Bateu suavemente na solida porta de madeira, passou apenas alguns segundos até que esta fosse aberta

:- Olá de novo – Sam sorriu a Camille – Desculpa voltar a incomodar, mas precisamos de livros de magia e a única pessoa que eu me lembro que tem… tinha bastantes era…

:- Luka – a outra completou com um aceno de cabeça, e fez sinal para que eles entrassem.

:- Camille, estes são a Sloan e o Zeke

Zeke andou até a morena, pegando-lhe a sua mão e depositando-lhe um suave e educado beijo

:- Estás cada vez mais bonita, devo admitir – Sorriu-lhe

:- Ezekiel! Uau, passou tanto tempo desde a última vez que nos vimos, estás… fantástico!

:- Obrigado. Então… Luka era um dos teus, eu devia ter adivinhado… — Olhou em volta e depois para Camille de novo – Os mais bravos sempre fazem parte da tua alcateia

:- Isso é muito querido da tua parte – Sorriu-lhe pegando a sua mão

:- Desculpem… mas nós meio que estamos… á nora? – Sam comentou observando-os –Posso partir do principio que já se conhecem?

:- E de que maneira! – Zeke respondeu e tanto ele como Camille riram

:- Okay… ew. Onde é o quarto do Luka?

:- Topo das escadas, segunda porta a esquerda. Que tal um chá e por em dia os velhos tempos?

:- Parece-me um óptima ideia! – Zeke uniu o seu braço ao da mulher e os dois desapareceram para a cozinha.

:- Então… Parece que Camille e Zeke já se conhecem … intimamente – Sam comentou agora no quarto de Luka com Sloan

:- Ficarias surpresa se soubesses a quantidade de pessoas que Zeke conhece intimamente – Riu

:- Parece que ele e Luka tem algo em comum, então

:- Nem por isso – Sloan encolheu os ombros – Zeke é um feiticeiro, ele já viveu muito

:- Queres dizer que os feiticeiros vivem mais tempo que os humanos?

:- Se forem poderosos e cuidadosos o suficiente

:- E os lobisomens? – Andou até a mesinha de cabeceira e pegou uma foto que se encontrava sobre a mesma, suspirou ao observar o rosto sorridente de Luka, no seu smoking elegante com o braço pousado por cima de Izzie, uma Izzie bem mais nova do que a que ela conhecera, na verdade aquele poderia ser a noite da visão que ela tivera anteriormente, a noite que Izzie com catorze anos fora apresentada formalmente a sua alcateia

:- A maioria deles sim, se conseguirem ficar longe de sarilhos – Sloan andou até ela, parando ao seu lado

:- Então eu roubei-lhe muitos anos de vida – Disse ainda fitando o rosto sorridente de Luka na fotografia

:- Olha, tu fizeste bosta da grossa, sim, mas eu entendo o porque, além do mais não podias prever que isto ia acontecer, nada indicava que Kaya ia matar o vampiro – pousou a mão no ombro da feiticeira – Não foi culpa tua, Sam, não inteiramente

:- Kaya – Sam respondeu pensativa, quase como que não registando o gesto de conforto de Sloan, não intencionalmente, ela estava apenas perdida nos seus próprios pensamentos de culpa – Ela era tão corajosa, sabes? Tivemos de atravessar uma ponta armadilhada com choques eléctricos e ela não parou nem uma única vez! Ela era tão forte, tão determinada! Gostava de ter metade da força dela, raios! Gostava de ter só um quarto da força dela

:- Sam… — Sloan suspirou – Ouve bem porque eu não de lamechices, só te vou dizer isto uma vez – a outra virou-se para olha-la – Tu pensas que não és forte e determinada? Miúda! Tu és a determinação em pessoa! Estás aqui, não estás? Fizeste tudo o que podias para conseguir remediar o teu erro e algo me diz que não irias parar até que achasses uma maneira fosse ela qual fosse de o fazer, quer eu e Zeke estivéssemos aqui para te ajudar, quer não.

:- Obrigada … — Sam sorriu olhando a outra com gratidão – Quero acreditar que o que dizes é verdade – virou-se de novo. Pousando a moldura no seu devido lugar – mas desde que isto começou sempre tive Luka, ou o professor do meu lado … — Respirou fundo lutando contra as lágrimas – Não sei como seria capaz de sobreviver sozinha

:- Bom, não estás sozinha. Agora anda lá, vamos encontrar os livros e sair daqui

:- é triste não é? – olhou o quarto e depois e loira – Estar aqui, onde ele vinha todas as noites, onde ele dormia, onde ele vivia e agora…

Sloan rolou os olhos

:- Não ouviste o que eu disse sobre não gostar de lamechices? Deixa-te disso. Vamos traze-lo de volta. É por isso que aqui estamos e não há tempo a perder!

