The Mark Of The Vampire
34 Capítulo 34 - O Retorno - Parte I
PVE
Eu precisava me concentrar pra poder analisar as coisas e a reviravolta que ELA causaria, mas estava impossível com todas as vozes gritando na minha cabeça, minha família estava muito preocupada que esse retorno DELA me deixasse ainda pior do que eu já estava, era impossível ficar pior.
Eu estava magoado e muito machucado por seu abandono, durante muito tempo eu esperei por ela, lamentei por ela e briguei com minha família os culpando e os acusando de serem os responsáveis por sua partida, houve uma época em que vivíamos praticamente em pé de guerra, principalmente com Carlisle e Jasper, mas eles não desistiram de mim e com o tempo e a ajuda de Maggie eu consegui me reerguer e sair do buraco negro que era minha vida, agora ela salva os filhos de Nessie que teoricamente são seus netos, coincidência ou destino? Com ELA não havia coincidências e sabíamos disso.
Neste momento estávamos sentados na sala em completo silêncio aguardando o retorno de Rose e Charlie, eu estava muito ansioso com a possibilidade de vê-la, de estar a poucos metros de distância e poder abraçá-la, senti-la outra vez, então a realidade caiu sobre mim e não pude suportar o peso, novamente fui amparado por Maggie, como ela agüentava isso eu nunca pude entender, como conseguiu me amar e conviver com meu rancor e mau humor.
-calma e respire fundo, já vai passar — disse me abraçando, fiz o que ela disse e aos poucos fui voltando a mim.
-desculpe — era o mínimo que eu poderia fazer "está tudo bem" ela pensou e eu abracei fortemente, nesses momentos Jasper se arrependia por ter sido tão mal com ELA e eu me arrependia por fazer mal a Maggie, nunca tive coragem de acabar com nosso casamento por medo de ficar sozinho, tinha medo de encarar tudo isso e sabia que sem ela e seu apoio eu não conseguiria, do grande corajoso e sedutor vampiro à um covarde depressivo, foi nisso que me transformei sem ELA.
-estão chegando — avisou Alice me olhando tristemente, ela foi uma das pessoas que mais sofreu junto comigo, mas não por causa DELA e sim por me ver assim. Desviei o olhar. Em poucos minutos Rose e Charlie entraram pela porta, sozinhos e desolados.
-não vimos e não sentimos nada — disse Rose e se sentou ao lado de Emmet, Charlie permaneceu em pé e sem olhar pra ninguém, ele sofria tanto quanto eu, mas ele era mais forte e dispensava consolos e olhares piedosos.
-será que era ELA? — perguntou Nessie em dúvida — tem chances de Iran ter confundido.
-é impossível existir alguém tão parecido — Jake falou suspirando. — ou alguém tão bonito.
-mas o que fazia aqui? Justamente próximo a nós — disse Jasper pensativo.
-ela salvou as crianças — disse Emmet — deveríamos estar agradecidos.
-claro, diga: Isabella venha aqui pra agradecermos por salvar a vida das pestes e ela vai vir, só tem um pequeno detalhe, não sabemos onde está e nunca soubemos — disse Nessie irônica — é melhor que não apareça, pra que? Pra dizer oi e adeus, se ela for educada e se despedir, já que da ultima vez nem isso ela fez — desabafou e eu respirei fundo, era terrível não ter argumentos pra defendê-la. Charlie tinha. Ele sempre tinha e eu o invejava por isso, era um lutador enquanto eu, um fracassado.
-se ela tivesse levado você junto talvez agora não tivesse uma família e filhos — ele retrucou e saiu da sala sumindo na escuridão da noite, ficamos num silêncio incômodo, nós nunca conversamos abertamente sobre ELA, parece que vamos ter que fazer isso agora, só tinha um problema, eu não estava pronto.
-quero saber tudo e quero saber agora — chegou Iran chateado e exigiu uma resposta que não estávamos prontos pra dar, talvez nunca tivéssemos.
-senta aqui — pediu Nessie, sua voz estava muito sofrida, com o passar do tempo nos aproximamos muito e agora a considerava e a amava tanto quanto minhas irmãs.
