The Lying Game
2 Let's Be Lesbians?
Notas iniciais
Assim que abriu os olhos Emma deu de cara com sua melhor amiga lhe fitando, abriu a boca para perguntar se tinha algo errado, mas não conseguiu proferir nenhuma palavra, pois os lábios da mesma já estavam sobre os seus lhe beijando com suavidade, suas mãos foram diretamente para a cintura da mesma a envolvendo e puxando mais para perto quando...
Emma abriu os olhos assustada com o barulho de seu celular tocando, olhou para o visor e avistou o numero de Regina e uma foto de ambas juntas, respirou fundo tentando acalmar seu coração primeiro pelo sonho que teve depois pela ligação de sua amiga bem na hora que estava sonhando aquilo.
– Hey, Regina. – atendeu com a voz meio sonolenta ainda.
– Você estava dormindo ainda, Emma? – perguntou indignada.
– Estava, mas infelizmente você me acordou. – resmungou – O que foi?
Emma tinha certeza que naquele momento Regina havia revirado os olhos.
– Você vai passar aqui em casa? – indagou ignorando o outro comentário da loira.
– Hmm – disse enquanto pensava se aquilo era realmente uma boa ideia – Ok, passo aí daqui a pouco.
– Ok. – disse antes de desligar.
Emma deitou na cama novamente suspirando cansada, não poderia simplesmente ser gay, poderia? Tinha gostado de beijar sua amiga, mas era só isso, beijar uma garota não fazia ninguém gay, fazia? Estava com tantas dúvidas pairando sobre sua cabeça que parecia que a qualquer momento ela iria explodir. Resolveu levantar e se arrumar para ir à casa de Regina antes que tivesse uma sincope, seria melhor não pensar naquilo agora.
***
Emma comia depressa o seu cereal, enquanto seu pai e sua mãe conversavam sobre algo que ela não prestava atenção, estava absorta em suas duvidas, pensamentos, sobre aquele namoro falso, sua sexualidade colocada em cheque depois daquele beijo, tudo estava uma bagunça.
– Emma. – chamou sua mãe mais uma vez, fazendo à loira enfim sair de seus pensamentos e olhar para ela – Querida, coma mais devagar você tem tempo de se arrumar ainda.
A loira olhou para sua roupa franzindo a testa e depois para sua mãe que a olhava com calma.
– Eu estou pronta, mãe!
– Oh... – ela franziu a testa um pouco intrigada – Por que você não coloca aquela saia que eu te dei? Nunca vi você usa-la.
– Sim, realmente você não viu porque eu não uso saias, mãe. – respondeu começando já a se irritar, será que eles não entendiam que ela gostava do jeito que se vestia?
A mulher ia começar a falar algo, mas foi interrompida pela campainha tocando, prontamente ela levantou e foi atender deixando Emma terminar seu cereal em paz enquanto seu pai ficava alheio a tudo lendo o jornal.
– Olá Zelena – ouviu sua mãe dizer ao longe. – Pode entrar, querida, quer tomar café da manhã?
Emma revirou os olhos assim que ouviu o nome da irmã de sua suposta namorada. Era só o que faltava.
– Não, obrigada – agradeceu e entrou caminhando com a mulher até a cozinha onde Emma e David estavam. – Bom dia, Emma, Sr. Swan.
David balançou a cabeça e sorriu para ela brevemente antes de voltar para sua leitura, Emma nem ao menos deu o trabalho de responder.
– Eu já falo com você, estou terminando de comer. – disse simplesmente.
A ruiva assentiu e ficou apenas fitando Emma por algum tempo antes de ouvir a suave voz de Mary falar com ela:
– Zelena, e a escola? Já foi eleita a rainha do baile? – indagou, sabia que a garota ligava muito para essas coisas ao contrário de sua filha, é claro.
– Não, infelizmente fui trocada por duas lésbicas. – respondeu dando ênfase no “lésbicas” e olhando de relance para Emma que lançou um olhar fulminante para ela.
– Acho que não precisa insultá-las só por elas terem tomado seu lugar, Zelena – repreendeu Mary.
– Não estou insultando elas, Sra. Swan – respondeu dando um sorriso meigo – Elas são realmente um casal, duas garotas.
– Oh, Deus! – exclamou um pouco surpresa – Mas até isso eles querem?
Emma bateu a colher no prato que comia seu cereal com um pouco mais de força do que o necessário, o que fez um barulho alto demais, fazendo todos ali presentes olharem para ela, que apenas deu um sorriso forçado antes de se levantar e puxar Zelena pelo braço com mais força do que o necessário.
– Estamos indo, vejo você depois, mãe.
– Ok, até mais tarde, Emma. – respondeu a mãe começando a falar com o pai da loira algo que ela fez questão de não ouvir.
Assim que saíram da casa de Emma a loira se virou para a garota ruiva soltando o braço dela com brusquidão.
– Você é muito rude! – exclamou a ruiva passando a mão no lugar onde a outra havia segurado com força.
– Certo, agora diga logo o que você quer! – disse com firmeza.
Ela logo recuperou a pose de mandona que tinha, algo que fazia Emma lembrar muito de Regina.
