The Magic In me
7 Passado, Presente E Futuro (Dois)
Tinham passado três dias desde a sua visão, mas Sloan já tinha chegado ao seu destino e desde então a tinha mantido “debaixo de olho”.
Podia ter feito algo, agido, mas queria esperar pelo melhor momento e por muito que lhe fosse familiar o velho cliché que não existe dito melhor momento, ela sabia que isso não era bem verdade. Já se tinha precipitado e agido antes do tempo assim pondo-se não só a ela em risco como a quem deveria supostamente proteger.A sua perseguição tinha-a levado até ali, um bosque um tanto ao quanto denso que a fez perguntar-se porque raio tinham construído uma universidade na proximidade do mesmo.Agora tinha-a perdido, pedido o seu rasto que até ali seguira com facilidade:- Merda! – Sloan suspirou para si mesma, mas não teve tempo de formular o seu próximo pensamento, pois um raio vindo do nada, (raio esse que ela sabia não seu obra da mãe natureza ), a atingiu, projectando-a para trás e fazendo com que caísse de costas.A loira rolou sob si mesma, esforçando-se por respirar depois do ataque inesperado.Agora sentada no chão, ela puxou da arma que trazia presa na parte de trás da cintura das calças, e apontou-a sem saber muito bem a quem ou a que, na verdade não havia ali nada:- Come out, come out wherever you are – Provocou em forma de cantiga, por fim levantando-se e sentido a sua respiração voltar ao normal.Por detrás de uma árvore apareceu uma rapariga de estrutura baixa e cabelos escuros:- Não exactamente quem eu esperava… — Sloan observou confusa: — Não? Para quem anda a fazer tantas perguntas sobre mim, pensei que já soubesse tudo que há para saber da minha pessoa, mas talvez ainda não tivesses uma cara para juntar ao nome... :- Perguntas sobre ti? Que raio estás a falar? – Mantinha a arma aponta á desconhecida:- Não te faças de idiota! Achas que não tenho pessoas do meu lado? Pessoas essas que me informaram sobre uma desconhecia a fazer perguntas sobre mim, sobre onde me encontrar, depois começas a seguir-me e bom… é só juntar dois mais dois:- Okay, primeiro que tudo, eu nunca te vi mais gorda, miúda! E embora ache fofinho a tua maneira de pensar que tudo gira a tua volta, vou ter de desiludir-te e dizer que não era ti que eu estava a seguir. Ponto numero dois, andei a fazer perguntas sim, mas sobre a Samantha Weaver, não sobre ti, quem quer que sejas…:- Vês? Aí é que está o problema… eu sou a Samantha Weaver:- Tu? – Sloan perguntou surpreendida – Espera se tu és Samantha quem é a outra, então?:-A outra?:- Alta, loira, caracóis perfeitos, meio que se parece com uma barbie…:- Lana? Estavas a seguir a Lana? Porque?:- Eu acho que quem deveria fazer as perguntas aqui sou eu. Lana? É esse o nome dela? Amiga tua?:- Costumava ser…:- Huh, Isso quer dizer que estamos do mesmo lado? Talvez tenha sido por isso que fui guiada até ti…:- Isso depende, porque estás a procura da Lana?A tensão no copo de Sloan intensificou-se, sabia que se contasse a verdade e se esta Samantha, fosse ela quem fosse, estive do lado de Lana, as coisas não iam de certo acabar bem, ainda para mais tudo o que ela tinha era aquela arma, sabia que a outra tinha qualquer tipo de poder, podia ainda sentir a electricidade causada pelo ataque de há minutos atrás correr pelo seu corpo.:- Porque a tua amiga está prestes a fazer algo terrível. Estou aqui para a impedir – Respondeu, segurando a arma firmemente na mão, e ainda a mantendo apontada a Sam – A questão é, vou ter de te parar a ti também?:- Ela não é minha amiga, e tentar impedir que faça algo terrível tem sido a minha missão ultimamente, isso responde á tua pergunta?Sloan guardou então a arma e andou até Sam estendendo-lhe a mão:- Sloan, parece que fui enviada para trabalharmos juntas:- Sam, mas isso tu já sabes – Respondeu tomando a mão dela num aperto – e bem, isso tem acontecido muito ultimamente. Mas tenho de perguntar… Quem te enviou?:- Isso é uma longa historia, tens tempo?:- Não estou ocupada –Sam encolheu os ombros – Vamos, acho que conheço um bom sitio.**************************************************************Chegaram por fim ao destino, Sloan fez uma careta ao entrar na casa velha e decadente:- Porque raios me trouxeste aqui?:- É sossegada – Sam respondeu com um encolher de ombros, a cabana onde encontrara Luka ferido estava longe de ser acolhedora ou até mesmo confortável, mas não sabia se podia confiar nesta estranha, não ainda, por isso escolheu não a levar de imediato para o laboratório, alem do mais… falar de coisas sobrenaturais em publico não era muito aconselhável.Ao canto da sala jazia um velho sofá coberto de pó e meio desfeito das traças ou qualquer outro bicho que por ali andasse, a feiticeira observou-o durante uns segundos e depois decidindo “que se lixe” sentou-se com cuidado temendo que este desse de si e ela fosse parar ao chão, felizmente esse não foi o caso.Já Sloan escolheu ficar de pé, encostada contra a parede de madeira esburacada
