— Então capitão o que você acha de quebramos pelo menos um braço do Malfoy – disse Lene, enquanto tomávamos o café da manhã.

— Não Lene, embora eu mesmo tenha vontade de quebrar o pescoço dele, não podemos fazer isso! – respondi

— Para James! A McGonagall não vai nem ver – zombou Sirius

— Sirius você já sabe o que fazer não é mesmo? – perguntei e Remo sorriu fraco ao lado de Sirius.

— Com certeza! – ele respondeu e encarou Lene – Lene onde está sua amiga ruiva?

— Já era pra ter vindo, as outras meninas também – respondeu Lene.

— Emmeline tinha me dito que não viria, eu até me prontifiquei a levar pelo menos uma maça pra ela – disse Remo parecendo um pouco envergonhado.

— Sei, é claro que você vai levar! – zombei e ele pareceu ficar ‘furioso’ e me mostrou o dedo

— Jay, pelas cuecas listradas de Merlin faz a Lily se esquecer desse tal cervo – disse Lene e eu sorri.

— Porque eu faria isso? – perguntei

— Porque ela tá ficando doente – disse Lene – Nem dorme direito, e quando dorme sonha com ele. Já faz dias que ela tá sonhando, ai ela disse que quando o lobo vai pra morder ela, voc... Quer dizer o cervo aparece!

— O QUÊ? – gritei desesperado. Se eu não me engano ela ia mesmo dizer você. Céus, eu fui descoberto.

— Pra que o desespero? – ela perguntou – Eu falei errado, é o cervo que aparece. O assunto com você é outra coisa.

— Que coisa? – perguntou Sirius parecendo preocupado.

— Nada demais, tempo ao tempo – ela responde, e virou o rosto para a entrada – Olha a Lily lá!

Seguimos o que ela disse, e vi minha ruivinha linda, vindo à minha direção, na ‘nossa’ direção. Quando se aproximou sorriu, e se sentou do lado da Marlene.

— As meninas estão terminando o trabalho de Herbologia, por isso não vieram. Dorcas disse que está sem fome, e que ainda tem uns doces de ontem – ela falou.

— Credo só os nerd’s se preocupam com trabalhos em pleno domingo. – disse Sirius.

— Faz bem terminar os deveres sabia? – disse Lily

— Minha querida, ruivinha Evans se quer saber o meu está pronto desde quinta-feira – respondeu Sirius e ela olhou com desdém – Não gosto de deixar as coisas acumularem, ainda mais eu que quase morri na...

— Na? – ela perguntou e eu o encarei. Vi Remo ficar tenso e abaixar a cabeça.

— Não é da sua conta! – ele disse se levantando — Tenho que ir ao dormitório. Esqueci o mapa dentro do malão, vou lá buscar. Encontrem-me no Corujal.

— Que mapa hein, Black? – gritou Lene

— O mapa pra um país chamado ‘Não te interessa!’ – ele gritou como resposta e nós rimos.

Ficamos mais um tempo conversando até que Lily se levantou e começou a caminhar. Em uma pequena distancia ela parou e me encarou.

— Você não vai me acompanhar? — ela perguntou

— Pra onde? – perguntei.

— Até o Hagrid, ele disse que viu um cervo nas redondezas ontem – ela disse sorrindo – Talvez ela tenha informações que possa nos ajudar.

— Claro – falei me levantando e segui a acompanhando. Claro que as pessoas perceberam nossa proximidade. E se quer saber, eu pouco me importo. Se tem uma coisa que eu gostei foi da proximidade que Lily deixou criar entre nós. Às vezes a vontade que eu tinha era de arrastar ela pra dentro do armário de vassouras e ficar a beijando até ela admitir que gosta de mim.

— James já pensou em uma maneira para capturarmos o cervo? –ela perguntou

— Capturar? Achei que só queria vê-lo de novo – falei

— Como vou fazer os testes de que ele é um animago, sem captura-lo? – ela falou sorrindo – Você tá ficando nas nuvens né.

— Como assim? – perguntei

— Pra não ter entendido, deve tá nas nuvens – ela zombou me empurrando.

Seguimos até o Hagrid e quando chegamos, ele foi bastante minimalista quanto aos detalhes, e como se a noticia não pudesse ser a melhor. O cervo não era o tal cervo. Isso era obvio. Eu não passeei está noite. Lily ficou furiosa e nem se quer se despediu de Hagrid. Pedi desculpas pra ele e fui atrás dela.

— Lily! – gritei pra ver se conseguia faze-la ao menos e esperar e ela continuou andando – EVANS!

— O que foi? – ela gritou se virando pra mim

— O Hagrid não tem culpa de não ter noticias do cervo – falei- Existem milhares!

— Podem existir milagres, mais tenho certeza que não existe nenhum outro igual ao que eu vi – ela falou – Por isso eu tenho um plano. E você vai ter que me acobertar.

— Qual o seu plano? – perguntei ficando de frente para ela

— Essa noite, você vai inventar qualquer coisa pra não tirar as meninas do salão comunal, e eu vou ir pra Floresta Proibida procurar pelo cervo – ela falou decidida. Sim, com certeza Lily Evans tinha ficado finalmente louca. Remo sempre dizia que um dia eu a deixaria louca e esse dia chegou.

— Mais isso é perigoso Lily! – gritei – É arriscado demais.

— Fodas, eu preciso ver o cervo de novo – ela falou fazendo cara de choro, e se jogou no chão – Eu preciso saber que aquilo foi real.

