Kaya apenas deixou-se ficar ali a olha-la, sem saber como agir de seguida, e na verdade, Sam não a podia culpar por isso, afinal aparecera ali como que vinda do nada, uma desconhecida de aspecto estranho, usando roupas que a outra nunca tinha visto na vida. Por fim, afastou-se um pouco para o lado esquerdo, deixando que a porta se abrisse atrás de si e gesticulando a Sam que a seguisse para dentro. :- agora vais por fim, explicar-me que fazes aqui e quem és? – questionou enquanto a olhava cautelosa. Sam olhava em seu redor tomando consciência do interior da pequena cabana, virou por fim a sua atenção para a feiticeira e suspirou, só lhe restava esperar que ela não a achasse uma louca, mas pensando bem no assunto, num mundo, Bruxas, feiticeiras e guerras entre seres sobrenaturais eram uma realidade, porque não uma estranha jovem vinda do futuro? Sentou-se numa cadeira de madeira esculpida de forma tosca que fazia par com uma pequena mesa de jantar no centro sala e começou a contar tudo, a explicar como e o porque que a levar ali, falou-lhe de Lana, do ritual de todos os planos que ela tinha forjado até ali, de todas as pessoas inocentes que já tinha morto. Falou-lhe também de como ela própria (Kaya) se iria sacrificar deixando os seus poderes para que no futuro alguém pudesse combater Deliah, e como, está claro fora a ela que lhe calhara tal missão. Ao fim de ouvir tudo, Kaya olhou-a com um aceno de cabeça, como que ainda a processar toda aquela informação nova :- Eu sabia que sentia uma ligação – Colocou a mão por cima da dela – Como que se me conseguisse ver-me em ti– fitou Sam de cabeça meio tombada para o lado – Agora eu entendo porque... :- Então acredita em mim? :- É claro que sim, minha querida. Mas temos um problema, na verdade temos um grande dilema entre mãos. Eu não sei nem por onde começar a procurar Deliah :- Não existe maneira de a achar? Talvez com algum feitiço, li há pouco sobre feitiços de localização… :- Duvido que a Deliah seja burra ao ponto de se deixar ser encontrada por um mero feitiço de localização. :- Então… o que o fazemos? :- Tenho uma ideia… — Sorriu mostrando alguma alicia e levantou-se, levando consigo a única vela que iluminava o local, parou junto de uma porta ao fundo da sala e virou-se para Sam – Vens? Sam seguiu-a então, vendo que abria essa mesma porta e revelava um quarto pequeno, apenas continha uma cana encostada na parede lateral. No leito deitava-se alguém, virado de cara para a parede, a falta de luza não a deixava ver bem ,mas dava lhe a ideia que quem quer que fosse que estivesse ali não estava a respirar… Kaya pousou então a mão no ombro do hospede adormecido fazendo com que ele a olhasse, a luz da vela banhou o seu rosto… rosto esse marcado do fogo que lhe deixava bolhas na pele e lhe dava um aspecto de monstro dos filmes de terror. Apesar da sua aparecia ser totalmente diferente daquela a que estava habituada, Sam reconheceu-o de imediato :- Declan… — Suspirou baixinho :- A nossa única esperança – Kaya acrescentou :- Se eu fosse a ti começava a falar, Vampiro , não me parece que estejas em forma para oferecer qualquer tipo de resistência Ele apenas a olhou, com aqueles olhos de predador, olhos que quase eram capaz de penetrar a alma, olhos de louco, era certo que Sam o odiava pelo que ele tinha feito a Mila, mas teria de admitir que o Declan que conhecia em nada se parecia com aquele… não tinha um olhar tão ameaçador, tão… selvagens, talvez anos de sofrimento com a alma indesejada tivessem levado a tal, verdade era que se ela não soubesse o passado do vampiro, era muito possível que não o reconhecesse. :- Onde está a Deliah? – Kaya perguntou num tom ríspido :- Porque haveria de te dizer? :- Porque se não fizeres, não tenho problema algum em