Eu sempre acreditei na existência da mágica no mundo, desde pequena, justa causa por que minha amada avó sempre me contava suas histórias de uma menina, que desvendara sozinha os mistérios de um mundo fantástico, e totalmente novo aos olhos humanos.

A tal menina nunca contara sobre essa tal descoberta para sequer uma pessoa que conhecia. Por sorte, antes de ir, minha avó deixou um livro, no qual conta todas as histórias que ela mesma inventou. Para o resto da família ela inventou. Para mim não. Para mim são todas reais. O ponto que eu quero chegar é que, agora, ainda jovem, eu voltei até a casa em que ela criou (ou descobriu) tudo isso. Eu vou tentar descobrir a verdade sobre essas histórias tão fantásticas que marcaram a minha infância mais do que qualquer outra coisa que já aconteceu comigo.

A casa, já antiga era toda de madeira e janelinhas com cortinas delicadas e amarradas com um laço cada uma. Ela estava perfeitamente conservada, como se ali, o tempo estivesse parado, como se estivessem a colocado em um conservatório e a mantido ali, desde sempre. Eu entro no chalé e me sinto diferente, a mágica parecia mesmo estar ali. E estava me rodeando a cada passo que eu dava. Quando eu mencionei que a casa estava conservada, eu estava falando muito, muito sério. Não havia uma sequer teia de aranha ou poeira nos móveis e no teto.

Ando até a cozinha e levo um (quase) susto com o que vejo. Elas pareciam vaga-lumes, ou mariposas, ou borboletas, ou louva-deuses, ou grilos. Mas não. Eram pequenas mulheres, algumas esverdeadas, algumas com cabeças com botões de flores, outras com um cabelo todo arrumado, algumas apenas iguais humanas normais. Haviam fadas com roupas de folhas, flores, e até feitas de cascatas de água e luz. As pequeninas continuaram agindo na cozinha e limpando como se eu não estivesse ali, até eu tocar uma delas. A criaturinha olhou para mim assustada, seus olhos negros estavam parecendo jabuticabas brilhantes como se fossem iluminados por luzes de natal. Sua pele verde combinava com os cabelos ruivos esvoaçantes e lisos. Ela estava sem roupa, na verdade não sem roupas, mas, seu corpo terminava em pétalas de orquídea roxas e suas pernas dançavam no ar. Mas isso até eu toca-la, por que depois disso, só havia uma orquídea na minha mão. O resto das amigas dela voaram para o jardim e se transformaram em um campo de flores de diferentes tipos.

Sento-me num sofá da casa abandonada, com a flor em mãos. Ela se mantém em sua forma de defesa, até eu dizer as palavras mágicas:

— Eu não vou te machucar. Eu acredito em você. -E posicionei a flor com as pétalas pra baixo. Dali se levantou a mesma fada a qual eu fiz dormir. Ela voou até mim e pousou em meu ombro direito:

— Vem cá, você por acaso tem algum parentesco com a Julia? Eu a olho com uma expressão que deve ter soado como "você fala é?"

— Sim eu falo. Mas não se anima, porque eu falo minha língua, se você entende é problema seu.

— A Julia era minha avó. –respondo.

A fada me olha com a mesma expressão de quando eu a toquei a primeira vez:

—Ai minha rainha, preciso avisar as outras — E sai voando pela janela até o extenso campo de flores, o qual atrás se estende uma grande e colorida floresta. Ando até a janela e antes de chegar, outras delas vem até mim, me tocam, e me faz sentir diferente. Do nada tudo começa a ficar grande. Ou eu começo a diminuir.

Logicamente não vou fazer aquela pergunta típica e questionar o porquê de tudo estar enorme. Primeiro por que eu acabei de ver um monte de fadas trabalhando numa cozinha, e elas provavelmente me transformaram em algo pequeno. Mas não era algo pequeno comum. Ao ver meu reflexo no metal da pia, estou igual uma delas. Flores enfeitam todo meu corpo que possui um final com pétalas de tulipa que brota do meu corpo. Mas alguma coisa estava faltando, até certo momento em que asas transparentes, parecidas com as de um inseto saem das minhas costas.

Se isso aqui fosse outra história, com outra protagonista, ela estaria gritando e reclamando com as criaturas mágicas bonitinhas que a transformaram em uma criatura mágica bonitinha. Mas como sou eu, estou com a felicidade em primeiro no top cem dos sentimentos. Se é que existem cem sentimentos diferentes.

Ser alada não é tão fácil assim. Consigo fazer as asas baterem, mas não voar. As outras me ensinam. Duas criaturas com botões de rosa na cabeça seguram na minha mão e me fazem flutuar até o teto. Antes de qualquer coisa, a da esquerda fala:

— Todos precisam de incentivo- e me solta lá de cima.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.