:- Tens noção que o telhado … o que resta dele, pode literalmente cair em cima das nossas cabeças? – Perguntou observando o tecto:- Queres explicar-me como sabes o meu nome e quem te enviou, afina? – Sam foi directa ao assunto:- Não gostas de perder tempo, estou a ver… Mas como eu disse… é uma longa historia e vou ter de começar pelo inicio…:- Sou toda ouvidos.Começou quando eu tinha cerca de oito anos, um dia, do nada… estava simplesmente sentada na mesa de jantar quando uma dor intensa tomou conta de mim, uma dor que nenhuma criança deveria alguma vez sentir! Era como se uma broca gigante estivesse a fazer um buraco no meu cérebro, não conseguia para de gritar, só queria que a dor parasse!Mas a dor não era tudo, havia imagens, imagens horríveis! Uma carrinha embatia contra uma bomba de gasolina e explodia, levando consigo tudo a sua volta, tornando tudo num mar de chamas assustador.Essa foi a primeira das minha visões… Não fiz nada a cerca disso, não tentei descobrir onde o camião ia, não tentei travar o acidente, tinha medo, medo que achassem que eu estava doida e me internassem num manicómio qualquer… Medo de estar de facto a perder a noção da realidade.Com o passar do tempo as visões continuaram, os meus pais levaram-me ao médico por causa das dores de cabeça, mas não havida nada que eles pudessem fazer, não conseguiam achar nada errado comigo. E elas sempre voltavam… imagem horrível, imagens de monstros que eu não achava reais, de pessoas a serem despedaçadas, corpos mutilados, e eu… simplesmente ignorava, como se fosse um pesadelo, como se nada daquilo fosse real e estivesse preste a acontecer…Á medida que fui crescendo fui me tornando mais revoltada, mais rebelde, mais deprimida, não sabia como lidar com essas imagens revoltantes que tomavam o meu cérebro mais vezes do que deviam, com a dor que quase me cegava que me drenava de qualquer tipo de energia… então comecei a beber, a drogar-me para adormecer a dor, para abafar as visões, mas a bebida e o álcool só me tornavam mais deprimida e eu estava numa espiral de auto-destruição.O meu pai morreu quando eu tinha catorze anos… e a minha mãe culpou-me da sua morte, porque eu lhes dava muitos problemas, como se as células cancerígenas que tomaram conta do corpo dele fossem causadas pelo meu mau comportamento.Não conseguia aguentar mais! A única pessoa que sempre me apoiou estava morta e eu vivia com o inimigo.Um dia tive outra visão, mas desta vez não era uma de morte e desastre… era um homem, e ele fez me sentir feliz, segura.Sabia que a solução estava nele, mas não sabia como e onde encontra-lo.Fugi de casa e estava sozinha, roubava para ter dinheiro para as drogas, um dia , mesmo antes de ter uma overdose que teria morto qualquer um, outra visão tomou conta de mim, ele de novo, mas desta vez uma morada, uma rua, sabia onde encontra-lo e foi o que fiz assim que sai do hospital. No segundo em que ele me viu, soube que eu era especial, ele ajudou-me a lidar com as minhas visões, explicou-me que me tinham concedido um dom, o dom de ajudar quem precisa de mim, as minha visões mostram-me pessoas em perigo, pessoas que precisam de mim e graças e ele, Zeke, um dos mais poderosos feiticeiros de luz a minha vida ganhou sentido, ele criou-me como sua filha, ou… irmã mais nova. Eu não sei como ou porque eu tenho este dom, mas eu sei que tudo aquilo que eu vejo, que todas aquelas pessoas que precisam da minha da minha ajuda, são pessoas importantes, pessoas que vão ter algum papel igualmente importante na historia do mundo, ou teriam se eu tivesse começado com a minha primeira visão… :- Então tu és tipo um super herói — Sam observou depois de ouvir atentamente a historia de Sloan:- Tipo isso – a outra riu :- Então tu tivesses-te uma visão? Com a Lana? Mas como sabias o meu nome? E porque dizes que foste enviada até mim?:- Vi a Lana, ela está a planear algo, ela estava feliz, ria enquanto um grupo de pessoas eram transformadas em pó, depois vi o teu nome num formulário qualquer com o logo da universidade e pensei que tu fosses a Lana. Tenho andado a segui-la desde que aqui cheguei mas ela sempre parece desaparecer no ar… tal como fez hoje a entrada do bosque:- O que leva a perguntar o que ela quer deste sitio… e o que estará a planear:- Não sei, mas não me parece que seja algo positivo, temos de para-la antes que seja tarde demais:- Mas se nem sabemos o que ela anda a tramar… o teu amigo, não nos pode ajudar?:- Eu sei quem a Lana é – Sloan olhou Sam, uma expressão seria tomava conta de si – Zeke é um feiticeiro de luz, eu estou a par da historia toda. Depois de tudo o que ele fez por mim, por muito que eu saiba que não sou competente para lidar com isto sozinha, prefiro arriscar a minha vida e acabar sem ela, a arrastar Zeke para este assunto e acabar com a dele.:- Isso é muito nobre da tua parte – ela levantou-se sacudindo o pó deixado pelo sofá nas suas roupas – Mas, não estás sozinha. Não estamos sozinhas e se tu sabes da historia toda então já deves ter concluído que eu sou a Escolhida – Pela primeira vez ela disse aquilo com orgulho – e eu tenho amigos, amigos que tal como Zeke fez contigo me estão a treinar e ajudar a ser melhor, mais forte para enfrentar Lana. Quando um de nós está em perigo, estamos todos em perigo, estamos juntos nisto. Vamos, tenho a certeza que o professor vai pensar em algo para nos ajudar.:- Huh, Agora tu é que estás a começar a soar como um super herói – Sloan comentou enquanto as duas abandonavam a cabana velha.De alguma maneira, Sam sentia agora que podia acreditar na historia de Sloan, ela parecia honesta e estava disposta a morrer para deter a Lana, o que era algo que ela não entendia muito bem, Sloan nem conhecia nenhuma das pessoas nas suas visões e arriscava a vida por elas… sim de facto ela era uma super heroína.
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