– Você em deve algo, Swan – disse chegando mais perto e invadindo o espaço pessoal da outra, coisa que ela fazia com todos e normalmente intimidava as pessoas, mas não ela. – Então quando eu vir cobrar de você, espero que você faça, se não contarei para sua mãe que agora a filhinha dela é lés-bi-ca. – terminou de dizer com um sorriso vitorioso nos lábios quando viu a cara de Emma completamente chocada.
***
– Regina! – exclamou entrando no quarto da outra que colocou a mão no peito assustada.
– Deus! Quase me matou de susto, o que aconteceu para você entrar assim?
– Sua irmã aquela vadiazinha – disse andando de um lado para o outro – Ameaçou contar para meus pais que sou lésbica – terminou dando uma risada sem humor.
– E eu nem mesmo sou lésbica! – exclamou – Eu não quero mais isso, Regina.
– Emma você não pode desistir, só faz um dia, não podemos contar que foi uma mentira seremos mais esquecidos do que Hahn no estacionamento.
– Ok... – respirou fundo e sentou-se na cama – Mas o que sabemos sobre ser lésbicas?
– Eu pesquisei algumas coisas e coloquei nesse pequeno dossiê – respondeu virando de costas para a amiga que agora estava sentada em sua cama, e pegou uma pasta grossa nas mãos.
– Só para lembrar você disse pequeno. – comentou Emma vendo o tamanho da pasta.
– Pegue – estendeu para ela o objeto.
A loira pegou na mão a pasta e começou a folhear rapidamente até que parou em uma página e franziu a testa confusa antes de olhar para Regina que estava parada a sua frente olhando-a curiosa.
– O que é colar velcro? – indagou, antes de fechar rapidamente e fazer a pergunta que rodeava sua cabeça desde que tinham se beijado – Você não se sente estranha por fingirmos sermos namoradas?
Regina arqueou uma sobrancelha, primeiro espantada com a inocência de Emma sobre o assunto e os termos lésbicos e depois com a pergunta sobre “elas”.
– Sou tão ruim assim beijando, Swan? – perguntou brincando.
– Foi como beijar minha irmã. – respondeu fazendo uma careta.
– Swan. – chamou, fazendo a loira olhar para ela – Você não tem irmã.
Ela revirou os olhos impaciente.
– Não é como se eu não tivesse gostado...
– Então você gostou? – arqueou mais uma vez a sobrancelha sorrindo de forma maliciosa. – Você foi ótima.
Emma ignorou totalmente a outra, perguntando corando levemente.
– Está falando sério?
Ela balançou a cabeça que sim sorrindo para a loira que retribuiu o sorriso bobamente. Os olhares que ambas trocavam eram intensos.
Foram tiradas daquela bolha que as envolvia com a batida na porta do quarto e logo depois a voz da mãe de Regina falando:
– Estão vestidas? Não vou pegar nenhuma de vocês fazendo alguma safadeza na minha casa? – brincou abrindo a porta.
Emma levantou-se rapidamente da cama olhando para Regina completamente chocada.
– Mãe... – respondeu Regina revirando os olhos assim que Cora abriu a porta.
– Só vim saber se estava tudo certo entre vocês e dar boas vindas a nossa família para Emma – disse a mulher indo abraçar a loira – Não que você já não fosse antes – sussurrou.
Emma soltou uma risada nervosa retribuindo o abraço de sua “sogra” e olhou para Regina por cima do ombro.
Assim que se separaram Cora voltou a falar:
– Sempre desconfiei de Regina, ela cavalgava que nem um homem, além de suas vestimentas e sempre só ter amigas iguais você, Emma – apontou para a vestimenta da garota que olhou mais uma vez para si mesma – Não que eu ache ruim, você tem seu charme e estilo.
Emma sorriu amarelo com o comentário.
– Obrigada... eu acho – franziu a testa confusa, não sabia de certo se aquilo era um elogio, mas preferiu levar como se fosse.
– E sua mãe, o que achou sobre isso? – indagou a mais velha.
– Eu ainda não contei para ela. – deu de ombros.
– Você sabe que se ela te expulsar, você pode ficar aqui com Regina, somos todos muito bem resolvidos com esse tipo de assunto e liberais também, se é que vocês me entendem – sorriu dando uma piscadela para Regina que tentava não rir da cara espantada da loira.
– Tudo bem, obrigada, Sra. Mills. – agradeceu um pouco envergonhada.
– Que isso, querida, não precisa agradecer de maneira nenhuma. – disse fazendo um gesto com a mão para ela deixar para lá – Agora somos uma família, não é? Vou deixa-las sozinhas, se divirtam – disse saindo, mas antes de fechar a porta olhou para elas e disse:
– Eu ia dizer para usarem camisinha, mas... Não é precisa, não é mesmo? Vocês tem o necessário então apenas divirtam-se! – e fechou a porta deixando uma Regina e Emma totalmente chocadas, e envergonhadas no quarto.
***
– Eu ainda não acredito que você contou à sua mãe sobre nós. – comentou enquanto ambas caminhavam para o lugar onde pegavam o ônibus para a escola.
