Notas iniciais
Voltamooos!!!!!!!!!! E prometemos não nos afastar mais... Bom, tentaremos. Continuem lendo nossas fics e aproveitem as emoções! bjsbjs

“O que eu deixarei, quando eu morrer?” Linkin Park — Leave Out All The Rest.

O teste estava na minha mão. O resultado estampado lá. Negativo... Era isso. Eu não estava grávida. Sai do banheiro sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Tom não conseguia entender se eu estava chocada ou feliz.

— Negativo — eu disse — Eu não estou grávida.

Tom me agarrou e me beijou aliviado. As lágrimas escorriam do meu rosto. Mal podia acreditar que tinha me livrado do que podia ser minha morte eminente. Tom estava me segurando quando ouvimos uma batida na porta.

— Posso entrar? — disse Laura.

Eu olhei para Tom e bufei um pouco. Não sabia exatamente se queria que ela entrasse ali e estragasse o momento. Mas também seria um pouco falta de educação deixá-la do lado de fora. Eu e Tom nos afastamos um pouco, o que foi um pouco estranho, pois não era necessário já que todos sabem que nós estamos juntos. Todos, menos Laura.

— Entre. — Tom respondeu.

— Oh desculpe, não sabia que você estava aqui. — disse Laura olhando para mim.

— Esse é o meu quarto. — Eu disse cruzando os braços. Tom se jogou na cama de um jeito até que sexy, e pegou o livro que estava em cima dela. — O que você deseja?

— Ahh... Eu só queria saber o que vocês fazem aqui. Estava um tédio lá embaixo.

— Depende, cada um tem alguma coisa pra fazer. Tem uma ronda todo pôr do sol e nós revezamos para ir. — eu respondi

— Bom... Eu não sei atirar. — disse Laura um pouco envergonhada.

Tom parou de ler e a encarou ainda meio deitado, meio sentado na cama.

— Se quiser eu posso te ensinar. — Tom disse.

— Ou o Cássio. — Eu completei. Não queria ela mais perto de Tom do que o necessário. E por necessário quero dizer hora nenhuma.

— Claro. Apesar de viver naquele galpão, Luciano, o homem que me prendia, nunca me deixava pegar nas armas. Já manuseei algumas vezes, mas nunca cheguei a atirar.

— Claro que não ia te deixar pegar nas armas, era assim que ele garantia a sua estadia com ele. — disse Tom, com um pouco de piedade na voz.

Após isso se seguiu um estranho silêncio, onde Tom não olhava para ninguém, Laura olhava para Tom e eu olhava para Laura. Após algum tempo, Tom me olhou e viu como eu estava a encarando. Laura ficou um pouco desconfortável, disse algumas palavras e foi embora. Tom foi atrás e fechou a porta.

— Eu não acredito nisso. — ele disse ainda de frente pra porta.

— Acreditar no quê? — Eu ainda estava com os meus braços cruzados, agora com os olhos fixos em sua nuca.

— Você está com ciúmes. — ele disse encostando-se à porta de frente pra mim, e cruzando os braços com um sorriso no rosto.

— Ciúmes? Ok, até parece que você não me conhece. — eu sorri pra tentar amenizar o clima.

Ele veio para perto de mim e me abraçou.

— Não precisa ter ciúme, Soph. — ele disse acariciando o meu rosto.

— Você que disse que eu estou.

Tom me abraçou e me deu um beijo.

— Tudo bem, mas vamos dormir porque está tarde.

Não podia protestar, afinal, eu já estava cansada. O dia foi longo, e minha paciência estava precisando de descanso. Deitamos e depois de alguns carinhos, dormimos.

(...)

Eu não sentia que estava acordada, mas definitivamente não estava dormindo. Tudo o que eu conseguia ver era um brilho bem nos meus olhos. E tudo o que eu conseguia ouvir era aqueles terríveis gemidos dos mortos por todos os lados. Eu não conseguia me mexer, não conseguia falar e achava que a minha respiração estava começando a falhar. O barulho ia ficando cada vez mais alto e o fedor que eles exalam cada vez maior. O brilho ficou menos intenso e eu pude que eu estava cercada por mortors. Todas as idades de todos os tamanhos. Eu estava cercada deles e eu não podia fazer nada. Nem se quer gritar. Eu não sabia o que fazer. Eles estavam chegando perto, eu podia sentir. Podiam sentir até mesmo o fraco ar que saia, junto com o cheiro horrível em suas bocas mortas, em meu rosto.

Os mortos estavam perto o bastante para poder me agarrar e me arranhar. Eles estavam me prendendo. Eu tentava chutá-los, mas o máximo que eu conseguia era mover minhas pernas muito lentamente. Já não existia mais espaço entre mim e eles. Lágrimas escorriam do meu rosto e eu não sabia o que fazer. Eu não conseguia mais... Eu simplesmente não podia ficar... Eu tinha que...

