The Mark Of The Vampire

46 Capítulo 46 - Sou assim, trate de aceitar.


PVB

Dessa vez eu não tinha certeza se estava fazendo o certo em dividir meu segredo com Carlisle, eu sabia da sua ganância por poder e do seu ódio por mim, mas eu também sei que ele ama sua família acima de qualquer coisa e faria qualquer coisa por eles, seu péssimo relacionamento comigo não muda quem ele é, não muda suas opiniões, ele também erra, tanto que errou sobre a cobra da Maggie, mas o que é dela está guardado. O que me faz querer dividir isso com ele, é que posso precisar dele, a vida passa e o futuro está sempre mudando, inclusive pra nós imortais, acredito que seja o momento de ter aliados, não inimigos. Sem contar que sua falta de confiança em mim é justamente pelo que fiz, sou uma das responsáveis por nosso relacionamento intragável. Sei que não sou a única responsável, mas admito e arco com as conseqüências dos meus erros, não dos outros.

Encontrava-me nesse momento em um enorme dilema interno, estávamos no escritório de Carlisle e Edward segurava minha mão, ele sabia que eu precisava de apoio e estava me dando, ele não tem idéia do quanto me sinto poderosa junto a ele. O olhei rapidamente e lhe dei um leve sorriso, me sentia tensa, claro que não deixei ninguém perceber a não ser Edward, não quero qualquer tipo de segredos entre nós.

Eu percebia o quanto Carlisle estava curioso sobre essa conversa, mas acima de tudo estava coberto de vergonha, novamente eu os ajudei sem ganhar nada em troca, se não fosse eu nesse momento Maggie ainda estaria os traindo e eles estariam torturando um inocente, isso foi o que mais me irritou durante aquela confusão, tive que bancar a advogada e fazer Maggie se entregar por conta própria, se eu dissesse logo de cara que ela era a traidora ninguém acreditaria, nem mesmo fazendo rodeios eu os convenci. Fiz o que fiz por Luíza, que mesmo comendo meu Edward com os olhos não passava de uma inocente, também fiz por Esme, seus olhos suplicantes para que eu não permitisse que tamanha injustiça acontecesse, para que eu intervisse, eu até poderia ignorar seu pedido, mas ela mandou Carlisle calar a boca, é disso que eu gosto, pessoas com atitude, ela também sabia que só acusar Maggie não seria o suficiente, se o fosse ela mesma teria feito. Sem contar o prazer que tive de apertar aquele pescocinho, Edward me assustou, achei que ele ficaria do lado dela, meu prazer foi ver o próprio Edward tentar matá-la, isso foi como um banho que lava a alma me senti renovada. Não me encontrava assim nesse momento, não com Carlisle, Esme, Rosalie e Nessie diante de mim e esperando que eu começasse a falar. Além deles estava Edward e Charlie, mas eles já tinham conhecimento sobre o assunto.

-antes de Isabella começar a falar, quero me desculpar com todos vocês. — começou Carlisle, sua cabeça estava erguida altivamente, mas seus olhos baixos, gostei de vê-lo assim, mas só um pouco. — era minha obrigação proteger vocês, no fim acabei fazendo tudo errado e cuidei, protegi e praticamente empurrei a traidora para Edward. — ele levantou os olhos e olhou Edward. — sei que vai negar, sei também que não fui o único culpado, mas a responsabilidade sempre foi minha, como líder eu tinha a obrigação de recolher entre minha família somente pessoas de confiança, falhei completamente. — agora sim eu lamentei o que aconteceu, a pessoa tem que ser humilde e saber reconhecer seus próprios erros, isso é uma dádiva, eu, por exemplo, demorei quase um século vagando por aí, sem ter onde dormir e o que comer, somente eu, Ares e meu egoísmo sem fim, mas passei por tudo e venci, superei meus próprios defeitos e os mudei a minha maneira, tudo isso pra aprender que ser humilde é fundamental em relacionamentos. Eu disse humilde, jamais uma bocó.

-ainda bem que sabe que não é o único culpado, nós também erramos, inclusive considerava Maggie minha amiga, sempre certinha e prestativa, devia ter imaginado que em nosso mundo isso não existe. — Rose não estava envergonhada, ela estava irada.