-por favor, porque sofrem tanto e não compartilham? Seja quem for ela está de volta e não parecia uma pobre coitada como vocês estão sério me dá até pena de vocês, parecem zumbis — Iran comentou, ele tinha a personalidade de Nessie antes DELA ir embora.
-não é uma história feliz por isso não achamos necessário contar a vocês, mas já que querem tanto saber vou contar tudo assim que Isa acordar, não seria forte pra contar essa história duas vezes — Nessie falou e abraçou Iran.
-me fale alguma coisa, assim fico mais adiantado que Isa — não tinha jeito, eles sempre queriam estar a frente um do outro mesmo se amando muito, era só pra implicarem.
-o nome dela é Isabella — Iran arregalou os olhos e eu me apertei mais em Maggie — e é minha mãe — e desabou a chorar, nessa hora fui obrigado a sair dali, não agüentaria vê-la chorar daquela forma, era a segunda vez que Nessie chorava assim, a primeira foi quando percebeu que havia sido abandonada.
Corri sem rumo sendo acompanhado por Maggie e Alice, elas tinham medo que eu fosse imprudente e fizesse alguma besteira, as ignorei enquanto corria, mas minha corrida que antes era tão agradável agora era só mais uma corrida, não havia sensações boas e renovadoras, parei e sentei-me encostado numa árvore colocando a cabeça entre os joelhos, Alice e Maggie ficaram ao meu lado e em silêncio pensando em coisas banais, e eu afundado no meu desespero.
Apesar de tudo eu não queria que ela voltasse, não queria mais vê-la porque quando ela partisse novamente eu não suportaria, isso era uma certeza que eu tinha, amava uma mulher egoísta e muito má, com certeza ela voltou pra nos atormentar, rir e debochar de nós como fazia antes, Nessie me contou o que houve com o ônibus e o motivo, ELA havia feito de propósito pra debochar de nós, por que agora seria diferente? Isso me deu forças pra erguer minha cabeça, mesmo a amando profundamente eu não deixaria que ELA destruísse minha família.
PVB
A vida ensina muitas coisas, ela lhe faz sorrir mas também lhe faz sofrer muito, eu aprendi muitas coisas nesses longos cem anos, aprendi a valorizar coisas simples como simplesmente acordar de manhã e dar bom dia a Ares e sorrir com seu grunhido, meu sofrimento me fez crescer e me tornar aquilo que eu tanto quis, humana, ou quase isso.
Sofri pela saudade de Edward e Nessie, senti falta do seu bom humor e de suas idiotices, na verdade senti falta dela inteira, até do seu cheiro, e Edward sem comentários, durante esse tempo não tive relacionamentos sexuais com ninguém e não me sinto idiota por isso, mas depois que se ama alguém verdadeiramente o toque e carinho de outra pessoa se tornam repulsivo, foi o que houve comigo quando Damon tentou me seduzir, o enganei e depois que ele mudou o tempo colocando tudo em seu devido lugar eu o matei, disso eu não me sinto culpada, pra ser sincera não me sinto culpada por nada do que fiz por que sei que foi o certo e era necessário, se eu tivesse aceitado conviver com os Cullen's naquela época, hoje em dia só restaria Edward, eles tem muito o que me agradecer.
Mas agora estou de volta e quero o lugar que me pertence, voltar a ser a mamis de Nessie e a companheira de Edward, quanto aos outros Cullen's não estou preocupada, olhares maldosos e desconfiados não me incomodam mais, que olhem e falem o que quiserem, não terá discussão comigo, por que sei que no fundo não serei recebida de braços abertos e sorrisos por ninguém, no mínimo serei expulsa da casa deles, eu sei que fiz o certo, mas eles não.
Na minha busca por respostas sobre minha marca, descobri o seu significado, foi por ela que fui abandonada e quem me levou até o orfanato foi meu pai, também descobri quem é e fiquei muito surpresa, tanto por ele quanto por mim, pois descobri que eu gostava muito dele e não sentia raiva por ter sido abandonada, o que importava era que ele me amava e me colocou entre humanos pra minha segurança, ele sempre soube onde eu estava e quem eu era, ele tinha orgulho de mim.
