Levou cerca de uma semana até Sloan se recuperar, embora a suas feridas não fosse mortais, precisava sempre de uns dias para repor as energias, afinal não era todos os dias que se sobreviva a um tiro no coração, embora muito sinceramente ela soubesse que já tinha sobrevivido a acidentes bastante parecidos.

Ali estava, no pequeno pub com Sam e Luka, estava na altura de partir, de regressar a casa, Zeke devia estar preocupado com ela e sabia que ia ouvir um sermão por ter partido sem dizer para onde.

:- Bom, — pousou o copo na mesa sorrindo aos seus dois novos amigos – acho que está na hora de ir

:- Tens a certeza que estás a cem por cento? – Sam perguntou preocupada e Sloan esboçou um sorriso

:- É claro que sim, não te preocupes, além do mais, Zeke deve andar doido a minha procura e não vai achar piada alguma a que tenha vindo embora sem o trazer…

:- E que tenhas quase morrido? – ela riu

:- Acho que vou deixar essa parte de lado

Depois de pagar as bebidas, os três saíram então para o estacionamento, encontrando-se agora parados em frente ao jipe vermelho da loira

:- Acho que isto é uma despedida– Disse meio sem jeito, não era muito boa a expressar os seus sentimentos ao até mesmo a ser “querida” as vezes as pessoas achavam-na fria, mas Sloan simplesmente não era do tipo de abraços e beijos por muito que gostasse de alguém, talvez lhe agradasse o facto de as pessoas a verem como uma durona de coração de pedra, ou talvez fosse porque para além de Zeke e do seu falecido pai, ninguém lhe tinha mostrado o que é realmente impor-se, amar alguém.

:- Podes voltar sempre que quiseres! – Sam sorriu tomando a outra num abraço, ao contrario de Sloan, ela não tinha problema algum em mostrar o que sentia

:- Se vocês se meterem em apuros de novo – riu afastando-se do abraço e olhando Luka – Bonitão… — passou por Sam e parou na frente dele, sem dizer nada envolveu os braços a volta dos seus ombros e puxou-o para um beijo demorado, Sam fez uma careta ao notar que a língua dela se “enfiava” pela garganta abaixo da do lobisomem.

Foi só quando esta ultima fez o som de limpar a garganta para deixar que eles soubessem que ela ainda esta ali que a loira de afastou

:- Uau – Luka não pode evitar olhando-a espantado, mas claro no bom sentido

:- Sim, só gostinho do uau – Sloan riu dando-lhe uma palmada no rabo e depois piscando o olho enquanto entrava no carro – Talvez na próxima tenhas o prato completo

:- Ficarei á espera – ele pisco-lhe de volta e Sam cruzou os braços ao peito, irritada

:- Até á próxima – o motor do carro fez se ouvir – Sam, cuida bem dele

:- Estou a ver que ele não precisa disso – Sam riu – Xau, Sloan!

A outra simplesmente acenou começando então a conduzir de volta a casa, de volta a Zeke.

:- Uau – Luka repetiu vendo o carro vermelho afastar-se, Sam abanou a cabeça em forma de repreensão e começou a afastar-se – Que? – ele perguntou seguindo-a

:- Nada, só já bastava um Luka, quer dizer, não precisa da versão feminina...

:- Isso são ciúmes, amor? – Perguntou pousando o braço nos ombros dela

:- Pfff! Óbvio que não, Só acho que devias ficar-te por uma pessoa em vez de uma por noite

:- Qual é piada disso? – ele provocou dando-lhe um beijo na bochecha.

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:- Sam! – Julian chamou fazendo com que ela acordasse dos seus próprios pensamentos – Não estás a prestar atenção!

:- Desculpe, estava só a pensar na atitude da Sloan, acha que eles dormiram juntos?

:- Não sei e muito francamente não me importa – Depois fez uma pausa e acrescentou — É provável

:- huh…

:- Agora podes ,por favor prestar atenção? Eu sei que criar poções não é tão divertido como aprender a dominar os teus poderes mas é igualmente necessário…

:- Tem razão, desculpe – Sam disse com um aceno de cabeça

:- Tudo bem. Posso assumir que estás a dar-te bem com o Luka? – perguntou pegando alguns ingredientes da prateleira e colocando-os em cima da mesa

:- Acho que sim….espere lá que quer dizer com isso? –Julian olhou-a brevemente e fez o seu sorrisinho habitual, antes de voltar de novo a atenção para os frascos que tinha pousado na mesa

:- Apenas que é importante dares-te bem com o teu guardião

:- Huh... – ela suspirou

:- O Luka é uma boa pessoa, ele tem bom coração, só não gostaria que algo acontece que te magoasse… nós sabemos como ele é com a…população feminina

: — Okay, eu agradeço o papel de…papá – disse em tom de brincadeira – mas eu sei bem que rapazes como o Luka não servem para mais do que dar-nos um desgosto, eu não sou uma simples e reles coitada como aquelas bimbas com quem ele se deita!