-não é só no nosso mundo que isso existe. — falei a eles. — isso existe em todos os lugares, há traidores com cara de anjos entre pobres e ricos, o que não pode acontecer é generalizar todos, desistir de acreditar que realmente existem pessoas boas e nunca querem nada em troca, é raro de encontrar, mas não impossível. — isso foi profundo. Mas não menos verdade, assim como tive dias ruins, a maioria deles, também tive dias bons, que é a minoria. Uma vez estava com fome de comida humana, estava molhada pela chuva e minha situação não estava pior por que Ares me escondia em baixo dele em dias de tempestade, me recusava a sair roubando comida de pessoas que batalhavam dia após dias pra por comida à mesa, foram épocas difíceis para os humanos, também foi difícil pra mim. Era noite e minha paciência estava por um fio, não suportava imaginar que minha vida seria mendigar por aí, estava quase desistindo de minha boa conduta e mandando tudo para o quinto dos infernos quando encontrei com uma senhora, ela vivia com seu neto e toda a renda da casa era de sua aposentadoria, ela viu meu estado e me ofereceu banho e comida, aceitei só a comida, banho eu tomava num rio assim que a chuva passasse, agradeci e sai de pança cheia, ali eu vi que desistir de seus propósitos é para fracos, eu não era fraca, tinha o propósito de melhor como ser humano, de sentir as emoções que a vida oferecesse, e alcancei meu propósito. Por que eu posso ser tudo, menos fraca ou incompetente. Se eu digo que eu posso fazer, é porque eu posso e faço.

-serio bella que está sentimental? — perguntei Rose incrédula, revirei os olhos.

-adquiri esse defeito em algum lugar, sem contar que sou chorona. — falei rindo, não sentia vergonha de falar isso, vergonha é o que Maggie fez.

-por isso chorou aquele dia. — falou Edward, provavelmente lembrando da minha crise de choro pouco antes de contar a ele sobre minha marca. Concordei e ele deu um riso me abraçando.

-o que pretende fazer com Maggie? — perguntou-me Carlisle, dei um risinho malicioso.

-não vou torturá-la, pelo menos não fisicamente, por enquanto.

-como eu disse ela é sua, faça o que quiser. — disse Esme, acenei concordando. Maggie trocou os pés pelas mãos, fez tudo errado e enganou os Cullen's, admito que a bichinha é esperta, mas ela não traiu só os Cullen's, ela traiu a si mesma, apesar de tudo ela ama Edward, a dor de perder seu amor é muito grande, vou usar isso contra ela. Muitas vezes a dor emocional é pior que a física, claro que irei matá-la, mas não agora, tenho planos bem mais interessantes pra ela.

-mas qual é assunto que você quer nos falar? — olhei pra Carlisle, como não adianta prolongar...

-o quanto sabe sobre a marca do vampiro? — seus olhos brilharam intensamente quando falei isso.

-não muita coisa, tudo o que sei eu já...já contei aquele dia. — ele quase se embolou com as palavras.

-percebi que tem verdadeiro fascínio por isso. — comentei como quem não quer nada. Ele respirou fundo.

-tenho, confesso que eu adoraria conhecer o rapaz que carrega essa marca, ter o poder que ele tem saber que esse mundo sucumbirá aos seus pés, isso se ele quiser. — ele estava muito ansioso, não sei se isso era bom.

-quem disse a você que é um rapaz? Poderia ser uma mulher. — cutuquei e ele me analisou um pouco, arqueei uma sobrancelha.

-não havia pensado sobre isso, ninguém nunca disse que o filho era um homem, pode ser uma mulher, mas acho que idealizei que era homem. — dei um riso, as pessoas imaginam algo e simplesmente acreditam naquilo, isso se chama sonho.

-você sonha de mais. — falei. — imagina de mais e quer crer nisso, volte pra realidade Carlisle. — ele me olhou parecendo envergonhado, dei um riso.

-sei disso, mas sempre quis conhecê-lo, achei que fosse homem, mas agora que você tocou nesse assunto, tenho certeza que você não só o conhece como também é uma mulher. — e não é que ele voltou rapidamente pra realidade?

-sim, é uma mulher. — eu estava enrolando, mas como despejar isso de uma vez? Vai ter que ser aos poucos mesmo, Edward apertou minha mão, eu não o olhei, mas entendi o que houve, ele estava atento a qualquer pensamento, mas seu dom era desnecessário, só de olhar pra Rose já sabia que seu cérebro estava a mil por hora. E ainda chamam loira de burra.