Minha mãe morreu quando nasci mas ela não era humana como eu pensava, era meio bruxa meio vampira, isso explica minha excentricidade, quando ela descobriu que estava grávida foi em busca de ajuda, com seus feitiços e a ajuda de uma outra bruxa super poderosa ela criou o meu protetor, o fez para mim, para que eu sempre estivesse em segurança, ela não sabia o que eu seria ou qual seria meu dom, só sabia que precisava criar algo que me defendesse em qualquer circunstância, por isso eu Ares tínhamos tanta afinidade, por que ele nasceu por minha causa, ele era meu.
Nossos laços que já eram fortes ficaram ainda maior a medida que o tempo passava, hoje somos adultos e responsáveis, a arte de provocar e irritar era muito infantil e deixamos isso para trás, bem no fundo estávamos ainda piores, não gostávamos de discutir ou debochar, se achávamos que algo não ia bem nosso lado monstro entrava em ação, não sobrava nada nem ninguém, a diferença é que estávamos mais inteligentes, então não havia a menor possibilidade de matar a pessoa errada.
Não posso dizer que sou infeliz porque estaria mentindo, sou feliz com o pouco ou quase nada que tenho, roubo o suficiente para me manter e não tenho grandes reservas de dinheiro, não preciso de luxo, eu sou a coisa mais bela que existe, até trapos ficam bem em mim, porque precisaria viver na riqueza se quando olham pra mim a ultima coisa que reparam é na minha roupa?
Moro em Nova York a muito tempo, fiz dela a minha cidade, o meu lar, a neblina que a cobre constantemente a deixa sombria e maravilhosa, nem o sol entra nela, isso era coisa de Ares, ele também desenvolveu um dom bem interessante mas muito útil, aqui nenhum humano entra e se entra nós literalmente o comemos, depois de tanto tempo e tantas lendas inventadas sobre minha cidade eles ainda não aprenderam que ela tinha dono e que esse dono que no caso é dona, não quer dividi-la com ninguém.
Mas era hora de voltar, então assim que comemos o estoque de comida que era um jornalista e sua equipe, partimos atrás deles, não era o momento mas eu queria vê-los e saber como estavam, tem dias que a saudade bate e a gente não pode evitar, esse era um dia desses.
Era natal e quis dar um presente a mim mesma, vê-los já me deixaria muito feliz. Ficamos ao redor da propriedade observando a movimentação, acionei meus escudos, não queria ser vista e meu coração acelerado de emoção me denunciaria, vi alguns vampiros que não conhecia fazendo ronda, parece que eles haviam aprendido a lição. Escondi-me quando um rapaz e uma moça ambos muito bonitos vieram em minha direção, mas pararam e sentaram-se com as costas apoiadas em uma árvore, o rapaz era muito parecido com Jake, já a menina era muito parecida com Nessie, isso me desestabilizou um pouco, Nessie teve filhos? E esses são meus netos? EU SOU VOVÓ, fiquei tão feliz com isso que comecei pular de alegria, isso chamou a atenção deles pra mim e tive que me esconder outra vez, mas isso era maravilhoso, meu bebê teve bebês, quando vi chorava de alegria.
-eu não agüento mais esse clima de tensão e mistério — disse a garota baixinho, prestei atenção neles enquanto tentava enxugar as lágrimas que insistiam em cair, impedindo-me de vê-los.
-Isa vamos correr até a fronteira — disse o garoto animado, Isa? Esse é nome ou apelido? Independente disso eu sabia que era uma homenagem a mim, meu bebê nunca esqueceu. As malditas lágrimas aumentaram.
-enlouqueceu Iran, não podemos é muito perigoso e sabe disso, não vamos ser imprudentes só porque eles estão nos escondendo coisas sobre a falecida bonitona — falecida bonitona? De quem eles estão falando?