– Eu sei... – lamentou Regina como se aquilo tivesse sido um erro – É que ela iria ficar tão feliz, simplesmente escapou, você sabe como ela é, consegue arrancar as coisas que quer saber de todo mundo.
– É eu sei, mas eu não conseguirei fazer isso Regina, fingir. – disse Emma parando e olhando para Regina – Não faz meu estilo, você sabe.
– Eu vou estar ao seu lado o tempo todo, segurando sua mão, você sabe – a loira olhou para baixo e balançou a cabeça devagar antes de levantar novamente – Está comigo?
– Sim. – suspirou antes de pegar nas mãos da morena e aperta-las levemente dando um pequeno sorriso.
***
Assim que chegaram à escola de mãos dadas todos já tinham os olhos sobre elas, aplaudindo e comentando, elas eram o assunto principal dali, tanto que o tema do baile era sobre “sair para fora”. Ambas pararam para conversar com algumas meninas que queriam saber alguns detalhes, Emma respondia a maioria das coisas, mas de forma vaga, enquanto percebia que Regina estava alheia a tudo, sua mão que estava firme entre as dela quando chegaram agora estava frouxa como se quisesse se soltar, isso fez a loira perceber que para a morena, tudo aquilo era apenas isso, fingimento, nada mais que isso, e o seu maior medo era que para ela não fosse o mesmo. Sabia que aquilo tinha sido uma péssima ideia, olhou para Regina que mantinha o olhar fixo em algum lugar longe dali e olhou na mesma direção, lá estava ele, Graham, junto com Hook conversando, mas seu olhar atento em Regina que também não tirava os olhos dele, e mais uma vez estava lá, aquele maldito sentimento, que parecia ficar cada vez pior e mais intenso.
Respirou fundo uma, duas, três vezes antes de soltar de vez sua mão que estava presa na de Regina, mas viu que a morena nem ao menos tinha notado o movimento o que a deixou mais incomodada ainda. Assim que ouviu o sinal tocar correu para a sala de aula, os horários das aulas pareciam passar devagar, seus pensamentos em nenhum momento paravam, suas duvidas pareciam corroê-la cada vez mais, estava tão perdida que nem ao menos prestar atenção nas aulas havia conseguido, assim que chegou o intervalo foi eliminar seu primeiro problema.
Andou rapidamente até o garoto que abriu um sorriso assim que a viu.
– Hey, tudo certo para o baile? Já escolheu seu terninho? – indagou sorrindo.
Emma puxou uma cadeira e sentou-se na frente dele para falar.
– Preciso de sua ajuda.
Ele sorriu.
– Qualquer coisa para minha Cisne. – ela balançou a cabeça rindo.
– Você precisa ir à minha casa e fingir ser meu par.
– Quando eu falei tudo era tudo, menos isso – disse sério – Quando “sai para fora” prometi não fingir mais ser quem eu não era, lady.
– Só precisa conhecer minha mãe e tirar umas fotos. – explicou — E lembre-se, que você foi o culpado de eu estar nessa. – comentou dando de ombros.
Ele a olhou erguendo a sobrancelha perfeitamente delineada.
– Só precisa ir para evitar que minha mãe ex-rainha, dona da razão, das boas maneiras e costumes não me expulse de casa.
Ele revirou os olhos com tamanha dramaticidade depois diziam que os gays eram dramáticos.
– Ok, milady, farei por você – ela sorriu radiante com a resposta – Mas só porque quero conhecer sua mãe e te devo essa. – terminou dando uma piscada para ela.
– E seja “machão” ok? Ela precisa acreditar. – pediu ela já se afastando fazendo Killian olhar para suas próprias roupas.
–-
Assim que saiu de uma das aulas mais chatas que já havia tido no dia resolveu ir sentar na escadaria que era um dos lugares mais “calmos” daquele lugar, pegou seu celular e abriu a pasta de imagens onde tinha as fotos dela e de Regina, começou a passar uma por uma, e mal notou quando um sorriso já habitava seu rosto.
Na maioria das fotos ambas estavam sorridentes, fazendo caretas ou até mesmo abraçadas, e começou a pensar quando foi que tudo mudou, será que já tinha aqueles sentimentos, sejam lá quais eram, dentro de si?
– Você está realmente está levando essa história de ser lésbica e de namoro a sério, não é? – indagou Zelena atrás dela.
Emma revirou os olhos e olhou e ergueu os olhos do celular para a ruiva que agora já estava na sua frente.
– O que você quer agora? Meu rim? – indagou sem paciência.
– Não, só quero dar um conselho de amiga, Swan. – disse fazendo Emma arquear uma sobrancelha e sorrir de modo sarcástico – Se você quer manter seu coração inteiro não leve isso a sério, conheço minha irmã, e ela faz tudo para conseguir o que quer, não importa quantos corações tenha que quebrar pelo caminho, e muito menos se ele é o seu. – dito isso ela virou-se e saiu andando de encontro as garotas – ou seriam capachos? – que andavam com ela.
Emma a olhou saindo de seu campo de visão e por mais que odiasse admitir aquilo, Zelena não estava tão errada assim.
Fale com o autor