The Loving Dead
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ele estava me olhando com medo. Eu estava com a barra de ferro apontada para ele, não conseguia reagir.
— Calma — ele disse. Sua voz demonstrava confiança e seus olhos... Tinham uma cor de folha seca hipnotizante. Não conseguia tirar os olhos dele. Meu coração disparou. O que está acontecendo comigo? — Não sou perigoso.
— Eu sei — respondi abaixando a barra de ferro — Me desculpe.
O sol aparecia timidamente no horizonte.
— Quem é você? — ele parecia desconfiado, mas mesmo assim eu não conseguia desviar o olhar.
— Eu... Eu sou Sophia — gaguejei — Qual é o seu nome?
— Tom. Meu nome é Tom — ele estava confuso.
— Você sofreu um acidente, mas tá tudo bem — ele segurou minha mão e pensei que fosse virar um pimentão de tanta vergonha.
— Você é um anjo? — ele perguntou com um leve sorriso. Eu sorri também.
— Não. Minha mãe que é — foi o melhor que eu consegui responder — Foi ela que cuidou de você.
— Tem outros? Outros humanos aqui? — ele parecia animado, a essa altura ele já estava sentado.
Ouvi a voz de Bianca e minha mãe.
— Você consegue se levantar? — eu perguntei. Ele cambaleou um pouco, mas já estava de pé. Saímos da barraca e encontramos os outros.
Todos olharam para Tom, talvez por felicidade. Ele segurava minha mão, e eu tentava transmitir confiança para ele com o toque. A mão dele estava quente. Minha mãe olhou para nossas mãos e fez um movimento com as sobrancelhas, como se estivesse perguntando o que era aquilo. Jack chegou e senti minha mão sendo solta.
— Que bom que você melhorou rapaz — Jack diz esticando a mão para Tom — Eu sou Jack.
Tom apertou a mão de Jack.
— Eu sou Tom.
— Aqueles são Jenna, Violeta, Bianca e Cássio. E obviamente você já conhece Sophia — todos acenaram.
— Eu me lembro de alguns de vocês — Tom com certeza estava de lembrando do acidente.
— Sim. Você salvou as nossas vidas. Te devemos um obrigado — Jack sorriu e colocou a mão no obro do rapaz.
— Você sente alguma coisa? — minha mãe perguntou como uma médica. Tom negou com a cabeça — E se lembra do seu passado?
— Sim. Eu estava naquela cidade há quase duas semanas — ele passou a mão na cabeça — Fugi de Belo Horizonte com minha irmã, mas ela não sobreviveu.
— Sinto muito — eu disse baixo demais para que os outros escutassem, mas Tom escutou.
— Você está disposto a vim conosco? — Cássio perguntou. Ele estava de mãos dadas com Bianca. Ambos pareciam contentes, apesar dos pesares.
— Se não for incomodar. Estou disposto sim — ele olhou para mim. Não sei o motivo, mas ele me olhou diferente. Meu coração disparou novamente — Sei atirar e lutar.
— Seja bem-vindo — Jenna disse — Ali na caminhonete temos roupas limpas, você pode se trocar.
— E encontramos isso com você — disse Jack estendendo uma bolsa de colocar de lado.
Tom saiu e foi se trocar na barraca. Fui comer alguma coisa. Meu estômago roncava muito. Minha mãe estava perto do fogo preparando café instantâneo.
— O rapaz parece ser bom — ela disse misturando o café a água — Foi tudo bem essa noite? — minha mãe desconfiava de algo.
— Não se preocupe, nós não fizemos nada — eu disse rindo — ele dormiu a noite toda e eu também.
— Não estou preocupada — ela disse virando o café em uma caneca e me entregando — Só acho que você e Bianca precisam de cuidados.
— Bianca? — Eu perguntei intrigada — O que ela fez? — eu tomei um gole do café.
— Não dormiu comigo — com certeza estava com Cássio. Eu sorri — Não acho isso certo. Cássio é muito mais velho que ela.
— Não foi a senhora que disse que eles tinham que aproveitar o amor? — eu perguntei para irritá-la.
— Mudei de ideia— ela disse. Minha mãe e seu velho humor bipolar.
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