-e como ela é? — Carlisle levantou-se de sua cadeira e começou andar de um lado pro outro, ele estava muito ansioso, sorte que não pode ter um ataque cardíaco.

-é bonita... — falei pesando o que dizer. — interessante... — como falar sobre você mesmo? É fácil falar dos outros.

-imagino o quão interessante ela deve ser. — foi à vez de Rose cutucar, só concordei.

-mas é claro que é interessante. — falou Carlisle jogando as mãos para o alto, ele estava tão afoito que parece que esqueceu até da vergonha por causo de Maggie. — ela deve ser incrível, mas como ela é? O que ela pode fazer? Ela te contou isso?... — ele não parava de fazer perguntas, percebi quando Rose arregalou os olhos e trancou a respiração, Edward apertou minha mão mais forte. O que ela está pensando? Perguntei-me inutilmente, mas ela olhou pra mim e eu soube, ela já tinha matado a charada, ela foi mais rápida que Edward, bem mais rápida que Carlisle. O que me entregou?

-mudando de assunto. — ela disse casualmente, mas vi seu esforço pra isso, ela já sabia, mas não queria acreditar. — lembro que você tinha uma tatuagem, como conseguiu fazê-la? Já que tem a pele muito resistente. — claro, ela recordou disso.

-passei alguns meses sem me alimentar, minha pele ficou mais sensível, só assim pude fazê-la. — falei normalmente observando Carlisle que iria acabar furando o chão.

-e você ainda a tem? Depois de tanto tempo? — ela me analisava com curiosidade evidente.

-não tenho mais, novamente fiquei meses sem me alimentar e pedi a Ares que arrancasse minha pele, com isso ela foi removida. — Carlisle parou de andar enquanto todos me olhavam como se eu fosse insana. Lembro que pra retirá-la Ares arrancou minha pele com um pouco de carne junto, minhas costas ficou em carne viva, mas assim que me alimentei fiquei inteira novamente, sei que parece meio masoquista, mas não queria esconder minha marca por uma tatuagem, minha marca merecia muito mais.

-você é bem corajosa, fazer isso a si mesma. — disse Esme depois de um tempo, não precisava fazer tanto drama, não é como se eu não pudesse lidar com isso.

-sem dúvida é ainda mais corajosa do que imaginei. — Rose falou e ficou ainda mais tensa.

-por que está assim Rose? — perguntou Esme preocupada, a tensão de Rose era perceptível e acabou chamando a atenção de Carlisle que a qualquer momento iria pirar.

-o que está acontecendo? Você não é de ficar tensa à toa. — ele disse indo até ela, Rose não o olhou, seus olhos estavam fixos nos meus, ela ainda não queria acreditar.

-mostre. — ela sussurrou e eu arqueei uma sobrancelha. — sabe do que estou falando, sabe que eu só acredito vendo.

-do que está falando? Mostrar o que? — Carlisle estava bem perdido. Ele sendo o líder já deveria ter imaginado do que Rose estava falando. Ele se virou e me analisou lentamente, passando pelos meus cabelos, olhos, cada milímetro de mim ele observou, ele franziu o cenho, respirou fundo tentando entender o que estava deixando passar, imaginei. Depois ele se sentou no seu lugar atrás de uma mesa maravilhosa de madeira rústica, cruzou os braços sobre o peito e voltou seu olhar pra mim. Fiz minha melhor cara de "eu sou foda" e fixei meus olhos nele, aos poucos a compreensão foi passando pelos seus olhos, bem lentamente e à medida que isso ia acontecendo ele os arregalava, trancava a respiração e balançava a cabeça negativamente, ele poderia negar o quanto quisesse, não se pode mudar os fatos que eu sou a pessoa que ele mais tem fascínio e também a que mais ele odeia. Arqueei minha sobrancelha e dei um riso de lado no mais puxo deboche e sarcasmo.

-o que foi doutor, o lobisomem comeu sua língua? — falei soltando veneno e Edward apertou novamente minha mão. Mas eu sabia o que estava fazendo.

-n...não...não. — ele dizia sussurrado e continuava negando.

