Notas iniciais
Capa: Vladmir

Encontrei um quarto com suíte (na verdade, cada quarto tinha o número da nossa ordem de nascimento e com lugares específicos para ficarmos mais à vontade, eu por exemplo, estou no quarto 2 perto primeiro quarto a esquerda, perto da saída, o que facilita eu ter que sair de casa para ir trabalhar, sou muito lerda pra sair, mas uma ótima enfermeira) Clara, dorme perto do ateliê, Dominnick no segundo maior quarto, o maior é da Irina, Carter tem o quarto perto da escada para o porão já que ele treina por lá e só sai pra comer ( ele é boxeador). Os outros eu não faço ideia, E NEM OUSEM ME JULGAR! Eu mal falava com eles, havia dois anos que eu não via a Debora, Irina e Dominncik moravam na China e eu nem me importava, mas eu fui na casa do Steve, Carter e papai há uns três meses atrás. Ele parecia tão saudável, morreu de repente, ataque cardíaco.

Era cinco e meia da manhã, acordo com má vontade e tomo um banho, visto uma blusa e uma calça jeans, afinal, terei que me trocar de novo no hospital. Desço para tomar o café, não tem ninguém na cozinha, devem estar todos dormindo, faço um café preto e como algumas torradas com manteiga, não sou muito de comer de manhã.

Vou de carro até o hospital, e não consigo parar de pensar no papai, da forma como ele me no colo e girava até ficar tonta, e as piadas dele que eram muito sem graça mas eu ria pra ele não ficar magoado. Eu acho que eu devo estar com saudades, porém eu nunca vou perdoar ele por ter me abandonado nas mãos do vovô, assim como fez com todos nós.

Cheguei no hospital, e comecei a trabalhar, mas eu sei que ninguém quer saber sobre a rotina de uma enfermeira quer? Vamos logo para a parte importante, quando eu volto pra casa, já era umas oito horas da noite, e não havia muitas luzes, essa casa me dá medo.

— Oi Diana – Carter tinha chegado de uma corrida, estava todo suado e ofegava bastante- Não vi você saindo, estava na luta?

—O que? Não entendi.

— Nossa, como você é lerda. – Carter me olhou e fez uma careta- Eu quis saber se você estava trabalhando...

— Aaah, aham, estava, na luta, não na luta que você luta a mas a luta de curar as pessoas.

— Entendi, você é médica certo?

— Não – eu digo, sempre me confundem com médica, é um pouco irritante. – Eu te disse quando fui visitar vocês há três meses.

Carter riu, como se eu estivesse brincando, mas não era brincadeira.

— Diana, você foi visitar a gente há um ano atrás, aliás, você só foi porque queria dinheiro emprestado.

— Isso não é verdade! –reluto, mas agora as lembranças foram vindo a minha mente e eu percebi que era verdade.

Fiquei sem palavras, eu era tão insensível assim? A ponto de ficar um ano sem falar com o meu pai e irmãos? Não. A culpa era deles, eles não ligaram pra mim, então por que eu deveria ligar pra eles?

Ficou um silencio constrangedor entre nós dois até Carter bufar e entrar pra dentro de casa. Eu entrei log depois, Jimy estava na sala lendo e me mandou um beijo quando cheguei, fora ele não vi mais ninguém, então decidi dar meia volta e perguntar a ele o paradeiro do resto do pessoal.

— Oi Jim, cadê todo mundo?

— Steve está no quarto, Annabeth também, Débora ligou dizendo que vai dormir na casa de uma amiga, Clara está no ateliê, Carter no banho, Irina e Dominncik não chegaram ainda. Eu estou aqui e você ai.

Não consegui evitar a risada, mas meu estomago roncava, e não havia sinal de comida.

— E o jantar?

Jimy deu de ombros, ele sabia comer, não cozinhar.

— Vou tomar banho e depois eu faço um macarrão.

Irritada com tudo e com todos nessa casa, que só ligam pra eles mesmos e para suas vontades não estando nem aí pros outros. Todos egoístas a sua maneira, assim como eu. Tomo meu banho e tento relaxar. Após me lavar coloco um vestido já que não posso andar de pijama por aí. Quando estava saindo do quarto, ouço alguém me chamando.

— Diana, Diana, venha aqui... – era como um sussurro, algo que vinha de dentro do quarto, me viro por curiosidade e por achar que é apenas algo da minha cabeça.

Mas não era, ou era, só sei que vi um homem igualzinho ao meu pai quando jovem. Aquele loiro de olhos verdes e rosto longo, aquele sorriso branco brilhava, mas a sua imagem estava tremula e opaca. Vlamir Alekseev virou um fantasma, uma assombração, ele sorriu ao ver meu desespero e falou:

—*Privet filhinha querida! Estou tentando falar com você há um tempão...

Notas finais
* Privet: Olá em russo