The Magic War

3 Encontramos a casa dos horrores.


Natan

Puxa!, aquilo foi realmente legal!, o Gustavo me dando um equipamento de arqueiro, quem diria que ele podia ser tão legal assim, mesmo que não sejamos tão próximos ele me deu o que eu mais queria de aniversário, o meu pai não gostou muito da ideia de eu ser um arqueiro, ele disse "arqueiro! porque você iria querer ser algo assim? eles só ficam escondidos lançando flechas nos outros enquanto seus parceiros arriscam a vida na frente, para mim arqueiros são covardes que não sabem lutar!, guerreiro que é uma profissão de verdade!, eles são fortes, respeitados, e tem uma bela armadura, isso é que você deve ser meu filho!, não um zé ninguém de um arqueiro." as palavras de meu pai me magoaram muito, em pensar que meu sonho era virar um, e ele, a pessoa à quem tem todo meu respeito é contra o meu sonho! ainda não consigo acreditar nisso, mas não me importo, pois minha mãe sempre me disse "meu filho, não importa o que os outros acham de você, o que eles pensam ou falam, siga sempre o seu coração" e é isso que eu vou fazer, não importa o que ou quem esteja em minha frente, sempre seguirei o meu coração.

Estamos andando há dez minutos desde o momento em que saímos da oficina, as ruas de nosso vilarejo são muito simples, limpas e com alguns bancos onde pessoas podem se sentar para passar a tarde, as casas elas são estruturas de madeira e cimento, os comércios eram geralmente construções que não tinham mais que um andar, nossas construções sempre tinham algum detalhamento em madeira, não importava aonde era, se era na porta, nas janelas, nas varandas, tinha sempre que haver um detalhamento em madeira, também... o que eu posso falar ou reclamar? os humanos sempre tiveram essa facilidade para construções, invenções e criações.

Estávamos passando pelo campo de flores da senhora Dayana, era um campo lindo cheio de rosas, margaridas e tulipas, enquanto passávamos vimos ela regando algumas rosas, ela percebeu que estávamos olhando, sorriu para nós e se virou novamente para as rosas, eu também sorri para não parecer arrogante. Em seguida continuamos a andar, Gustavo não falou uma palavra desde que saímos da oficina, ele só ficou olhando para a espada e não tirava a mão do cabo dela, mas ele ainda mantinha ela embanada, talvez ainda estivesse admirando ela, eu entendo por que puxa! é uma espada e tanto. No caminho nos deparamos com um ancião que passava perto de nós, ele usava um túnica verde escuro com um capuz que tinha bordas amarelas, para mim ele parecia somente um senhor de idade comum dando uma caminhada pelo vilarejo sem nada de suspeito, continuamos andando e vi algo estranho, eu olhei de relance para uma casa e vi que ao lado dela na sombra tinha alguém a nos observar, não dava para identificar direito, só sei que era alto e tinha olhos amarelos, quando pisquei para ver melhor, ele tinha sumido.

–Você viu aquilo? -perguntei para o Gustavo-

–Vi o que? -respondeu ele-

–Hum... nada -falei- deve ter sido só coisa da minha cabeça, ainda vai demorar para chagarmos na casa do Wesley?

–Não, por que já chegamos.

Quando olhei a casa me espantei, ela estava toda suja e tinha algumas partes que estavam rachadas as paredes, parecia uma casa dos horrores, ela era branca de dois andares, tinha o telhado marrom, havia várias janelas mas por alguma razão elas estavam cobertas com alguma coisa, acho que eram cortinas, as cercas de madeira estavam ainda limpas e inteiras comparadas ao resto da casa, a grama estava morta as flores que ficavam no parapeito de cada janela estavam mortas, dava para se ver que em uma das paredes tinha marca de garras que iam até a janela.

Entramos no quintal, e era mais assustadora de perto a casa, parecia que íamos entrar em uma caverna onde lá estava uma besta enorme pronta para nos abocanhar, andamos até a porta batemos.

–Olá! -gritou Gustavo- alguém em casa?

–Wesley! -gritei- somos nós, o Natan e o Gustavo!

Nesse momento em que falei a porta começou a fazer um barulho, mas era um barulho familiar, como se fosse várias trancas e cadeados ao serem abertos, quando o barulho terminou, na porta abriu-se uma brecha e, quando tento espiar na brecha quase que tenho um infarto, me deparei com um olho que estava a nos observar.