-mostre-nos. — Rose tornou a pedir hesitantemente. Soltei a mão de Edward e me virei de costas, abri o zíper lateral do vestido, era o mesmo que Nessie havia me emprestado, o mesmo que eu abri quando a mostrei a Edward, acho que estou precisando trocar de roupa. Assim que ele abriu ficou preso no meu quadril e eu coloquei meu cabelo de lado. Tudo o que ouvia era o silêncio, silêncio esse que durou mais cinco minutos, fechei meus olhos e os deixei ficarem vermelhos, quando eu fazia isso minha marca se transformava de uma bela e delicada flor em um rosto sombrio e cruel, esse rosto não tinha dono, não tinha um formato correto, porque o que importava era o que ele representava e não sua fisionomia. Apesar de seus ofegares suas reações foram mais tranqüilas que a de Edward que quase gritou e pulou para trás. Não esperei mais nada, em milésimos de segundos o vestido já estava no lugar e eu me virei pra eles como se nada tivesse acontecido. Minha expressão não demonstrava absolutamente nada. Meus olhos já estavam na cor chocolate.

Eles permaneciam estáticos e sem qualquer reação, o primeiro a se manifestar para quebrar o silêncio foi Charlie.

-não sabia que ela era assim. — ele comentou.

-você sabia sobre isso? — perguntou Carlisle incrédulo. — sabia Charlie? — Charlie permaneceu em silêncio até eu acenar com a cabeça.

-sabia. — ele respondeu.

-desde quando? Por que não me contou que Isabella era...era... — Carlisle nem conseguia pronunciar direito essa frase.

-sei disso há algum tempo. — Charlie respondeu deixando claro que não falaria sobre isso, dei-lhe um sorriso rápido.

-mas...você é a filha do volturi. — falou Carlisle lentamente e incrédulo, ele estava quase gritando "Isso não podia acontecer, e agora?", eu continuei olhando séria pra ele. — qual deles é seu pai? — não segurei o riso de deboche.

-não acha que está perguntando de mais? Acha mesmo que eu vou contar? Não sei se você percebeu, mas está na hora de fazer uma faxina entre sua guarda, não vou compartilhar mais nada enquanto não sentir que posso confiar. — fui sincera com ele mesmo odiando ele ter perguntado justo sobre meu pai.

-porque dividiu isso conosco? — dei um riso sincero a Rose, ela sempre sabe as coisas certas a serem perguntadas.

-vi o quanto Carlisle tem fascínio sobre isso, porque não contar e me apresentar adequadamente? Muito prazer sou Isabella Marie Volturi, e também a única dona da marca. — falei e fiz uma leve reverência. Eles imediatamente ficaram lado a lado e fizeram à reverência respeitosa pra mim, segurei o impulso de revirar os olhos. Puxei Edward pela mão antes que ele fizesse a reverência também. — até parece que você precisa fazer isso. — falei indignada e olhei aos outros. — nem vocês, isso chama muita atenção, não sei se perceberam, mas os Volturi não podem saber sobre mim, pelo menos por enquanto. — os olhos de Carlisle brilharam quando falei isso.

-então imagino que devemos chamá-la somente de Isabella, já que não quer tanta atenção. — concordei com ele não imaginando o que ele queria com isso, suas próximas palavras me pegaram completamente desprevenida. — não se preocupe com nada, ficaremos ao seu lado, imagino que nos contou porque precisa de aliados, ofereço toda e qualquer coisa que quiser, até minha guarda está a sua inteira disposição assim como minha família. — ele dizia orgulhoso por me prestar o devido serviço, agora sim eu cheguei em uma encruzilhada que não há mais volta, ergui minha cabeça com toda a pose que tenho e falei.

-oferta aceita. — ele ficou aliviado por servir a mim, só quero ver a cara de Jasper quando souber. — outra coisa, não acho viável contar a Alice e a Jasper, se fosse pra eles saberem eles estariam aqui com vocês, quanto a Emmet. — falei e olhei pra Rose, ela estava ansiosa. — não me importo de ele saber e até gosto dele, mas ele não é muito discreto, mesmo assim coloco em suas mãos a decisão de contar a ele ou não, qualquer um que saiba disso ficará com meu escudo protegendo a mente, não quero que por acidente alguém seja tocado por Aro. — ela sorriu pela confiança depositada.

-não vou contar a Emmet, pelo menos por enquanto quando eu decidir lhe aviso antes, quer dizer, peço permissão antes. — sério mesmo que vão me tratar como rainha? Não era bem isso que eu queria.