— Lily, fica calma – falei quando percebi que ela começou a chorar – Você viu, então foi real.

— Todos me acham louca – ela falou entre os soluços – Não me resta outra opção. Promete que vai me ajudar? E não conte nada para seus amigos.

— Tudo bem – falei e ela sorriu. Meu Merlin ela é linda até quando chora, nem assim ela consegue ser feia. – Mais não se coloque em risco.

— Tá – ela falou sorrindo enquanto levantava. Ela secou as lagrimas e me encarou – Obrigado!

— Não há de que. – falei dando um meio sorriso

— Eu vou indo – ela falou me dando um beijo no rosto, e no mesmo instante senti a temperatura subir. Com certeza eu fiquei corado. Que merda, só ela mesmo pra me deixar ‘corado’ – Novidade, James Potter fica corado por causa de um beijo no rosto.

— Não é por isso.

— E o que é então?

— É que o beijo é seu – cuspi as palavras e ela arregalou os olhos – Não vai fingir que não sabe né? Lily você tem efeito sobre mim e sabe disso.

— Eu vou indo Potter – ela falou me dando as costas – E não conte do meu plano pra ninguém. E também não vá atrás de mim.

Ótimo, a maluca queria se matar, é obvio que eu contaria pra alguém e também é obvio que eu iria atrás dela. Corri até o corujal, e chegando lá despejei tudo sobre os meus amigos e Remo ficou extremamente preocupado.

— Eu vou ajudar você – disse Sirius ficando sério – Mais vai ter que ser coisa rápida, eu vou ter que encontrar com meu irmão depois.

— Seu irmão? – perguntei

— Minha mãe está doente e ele acha que eu me preocupo – ele respondeu – Ele tá meio mau e tá atrás de mim. Ele nem sempre foi ruim, ficou do jeito que está por causa da lavagem cerebral da minha mãe.

— Entendi – falei — Mais como você vai me ajudar?

— Vou dá um susto na sua bonitinha – ele disse fazendo uma cara maléfica — Prometo não morde muito forte.

— O quê? – gritou Remo e Pedro se encolheu

— Eu só vou avançar nela, pra ela sair da Floresta – ele falou de forma debochada – Pra ela eu sou um cachorrinho bonzinho, mais não sou.

— Ela esquecendo essa porcaria de cervo eu fico feliz – respondi

— Finalmente ele admitiu que é uma porcaria – zombou Sirius – Tá vendo não é só eu que o acho um lixo.

— Vai se fuder – falei o empurrando, Pedro e remo só riam de toda a situação – Vou ficar próximo pra caso aconteça algo errado.

...

Assim que escureceu, Sirius e eu descemos para Floresta Proibida. Inventamos um jogo com as meninas e falamos que íamos brincar de esconde-esconde pelo castelo. Diga-me quem aceita brincar disso em um castelo? Ah, claro, Sirius tinha dito que daria uma foto de qualquer garoto que elas gostassem do modo que veio ao mundo, e também que daria 10 galões pra quem nos encontrasse.

Assim que vimos a Evans se aproximando da orla da Floresta, Sirius se transformou e se prontificou a ficar bem zangado, e eu me escondi atrás das arvores.

Quando ela chegou, Sirius rosnou e ela pareceu ficar a espreita com a varinha em mãos. Ele latiu e ela caiu, ele continuou avançando, e ela se arrastava pelo chão desesperada. Até que for fim, ela pegou novamente a varinha e o lançou contra uma árvore (e lá vem aguentar o Sirius reclamando por mais uma semana), ela se levantou e ele avançou nela novamente, mordendo uma das suas pernas (maldito seja Sirius Black). A mordida pareceu não doer pois ela saiu correndo.

Que Diabos, porque ela teve que correr Floresta adentro, ela estava indo em direção ao lado. Enquanto ela e Sirius corriam pra lá eu tive que pensar em algo. Pensa Potter, pensa! Claro se transforme e vai até ela.

POV LILY ON*

Mais que droga!

Merlin porque diabos esse cão resolveu me atacar. Eu tenho quase certeza de que ele era o cão da Lua Cheia, mais ao invés de me ajudar ele estava me atacando. Será que o esconderijo deles era perto e por isso ele me queria longe? Talvez, ele tinha me mordido, não de verdade. Parecia quando você tem um cachorro e ele te morde querendo brincar.

Estávamos próximos de um lago, e eu tinha visto que mais a frente chegaria às margens dele. Corri o mais rápido que pude, e quando olhei pra trás o cão tinha parado de correr. Senti-me mais aliviada e um pouco desesperada, eu não ia saber voltar iria?

Assim que me virei, levei um baita susto em trombar intensamente de frente com um cervo, o cervo que eu tanto procurava. Felizmente ele estava ali na minha frente, em toda a sua glória e esplendor. Me encarnado com seus incríveis olhos castanho, Merlin me faça lembrar onde eu já os vi! Fiquei encantada o admirando, me aproximei dele e ele abaixou a cabeça. Coloquei minhas mãos a sua volta, eu precisava saber se era real, então eu o abracei. Senti o cheiro de seus pelos arrepiados e macios, e até o seu cheiro era familiar.

Não me lembro de ter ouvido mais nada, além da respiração pesada do animal. Não vi de onde veio, e nem ao menos vi quem foi, mais um rojão de luz azul bateu em mim, me jogando com toda força contra a árvore. Antes de bater eu vi o cervo arregalar os olhos, e antes de desmaiar eu pensei em alguém com olhos arregalados, e esse alguém era o Potter.

POV LILY OFF*