pedro.
– O que foi? — Perguntei
– Ju... Julieta... Você está... Está... – Gaguejou Pedro
– Se olha no espelho, que você vai entender. Peguei emprestado da mesa de Afrodite. – Disse Felipe, me dando um espelho cor de rosa, com várias pedras.
Quando me olhei no espelho, reprimi um grito: Meus olhos estavam coloridos. Coloridos mesmo, de todas as cores, passavam rapidamente do rosa ao vermelho, e depois ao verde, laranja, azul, vermelho, branco... E como se não bastasse isso, meus cabelos, ainda que curtos, estavam flutuando como que sem gravidade e brilhavam numa série de cores que acompanhavam meus olhos.
Connor, o garoto com olhar travesso que estava sentado ao meu lado gritou:
– Quiron, acho que acabamos de descobrir de quem a garota aqui é filha.
Quiron olhou para mim, e seu rosto assumiu uma expressão de surpresa. Usando as mãos, ele pediu que eu me aproximasse. Quando cheguei ao seu lado, percebi que não estava mais em sua cadeira de rodas, e sim, sobre um corpo de cavalo, mas isso não me surpreendeu nem um pouco. Ele era um Centauro.
– Todos! Peço a rápida atenção de vocês! Conheçam Julieta Stain, filha de Íris.
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