-não precisam pedir permissão pra mim, as coisas não vão mudar tanto, mas já adianto que a faxina na guarda Cullen começa agora.

-a guarda vai continuar se chamando guarda Cullen? — perguntou Edward, imaginei que era um deles que queria saber e não tiveram coragem de perguntar, usaram meu Edward pra isso. Ri alto.

-eu disse que serão poucas mudanças, não há a menor possibilidade de isso ser mudado, não se mexe em time que está ganhando. — falei e eles ficaram satisfeitos por isso, Nessie e Esme permaneceram quietas o tempo todo, nenhuma delas me olhou de forma acusatória, nem Nessie não me cobrou por eu nunca ter dito nada, esquece, ela acabou de perguntar.

-eu sei que isso é muito importante pra você e que teve um bom motivo pra não ter dividido comigo, mas só quero entender, por que nunca me disse? — olhei bem pra minha cria e disse a mais pura verdade, não me importando por falar diante dos demais.

-porque não sabia nada sobre mim, só sabia que eu tinha uma marca que eu não gostava e queria escondê-la, não queria que vissem então fiz uma tatuagem pra escondê-la, saí por esse mundo a fora em buscas de respostas sobre quem era, qual minha verdadeira espécie? Não quis dividir algo que eu nem sabia as conseqüências, só sabia que era perigoso, muito perigoso. — ela me olhou compreensiva, sorri por saber que ela me entendia, uma das coisas mais certas que já fiz na vida foi transformá-la, ainda tenho um assunto de extrema importância pra tratar com ela, afinal de contas ela foi transformada pela dona da marca, o meu sangue corre literalmente em suas veias. E também nas veias dos meus netinhos, isso me alarmou e eu arfei.

-o que foi? — Edward perguntou preocupado. Resolvi não esconder isso também, eu precisava que eles entendessem a gravidade do que eu acabei de perceber.

-meu sangue corre nas veias de Nessie. — os olhos dela brilharam de alegria mesmo não entendendo minha preocupação.

-por naturalidade também corre nas veias das pestes. — Edward completou, só acenei concordando enquanto o brilho nos olhos de Nessie se transformava em pânico.

-acha que eles podem usar meus filhos contra você? Eu acabo com essa raça maldita dos Volturi, todos eles. — não reconheci minha própria filha, eu nunca havia visto uma expressão tão furiosa e determinada em sua face.

-também sou uma volturi. — a lembrei. — e não há a menor possibilidade de eu permitir que façam algo a meus netos. — disse seriamente. — assim como não há a menor possibilidade de eu permitir que quem quer que seja faça mal ao meu pai, antes disso acontecer terão que passar literalmente por cima do meu cadáver.

-quando falei volturi sabe que não me referi a você, eu também não vou olhar quem é antes de matar pra proteger meus filhos. — ela estava completamente séria, resolvi testar sua coragem, só pra ver no que dá.

-passaria por cima de mim se fosse pra atingir meu pai? — falei e meus olhos ficaram mortalmente vermelhos.

-passo por cima de qualquer um pra protegê-los, lamento informar, mas por Isa e Iran passo por cima até de você. — quase pulei de alegria, mas não deixei ninguém perceber.

-então se prepare, porque assim que todos saberem que eles são meus descendentes eles virão sim atrás dos meus netos.

-eles não são seus descendentes. — ela retrucou seriamente, não havia sinal que ela estava com medo de mim, eu só queria saber por quê.

-são sim, genética é o que está no sangue, o DNA de Isabella está em você e está nas pestes, a porcentagem é praticamente impossível de saber, mas sim Nessie, eles são descendentes de Isabella. — falou o doutor da família.

-eu sei a porcentagem exata, mas não é disso que estamos falando. — voltei minha atenção à Nessie. — então você passaria por cima de mim. — alfinetei e fiquei em posição de ataque, ela ficou surpresa, mas fez o mesmo que eu era de se orgulhar, então ela me atacou sem qualquer prévio aviso, ela sumiu e eu bloqueei seu soco centímetros antes que atingisse meu rosto, sem olhar eu sabia que estavam todos chocados, confesso que até eu estava, mas eu estava exultante de tanto orgulho. Num movimento imperceptível a todos a imobilizei e rosnei mortalmente em seu ouvido enquanto ela se debatia.

