The Lucky One

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Notas iniciais
Boa leitura!

Os olhos castanhos-avermelhados de Yuuhi Kurenai admiravam a cascata de cabelos róseos que desciam pelas costas de Sakura. A jovem de usuais traços singelos e finos dessa vez possuía, no entanto, uma enorme ruga formada no meio da testa. Penteava os cabelos, deixando-se sentir a leveza da escova sobre eles, mas isso ainda não era o suficiente para acalmá-la.

O reflexo da jovem de olhos esmeraldinos também mostrava a boca avermelhada franzida. Fez uma careta com aquela imagem e parou o que fazia, repousando a escova de madeira na penteadeira em sua frente. Levantou-se, repuxando as mangas longas do robe feito de um longo tecido branco de cetim até que elas rodeassem a metade de seu braço. Avistou Kurenai encostada na parede pintada de marfim, o rosto escondido pelos cabelos negros esvoaçantes e repicados. Balançou a cabeça negativamente e deu passos o suficiente para que ficasse de frente para sua empresária de tantos anos.

- Você tem um rosto bonito. Deveria mostrá-lo mais. — As mãos finas de unhas pintadas de um rosa claro puxavam para trás com delicadeza os fios rebeldes do cabelo da morena. — Assim. — Sakura exibiu uma expressão satisfeita, mas que ainda dava sinais de seu nervosismo anterior.

Kurenai enrubesceu. A beleza do rosto próximo da rosada era capaz de intimidar qualquer um. Mesmo depois de cinco anos de convivência, a empresária ainda se sentia do mesmo jeito que os demais. Abaixou a cabeça.

- Eu tenho certeza de que ele se arrependerá. — A voz baixa e acanhada da Yuuhi murmurou.

Sakura soltou os fios de cabelo que tinha em mãos e recuou alguns passos, voltando a demonstrar em seu semblante a irritação que sentia. Afundou-se em uma poltrona confortável que ocupava espaço no canto do cômodo e cruzou os braços.

- Eu não estou mais interessada. — Mentiu claramente. — Eu espero que Uchiha Itachi queime no inferno junto com todas aquelas vadias que ele me traiu. — Cuspia as palavras com a voz carregada de raiva e ressentimento. Kurenai suspirou.

- É realmente uma pena o que aconteceu. Vocês eram um ótimo casal. Todo o mundo amava-

- Não importa. — Cortou-a rispidamente, fazendo a morena se encolher ainda mais no canto. — Haruno Sakura está solteira agora. Eu espero que você já tenha avisado isso para todas as editoras de revistas do país. Quero deixar bem claro que não preciso daquele maldito Uchiha para nada.

- S-sim, certamente. Cuidarei disso. — Balbuciou. Abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas foi interrompida pelo toque insistente de seu celular. — Com licença, Sakura-san. — Pegou o aparelho do bolso da calça jeans escura e se retirou do quarto com pressa, antes que pudesse obter resposta.

A Haruno apoiou um de seu cotovelos no braço da poltrona em que estava sentada e se permitiu descansar a lateral da cabeça em sua mão. Pensou terem se passado pelo menos cinco minutos quando Kurenai voltou esbaforida. A respiração ofegante da mulher fez com que Sakura desconfiasse do que poderia estar acontecendo.

- Algum problema? — Perguntou, espreitando com os olhos.

- Uchiha... — A voz entrecortada da Yuuhi fez o corpo da rosada se arrepiar ao pronunciar aquela palavra. Arregalou o par de esmeraldas que tinha nos olhos e se levantou automaticamente. Um gesto de cabeça indicou para que a mulher prosseguisse. — Sasuke.

As sobrancelhas finas e rosadas se uniram no meio da testa de pele branca e cálida. Nunca soube de qualquer parente de Itachi que se chamasse Sasuke, embora o laço sanguíneo entre eles fosse uma grande possibilidade, já que ela nunca havia sido formalmente apresentada para nenhum outro Uchiha. Só tinha conhecimento do nome de Fugaku, pai de Itachi, por ser um renomado advogado e chefe do mais novo. Mesmo assim, nunca havia se encontrado com ele.

- E? — Indagou impaciente e ergueu a cabeça, esperando pela resposta.

- Ele está aqui embaixo. — Ainda ofegava, mas sua voz era mais clara. — Tentei fazer com ele fosse embora porque você disse que não receberia ninguém hoje, mas ele parece não ceder. Insiste em subir..

- Pois bem. — Sakura cruzou os braços, a expressão dura. — E o que ele tem para tratar comigo?

- Eu não sei. — Respondeu com sinceridade. — Ele diz ser jornalista. Deve estar interessado em fazer uma matéria.

A Haruno desconfiava cada vez mais. Por que esse homem estaria interessado nela? Se fosse realmente parente de Itachi, ele saberia do rompimento dos dois. Pensou que talvez o maldito tivesse mandado algum recado para ela. O ex-namorado não atendia nenhuma de suas ligações, então seria ótimo descontar sua fúria em um Uchiha.