Tinha razão, não havia tempo a perder, tinha de trazer Luka de volta, de ajudar o Professor a voltar a ser ele mesmo, mas estar ali, ver aquilo tudo, os vestígios que Luka deixara para trás, vestígios de uma vida tão curta, e saber que ela tinha acabado tão abruptamente por sua culpa, fazia o seu coração apertar-se no seu peito, fazia a sua garganta fechar-se e não deixar que ela respirasse, fazia com que quase vomitasse.

Depois de encontrarem alguns livros guardados meticulosamente por Luka numa estante ao fundo do quarto, as duas raparigas foram ter com Zeke e Camille que estavam ainda na cozinha a tomar chá, quase que tiveram de arrastar o feiticeiro dali para fora mas por fim ali estavam, de volta ao quarto de motel com as cabeças enfiadas nos livros velhos, esperando que um deles tivesse aquilo que tanto procuravam.

:- Ah, ah! – Zeke gritou fazendo as duas pular de susto – Encontrei! – O feitiço! – Levantou-se e puxou os cabelos loiros para trás da orelha, depois olhou o velho livro com uma expressão pensativa, talvez até triste – Infelizmente estou demasiado fraco, ainda para o conseguir realizar

:- Então o que fazemos? – Sam perguntou desanimada

:- Esperamos – Respondeu fechando o livro e encolhendo os ombros – E enquanto esperamos, há uma certa feiticeira que ainda precisa de ser treinada, se dominasses todos os teus poderes, nem precisavas de mim para este feitiço!

:- Obrigada. Sei que sou o falhanço…

:- Oh, querida, eu estou tão farto de melodrama! – Comentou rolando os olhos, — O problema é que tu estás a ser ensinada por um lobisomem, quer dizer, sem ofensa, devo admitir que ele até interessante de se olhar, mas a verdade é que precisas de alguém que realmente saiba do que esta a falar – Mostrou um sorriso brilhante e confiante, depois apontou para ele mesmo – Alguém como eu.

Sam olhou-o com as mãos na cintura

:- Okay, bom acho que não posso recusar a ajuda de um feiticeiro poderoso como tu

Ele pareceu satisfeito com a resposta, acenou e depois começou a prender os cabelos num rabo-de-cavalo demasiado bem alinhado que de certa forma fazia inveja a Sam

:- Anda daí então coração, tenho muito para te mostrar.

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Estavam agora no meio do bosque o local habitualmente escolhido para os treinos de Sam

:- Muito bem – Zeke, parado na sua frente começou – ataca-me

:- Sério? É assim que queres começar?

:- É assim que começamos – Ele acenou com um sorriso desafiador

:- Okay… — Sam olhou-o hesitante, sabia que seria mesmo muito difícil afecta-lo com qualquer tipo de ataque tendo em conta que ele era mil vezes mais poderoso que ela. Respirando fundo então, reuniu todas as suas forças conseguindo lançar um ataque na direcção do feiticeiro, (sem dificuldade, alias tal como ela esperava), ele conseguiu evita-lo

:- É só isso que és capaz? – Perguntou, desafiante cruzando os braços sob o peito e levitando a poucos centímetros do chão

:- Pelo menos não sou exibicionista – respondeu amuada o que, por alguma razão o fez rir, pousou os pés no chão e andou até ela

:- Sam, eu sei que tens muito poder dentro de ti, consigo senti-lo no ar – posou a mão no braço dela – Porque o estás a conter?

:- Não estou a fazer tal coisa! Se soubesse como usar os meus poderes a cem por cento, já o teria feito!

:- Acho que é esse o problema, estás a pensar que não és capaz, e isso faz com que… bom não sejas capaz – Lançou-lhe um olhar compreensivo, quase carinhoso. Ela não foi capaz de responder, seria mesmo esse o problema? Seria ela mesma que se impedia de evoluir? – Sam, tens de olhar para dentro de ti, docinho, todas essas emoções, todas elas te vão ajudar a lutar, todas elas vão acordar em ti um poder novo, mas tens de dar oportunidade a ti mesma de senti-las! – olhou-a nos olhos, ela quase não conseguia suportar aqueles olhos azuis a julga-la – Até mesmo as mais negativas.

:- Mas eu não tenho medo de mostrar as minhas emoções!

:- Tens sim – um sorriso surgiu no canto dos lábios dele – Porque não queres acabar como a Lana, louca de poder.

Olhou-o, confusa e sem querer acreditar que aquelas palavras tinham por fim sido proferidas, como ele sabia? Sam sempre fizera tudo para agir como esperavam que ela agisse, para empurrar aquele medo bem para o fim da sua mente, franziu a testa, confusa enquanto ele a continuava a fitar

:- Como é que …?

:- Simplesmente consigo senti-lo, as tuas emoções, no ar. É como uma electricidade estranha… não te consigo explicar como eu entendo tão bem as pessoas mesmo sem as conhecer intimamente, mesmo sem elas terem de falar, acho que é um dom – encolheu os ombros

:- Faz parte dos teus poderes de feiticeiro? – Ele riu

:- Não coração, faz parte de mim, Ezekiel , do meu ser, acho que se não fosse feiticeiro teria na mesma este “dom” . É apenas parte de quem sou

Ela sentou-se no chão e suspirou

:- Achas que vou acabar como ela?