-achou mesmo que fosse me vencer só por ter meu DNA? — perguntei ainda rosnando e dei uma leve sacudida nela que não parava de se debater, Nessie era uma filha da puta de tão corajosa. — pois lamento lhe informar minha cara Renesmee. — a joguei no chão e voltei a imobilizá-la, então ataquei... Comecei fazendo leves cócegas enquanto ela parava de se debater e começou rir, aumentei as cócegas e ela voltou se debater, mas agora pra fugir das cócegas e não me atacar. Suas gargalhadas foram ficando muito altas.

-ma...hahahahaha, mamis, por favor, pare....chega, hahahaha. — ela pedia entre as gargalhadas. — eu sabia...que...que você não iria me machucar. — parei com as cócegas e olhei na criatura que agora ria horrores da minha cara.

-o que disse? — mal acreditava no que ela tinha acabado de dizer.

-desculpe, eu sabia que você não iria me machucar, confesso que não sinto medo de você porque minha confiança é muito grande, mesmo assim faria qualquer coisa pelos meus filhos, assim como tenho certeza que você também faria.

-eu aqui, toda orgulhosa por sua coragem e você trapaceando. — falei incrédula e ela também me olhou incrédula o que foi agora? Pensei inconformada.

-achei que você estava brincando quando ficou em posição de ataque, não pensei que estivesse me testando. — eu mereço isso?

-eu sou assim, então trate de aceitar. — falei orgulhosa e me levantei a trazendo comigo. — a propósito, melhorou e muito suas habilidades.

-os anos ensinam muitas coisas, hoje digo com orgulho que sou ótima lutadora. — ela também estava orgulhosa, não é pra menos, antes era um horror e também uma piada.

-sei muito bem o quanto os anos ensinam, mas não só os anos, mas o que você faz enquanto eles passam. — falei e voltei pra perto de Edward pegando sua mão e me encostando nele. Eu não conseguia ficar muito tempo sem seu toque. Adoro isso.

-bom, quer fazer as honras e começar com a faxina? — falou Carlisle e foi em direção à porta a abrindo para mim. Virei-me para Edward e dei-lhe um rápido beijo.

-hora da diversão. — falei sorridente. — os sons não estão mais isolados. — avisei retirando meu escudo, eu jamais teria esse tipo de conversa sabendo que muitos estariam ouvindo. — Charlie. — chamei e saí pela porta com ele à tira colo, mas claro que em nenhum momento soltei a mão de Edward. — obrigado Carlisle, pelo apoio. — agradeci, dessa vez espero que as coisas melhorem, ele ficou satisfeito por meu agradecimento.

Caminhei com toda a minha pose e elegância e parei no meio do pátio, ainda estava uma bagunça por causo da construção, mas em nenhum momento passou pela minha cabeça de morar aqui, não mesmo, tenho uma cidade que é só minha e que nesse momento se encontra invadida por intrusos sem teto. Jamais trocaria minha bela, ou nem tão bela assim cidade perdida, mas que os desgraçados dos Volturi acharam, merda.

Soltei a mão de Edward e estalei os ossos do pescoço e os dedos das mãos, os estalos eram audíveis e todos pararam o que faziam e olharam pra mim. Hora do show.

-Jasper. — chamei e ele veio com aquela vontade toda em ver o que eu queria dele.

-o que quer? — como sempre ele é um amor de vampiro, tão gentil, pensei com ironia pesada. Olhei rapidamente para Carlisle e fiz que não com a cabeça, ele exigir que Jasper me respeite era o mesmo que contar sobre minha marca, Jasper é muito esperto.

-reúna toda a guarda, mas toda ela tem que estar aqui e em fila por ordem de status, é pra ontem. — falei estalando os dedos diante de seu rosto debochado.

-e o que a faz pensar que pode me dar ordens e principalmente, que eu vou obedecê-las? — sorri de lado.