- Ótimo. Deixe que ele suba. — Fez um gesto de mãos e tornou a se sentar na poltrona. Kurenai hesitou.

- Tem certeza disso? Ele pode estar querendo arrancar alguma informação sua. Eu não acho que-

O olhar gelado da rosada fez com que a Yuuhi interrompesse suas palavras. A morena afirmou com a cabeça e se retirou pela mesma porta que havia entrado pouco tempo atrás sem dizer nenhuma palavra. Não demorou muito para que a porta fosse novamente aberta, revelando um jovem que não passava dos vinte e cinco anos. Os cabelos negros bagunçados e as roupas desleixadas fizeram Sakura duvidar que tivesse alguma relação com o tão fino e elegante Itachi, mas logo mudou de ideia. Os olhos escuros intensos, a pele pálida, as expressões firmes e profundas no rosto, todas as principais características dos Uchiha estavam presentes naquele mesmo homem de nome Sasuke.

A Haruno engoliu a seco, examinando o moreno parado perto da porta de madeira que agora estava fechada. Sakura, sentada na poltrona, lutou para se recompôr e usou parte de sua experiência como atriz para não demonstrar a apreensão que gritava em seu peito. Nunca imaginaria que havia alguém tão parecido com Itachi. Nunca soubera que ele tinha irmãos ou algo do tipo, mas era impossível que ele fosse algo menos do que isso.

Respirou pesadamente e indicou uma poltrona exatamente igual à que estava sentada, esta ficando de frente para si. Sasuke não hesitou em se sentar. A rosada se forçou para manter a boca fechada, mas isso parecia cada vez mais difícil. Até mesmo o modo como ele se sentava era semelhante ao de seu ex-namorado.

Descansou as mãos de dedos finos em suas coxas e o examinou. Ele não parecia estar nervoso. Pelo contrário, sua expressão era a mais tranquila e indiferente possível. A jovem se ajeitou na poltrona e o encarou mais diretamente. Sentiu-se irritada por ter aqueles tão parecidos com os de Itachi a observando.

- E então? No que posso lhe ajudar? — Perguntou rispidamente, impaciente. Não tinha a menor intenção de estender aquela conversa. Queria se livrar dele o mais rápido que pudesse.

O moreno apertou os lábios e soltou um longo suspiro. Ergueu a pasta preta que só então Sakura percebeu que ele carregava e a abriu. Dentro dela, continham vários papéis que ela não conseguiu ler. As letras eram miúdas e tomavam várias páginas inteiras. Ele pareceu lê-las por um tempo e logo tornou a encarar a Haruno.

- Eu sou-

- Uchiha Sasuke. — Pronunciou o nome com frieza, cortando-o. Ficava ainda mais impaciente com o jeito calmo e lento que ele falava. — Eu sei quem você é.

- Sabe? — Sentiu uma pontada de ironia em seu tom de voz, mas ignorou. — Que bom. Isso encurta as explicações. — Ele tinha um largo sorriso em seu rosto, mas não havia nada de simpático nele. O corpo de Sakura recuou para trás instintivamente ao vê-lo.

- Explicações? — Ela forçava a firmeza na voz. Não queria parecer impotente ou fraca na frente de um Uchiha. Jamais faria isso novamente.

- Isso mesmo. — Sasuke ainda sorria, o que intimidava Sakura. — Acredito que você seja uma mulher no mínimo inteligente. Deve ter percebido que sou irmão de Itachi, não é?

- Sim. — Concordou com a voz baixa. Ouvir aquele nome ainda fazia seu estômago revirar. O observou ficar em silêncio por alguns segundos e sua impaciência se fez presente novamente. — O que isso tem a ver com o que você quer comigo?

- Você é bem direta. — Ele ria. — Falarei tudo em seu devido tempo. Tenha calma, Kyoko-chan. — A voz debochada era como uma faca afiada para ela.

Seu corpo inteiro gelou. Quem era ele? Como ele sabia de seu segredo? Engoliu a seco, passando as mãos trêmulas pela testa com intuito de limpar as gotas de suor que se formavam. As mãos úmidas não foram de muita ajuda. Ela não conseguia encará-lo. Fitava o chão com os olhos arregalados. Apertou com força o pano fino do robe, como se isso fosse fazer seu desespero diminuir. Não diminuiu. O coração batia tão depressa que ela se sentia engasgada. Precisava fazer alguma coisa, mas não conseguia se mover. O corpo trêmulo lançava choques por todas as suas articulações. Olhou para os olhos negros que a encaravam com frieza uma última vez antes que sua vista ficasse embaçada e a escuridão tomasse conta de seus olhos. Desmaiou.

Notas finais
Bem, é isso. Essa é uma fanfic bem diferente de qualquer outra que eu já tenha escrito, então espero que seja bem aprovada. Deixem suas opiniões, por favor. Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.