:- Nunca foi minha intenção insinuar tal coisa – o professor acenou, não querendo de maneira nenhuma que o seu cometário anterior ofendesse a jovem — e também tenho certeza que ele leva a sua missão a serio demais para tentar algo contigo, estava apenas a certificar-me...

:- Não há nada para certificar, a ultima coisa que me passaria pela cabeça é envolver-me com ele. Porque estamos sequer a falar nisto?

:- Certo, vamos ao que interessa, então – sorriu misturando alguns dos ingredientes num recipiente maior

:- Para que é isto exactamente?

:- É um feitiço de protecção.

:- Como funciona?

:- Bom – Julian disse agitando um pouco o recipiente maior e juntando mais alguns dos ingredientes – depois de feito deitamos o conteúdo num pequeno frasco que pode ser usado como pendente num colar, aquele que o usar, que o tiver consigo será protegido contra o que quer que lhe queira fazer mal, é claro que não previne os ataques mais graves é só uma espécie de….

:- Amuleto da sorte

:- De certa forma – acenou – apenas um que realmente funciona. Esta foi uma das primeiras poções que aprendi com a Haleh, a minha mulher — sorriu um pouco com essa memória

:- Você amava-a mesmo huh? Sinto muito pelo que aconteceu

:- Sim… Obrigado,- Ainda pensava em Haleh, em como ela se divertia cada vez que ele errava enquanto fazia alguma poção nova que ela lhe ensinava, mas ele não achava piada alguma pois levava o assunto demasiado a sério para se rir dos seu erros toscos, mas é claro que alegria da sua falecida mulher era contagiante então acabava por conseguir ver nem que fosse por uns segundos o lado divertido daquilo tudo. Sorriu de novo ao pensar nisso, depois decidiu deixar o passado no passado e olhou Sam

:- Devias estar a tomar notas dos ingredientes e de como fazer o poção porque a próxima será feita por ti

:- Eu? Quer mesmo arriscar que acidentalmente mande o seu laboratório pelos ares? – Juliam riu um pouco, há bastante tempo que não fazia, soube-lhe melhor do que esperado

:- Não te preocupes, estou aqui para certificar-me de que isso não acontece. – Pousando então o recipiente na mesa, Julian andou em direcção a uma pequena secretária no canto da sala, mas assim que começou a dirigir-se a ela a sua cabeça começou a andar á roda fazendo-o quase cair, apoiou-se na mesa de metal no centro da sala e respirou fundo sentindo ainda as pernas a tremer, Sam franziu a testa andando até ele e colocou a mão no seu braço como que a segura-lo

:- Professor Julian, você está bem?

:- Sim, ahm provavelmente um segundo efeito exposição prolongada a alguns ingredientes da poção... – mentiu, já tinha estado perto de lhe contar a verdade, mas estava feliz por não ter feito, ainda era cedo para que ela soubesse o que realmente se passava e Julian não sabia se a jovem estava pronta para lidar com isso, mas sabia no entanto que ela conseguia ver que algo de estranho estava a acontecer, talvez até soubesse que ele lhe estava a mentir.

Foi então que ela reparou, a volta do braço do professor bem no meio do mesmo, por baixo do pulso havia uma ligadura branca

:- Que foi isso? – Sam perguntou apontado para a mesma

:- Oh… só uma queimadura, no outro dia enquanto tentava inovar uma receita antiga de um poção de cura, nada demais- Mentiu de novo, com o mesmo sorriso, apesar de saber muito bem que Sam não era parva nenhuma e sabia que aquilo não passava tudo de uma grande treta.

:- Está a esconder-me algo –Libertou-lhe por fim o braço e ele andou então até a secretaria onde estava a tentar chegar antes de quase cair , abriu uma pequena gaveta na frente da mesma

:- Não estou a esconder nada, Sam, não é nada com que tenhas de te preocupar. Estou bem.

:- Não parece bem…

:- Por favor não insistas!