-Ares da mamãe. — o chamei meigamente e meu baby se aproximou de nós, fiz um carinho na sua cabeça e falei olhando em seus olhos vermelhos escarlate. — mostre ao nosso querido Jasper que não se trata uma dama como eu dessa forma. — pedi carinhosamente e ele balançou a cabeça olhando ao redor. Jasper permanecia com a mesma expressão de deboche, esse não é como Nessie, ele é corajoso de verdade. Mas todos nós temos nosso ponto fraco, inclusive um velho lobo de guerra como Jasper que ao ver pra onde Ares olhava sua cara de deboche foi substituída por uma irada que passou ao pavor quando viu Ares correr velozmente em direção a Alice que a distância que se encontrava de nós não teve tempo de correr. Ele pulou sobre ela e a prendeu ao chão, ele ficou com a boca aberta a centímetros do seu rosto preparado para arrancá-la fora, qualquer movimento em falso e Alice já era, senti a enorme tensão de Edward, isso acabava comigo, qualquer coisa que o atingisse era inevitável não atingir a mim também. — Ares, não precisa exagerar. — falei e ele afastou a cabeça dele da cara de Alice, senti que todos ficaram mais aliviados, inclusive Edward. Mas continuou a prendendo no chão. Ela estava completamente imóvel e com os olhos vagos, esse é um dos dons que Ares possui, ele tem dois. Incrível é que antes ele não tinha nenhum, ou pelo menos, nenhum ativo. Olhei Jasper que me olhava mortalmente tentando engolir seu orgulho ferido, ninguém teve chance ou tempo de fazer qualquer coisa. — é pra ontem. — repeti seriamente, ele olhou em direção a Alice com os olhos torturados pela dor de vê-la daquela forma, anda Jasper, eu também estou agoniada por vê-la assim, não é por nada, mas é bom ver os inimigos em apuros, não aliados ou futuros aliados, sem contar o dom que Alice tem seria um enorme desperdício.

-QUERO TODOS DA GUARDA AQUI. — ele berrou furioso e em segundos eu tinha muitos vampiros diante de mim, todos confusos e temerosos ao olhar pra Ares, principalmente porque nenhum Cullen fez nada a respeito do que houve, a não ser o companheiro dela.

-venha aqui baby. — falei normalmente e ele soltou a Alice vindo até mim, ela piscou confusa e levantou-se, Jasper correu até ela. Só que isso, já não era mais assunto meu. Analisei alguns vampiros, seria interessante saber a origem deles, não quero matar ninguém injustamente, olhei Luíza que estava com os olhos baixos, foi muita sacanagem o que fizeram a ela. — Luíza. — a chamei e ela ficou na minha frente, mesmo eu sendo mais baixa que ela, eu era muito mais ameaçadora. — está liberada. — ela respirou aliviada e se afastou voltando as suas tarefas, se eu fosse ela depois do que houve eu abandonaria esse clã.

-você não é uma Cullen, nem nosso chefe da guarda, não pode dar ordens e nós não temos a obrigação de obedecê-la. — disse amargamente um vampiro sem a mínima noção do perigo.

-Charlie. — foi tudo o que eu disse e Charlie correu até ele o eliminando em poucos segundos, ele é muito bom nisso. Sem contar que o vampiro não esperava por isso, ninguém esperava.

-mais alguém acha que eu não tenho autoridade aqui? — em resposta recebi o silêncio. — eu sou a namorada de Edward, sem contar que temos traidores entre nós, então aqueles que servem a nossa causa entendem que fazer uma limpeza e eliminar os traidores é fundamental, mas não se preocupem quem não deve, não teme.

-mas é importante retirar informações dos traidores. — se intrometeu Jonas, eu já havia percebido que Carlisle tem certo apreço por ele, só espero que esse não seja mais uma decepção.

-não queremos qualquer tipo de informação, sabemos tudo sobre os volturi, absolutamente tudo, cada passo que eles dão da mesma forma que eles sabem cada passo que nós damos. — falei firmemente, nenhum Cullen deu a entender que isso era mentira, é disso que eu sempre falo, lidar com pessoas competentes é outra coisa.

-como sabemos que isso não é uma mentira? — sorri maravilhosamente para o próximo defunto.

-se eles têm informantes deles entre nós, porque não podemos ter entre eles? — esse se traiu por um milésimos de segundos, foi o suficiente pra mim saber, me surpreendi quando Edward o atacou mortalmente, ele foi rápido.

-um pequeno flesh em sua mente, foi o suficiente pra mim saber. — Edward explicou arrogantemente e voltou pro meu lado, "você fica muito, mas muito delicioso assim" pensei sem olhá-lo, "se tudo der certo, hoje a noite promete". Ele me olhou e sorriu maliciosamente. Fiquei imaginando a pegada violenta dele, me senti úmida, droga esse não é o momento.

-exercito dos Cullen’s, sejam bem vindos à faxina. — falei sorridente e muito animada.