Levantei-me tão rápido que minha cabeça começou a doer. Eu estava toda molhada de suor. Tom estava dormindo e parecia nem ter percebido minha movimentação. Minha respiração estava curta e eu ainda estava apavorada com o que tinha acontecido no sonho. Corri para a janela e olhei lá fora. Tudo calmo, nenhum morto á espreita. Mas Deus! O que foi aquilo? Será que eu viveria à mercê de meus pesadelos? Resolvi não preocupar Tom novamente com meus pesadelos, sai da cama e fui até a cozinha.

Havia uma vela acesa sobre a mesa da cozinha. Percebi que uma pessoa estava sentada no chão e o cheiro de maconha era fortíssimo. Cheguei mais perto e vi Laura com um cigarro entre os dedos. Ela parecia estar fora de si. Soltava a fumaça bem devagar como se quisesse absorver até a última partícula. Resolvi não interferir no que ela estava fazendo. Voltei para o quarto e me aconcheguei nos braços de Tom, rezei para que não tivesse outro pesadelo.

Quando acordei percebi como estava com uma aparência horrível, se eu não tivesse certeza que estava viva diria que era um zumbi. Tom não estava mais no quarto, há essa hora ele já estaria na ronda. Desci para a sala e encontrei Bianca e Jenna conversando. Fui até a cozinha e tomei uma xícara bem cheia de café forte, esperava que a cafeína fizesse com que me sentisse melhor. Voltei para a sala e tentei entrar no assunto de Jenna e Bianca.

— Bom dia — falei.

— Bom dia — as duas responderam juntas.

— Como está se sentindo, Bi? — perguntei a Bianca com o apelido que ela odeia. O sorriso foi inevitável.

— Bem, mas eu odeio esse apelido — ela sorriu.

— Onde estão os outros? — perguntei.

— Cássio e Jack voltaram à cidade para buscar mais coisas e... — Jenna hesitou um pouco — Tom e Laura saíram para a ronda.

— Na verdade, Laura estava se sentindo mal — Bianca continuou — E Tom a levou para tomar uma brisa.

Eu sabia como ela estava se sentindo mal. Tentei manter a calma, eu não deveria me importar com isso.

— Vou dá uma volta — disse — Quem sabe eu os encontro pelo caminho?

Sai em direção a areia. O dia estava nublado. O mar se agitava. Fui andando sem destino. Apesar da paisagem espetacular, eu me sentia perdida. Se o mundo fosse o mesmo, essa praia estaria lotada de pessoas querendo se divertir. Consegui imaginar crianças correndo pela areia e fazendo castelos, as mulheres deitadas querendo se bronzear e os homens jogando frescobol com suas latinhas de cerveja a mão. Quando voltei à realidade percebi que estava bem longe de casa. A paisagem estava diferente, o céu estava fechado. Senti a primeira gota de chuva bater no meu rosto, como o tempo era instável. Mais gotas caíram e a tempestade aparecia. Corri de volta para a casa, mas havia algo no meu caminho, um morto.

Apenas um zumbi, eu poderia exterminá-lo em segundos. Ele veio em minha direção ignorando a forte chuva. Apalpei minha calça para pegar a arma, mas não a encontrei. Merda! Nunca tiro a arma da calça... Não poderia deixar aquele zumbi solto por ai, ele poderia atrair outros. A chuva atrapalhava minha visão, eu já estava ensopada e mesmo assim o morto se aproximava. Sai da praia e fui para a estrada, o zumbi fez o mesmo. Procurei por alguma coisa pra atacá-lo, avistei um galho no chão e corri para pegá-lo. Era firme o suficiente para perfurar o cérebro apodrecido. Dessa vez eu permiti que o zumbi se aproximasse. O morto grunhia e tentava me morder, posicionei o galho e perfurei a sua cabeça, no entanto nada aconteceu, ele continuava do mesmo jeito. O galho estava quebrado, tentei correr, mas ele me agarrou. Como nos meus pesadelos eu estava imobilizada, não conseguia reagir. Fiz força para me soltar, mas eu sentia o fim chegando. Tudo em câmera lenta. Dei um chute na perna do morto e pareceu que havia quebrado, nós dois caímos. Rastejei-me no asfalto sujo e sentia o zumbi mordendo meu sapato.

Uma luz estava chegando. O morto já estava conseguindo se reerguer e eu fiquei paralisada. Estava cansada de lutar contra a morte, todos merecem o descanso eterno. Fechei os olhos... Respirei fundo e esperei.

Um tiro. O corpo do zumbi estava sobre mim.