acabar com a tua raça! Ele riu enquanto ela enfiava a mão por baixo da cama e tirava de lá uma estaca de madeira :- Foi por isso que me salvas-te? Para que te disse-se como encontra-la? :- Não. Salvei-te porque queria castigar com algo ainda pior que a morte – apontou o objecto ao peito dele – mas as circunstancias mudaram… por isso, diz me onde ela está e eu deixo-te viver, deixo-te ficar aqui todo o tempo que precisares para recuperar a tua saúde e mais… trago-te sangue fresco todos os dias, estás faminto não estás? Diz-me – Passou a mão suavemente pelo rosto dele – Quando foi a ultima vez que te alimentas-te? Eu sei que consegues sentir, o meu sangue – olhou Sam- O nosso sangue, quente, acolhedor a borbulhar dentro das nossas veias, eu sei que consegues ouvir as batidas do nosso coração que o bombeiam deixando-o tão apetitoso… pegar ou largar, meu querido. Onde está ela? Deixando-se seduzir pela sede de sangue e sabendo que ainda estava fraco demais para atacar Kaya, ele teve de ceder, não lhe restava alternativa, até porque aquela estaca começava a fazer pressão demais contra o seu peito :- Há um castelo, bem ao fundo da floresta, oculto pelas árvores grandes, bem para lá da ponte de pedra… é esse o local a que Deliah recorre quando quer engendrar os seus planos… :- Muito bem – Kaya sorriu satisfeita – Obrigada – No segundo seguinte cravava a estaca no peito do vampiro fazendo com que ele explodisse numa nuvem de cinzas. Sam observou a cena horrorizada… Declan estava morto, isso teria de certo um grande impacto no fututo, no futuro onde se encontravam os seus amigos, e ela tinha a certeza que esse dito impacto não era positivo…
Presente:
Subitamente, a terra estremeceu… um terramoto místico que todos eles sentiram, embora só tivesse durado uns segundos. No ar, pode sentir uma aura eletrizante, um cheiro esquisito a metal, Sloan e os restantes trocaram olhares, então, como se tivesse dado um salto cósmico, o cenário mudou.
Ainda era o laboratório do professor mas estava totalmente destruído, frascos partidos pelo chão, químicos misturados que formavam um espessa espuma verde já seca, os armários todos arrombados, a secretária virada de pernas para o ar com as gavetas retiradas e deixadas mais a frente abandonadas pelo chão, papeis, folhas de livros caídas por todo o lado davam o ultimo toque aquela decoração macabra
:- Mas que…? — Sloan olhou em volta sentindo-se tonta, agora, estava apenas ela e Zeke, os restantes tinham simplesmente desaparecido, o feiticeiro olhou-a, tocando com a língua na ponta do indicador a apontando ao dedo para o ar
:- Sentes isto?
:-Não… porque as pessoas fazem isso? Nunca consegui entender, oh e outra pregunta… que raio acabou de acontecer?!
:- Um salto cósmico, coração. Há uma aura mística no ar… — rodopiou sobre si mesmo ainda com o indicador levantado – Ela fez algo, Sam… alterou o passado
:- Porra! – Sloan chutou um pedaço do vidro com a biqueira da bota preta – Porra Sam! Sabe-se lá o que acordas-te!
:- Bem podes dize-lo, amor… também acho que devíamos sair daqui antes que alguém decida que devemos descobri-lo…
Tarde demais, vidros a serem pisados, partidos debaixo de pés ecoaram pelo ar, Zeke suspirou irritando
:- Ora, ora, que temos aqui?
:- Professor! – Sloan tentou correr para ele mas logo o seu braço era agarrado pelo loiro que parara agora do lado dela
:- Não! Sloan… não te aproximes
:- Ah! Assim não tem piada! – ele riu aproximando-se e revelando dos seus olhos negros – Estou um bocadinho confuso… parece que há dois acontecimentos que se contradizem um ao outro dentro do meu cérebro, por alguma razão, eu sabia que vocês tinham as respostas
Zeke puxou Sloan para trás de si
:- Só vou avisar-te uma vez, meu querido, tocas nela e eu esfolo-te vivo!
