The Love Of a Player
1 Capítulo 1 - único
O suor escorria pelo rosto pálido sem pudor, formando caminhos cristalinos sobre as bochechas rosadas.
Quente.
Assim estava ele, exalando calor. Tanto por dentro quanto por fora, a agitação do público o contagiando, incitando-o a tocar com mais ânimo. Cada vez mais quente.
Concentrou-se nos pratos da bateria, as baquetas atingindo-os em sequência, ritmadas, como se tivessem vida própria. E enquanto isso, a sensação de bem-estar o tomando por completo, preenchendo seu peito e achando espaço onde nem mesmo ele acreditava existir. Estava completamente entregue àquela sensação.
Era tão bom estar ali que... Tornava-se difícil definir, expressar em substantivos ou verbos. Preferia mostrar isso com suas baquetas, a música fluindo por seu sangue, se tornando parte do que ele era. Ou melhor, tudo o que ele era.
O ritmo, o som, a intensidade, as vibrações.
Tudo impregnados à alma do simpático baterista, tudo sendo expresso através da bateria, como uma extensão de seu corpo. Perfeitamente.
Sentiu a camisa negra colar em seu corpo magro, repleta de suor. Já era a segunda da noite que se encharcava com seu esforço e dedicação.
Ele literalmente suava pela banda.
Escutou o companheiro iniciar um solo intenso na guitarra, diminuindo a força das batidas para dar destaque às notas que se formavam nas mãos do loiro, como num passe de mágica.
Logo a música chegava ao fim, dando início a outra mais lenta e que se tornava agitada no refrão. Seria sua brecha. A chance de mostrar que não era um músico qualquer, e que amava aquilo que fazia com todo o seu ser. Ele queria expor seu talento, e confirmar algo que os fãs há muito tempo já sabiam.
Era mais que especial.
Começou devagar, a bateria vibrando cada vez mais, os movimentos com as baquetas se acelerando conforme o vocalista sussurrava ao microfone, a voz grave lhe penetrando os poros. Seria a última canção do show, e ele queria fechar com chave de ouro.
Percebeu que seus amigos já haviam parado de tocar, tamanha era a emoção e a realização que os atingia naquele momento.
Sorriu levemente, os pequenos dentes reluzindo enquanto se empenhava, a melodia ficando triste e nostálgica. Lágrimas começaram a se formar em seus olhos escuros, e logo despencaram por sua face. Estava verdadeiramente feliz.
Encerrou sua apresentação com duas batidas fortes nos pratos da bateria, se erguendo do banco e caminhando à frente do palco, para ficar ao lado de seus companheiros.
Após um pequeno agradecimento, interrompido por mais choro e soluços, deram as mãos e pularam animados. Sua marca registrada.
Gritos. Sorrisos. Presentes jogados ao palco. Aplausos. E um público em êxtase, encantado.
Aquela era sua maior recompensa, e por eles, tocaria até o fim de sua vida.
Sempre.
Owari.
Notas finais
Não dói nada e você ainda ganha pontinhos! *-*9~
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