The Meaning of Love
1 Infância

Narrador — SEIS ANOS ATRÁS.
O garoto sozinho no balanço movimentava o brinquedo sem muito ânimo. Mais uma vez, todas as crianças do parque ao vê-lo fugiram; correndo e se escondendo como se ele fosse a pior das aberrações. Com o ursinho em seu braço, o abraçou mais forte contra seu peito, abrindo um sorriso triste.
— Parece que mais uma vez brincaremos sozinhos, Teddy — falou choramingando. Foi quando, tempo depois, uma sombra se fez presente à sua frente, e ao erguer seus olhos, enxergou uma garota de cabelos longos e rosas e olhos verdes um pouco mais escuros que os seus.
— Você é Gaara, certo? — ela perguntou, agindo normalmente como nunca agiam com o pobre menino. — Sou Liluth. Liluth Osako.
— Por quê...?
— Hã? — murmurou sem entender sua voz fraca. O garoto a olhou nos olhos. Havia tristeza naqueles olhos marcados por olheiras profundas e negras.
— Por que não fugiu como os outros?
— Fugir por quê? Você vai me matar se eu ficar aqui? — ironizou, o que o deixou meio assustado por não ter percebido o cinismo em sua voz.
— Não! Claro que não!
— Eu estava brincando, Gaara — riu leve, sentando-se ao lado dele no outro balanço vazio. Balançou-se levemente, sentindo o vento em seu rosto. — Você é o garoto que toda a aldeia despreza. Sua existência parece não ter sentido. Seu próprio pai te vê como um experimento e só te manteve vivo até hoje por não encontrar um jeito de te matar. — o garoto estava prestes a começar a chorar quando a ouviu dizer: — Eu sou assim — Gaara arregalou os olhos. Como aquela garota poderia ser como ele? Não era possível. — Meu clã, Osako, é conhecido por tantas falhas em missões que simplesmente fomos expulsos da aldeia.
— Por que fariam isso?
— Por que esse mundo não é justo, Gaara. Pessoas como nós são pisadas como insetos. Mas...
— Mas?
— Eu serei uma kunoichi forte e honrarei o meu clã. Pela primeira vez terão algo de bom pra dizer do meu clã. E nunca mais seremos vistos como derrotados. Esse é meu sonho.
— Por que está me dizendo tudo isso...?
— Por que confio em você. Mesmo não te conhecendo — se levantou. — E eu vim brincar com você antes de ir embora, Gaara.
— Brincar comigo? — sentiu seu pulso sendo puxado e levado para os outros brinquedos.
A principio Gaara foi relutante, mas quando foi conquistado pela rosada, não tinha mais o que fazer. Brincaram a tarde inteira, trocando risadas e jogando conversa fora. Era a primeira pessoa, tirando seu tio, com quem Gaara conseguia ter uma boa conversa, nem mesmo seus irmãos tinham segurança em ficar por perto dele. Mas Liluth não parecia uma criança como as outras da vila, ela sorria e cantava junto a ele, sem medo algum e sem olhar julgador. Era apenas a bela e pura energia da infância fazendo com que Gaara ganhasse uma amiga.
Tempo depois, quando estavam exaustos, sentaram-se na caixa de areia e ficaram construindo castelos amadores de areia. Gaara mostrou suas habilidades especiais com areia o que deixou Liluth completamente fascinada.
— Faz de novo Gaara, faz de novo! — pedia a pequena, achando suas habilidades excepcionais.
— Liluth... — abaixou a cabeça, desviando o olhar.
— O que foi Gaara? — perguntou sem entender porquê ele parara de brincar do nada.
— Você tem mesmo que ir embora?
Então era isso...
— Tenho, Gaara. Minha família não tem escolha.
— Entendo... — dava pra perceber que ele estava triste com aquilo, mas Liluth não queria que suas últimas memórias de Gaara fosse de um garoto triste, e sim de uma criança sorridente que enfrentaria todos os obstáculos da vida com coragem e determinação.
— Gaara, me prometa duas coisas — se levantou.
— O quê? — levantou em seguida.
— Primeiro: Que será um ninja forte e que nada irá te impedir disso — colocou a mão no próprio pescoço e tirou o colar que estava usando. — E segundo: Que o dia em que nos vermos de novo, você me entregará isso — colocou o colar com uma pedra verde linda nas mãos de Gaara, que apertou e olhou para ela.
— Eu prometo, Liluth...
E com um sorriso sincero ela se despediu, indo para longe do seu campo de visão. Sua primeira amiga. E a primeira pessoa que viu sua alma sofrida em meio aquele inferno onde só se encontrava sofrimento. Gaara prometeu para si mesmo nunca se esquecer de Liluth e daquela promessa. Mas muitas coisas vieram a acontecer. Muitos traumas vieram a ser vividos. E hoje, ele já não era o mesmo menino que brincou com ela naquela tarde.
Gaara permitiu a insanidade o possuir. Mas não quebrou sua promessa por alguma razão mais forte que sua sede por sangue. Talvez, só talvez, ainda existisse um lado humano naquele ser. Era isso que ela queria resgatar desde o começo.
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