:- Tudo bem, mas esta historia está mal contada e eu vou descobrir o que não me está a querer contar!

:- Um dia –Julian disse com um aceno de cabeça e colocou o conteúdo da poção dentro de um frasquinho pequeno que tinha retirado da gaveta – toma, podes usa-lo tu mesma ou oferecer a alguém que queiras manter protegido. Agora é a tua vez, viste-me faze-lo, podes fazer sozinha e…tenta não explodir nada – brincou fazendo Sam rir.

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:- Tenho algo para ti! – Sam disse parando junto de sua amiga Mila e sorrindo, tinha passado algum tempo desde que conseguira socializar com ela, na verdade, quase já nem uma sms lhe mandava, sentia-se culpada por isso, mas sabia que ao menos se estivesse afastada , Mila ficaria em segurança

:- Que é?

:- Ahm, toma –entregou-lhe o pequeno frasco com o feitiço protector num fio

:- Bonito…isto é uma coisa hispter? Não estás a passar por uma frase hispter estás? – Sam riu

:- Nada disso, só vi numa loja no outro dia e pensei em ti a, huh, lojista disse que o amuleto serve para proteger de quem nos quer fazer mal

:- Achas que alguém me quer fazer mal? – Mila perguntou meio confusa

:- …Não – Sam abanou negativamente a cabeça – Só achei que gostarias! Olha eu também tenho um- puxou o fio para fora da camisola mostrando-o á outra com um sorriso

:- Huh, okay…

:- Olha, — Sam suspirou, sabia que tinha de falar no assunto, eram melhores amigas e melhores amigas não sumiam da vida uma da outra sem porque ou explicação – Eu sei que tenho andado muito distante mas…vamos dizer que é algo que eu tenho mesmo de fazer e assim que isto tudo passar eu conto-te logo tudo e tudo voltara a ser como dantes!

:- Sam… eu não sei o que se passa mas quero que tu saibas que podes sempre contar comigo… — Mila pegou a mão dela

:- E eu sei , mas as vezes há coisas porque temos de passar sozinhas, desculpa… mas ainda és a minha melhor amiga e eu ainda te amo…

:- Então o colar foi culpa de me andares a dar para trás?

:- Um pouco – Mila riu

:- Tudo bem, só… resolve o que tens a resolver e volta, okay? – Sam acenou

:- Prometo!

:- Agora vamos, aula – Mila fez uma careta pousando o braço a volta dos ombros da sua melhor amiga e as duas riram, quase como se tudo tivesse voltado ao normal, quase como se Sam não fosse uma feiticeira que tem de salvar o mundo… quase…

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No final da aula, Susan e Mila dirigiam-se a saída quando a ruiva lhe tocou no braço chamando-lhe a atenção para um homem parado perto da porta

:- Porque aquele tipo está a olhar para ti fixamente? – Sam olhou na direcção que a sua amiga acenara para ver Luka especado com uma expressão de preocupação estampada no rosto, muito provavelmente á espera dela

:-Oh! É o Luka…

:- Luka?

:- É um amigo meu…

:- Amigo? Ele é a coisa que tens de resolver sozinha?

:- Não! Nada a ver!

:- Huh… não me importava de resolve-lo sozinha, se é que me entendes

:- Mila! – ela riu puxando Sam para junto de Luka, uma vez lá , sorriu abertamente ao moreno e estendeu-lhe a mão – Oi, eu sou a Mila, melhor amiga da Sam!

:- Luka, prazer – Tomou a mão dela e apertou suavemente – Já ouvi falar muito ti, és mais bonita do que esperava

:- Obrigada, nunca ouvi falar de ti a não ser agora, mas… também és bonito

Sam rolou os olhos

:- Pessoal! Querem que vá buscar uma vela ou algo do género?!

:- Huh – Luka sorriu a Mila – Obrigado. Na verdade eu vim falar com a Sam, é meio pessoal…

:- Não digam mais – acenou – tem um mufin no café da esquina com o meu nome escrito – encolheu os ombros – até a vista, e Luka, ve se apareces mais vezes – lançou-lhe um sorriso antes de se afastar

:- Não entendo porque todas se derretam contigo…

:-Sério? Porque está mesmo á vista – apontou para si mesmo

:- Sim, sim, aviso-te já que se te metes com a minha amiga eu tiro-te a pele!

:- registado.

:- Então, que se passa? Que querias falar?

Pode ver a sua expressão tornar-se mais séria

:- É o Julian…