:- Não cometerei o risco de te subestimar… — Julian respondeu simplesmente, fitando o outro com olhar desafiante
Passado : :- Do que esperas? – Kaya perguntou, segurando em frente a Sam um longo vestido castanho em muito parecido com que usava – Não podes andar por aí com essas vestimentas e esperar não chamar a atenção :- Pensei que íamos pelo meio da floresta... – A outra suspirou irritada e não foi preciso mais nada para que Sam se livrasse por fim das suas roupas e enfiasse o vestido pela cabeça. Kaya olhou-a durante uns segundos antes de comentar :- Existe algo a perturbar-te… algo para além da Deliah … :- É só que…Declan está morto, não quero pensar no impacto que isso terá no futuro, no tempo onde vivem os meus amigos, se não formos de capaz de parar Deliah a tempo… então o mundo como eu conheço vai de certo mudar e posso garantir que não será para melhor… Uma mão bondosa veio pousa-se no seu ombro :- Lamento que ter aniquilado o vampiro e sem pensar tenha causado tanto transtornar, mas é por isso que temos de começar a agir imediatamente! Temos um longo caminho pela frente e só Deus sabe que tipo de magia aquela bruxa tem a proteger o seu castelo. Deus… Sam pensou se de facto existiria um e se ele estaria do lado dela, e dos que lhe eram queridos naquele momento, pois sabia sem qualquer sobra de duvida que a morte de Declan desencadeara uma serie de acontecimentos negativos… Efeito borboleta… de facto um evento tramado e assisti-lo em primeira mão, não era um experiência pela qual Sma quisesse passar… Saíram então para a calada da noite, tochas brilhantes guiavam o seu caminho pelo meio da floresta escura e ameaçadora. :- Chegaremos lá pela manhã – Kaya anunciou Não respondeu, limitou-se a seguir caminho por entre as arvores enormes e ameaçadoras, tinha a sensação que já tinha passado por ali, não no sentido de estar a andar em círculos mas sim como quando se passa por um sitio que nunca vimos e no entanto uma sensação de déjà-vu inexplicável nos atinge a mente. :- O teu coração não se encontra contente, seguro, não como o meu que embora tema o fracasso sabe que dentro de mim existe força suficiente para ainda assim remediar a situação :- Eu… — Sam franziu a testa com a forma poeta que Kaya se acabar de expressar – é como lhe disse… a morte do Declan pode ter consequências terríveis e eu tenho medo do que posso encontrar se não vencermos o plano de Deliah :- Não, há mais do que isso. Uma dor… o medo de perder alguém especial , alguém que “brilha” mais do que todos os outros :- Não tenho medo de perder só um alguém, tenho medo sim de perder todos os meus amigos que confiaram cegamente em mim sabendo que a vida deles ia mudar por completo! – replicou ficando enjoada daquela conversar e agora, sinceramente, começava achar que aquilo tudo tinha sido um erro, não podia evitar que a imagem de Sloan correndo pela a sala a dentro lhe assalta-se o cérebro e lhe causasse aquele aperto no coração, a sensação que não deveria estar ali, que aquele feitiço não era bem vindo por quem quer que fosse que controlasse as visões da loira. Mas agora… bom agora era tarde demais, não tinha como voltar atrás e só podia rezar para que tudo acabasse como esperado ou então… Presente:
Zeke abriu ambos os braços ao lado do corpo, os seus cabelos finos e bem cuidados voavam atrás de sim como se um ventoinha invisível os empurrassem, os olhos azuis penetrantes fixos no professor, esperando que este se decidisse a atacar
:- Só queria conversar… mas se insistes – Julian apresentou um sorriso gelado no canto dos lábios – até vai ser divertido ter por fim alguém a minha altura – elevou a mão na frente, fechando os dedos vagarosamente, os seus olhos eram de um negro cerrado, abriu por fim o punho fazendo um força invisível sair do mesmo atingir Zeke no peito, este arfou um pouco e deu um passo atrás, mas agitou os braços fazendo com que a força se dissipasse, voltou a andar na direcção do professor, cabelos ainda a esvoaçar atrás dele, sorriu desafiante
:- É só isso? Oh querido, como eu estou desiludido! – então virando se de lado e elevando o braço na sua frente, lançou da palma da mão um raio de cor esverdeada que atingiu o homem mais velho no peito, projectando-o com violência para trás
:- Anda! – chamou Sloan com urgência , puxando-a pelo braço – Temos de sair daqui, não posso fazer nada que magoe o professor ou até que o mate! Não sabemos o que Sam alterou ou se consegue ainda remediar a situação!
