Notas iniciais
Continuando... Amanhã eu tem mais!

Ele estava me olhando com medo. Eu estava com a barra de ferro apontada para ele, não conseguia reagir.

— Calma — ele disse. Sua voz demonstrava confiança e seus olhos... Tinham uma cor de folha seca hipnotizante. Não conseguia tirar os olhos dele. Meu coração disparou. O que está acontecendo comigo? — Não sou perigoso.

— Eu sei — respondi abaixando a barra de ferro — Me desculpe.

O sol aparecia timidamente no horizonte.

— Quem é você? — ele parecia desconfiado, mas mesmo assim eu não conseguia desviar o olhar.

— Eu... Eu sou Sophia — gaguejei — Qual é o seu nome?

— Tom. Meu nome é Tom — ele estava confuso.

— Você sofreu um acidente, mas tá tudo bem — ele segurou minha mão e pensei que fosse virar um pimentão de tanta vergonha.

— Você é um anjo? — ele perguntou com um leve sorriso. Eu sorri também.

— Não. Minha mãe que é — foi o melhor que eu consegui responder — Foi ela que cuidou de você.

— Tem outros? Outros humanos aqui? — ele parecia animado, a essa altura ele já estava sentado.

Ouvi a voz de Bianca e minha mãe.

— Você consegue se levantar? — eu perguntei. Ele cambaleou um pouco, mas já estava de pé. Saímos da barraca e encontramos os outros.

Todos olharam para Tom, talvez por felicidade. Ele segurava minha mão, e eu tentava transmitir confiança para ele com o toque. A mão dele estava quente. Minha mãe olhou para nossas mãos e fez um movimento com as sobrancelhas, como se estivesse perguntando o que era aquilo. Jack chegou e senti minha mão sendo solta.

— Que bom que você melhorou rapaz — Jack diz esticando a mão para Tom — Eu sou Jack.

Tom apertou a mão de Jack.

— Eu sou Tom.

— Aqueles são Jenna, Violeta, Bianca e Cássio. E obviamente você já conhece Sophia — todos acenaram.

— Eu me lembro de alguns de vocês — Tom com certeza estava de lembrando do acidente.

— Sim. Você salvou as nossas vidas. Te devemos um obrigado — Jack sorriu e colocou a mão no obro do rapaz.

— Você sente alguma coisa? — minha mãe perguntou como uma médica. Tom negou com a cabeça — E se lembra do seu passado?

— Sim. Eu estava naquela cidade há quase duas semanas — ele passou a mão na cabeça — Fugi de Belo Horizonte com minha irmã, mas ela não sobreviveu.

— Sinto muito — eu disse baixo demais para que os outros escutassem, mas Tom escutou.

— Você está disposto a vim conosco? — Cássio perguntou. Ele estava de mãos dadas com Bianca. Ambos pareciam contentes, apesar dos pesares.

— Se não for incomodar. Estou disposto sim — ele olhou para mim. Não sei o motivo, mas ele me olhou diferente. Meu coração disparou novamente — Sei atirar e lutar.

— Seja bem-vindo — Jenna disse — Ali na caminhonete temos roupas limpas, você pode se trocar.

— E encontramos isso com você — disse Jack estendendo uma bolsa de colocar de lado.

Tom saiu e foi se trocar na barraca. Fui comer alguma coisa. Meu estômago roncava muito. Minha mãe estava perto do fogo preparando café instantâneo.

— O rapaz parece ser bom — ela disse misturando o café a água — Foi tudo bem essa noite? — minha mãe desconfiava de algo.

— Não se preocupe, nós não fizemos nada — eu disse rindo — ele dormiu a noite toda e eu também.

— Não estou preocupada — ela disse virando o café em uma caneca e me entregando — Só acho que você e Bianca precisam de cuidados.

— Bianca? — Eu perguntei intrigada — O que ela fez? — eu tomei um gole do café.

— Não dormiu comigo — com certeza estava com Cássio. Eu sorri — Não acho isso certo. Cássio é muito mais velho que ela.

— Não foi a senhora que disse que eles tinham que aproveitar o amor? — eu perguntei para irritá-la.

— Mudei de ideia— ela disse. Minha mãe e seu velho humor bipolar.

Notas finais
Deixem sugestões nos comentários! bjbj