-é uma pena uma mulher daquela estar morta — disse o garoto, Iran, ele parecia inconformado com isso, mas isso acendeu uma luz na minha cabeça, a mulher bonita e morta era eu. Quase cai com o impacto dessa informação, Nessie disse que eu estava morta? Ares apareceu rapidamente e me empurrou pra longe dali, meus barulhos estavam assustando meus netinhos.
Não fomos muito longe, então vimos quando eles passaram perto de nós correndo, eles não eram muito velozes, mesmo com minha tristeza por saber que Nessie não me perdoaria eu os segui, aonde eles pensam que vão? Hoje em dia não é muito seguro andar por aí assim, sem qualquer segurança.
-nossa é incrível correr assim — disse Isa maravilhada, parece que eles são muito travessos, eles me lembram Nessie e no quanto ela era arteira.
-incrível vai ser se eles descobrirem que saímos dos limites e que quebramos as regras — ele disse rindo e ela o acompanhou, sem dúvida eles são muito travessos, me vi fascinada com isso, pareciam dois pestinhas.
-um dia desses vamos procurar pela cidade perdida? — ela falou animada e eu também gostei da idéia de mostrar tudo a eles, meu ânimo passou quando Ares que estava próximo a mim ergueu as orelhas e apontou na direção dos meus netinhos, mas que merda, eu sabia o que isso significava, perigo. Fiz um sinal a ele que deu um rugido de tremer as árvores, o resultado foi o esperado, meus netinhos se assustaram e voltaram pra casa, mas eles estavam muito lentos, acho que se assustaram mais do que queríamos, Ares rugiu outra vez, agora sim eles entenderam que era pra sair dali, os acompanhei de longe enquanto Ares foi dar uma verificada pra saber o que era e o que fazia ali.
Parece que hoje era o dia de sorte dos meus netinhos, o vampiro foi rápido, tanto que na distância em que eu estava não consegui impedi-lo, ele atacou Isa e a deixou no chão, então ele provocou Iran esmagando a perna dela, esse vampiro vai conhecer o verdadeiro inferno hoje, porque poderia ser sorte deles eu estar por perto justo hoje, pelo mesmo motivo era o dia de azar do vampiro.
-vamos ver se o bebê sabe se defender — o futuro defunto disse rindo, comigo aqui quem precisa de proteção será ele.
-ele não precisa — falei tranquilamente, meus olhos fixos no vampiro. O imobilizei e o fiz retirar seu pé de cima da perna dela. Ele me viu e arregalou os olhos, era sempre a mesma reação, fascínio. Em seguida os olhos de Iran encontraram os meus.
-que fantasma mais bonito — disse Iran impressionado, tive que rir, ele parecia Nessie falando, mas ele fez cara de bobo e me controlei, pedi que ele retirasse Isa dali o mais rápido possível, Ares estava chegando e não queria que eles o vissem, não queria que eles se assustassem, com o tempo Ares ficou indestrutível e sua aparência era arrepiante pra quem não o conhecia, e até pra alguns que o conheceram. Meu baby que já era mortal se transformou numa arma quase tão perigosa quanto eu.
Um segundo da distração de Iran foi tudo o que precisei, retirei o vampiro dali como se ele fosse uma pena e corri até Ares.
-encontrou algo? — perguntei enquanto o vampiro se debatia, como se fosse possível ele escapar de mim, eu o segurava só com uma mão e os chutes que ele me dava parecia o bater de asas de um pássaro, não tinha qualquer efeito sobre mim. Em resposta Ares acenou com a cabeça, o que quer que seja que ele encontrou não existia mais, disso eu tinha certeza — bom garoto — falei carinhosamente pra ele, achei que o vampiro fosse desmaiar quando viu Ares, bando de covardes. O joguei para Ares que o matou rapidamente, não víamos mais graça em torturas, quando se quer informações sobre algo vamos atrás com a cara e a coragem, também isso era tudo o que tínhamos, como se precisássemos de mais, pensei ironicamente.
Não voltei pra minha cidade, só voltaria com Edward. Além do mais eles precisariam de mim. E muito.
Como vou fazer pra me aproximar deles era algo que eu não sabia, ainda.
Eu morta? Nunquinha da silva, odeio essas gírias mas acabei pegando.
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