— Sophia? — era Jack — O que aconteceu? — ele tirou o corpo de cima de mim e me carregou no colo.

Eu estava tremendo. Fui colocada no banco de trás da caminhonete e levada para casa. Eu estava em um transe. Ouvi a voz de Jenna e Bianca desesperadas, mas não conseguia responder, falar que estava bem, que foi só um susto. Eu estava desmaiada, no entanto eu ouvia tudo.

— Quem deixou ela sair sem arma? — Jack perguntou enfurecido.

— Não sabíamos, Jack. Ela sempre anda armada. Sabe que Sophia é esperta — Jenna disse.

— Onde está o Tom?— Cássio perguntou calmo.

— Não voltou ainda — Jenna respondeu solícita. Acho que ela se sentia culpada por meu acidente.

— Vou procurá-los — Jack me colocou no sofá. Eu estava preocupada com Tom, e se mais zumbis tivessem aparecido.

— Não precisa — era a voz de Laura — Nós estamos bem — ela parou de falar imediatamente. Senti a presença de Tom — O que aconteceu... — Laura disse, mas foi interrompida.

— Soph! — Tom estava do meu lado. Sua mão acariciava meu cabelo molhado — O que é isso? — ele perguntou aos outros.

— Eu que pergunto — Jack disse — Você sai e deixa a garota sem arma, sem proteção.

— Eu não... — Tom tentou falar.

— Não precisa culpa ele, Jack — Jenna disse — Não existe culpa... Isso sempre pode acontecer.

— Sophia, acorda! — Tom disse em alerta — Ela está bem?

— Não foi mordida — Cássio disse — Mas deve estar em choque. A encontramos lutando com um zumbi na estrada.

Senti uma lágrima cair na minha bochecha. Tom estava chorando? Tentei acordar para consolá-lo, mas não consegui.

— Não fique triste — Laura disse — Ela vai ficar bem.

— Me deixem cuidar dela — Jenna disse — Ela precisa descansar.

— Eu faço isso — Tom disse. Senti ele me carregando e subindo as escadas.

O silêncio permaneceu por um longo tempo. Até que Laura apareceu.

— Desculpe — ela disse — Mas preciso saber se você está bem — ela falou. Fiquei com raiva. Como ela poderia se achar no direito de se preocupar com meu namorado?

— Ficarei melhor quando ela acordar e me perdoar — ele disse — Jurei a mim mesmo protegê-la.

— A culpa foi minha — ela disse dissimulada — Se eu não tivesse insistido em ir com você... Você não teria pegado a arma dela.

O quê? Minha arma nas mãos dela? Minha consciência estava a tona. Esforcei-me e consegui abri os olhos, finalmente.

— Tom — sussurrei. O vi chegando.

— Graças a Deus — ele me abraçou forte.

— Estou bem — falei.

Ele me beijou. Me sentei na cama e permanecemos abraçados até eu perceber que Laura continuava lá. Ela sorriu.

— Que bom que está melhor — falou — Ficamos preocupados.

— Eu sei — falei — Será que você pode sair?

Tom me encarou indignado.

— Ah! Sim... Não quero atrapalhar — ela saiu olhando para baixo. Tom ficou me observando enquanto ia fechar a porta. Tentei raciocinar, mas não consegui segurar minha frustração.

— Porque a falta de educação?— Tom perguntou. Como se ele não soubesse.

— Acabei de me safar da morte e você quer que eu seja educada com ela? — meu tom de voz se alterava.

— Ela não tem culpa.

— Então quem tem? — eu estava chorando — Eu? Eu tenho culpa de ter saído sem minha arma?

— Não — ele estava muito nervoso — Se eu soubesse que você sairia sozinha eu nunca teria pegado sua arma. A Laura...

— Ela sempre está no meio de tudo, não é? — eu gritava — Maldita a hora em que a encontramos. Podia ter deixado ela morrer como o Luciano...

— Não fala disso, Sophia — ele me segurou — Não nos magoe por causa de ciúmes.

— Sabe de uma coisa? Não me importo. Fique com quem quiser, mas não venha me dizer que não sente algo por ela, porque é mentira. Eu te conheço, Tom, e sei que não estaríamos nessa situação se não fosse verdade.

Ele saiu do quarto tão rápido que eu não pude ter certeza se chorava ou não. No fundo eu sabia que estava certa. Laura era o tipo de garota que fazia qualquer homem cair aos seu pés. Sempre fingindo ser indefesa, como se não conseguisse viver sem uns músculos masculinos por perto. E Tom com essa mania de defender todo mundo, agindo como se ela não fosse capaz de se cuidar.

Notas finais
Gostaram?? Comentem.. *-* ~UmaParawhore