The Midnight Storyteller
3 A Pulseira Vermelha
Notas iniciais
Enjoy e não puxe conversa com gente no elevador , *Spoiler*
Amélia abriu a porta do pequeno quarto branco no hospital. As paredes brancas davam uma sensação de paz e tranqüilidade á qualquer um que passasse por aquela porta, mas não para ela. Nada era pior que paredes brancas e sem cor, que nos permitem pintar com as cores que quisermos os medos e felicidades sem nenhum limite. Amélia observou a menina de vinte dois anos ali, deitada na cama, esboçando um sorriso na sua presença sem nenhum motivo.
- Ah, Mel, que bom que pode vir me visitar. – Becca Lionel era a melhor amiga de Amélia desde o acidente na casa dos Lionel, que matou o irmão mais novo de Becky, Michel, e os pais dela. Naquele tempo, Amélia era a vizinha de Becca e viu nela uma filha que nunca o Senhor Bates, que agora falecera havia quatro anos, quis ter. – Eu realmente preciso de uma das suas histórias pra animar os ânimos.
- Acho que a história que eu tenho em mente é um tanto ruim pra um ambiente tão perverso que é o hospital. – Amélia sorriu, puxou uma cadeira e olhou para a enfermeira. – Acho que você deveria dar uma volta.
- Creio que não, senhora. Eu e Becca somos amigas e ela falou que você conta histórias como ninguém. – A enfermeira magra e bronzeada sorriu e puxou uma cadeira, se sentando ao lado de Becca. – Além disso, eu preciso ver os níveis de aceleração do coração dela, casa ela tenha alguma para respiratória ou outra coisa do gênero.
- Então acho que não há nada mais me impedindo de contar essa história, que por incrível que pareça aconteceu nesse mesmo hospital. – Amélia pegou a mão de Becca e mostrou á ela uma pulseira com o seu nome.
“Sabe-se que em todo hospital usam-se pulseiras de identificação. Acontece que eles põem uma pulseira branca com o seu nome e outra colorida, cada uma com um significado. A vermelha geralmente significa ‘morto’. Eu conheci o doutor Garblehouse, ele era o cirurgião desse hospital há alguns anos atrás e certo dia ele saiu de uma sala de cirurgia no terceiro andar e se dirigiu até os elevadores, entrando em um deles. No elevador, uma senhora de aparentemente setenta anos, usando um casaco de pele e uma bolsa de couro, o cumprimentou casualmente, sem nenhum tipo de problema aparente. Bem, ao chegar no térreo as portas do elevador se abriram e o doutor já ia saindo, quando viu uma mulher vestida com uma roupa ensangüentada de hospital, e clicou no botão de fechar a porta, subindo alguns andares.
- Porque o senhor não deixou a pobre mulher entrar? – A senhora olhou para o médico, que suava cada vez mais enquanto o elevador subia do térreo até o segundo andar.
-Aquela mulher foi a que eu operei hoje. Ela morreu na mesa, não viu a pulseira que ela usava? – O médico passou a mão na testa e captou pelo canto do olho um sorriso da senhora.
-Por um acaso essa pulseira seria igual a essa aqui? Eu tenho certeza que eu tenho uma aqui com o seu nome, filho.– A senhora levantou o casaco e a pulseira vermelha pareceu no pulso dela, que procurou na sua bolsa outra pulseira. – Todos nós temos uma pulseira com nosso nome e a sua infelizmente é vermelha.- Ela sorriu e observou o médico, que nervoso queria que o segundo andar chegasse logo, mas ele nunca realmente chegou lá com vida.
Ao chegar ao segundo andar, a porta do elevador abriu e a única coisa que acharam foi o doutor Garblehouse, frio, gelado e intacto, com uma pulseira vermelha no pulso, com o seu nome escrito e mais tarde, acharam no mesmo elevador o corpo de Doroty Parker, uma senhora de setenta anos que havia sido morta á duas horas atrás e entregue ao necrotério, ainda vestida com as mesmas roupas que chegara usando no hospital á algumas horas e com o identificar do necrotério ainda preso em seu dedão. Ninguém nunca soube explicar como esse corpo saiu do necrotério, mas o que se sabe é que a porta do necrotério nunca foi aberta.”
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