Mas não tiveram tempo de se mexer, o professor já se teletransportara do fundo da sala para a frente deles, no peito, a camisa rasgada revelava um rasgão na pele, pele negra a apodrecer, irradiava desse ferimento uma luz da mesma cor do ataque que o feiticeiro lançara sobre ele
:- Temo que não posso permitir que vão seja onde for! – o sorriso trocista transpareceu nos seus lábios, os olhos negros brilhavam com a luz da lua, fixou Zeke com o olhar, então conseguiu imobiliza-lo, como que hipnotizando-o, a sensação de ter mil mãozinhas pequeninas de dedos fortes como aço, não deixando uma única parte de fora, não deixando que ele se movesse um centímetro sequer tomou conta do feiticeiro, os olhos abriram-se de espanto, então, Julian abriu-lhe a camisa berrante, arrancando-lhe os botões e fazendo com que estes saltassem disparados das casas, pousou a mão no seu peito, os dedos começaram a afundar-se na pele branca de Zeke, a enterrar-se formando buracos pequenos a sua volta e fazendo o sangue começar a escorrer.
Uma dor invadia agora o seu peito, apoderando-se de todos os seus sentidos, um lágrima brilhante escorreu-lhe do rosto. Tinha de fazer algo! Não podia deixar que um demónio nojento acabasse com ele assim, ele era um feiticeiro, um dos únicos que sobrevivia e por consequência um dos melhores!
Tentou mexer-se mas o seu corpo estava totalmente imobilizado.
A sua garganta imitiu um som, um som que era mais um grunhido de dor, sentido os dedos do professor enterrar-se mais e mais dentro do seu peito, sabia qual era o seu objectivo, sabia que ele queria arrancar-lhe, literalmente o coração bem ali, e muito provavelmente atira-lo para o lado como se de lixo se tratasse quando o seu corpo sem vida caísse aos seus pés.
Os gritos de Sloan ecoavam bem no centro da sua cabeça, tentou dizer para fugir, para correr dali para fora enquanto tinha tempo, mas não conseguiu, não conseguia nada a não ser manter-se ali, quieto, petrificado enquanto aquele demónio nojento que outrora fora um aliado, lhe arrancava a vida, enquanto ele ria que nem um louco e Sloan gritava igualmente como louca não podendo agir! Não podendo fazer nada para salvar a sua vida, bastava o professor querer e esmagaria a profeta como se de um insecto de tratasse.
Sentiu o sangue escorrer pela barriga abaixo, quase que fazendo cocegas na sua pela macia, uma pequena poça do liquido vermelho formava-se agora dentro do seu umbigo.
Os dedos, esses perfuravam-lhe a pele mais e mais, estando a centímetros do seu objectivo.
Era tarde demais, não havia já nada a fazer! O professor ia mata-lo e tomar o seu coração como premio.
Arfou, sentiu a dor cada vez mais e mais forte, agora tomar conta de todo o seu corpo, Lágrimas de raiva, de impotência escorriam dos seus olhos azuis fazendo com que eles brilhassem.
Sloan observava a cena, horrorizada com o que via.
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