:- É claro que não! És uma boa menina! – Sentou-se do seu lado pousando a mão no seu ombro

:- Tudo isto… eu só… — tapou as cara com as mãos evitando chorar na frente daquele que era um dos feiticeiros mais poderosos a face da terra

:- Tens medo, medo de muitas coisas. Queres ouvir um segredo? – Não esperou que ela respondesse – Eu também tenho medo, ás vezes – Disse olhando o penso que lhe cobria a ferida no peito – Medo de perder Sloan, que algo mau lhe aconteça, medo de morrer… Quando o professor me atacou, eu tive um medo terrível de morrer. Até agora conta-se pelos dedos as pessoas que encontrei capazes de me causar tal dano, mas queres saber o que fiz? – Sam olhou-o esperançosa – Deixei que a raiva tomasse conta de mim, que ela me mostrasse que eu sou grande, poderoso, e não há demónio imundo algum capaz de me matar. Essa raiva ajudou-me a vencer, a sobreviver. Ás vezes, tens de deixar entrar a raiva, a dor, a solidão, a revolta, tens de os deixar entrar porque ás vezes também precisamos de um pouco de negatividade, ás vezes é isso que nos dá força.

:- Acho que tens razão – Sam acenou levantando-se, talvez fosse hora de parar de ter medo de ser quem era, dos poderes que ganhara, é certo que tinha feito borrada, mas isso não queria dizer que ela se fosse tornar na Lana, ou Delilah ou lá quem aquela que uma vez foi sua amiga fosse agora. Ela não era má, e tudo aquilo que tinha causado foi sem intenção, nunca quis que Luka morresse! Que o professor voltasse a ser um monstro, ela adorava-os, aos dois, eram seus amigos e estava disposta a tudo para os ter de volta. Para compor toda a confusão que causou.

:- E sam? – seguindo de novo os seus movimentos, o feiticeiro levantou-se – eu prometo que assim que tenha força suficiente vamos trazer de volta os teus amigos e remediar este grande caos

:- Eu sei. Obrigada – Respondeu sorrindo com um aceno de cabeça, não havia nada que ela mais desejasse do que voltar para o presente que ela conhecia, para a sua linha do tempo original. E agora começava a entender porque Sloan parecia gostar tanto de Zeke, a princípio ele podia parecer um pouco cheio de manias e chatos, mas na verdade tinha bom coração, preocupa-se com aqueles que sofriam apesar de parecer esconder-se naquele seu lado de “Diva”.

:- Então, vamos lá, estou a ver que posso aprender muito contigo – isto pareceu agradar-lhe, ele sorriu abertamente, mostrando o quando os elogios lhe elevavam o ego

:- Oh, querida nem fazes ideia! – riu – Eu posso ajudar a torna-te uma das, se não a feiticeira mais poderosa deste mundo e do outro! – exagerou, sabendo que o fazia para tornar o ambiente um pouco mais leve, depois de ter levantado a jovem todas as sua duvidas.

:- Não me parece que eu possa deixar que isso aconteça – Uma voz cortou o ar, uma voz que outrora parecia doce e melodiosa a Sam, mas agora, agora parecia que toda a doçura tinha sumido e naquela voz só sobrava ódio e revolta, embora ela fosse capaz de conseguir apesar disso de a reconhecer no segundo que a ouvira.

:- Que faz aqui? – Perguntou assumindo uma procissão de ataque.

Ele ignorou-a permanecendo encostado á árvore de braços cruzados enquanto observava tanto ela como Zeke. Um sorriso trocista aparecia-lhe nos lábios, e ele fitou o feiticeiro desafiante.

:- Não me parece que seja boa ideia apareces aqui depois da carga de porrada que levas-te –Zeke desafiou colocando-se na frente de Sam de forma protectora. O professor riu abanando a cabeça, divertido

:- Pensas mesmo que me deixas-ta assim tão em baixo? Os teus truques não passam de magica de trazer por casa! Achas mesmo que uma pequena bala me ia deter?

:- Poupei-te a vida um vez, não vou faze-lo de novo – O loiro respondeu sem mostrar uma pinga sequer de medo, o demónio voltou simplesmente a rir, a gozar com a cara dele e isso esta a começa a irrita-lo

:- Não preciso que me poupes a vida, seu panasca idiota! Eu posso dar cabo de ti, — olhou Sam – de vocês os dois com um estalar de dedos! Na verdade… — ergueu a mão , fechando o punho, nesse momento Zeke levitou no ar, e levou a mão a garganta sentido o ar fugir-lhe da mesma, arfou e tossiu tentado respirar, mas o professor fitava-o, fazendo com que o aperto se intensificasse cada vez mais.