–São vocês crianças? -Perguntou uma voz feminina familiar-

–Hum... quem é que está falando? -pergunto Gustavo-

–Há só um estante -disse a voz, fechando a porta-

Logo em seguida a porta se abril, e nela apareceu uma senhora de cabelos ruivos e olhos negros, ela tinha pele morena e usava óculos grandes, devia ter por volta dos 32 anos, sua altura era um pouco maior que a minha cerca de uns 5 centímetros, ela era magra e usava um vestido amarelo com bordas verdes e tinha flores brancas desenhadas no vestido, usava também uma sapatilha verde com uma bolinha dourada em cada pé. Foi quando percebi que não era mais ninguém que Janete, a mãe de Wesley.

–Vamos crianças entrem -disse Janete- ai fora vocês podem pegar um resfriado.

–Aceitamos o convite senhora -falou o Gustavo-

–Obrigado Senhora -falei-

–Que isso -falou Janete- não precisam ser tão formais, podem me chamar de tia Janete.

–Tudo bem então -disse o Gustavo-

Entramos na casa, e me surpreendi com o que vi, ela estava totalmente em perfeito estado, o chão limpo, a sala arrumada, a cozinha sem nenhuma mancha de comida, fogão e pia limpas também, pois é, a casa só faltava brilhar de tão limpa que estava, me surpreendi também pois estava completamente diferente ao lado de fora, que estava todo destruído.

–Uau... nunca vi uma casa tão limpa quanto a sua tia Janete -disse Gustavo com a boca aberta-

–Também nunca vi tia -disse eu imitando o Gustavo- quem dera se meu quarto fosse assim.

A tia Janete deu uma risada e se virou para o fogão, ela começou a mexer no forno, quando ela se virou novamente para nós, vimos em suas mãos uma bandeja com dezenas de biscoitos com pedaços de chocolate neles.

–Estava preparando isso para o lanche, vocês querem crianças?

–Com certeza tia Janete -Falamos eu e Gustavo em unísono-

Então nos sentamos na sala da dela, ela tinha dois sofás e uma poltrona totalmente de couro, um de seus sofás tinha lugar para duas pessoas, o outro para três, na sala eles ficavam posicionados na forma de um triângulo, um em cada ponta, no chão tapete com listras amarelas e marrons nele, e acima dele havia uma mesinha de apoio feita de madeira, colocamos os biscoitos na mesinha e começamos a conversar.

–Então crianças, -disse tia Janete- como tem passado os seus dias?

–Normais, -respondi- fico em casa, as vezes saio para andar e encontro com meus amigos, e ficamos de bobeira o dia todo.

–Nossa, mas e a cademia? vocês não têm frequentado as aulas não?

–Na verdade tia -respondeu Gustavo- estamos sem aulas por enquanto.

–Mas porquê? -pergunto a tia Janete-

–Devido a guerra, muitos de nossos professores foram para o campo de batalha, e alguns não retornaram, e para ser professor da cademia você deve ter muita experiência na sua disciplina e em batalha, por isso eles foram chamados para a guerra.

–Então vocês estão praticamente de férias?

–Podemos dizer que sim -respondi- mas chamamos de férias temporárias, pois podem chamar os alunos a qualquer dia para retornarem as aulas.

–E o que eles ensinam nessa cademia? -pergunto a tia Janete-

–Bem, eles ensinam diversas coisas como tiro ao alvo, artes de luta, manuseamento de armas e lâminas, montaria, e diversas outras coisas.

–Nossa, e isso tudo eu imagino que seja para montar o novo exército.

–Também -disse Gustavo- mas se quisermos, após nos formarmos na cademia podemos seguir outros empregos como carpinteiro, artesão, construtor, médico e diversas outras carreiras.

–Hum... bem interessante, mais e como estão vocês? e cadê o Felipe?

–Bem... ele... -tentei enrolar- ele...

Não podia contar sobre o Felipe, ela ficaria preocupada, tia Janete sempre nos tratou como uma segunda mãe, e nós nos consideramos como seus outros filhos, e seria difícil explicar para ela sobre o que aconteceu.

–Ele não pode sair no momento -interrompeu Gustavo- por isso viemos só nós.

–E o Wesley? -perguntei- não temos notícias dele há dias, desde o dia que aconteceu... bem... "aquilo".

Tia Janete ficou pálida quando eu mencionei o nome de Wesley, ela começou a tremer e olhou pro chão, e ficou assim por alguns segundos, logo em seguida perguntou com uma voz triste

–Poderiam de dizer o que aconteceu realmente naquele dia? detalhe por detalhe?

–Se isso acalmar a senhora, -respondeu Gustavo- podemos.

Notas finais
Pessoal, na época de carnaval não haverá nenhuma postagem devido há minha viagem, então quando retornar voltarei com mais entretenimento para vocês, obrigado.