Notas iniciais
O que estão achando até agora? :D

Alice

Eu ia me atrasar pro estágio daquele jeito, e a escola onde trabalhava tinha regras super rígidas. Eu precisava chegar a tempo.

Amaldiçoei mentalmente meu último professor, por nos segurar por tanto tempo na aula. A faculdade sempre me estressava, mas eu aguentava firme e ia adiante, me consolava pensando que eu seria uma professora melhor para os meus futuros alunos.

Sim, eles iriam me amar, afinal, iria explicar pra eles todo aquele conteúdo chato de uma maneira divertida, não faria provas e eles iriam dar mais valor às aulas de filosofia.

Enquanto ficava viajando sobre tudo aquilo, aguardava pacientemente o trânsito dar uma brecha pra que eu pudesse atravessar a rua. No entanto, assim que comecei a andar, o tempo pareceu se modificar pra mim.

Os carros se moviam em câmera lenta, os ruídos foram todos abafados, e eu era a única que me movia normalmente. Olhei para a esquerda, de onde vinha o fluxo dos veículos, e observei que ao fundo algo se movia com rapidez absurda, e cortava a frente dos outros veículos. Era uma moto, e vinha na minha direção. Dei um passo para trás, e a moto pareceu seguir o meu movimento, como se quisesse me atropelar. O efeito de câmera lenta perdurou, mas aquele veículo vindo na minha direção não obedecia às novas leis da física. Estranhamente, senti um impulso vindo das minhas mãos, como se algo quisesse sair delas, e quando finalmente o veículo estava perto o suficiente, assim que tocou em mim – em uma velocidade super alta -, minhas mãos o pararam. Assim que meu corpo entrou em contato com aquela matéria, a moto se dissolveu em mil fragmentos, instantaneamente, como confetes.

O efeito slow-motion passou, e tudo ao redor voltou ao normal. Precisei ouvir uma buzinada pra sair da rua, e voltar pra onde estava.

Fiquei encarando os confetes e as minhas mãos, até que percebo que há alguém me observando, logo ao meu lado.

Ao verificar, percebi que era o rapaz de hoje cedo, da padaria.

— O que...— começou ele.

— Ah, oi...— disse eu, em tom confuso.

— Você...— ele estava totalmente pasmo. Gente.

— Eu não sei— falei, emburrada.

— O que...— ok, agora fiquei nervosa.

Aquilo tudo estava me cansando, mesmo que eu mesma me sentisse letárgica. Então, decidi:

— Me siga.